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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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“60 POEMAS”: ARTUR COIMBRA PUBLICA A POESIA DE UMA VIDA

O historiador e poeta Artur Ferreira Coimbra publicou recentemente mais um livro de poemas cuja apresentação teve lugar no passado dia 16 de junho, na Sala Manoel de Oliveira, em Fafe, perante numerosa assistência que encheu por completo aquele espaço. Em representação da Câmara Municipal de Fafe esteve presente o Vice-presidente Pompeu Martins. A obra foi apresentada por César Freitas, professor e diretor da Escola Superior de Educação de Fafe e autor do prefácio, tendo ainda contado com a intervenção do poeta Carlos Afonso, professor da Escola Secundária de Fafe, que subscreve o posfácio. A anteceder a sessão de apresentação da obra, o Coro de Pais e Amigos da Academia de Música José Atalaya, sob a direção do maestro Tiago Ferreira brindou os presentes com a sua atuação.

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“Esta é a viagem mais íntima, pessoal e singular do meu percurso poético de mais de quatro décadas, mantendo embora, penso, as linhas essenciais que venho tecendo com livre a pausada regularidade.

Simbolicamente, quis associar aos efémeros 60 anos de existência uma obra que dissesse de mim o que nem as fontes e as rãs adivinhariam.” – é com estas palavras que Artur Ferreira Coimbra começa por introduzir o leitor no espírito da sua mais recente obra poética: “60 Poemas”.

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Em toda a obra perpassa um misto de memórias e afetos, sentimentos e nostalgia por tudo o que de mais relevante representou para o poeta, sobressaindo as coisas mais singelas da vida como as recordações de infância no lar paterno e o esvoaçar das andorinhas, as laranjeiras em flor e a frescura do orvalho matinal. Mas, também, revelando uma sublime intensidade, os afetos que o ligam à família, a quem aliás dedica a obra: “À Minda, pilar eterno da minha vida / Vértice doirado dos meus amores / À Mónica e ao João, adorados filhos / Meus conseguidos poemas maiores!”.

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Como não podia deixar de suceder, muitos dos poemas são dedicados à terra que é sua – Fafe – como a Nossa Senhora de Antime, ou ainda às suas gentes, lembrando os emigrantes.

São de Carlos Afonso, autor do Posfácio, as seguintes palavras que definem bem a escrita do poeta: “Numa consciência de poeta natural, sincero, claro, determinado, sonoro, apolíneo, Artur Ferreira Coimbra não se esconde por detrás dos versos, reflecte-se numa abrangência criativa, localizadora, redentora, pessoal e silábica, em busca de um belo perfeito, eternamente por achar”.

E, como as palavras são como os frutos, transcrevo parte de um poema para que os leitores o possam saborear de maneira a abrir o apetite para a leitura da poesia de Artur Coimbra:

 

Memórias do grão e do pão

 

Eu sei do grão, doirado e luminoso

E da leiva fumegante e maternal

Talhada pelo ferro do arado

Das manhãs de Maio

Eu sei dos bois mansos e pachorrentos

- Como se as noites não descessem aos dias –

A lavrar, a gradar, a semear

Na alegria quente das levandiscas

No trilar sonhador dos grilos

 

O lavrador semeia o grão

Na terra negra da minha infância

Como quem tece um poema de amor

Ou afina os acordes de uma guitarra

Da passarada num êxtase de laranjeiras

 

Eu sei dos campos e do vento

E dos frutos que não cabem

No regaço largo do coração

E dos milheirais em crescendo

Regados apaixonadamente pelas chuvas

E pelas madrugadas de orvalho

 

Eu sei das festas e romarias

Que crescem ao ritmo das espigas

Em floração

E sei de Junho e de Setembro

E das desfolhadas ao cair do Verão

Dia fora, noite dentro

Debruadas de merendas, de vinho verde

Da magia das concertinas

E dos cestos fartos em direcção às eiras

E do júbilo ancestral

Dos lábios e dos olhos e das mãos

A descamisar as maçarocas

Na ânsia vermelha do milho-rei

E do beijo virginal das raparigas

Que nem sempre florescia

(…)

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O livro tem a chancela da Editora Labirinto. Apresenta bom aspeto gráfico, exibindo a capa um design baseado numa pintura da artista fafense Dulce Barata Feyo, e inclui fotografias de Manuel Meira.

Artur Coimbra é natural de Montalegre mas vive em Fafe desde os primeiros anos da sua infância, tendo dedicado a esta terra todo o labor da sua vida. Ascende a duas dezenas as obras de investigação histórica de sua autoria alusivas ao concelho de Fafe, às suas gentes e ao património local. Mas é também vasta a sua colaboração quer na imprensa regional como nacional, de entre a qual também já honrou o BLOGUE DO MINHO com a publicação dos seus artigos.

Na área da poesia, tem publicado “O Prisma do Poeta” (1978), “Máquina de Liberdade” (1988), “Cais do Olhar” (1995), “25 Anos de Palavras” (2003) e “As Palavras nas Dunas do tempo (35 anos de poesia) (2014).

Foi Vereador da Câmara Municipal de Fafe entre 1980 e 1982 e é atualmente Chefe de Divisão nas áreas de Desporto, Educação e Juventude daquela Autarquia Local. A Artur Coimbra se deve ainda a fundação em 1990 do Núcleo de Artes e Letras de Fafe do qual é Presidente.

Artur Coimbra é Licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Pós-graduado em Assuntos Culturais no Âmbito das Autarquias pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e Mestre em História das Instituições e da Cultura Moderna e Contemporânea pela Universidade do Minho.

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