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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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GUIMARÃES: AS GUALTERIANAS E A SOCIEDADE MARTINS SARMENTO EM 1908

A revista Ilustração Portugueza, de 24 de agosto de 1908, dedicou algumas das suas páginas às Festas de S. Gualter, em Guimarães, e também ao Museu Arqueológico da Sociedade Martins Sarmento. Cento e quatro anos decorridos dos referidos festejos, transcrevemos a reportagem na parte respeitante às Gualterianas.

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Janelas ornamentadas: a tourada

S. Gualter tem, como se sabe, o seu solar festivo em Guimarães, que, n’uma das quatorze capellas da sua egreja de S. Francisco, lhe conserva os ossos venerandos.

Cada anno as festas gualterianas, afamadas desde longe, attrahem, à velha cidade gloriosa, chusma de forasteiros, que enchem de ruído e movimento desusados as suas ruas engalanadas, e todos os anos as festas tradicionais vimaranenses se transformam, transigindo com as ideias inovadoras do tempo, modificando constantemente o seu antigo feitio, mas não arrefece o enthusiasmo da sua celebração. Emquanto Guimarães existir, ufanando-se de ter sido o berço da monarchia, não deixará de comemorar o santo seu predilecto, que constitue também um timbre do seu brazão.

Janelas ornamentadas: o moleiro

Os chronistas seráficos da provincia de Portugal relatam que tendo vindo S. Francisco de Assis a este reino na companhia do seu discípulo S. Gualter, e partindo ambos d’aqui em romaria a S. Thiago de Compostella – que quem não realisou em vida, terá de fazer na morte, – na sua passagem por Villa Verde, junto de Guimarães, o patriarca franciscano fundou n’esse sítio uma casa de oração, na qual deixou o seu companheiro, a quem depois se aggregaram outros religiosos, constituindo-se em comunidade. O facto ter-se-hia passado, no dizer dos auctorisados narradores, pelos anos de 1216, no reinado de D. Affonso II. Oitenta anos volvidos, aquelle destacamento mendicante não cabia no estreito quartel, que o seu general construira, e foi então resolvido edificar um novo convento, mais amplo, mudando-o, porém, n’essa ocasião, para dentro dos muros de Guimarães. Collocaram-no effectivamente junto da cerca de muralhas da villa, e d’esta circumstancia resultou o ser mandado demolir pelo rei D. Diniz após o cerco que o filho rebelde, mais tarde D. Affonso VI, pôz a Guimarães.

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Cortejo dos excursionistas

Os frades trataram logo de arranjar nova casa e construíram o seu terceiro convento, que se concluiu no primeiro quartel do seculo XIV, e que é o que ainda existe e conserva algumas das suas feições primitivas, apesar das varias reparações e reconstrucções posteriores. Tal é a história d’este S. Gualter, que Guimarães festeja com tanta devoção e enthusiasmo popular.

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A chegada dos excursionistas ao largo do Município

O Agiologio do padre Cardoso fala de um S. Gualter, que era portuguez e foi leigo do convento de S. Francisco do Monte, em Vianna, onde morreu no ultimo quartel do seculo XVI. Está de ver, porém, que não pode ser este o mesmo santo tão estimado em Guimarães e que devia ter dado entrada já desde há muito tempo na côrte celestial quando este seu homonymo foi nado em terras portuguezas. Assim, foi por engano que lhe attribuimos, o anno passado, quando então nos occupámos também das festas gualterianas de Guimarães, a honra de ser o seu heroe. Aqui fica feita a rectificação, porque nem aos santos se deve tirar o que a cada um pertence. As tradicionais festas vimaranenses celebraram-se este anno com esplendor em nada inferior ao dos antecedentes, e pelas photographias, que reproduzimos d’ellas, farão os nossos leitores uma idéia do que ellas foram. A concorrência de forasteiros foi verdadeiramente excepcional e raros foram os que não aproveitaram o ensejo da excursão para visitar o museu archeologico da Sociedade Martins Sarmento, ao qual se referem também algumas das photographias que inserimos.

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Um grupo de excursionistas (caixeiros portuenses)

Não é tão conhecida, como tinha direito a sel-o, entre o grande publico, esta bella sociedade provinciana, que tão relevantes serviços tem prestado á instrucção e ao estudo do paiz, que possue uma excelente biblioteca, um museu local interessantíssimo, e publica uma Revista que tem sido collaborada por alguns dos nossos mais distinctos homens de sciencia e tem inserido trabalhos de alta erudição. Deve-se a iniciativa da sua fundação a um dos homens mais beneméritos, dos que na obscuridade do seu trabalho indefesso e valiosíssimo passaram sempre indiferentes á popularidade, que nobremente desdenharam, mas que foram, apezar d’isso, dos mais altos servidores da sciencia e de Portugal – Francisco Martins Sarmento, cujo nome é a gloriosa égide do ilustre grémio.

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O côro de raparigas

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A ornamentação no Toural

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Janellas ornamentadas: o namoro

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Janellas ornamentadas: o almirante e o Zé Povinho – “Onde irá isto parar?”

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Vista geral do Museu de Archeologia

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Parte lateral do edifício da Sociedade Martins Sarmento

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Um aspecto do Museu de Archeologia da Sociedade

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Vista geral do Museu de Archeologia

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Uma galeria do Museu

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Cortejo dos excursionistas do Porto

 

(Clichés do sterkoscopio portuguez de Aurelio da Paz dos Reis)