PONTE DE LIMA: CABAÇOS COMEMORA DIA DE FINADOS

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As papas de sarrabulho constitui um dos pratos tradicionais da culinária minhota. Confecionadas entre outros com sangue e carne de porco, galinha, salpicão, presunto, chouriços, limão e farinha de milho, a sua origem está intimamente ligada à introdução da cultura do milho na nossa região, proveniente do continente americano na sequência da descoberta realizada pelo navegador Cristóvão Colombo.
O milho – à época também designado por trigo índio – entrou na dieta alimentar dos minhotos em virtude do seu cultivo em regadio, só mais tarde tendo-se expandido mais para sul como milho de sequeiro.
Nas casas dos lavradores, as papas de sarrabulho começaram a ser confecionadas em forma de caldo – uma espécie de sopa – que faziam acompanhar de um naco de carne ou rojões de porco, regados com uma malga de vinho verde tinto. Apenas mais recentemente a farinha de milho foi susbtituída com grande sucesso pelo arroz, destacando-se Ponte de Lima na promoção desta iguaria que atrai à vila minhota numerosos forasteiros. Ao milho deve-se também as inigualáveis broas de milho que fazem a delícia de quem aprecia os melhores cereais.
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Paço de Giela, em Arcos de Valdevez, onde nasceu D. Leonel de Lima em 1403
De origens galegas, Leonel de Lima (c.1403 – 13 de abril de 1495) foi o primeiro Visconde do Reino de Portugal, tendo recebido o título de Visconde de Vila Nova de Cerveira, durante o reinado de Afonso V.
Leonel de Lima foi filho de Fernão Anes de Lima e de sua mulher Teresa da Silva (filha de João Gomes da Silva, 2.º Senhor de Vagos e Conselheiro de D. João I de Portugal, e de sua mulher Margarida Coelho). Tinha um irmão mais velho, Álvaro Rodrigues de Lima, e uma irmã mais nova, Maria de Lima, Abadessa de Santa Clara de Pontevedra.
A sua data de nascimento é de 1402 ou 1403, uma vez que à data da sua morte, 13 de Abril de 1495, já contava com 92 anos, segundo o testemunho dum Cronista Franciscano (Frei Pedro de Jesus Maria José).
Em 24 Janeiro de 1429, o rei D. João I confirmou as herdades de seu irmão Álvaro, morto nos princípios do ano 1429 sem sucessão. Estes lugares e terras foram: Fraião, Coura, São Martinho, Santo Estêvão, Jaraz, Val de Vez e o Paço da Giela, na Freguesia de Giela, que o Rei D. João I doara a seu pai, Fernão Anes de Lima, em 1398.
Possuía várias terras, senhorios e cargos no Minho, entre os quais Vila Nova de Cerveira, que lhe doou o Rei D. Afonso V a 21 de Outubro de 1471, e foi nomeado Visconde daquela terra a 4 de Maio de 1476. Também foi o primeiro Alcaide-Mor do Castelo de Ponte de Lima.
Os Viscondes D. Leonel e D. Filipa foram sepultados na Capela de Nossa Senhora de Piedade no Convento de Santo António de Ponte de Lima.
Fonte: Wikipédia
Vista geral da fachada poente do Paço da Giela, ou Solar dos Limas e da zona envolvente, no Lugar do Paço, em Arcos de Valdevez, em 1938. | Fonte: Arquivo Municipal do Porto
EURICO, Pedro - Figuras do passado. Ponte de Lima: Lisboa : Tip. Editora José Bastos, 1915. Fonte: Arquivo Municipal de Ponte de Lima

Os barcos de Água-Arriba eram antigamente utilizados para o transporte de mercadorias e pessoas. Atualmente, estas embarcações estão associadas a visitas turísticas mediante marcação, dando a conhecer a história da Vila de Ponte de Lima, bem como a fauna e a flora das margens do Rio Lima.
Água-arriba carregado, parado na margem esquerda do rio Lima, em Ponte de Lima. Ao longo do século XIX o Rio Lima foi cenário de um dos mais emblemáticos barcos de trabalho de rio, o água-arriba, também conhecido por riba-acima, ou simplesmente barco. Durante a II Grande Guerra Mundial foi o mais barato e o maior meio de abastecimento e transporte entre a foz do Lima e as terras do interior minhoto, navegando de Viana do Castelo até Ponte da Barca.
Foto: Conde d'Aurora (José de Sá Coutinho) / Arquivo da Casa de Nossa Senhora d'Aurora











Aprovada candidatura de mais de 1,1 milhões de euros para o Rio Coura para reabilitação desde a Ponte de Vilar de Mouros ao Cais do Pego. Estruturante e com impacto positivo para a população, ambiente, atividades económicas e património
O Município de Caminha desenvolveu, apresentou e viu aprovada uma candidatura de mais de 1,1 milhões de euros, valor que vai permitir executar uma obra estruturante, o “Restabelecimento do Leito do Rio Coura desde a Ponte de Vilar de Mouros ao Cais do Pego e Reabilitação das Margens no Cais do Pego”. A concretização deste projeto, com financiamento agora garantido, terá um enorme impacto positivo para a população, para o ambiente, para as atividades económicas e para o património. Beneficia diretamente as freguesias de Vilar de Mouros, Argela, Venade e Azevedo, mas representa um importante melhoramento para o concelho e para a região.
A boa notícia chegou recentemente: está aprovada a candidatura relativa ao projeto de “Restabelecimento do Leito do Rio Coura desde a Ponte de Vilar de Mouros ao Cais do Pego e Reabilitação das Margens no Cais do Pego”, apresentada ao programa operacional NORTE2030, no âmbito do protocolo celebrado com a Agência Portuguesa do Ambiente para concretização de intervenções e investimentos de gestão de recursos hídricos previstas na Área de Risco Potencial Significativo de Inundações ARPSI Fluvial: PTRH1Coura01: Caminha (rio Coura) e no PGRI da Região Hidrográfica do Minho e Lima (RH1).
Trata-se, como referimos, de um investimento total de 1.109.775,20 €, cofinanciado pelo FEDER.
O projeto a executar prevê um conjunto de trabalhos integrados com vista à diminuição do risco, preservação, requalificação da zona estuarina do Rio Coura e inclui trabalhos de estabilização de ambas as margens deste importante curso de água, com recurso a técnicas de engenharia natural, recuperação de zonas da galeria ripícola, eliminação de manchas de espécies exóticas invasoras e plantação de espécies autóctones (árvores, arbustos, caniçais e hidrossementeiras e sementeiras naturais de prado).
A limpeza do leito do Rio Coura será concretizada através um conjunto de ações coordenadas e técnicas específicas, com o objetivo de remover sedimentos, vegetação aquática excessiva e outros obstáculos que possam obstruir o fluxo da água.
Está ainda prevista a instalação de duas estações hidrométricas e meteorológicas, destinadas a monitorizar os caudais e dados atmosféricos da bacia hidrográfica do Rio Coura, que permitirão a recolha de informação de interesse para o estudo daquela área.
A concretização do projeto permitirá a valorização fluvial, paisagística e ambiental do rio Coura, nomeadamente no troço compreendido entre a ponte romana de Vilar de Mouros e o Cais do Pego, em Venade, numa extensão aproximada de 3 km e 250 m, por via da realização de um conjunto de ações integradas, bem como aumentar a resiliência daquela área do concelho, reduzir o risco de inundações e os impactos negativos das mesmas para a saúde humana, o ambiente, o património cultural e as atividades económicas.



Ontem, dia 31 de outubro, a Biblioteca Professor Machado Vilela, em Vila Verde, recebeu a historiadora Irene Flunser Pimentel, no âmbito do programa AQUI HÁ CULTURA!, para a apresentação da sua obra “Do 25 de abril de 1974 ao 25 de novembro de 1975 – episódios menos conhecidos”. A iniciativa integrou-se numa programação cultural que se distingue pela qualidade e pela promoção de encontros com figuras de destaque da cultura portuguesa.
Distinguida com o Prémio Pessoa (2007), com o Prémio Seeds of Science na categoria de Ciências Sociais e Humanas (2009), e condecorada com a Ordem Nacional da Legião de Honra pelo Governo de França (2015), Irene Flunser Pimentel é reconhecida como uma das mais relevantes historiadoras portuguesas contemporâneas. Mestre em História Contemporânea (Século XX) e doutorada em História Institucional e Política Contemporânea pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, exerceu funções de investigadora no Instituto de História Contemporânea da mesma instituição.
Manuela Barreto Nunes apresentou a todos a convidada e passou a palavra a Arnaldo Varela de Sousa, moderador da conversa, que iniciou a sessão por agradecer a presença de Irene e a presença de todos. Referiu também que, apesar de ser a apresentação da obra da autora, a sessão se desenvolveria através de uma conversa cujo ponto de partida foi o livro “Do 25 de abril de 1974 ao 25 de novembro de 1975 – episódios menos conhecidos”.
A escritora iniciou o seu discurso abordando a questão da inação da DGS (antiga PIDE) durante o 25 de abril, explicando que existiram diversos acontecimentos que justificaram esse comportamento por parte da polícia política.
No entanto, durante a segunda fase do marcelismo, o cenário alterou-se de forma significativa: o regime endureceu e a repressão intensificou-se. Muitos jovens começaram a emigrar antes de cumprirem o serviço militar obrigatório, e a PIDE respondeu com um reforço das suas estruturas, recorrendo novamente à tortura e à violência. Incapaz de conter a crescente oposição, sobretudo por parte do Partido Comunista, a polícia política mostrou o seu caráter autoritário e implacável.
A autora destacou ainda que a PIDE possuía uma estrutura semelhante à do KGB soviético, uma polícia interna e externa do Estado, tendo colaborado com serviços secretos internacionais como a CIA e o BND alemão.
Referindo-se à Revolução de 25 de Abril, Irene Pimentel descreveu-a como um ato de desobediência e coragem, evocando o célebre episódio do militar que se recusou a disparar sobre Salgueiro Maia durante o golpe de Estado.
Recomendou também a visualização do filme “A Conspiração”, de António-Pedro Vasconcelos, transmitido pela RTP, que retratou as reuniões da PIDE em 1973 e 1974.
Por fim, sublinhou que o 25 de novembro de 1975 constituiu uma data fraturante na história nacional, reforçando a ideia de que é “uma data que não se comemora, estuda-se”, pois decorreu diretamente dos acontecimentos de Abril e ainda hoje levanta muitas questões por esclarecer.
Demonstrou ainda o seu agrado em saber que as sondagens mais recentes revelaram um aumento do orgulho e do reconhecimento da importância do 25 de Abril entre os portugueses, demonstrando que a memória da revolução continuou viva e em reavaliação constante.
Além da apresentação da obra “Do 25 de abril de 1974 ao 25 de novembro de 1975 – episódios menos conhecidos”, a autora surpreendeu com o livro “Relações Perigosas”, que chegou este mês às livrarias.
Para terminar a sessão, houve abertura para questões dos participantes, respondidas pela escritora. Manuela Barreto Nunes, João Luís Nogueira, diretor-geral da EPATV, e Manuel Lopes, em representação da Câmara Municipal de Vila Verde, demonstraram o seu agrado pela presença de historiadora, agradecendo-lha. No final, houve espaço para uma pequena sessão de autógrafos.
A presença de Irene Flunser Pimentel em Vila Verde foi uma oportunidade única para o público local contactar com uma das vozes mais prestigiadas da historiografia nacional, promovendo o diálogo em torno da memória histórica e dos episódios menos conhecidos do período que se seguiu à Revolução de Abril.




Igreja Paroquial de Cabração, concelho de Ponte de Lima, vendo-se o cemitério paroquial antigo e novo.
O cemitério – termo proveniente do latim coemeterium, por sua vez derivado do grego Kimitírion – constitui o local onde se depositam os mortos com vista ao seu repouso eterno ou seja, onde se abrem as respectivas sepulturas.
Nos tempos mais remotos, os cemitérios situavam-se geralmente fora dos muros da cidade, distantes das igrejs e outros locais de culto, como sucedia com a Geena às portas de Jerusalém. Na Roma antiga, encontravam-se nas catacumbas que constituíam espaços subterrâneos destinados ao sepultamento, as quais vieram a ser utilizadas pelos cristãos para as suas práticas religiosas com secretismo devido às perseguições de que eram alvo.
Com o tempo, as igrejas vieram a tornar-se locais de sepultamento uma vez que eram considerados como locais sagrados. Porém, sobretudo a partir do século XVIII, o crescimento populacional viria a causar falta de espaço no interior dos templos e nos espaços contíguos. Começaram então para o efeito a serem construídos cemitérios junto do adro das igrejas mas, por via da tradição, esta prática ainda não obtinha grande adesão.
Em 28 de Setembro de 1844, a pretexto de razões sanitárias, o governo de Costa Cabral proíbe os enterros nas igrejas. As famílias passaram a ser obrigadas ao pagamento das despesas do funeral depois do delegado de saúde certificar o óbito. Este constituiu o rastilho para a Revolução da Maria da Fonte, protesto a que se veio juntar a outras reclamações populares em todo o Minho.
A medida sanitária não era imediatamente aplicável por falta de locais destinados exclusivamente ao sepultamento – cemitérios – mas, com o decorrer do tempo, estes foram sendo construídos, as sepulturas abertas no interior das igrejas e os cadáveres transladados para os cemitérios paroquiais. Reduziam-se, desse modo, focos de contaminação no interior das igrejas onde o povo se juntava para o culto e os incensários eram insuficientes para purificar o local.
Nalgumas igrejas ainda se conservam as pedras tumulares identificando personalidades de relevo da comunidade, tal como o local de sepultamento. Noutras, onde não se cuidou da preservação da memória histórica, as sepulturas foram aterradas e o pavimento cimentado. E a memória local perdeu-se!

Dólmen da Barrosa em Vila Praia de Âncora
Desde sempre o Homem acreditou na possibilidade dos mortos intercederem na ação criadora dos deuses e no próprio ciclo da natureza, contribuindo inclusivamente para o renascimento dos vegetais e das culturas que os demónios e maus espíritos do inverno fizeram desaparecer.
Esta crença está na origem de uma infinidade de práticas relacionadas com o culto dos mortos que regra geral se iniciam em Novembro e prolongam-se até à Serração-da-Velha, atravessando as cerimónias solsticiais ou "saturnais" e os festejos carnavalescos.
Naturalmente, os ritos variam consoante as celebrações em causa mas conservam entre si uma finalidade comum que é o de assegurar que o ciclo da vida e da morte não se interrompa, possibilitando, por conseguinte, que ao inverno suceda impreterivelmente a primavera.
De acordo com as investigações feitas no domínio da arqueologia e da antropologia, acredita-se que as práticas do culto dos mortos tiveram o seu começo na fase de transição da pedra lascada para a pedra polida, sendo disso testemunho os inúmeros monumentos funerários como os dólmens ou antas, inscrições votivas e outros achados. Não admira, pois, que sejam precisamente os monumentos funerários desde sempre os mais visitados pelo seu interesse artístico e patrimonial, marcando cada época histórica e constituindo roteiros culturais.
Pão por Deus! - pedem as crianças na região saloia, percorrendo as casas em alegre peditório. A ladaínha varia contudo de uma região para outra. Por exemplo, para os lados de Braga é costume dizer-se do seguinte modo: "Bolinhos, bolinhós, / Para mim e para vós / E para quem está debaixo da cruz / Truz truz".
Por esta ocasião, as pessoas cumprem o ritual da visita aos cemitérios e cuidam das sepulturas dos seus entes queridos. Mas, também em casa é costume em muitas localidades, após a ceia, deixar até ao dia seguinte a mesa composta de iguarias para que os defuntos possam banquetear-se.
Nalgumas localidades, na noite de Todos-os-Santos, coloca-se uma mesa com castanhas para os familiares falecidos, as quais ninguém tocará porque ficam “babadas dos defuntos”. Da mesma forma que o azeite que alumia os defuntos jamais alumiará os vivos. Entre alguns povos do leste europeu conserva-se ainda a tradição de organizar o festim no próprio cemitério a fim de que todos em conjunto – mortos e vivos – possam confraternizar!
A partir desta época do ano, as noites das aldeias são povoadas por criaturas extraordinárias que surgem nas encruzilhadas e amedrontam os notívagos. Uivam os lobos nas serranias enquanto as bruxas – quais sacerdotisas do paganismo – reúnem-se sob as pontes em locais ermos.
Aconselha a prudência que ao gado se prendam pequenas saquinhas de amuletos que o resguardem do “mau olhado”. O serão é passado junto à lareira, no afago do lume, escutando aos mais antigos estória que nos embalam num mundo de fantasia povoado por seres sobrenaturais. E, quando finalmente chegada é a hora de dormir, manda o costume fazer o sinal-da-cruz para que o demónio não nos apoquente e a manhã do dia seguinte nasça radiosa a anunciar uma vida nova.

Dólmen da Barrosa em Vila Praia de Âncora