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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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VIANA DO CASTELO É ESTE ANO CAPITAL DA CULTURA DO EIXO ATLÂNTICO

Em 2025, Viana do Castelo assume o privilégio e a responsabilidade de ser a VIII Capital da Cultura do Eixo Atlântico.

As atividades e eventos iniciam-se neste 1 de janeiro com o “Concerto de Ano Novo”, embora a abertura oficial esteja agendada para dia 17 de fevereiro, com “Mar Adentro”, um espetáculo multidisciplinar dirigido por Daniel Pereira Cristo e que contará com a atuação de Xabier Díaz.

A Capital da Cultura do Eixo Atlântico é um programa que a associação tem vindo a realizar há 16 anos, sendo uma das atividades com maior nível de participação e satisfação dos cidadãos. O evento promove a criação cultural, tanto de criadores e artistas da Galiza como do Norte de Portugal, assim como a acessibilidade ao consumo cultural.

Sejam bem-vindos a Viana do Castelo - VIII Capital da Cultura do Eixo Atlântico.

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PONTE DE LIMA RECEBEU CARTA DE FORAL EM 4 DE MARÇO DE 1125 – HÁ 900 ANOS – ATRIBUÍDO POR D. TERESA, MÃE DE D. AFONSO HENRIQUES, PRIMEIRO REI DE PORTUGAL

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Como nasceu a Vila de Ponte de Lima – uma das vilas mais antigas de Portugal?

Ponte de Lima nasceu do progresso resultante do cruzamento de duas importantes vias de comunicação: o rio Lima e a estrada militar romana de Braga a Astorga. Durante muitos séculos, a ponte que dá o nome à vila de Ponte de Lima, outrora Vila de Ponte, constituiu o único local de passagem enxuto do rio Lima, razão pela qual serviu de caminho aos peregrinos que se deslocavam a pé a Sant’Iago de Compostela.

Desconhecendo-se em rigor onde terão os exércitos romanos atravessado o rio Lima às ordens de Décimo Júnio Bruto, é crível que o mesmo não tenha sido distante daquele onde os próprios romanos ergueram a ponte, se não foi esse precisamente o local exato.

Local de passagem entre muitas gentes, ali surgiu a feira medieval cuja importância é bem patente no foral atribuído por D. Teresa, em 4 de Março de 1125.

A sua posição estratégica no cruzamento de importantes vias de comunicação tornou-a uma importante praça de guerra e levou a que o Rei D. Pedro ordenasse a sua fortificação. Porém, com o fim da Idade Média e o início da época dos Descobrimentos Portugueses, a vila de Ponte de Lima perdeu a sua importância relativa.

Contudo, a privilegiada localização geográfica de Ponte de Lima, equidistante em relação às duas capitais de distrito – Braga e Viana do Castelo – colocam-na no centro de grandes decisões, nomeadamente na determinação do traçado de importantes vias de comunicação. Há cerca de cem anos, a vertigem do progresso levou à destruição de parte considerável do seu património, mormente ao derrube das suas muralhas medievais. Esperemos que, nos tempos que correm, as decisões sejam mais sensatas, sem descurar o seu papel estratégico no desenvolvimento regional do Alto Minho!

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Paço dos Marqueses

Assembleia Municipal (4)

Assembleia Municipal (3)

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Muralhas - Torre da Cadeia (3)

PONTE DE LIMA: O RIO LIMA E A VISÃO MÍTICA DO HADES – CRÓNICA DE CARLOS GOMES

PONTE DE LIMA RECONSTRÓI AÇUDE DO RIO LIMA - BLOGUE DO MINHO

Quando no ano 163 Antes de Cristo, as legiões romanas comandadas por Decimus Julius Brutus chegaram à margem esquerda do rio Lima, elas temeram atravessá-lo por acreditarem tratar-se do mítico rio do esquecimento e, ao transporem-no, esquecerem-se para sempre da sua pátria e de si mesmos. Tal superstição foi desfeita quando o tribuno romano atravessou o rio e, da outra margem, chamou todos os seus soldados pelo seu próprio nome.

O sítio escolhido pelas legiões romanas para atravessar o rio Lima foi naturalmente aquele que entretanto entenderam por mais adequado para construírem a ponte que liga as duas margens, um troço da qual veio a ser reconstruído ao tempo do rei D. Pedro I em virtude de ter sido derrubado pelas fortes correntes.

Foi também o local onde mais tarde veio a nascer a vila de Ponte de Lima – no sítio exacto onde a ponte que servia a estrada militar via XIX que constava do Itinerário de Antonino e que ligava Bracara Augusta (Braga a Astúrica Augusta (Astorga), passando por Lugo e Tui, se cruza com o rio como duas importantes vias de comunicação à época! – e em relação ao qual os romanos baptizaram por Lethes, numa clara alusão ao mítico Lethes, um dos cinco rios que na mitologia grega banhava o Hades, representando a passagem da vida para a morte através de uma barca conduzida por Caronte.

A travessia era paga e, a comprová-lo, as moedas encontradas em muitas sepulturas romanas, colocadas na boca do defunto para garantir o seu pagamento.

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Interpretação do século XIX da travessia do rio Lethes por Caronte, por Alexander Litovchenko.

Segundo a mitologia grega, o rio Lethes era um dos cinco rios que banhava o Hades. A passagem da vida para a morte constituía a travessia feita do rio Lethes – o rio do esquecimento – através de uma barca conduzida por Caronte. Foi aliás, baseado nesta crença que Gil Vicente escreveu os seus autos, mormente o Auto da Barca do Inferno.

Também Dante, na Divina Comédia, na segunda parte da obra dedicada ao Purgatório, descreve o Lethes como um rio de cujas águas os pecadores tinham de beber para apagarem da memória os seus pecados cometidos e, desse modo, entrarem no Paraíso.

Porém, uma das mais conhecidas descrições do Hades e, consequentemente do rio Lethes constitui a versão apresentada pelo poeta épico Homero na Ilíada e na Odisseia.

Como é sabido, os romanos assimilaram a cultura dos gregos, atribuindo novas denominações às suas divindades. Na Grécia antiga, Lethes significava literalmente “esquecimento”, constituindo um dos cinco rios que banhavam o Hades. Os demais eram o Aqueronte (rio da dor), Cocito (lamento), Flegetonte (fogo) e Estige (invulnerabilidade), os quais faziam a fronteira entre os mundos superiores e inferiores. Lete é também uma das náiades, filha da deusa Eris, senhora da discórdia, irmã de Algea, Limos, Horcos e Ponos.

A origem etimológica da palavra Inferno provém do latim infernum ou inferus e que significa literalmente “profundezas”, “lugares baixos”, aludindo a um local de sepultura. O equivalente ao termo hebraico sheol, não existindo nela qualquer indicação de local de fogo e tormento a que os maus estavam condenados. Aliás, tal ideia só veio a ser concebida por associação com a Geena – o vale de Hinom, fora das muralhas de Jerusalém – que era usado como lixeira e onde também eram lançados os cadáveres de pessoas consideradas indignas, sendo utilizado o enxofre para manter o fogo aceso e queimar o lixo. De resto, o termo Geena ocorre doze vezes nas Escrituras Sagradas, tendo Jesus usado o vale de Hinom para representar a destruição eterna.

Em Lucas (12:5), o evangelista refere-se à Geena com as seguintes palavras: “Mas, eu vos indicarei quem é para temer: Temei aquele que, depois de matar, tem autoridade para lançar na Geena. Sim, eu vos digo temei a Este”. E assim surgiu o Inferno como um local de padecimento!

Para trás ficou – qual rio do Esquecimento! – a crença no mítico rio Lethes que, séculos após a chegada das legiões romanas, passou a ser local de atravessamento de milhares de peregrinos, através da ponte que os romanos ali ergueram, com destino a Compostela para ali venerarem o apóstolo São Tiago Maior que, depois de ter andado pelo Minho – Braga, Guimarães e Rates – a tentar converter os pagãos, veio mais tarde segundo a tradição cristã a ser sepultado no local onde entretanto foi erguida a monumental catedral na Galiza.

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António Feijó

Também designado de Belion e pelo historiador e geógrafo grego Estrabão identificado como o mítico Lethes, o rio Lima continua a ser cantado pelos poetas, tendo em António Feijó porventura um dos seus maiores bardos:

Nasci á beira do Rio Lima,

Rio saudoso, todo crystal;

D'ahi a angustia que me victima,

D'ahi deriva todo o meu mal.

 

É que nas terras que tenho visto,

por toda a parte por onde andei,

Nunca achei nada mais imprevisto,

Terra mais linda nunca encontrei.

 

São águas claras sempre cantando,

Verdes colinas, alvôr d'areia,

Brancas ermidas, fontes chorando

Na tremulina da lua - cheia...

JORNAL INGLÊS “THE TELEGRAPH” DESTACA O MINHO NA SUA EDIÇÃO DO ...

D. TAREJA: E FEZ VILA O LUGAR DE PONTE! – PONTE DE LIMA RECEBEU O PRIMEIRO FORAL EM 4 DE MARÇO DE 1125

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As naçôes todas são mystérios. / Cada uma é todo o mundo a sós. / Ó mãe de reis e avó de impérios, / Vella por nós! – Fernando Pessoa

Teresa de Leão – Condessa do Condado Portugalense e mãe de D. Afonso Henriques que viria a tornar-se o o primeiro Rei de Portugal – atribuiu a Ponte de Lima a sua carta de foral há precisamente 900 anos. Ponte de Lima comemora este ano 9 séculos de História.

A infanta do reino de Leão nasceu na Póvoa de Lanhoso por volta de 1080 tendo aí falecido em 11 de Novembro de 1130, encontrando-se os seus restos mortais na Sé de Braga onde se encontram, junto ao túmulo de seu marido, o Conde D. Henrique, para onde foran transferidos por ordem do Rei D. Afonso Henriques.

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Traslado requerido pelo concelho ao rei D. Fernando, datado de 1377.

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