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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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O QUE É CONSIGNADO NA CONVENÇÃO DA UNESCO NÃO É ANTAGÓNICO COM O DEFENDIDO PELA FEDERAÇÃO DO FOLCLORE PORTUGUÊS

- Afirma o Dr. António José dos Santos Gabriel, Vice-Presidente da Federação do Folclore Português, ao BLOGUE DO MINHO

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Nos próximos dias 10 e 11 de dezembro, no Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria, vai a Federação do Folclore Português levar a efeito, um Congresso, em que pretende discutir assuntos de interesse para o movimento. Este próximo evento será subordinado ao tema “Folclore: entre o material e o imaterial”. Pensamos, tratar-se de um tema bastante interessante, face ao campo de ação dos grupos de folclore.

O programa que foi delineado, para cumprimento dos objetivos deste congresso, parece-nos ter si bem elaborado para esse efeito.

Num primeiro painel, em que se debaterão posições, com a presença da Comissão Nacional da UNESCO, representada pela Dra. Clara Bertrand Cabral e o Doutor Daniel Calado Café, Vice-presidente da FFP. Terei o prazer de fazer a moderação deste painel e penso que será possível, clarificar os posicionamentos destas duas importantes entidades, face às questões do património material e imaterial. O campo de ação dos grupos de folclore, situa-se nestas vertentes patrimoniais, porquanto é cada vez mais exigível aos grupos os domínios do saber “saber fazer”, contribuindo para a salvaguarda do património. Existem alguns exemplos dessas intervenções no seio do movimento dos grupos de folclore nacionais, sendo importante o reforço da responsabilidade que cada um tem nesse domínio.

Um segundo painel que será moderado pela Dra Ana Rita Leitão em que o debate das questões de Inventariação e Registo dos Bens Culturais estará em debate. A presença da Direção Geral do Património Cultural e um exemplo prático pelo município de Penacova e pelos grupos folclóricos de Chelo e do Lorvão, sobre os Palitos do Lorvão, serão com certeza momentos enriquecedores e esclarecedores de procedimentos de inventariação. Também exemplos de candidaturas de sucesso e que foram classificadas como Património Cultural da Humanidade, serão apresentadas, com a presença do Dr. Paulo Lima, seu coordenador e que trará mais informações sobre os desafios pós classificação.

Ainda no primeiro dia do congresso, serão apresentados exemplos dos contributos do Património para o desenvolvimento turístico. Num painel coordenado pela Dra. Maria Emília Francisco e que contará com os exemplos da ADAXTUR/Agência para o Desenvolvimento Turístico das Aldeias de Xisto, do Ecomuseu de Albergaria-a-Velha/Rota dos Moinhos e ainda pelo Artesanato em tranças de palha/Marco de Canavezes.

No último dia do Congresso, os trabalhos centrar-se-ão no trajar do Povo em Portugal, que contará com a participação de Virginie Vila Verde, uma luso descendente muito interessada nesta temática. A documentação fotográfica contará com a participação de Adélio Amaro e Miguel Narciso, como registos importantes do património. Este painel será coordenado pelo Doutor Daniel Café.

Os problemas relacionados com a motivação de jovens para a defesa do património e a sua integração em grupos que se dediquem à sua defesa será abordada peloDr. Alfredo Leite.

Na noite de sábado, haverá um serão sobre “Ciclo de (con)vivências estremenhas” que será levado a feito pelos grupos folclóricos da região da alta estremadura, mostrando diversificados aspetos da tradição popular.

Este programa merece a participação maciça de todos os que se interessam pela problemática do património e estou convicto de que serão dadas respostas e clarificação de posições sobre esta temática. Penso que o que é consignado na Convenção para Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, que foi elaborado pela UNESCO, não é antagónico com o que é defendido pela Federação do Folclore Português e por muitos grupos de folclore, porquanto o domínio de defesa do nosso património passa por estes grupos e pelo seu conhecimento e aprofundamento do Imaterial.

António José dos Santos Gabriel

GUIMARÃES ESTÁ CADA VEZ MAIS VERDE!

Brigada Verde de Ponte recolhe mais de uma tonelada de lixo nos acessos e margens do rio Ave

Ação ambiental envolveu cerca de uma centena de voluntários. Plantação de novas árvores ocuparam resíduos removidos da natureza.

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Mais de uma tonelada de resíduos foi recolhida dos acessos e margens do rio Ave, durante a realização de uma ação de limpeza promovida pela Brigada Verde de Ponte. Cerca de uma centena de voluntários participou nesta ação de sensibilização, que foi complementada com a plantação de doze árvores junto ao Parque de Lazer da Ínsua.

A iniciativa teve vários palcos de ação, desde a limpeza da vegetação de caminhos, remoção de lixo indiferenciado (plásticos, vidros, eletrodomésticos e mobiliário já em estado de decomposição, pneus...), que se encontravam na margem e acessos do rio Ave. Em paralelo com esta ação, a Brigada Verde de Ponte plantou uma dúzia de árvores no âmbito da campanha nacional “Plantar Portugal”.

«Este tipo de ações em defesa da natureza devem ser replicadas no nosso concelho, com a criação de novas e mais Brigadas Verdes. O princípio da proteção ambiental de Guimarães é fundamental no caminho que estamos a percorrer e só com o envolvimento de todos, mudando comportamentos e atitudes, poderemos acrescentar novos patamares de qualidade ao nosso ambiente», considerou Domingos Bragança, Presidente do Município.

Já o responsável pela Junta de Freguesia de Ponte, Sérgio Castro Rocha referiu, por sua vez, que o objetivo primordial da campanha de limpeza foi a «promoção da saúde e o bem-estar de todos, pautando pelas práticas saudáveis de convivência, em harmonia com a natureza, levando os jovens e a população em geral a terem atitudes e comportamentos assertivos em relação ao meio em que todos vivemos».

A realização desta iniciativa contou com o apoio e participação de vários parceiros, nomeadamente, Câmara Municipal de Guimarães, Junta de Freguesia de Ponte, Vitrus, Escuteiros, Secção de Ambiente da ARCAP, empresas privadas e muitos voluntários da vila de Ponte.

GUIMARÃES COMEMORA DIA INTERNACIONAL DO VOLUNTARIADO

ESTA SEGUNDA E TERÇA-FEIRA, NO LABORATÓRIO DA PAISAGEM

Conferências assinalam em Guimarães o Dia Internacional do Voluntariado

Banco Local de Voluntariado de Guimarães completa cinco anos. Sessões temáticas têm por objetivo debater questões em torno da motivação e do compromisso.

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A Câmara Municipal de Guimarães, através do Banco Local de Voluntariado, que comemora também o seu 5º aniversário, assinala esta segunda e terça-feira, 05 e 06 de dezembro, o Dia Internacional do Voluntariado com a realização de um workshop e um conjunto de conferências temáticas, que decorrerão em ambos os dias no Laboratório da Paisagem.

Esta segunda-feira, a partir das 14 horas, tem início o workshop “Motivação e Compromisso dos Voluntários”. A sessão terá como orador João Magalhães, responsável de Recursos Humanos e Voluntariado da Delegação de Braga da Cruz Vermelha Portuguesa. No dia seguinte, também com início às 14 horas, o Presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Domingos Bragança, preside à sessão de abertura da primeira de três conferências subordinadas ao tema “Desafios à Gestão do Voluntariado nas Organizações”.

Meia hora depois, Rita Leote, Gestora de Programas da Confederação Portuguesa para o Voluntariado, apresenta o projeto “Selo de Qualidade em Voluntariado”, seguindo-se uma intervenção de Armando Guimarães, Presidente da Associação de Solidariedade Social de Professores - Delegação de Guimarães, subordinada ao tema “O Voluntariado Como um Investimento Capital nas Organizações”.

No final, Eduardo Duque, docente na Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Católica Portuguesa, falará sobre “Voluntariado Como Fenómeno Gerador de Minorias Criativas”, num debate com moderação de Carlos Ribeiro, Diretor Executivo do Laboratório da Paisagem. Para as 16 horas, está prevista a sessão de encerramento com Paula Oliveira, Vereadora da Divisão da Ação Social da Câmara de Guimarães.

VILA VERDE REALIZA CONCURSO DE FOTOGRAFIA

Concurso de Fotografia 'A Rota das Colheitas Através das Objetivas' entra na reta final

O último fim-de-semana de novembro trouxe consigo o fim da programação Na Rota das Colheitas, mas você pode continuar a promover e divulgar a riqueza da tradição minhota e ainda se habilita a ganhar alguns prémios pelo caminho. Para isso, basta participar no Concurso de Fotografia 'A Rota das Colheitas Através das Objetivas', cujas inscrições encerram no próximo dia 15 de dezembro. Escolha as suas fotografias favoritas, recolhidas no âmbito das atividades inseridas Na Rota das Colheitas, participe e ajude-nos a eternizar em imagens o brilho do genuíno pulsar do mundo rural.

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A iniciativa, organizada pela Foto Felicidade com o apoio do Município de Vila Verde, tem como objetivo desafiar a criatividade da população, com o intuito de fomentar o desenvolvimento de hábitos culturais e competências técnicas no âmbito da fotografia. O concurso está subordinado ao tema ‘A Rota das Colheitas de Vila Verde através das objetivas’ e pretende-se que cada trabalho fotográfico revele um olhar único e original que retrate um ou vários aspetos das colheitas (atividades/pormenores da rota das Colheitas e da festa das colheitas). O vencedor do concurso leva para casa 150€, o segundo classificado 75€ e o terceiro tem direito a um vale de 35€ em impressões na Foto Felicidade.

Cada participante está limitado a um máximo de quatro fotografias a concurso, que devem ser entregues em mão ou enviadas pelos CTT (até ao dia 15 de dezembro) para a morada da organização: Foto Felicidade // Av. Prof Machado Vilela nº9 // 4730-721 Vila Verde. Os interessados podem obter mais informações junto da organização, na página narotadascolheitas.blogspot.pt ou consultando o regulamento disponível online em https://drive.google.com/file/d/0B5g7C746h3soMlZjUndZYkNsUkk/view.

FEDERAÇÃO DO FOLCLORE PORTUGUÊS: O PATRIMÓNIO CULTURAL É UM BEM DE NATUREZA MATERIAL E IMATERIAL CONSIDERADO IMPORTANTE PARA A IDENTIDADE DE UMA SOCIEDADE

-Afirma o Dr. Sérgio da Fonseca, Coordenador da Rádio do Folclore Português, ao BLOGUE DO MINHO.

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“Todos têm direito à fruição e criação cultural, bem como o dever de preservar, defender e valorizar o património cultural.”

- Artigo 78º/1 da Constituição da República Portuguesa

A identidade de um povo está na sua cultura. Podemos entender como tudo aquilo que é construído pelo ser humano. Inclui os mitos, símbolos, ritos, todas as crenças, todo o conjunto de conhecimentos e todo o comportamento etc. Portanto, conhecer e valorizar a nossa cultura são auto-afirmações do que somos. De contrário, poderemos ser conduzidos por qualquer maré que chega. Por exemplo, ser conduzidos pelo fenómeno da globalização (Não considerado seus valores) que busca homogeneizar as culturas locais a fim de controlar as nações do mundo com as doutrinas capitalistas. Este processo chama-se aculturação. Quer dizer, a infusão de uma cultura sobre outra a fim de matar uma.

Já a inculturação, por sua vez, pode ser considerada um factor positivo ou negativo, pois alude a incorporação de elementos de uma na outra. Falo negativo e positivo, porque o processo pode dar-se de modo imposto ou partilhado. Contudo, as gestões públicas não se preocupam muito com os movimentos que mantém a chama acesa da identidade do povo… Talvez por achar desnecessário manter viva essa identidade, cujo nascimento vem das classes mais desfavorecidas. Diante dessa premissa, é certo valorizar a cultura popular, haja vista que ela e tão importante quanto a literatura, a arte plástica, a arquitetónica etc. Foi através da cultura popular que pesquisas antropológicas e sociológicas chegaram a diversas características dos nossos antepassados. Uma das estratégias do capitalismo é apresentar lixos culturais através dos meios de comunicação de massa e outros meios. Chega até nós através da música, das propagandas comerciais auditivas e visuais, através da internet, principalmente através da TV, responsável por criar modismos incoerentes à vida de sofrimento do povo; criar deuses falsos a fim de ludibriar através da estética. Também, difundindo o estrangeirismo da língua e outros costumes. A cultura de massa não pergunta se o povo quer, ela impõe. Por isso, não poderia deixar de felicitar Património Cultural Popular de Portugal, valorizando os Grupos Folclóricos. O Património Cultural pode ser definido como um bem (ou bens) de natureza material e imaterial considerado importante para a identidade de uma sociedade.

Como demonstra o artigo 78º/1 da Constituição da República Portuguesa (doravante denominada pela sigla CRP), o património cultural deve ser, além de preservado e protegido, valorizado e dinamizado. Ou seja: uma visão dinâmica do património leva-nos a adoptar esta terminologia para o definir. Ao longo desta dissertação vamos mostrar (sobretudo no capítulo 3) essa dinâmica que deve ser empreendida no património cultural. É evidente que não discordamos de o mesmo ser um legado, uma herança deixada pelas gerações que nos antecederam, até porque essa mesma herança é um assunto de todos, que nos identifica e qualifica mas que não deve ser apenas mirada ou admirada. Devemos retirar do património todos os ensinamentos que o mesmo contém mas também investir e promovê-lo de forma a perpetuá-lo no futuro. Outra questão que surge quanto à terminologia tem a ver com a cisão das expressões “património cultural” e “ bens culturais”. Devem ser consideradas como distintas? Normalmente são vistas como sinónimas ou até consideradas com o mesmo significado. Excepciona-se esse entendimento na nossa Lei do Património Cultural (doravante denominada pela sigla LPC) que distingue estes dois termos no artigo 2º (conceito e âmbito do património cultural) e no artigo 14º (bens culturais). O património na LPC é integrado pelos bens culturais materiais, pelos bens culturais imateriais, por outros bens considerados como fazendo parte do património cultural por convenções internacionais que vinculem o Estado português e pelos contextos dos bens culturais, ou seja, os bens culturais são apenas constituídos pelos bens móveis e imóveis que, de harmonia com o disposto nos n.º 1, 3 e 5 do artigo 2º, representem testemunho material com valor de civilização ou de cultura. Podemos, assim e de alguma forma, concluir que esta é uma visão bastante ampla de património cultural. Uma visão perfilhada pela Convenção da UNESCO.

Os bens culturais imateriais estão relacionados aos saberes, às habilidades, às crenças, às práticas, ao modo de ser das pessoas. Desta forma podem ser considerados bens imateriais: conhecimentos enraizados no quotidiano das comunidades; manifestações literárias, musicais, plásticas, cênicas e lúdicas; rituais e festas que marcam a vivência coletiva da religiosidade, do entretenimento e de outras práticas da vida social; além de mercados, feiras, festas e romarias, santuários, praças e demais espaços onde se concentram e se reproduzem práticas culturais.

Viva a verdadeira identidade de um povo… A sua cultura popular!

Sérgio da Fonseca

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