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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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MINHO CANTA E DANÇA NA FESTA DO AVANTE

Folclore, artesanato e gastronomia são algumas das marcas do nosso património cultural que vão marcar presença a próxima edição da Festa do Avante que se realiza já nos dias 2, 3 e 4 de setembro, no Seixal. A iniciativa da participação é das organizações regionais de Braga e Viana do Castelo do Partido Comunista Português que desse modo confere destaque à nossa região naquele que é considerado um dos maiores eventos culturais realizados no nosso país.

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Alto Minho leva arroz de sarrabulho e outras iguarias à Festa do Avante

Quem passar pelo espaço de Viana do Castelo na Festa do Avante, ficará a conhecer a gastronomia e as tradições do Alto Minho bem com a atividade politica e cultural do PCP no distrito.

Na gastronomia, salientamos o arroz de sarrabulho, os rojões à moda do Minho com arroz branco, as pataniscas de bacalhau e o bacalhau frito, acompanhados de arroz de feijão vermelho, assim como o típico caldo verde.

Para sobremesa, o Doce de Romaria de Caminha, os sidónios do Natário, os jesuítas da Leitaria do Carmo e o Pão-de-ló de Caminha.

Nas tasquinhas podem ser apreciados, o salpicão, o chouriço caseiro, o lombo fumado a sanguinha cozida e a broa de milho de curtidura caseira.

Também o artesanato regional marcará presença, podendo o visitante adquirir os bordados e rendas de Santa Marta de Portuzelo, os lenços dos namorados, o linho de Ponte da Barca, assim como artefactos de madeira, os cabeçudos em pasta de papel, T-shirts pintadas à mão, brincos e colares em filigrana.

Importa referir ainda a participação do Grupo Etnográfico de São Lourenço da Montaria (Viana do Castelo), que atuará no Sábado no Palco Arraial.

Baixo Minho leva folclore e outras experiências musicais ao palco da festa

Por seu turno, a Organização Regional de Braga do Partido Comunista Português leva este ano à Festa do Avante o Grupo Folclórico “As Ceifeiras de Gondar”, de Guimarães, e o Rancho Folclórico de S. Pedro do Bairro, de Vila Nova de Famalicão. Os grupos vão atuar no “Palco Arraial”, um dos 8 palcos principais da Festa do Avante.

Além dos ranchos folclóricos, subirá também ao palco os “Cabra Cega”, um grupo que nasceu em Braga cuja música parte da combinação da gaita de fole e instrumentos de percussão tradicional, tais como o bombo e a caixa. A Cabra deu os seus primeiros passos sobre músicas das nossas raízes tradicionais mas cedo começou a caminhar ao encontro da mistura das mesmas com ritmos e sons contemporâneos que influenciam cada um dos seus elementos. Ao longo do tempo têm vindo a ser recrutadas sonoridades provenientes de outras paisagens, sejam elas do passado, do presente ou mesmo do futuro, e é neste habitat heterogéneo que a Cabra Çega se tem vindo a desenvolver. A energia da Cabra transforma os sítios onde passa, puxa pela dança e envolve o público num espetáculo vivo e intenso.

Haverá ainda cantadores ao desafio, zés pereiras do grupo bracarense “Ida e Volta”, cabeçudos e gigantones, artesanato e várias iguarias da cozinha tradicional minhota.

No concurso de bandas, promovido pela Juventude Comunista Portuguesa, participará a banda “Slavecrowd”, de Fafe, que atuará no “Palco Novos Valores”.

Estão a ser organizadas excursões a partir de Braga, Guimarães, Barcelos, Esposende, Vila Nova de Famalicão, Fafe e Vizela, para além da viagem no “Comboio da Juventude, com partida de Braga e paragem em Nine e Vila Nova de Famalicão, numa iniciativa da JCP.

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SENADOR NARCISO ALVES DA CUNHA PROPÔS EM 1911 A CRIAÇÃO NO MINHO DE ESCOLAS AGRÍCOLAS MÓVEIS

O Sr. Senador Narciso Alves da Cunha apresentou na sessão de 15 de dezembro de 1911, do Senado da República, um projeto-lei para o estabelecimento de escolas móveis agrícolas no norte do país, justificando largamente a sua proposta e tecendo várias considerações acerca das gentes do Minho, sobretudo de Paredes de Coura, Soajo, Peneda e Castro Laboreiro. A referida intervenção transcreve-se do respetivo Diário do Senado.

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O Sr. Alves da Cunha: - Sr. Presidente e Srs. Senadores: vou mandar para a mesa um projecto de lei, que há tempo tenho nesta carteira. Talvez o demorasse ainda por mais algum tempo se não fora ter lido, há dias, um substancioso artigo escrito pelo nosso ilustre e estimado colega o Sr. Miranda do Vale, e publicado num jornal agrícola, A Gazeta das Aldeias, da cidade do Pôrto.

Achei tão judiciosas as afirmações de S. Exa.. afiguram-se-me de tanto interesse as suas observações, que bastaram para me determinarem a apresentar hoje ao Senado o meu modesto projecto, unicamente como uma experiência, que, se não der resultado, amanhã, com uma penada, pode deixar de ser lei do país.

Creio que está em moda discutirem-se, e com muita razão, assuntos que se prendem com a instrução, sobretudo com a instrução popular, que sempre me tem merecido a maior solicitude há dezenas e anos, e por isso entendi que devia associar-me a êste movimento, mandando para a mesa êste projecto de lei, que versa sôbre a criação duma escola agrícola, prática, móvel, pelo sistema das escolas conhecidas pelo nome de Maria Cristina, e que tem dado óptimos resultados. (Muitos apoiados).

Para justificar os pontos em que baseei o meu trabalho, peço licença a V. Exa. para ler, apenas, dois artigos, e depois formularei as considerações que julgar convenientes para justificação do meu projecto.

O artigo 1.° diz:

Leu.

Artigo 3.°: Chamo a atenção dos Srs. Senadores para êste artigo, que é um dos mais interessantes do projecto e de mais utilidade, segundo se me afigura, para a democratização do norte do país.

Diz assim:

Leu.

Sr. Presidente: eu não sou profissional, não sou pedagogo, nunca fui pedagogista, mas a verdade é que, desde há muitos anos, me tem, como disse, merecido especial cuidado a instrução popular, a instrução dessas massas anónimas, que vivem do campo, que vivem da terra e para a terra, que mourejam todo o dia, hora a hora, desde manhã até de noite, debruçadas sôbre a mesma terra para lhe pedirem pão para comer e até para o dar ao Estado. Estas classes considero-as eu como o verdadeiro nervo da Nação (Apoiados), e por isso hão-de permitir-me que lhes diga que elas tem sido, precisamente, as mais esquecidas. (Apoiados).

Eu vejo, porque está escrito em estatísticas oficiais, que a população das oficinas, da indústria, do comércio e da viação regula por 1.500:000 habitantes do país, emquanto que as massas agrárias representam 3.000:000 habitantes. Mais ainda: as classes agrárias estão desseminadas por todo o país, absolutamente por todo (Apoiados), embora nas cinco províncias do norte sejam mais densas.

Êsse povo, ou essa classe do povo, donde venho e com o qual me criei, cujas dores tenho auscultado desde há muitos anos, à cujas festas tenho assistido e com quem ainda há pouco privei perto de quatro anos para lhe estudar e registar a linguagem numa modestíssima monografia que escrevi acêrca duma terra do Alto Minho (Paredes de Coura), é de índole naturalmente boa, sofredora e ordeira. (Apoiados).

O povo do norte, e (mando digo norte não me refiro a esta ou aquela província determinada, mas a uma grande parte, senão á maior parte do país, é essencialmente trabalhador, respeitador das autoridades, pontual no cumprimento dos seus contractos e verdadeiramente amorável.

Haja vista o que se passa no Alto Minho, naquelas montanhas da Peneda, Suajo e Castro-Laboreiro, quando algum forasteiro (e são bem poucos os que por lá aparecem) se abeira do tugúrio do mais pobre dos habitantes que estão encerrados nas ravinas daqueles montes: o hóspede é, para êles, uma pesca sagrada e é tratado com o melhor que há em casa que, na maior parte dos casos, é pão de centeio e leite.

Nestas condições, e porque tantas vezes, aqui se tem falado na instrução do povo, julgo ter oportunidade a apresentação do meu projecto, não para ser uma lei geral do país, porque penso que o Estado, pelo menos é o que dizem os Ministros, não tem dinheiro para a instrução, mas porque nada se perderá com esta experiência e ensaio.

O ensaio dá resultado?

Está lançada a semente.

A semente frutifica?

Então alargue-se a sementeira, estenda-se por todo o país.

Pelo contrário, o ensaio não dá resultado?

Nós, que estamos aqui, ou aqueles que vierem, com uma penada de tinta, retiramos a êste diploma o seu valor legal e desaparece a escola agrícola, com os seus encargos, que, aliás, são bem modestos.

Sr. Presidente: tem sido com o maior agrado que eu tenho registado a forme, tão distinta como os nossos colegas Srs. Ladislau Piçarra, Eusébio Leão, Miranda do Vale e outros mais, se tem referido, aqui, a assuntos que se prendem com a instrução do povo. Tenho, porém, ouvido dizer, e a minha observação assim o comprova, que no nosso país não há a escola primária, nem a instrução popular, porque a escola até hoje tem-nos dado, apenas, o seguinte: saber ler e escrever.

Saber? Dicant Paduani.

Tenho observado crianças que. tendo feito exame de instrução primária há menos de dois anos, não sabem ler.

Na escola ensina-se adecorar, porque, infelizmente, no nosso país a instrução é considerada como um fim e não como meio.

E, todavia, a escola deve dar um capítulo que se há-de desdobrar na educação, como, há pouco, muito bem disse o Dr. Ladislau Piçarra? para da educação sair a formação do carácter, a disposição para o trabalho, a predisposição para lutar pela vida e uma tal lapidação das faculdades intelectuais da criança que possam actuar na modificação das desgraçadas condições das classes trabalhadoras e no progresso da pátria. (Apoiados).

Mas como é que, não tendo nós casas para escolas, não tendo professores, apropriada e convenientemente preparados, como muito bem disse e acentuou o nosso estimado colega Sr. Miranda do Vale; não tendo nós programas bem orientados, não tendo suficiente verba orçamental, se hão-de preparar crianças sadias, cheias de vida, que amanhã sejam os homens fortes da República?

Como é que se hão-de alumiar estas inteligências infantis que, num futuro proximo hão-de ser as fôrças vivas da Nação, se tudo falta?

Sr. Presidente, e Srs. Senadores, exepção feita Lisboa, Pôrto e mais algum centro populoso, afigura-se me que no nosso país não há, como já disse, instrução popular.

Para mim, e não sou profissional, a escola portuguesa, para dar o resultado que devia dar, e que temos direito deesperar dela, quando convenientemente modificada, é indispensável que, entre outras, satisfaça ás seguintes condições: primeira, ser prática: segunda, agrícola; terceira, regionalista e quarta, um tanto ou quanto, individualista.

Duas palavras apenas sôbre cada uma destas feições. Deve ser prática por isso que o carácter especulativo, que tem por isso tido, é que a não tem deixado frutear, antes a lançou nesse lastimoso estado em que se encontra. Além disso os grandes mestres da sciência pedagógica acentuam que deve ser êste o seu carácter fundamental, como o mais próprio para a vida de trabalho, positiva, a que é destinado o homem.

Agrícola, porque se conta em 65 por cento a população portuguesa que vive nos campos, dos campos e para os campos, espalhada, por todas as províncias do país, isto é, a sua grande maioria, que por isso mesmo, deve ser tida em toda a consideração.

Seria uma temeridade distribuir a instrução primária com a mesma igualdade de processos, de matérias a estudar, por todo o país. Seria uma verdadeira calamidade se tentássemos plantar no Algarve a vinha que produz o vinho verde, só próprio do Alto Minho: inversamente se quiséssemos adaptar ao Alto Minho a plantação da figueira e da alfarrobeira, para criar a indústria do figo seco, ou da alfarroba.

É preciso que na escola se tenha tudo isto em vista, para não resultar improfícua a instrução que ela ministra.

A segunda característica - ser regional - tem dado na Bélgica, os melhores resultados, porque aí a organização da escola varia conforme a região a que ela é destinada.

Para os cantões industriais o ensino primário tem uma parte manual, e para os agrícolas, compreende o ensino da agricultura.

Veja-se agora num só facto, o que nos fazemos e o que se faz na Bélgica: os nossos campos estão separados uns dos outros por verdadeiras muralhas chinesas, que são as suas vedações, mas na Bélgica a divisão e vedação das propriedades é feita por sebes vivas, de macieiras e pereiras, de forma que na primavera, cada propriedade é um jardim enflorado, e no estio, proveitoso pomar, que aumenta o valor da seara.

Deve ainda a escola ter uns laivos de individualista, como na Inglaterra, para que o homem se habituai a contar mais consigo do que com o Estado providência.

A escola primária que eu desejaria ver implantada no nosso país, já não falo da Suíssa, seria a da Suécia, por três razoes:

A primeira, por ser um país pequeno como o nosso, a segunda, por a sua população ser pouco mais ou menos igual à nossa - 5 milhões de habitantes - e a terceira, porque na Suécia pode dizer-se que não há analfabetos. As duas nacionalidades sob êste aspecto, merecem ser postas em confronto.

E o que vou fazer. Na Suécia, para 5 milhões de habitantes, ha 12:000 escolas; o nosso país terá 6:000.

Eu não quero, para não fatigar a atenção do Senado, descrever o sistema da escola primária na Suécia. Entretanto sempre desejo consignar que o ensino é ali dividido em três classes: escola popular ordinária, pequena escola e escola superior.

Há, ainda, depois, uma outra ordem de escolas que muito convinha introduzir no nosso país, que são as destinadas aos filhos do povo dos campos que estão fora da idade escolar, chamadas altas escolas populares, que tem dado os melhores resultados, e que para nós seriam de grande conveniência prática porque as crianças, passados dois anos depois de saírem da escola, deixam esquecer o pouco que lá aprenderam, por falta de continuação em exercícios práticos de leitura e escrita.

Como as altas escolas populares são destinadas a adultos e podem funcionar de noite, seria fácil compelir, quem precisasse, ou por não saber, ou por ter perdido o que aprendeu, a frequentá-las.

Na Suécia há 25 escolas destas; há fixas 9:058, e ambulantes ou móveis 2:923, mas devo declarar que estas notas foram extraídas duna relatório oficial de 1901.

Hoje devem ser muitas mais.

Sr. Presidente: nós somos dominados pelo espírito de rotina, e a rotina é teimosa; por isso cumpre contrapor àquela teimosia, a teimosia da escola agrícola, fazendo-a móvel, de forma tal que apareça, uma e muitas vezes, onde aquele prejuízo está mais inveterado.

Tal foi o meu propósito ao dar-lhe êste carácter de mobilidade.

Deixando, porém, generalidades, desçamos a factos concretos, porque êsses melhoramentos demonstram o rotineirismo do povo do norte.

O povo do norte é assim: há cerca de doze ou quinze anos, um benemérito do meu concelho e que tambêm ocupou um lugar nesta casa, quando ainda estávamos no regime monárquico, o conselheiro Miguel Dantas, aquém eu quero prestar, tambêm aqui, à sua memória, o preito de saudade e respeito que a minha terra lhe deve, quis tornar lá conhecido o trabalho da charrua Brabant, e para isso fez transportar para a sua localidade esta máquina agrícola.

Convidou pequenos lavradores para verem a nova forma de sulcar a terra, procedendo a vários trabalhos, tomando parte algumas mulheres na direcção e manejo da charrua.

Apurou-se que o trabalho era mais perfeito que o das charruas ali usadas; que não precisava mais gado para a tracção, e que havia economia de tempo e pessoal.

Todos ficaram satisfeitos, todos admiraram os trabalhos e, por fim, aquele benemérito aconselhou aquela gente a que se agrupasse, comprando cada grupo uma charrua, visto ser um pouco cara.

Pois, Srs. Senadores, nunca se falou mais. até hoje, naquela charrua, e ninguém a comprou.

Mais.

Eu tentei fazer um pequeno ensaio de aplicação de adubos minerais.

Dividi uma propriedade em dois talhões, aplicando num só estrume do curral, e no outro, o mesmo adubo e o mineral.

Fiz tambêm convites para os trabalhos e, mais tarde, convoquei alguns agricultores, que haviam tomado parte na semente, para observarem o resultado e a diferença na cultura e na novidade.

Pois quer a Câmara saber o que se disse, ao apurar-se que a terra, assim trabalhada e preparada, dava uma melhor produção?

"E do ano".

A escola prática, móvel, que eu preconizo é, pois, duma altíssima vantagem e necessidade, porque vai, de terra em terra, ensinar os novos processos agrícolas.

A escola móvel é duma absoluta necessidade, porque o povo do norte não sai da sua paróquia para aprender os nossos processos de trabalhar a terra e de desenvolver a agricultura e, conseguintemente, a riqueza pública.

Eu já, decerto, tenho cansado excessivamente a Câmara pelo que vou pôr ponto nas minhas considerações.

Vozes: - Não apoiado, não apoiado!

O Sr. Presidente: - V. Exa. já foi alêm da hora.

O Orador: - Então, se V. Exa. o ordena, eu termino.

O Sr. Presidente: - Eu não ordeno nada. O Regimento é que manda.

Vozes: - Fale, fale.

O Orador: - Agradeço á Câmara a gentileza da sua deferência e serei breve.

O meu projecto tem uma grande vantagem, que consiste na obrigação imposta ao professor de fazer propaganda das leis da República.

Eu, por causa do Regimento, que não permite reunir no mesmo projecto de lei matérias que não a tenham entre si intima ligação, é que não dei a esta parte do projecto a amplitude que êle merecia.

O meu fim era estatuir que o director da escola fizesse propaganda agrícola e democrática ao povo daquele distrito, mas, desde que o Regimento não deixa ir longe, limitei-me a consignar a doutrina que se lê no seu artigo 3.°

Em todo o caso a porta está aberta para um bom serviço à República, desde que, criteriosamente, queira ser aproveitada.

Poderá alguém dizer: mas se não há professores competentemente habilitados, como se pretende estabelecer uma escola agrícola?

Felizmente para uma escola temos onde escolher, pois, há muitos professores com os conhecimentos necessários. Porque, diga-se em abono da verdade, uma das nossas classes sociais, que mais tem progredido, é exactamente aquela que diz respeito ao professorado que tem a seu cargo a agricultura superior - a dos agrónomos.

Não será, por conseguinte, muito difícil, desde que haja boa vontade, escolher e propor quem tenha interesses pelas cousas da República, para ir reger essa escola: creio mesmo que é muito fácil reunir o povo aos domingos para levar ao seu conhecimento aquilo que, presentemente, mais lhe interessa, que é viver num Estado democrático, cujos órgãos, funcionamento, garantias, direitos e deveres, não conhece ou conhece mal.

Interrupção do Sr. Ladislau Piçarra, que não se ouviu.

Sr. Presidente: Todos reconhecem que o norte está por democratizar.

É verdade; e contudo, eu, que nasci lá e lá tenho vivido, pude observar que o povo do norte, se não abraço a República, na sua proclamação, com entranhado afecto, tambêm a não recebeu na ponta das baionetas. Conheço muito o povo do norte, sobretudo o do Alto Minho, e na sei que o das montanhas é muito positivista; só acredita obra, no facto, no que vê, porque está cheio de retórica e farto de promessas não cumpridas.

E porque é assim, foi que eu registei com o maior agrado as considerações aqui feitas, antes de mim, pelo ilustre Senador o Sr. Anselmo Xavier, pois penso sôbre o assunto, como S. Exa., mais obras e menos palavras.

Nós é que devemos ir procurar o povo; nós é que temos de ir ao encontro das populações agrícolas, não esperando que elas venham para nós, sem primeiro lhes mostrarmos; que, sincera e lealmente, nos interessamos por elas.

Não é só por meio da palavra, com uma tal ou qual retórica, mas sobretudo e especialmente com obras e com a instrução que nós nos elevemos dirigir ao povo.

De mais a mais, dá-se o seguinte: o povo do norte não é muito exigente, e tanto não é exigente que o das montanhas do Suajo e da Peneda, onde é preciso percorrer uma distância de 40 quilómetros para levar uma certa ao correio, tem-se mantido nesta situação incomportável, sem grandes reclamações.

O Sr. Presidente: - V. Exa. já excedeu, e muito, o tempo concedido pelo Regimento para falar antes da ordem do dia.

Vozes: - Fale, fale, fala.

O Orador: - Mais uma vez agradeço, muito reconhecido, a deferência de V. Exas. e prometo ser meio breve.

Sr. Presidente: Quando esteve reunida a Assembleia Nacional Constituinte, nós ouvimos dizer e informar ao Dr. Alfredo de Magalhães, que esteve na Gavieira e Suajo, isto é, no extremo norte do país, qual o estado de alma e de espírito da pobre gente que por lá habita.

Não há cemitérios, não há escolas, nem correio, nem médico; aquela gente, écran, vive uma vida semi-nómada, e vou dar a razão: é porque a gente desta região, desde Maio até Outubro, vive no alto das montanhas, depois retira para o fundo delas, onde vive em choupanas, quási promiscuamente com o gado, para ter mais calor.

Nestas circunstâncias, desde que nós trabalhemos com vontade para a integrar na República, posso garantir a todos que havemos de encontrar ali a primeira guarda avançada da República.

Se quiserem encontrar os primeiros atiradores do pais, tem de ir lá procurá-los.

E, depois, para mim, há uma circunstância que eu desejo registar com especial agrado nesta casa do Parlamento.

Acusa-se por toda a parte o clero paroquial de reaccionário e de intentos jesuíticos; mas a verdade é que D Dr. Alfredo de Magalhães foi encontrar àquelas montanhas párocos dedicados à República, como se não encontrem em outras regiões.

Um pobre velho, que eu conheço, e que ter lá vivido quási toda a sua vida, disse ao Dr. Alfredo de Magalhães que a sua arma de combate era a oração. Aceitamos a Republica, disse o bom ancião, se bem que, até aqui, ninguém nos tenha falado nela.

Vozes: - Muito bem. Os das freguesias próximas ofereceram ao Dr. Alfredo de Magalhães opíparos jantares, e trataram-no com todas as deferências e atenções, como êle próprio reconheceu na Constituinte.

Outro pároco, daquela região montanhosa, que foi excelente caçador, que é muito inteligente e um pároco na verdadeira acepção da palavra, que, quando foi para a sua paróquia, não se cultivando lá a vinha, conseguia, graças à sua inteligente direcção e salutar exemplo, que já se colham aí dezenas e dezenas de pipas de bom vinho verde, êsse pároco, avisado pelos fregueses para fugir, como êles, ao aproximarem-se uns militares que foram àquela freguesia fazer um reconhecimento por ordem do nosso colega na outra Camara o Sr. Simas Machado, quando esteve a comandar as forcas no norte, respondeu-lhes: "está aberta só meia porta da residência; pois vou abrir-lhes a outra meia".

E foi.

E as portas da casa do bom abade foram abertas, de par em par, e os militares ali foram hospedados, com aquela gentileza e afabilidade que êle sabe dispensar a todos que dele se acercam.

É claro que uma boa propaganda não se pode organizar sem elementos locais, em quem o povo deposite confiança. (Apoiados).

Acerca da propaganda no país, recebi, há pouco tempo, uma carta circular do Directório Republicano, e tenho e maior prazer em ver aqui alguns Srs. Senadores, que são membros sse Directório, porque desejo prestar-lhes esclarecimentos, subsídios e elementos, que reputo fundamentais, para se fazer uma propaganda eficaz, de resultados estáveis.

E a qualquer missão de propaganda, que se destine às províncias do norte, é preciso que dela faça parte, antes de mão, um elemento local, isto é, que tenha autoridade moral. (Apoiados).

Se não for assim, como o povo é ignorante, e à beira da ignorância está a desconfiança, êle receberá com pouco agrado aqueles que se lhe apresentarem.

Devem, portanto, figurar nesta classe de rnissões, os elementos locais, ou da freguesia, ou de perto, a quem e povo respeite, em quem deposite confiança; homens que serem como que seus juízes de paz, seus liais conselheiros e amigos sinceros.

Também deve fazer parte dessas missões o elemento militar, mas o elemento militar fardado, porque o povo tem muita consideração e até estima pela farda do oficial do exército: é uma espécie de culto externo, que não é para desprezar.

Quando alguns oficiais do Sr. Simas Machado foram a uma Sociedade sertaneja, no concelho dos Arcos, fazer uma missão de propaganda, encontraram o povo assistindo à missa paroquial.

Entraram no templo e aí se conservaram, até o fim, com todo o respeito, como é próprio de homens bem educados e prudentes, qualquer que seja a sua crença.

Bastou êste facto para, como se diz vulgarmente, empalmarem todo o auditório. Até o próprio párocho assistiu à conferência.

Não se imagina a influência que no povo exerceu essa compostura e respeito por parte dos oficiais, que se apresentaram devidamente fardados, dentro do templo, porque, assim, êles dão uma prova da sua boa educação e do respeito que deve merecer a crença alheia, embora não seja a que êles professam.

Deve, ainda, esta missão conter um membro, de preferência do Ministério do Fomento, que leve autorização para prometer e fazer logo, umas pequenas cousas, umas pequenas despesas, tais como uma caixa de correio, ou estabelecer um posto de registo civil, etc.

Com êstes elementos, eu garanto a V. Exa. que, em pouco tempo, teremos republicanizado o país.

De contrário, se continuarmos a mandar gente desconhecida, se continuarmos neste sistema de irmos para lá fazer discursos muito bonitos, que são bem recebidos naquela ocasião, mas que logo esquecem, não se conseguirá nada.

Eu digo a V. Exa., que já ouvi, a propósito dum orador distinto, que foi a uma daquelas aldeias pregar um sermão, e que fez, realmente, um discurso brilhante. O facto que aponto observei-o eu próprio.

Ao terminar êsse discurso, dirigi-me a um grupo de pequenos lavradores e perguntei:

"Então o que pensam, a respeito do sermão?"

"Oh, muito bem, muito bem, pena foi ser em latim!"

(Riso).

É e que acontece a esta pobre gente, muito rude e ignorante, que está um tanto desconfiada por nunca ter sido atendida em cousa alguma pelos governos da monarquia, e por isso só com obras, que atestem o nosso interesse por ela, é que a podemos integrar na República.

Sr. Presidente: embora isto custe um pouco ao Estado, fiquem certos de que a propaganda nestes termos ha-de ser duradoura e de bons resultados para a República.

Eu podia alongar-me em considerações, mas quero apenas frisar um ponto para V. Exa. e o Senado verem como aquela gente é patriota e respeitadora da autoridade.

Lembram-se de que, quando os paivantes tentaram entrar, como entraram no país, se fez uma chamada das reservas.

Nos jornais de Lisboa nós vimos pejadas as suas colunas de oferecimentos para ir para a raia, chegando o facto a ser moda.

Pois bem: eu posso citar factos de filhos do povo do norte, que bem mostram o seu amor pátrio.

Dois trabalhadores, um do campo, e outro, que depois de ser praça da armada, é hoje carpinteiro, escreveram-me nos seguintes termos:

O primeiro, pedindo que intercedesse junto do Sr. Ministro da Guerra para que o deixasse fazer parte daquelas fôrças do norte, e acrescentava "que ainda tinha boa pontaria".

O segundo pedia a mesma cousa e dizia: "O meu maior prazer seria apresentar em Lisboa a cabeça de Paiva Couceiro".

E um velho pai, que não pude apresentar o filho por estar no Brasil, voltou-se para a autoridade e disse: Estou eu aqui, senhor, para ir servir no lugar de meu filho".

Então esta gente não é patriota? Até faz bem ouvir falar o povo por esta forma.

O que falta, é nós estendermos-lhe os braços, ir procurá-lo ás ravinas e encostas dos seus montes, com o duplo fim de o educar, para ser útil á Pátria, e de melhorarmos as suas precárias condições, que, no norte, são bem mesquinhas.

Vou mandar para a mesa o meu projecto, e V. Exas. hão-de apreciá-lo como êle merecer e for de justiça.

Tenho dito.

Vozes: - Muito bem.

O orador foi cumprimentado por muitos Srs. Senadores presentes.

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RUSGA DE SÃO VICENTE DE BRAGA DANÇA NO MOSTEIRO DE TIBÃES

Espetáculo e visita guiada encerram exposição "O Trajo e o Trajar Popular no Baixo Minho"

A exposição itinerante "O Trajo e o Trajar Popular no Baixo Minho - finais do século XIX, primeiras décadas do século XX", patente ao público na 'Sala do Recibo' do Mosteiro de São Martinho de Tibães, Braga, encerra já no próximo domingo, dia 4 de setembro.

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Em jeito de 'remate prévio, para o sábado, dia 3, a Rusga de São Vicente de Braga - Grupo Etnográfico do Baixo Minho e o Mosteiro de Tibães, tem agendado duas iniciativas. Às 15:00h, uma visita guiada à exposição para todos os interessados, tendo por principais destinatários, os dirigentes e diretores técnicos do movimento folclórico. Às 17:00h, no 'Claustro do refeitório', um espetáculo sob a designação "Olha a roda que a saia tem - música e dança no mosteiro". Ambas as iniciativas são de entrada livre.

A reposição desta exposição no Mosteiro de Tibães passados 11 anos, insere-se no âmbito do 4º tema do programa comemorativo do 50º aniversário da Rusga sob a designação; "Há 50 anos a Rusgar - um legado herdado, a transmitir e a rentabilizar".

De referir a propósito, que as comemorações dos 50 anos de vida ininterrupta da Rusga, iniciaram-se com a realização da 1ª edição das "Conferências Rusgueiras - Arco Cultural" cujo tema foi, " A Religiosidade Popular; crenças, cultos e promessas" e, terminarão este ano, com a realização da 2ª edição das mesmas, tendo por tema, "A Festa e a Romaria".

Esta exposição que voltou ao seu ponto de partida, desde 2005 tem andado em itinerância por diversos concelhos que compõe a região geoetnográfica Baixo-minhota, nomeadamente, Guimarães, Vila Verde, Barcelos, Amares, V. N. de Famalicão, Povoa de Lanhoso, entre outros. Paralelamente, parcelas temáticas da mesma, foram requisitadas por museus, escolas, juntas de freguesia, centros comerciais e outros espaços afins.

Passados todos estes anos, entendemos que, os propósitos que nos levaram a empreender este projeto expositivo, permanecem válidos​. Do catálogo da exposição então publicado, transcrevemos uma pequena parcela de um dos textos: “Sendo o Trajo há muito considerado “património material”, um outro objectivo desta exposição é o de o elevar à categoria de “património imaterial” – à luz de um conceito mais abrangente e hodierno de “património”… por forma a responsabilizar a promoção deste património que é de todos.”.

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CERVEIRA HOMENAGEIA BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS

Autarquia cerveirense propõe atribuição da mais alta condecoração municipal aos Bombeiros Voluntários

Para assinalar o centenário do Corpo de Bombeiros de Vila Nova de Cerveira, o executivo municipal aprovou, em reunião de câmara desta quarta-feira, propor à Assembleia Municipal a atribuição da Medalha de Honra do Município à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários, durante as comemorações do próximo Dia do Município, a 1 de outubro. Proposta foi aprovada por unanimidade e será analisada pela Assembleia Municipal.

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A 31 de outubro do ano de 1915 foi criado o primeiro Corpo de Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Cerveira no seio da “Delegação da Cruz Vermelha de Cerveira” para, em 1935, dar lugar à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários que ainda hoje mantém em atividade um corpo de bombeiros amplamente reconhecido pela população.

Depois de, a 1 de outubro de 2011, a Câmara Municipal ter entregue a Medalha Municipal de Mérito Humanitário – Grau Ouro - à Associação pela excecional relevância da sua vida e obra em prol da defesa dos cerveirenses e de Vila Nova de Cerveira, o reconhecimento é reforçado por ocasião da celebração dos 100 anos de existência, propondo a atribuição da mais alta distinção municipal, a Medalha de Honra do Município.

Entre os inúmeros argumentos para esta condecoração destaca-se o ideal de generoso altruísmo e sob o lema da ajuda ao próximo; a coragem, a abnegação e a humanismo dos homens e mulheres que têm servido ao longo do tempo e que constituem um fator acrescido de segurança para os cidadãos do concelho e não só; a promoção de um projeto de voluntariado no concelho, em torno de uma missão que oferece aquilo que há de mais precioso no ser humano e que é a própria vida; e o mérito da ação que esta Associação tem desenvolvido, além de unanimemente reconhecido pelos cerveirenses, alcança reconhecimento nos concelhos em que presta auxílio sempre que as circunstâncias adversas o exigem.

Ao longo dos 100 anos de existência, o campo de ação do Corpo de Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Cerveira no concelho não se esgotou somente no socorro à população do concelho mas teve, também, um papel preponderante na dinamização social e cultural. Na atualidade, a Associação tem como desígnio principal a proteção de pessoas e bens, designadamente o socorro a feridos, doentes ou náufragos e a extinção de incêndios, detendo e mantendo em atividade um corpo de bombeiros voluntários. Desenvolve ainda mais atividades, individualmente ou em associação, com outras pessoas singulares ou coletivas a prestação de cuidados de saúde, atividades de caráter social de apoio e proteção à infância, à juventude, à deficiência e aos idosos ou em qualquer situação de carência que justifique uma atuação pró-humanitária.

O Dia do Município de Vila Nova de Cerveira é celebrado a 1 de outubro, com um programa que procura refletir o conceito de cidadania ativa, agraciando um conjunto de entidades e personalidades do concelho. Para este ano, e por se tratar da Medalha de Honra do Município, esta proposta vai ainda ser submetida à apreciação e votação pela Assembleia Municipal de Vila Nova de Cerveira.

VILA VERDE REALIZA FESTA DO LINHO

Marrancos organiza espadelada tradicional e festeja o 3º aniversário do Museu do Linho!

A tradição continua bem viva na freguesia de Marrancos, que organiza no próximo sábado (3 de setembro) a recriação da prática ancestral da espadelada do linho, garantindo a preservação dos saberes da cultura popular, que são transmitidos às gerações mais jovens.

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Uma iniciativa aberta a toda a população, em que vilaverdenses e visitantes poderão assistir ao vivo aos vários processos artesanais de transformação da planta do linho. A iniciativa vai decorrer nas imediações do Museu do Linho, que celebra o 3º aniversário. Este é o único museu nacional dedicado integralmente ao ciclo do linho, desde a sementeira até aos belos bordados que chegam às nossas casas.

O evento arranca pelas 15h30, com a recriação das várias etapas do ciclo do linho. Os trajes de outrora, as alfaias agrícolas, os métodos artesanais… tudo como manda a tradição. Uma espadelada preparada a preceito para levar os visitantes numa autêntica viagem no tempo à descoberta da herança cultural da região minhota. Pelo meio são esperadas as divertidas visitas dos ‘Mascarados Sem Juízo’, que vêm animar a festa com as suas diabruras. Uma hora mais tarde começa o encontro de cantares tradicionais do ciclo do linho, que conta com a participação da associação local e de grupos convidados.

Visitas guiadas, folclore e uma boa merenda

Durante a tarde, os interessados podem ainda participar numa das visitas guiadas ao Museu do Linho. A animação continua pela tarde dentro, com a atuação do Rancho Folclórico de Marrancos, que deverá começar às 17h30, seguindo-se um encontro de concertinas, cantares e danças minhotas. Ao final da tarde, pelas 19h00, é hora de repor energias e aconchegar o estômago com uma farta merenda à boa moda minhota. Espera-se uma tarde carregada de simbolismo e com muita animação à mistura, numa mostra genuína do verdadeiro pulsar do mundo rural e da cultura popular.

Décadas a recriar a espadelada do linho

A recriação da espadelada tradicional do linho é começou a ser organizada na freguesia ainda nos anos oitenta do século passado, impulsionado pelo especialista local, Abílio Ferreira, numa ação que permitiu preservar e divulgar esta tradição local. A iniciativa é organizada pela Associação Cultural e Recreativa de Marrancos em conjunto com a União de Freguesia de Marrancos e Arcozelo e insere-se na programação turístico-cultural Na Rota das Colheitas, do Município de Vila Verde.

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CERVEIRA RECONHECE O VALOR DOS SEUS ATLETAS PARALÍMPICOS

Executivo recebeu Inês Fernandes antes da participação nos Paralímpicos

A escassos dias de representar Portugal nos Jogos Paralímpicos no Brasil, Inês Fernandes, a atleta da Associação Desportiva, Recreativa e Cultural de Lovelhe (ADRCL), e o seu treinador Professor Jorge Rodrigues, estiveram na Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira para apresentar cumprimentos ao executivo antes da partida para o Rio de Janeiro. Autarquia ofereceu o brasão cerveirense como símbolo de reconhecimento pelo excelente trabalho que tem desenvolvido no desporto.

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O presidente da Câmara Municipal, Fernando Nogueira, o vice-presidente Vitor Costa, e a vereadora Aurora Viães receberam a atleta e o seu treinador, realçando o exemplo de dedicação e de superação desta jovem, fazendo votos de uma excelente participação naquele que é um dos eventos desportivos mais mediáticos do mundo.

Inês Fernandes, natural de Valença, treina há 12 anos no Centro Municipal de Atletismo, localizado em Vila Nova de Cerveira, e conta com os apoios das Câmaras Municipais de Cerveira e de Valença, assim como da União de Freguesias de Vila Nova de Cerveira e Lovelhe e da União de Freguesias de Valença, Cristelo Covo e Arão, para além das boas condições proporcionadas pela empresa onde labora que lhe permitem trabalhar e treinar em simultâneo.

Esta é a segunda presença de Inês Fernandes, de 28 anos, numa edição dos Jogos Paralímpicos depois de, em 2012 em Londres, ter alcançado um excelente 4º lugar, além de ter sido a porta-estandarte de Portugal na cerimónia de abertura.

Atualmente, a atleta ocupa a 5ª posição da hierarquia mundial da especialidade, e no seu palmarés conta com mais de 50 medalhas conquistadas em campeonatos do Mundo e da Europa, em lançamento do Peso Disco e Martelo.

Os Jogos Paralímpicos de 2016 decorrem entre 7 e 18 de setembro e, entre os melhores atletas Paralímpicos do mundo, encontra-se Inês Fernandes, atleta da ADRC Lovelhe, que vai procurar alcançar mais um excelente resultado para juntar a um vasto palmarés.

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ARCUENSES VÃO EM ROMARIA À SENHORA DA PENEDA

Romaria N.ª Sr.ª da Peneda de 31 de Agosto a 8 de Setembro

A Câmara Municipal de Arcos de Valdevez e a Confraria de N.ª S.ª da Peneda estão a levar a cabo um conjunto de melhorias na área do Santuário e ao nível da sinalização, parques de estacionamento e iluminação, bem como um conjunto de ações de promoção da Romaria N.ª Sr.ª da Peneda com inicio, hoje, dia 31 de Agosto a 8 de setembro, no sentido de promover o turismo religioso.

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PONTE DA BARCA REALIZA YOGA PARA BEBÉS

Biblioteca Municipal de Ponte da Barca com aula de Yoga para bebés & pais. Sábado | 24 de setembro | 11h

A Biblioteca Municipal de Ponte da Barca promove sessão gratuita de Yoga para bebés (entre os 18 e os 36 meses) e pais no sábado, dia 24 de setembro, às 11h.

Através da exploração dos sentidos dos bebés, feita através de forma livre e integral, e da promoção de um ambiente seguro e cheio de carinho ao longo de toda a aula, os pais e bebés poderão usufruir de momentos únicos que oferecem uma possibilidade de dedicação exclusiva em que cada instante traz em si a oportunidade de uma partilha de amor, ternura e diversão.

A atividade necessita de inscrição prévia que poderá ser efetuada presencialmente ou através do email biblioteca@cmpb.pt.

 

FAFE ASSINALA MÊS DA MOBILIDADE

Bicicletas eléctricas disponíveis para a comunidade

O Presidente da Câmara Municipal de Fafe, Raul Cunha, e o Vereador José Baptista, responsável pelo pelouro da Energia, vão, amanhã pelas 10h30, fazer a abertura do mês da Mobilidade, em Fafe, com o arranque de uma iniciativa muito especial.

Durante o mês de Setembro, a Autarquia disponibiliza três bicicletas eléctricas para os funcionários da Câmara Municipal se poderem deslocar e uma destinada à utilização da comunidade em geral.

Para além disso, haverá durante todo o mês, muitas outras actividades que se vão desenrolar, sob o mote “Mobilidade Inteligente. Economia Forte.” e que culminam com a Semana Europeia da Mobilidade e Segurança, de 19 a 24 de Setembro.

VILA VERDE: CABANELAS É AGRIDOCE

Agricultura e doçaria de mãos dadas na Agridoce de Cabanelas!

A agricultura e a doçaria voltam a caminhar de mãos dadas Na Rota das Colheitas e dão o mote para um fim-de-semana extremamente interessante na freguesia de Cabanelas.

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A Agridoce tem conquistado os visitantes pelo estômago, com os alimentos frescos e saudáveis cultivados de forma tradicional pelos agricultores locais e a doçaria confecionada pelas mãos experimentadas mestres locais, mas não só.

O evento apresenta-se como uma verdadeira mostra do que de melhor a freguesia e a região minhota têm para oferecer, com destaque para o célebre vinho doce, as iguarias mais típicas da cozinha regional (em que ganha lugar de destaque a broa com chouriço e sardinhas, um dos pitéus mais apreciados pelos visitantes), o folclore, a música popular, as belas peças de artesanato e a recriação da prática ancestral da desfolhada do milho.

A iniciativa, organizada pela comunidade de Cabanelas, decorre de 2 a 4 de setembro, nas imediações da igreja paroquial, e insere-se na programação Na Rota das Colheitas, do Município de Vila Verde.

Antecipam-se três dias de festa e diversão com um programa atrativo, que se apresenta como um tributo ao mundo rural, de um povo que tem orgulho nas suas origens e nas suas tradições. A Feira de Agricultura e Doçaria começa já na próxima sexta-feira, com a abertura do recinto pelas 21h00. Meia hora mais tarde tem lugar a sempre divertida e animada atuação dos ‘Amigos da Paródia’.

No dia seguinte, 3 de setembro, os interessados podem visitar a feira durante o dia e participar nas atividades marcadas para a noite, com uma tradicional desfolhada de milho, pelas 21h00, a que se seguem os espetáculos de música ao vivo dos artistas Anabella e Hélder Miranda.

O último dia, 4 de setembro, é o que apresenta a agenda mais preenchida, com várias atividades desde o raiar da aurora até ao final da tarde. O dia começa com uma manifestação religiosa, com uma Eucaristia marcada para as 08h30.

Os amantes das duas rodas não foram esquecidos e o Passeio de Motorizadas de 50c arranca às 10h00. As inscrições têm um custo de 10€ e incluem almoço e uma lembrança para todos os participantes. Meia hora mais tarde, os ritmos quentes da dança chegam ao recinto com uma Mega Aula de Zumba gratuita, aberta a toda a população.

No período vespertino, destaque para o cortejo etnográfico, marcado para as 15h00, e o encontro de folclore, que começa às 18h00. Estão reunidos todos os condimentos para mais um fim de semana de festa e de tributo a herança cultural minhota Na Rota das Colheitas.

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CABECEIRAS DE BASTO BENEFICIA CAPTAÇÕES DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA

Câmara Municipal desenvolve trabalhos de beneficiação de acessos e limpeza de captações de abastecimento de água em Basto

Atendendo à necessidade de assegurar o abastecimento de água em qualidade e quantidade nas freguesias, a Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto está a desenvolver trabalhos de beneficiação de captações de água para abastecimento domiciliário nas freguesias, incluindo limpeza de acessos e desmatação da envolvente das nascentes.

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Ainda que na freguesia de Basto não se tenham vindo a registar, até ao momento, falhas de água graves e sistemáticas no abastecimento às habitações, a Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto desenvolve ações preventivas, tendo em vista melhorar as condições sanitárias e de acesso às origens de água que servem as populações, procurando tirar o máximo de produtividade das mesmas.

Atenta às dificuldades na disponibilidade de água neste período seco do ano, agravadas pela pouca precipitação, com redução significativa dos caudais de muitas das captações de água do concelho, associado ao aumento de consumo neste período de verão, a Câmara Municipal, nesta primeira fase, está a desenvolver ações preventivas de melhoria das origens de água nesta freguesia como nas restantes, tanto na vertente da captação como das condições sanitárias das mesmas.

Numa segunda fase, para 2017, pretende a Câmara Municipal reforçar e beneficiar a capacidade de captação das nascentes que abastecem esta freguesia, incluindo também a reparação do atual reservatório.

Estes trabalhos surgem também na sequência de outros trabalhos que foram já feitos e estão ainda previstos para os sistemas de abastecimento de outras freguesias, prevendo-se reforçar a captação que abastece o lugar de Celeirô, freguesia de Cabeceiras de Basto e lugar de Moimenta, freguesia de Cavez.

Refira-se que nos últimos anos foram realizados trabalhos de reforço das redes de abastecimento de água na freguesia de Basto com colocação de novo sistema de tratamento de água, por recurso a painéis solares, no reservatório da Tarímbola, incluindo a impermeabilização interior do reservatório.

Em complemento, obras realizadas pela Câmara Municipal, nos últimos anos, permitiram que uma área considerável desta freguesia fosse abastecida pelo sistema em ‘alta’ do reservatório de grande capacidade de Paçô, proveniente da adutora de Cabeceiras de Basto, refletindo-se numa maior qualidade e quantidade da água abastecida nesta freguesia.

MUNICÍPIOS DE CAMINHA, ROSALE A GUARDA ASSINAM ATA DE VISTORIA DE FRONTEIRA

Os Municípios de Caminha, Rosale A Guarda assinaram na passada quinta-feira, dia 25 de agosto, no “Estuário do Rio Minho”, a ata de vistoria de fronteira, no âmbito do Tratado de Limites entre Portugal e Espanha, datado de 29 de setembro de 1864.

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A ata foi assinada por Guilherme Lagido Domingos, vice-presidente da Câmara Municipal de Caminha, Anabela Monteiro, funcionária da Câmara Municipal de Caminha, Maria del Carmen Alonso Alonso, vice-presidente da Câmara Municipal do Rosal,Antonio Lomba Baz, presidente da Câmara Municipal de A Guarda e José Carlos Martinez Crespo, secretário do Gabinete de Atas da Câmara Municipal de A Guarda.

O Tratado de Limites entre Portugal e Espanha, de 29 de setembro de 1864, reconhece a linha fluvial do Rio Minho, que serve de fronteira entre os dois países. A ata de vistoria de fronteira é assinada anualmente e atesta que não se verifica qualquer alteração no curso do Rio Minho.

O ZOROASTRISMO E A SUA INFLUÊNCIA NO JUDAÍSMO E NO CRISTIANISMO

O zoroastrismo é a religião monoteísta viva mais antiga (apareceu entre 1550 AEC e 1200 AEC, numa altura em que o judaísmo tinha um caráter muito politeísta) e influenciou muito o islamismo (em especial o xiita), o judaísmo e o cristianismo.

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Dele provém por exemplo o conceito de paraíso (pairidaeza) e influenciou muito a religião judaica, durante o exílio na Mesopotâmia como por exemplo a proibição da adoração de imagens sagradas (todo o texto de Isaías na Bíblia é de raiz zoroastriana),o monoteísmo rigoroso (até então o judaísmo era confusamente politeísta) e o puritanismo austero (a purificação dos judeus apregoada por Esdras ter-se-á dado a partir da Pérsia) uma vez que o zoroastrismo era a religião oficial do império persa, sendo o imperador persa Ciro II visto como o “Messias de Jeová” ou o “ungido de Jeová”. O paradoxo é que o título é concedido a um soberano estrangeiro, que não conhece Jeová (“Embora não me conheças, eu te cinjo”, no Deuteronómio de Isaías).

Adotaram então a crença zoaroastrista da vida após a morte, os conceitos de céu e inferno e do julgamento final e do apocalipse muito diferentes do judaísmo de antes da invasão persa. O princípio dualista do zoroastrismo manifesta-se na doutrina das duas eras, uma era presente (de impiedade) que se opõe a uma era futura (de justiça). Com a invasão alexandrina e o helenismo, o judaísmo absorve novos conceitos: o conceito grego da imortalidade da alma e a ideia da ressurreição corporal do zoroastrismo.

Hoje em dia há duas seitas, geograficamente delimitadas (sem contar com os zoroastristas na diáspora, que devem ser tantos como o total dos que existem no Irão e na Índia, um dos quais era o vocalista dos Queen, Freddie Mercury, um zoroastrista parsi, cujo nome verdadeiro era Farrokh Bulsara. No Irão há 35.000 zoroastristas – segundo o governo iraniano – ou 60.000 segundo as autoridades religiosas zoroástricas.

Os zoroastristas iranianos, (cuja cidade sagrada é Yazd, se bem que haja muitos também em Teerão e Kerman) são mais abertos, aceitam casamentos com não-zoroastristas e tentam ativamente converter outras pessoas. Os zoroastristas indianos, concentrados no no Estado do Gujarate, chamados Parsis (de Persa), são mais fechados, só aceitam casamentos endógenos, porque se consideram uma raça “pura” e desencorajam o proselitismo e a conversão de estranhos. Isto é curioso: o ramo que procura conversões está num país onde 99% da população é muçulmana, na maioria xiitas duodecimanos, religião que não permite a saída para outra religião; o ramo parsi, que não admite a conversão de outros, está na Índia, país onde a conversão para outras religiões é livre, exceto para os muçulmano. Dá Ahura Mazda nozes a quem não tem dentes…

No Irão, além dos muçulmanos de várias confissões (incluindo os bahá’is, ramo divergente do xiismo, considerado herético e proibido mas que mesmo assim tem cerca de 350.000 fiéis), são reconhecidas pelo Estado e protegidas (com direito a um assento no parlamento cada uma, as religiões judaica (com 25.000 praticantes, a maior comunidade judaica num país muçulmanos), cristã (300.000, sendo 200.000 da igreja apostólica arménia, sendo os restantes protestantes e da igreja assíria; também são considerados cristãos, e como tal protegidos pela lei, os gnósticos mandeístas que porém não se reconhecem a si próprios como cristãos e por isso se consideram discriminados pelo governo – que não liga nenhuma às suas queixas e continua a classifica-los como cristãos; note-se uma coisa interessante: considera-se que o conceito de diabo nas igrejas cristãs provém do islamismo iraniano e não do judaísmo) e os zoroastristas.

Nuno Miranda

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ANHO NO FORNO E ARROZ PINGADO ATRAEM VISITANTES DO MINHO E GALIZA A VALENÇA ESTE FIM-DE-SEMANA

Valença Tem Anho no Forno e Arroz Pingado este Fim-de-semana

O Festival Gastronómico “Sabores do Anho” decorre entre 3 e 4 de setembro, na freguesia valenciana de Gondomil. Uma oportunidade para saborear o Anho Assado no forno a lenha, com arroz pingado, feito por quem mais sabe desta tradição secular.

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O Largo de Santa Rita, em Gondomil, é o espaço de acolhimento deste festival gastronómico dedicado a um dos pratos mais emblemáticos da gastronomia valenciana, o Anho no Forno, a 12,5 euros a dose.

Sabores do Anho é uma oportunidade única para saborear um prato genuíno da região elaborado de forma tradicional assado, como há séculos, nos tradicionais fornos a lenha por mãos sábias; um prato rei gastronómico das festas grandes. Como alternativa os comensais podem saborear os rojões e deliciar-se, na sobremesa, com as celebres Sopas Secas.

O anho assado nos fornos de Valença é criado, em rebanhos, sobretudo, nas serranias do Faro, da Furna e de São Lourenço, nas mais puras pastagens da carqueja, do rosmaninho e do tojo bravo que dotam esta carne de um sabor inigualável.

O festival abre sábado, às 12h com e do programa de animação consta o Trilho da Corredoura do Manco, às 16h e para as 22h está programada a atuação do Grupo de Sopro e Cordas de Outeiro. Domingo o festival abre às 12h, estando programado um espetáculo da Ginasticart para as 16h30 e concertinas e cantares ao desafio, a cargo de Ricardo Jorge e Zé Barbosa, a partir das 17h.

A iniciativa é da Câmara Municipal de Valença, Junta da União de Freguesias de Sanfins e Gondomil e da Associação Cultural de Gondomil.

Os Sabores do Anho encerram o ciclo anual de eventos gastronómicos que a Câmara Municipal de Valença dinamizou ao longo deste ano e de que destacaram, ainda, os Sabores da Lampreia, Os Sabores Serranos, Os Sabores da Aldeia, os Domingos Gastronómicos e Fevereiro Mês da Lampreia.