Cortejo ‘Ludi Litterarii’ marcado para Segunda-feira, 30 de Maio, às 10h00
Arrancou no passado dia 25 de Maio, a 13.ª edição da Braga Romana – Reviver Bracara Augusta. Até à próxima Segunda-feira, 30 de Maio, Braga recorda o quotidiano da Cidade fundada por César Augusto há mais de dois mil anos. O evento tem como palco as ruas do Centro Histórico com a reconstituição das actividades económico-sociais da época, com animação de rua constante, cortejos, espectáculos e representações teatrais.
Para o presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio, a Braga Romana constitui-se como uma verdadeira “aula de história ao ar livre em que se procurar recriar as vivências e os hábitos que marcaram o período romano da Cidade”.
Segundo Autarca, este é um evento com grande envolvimento da comunidade e dos agentes económicos da Cidade. “A Braga Romana conta com o envolvimento de milhares de Bracarenses de associações, de escolas e cidadãos anónimos que participam em cada um dos eventos e manifestações artísticas. São eles que fazem da Braga Romana uma grande atracção do nosso calendário anual”, afirmou o Edil.
A edição de 2016 conta com seis palcos, nove áreas temáticas, 70 horas de espectáculos ininterruptos que serão protagonizados por 25 entidades artísticas.
Segundo Lídia Dias, vereadora da Cultura, houve um reforço da programação na área pedagógica, com a realização de mais oficinas pedagógicas, espectáculos teatrais e com um aumento das actividades na Escola Romana, instalada na EB1 de S. João do Souto. Neste local, “os jovens visitantes terão a oportunidade de conhecer o dia-a-dia de uma escola romana e participar em oficinas de escrita em latim, aritmética, jogos de tabuleiro, entre outras actividades”.
Outra das novidades é a existência de uma nova área temática - Tenda de Marte e Vénus - instalada na Praça Municipal onde haverá animação relacionada com o quotidiano dos Bracaraugustanos.
O destaque deste primeiro dia vai para a realização, às 22h30, do ‘Senatus Bracarae Augustae’, no Rossio da Sé, que irá recriar uma Assembleia Senatorial. Amanhã, dia 26, as atenções centram-se na ‘Forja do Vulcano’, um espectáculo mitológico com gladiadores, estátuas vivas, dança, fogo, malabares, canto e pirotecnia.
Na Sexta-feira, 27 de Maio, realiza-se o habitual Cortejo Triunfal, com a participação de mais de 1.800 figurantes, e no Sábado, 28, na Praça Municipal, decorrerá o Casamento Romano. O ritual da cerimónia será recheado de momentos simbólicos da mitologia clássica e actividades lúdicas que irão deliciar os noivos e convidados durante o banquete. O programa de Domingo, 29 de Maio, será preenchido com ‘Amphitruo’, uma comédia de Plauto sobre o relacionamento amoroso de Júpiter com uma mortal.
Ao longo de todo o evento, os Bracarenses e visitantes serão surpreendidos por dezenas de personagens da mitologia romana e figuras do imaginário da época que irão circular pelas ruas do Centro Histórico.
De referir que o Cortejo “Ludi Litterarii” que estava agendado para hoje devido à instabilidade das condições meteorológicas, irá realizar-se na próxima Segunda-feira, dia 30 de Maio, pelas 10h00.
O programa da Braga Romana poderá sofrer alterações, estando o Município de Braga a desenvolver todos os esforços para minorar os efeitos do mau tempo nomeadamente com a reprogramação de algumas actividades para espaços fechados. Com o evoluir da situação, será dado conhecimento público que qualquer alteração à programação nos canais informativos do Município.
Passam precisamente 90 anos sobre a data em que um levantamento militar, então denominado por Revolução Nacional, derrubou o regime instaurado dezasseis anos antes e que, ao longo da sua curta existência, se caraterizou por uma grande instabilidade política e uma profunda crise económica.
Entre os protagonistas do movimento que em 1926 instaurou a ditadura militar contavam-se muitos republicanos que antes haviam participado na implantação da República, em 1910 e que apostavam agora na regeneração do próprio regime. Pese embora as semelhanças entre a situação vivida à época e as atuais circunstâncias não constituam mais do que meras coincidências, os acontecimentos que então se viveram não devem deixar de constituir um motivo de reflexão.
“Em 28 de Maio de 1926 ocorre um levantamento militar no norte de Portugal, com o objectivo de tentar repor a ordem no país, que durante os últimos dois anos (desde 1924) está continuamente à beira da guerra civil.
Com um movimento sindicalista completamente controlado por sectores da esquerda anarquista, que provoca incidentes violentos, criam-se condições para a instalação de um regime de terror, em que os assassinatos e os atentados terroristas se sucedem todas as semanas.
A instabilidade política atinge uma situação de pré guerra-civil com confrontos entre unidades militares e com a sublevação de unidades do exército, nomeadamente da aviação do exército (na altura não havia Força Aérea).
A instabilidade generalizada atinge um ponto de ruptura e leva alguns dos principais comandos militares a uma revolta.
A revolução propriamente dita tem origem em Braga, a capital da província do Minho, uma das regiões mais povoadas de Portugal. O comando das operações é assumido pelo General Gomes da Costa, que chega à cidade na noite do dia 27.
A 28 de Maio, uma Sexta-feira é proclamado o movimento militar e inicia-se a movimentação de forças desde Braga para Lisboa. Ao longo do dia seguinte, Sábado, 29 de Maio, unidades militares de todo o país declaram o seu apoio aos militares golpistas, enquanto que em Lisboa a chefia da polícia também adere ao golpe.
Gomes da Costa comanda em Braga as forças do Regimento de Infantaria nº 8.
No entanto, opõem-se-lhe as forças comandadas desde o Porto pelo comandante da III Divisão do exército, Gen. Adalberto Sousa Dias, que manda as suas tropas avançar em direcção a Braga e assumir posições defensivas em Famalicão, a meio caminho entre o Porto e a cidade revoltosa.
Mas no dia seguinte, 29 de Maio, são anunciadas adesões ao golpe por parte de divisões militares com base em Vila Real, Viseu, Coimbra, Tomar e Évora (4ª Divisão), isolando as forças do Porto.
No Domingo, 30 de Maio o comandante da III Divisão anuncia que as suas forças também aderem ao golpe, deixando assim o caminho livre para as tropas de Gomes da Costa que marcham pelo Porto sem oposição.
O governo em Lisboa, verificando não ter qualquer capacidade para controlar a situação, apresenta a demissão ao Presidente da República Bernardino Machado.
Na Segunda-feira dia 31, o poder está formalmente nas mãos de Mendes Cabeçadas, com a resignação oficial de Bernardino Machado, embora nesse mesmo dia ainda ocorra a última sessão da Câmara dos Deputados e do Senado. O palácio de S. Bento, será encerrado na tarde dessa Segunda-feira pela GNR, e só voltará a receber deputados eleitos, 49 anos depois, em 1975.
Na Terça-feira, dia 1 de Junho, quatro dias depois de a coluna de tropas revoltosas ter saído de Braga, encontra-se em Coimbra, onde o líder da revolta militar declara a formação de um triunvirato governativo ao qual presidirá e que será também constituído por Mendes Cabeçadas e Armando Ochoa.
O movimento militar, transforma-se então numa autêntica revolução com a adesão de inúmeros sectores da sociedade portuguesa, desejosos de acabar com o clima de terror e violência que se tinha instalado no país.
No dia 3 de Junho, Quinta-feira, as tropas de Gomes da Costa chegam a Sacavém, e a situação aparece confusa, pois não há exactamente a certeza de quem deverá formar parte do novo governo. Entre as novas figuras, surge a do crucial Ministro das Finanças, um professor de Coimbra, que mais tarde assumirá a chefia do Governo, Oliveira Salazar.
No dia seguinte, Sexta-feira, 4 de Junho, o comando é transferido para a Amadora, onde chegam também forças da 4ª Divisão vindas de Évora.
No dia 7 de Junho de 1926, as várias colunas militares que entretanto se formaram efectuam uma parada militar em Lisboa que serve também como afirmação de força, na qual participam 15.000 homens.
A revolução implantou um regime militar que duraria formalmente até 1933, sendo seguido pela aprovação de uma nova Constituição e pela institucionalização do «Estado Novo», um regime autocrático em parte inspirado no movimento fascista italiano que tinha acabado de despontar em Itália, mas controlado pelos sectores católicos conservadores portugueses.
O regime implantado com a revolução de 28 de Maio, conseguiu recuperar da situação económica absolutamente caótica a que a chamada «República Laica» o tinha feito chegar após o golpe de 5 de Outubro de 1910.
No entanto, embora tivesse recuperado a economia do país, o regime implantado em 28 de Maio de 1926, entrou por sua vez (após o final da II Guerra) num lento processo de apodrecimento que acabaria por conduzir a um outro movimento de contornos idênticos, também dirigido pelos militares em 25 de Abril de 1974, que como o movimento de 28 de Maio, triunfaria por causa do enorme apoio que teve nas ruas.”