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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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ALVES DOS SANTOS: ASSENTO DE BATISMO DE SEU PAI MANOEL JOAQUIM RODRIGUES DOS SANTOS

Transcreve-se o assento paroquial de batismo de Manoel Joaquim Rodrigues dos Santos, pai de Augusto Joaquim Alves dos Santos, também ele natural da Freguesia de Cabração, concelho de Ponte de Lima, cuja imagem junto se reproduz.

“Manoel Joaquim filho legitimo de Antonio Jose Rodriguez dos Sanctos, e de Anna Joaquina Dantas do Lugar da Egreja desta freguesia de Santa Maria da Cabração julgado de Ponte de Lima; nasceo no dia quinze de Agosto de mil oito centos trinta, e nove, foi baptizado solenemente na pia Baptismal desta Igreja, com imposição dos sanctos oleos, no dia dezoito do ditto mês, por mim padre Joao Antonio Pereira de Amorim Paroco desta Igreja. Forao padrinhos, Joao Antonio Rodrigues, solteiro (…) Maria Joanna Rodrigues solteira ambos (…) e do mesmo Baptizado. Nepto Paterno de Joao Rodrigues dos Sanctos, e de Maria Affonso do Lugar da Igreja desta mesma (…) materno do Padre Manoel Jose de (…), e de Rosa Maria de Antas solteira, ambos da freguesia da Labruje, Lugar do Socorro. Pª constar fiz este assento que assino: era dia mês comes est. Supra.

O Paroco Joao Antº Perª de Amorim Vigº”

(Arquivo Distrital de Viana do castelo. Fundo paroquial de Ponte de Lima – Cabração. Livro de baptismos. Nº. do livro: 2 Fls 4 Cota 3.13.1.31)

CÂMARA MUNICIPAL DE COIMBRA INFORMA SOBRE ALVES DOS SANTOS

A fim de envolver a Casa do Concelho de Ponte de Lima num projeto de interesse cultural, o autor destas linhas efetuou quase desde o início alguns pedidos de informação em nome daquela Instituição regionalista, razão pela qual algumas entidades respondem-lhe diretamente. É o caso da Câmara Municipal de Coimbra que presta algumas informações acerca de Augusto Joaquim Alves dos Santos, através do ofício que junto se reproduz.

O VOO DOS PARDAIS - UM POEMA DE DANIEL BASTOS

No início de mais uma estação Primaveril, que no Hemisfério Norte teve inicio a 20 de março, uma estação tipicamente associada ao reflorescimento da flora terrestre e uma época em que os pássaros constroem os ninhos, tomo a liberdade de enviar em anexo, para possível divulgação e publicação, o desenho e o poema  “O voo dos pardais”,  que fazem parte do meu livro de poesia “Terra” magnificamente ilustrado pelo mestre-pintor Orlando Pompeu.

 Daniel Bastos

O voo dos pardais

 

Voam em bando os pardais

irmanados de sonhos inocentes

à procura de pródigas sementes

abundantes nos dourados trigais.

 

Chilreando alegres melodias

pousam os destemidos pardais

por breves instantes nos beirais

anunciando o raiar dos dias.

 

Durante o apelo da natureza

criam ninhos de amor frugais

doces-abrigos de pura beleza.

 

Chegada a hora da partida

voam em bando os pardais

rumo ao céu da nova vida.

 

Daniel Bastos, “O voo dos pardais”, in Terra.

DESENHO - Orlando Pompeu

QUANDO VAI PONTE DE LIMA HOMENAGEAR ALVES DOS SANTOS?

Em resposta a uma sugestão apresentada em 1993, pelo autor destas linhas, no sentido de ser organizada uma homenagem ao Dr Alves dos Santos, a Câmara Municipal de Ponte de Lima, então presidida pelo sr. Fernando Calheiros de Barros, sugeriu por unanimidade a sua realização por ocasião dos 75 anos do seu falecimento ou seja, em 1999. Não tendo a mesma sido então realizada, julgamos ser o 150º aniversário da data do seu nascimento a efeméride adequada para lembrar este grande vulto limiano. Aqui ficam as cópias da correspondência então trocada com a autarquia limiana.

VILA VERDE PROMOVE TALENTOS

Praia do Faial recebe a IV Gala Os Melhores de Vila Verde

A Vila de Prado prepara-se para ser palco de uma cerimónia que vai colocar as luzes dos holofotes sobre os talentos vilaverdenses que mais se evidenciaram ao longo do último ano.

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A organização da IV Gala Os Melhores de Vila Verde escolheu como pano de fundo para o evento um deslumbrante cenário natural, a Praia Fluvial do Faial, um recanto de grande beleza, boas acessibilidades e excelentes infraestruturas, que todos os anos milhares de visitantes à freguesia e ao concelho de Vila Verde. Durante a conferência de apresentação do evento, que decorreu ao final da tarde de ontem, 1 de abril, foi ainda possível ficar a saber que a edição deste ano conta com a atuação de um grupo de renome no panorama regional e nacional e música, que “será divulgado em breve”. A sessão foi abrilhantada pela apresentação de uma linha de azulejos preparados em modo de souvenir, com belas paisagens pradenses como cenário, da autoria da artesã Fátima Mendes.

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Estão reunidos todos os condimentos para mais um serão memorável que se afigura como uma autêntica concentração de talento e que se assume também como uma montra privilegiada para a divulgação e promoção dos atores locais, como fez questão de sublinhar o presidente da Junta de Freguesia da Vila de Prado. “Consideramos que este evento é extremamente importante para divulgar e promover o que de melhor se faz no concelho de Vila Verde. Foi por esse motivo que aceitamos desde logo e sem hesitações o convite endereçado pelo Tuta Faria para sermos parceiros da iniciativa”, afirmou Paulo Gomes.

Elevar a fasquia e aumentar a qualidade do espetáculo

O autarca pradense revelou ainda que a proposta surgiu durante a última gala, numa aposta da organização em levar o evento a diversas freguesias do concelho e que terá como pontapé de saída a Vila de Prado. Face à importância da Gala para o concelho, Paulo Gomes frisou que “é de lamentar a postura de outras instituições, que não participam na iniciativa e têm apenas olhos para o boom de negócio em torno do Namorar Portugal”. O presidente da Junta concluiu deixando uma palavra de apreço para com os principais patrocinadores do evento (Crédito Agrícola e a Mebra), que permitiram à organização “elevar a fasquia e aumentar a qualidade do espetáculo”.

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Divulgar os talentos vilaverdenses desconhecidos

A primeira edição da Gala surgiu da vontade do grupo de Facebook Vila Verde em Notícia de colmatar lacunas na divulgação dos talentos vilaverdenses. As palavras são do criador do grupo, Augusto Faria, mais conhecido como Tuta, que aponta vários exemplos de “várias pessoas de destaque no concelho que estavam a ser esquecidas pelo poder local”. “O grupo Raízes, a Sofia Fernandes da TVI, as Oriental Stars que já atuaram nos melhores palcos do país, a fadista Isa de Castro e muitas outras figuram que foram divulgadas. No aspeto desportivo também, porque temos muitos vilaverdenses a atuar em ligas profissionais, o que é do desconhecimento total de muitos vilaverdenses e principalmente dos políticos”, vincou.

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Nomeações e votações já estão em curso

Augusto Faria deixou ainda o apelo à mobilização popular e augurou um futuro auspicioso para a iniciativa. “Penso que será um êxito absoluto, realiza-se numa zona maravilhosa e temos todas as condições para proporcionar um ótimo espetáculo”, disse. A IV Gala os Melhores de Vila Verde está marcada para o dia 6 de agosto, pelas 21h00, e resulta de uma organização conjunta entre o Grupo de Facebook Vila Verde em Notícia, a Junta de Freguesia da Vila de Prado e o Semanário V.

As nomeações e a primeira fase de votações já arrancaram na página de Facebook do Grupo Vilaverde em Notícia, estendem-se até ao dia 31 de maio e estão abertas a toda a população. Para que estejam em condições de concorrer, os nomeados têm que ser residentes ou naturais do concelho de Vila Verde. Durante o mês de junho há nova fase de votações para o público eleger os finalistas e o vencedor de cada categoria será escolhido posteriormente pelo júri do evento. A iniciativa vai distinguir o mérito nas categorias de Desporto Individual, Desporto Coletivo, Danças, Música, Saudade, Beleza e Estética, Empreendedorismo, Arte e Cultura, Fotografia e Imagem, Revelação do Ano e Personalidade do Ano.

GUIMARÃES LEVA TURISTAS A COUROS

LOCAL DE CONHECIMENTO NA ZONA DE COUROS

Mais de um milhar de pessoas passaram pelo Ciência Viva de Guimarães no mês de março

Escolas e centros de estudo escolheram o “Curtir Ciência” para atividades das férias da Páscoa. Quadra pascal trouxe também muitos turistas espanhóis ao equipamento instalado em Couros, no centro da cidade.

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O Curtir Ciência – Centro Ciência Viva de Guimarães recebeu, durante o mês de março, mais de mil visitantes. Concretamente, pelo Centro instalado em Couros passaram 1.100 visitantes oriundos de vários pontos do país, na sua maioria escolas e centros de estudos que aproveitaram as potencialidades do Curtir Ciência para ocupação dos alunos nas férias escolares da Páscoa.

A caracterização dos visitantes permite verificar uma afluência assinalável do público estudantil, principalmente do 1º ciclo (faixa etária dos seis aos dez anos), mas também a confirmação da diversidade etária do Centro, já que ao nível das chamadas visitas livres, que não obedecem a agendamento e não dizem respeito a escolas, os adultos representam uma fatia importante do número total de visitantes. 

Para Sérgio Silva, Diretor Executivo do Curtir Ciência, estes dados «são muito animadores» para um Centro que está a funcionar há pouco mais de três meses. «Refletem o afluxo singular de turistas» registado em Guimarães no período pascal, o que confirma o relevo que o Ciência Viva assume no que toca à diversificação da oferta turística vimaranense. «Na quadra da Páscoa, tivemos grupos familiares oriundos de cidades espanholas, como Madrid, Corunha, Vigo e Santiago de Compostela», sublinha o Diretor do Ciência Viva.

Inaugurado a 17 de dezembro de 2015, o Curtir Ciência, que ocupa a Antiga Fábrica de Curtumes “Âncora”, é um projeto resultante da parceria entre a Câmara Municipal de Guimarães, Universidade do Minho e Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica. A sua exposição permanente é composta por 17 módulos de áreas científicas diversificadas: Eletrónica e Instrumentação, Robótica, Domótica, Reciclagem, História e Comunicações.

BRAGA REQUALIFICA LARGO DO SOUTO

Requalificação do Largo do Souto e pavilhão gimnodesportivo. Ricardo Rio inaugurou obras em Panoias e Vilaça

O presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio, inaugurou na tarde deste Sábado, dia 2 de Abril, a requalificação do Largo do Souto, na freguesia de Panoias, e o pavilhão gimnodesportivo de Vilaça. As duas obras são o reflexo da estreita colaboração entre o actual Executivo Municipal e as respectivas Uniões de Freguesia que, segundo Ricardo Rio, faz com que seja possível “servir mais e melhor as populações”.

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Em Panoias, a requalificação do Largo do Souto era uma obra há muito desejada pela freguesia. Ao longo dos tempos, o projecto foi encontrando diversos obstáculos de ordem técnica e operacional que contribuíram para o seu sucessivo adiamento. “Ultrapassadas todas as dificuldades, estamos aqui a inaugurar esta obra e a devolver o espaço à freguesia, com esta beleza e funcionalidade que todos podemos constatar”, referiu o Autarca Bracarense.

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A obra, executada por delegação de competências na União de Freguesias de S. Paio, Panoias e Parada de Tibães e com um custo de cerca de 165 mil euros, devolve ao Largo do Souto a dignidade há muito desejada pela população local. “Esta intervenção reflecte o esforço de colaboração entre a Câmara Municipal e a Junta, um esforço que temos procurado renovar todos os dias”, frisou Ricardo Rio, dando conta de outros projectos que estão a ser preparados para aquela União de Freguesias.

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Já em Vilaça, Ricardo Rio inaugurou o Pavilhão Gimnodesportivo, um equipamento que vai servir não apenas as populações da União de Freguesias de Vilaça e Fradelos, mas muitos mais potenciais utilizadores. “Este é um pavilhão que reflecte o reforço no investimento em equipamentos que promovam o eclectismo desportivo no nosso Concelho”, referiu o Edil, numa cerimónia que contou ainda com a presença do vice-presidente da Câmara, Firmino Marques, e da vereadora do Desporto, Sameiro Araújo.

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Apesar do pavilhão de Vilaça ter sido construído ao abrigo da SGEB – Sociedade Gestora de Equipamentos de Braga, Ricardo Rio sublinhou a importância do equipamento. “Sempre disse que o modelo que foi utilizado para estes equipamentos desportivos não era o mais correcto, pelo que representou em termos de encargos financeiros. Mas isso não põe em causa reconhecer que este investimento em concreto, como outros que foram realizados no âmbito da parceria público privada, são importantes para as populações. Podia-se era ter feito de outra forma”, explicou Ricardo Rio. O pavilhão teve o custo de 1.903.184,70 euros, sendo que a renda mensal a pagar pelo Município será de cerca de 16 mil euros.

Dando nota da “vitalidade associativa da União de Freguesias de Vilaça e Fradelos”, o Autarca Bracarense lembrou que “há ainda muito por fazer um pouco por todo o Concelho em termos de novos equipamentos e investimentos”. “Também aqui nesta União de Freguesias há total disponibilidade dos órgãos eleitos no sentido de identificar as necessidades. Não podendo fazer tudo de uma vez, estamos a trilhar um caminho de maneira a que cada um dos projectos se possa fazer”, finalizou Ricardo Rio.

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LABORATÓRIO DA PAISAGEM DE GUIMARÃES RECEBE SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE ARTE E PAISAGEM

Inscrições estão abertas até esta segunda-feira

Evento conta com alguns dos maiores especialistas nacionais e internacionais da área em debate. Inscrições para participantes sem comunicações encontram-se abertas até ao dia 04 de abril.

Os interessados em participar no Seminário Internacional de Arte e Paisagem, que decorrerá em Guimarães entre 07 e 09 de abril, com o objetivo de apresentar e discutir abordagens emergentes entre as diversas formas de arte e paisagem, devem inscrever-se até esta segunda-feira, 04 de abril. O evento, promovido pelo Laboratório da Paisagem, irá analisar a forma como a paisagem é hoje entendida, fruto da ação e interação dos recursos naturais, humanos e o seu entendimento na qualidade de vida dos cidadãos e nas mais variadas manifestações artísticas.

Para este seminário internacional, estarão presentes alguns dos maiores especialistas nacionais e internacionais na área, como é o caso de Joan Nogué, Diretor do Observatori del Paisatge de Catalunha e professor catedrático de Geografia Humana da Universidade de Girona, da docente da Universidade do Minho, Ana Francisca de Azevedo, Doutorada em Geografia e autora de diversas publicações versadas sobre paisagem, de Frederico Meireles, Doutorado em Arquitetura Paisagista e docente na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e ainda, Nuno Faria, Curador e Diretor Artístico do CIAJG - Centro Internacional das Artes José de Guimarães.

O programa de comunicações do evento está já preliminarmente constituído e reúne contribuições temáticas de Portugal, Brasil e Espanha. A par dos painéis de comunicações, no dia 07 de abril, e tendo como mote de partida a cerimónia de encerramento do Seminário Internacional de Arte e Paisagem, será realizado o anúncio público do evento cultural que marcará Guimarães em 2017: o lançamento do “Guimarães LandArt - Bienal de Arte em Paisagem”.

Todas as informações necessárias estão disponíveis na seguinte ligação: www.labpaisagem.pt/index.php/seminar

MANUEL BENTO DE SOUSA – UM MINHOTO QUE FOI UM DOS MAIS INSIGNES FILHOS DE PONTE DA BARCA

De entre os maiores vultos de Portugal que integram o Panteão de Ponte da Barca, ao lado do navegador Fernão de Magalhães, os poetas Diogo Bernardes e Frei Agostinho da Cruz Cipriano José da Rocha que fundou a cidade de Campanha no Brasil, encontra-se a figura insigne daquele que foi um dos maiores médicos do seu tempo – Manuel Bento de Sousa!

O ilustre minhoto nasceu em Ponte da Barca, em 5 de dezembro de 1835, tendo ficado órfão quando contava apenas dois anos de idade, facto a que não foi alheia a época conturbada que então se viveu e as perseguições políticas que o seu pai foi alvo. Valeu-lhe, na desgraça, a generosidade dos Condes de Murça que o acolheram e lhe proporcionaram uma educação esmerada, passando a residir no seu palácio, situado na Freguesia de Santos-o-Velho, em Lisboa.

Manuel Bento de Sousa foi clínico famoso, cirurgião, anatomista, escritor e também agricultor. Foi presidente da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa. E, de entre os seus escritos literários, destaca-se “A Parvónia” de cuja obra transcrevemos uma passagem. Faleceu em Lisboa, em 29 de abril de 1899.

Em 1906, com a presença do Rei D. Carlos, foi inaugurado no átrio da Escola Médica, ao Campo de Santana, um monumento a Manuel Bento da Cruz, da autoria do escultor Teixeira Lopes. Uma escultura da qual bem podia ser feita uma réplica para erigir em Ponte da Barca para que a sua memória não se apague das gentes de Ponte da Barca!

A revista “Ilustração Portuguesa”, na sua edição nº. 10 de 30 de abril de 1906, registou a cerimónia de inauguração do monumento a Manuel Bento de Sousa.

Marcos Pinto (Manuel Bento de Sousa)

Há neste mundo duas ciências. Uma, que a humanidade vai fazendo e desfazendo cada dia, e que consta de uma teorias hipotéticas firmadas em factos imaginários, massa confusa que a mesma humanidade conduz às costas sem saber o que leva. Outra que é a obra pensada e criada pelos eleitos de Deus, pelos génios raros que de tempos a tempos vêm, ninguém sabe donde, a realizar as grandes descobertas e os grandes inventos, de que o homem se aproveita, sem os agradecer a quem lhos dá.

A primeira adula a vaidade do vulgo, espoja-se nas academias, faz diligências para perpetuar-se nos livros que a traça há-de-roer, e todos os dias vai renovando as doutrinas efémeras de que se compõe, substituindo cada hipótese, que se fez velha, por um novo erro, que só dá, como produto real, uma casaca nova para quem o inventa e que dura apenas o tempo que a mesma casaca leva a romper-se.

A segunda cresce sempre e indefinidamente, nada perde do que já possui, ressuma contínuos benefícios, mata a fome de uns, enxuga as lágrimas de outros, vai levantando arco sobre arco na ponte que há-de unir o homem a Deus, e tem uma história longa e eterna, da qual cada capítulo tem por título um nome célebre e imortal.

A primeira dá, aos que a geram, a celebridade enquanto vivem e o esquecimento no dia em que morrem, ainda mesmo que as inutilidades, que produzem, logrem durar através dos tempos. Tanto sabemos nós hoje quem em épocas remotíssimas edificou as pirâmides egípcias como sabemos quem, já no fim do século passado, inventou os chapéus redondos.

A segunda ganha, para os que a criam, o escárnio dos contemporâneos e a glória póstuma. As suas obras ficam para sempre, e com as suas obras ficam os seus nomes, desde Noé, que nos princípios do Mundo fabricou o vinho às gargalhadas da família, até Franklin, que inventou o pára-raios, enquanto os seus patrícios julgavam que ele andava apenas divertindo-se a lançar papagaios ao vento.

Os filhos de Noé descompuseram o seu pai, e a academia de Londres censurou a banalidade de Franklin; e contudo nós ainda hoje bebemos vinho e abrigamo-nos seguros com o pára-raios.

O autor das pirâmides foi provavelmente muito celebrado, e o fabricante dos chapéus provavelmente condecorado; e todavia as pirâmides só vivem hoje para aninhar serpentes e os chapéus redondos para nos darem dores de cabeça.

Há, pois, duas ciências: uma, que é a verdade que sobrevive; outra, que é o erro que morre; uma, que é criada pelo génio; outra, que é produzida pelo orgulho; uma, que é o sopro de Deus; outra, que é o arroto do homem; uma, que é um bolor de podridão estendido pela superfície da terra; outra, que é a vegetação virente a que chega a cultura pavonesa.

Da primeira ciência riem-se os parvónios, e não a querem para si; a segunda estimam-na, apreciam-na e guiam-se por ela.

E por que será isto?

É pelo que estou farto de repetir. É por uma razão de coerência. É porque em ciência, como em tudo o mais, a Parvónia é povo de bom senso.

- A Parvónia – recordações de viagem

ALVES DOS SANTOS VISTO PELO HISTORIADOR LIMIANO LUÍS DANTAS

O historiador limiano Luís Dantas publicou em 17 de março de 2010, no seu blogue pessoal, um artigo dedicado a Alves dos Santos, o qual a seguir se transcreve.

O Ministro do Trabalho Alves dos Santos numa visita à oficina de torneiro em madeira do Asilo Maria Pia. Ilustração Portuguesa n.º 832, 28 de Janeiro de 1922

AUGUSTO JOAQUIM ALVES DOS SANTOS

Augusto Joaquim Alves dos Santos nasceu na freguesia da Cabração, Ponte de Lima, em 14 de Outubro de 1866. Estudou no Seminário de Braga e na Universidade de Coimbra. Foi ordenado sacerdote, mas consagrou a sua vida à docência na Escola Normal Superior e nas Faculdades de Teologia e Letras (cadeira de Filosofia) em Coimbra. Defendeu sempre a causa da instrução pública. «Pela palavra e pela pena», disse ele «tenho pugnado sempre pela efectivação de tudo quanto seja tendente a pôr-nos em equação com os povos civilizados e com o progresso do mundo...

Nos congressos, nas academias, nas aulas, e nas conferências públicas, por toda a parte, enfim, não tenho feito outra coisa.» (1) Em 1912 partiu para o estrangeiro (França, Bélgica e Suíça) como representante da Faculdade de Letras para estudar psicologia. Frequentou, durante um semestre, os cursos de Édouard Claparède (2) na Universidade de Genebra. Foi Inspector da Segunda Circunscrição Escolar do Reino (1906), Director do Laboratório de Psicologia da Faculdade de Letras (1913) e da Biblioteca da Universidade, Presidente da Câmara Municipal, Deputado pelo círculo n.º 19 (Coimbra) em 1919 e Presidente da Assembleia. Esteve nas Comissões de Verificação de PoderesRegimentoInstrução Superior e EspecialEclesiásticos.

A sua actividade parlamentar foi laboriosa, enérgica, crítica e, por vezes, arrebatada. Tinha o dom da palavra, das palavras vivas, fulgurantes de saber e de espírito. Num discurso assombroso, que se prolongou por várias sessões, ergueu a voz contra a deliberação do Governo da República desintegrar e transferir para o Porto a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Travou-se ali o maior duelo parlamentar da IV Legislatura (1919-1921) entre duas figuras eminentes da cultura portuguesa: Leonardo Coimbra, Ministro da Instrução, e Alves dos Santos. Depois de muitas horas de discussão, de troca de argumentos, de mil e um apartes, Ladislau Batalha, apoiado no seu cajado chocarreiro, com a flor do socialismo radical na lapela, ergueu-se da sua bancada para resumir assim a questão: «Eu não sou catedrático nem universitário. Tenho, apenas, para entrar nesta questão a seguinte bagagem: uma existência inteira preocupada com a vida pedagógica e duas vezes a volta ao mundo, sempre com a preocupação da instrução.

Trata-se duma questão que, para nós, tem duas importâncias grandes, imensas. Temos de nos decidir sobre o acto praticado pelo Sr. Leonardo Coimbra; esta Câmara tem de decidir se quer ou não a Faculdade de Letras em Coimbra e se quer ou não que se mantenha a Faculdade de Letras no Porto. (...)

O discurso que sob o título de interpelação o Sr. Dr. Alves dos Santos aqui pronunciou, impressionou-me por aquela estatura respeitável, alta, com a sua calva rodeada de cabelos brancos, merecendo a consideração devida a um erudito. Mas deu-me também a impressão de um sábio do século XVI que tirou as sandálias e as meias de seda para vestir uma sobrecasaca moderna e pôr um chapéu de coco.

  1. Exa. fez esforços para se modernizar, mas S. Exa. é antigo como a Universidade de que é lente.

Pretende S. Exa. actualizar as universidades e isso acho bem, mas há que distinguir muito a sério no sentido moderno desta expressão universidades que já não corresponde ao fim para que elas foram criadas nos séculos XIII, XIV e XV.

O Sr. Dr. António José de Almeida e os seus colegas do Governo reformaram os serviços e as instituições universitárias e a sua obra foi moderna, mas a Universidade de Coimbra continuou no seu castelo de marfim, nada se parecendo com as modernamente criadas. (Apoiados).» (3)

Alves dos Santos foi Ministro do trabalho (16 de Dezembro de 1921 a 6 de Fevereiro de 1922) e Autor de várias obras: O problema da origem da família e do património em face da Bíblia e da sociologia (1901); Elogio fúnebre do conselheiro António Maria Pereira Carrilho proferido nas exéquias (1903); Teologia moral segundo o pensamento e orientação de Santo Affonso Maria de Ligorio compendiada pelo cónego Del Vecchio da Sé de Novara / Pedro Scavini (1905-1907); Elogio fúnebre do Conselheiro de Estado, Ernesto Rodolpho Hintze Ribeiro, proferido nas exéquias (1907); Estatística geral da circunscrição escolar de Coimbra relativa ao ano de 1903-1904 (1906); Orações fúnebres (1909);O regicídio : discurso proferido na comemoração fúnebre, mandada celebrar pela Universidade, em homenagem à memória do Rei e do Principie assassinados (1909); Psicologia e pedologia : uma missão de estudo no estrangeiro (1913); O ensino primário em Portugal: nas suas relações com a história geral da nação (1913); A nossa escola primária: o que tem sido o que deve ser (s/d); [Elementos de Filosofia científica (1915);i] O crescimento da criança portuguesa: subsídios para a constituição duma pedologia nacional (1917); Educação nova: as bases: o corpo da criança (1919); Alocução de boas-vindas ao Senhor Presidente da República (1919); Um plano de reorganização do ensino público (1921); Psicologia experimental e pedologia: trabalhos, observações e experiências realizadas no laboratório (1923).

Faleceu em 17 de Janeiro de 1924.

NOTAS

  • Alves dos Santos, Diário da Câmara dos Deputados, Sessão de 19-06-1919
  • Édouard Claparède (1873-1940) nasceu em Genebra. Foi Médico e Psicólogo famoso. Realizou pesquisas exploratórias nos campos da psicologia das crianças e da pedagogia experimental.
  • Ladislau Batalha, Diário da Câmara dos Deputados, Sessão de 8 de Julho de 1919

Luís Dantas / http://luisdantas.skyrock.com/

DR. ALVES DOS SANTOS – ALGUNS APONTAMENTOS BIOGRÁFICOS

O Dr Alves dos Santos nasceu na Freguesia de Santa maria da Cabração, em 14 de Outubro de 1866, tendo sido batizado na respetiva igreja paroquial no dia 21 do mesmo mês, conforme consta do seu assento de batismo, tendo a cerimónia sido celebrada pelo pároco António Raymundo da Cunha Ferreira.

Também seu pai, Manoel Joaquim Rodrigues dos Santos nasceu na freguesia da Cabração enquanto a mãe, de nome Anna Maria Alves Soares, era natural de São João da Ribeira, residindo então no Lugar de Crasto.

Era neto paterno de António José Rodrigues dos Santos e de Anna Joaquina Dantas, ele natural da Cabração e ela da freguesia da Labruja. Os bisavós paternos conhecidos chamavam-se João Rodrigues dos Santos e Maria Affonso e os avós maternos António José Alves e Mariana Luís Soares.

A casa onde nasceu e viveram os seus ancestrais situa-se lo Lugar da Igreja, a escassas dezenas de metros da capela de Nossa Senhora do Azevedo, no caminho que vai em direção ao Passal e à Além.

Foi determinante na sua formação a influência que nele exerceu o reverendo Manoel Joaquim Soares, seu tio materno e padrinho de casamento. Seguindo as pisadas do tio, ingressou no Seminário de Braga onde frequentou o curso de Teologia, tendo inclusive chegado a receber ordens sacras.

Desistiu da carreira eclesiástica para se tornar num notável professor e escritor, tendo muitas das suas obras refletido a sua formação seminarista.

Alves dos Santos foi ainda Presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ministro do Trabalho no governo chefiado por Cunha Leal, Diretor da Biblioteca da Universidade de Coimbra, deputado eleito pelo círculo de Coimbra, tendo inclusive presidido à Câmara dos Deputados. Um ano após a implantação da República, chefiou o Gabinete do Presidente do Governo Provisório.

À data do seu falecimento em 17 de janeiro de 1924, Alves dos Santos contava 58 anos de idade. Residia então em Coimbra, mais concretamente na rua Alexandre Herculano, nº. 14. Era casado com Maria Adélia de Oliveira, natural do Porto, não tendo deixado descendência direta.

Na Freguesia da Cabração, o apelido Santos cedeu lugar ao Gomes desde que, Maria Joaquina dos Santos, prima em primeiro grau de Alves dos Santos, casou com Manuel António Gomes, este nascido no Lugar da Balouca, da mesma freguesia.

A imagem mostra o assento de óbito de Augusto Joaquim Alves dos Santos da Conservatória do Registo Civil de Coimbra.

Carlos Gomes. Anunciador das Feiras Novas. Ano XVII. Ponte de Lima. 2000 (Adaptado)

BRAGA DESAFIA JOVENS A SEREM BONS ALUNOS

‘Experimenta ser Bom Aluno’ desenvolve capacidades de aprendizagem. As inscrições decorrem até 14 de Abril

O Município de Braga irá proporcionar uma experiência única aos alunos do 2.º e 3.º Ciclo das escolas do Concelho. ‘Experimenta ser Bom Aluno’ é uma iniciativa que visa orientar os alunos na descoberta das suas capacidades perante as várias componentes do seu processo de aprendizagem, munindo-os de estratégias e competências que lhes permitam realizar o percurso escolar de forma mais eficaz e de acordo com os seus objectivos.

A iniciativa de carácter formativo insere-se no âmbito da Braga Capital Ibero Americana da Juventude, e é promovida em parceria com o Teatro Universitário do Minho. A sessão terá lugar a 16 de Abril, pelas 14h30, no GNRation, e será orientada por João Negreiros, autor, ‘coach’ e Master em Programação Neurolinguística.

Os formandos irão aprender a controlar o seu estudo, as suas emoções e as suas escolhas, tornando-se capazes de ultrapassar dificuldades relacionadas com questões tão diversas como a concentração (dentro e fora da sala de aula), a motivação, a organização, a gestão do tempo, a escolha de métodos de trabalho e estudo eficazes, a autoconfiança para expressarem a sua opinião (na aula ou fora dela), a capacidade comunicativa, a gestão de conflitos (entre pares e outros), ou o desenvolvimento de raciocínio crítico.

As inscrições são gratuitas e obrigatórias e deverão ser efectuadas através do endereço electrónico juventude@cm-braga.pt, até 14 de Abril.

ALVES DOS SANTOS NA REVISTA "O ANUNCIADOR DAS FEIRAS NOVAS"

Até ao surgimento do BLOGUE DO MINHO, foi a revista “O Anunciador das Feiras Novas” a primeira e única publicação periódica em Ponte de Lima a dar a conhecer a figura do ilustre limiano que foi o Dr. Augusto Joaquim Alves dos Santos. As imagens que se reproduzem correspondem à edição de 1993 onde foi publicado o primeiro de vários artigos.