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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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LOURES É TERRA SALOIA… E MINHOTA!

Minhotos conquistam Loures aos saloios

O Rancho Folclórico e Etnográfico “Verde Minho”, leva a efeito no próximo dia 28 de Maio, na cidade de Loures, mais uma grandiosa edição do Encontro de Culturas Verde Minho.

Verde Minho - Loures 186

O festival tem como cenário a magnífica réplica das ruínas de S. Paulo, em Macau, a qual serviu de fachada ao Pavilhão de Macau na Expo’98. Naquele local vão desfilar os usos e costumes das nossas gentes, exibindo as suas tradições, as danças e cantares, ao som da concertina e do cavaquinho e ao ritmo dos bombos e dos reco-recos, das castanholas e dos ferrinhos, mostrando como se canta e dança o vira e o malhão, a chula a rusga e a cana-verde.

Pelas 16 horas no Parque da Cidade, serão abertos os pavilhões, com artesanato e gastronomia do Minho, animados por vários grupos de tocadores em concertina.

Às 17,30 horas terá lugar a entrega de lembranças e imposição de insígnias nos estandartes dos grupos, em cerimónia solene a ter lugar no Palácio dos Marqueses da Praia e Monforte onde serão recebidos pelos autarcas do município de Loures. Às 18,00 horas, dar-se-á início ao Desfile Etnográfico a partir do largo fronteiro aos Paços do Concelho, rumo ao Jardim da Cidade. Às 19,00 horas, os grupos realizam um Jantar convívio no Restaurante CopaCabana. E, finalmente, às 21,00 horas, ocorrerá a exibição em palco, no Jardim da Cidade, dos grupos participantes.

Além do anfitrião Grupo Folclórico e Etnográfico Verde Minho – (Minho), sediado em Loures, participam ainda no evento o Rancho Folclórico “Os Moleiros da Ribeira”, de Olival, o Grupo de Bombos Zés Pereiras os Baianenses – Baião (Alto Douro); o Grupo de Bombos da Associação de Melhoramentos das Mercês – Mem Martins, Sintra (Região Saloia); o Rancho Folclore da Aguçadoura - Povoa de Varzim (Douro Litoral); o Rancho Folclórico As Vendedeiras Saloias de Sintra – Mem Martins, Sintra (Região Saloia) e o Rancho Folclórico D. Nuno Alvares Pereira -Leça do Balio – Matosinhos (Douro Litoral).

Constituído por minhotos e seus descendentes, o Grupo Folclórico e Etnográfico Verde Minho conta mais de duas décadas de existência a representar na região de Lisboa os usos e costumes das gentes do Minho, contribuindo simultaneamente para a preservação da sua identidade.

Verde Minho - Loures 099

CRAV FEMININO APURADO PARA A FINAL DA TAÇA DE PORTUGAL

Após a participação em duas eliminatórias inter-regionais, a equipa feminina do CRAV segue em frente na Taça de Portugal.

Na primeira eliminatória, que se realizou em Arcos de Valdevez, no dia 16 de janeiro, as jogadoras arcuenses alcançaram um honroso 3º lugar, somando uma vitória frente ao Braga, dois empates, frente ao Porto e Agrária, e apenas uma derrota com o Tondela.

A segunda eliminatória realizou-se no passado dia 7 de fevereiro, na Bairrada, e o CRAV conquistou o 2º lugar na competição. Na fase de grupos, as arcuenses venceram a equipa da casa e cederam, mais uma vez, frente ao Tondela. De seguida, o CRAV bateu-se com a Agrária e conquistou uma importante vitória na bola de jogo, através da marcação de um ensaio convertido. Na luta pelo 1º/2º lugar as jogadoras do CRAV enfrentaram o Porto, e apesar de terem sido as arcuenses a abrir o marcador, as portuenses assumiram o domínio de jogo no segundo tempo.

CRAV, Porto, Agrária e Tondela são as equipas da região norte/centro assim apuradas para a Final da Taça de Portugal, agendada para o fim-de-semana de 7/8 de maio.

SUB-16 DO CRAV CONQUISTA 4ª VITÓRIA CONSECUTIVA

Os sub-16 do CRAV receberam e venceram o R.C. da Bairrada por 89-0, no passado dia 6 de fevereiro, no Estádio Municipal de Arcos de Valdevez.

crav sub-16 vs bairrada (2)

Num jogo de sentido único, os jovens jogadores do CRAV cumpriram o objetivo de vencer com ponto de bónus ofensivo, somando assim mais 5 pontos e mantendo o 1º lugar do grupo com 26 pontos, à frente da Agrária que soma 25 pontos.

No próximo dia 13, pelas 14 horas, os sub-16 do CRAV voltam a jogar em casa, recebendo a equipa do Sport Club do Porto no mesmo campo.

Jogaram e marcaram: André Esteves; André Soares; João Carlos Varajão; Samuel Barros; Sérgio Castro; Kevin Pereira (7); Vítor Araújo; Pedro Amorim (20); João Serôdio; Eduardo Fernandes (12); Diogo Ferreira (5); Henrique Calheiros (25); Nuno Rodrigues (5); Michael Canossa (5); José Pedro Pereira; Raoul Gomes (5); Alexandre Veloso (5).

Treinadores: Eduardo Gameiro e Miguel Azevedo.

crav sub-16 vs bairrada (1)

CRAV SUB-18 VENCE O TÉCNICO

A equipa do CRAV obteve, no passado dia 31 de janeiro, a sua primeira vitória no campeonato nacional sub-18, ao derrotar a equipa do AEIS Técnico por 7-6, no Estádio Municipal de Arcos de Valdevez.

crav sub-18 vs técnico (2)

A equipa local já há algum tempo que ambicionava por esta vitória, visto a sua prestação vir a subir de nível de jornada para jornada. No entanto, os jovens arcuenses entraram na partida bastantes nervosos e desconcentrados devido à preocupação de vencer.

Na parte inicial do jogo, os jogadores da casa foram cometendo diversas faltas, o que fez com que a equipa adversária aproveitasse e fosse para intervalo a vencer por 0-6, fruto da marcação de dois pontapés de penalidade.

Após o intervalo, o CRAV assumiu outra postura, mais concentrado, tomou posse do jogo, começando a pressionar cada vez mais a equipa do Técnico.

Num jogo bastante disputado e com pressão de ambas as equipas, foi o CRAV que consegui reverter o jogo a seu favor e concretizar a marcação de um ensaio, através de João Aniceto, em que Bernardo Cruz concluiu com um pontapé de conversão, fixando o resultado em 7-6.

Com este resultado a equipa sub-18 do CRAV subiu dois lugares na tabela classificativa, ultrapassando a equipa do Técnico.

crav sub-18 vs técnico (1)

BARCELOS ADIA CORSO DE CARNAVAL

Devido à chuva persistente e ao vento forte, e não estando garantida a segurança dos participantes, o corso de Carnaval terá de ser adiado para dia ainda a designar.

A animação prevista para a Avenida da Liberdade mantém-se com os espetáculos da ARCA e dos Amigos da Concertina de Barcelos reservados para esta tarde!

ALMOÇO DA LAMPREIA JUNTA MINHOTOS EM LISBOA

“Ó lampreia divina, ó divino arroz,

Comidos noite velha, em casa do Julião!

Sem ter ceias assim o que há-de ser de nós? Sofre meu paladar! Chora meu coração!”

(Afonso Lopes Vieira)

Paulo Duque, Vice-presidente da Direção da Casa do Minho e apresentador do seu Rancho Folclórico, trocou a concertina pelos instrumentos da cozinha e ultima os preparativos do repasto: a lampreia está quase pronta a ser degustada!

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A lampreia é, sem dúvida alguma, um dos mais importantes ex-líbris gastronómicos da cozinha tradicional minhota. Mais do que qualquer outra forma de preservação, incluindo eventuais medidas legislativas, o seu interesse gastronómico é, sem dúvida alguma, a principal garantia da sua própria sobrevivência.

Reza a História que, ao tempo do Condado Portucalense, D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques, concedeu em 1125 ao Arcebispado de Tui o privilégio de tomar como suas as lampreias que apresassem no rio Minho, a montante da Torre da Lapela, a fim de abastecer os mosteiros e conventos por ocasião dos jejuns quaresmais. Mais recentemente, foi nas estantes da Biblioteca de Nápoles encontrado uma obra-prima da culinária portuguesa, remontando ao século XVI, com o título “Livro de Cozinha da Infanta D. Maria”. Com efeito, são inúmeras as referências históricas a tão afamada especialidade da nossa cozinha tradicional.

A lampreia sobe os rios para desovar, depositando sob as rochas ou em pequenos ninhos escavados no leito milhares de minúsculos ovos que garantirão a sobrevivência da espécie. E morrem. Após a desova, as larvas permanecem no rio até que, por meio de metamorfose se tornam adultas. Nessa altura, migram para o mar onde permanecem até atingirem a sua maturação sexual. A lampreia é um ciclóstomo muito procurado por conceituados gastrónomos e outros apreciadores da nossa culinária. Ela faz os requintes das melhores mesas das mais afamadas unidades hoteleiras, atraindo numeroso público a localidades do nosso país que mantêm a tradição da sua confecção esmerada e o requinte de bem servir. No Minho, a lampreia dos rios Cávado, Lima e Minho constituem o ex-líbris da gastronomia local a promover o desenvolvimento económico daquela região. Não admira, pois, o relevo que lhe é conferido pelas entidades que superintendem a promoção turística e os próprios estabelecimentos de restauração.

A preservação da lampreia nos nossos rios depende também da importância que lhe atribuímos, nomeadamente como parte integrante da nossa alimentação. Ao contrário do que à primeira vista se possa imaginar, não é a sua captura mas a poluição das águas e outros atentados ao ambiente que fazem perigar a sua sobrevivência.

Em virtude do período sazonal da desova, o seu consumo verifica-se geralmente entre Fevereiro e os finais de Abril. A partir daí, a lampreia apenas surge figurada na doçaria da Páscoa sob a forma de “lampreia de ovos”, e evocar as delícias de um prato que apenas pode voltar a ser apreciado no ano seguinte. Não admira, pois, que chegue inicialmente a atingir preços exorbitantes que, no entanto, não constituem razão que baste para desmotivar os melhores apreciadores de tão delicioso pitéu.

Refastelando-se na sua casa senhorial de Paredes de Coura, Aquilino Ribeiro, na sua obra “A Casa Grande de Romarigães” afirmava: “Não há como o arroz de lampreia, se lhe adicionarem uma colher de manteiga de pato”. Por seu turno, o poeta e gastrónomo António Manuel Couto Viana, no seu livro “Por horas de comidas e bebidas – crónicas gastronómicas”, dedica um capítulo inteiro à “lampreia divina”, como Afonso Lopes Vieira a designou. Escreveu Couto Viana o seguinte:

Já a correnteza das águas que jorram da vizinha Espanha se enfeitam com o aparato das estacas e redes, para prenderem, nas suas malhas, noite adiante, o fugidio ciclóstomo, a tentar disfarçar-se aos rés dos seixos do leito; o chupa-pedras tão apreciada por mim, quando de cabidela, afogado no arroz malandrinho, embebido no seu sangue espesso e escuro.

Também a fisga certeira, atirada, firme, dos altos, se os olhos penetrantes do pescador distinguem bem o vulto ondeante, faz içar a lampreia até às mãos ávidas, e lança-a, depois, para a vastidão de um saco que se quer a abarrotar.

(…)

Soberbo petisco! Com que gula a mastigavam os frades medievos torturados pelos jejuns quaresmais!

Com que gula a mastigo eu, em mesa que ma apresente opípara no arroz do tacho, em grossos toros aromáticos, ou à bordalesa, ou de escabeche, que nestas três artes se mantém ela tentadora e sápida”.

A lampreia é, sem dúvida alguma, um dos mais importantes ex-líbris gastronómicos da cozinha tradicional portuguesa. Mais do que qualquer outra forma de preservação, incluindo eventuais medidas legislativas, o seu interesse gastronómico é, sem dúvida alguma, a principal garantia da sua própria sobrevivência.

Com o talento dos mais consagrados artistas, o cozinheiro após pelar a lampreia, coloca-a num alguidar deitando sobre ela água a ferver. De seguida, abre-a da cabeça até ao fundo dos buracos e, junto à cauda, desfere-lhe um golpe para lhe retirar a tripa inteira. O sangue é guardado no mesmo recipiente onde a lampreia fica a marinar mergulhada em vinho tinto a que se juntam um ramo de salsa, uma folha de louro, um dente de alho, pimenta, colorau, sal e margarina. No dia seguinte, é feito um refogado onde é colocada a lampreia que fica a cozer durante cerca de quinze minutos, cuidando para que não se desfaça. Após o guisado, retira-se a lampreia. Ao caldo junta-se água no triplo do arroz que vai ao tacho e deixa-se ferver durante mais quinze minutos. Finalmente serve-se numa travessa funda, cobrindo o arroz com a lampreia, golpeada em troços.

Nos primeiros meses do ano, a lampreia também vem desovar nos rios da nossa região. Não admira, pois, que tão afamado ciclóstomo faça parte das iguarias da gastronomia regional.

LAMPREIA DA BORDALESA

- Para 6 a 8 pessoas

1 lampreia; 2 cebolas; 2 cenouras; 2 colheres de sopa de banha; 2 colheres de sopa de azeite; 2 dentes de alho; 1 ramo de salsa; 1 folha de louro; 2 dl de vinho tinto; sal; pimenta.

Para o arroz: 600 g de arroz, 1 cebola, 3 colheres de sopa de azeite; salsa; 1 folha de louro; sal; pimenta.

Corta-se a lampreia em pedaços regulares que se colocam numa caçarola com a banha, o azeite, as cenouras e as cebolas cortadas às rodelas grossas, os dentes de alho, a salsa e o louro. Tempera-se com sal e pimenta e leva-se a estufar sobre lume forte.

Quando a lampreia estiver cozida, rega-se com o vinho tinto que, entretanto, serviu para conservar líquido o sangue que escorreu da lampreia enquanto se arranjou e cortou. Deixa-se ferver aproximadamente durante mais 5 minutos.

Preparação do arroz: começa-se por fazer um estrugido com a cebola, o azeite, a salsa e o louro. Depois, rega-se com água (três vezes o volume do arroz), tempera-se com sal e pimenta e, assim que o caldo levantar fervura, adiciona-se o arroz e um pouco do molho da lampreia estufada.

Serve-se a lampreia com o arroz ou sobre fatias de pão frito, sendo neste caso o arroz servido à parte.