O presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio, visitou hoje, 1 de Setembro, a Associação de Apoio aos Deficientes Visuais do Distrito de Braga (AADVDB). O convite partiu daquela entidade sediada no concelho da Póvoa de Lanhoso que, desta forma, agradeceu todo o apoio que o Município de Braga tem prestado à AADVDB.
Na ocasião, o Autarca Bracarense destacou o trabalho que a associação desenvolve junto de quem mais precisa de apoio. “O trabalho que esta associação realiza, de há muitos anos a esta parte, é algo que se vê e se sente. E é muito importante que exista, no nosso território, uma instituição como esta, que está ao lado de quem precisa de respostas muito específicas”, sustentou o Edil que também assinou o livro de honra da AADVDB.
Ricardo Rio referiu que o Município de Braga continuará, dentro das suas possibilidades, a apoiar esta associação, lembrando que uma das prioridades é “dar a todos os cidadãos as condições necessárias para que consigam uma integração plena na sociedade”.
Já Domingos Silva, presidente da AADVDB, realçou que a visita do presidente da Câmara de Braga serviu para dar a conhecer a realidade da instituição que também acolhe muitos Bracarenses. “O Município de Braga, na pessoa do seu presidente e também vice-presidente, tem sido incansável para connosco e era importante que viessem cá conhecer aquilo que fazemos”, afirmou.
De referir que a AADVDB foi fundada a 19 de Janeiro de 1996, preparando-se para comemorar 20 anos de existência. Animação sociocultural, motricidade humana, psicologia e serviço social são algumas das áreas de intervenção da AADVDB.
A rentrée do Teatro da Didascália faz-se na casa da Avó Aida. Festival Contos d’Avó começa já na próxima semana.
Poderíamos arrancar a nossa temporada de 2015-2016 como todos os outros, sob a luz quente dos projectores de um teatro… não. O ranger do soalho da casa da Avó Aida é mais acolhedor que as tábuas negras de qualquer teatro, revelando-se o local ideal para dar o pontapé de saída da nossa temporada.
De 10 a 13 de Setembro, o Teatro da Didascália volta de férias com a terceira edição do festival Contos d’Avó, um festival itinerante de narração oral com características únicas, realizado nas próprias casas de avós de três freguesias rurais do Concelho de Vila Nova de Famalicão: Joane, Vermoim e Mouquim.
A terceira edição do festival traz grandes novidades. Para além de um leque de contadores que se renova ano após ano, o festival realizará também sessões em torno do património edificado do concelho, num ciclo apelidado “Memória de Pedra”, reavivando lendas, mitos e histórias em torno de alguns monumentos da região.
Outra das novidades e talvez a maior de todas são as sessões de “Contos à Mesa”, onde o público será convidado a jantar à mesma mesa que os contadores e organização, partilhando contos, canções, lendas, histórias de vida e até mesmo o jantar!
Um festival urgente e insurgente! Um projecto que responde a uma necessidade cada vez maior da sociedade comunicar oralmente, num tempo em que o espaço de escuta, partilha e reflexão é cada vez mais escasso.
A entrada é gratuita e não há desculpas para não vir ao festival. Se não aparecer à tarde, sempre pode vir à noite. Se ao jantar não lhe der jeito, faça uma visita à sua avó!
O BLOGUE DO MINHO agradece a colaboração do Partido PAN (Pessoas-Animais-Natureza), traduzido na oferta do artigo de opinião da Drª Bebiana Cunha, psicóloga na Câmara Municipal de Matosinhos e candidata por aquele partido às próximas eleições legislativas.
Perante actuações de violência gratuita é uma obrigação cívica manifestarmo-nos, seja quando se apedrejam mulheres adúlteras, se abandonam ou recusam pessoas à sua sorte no mar mediterrâneo, se constatam modelos de escravatura e/ou quando se usa violência sobre outros seres, sob a capa de uma terminologia de espectáculo, arte ou cultura. Assim, utilizam-se conceitos como espectáculo ou arte para designar o aprisionar de um touro e/ou outros animais numa arena, onde o condenam à tortura e ao sofrimento. Em boa verdade, independentemente de ser considerado arte ou espectáculo, uma injustiça é sempre uma injustiça, independentemente dos adornos estéticos que lhe sejam dados. De uma vez por todas há que colocar um juízo moral sobre aquilo que se considera tradição e construir uma sociedade mais justa, onde a forma como tratamos os animais, nos possa orgulhar do elevado grau ético da nossa sociedade. Nenhuma tradição pode encobrir a maldade e a crueldade.
Muitas vezes procura-se desvirtuar os motivos do protesto, colocando o enfoque em quem protesta, em vez de ser colocado nos actos de tortura: dispostos a sacrificar a vida, a destruir a integridade física e psicológica de seres sencientes/conscientes, sem o menor arrependimento moral, compaixão ou empatia. Como sabemos, os estudos psicológicos e sociológicos têm indicado efeitos bastante nefastos da tauromaquia, concluindo que a pedagogia da violência é altamente prejudicial ao desenvolvimento humano. Não obstante, a educação tem sido descurada.
Numa perspetiva histórica encontramos momentos de culto, respeito, eventualmente admiração ou medo por estes animais, tendo-se transitado para momentos de crueldade e subjugação, onde o ser humano faz o pior de si: perde a sua humanidade.
É de esperar que a mudança gradual de mentalidades causada pelo Movimento (Inter)nacional de defesa dos animais proporcione uma mudança neste espaço de agressão psicossocial chamado tourada, uma vez que se trata de algo completamente inútil para os nossos interesses vitais, causa sofrimento gratuito a seres sencientes/conscientes, e é de uma violência cénica brutal. É dever do governo de um país dar este salto civilizacional contribuindo para a evolução da sociedade, protegendo e educando os seus filhos para o respeito, a dignidade, a compaixão e a empatia.
Bebiana Cunha
Cabeça-de-lista pelo PAN, no distrito do Porto, nas Legislativas de 2015, a 04 de Outubro, dia internacional do animal.
A Câmara Municipal de Vizela congratula-se com a reabertura das Termas de Vizela, no passado dia 26 de agosto.
O Presidente da Câmara Municipal visitou o balneário termal, a fim de se inteirar o ponto de situação daquela estância e conhecer as renovadas instalações.
O Edil constatou a reabertura de uma das alas do balneário, totalmente renovada, assim como as dezenas de aquistas que já usufruem dos tratamentos tremais. O Presidente da Câmara pode também constatar o início das obras da piscina exterior.
A Autarquia de Vizela aplaude a reabertura da sua estância termal, elogiando o esforço, a dedicação e o trabalho desenvolvido pelo Grupo Tesal em conjunto com a Autarquia para a resolução deste problema.
A Câmara Municipal de Vizela, atenta a sua história termal, entende que as Termas têm um potencial enorme, pelo que a sua reabertura tem um impacto ímpar no Concelho e na sua economia, razão pela qual deseja que as Termas de Vizela retomem a tradição termal, cuja origem remonta há, pelo menos, três séculos, data na qual a aplicação medicinal das águas de Vizela se encontra referenciada.
O Município de Braga informa que, entre os dias 3 e 7 de Setembro, será proibido o estacionamento e a circulação automóvel na Avenida do Estádio Municipal de Braga. A interrupção fica a dever-se à realização do ‘Water Slide Festival’, evento que terá lugar nos dias 4, 5 e 6 de Setembro.
A circulação automóvel estará proibida entre as 10h00 do dia 3, Quinta-feira, e as 16h00 do dia 7 de Setembro, Segunda-feira, para que se proceda à montagem e desmontagem das estruturas necessárias para a realização do referido evento.
Em alternativa é proposto o seguinte itinerário: Rua de S. Martinho (Norte da rotunda), Rua Padre Américo José de Sousa, Rua do Cimo de Vila e Rua Dr. Manuel José de Oliveira Machado.
Jovens de todo o país conhecem o Carvalho de Calvos e sensibilizam-se para a proteção da natureza
O Centro de Interpretação Carvalho de Calvos e a DiverLanhoso estabeleceram em 2015 uma parceria que deu os seus frutos. Durante o período do programa “Campos de Férias da DiverLanhoso” houve uma atividade por semana no Centro de Interpretação Carvalho de Calvos.
Esta parceria permitiu divulgar a mais jovens de todo o país a existência do majestoso Carvalho de Calvos, que se estima ser o mais antigo da Península Ibérica e segundo mais antigo da Europa.
Este programa pedagógico oferecido pelo Centro enriqueceu o programa de férias da DiverLanhoso e também trouxe mais valias para o Município, como a divulgação do património natural e classificado, a divulgação do Observatório “Carvalho de Calvos” e a sensibilização e educação ambiental dos mais jovens. Também foram realizadas visitas nas hortas, foram sensibilizadas para a produção biológica, para a produção do composto em suas casas e tiveram direito a provas de framboesas, sendo um momento único para alguns dos participantes.
Esta parceria teve inicio no dia 01 de Julho e terminou no dia 26 de Agosto. Foram recebidos jovens de vários pontos de Portugal, Braga, Porto, Lisboa, Algarve, Alentejo, Trás-os-Montes entre outros locais num total de 200 jovens.
Realiza-se no próximo dia 5 de setembro, sábado, pelas 15h00, nas instalações da Casa Museu de Monção/Universidade do Minho, em Monção, o Colóquio intitulado "Expressões de cidadania no feminino".
Neste colóquio, serão abordadas várias dimensões de cidadania no feminino, com a apresentação de várias comunicações.
No mesmo dia, pelas 17h00, decorrerá a inauguração da exposição coletiva de pintura e escultura com obras das artistas (Luísa Prior, Filomena Fonseca, Maria André, Teresa Heitor, Lena Álvares, Filomena Bilber e Ricardo de Campos - artista monçanense convidado). No final será servido um Alvarinho de Honra (Quinta de Santiago), nos Jardins da Casa Museu de Monção.
Câmara Municipal de Caminha ouviu reivindicações da Junta e da população, na reunião descentralizada
O presidente da Câmara vai propor ao Executivo a inclusão da Zona da Igreja no Projeto de Saneamento de Aspra, Viso e Currais – 2 ª fase – Freguesia de Âncora. Esta medida resulta da reivindicação da Junta, mas também da vontade população, diretamente manifestada aquando da reunião descentralizada realizada na freguesia. A medida agrava o orçamento previsto no projeto em cerca de 200 mil euros. Este é um dos pontos da ordem de trabalhos da reunião de amanhã, dia 2 de setembro, que terá lugar nos Paços do Concelho, pelas 15h00.
Os moradores das ruas Paulino Gomes Velho e do Cruzeiro, que se encontravam fora do âmbito do Projeto de Saneamento de Aspra, Viso e Currais – 2 ª fase – Freguesia de Âncora, vão ser contemplados também com a rede de saneamento, o que implicará a construção de uma estação elevatória de saneamento, a ligar a rede existente junto à sede da Junta de Freguesia; a construção de 500 metros de coletor gravítico e de mais 25 ramais de ligação.
Com este alargamento, a Câmara Municipal será obrigada a fazer um esforço financeiro significativo, elevando o investimento previsto em cerca de 200 mil euros, ou seja, passando o montante global para mais de 700 mil euros, a que ainda acresce IVA.
Para Miguel Alves, porém, “este esforço técnico e financeiro faz todo o sentido, porque corresponde à necessidade e à vontade dos cidadãos daquele lugar, que ficou muito clara na reunião descentralizada. É por isso que vamos ouvir os nossos concidadãos e, sempre que é possível, damos uma resposta positiva às suas solicitações”.
Além deste ponto, amanhã o Executivo deverá aprovar submeter à Assembleia Municipal o Plano Municipal de Ação no âmbito Plano Estratégico de Resíduos Sólidos Urbanos (PERSU) 2020 e o “Concurso Público Internacional para a Prestação de Serviços de Recolha e Transporte de Resíduos Sólidos Urbanos, Fornecimento, Manutenção e Lavagem de Contentores e Limpeza Urbana do Município de Caminha – Aprovação da Minuta do Contrato”.
Será também apreciado o “Relatório final do concurso público internacional para fornecimento de gás propano / natural a granel para as Piscinas Municipais de Vila Praia de Âncora – Adjudicação”.
Noutro âmbito, da agenda da reunião fazem ainda parte as normas de participação na Feira Agrícola e dos Produtos Tradicionais de Caminha; a emissão de parecer sobre o Passeio de Cicloturismo Porto – Santiago de Compostela organizado pela Associação de Cicloturismo do Norte; a atribuição de subsídios ao Etnográfico de Vila Praia de Âncora para apoio na realização do Âncora Folk – Festival Internacional de Folclore – Ratificação; à Sociedade Musical Banda Lanhelense para apoio à organização do 165º aniversário e à Comissão de Festas de Nossa Senhora da Bonança, entre outros assuntos.
Vira do Minho em homenagem a Portugal na cidade do tango
Buenos Aires homenageou a imigração portuguesa e a sua contribuição para a cultura da capital da Argentina. Considerada a maior montra de Portugal por estas paragens, a celebração ficou marcada por três sentimentos que dominam a vida da comunidade lusa no país: emoção, orgulho e saudade
Luciana e Maria Conceição dançam no grupo Mocidade Portuguesa, o principal e mais antigo grupo folclórico da comunidade portuguesa na Argentina
Maria Conceição Henriques Fernandes, de 56 anos, ajuda a filha Luciana, de 26, a terminar de vestir-se. Falta pouco para o desfile começar pela emblemática Avenida de Maio, a metros da Casa Rosada, sede do Governo argentino, e da Catedral Metropolitana de Buenos Aires, onde o Papa Francisco era o arcebispo Jorge Bergoglio.
Mãe e filha dançam no grupo Mocidade Portuguesa, que agora em setembro completa 41 anos. O principal e mais antigo grupo folclórico da comunidade portuguesa na Argentina é um dos melhores exemplos da herança cultural transmitida de pais a filhos, de avós a netos.
Filha de portugueses da Beira Alta, Maria Conceição foi à primeira apresentação do Mocidade em 1974. Lá, conheceu Roberto Fernandes, membro do grupo, por quem se apaixonou. Através do namoro, também entrou para o grupo fundado pelo pai de Roberto, o também dançarino Amândio Augusto Fernandes, natural de Trás-os-Montes.
"O meu pai tinha um único propósito com o Mocidade: matar as saudades", sintetiza Roberto ao Expresso enquanto, no palco, as apresentações musicais já começaram. O luso descendente Dulio Moreno entoa fados e comanda o aclamado Almalusa. Em seguida, será a vez do grupo Fadeiros, outra sensação da comunidade que ganha espaço entre o público argentino.
Em 1983, o casal Fernandes já dirigia o Mocidade e Maria Conceição dançava grávida do primeiro filho. Seis anos depois, dançaria novamente grávida, desta vez de Luciana.
O Mocidade Portuguesa bem poderia ser um grupo casamenteiro, mas, na verdade, ilustra bem os valores em torno dos quais os portugueses que migraram à Argentina cresceram, relacionaram-se e mantiveram a sua identidade intacta mesmo tão distantes de Portugal, mesmo tantas décadas depois. Os filhos de Maria Conceição que dançaram no ventre da mãe, são hoje dançarinos e casaram-se os dois com integrantes do grupo. Luciana está agora grávida de três meses e meio, não sabe ainda o sexo do bebê, mas tem uma certeza: será um dançarino. A quarta geração da família.
"Quando danço sinto emoção e orgulho porque represento tudo o que os meus avós me contaram, porque os argentinos passam a ter a vontade de descobrir Portugal e porque aqueles portugueses que nunca mais voltaram a Portugal - e que são muitos na Argentina nessa condição - emocionam-se", conta Luciana.
Ao lado dela, Jazmin Gonçalves, também de 26 anos e neta de portugueses, é a mais nova integrante do Mocidade. Está há apenas seis meses no grupo, mas a emoção é a mesma: "Sinto que é uma homenagem aos meus avós", orgulha-se.
Para aqueles que consideram ser este o retrato de um Portugal antigo, de costumes ultrapassados que só se mantém vivo nos imigrantes, Luciana explica que o grupo se nutre do grupo folclórico Lavadeiras da Meadela de Viana do Castelo com o qual se mantém em permanente contato.
"Eles nos ensinam muito. Atualizamo-nos constantemente", explica Luciana, quem chegou de volta a menos de 24 horas de ensaiar com o Lavadeiras em Viana do Castelo.
E depois o Mocidade Portuguesa replica os novos conceitos do folclore português aos demais grupos na Argentina como "Raízes de Portugal" e "Estrelas do Minho".
Neste "Buenos Aires celebra Portugal", sete ranchos desfilam para portugueses, argentinos e turistas. Ao longo do dia, cerca de cinco mil pessoas terão sido expostas a essa montra viva da cultura portuguesa.
EVENTO ÚNICO NO MUNDO
O evento promovido pelo Governo de Buenos Aires é único no mundo. Enquanto em outros países as localidades cedem algum espaço para a comunidade portuguesa organizar a sua festa pátria, aqui a cidade de Buenos Aires organiza a sua homenagem a Portugal num objetivo de integração que torna mais viva a presença portuguesa no país.
Um total de 23 barracas de 14 clubes e associações integravam argentinos e turistas com a cultura portuguesa. Artesanato e porcelanas, gastronomia e até uma representação do santuário de Nossa Senhora de Fátima em Tornquist, cidade a 600 quilómetros de Buenos Aires. Se ainda faltam dois anos para o Papa visitar Fátima, o Santuário de Fátima na Argentina já se orgulha de estar na terra natal do Papa há 33 anos.
Na barraca ao lado, os 150 pastéis de nata terminam como se estivessem em Belém. E na barraca do clube português da localidade de Isidro Casanova, a fila é longa para provar a integração culinária entre a "empanada" argentina com o bacalhau português ou entre a bifana portuguesa "a la parrilla" argentina. Todo o movimento é transmitido ao vivo pelo programa radial da comunidade portuguesa "Portugal N'América".
"Comunidades isoladas, por maior que sejam, ficam confinadas e não têm expressão. Só passam a ter expressão a partir do momento em que há uma congregação de esforços entre a comunidade portuguesa e a comunidade local. Essa integração é fundamental", avaliou ao Expresso o deputado pelas comunidades portuguesas do círculo eleitoral fora da Europa, Carlos Páscoa, em campanha entre os eleitores portugueses na Argentina para um quarto mandato nas eleições de 4 de outubro.
"Apesar de não ser a maior em quantidade, a comunidade portuguesa na Argentina é uma das mais participativas e inovadoras. Sempre que visito um clube ou vou a alguma associação aqui, vejo centenas de pessoas. No Brasil, por exemplo, com comunidades infinitamente maiores, vemos muito menos nos eventos", compara Páscoa. "Aqui são muito mais unidos e vivem muito mais a portugalidade", celebra.
"Temos duas dezenas de embaixadas aqui hoje", exaltou Páscoa em referência às representações portuguesas. No entanto, no evento oficial de Buenos Aires, foi notável a ausência do embaixador português na Argentina, Henrique Silveira Borges, por "outros compromissos", alegaram.
IMPACTO DA LEI DOS NETOS
Primeiro signatário da chamada Lei dos Netos, que prevê a nacionalidade portuguesa para os netos de portugueses, Carlos Páscoa foi ovacionado por centenas de netos. "Basta você olhar ao seu redor e ver a quantidade de netos de portugueses para entender a importância dessa lei. Essa lei impactou muito na comunidade. É uma forma de os netos voltarem a ter essa conexão com Portugal e de manterem viva a nossa raiz. Se perdemos de onde viemos, não saberemos para onde vamos. É a nossa identidade cultural", festeja Maria Violante, presidente da Associação da Mulher Migrante e futura conselheira da comunidade.
Referente entre os portugueses na Argentina, Maria Violante é uma das melhores intérpretes do sentimento que move aqueles que deixaram Portugal, mas que se mantém ligados à cultura, mesmo que àquela da sua época, como um instinto imperioso de sobrevivência, como a bússola que lhes orienta o dia a dia tantas décadas depois.
"Nós sentimos Portugal de outra maneira. Quando se sente a partir da saudade, valoriza-se muito mais porque é o que não se tem e o que não se quer perder. Nós tentamos passar a cultura portuguesa aos nossos filhos, aos nossos netos e ao país que nos acolheu. Estamos sempre a olhar para Portugal. É a nossa referência e a nossa saudade", conta Violante quem chegou à Argentina há 52 anos, com 11 anos de idade.
Mas saudade não se mata nunca. Quanto mais o imigrante a tenta matar, mais a alimenta e cria um círculo virtuoso em que a vida se torna uma espiral que dá voltas e que evolui, como na dança do Mocidade Portuguesa a encerrar agora o evento, como na dança de toda a nova mocidade lusodescendente que se renova a cada geração, como na dança da vida dos portugueses nesta Argentina.
RETRATO DOS PORTUGUESES NA ARGENTINA
A comunidade portuguesa caracteriza-se por viver fora da capital argentina, espalhada pela região metropolitana de Buenos Aires, antiga área rural entre os anos 30 e 60, quando a imigração portuguesa teve o seu auge. A maioria veio do Algarve e do Minho, mas também da Beira Baixa e da Beira Alta. Dedicaram-se à floricultura, à agricultura e à fabricação de tijolos principalmente. Em Comodoro Rivadavia, na Patagónia, milhares foram atraídos pelo petróleo e chegaram a representar 20% da população da região até a década de 60, quando a onda imigratória interrompeu-se.
Até o final do século XIX, entre 40 e 60% das famílias na Argentina eram de origem portuguesa. Hoje, existem na Argentina cerca de 40 mil portugueses e descendentes. Estão inscritos na embaixada 19.206 cidadãos portugueses.
Fonte: Márcio Resende / Correspondente na Argentina do semanário Expresso