Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

BARCELOS HOMENAGEIA ETNÓGRAFO ANTÓNIO GOMES PEREIRA

Evocação do centenário do nascimento decorre em Midões e Barcelos, no sábado, dia 7 de dezembro

António Gomes Pereira, padre, professor e etnógrafo de nomeada, cujo primeiro centenário da sua morte se comemora no presente ano, vai ser homenageado pelo Município de Barcelos, no próximo sábado, dia 7 de dezembro, com uma série de iniciativas que decorrerão em Midões, sua terra natal e na sede do concelho.

Assim, pelas 12h00, naquela freguesia, na Quinta e Casa de Chapre, onde nasceu, será descerrada uma placa evocativa, seguindo-se uma romagem ao cemitério, onde junto do seu túmulo será depositada uma coroa de flores. Pelas 16h00, na Biblioteca Municipal de Barcelos, será inaugurada uma exposição iconográfica e documental sobre Gomes Pereira, seguindo-se uma conferência pelo Dr. António Júlio Limpo Trigueiros.

António Gomes Pereira nasceu na Casa de Chapre, em Midões, em 30 de setembro de 1859 e faleceu na referida Casa, em 6 de abril de 1913, vítima de tuberculose.

Publicou vários trabalhos sobre etnografia, folclore e toponímia das regiões de Barcelos, Esposende, Guarda, Póvoa de Varzim, Vila do Conde e Terras de Bouro, a maior parte dos quais na revista “Lusitana”. Muitos deste trabalhos foram, depois, publicados em livro, entre os quais, “Tradições Populares, Linguagem e Toponímia de Barcelos” (1915). Publicou ainda uma Selecta de Literatura (1ª edição-1908 – 2ª edição-1912), que foi muito difundida na sua época.

A sua valiosa Biblioteca, com predominância de escritores portugueses e de humanistas estrangeiros, foi doada, parte à Biblioteca do Liceu Rodrigues de Freitas (autores dos séculos XVI a XVIII) e outra parte aos seus amigos, dois dos quais de Esposende, José da Silva Vieira –editor das suas obras e o Dr. Sousa Ribeiro, bem como à Biblioteca do Seminário do Porto.

A Câmara Muncipal de Barcelos instituiu, em 1964, um prémio com o seu nome para galardoar o melhor trabalho em etnografia.

Fez a instrução primária na Escola do Sobreiro da freguesia de Adães. Depois de ter feito os preparatórios liceais em Braga, matriculou-se, em 1 de outubro de 1878, no Curso Teológico, no Seminário de S. Pedro. Concluídos os estudos teológicos em 1881 e, admitido às ordens sacras, é ordenado presbítero, em 23 de setembro de 1882, pelo arcebispo D. João Crisóstomo de Amorim Pessoa. Celebrou a primeira Missa Nova, na Igreja Paroquial de Midões, em 22 de outubro de 1882.

Em 1889, matriculou-se no Curso Superior de Letras da Universidade de Lisboa, depois de ter sido professor no Colégio da Formiga, em Ermesinde e coadjutor do pároco de Valongo. Aqui teve oportunidade de contactar com vários intelectuais, entre os quais o Dr. José Leite de Vasconcelos, adquirindo a paixão pela etnografia e folclore. Concluídos os estudos universitários, permaneceu ainda mais quatro anos na capital, tendo sido subdirector, perfeito e professor nas Oficinas de S. José.

Abalado na sua saúde pelo excesso de trabalho, deixou Lisboa, em Junho de 1896, e regressou à sua terra natal-Midões, onde durante dois anos foi pároco.

Depois de habilitado para o efeito, ingressa, em 1898, no ensino oficial, como professor de Latim e de Português, no Liceu de Vila Real e, a partir de 1902, no Liceu D. Manuel II (actual Rodrigues de Freitas), no Porto, onde se manteve até a meio do ano lectivo de 1909/1910. É nesta cidade que elabora a maior parte das suas obras e alcança notoriedade.

CENTRO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL DE ESPOSENDE PROMOVE SEMANA DA FLORESTA AUTÓCTONE

Como forma de assinalar o Dia da Floresta Autóctone, que se comemora a 23 de novembro, o Centro de Educação Ambiental levou a efeito mais uma edição da Semana da Floresta Autóctone, que mobilizou cerca de 300 crianças de estabelecimentos de educação e ensino do concelho, desde o pré-escolar até ao 3.º ciclo do ensino básico.

DSCF0009

A iniciativa decorreu entre os dias 18 e 28 de novembro e pretendeu sensibilizar os participantes para a importância das espécies autóctones no equilíbrio da floresta e da elevada biodiversidade associada aos espaços florestais, realçando a importância dos espaços florestais e destacando os seus principais usos. 

O programa integrou um conjunto diversificado de atividades. Assim, no Centro de Educação Ambiental, foi realizada uma oficina designada Use e Re-Use a Floresta, que abordou a importância da floresta portuguesa, sensibilizando também para a poupança dos recursos naturais.

Dirigido a alunos dos 2.º e 3.º ciclos, decorreu um percurso micológico numa zona florestal da freguesia de Marinhas, onde alunos e utentes de instituições concelhias ficaram a conhecer diversas espécies de cogumelos existentes no concelho. Para a comunidade em geral, foi levado a efeito o workshop “Hoje é dia de Cogumelos”, onde os participantes ficaram a conhecer um pouco da biologia e da ecologia dos cogumelos, adquirindo conhecimentos sobre a produção de cogumelos em diversos substratos.

O Dia da Floresta Autóctone foi criado com intuito de divulgar a importância económica e ambiental associada à conservação das florestas naturais e à urgência de as proteger.

DSCF9747

DSCF9905

NÚCLEO DE ARTES E LETRAS DE FAFE EVOCA VIDA E OBRA DE SOLEDADE SUMMAVIELLE

O Núcleo de Artes e Letras de Fafe promove uma tertúlia literária de homenagem à poetisa fafense Soledade Summavielle, por ocasião dos 106 anos do seu nascimento (07/12/1907) e dos 50 anos sobre a publicação da sua primeira obra, “Sol Nocturno” (1963).

O evento tem por título “As Flores do meu Jardim” e realiza-se no próximo sábado, dia 07 de Dezembro, no Club Fafense, a partir das 21h30, com um conjunto de atividades em que será evocada a vida e obra de Soledade Summavielle.

A sessão consta da leitura e declamação de poemas da autora, por Artur Coimbra, Carlos Afonso, Acácio Almeida, entre outros, a encenação da vida e da figura de Soledade, pela professora Orlanda Silva, entremeada por momentos musicais (piano e canto, flauta, clarinete e actuação do Coro de Pais e Amigos da Academia de Música José Atalaya, sob a direção do Prof. Tiago Ferreira).

O evento inclui ainda a apresentação de um documentário sobre a poetisa, por alunas da Escola Secundária, bem como de uma página na internet sobre Soledade Summavielle, da iniciativa da Biblioteca Municipal.

Soledade Summavielle foi cantora lírica e ceramista, mas seria na poesia que mais se salientaria a sua actividade artística. Publicou uma dezena de obras que a singularizam como uma das vozes mais fortes e sentimentais da poesia portuguesa.

A poetisa faleceu em Lisboa, onde viveu grande parte da sua vida, no dia 7 de Fevereiro de 2000, aos 92 anos.

BARCELOS REQUALIFICA RUAS EM RIO COVO SANTA EUGÉNIA

Câmara Municipal de Barcelos e Junta de Rio Covo Santa Eugénia concluem obras de requalificação das Ruas da Lobagueira e José Gomes Alves. Investimento ascende a 430 mil euros

Estão concluídas as obras de requalificação de quatro ruas na freguesia de Rio Covo Santa Eugénia – Rua da Lobagueira, Rua José Gomes Alves, Rua das Farias e Rua da Fonte, numa uma extensão de cerca de dois quilómetros.

rio covo - obras 001 - 1

As obras foram executadas em parceria entre a Câmara Municipal de Barcelos e a Junta de Freguesia de Rio Covo Santa Eugénia, num investimento total de 434.600,00€.

A primeira fase compreendeu as obras de alargamento das ruas, execução das redes de abastecimento de água, drenagem de águas residuais e águas pluviais, mudança de estação elevatória e demais infra-estruturas associadas.

Na segunda e última fase foram executadas as obras de pavimentação em betuminoso das ruas.

Encontra-se em execução, igualmente, a obra de requalificação da Rua da Quintão, com uma extensão de cerca de um quilómetro e com um custo aproximado de 40.000,00€, financiada pela Câmara Municipal de através do protocolo “200%”.

COLETIVA DE ARTES PLÁSTICAS PATENTE NA CASA DA CULTURA DE FAFE

Abriu este sábado na galeria de exposições da Casa Municipal de Cultura de Fafe uma exposição coletiva de artes plásticas, inserida no âmbito do Festival de Cinema de Fafe – Fafe Film Fest, que decorreu no fim-de-semana.

DSC_4478

Dezenas de pessoas participaram na “vernissage” da mostra que reúne obras dos artistas Ana Stingl, António Santana, Bárbara Gonçalves Fernandes, Carlos Santana, Carminda Andrade, Délia Carvalho, Fernanda Aguiar, J. J. Silva, Jorge Aguiar, Miguel Orga, Miguel Vasconcelos, Nuno Antunes, Nuno Castelo, Ricardo Cunha e Rosa Vaz.

A exposição vai manter-se patente até ao dia 20 do corrente, no horário de funcionamento daquele serviço.

DSC_4467

DSC_4461

ESPOSENDE COMEMORA DIA INTERNACIONAL DO VOLUNTARIADO

Dia Internacional do Voluntariado assinalado em Esposende com encontro-convívio de voluntários

O Banco Local de Voluntariado (BLV) do Município de Esposende vai assinalar o Dia Internacional do Voluntariado, que se comemora a 5 de dezembro, com um encontro convívio, que inclui uma sessão de yoga do riso, dirigido a todos os voluntários inscritos no BLV. A iniciativa “Voluntariado com Riso” decorrerá durante a tarde, a partir das 14h30, no Hotel Suave Mar, em Esposende.

Sabendo-se que o riso traz benefícios sociais, fortalece as relações, melhora o trabalho em equipa e promove a união do grupo, esta iniciativa pretende, pois, constituir-se um momento de reflexão e interação social.

Em atividade desde 20 de abril de 2010, o Banco Local de Voluntariado conta atualmente com uma bolsa de 166 voluntários, que disponibilizam parte do seu tempo em prol desta causa, nomeadamente em projetos de natureza social e comunitária. São exemplo as Campanhas de Recolha de Bens Alimentares desenvolvidas pela Rede Social de Esposende, atividades de apoio à Loja Social Rede Solidária, assim como o trabalho desenvolvido nas instituições concelhias, entre outras.

O Banco Local de Voluntariado faz a ponte entre os voluntários e as entidades que disponibilizam oportunidades de enquadramento a práticas de solidariedade social. Assim, as pessoas e entidades interessadas deverão contactar o BVL através do e-mail voluntariado@cm-esposende.pt, do telefone 253 960 100 ou diretamente nas suas instalações, na rua dos Bombeiros, n.º 51, em Esposende.

Instituído pela Assembleia Geral das Nações Unidas o Dia Internacional do Voluntariado tem como intuito incentivar e valorizar o serviço voluntário em todo mundo, homenageando quem dá do seu tempo para ajudar. A efeméride reveste-se de um significado muito especial, na medida em que reconhece a importância do voluntariado como forma efetiva de praticar uma autêntica cidadania, contribuindo para um mundo mais justo e mais solidário.

ESCUTEIROS DE BARCELOS CONSTRÓEM PRESÉPIO EM MOVIMENTO

Foram várias as pessoas que assistiram ontem, 1 de Dezembro, ao levantamento da Árvore de Natal, no centro da freguesia da Ucha, em Barcelos, em frente à sede da Junta. O pinheiro – com cerca de sete metros de altura e decorações alusivas à época natalícia – simboliza o presépio movimentado, cuja abertura será a 22 de Dezembro. “Com o levantamento desta árvore, queremos marcar o início dos festejos de Natal, na nossa freguesia”, explica José Macedo, da organização.

IMG_3037[1]

“Este é um projecto que, além de pretender representar a Ucha no passado, está a envolver verdadeiramente as pessoas da freguesia”, acrescenta.

Recorde-se que esta acção é a primeira de várias que se inserem na iniciativa "E se Jesus nascesse na Ucha?". Assim sendo, além da Árvore de Natal e do presépio movimentado, estão previstas duas encenações sobre o Natal, em colaboração com o Grupo de Jovens da Ucha.

O Agrupamento de Escuteiros n.º 1016

IMG_2987[1]

IMG_2976[1]

COMEMORAÇÕES DO 1º DE DEZEMBRO CONSTITUÍRAM UMA GRANDIOSA MANIFESTAÇÃO POPULAR E PATRIÓTICA

Minho desceu à capital para celebrar data evocativa da Restauração da Independência em 1640

Cerca de duas dezenas as bandas filarmónicas, grupos de bombos e outros agrupamentos de música tradicional portuguesa em representação dos mais variados distritos do nosso país desfilaram na avenida da Liberdade, rumo à Praça dos Restauradores.

Dia da Restauração 054

Do Minho vieram a Banda Cabeceirense, de Cabeceiras de Basto, e a Banda Musical do centro Social e Paroquial de S. Martinho da Gandra, de Ponte de Lima, bastante aplaudidas pelo público à sua passagem.

As celebrações em Lisboa da data evocativa da Restauração da Independência Nacional em 1640 adquiriram um caráter popular que adquire um especial significado num momento de particular crise como a que atualmente se vive, traduzindo-se ainda numa reivindicação pelo restabelecimento do feriado nacional. Aliás, a sua supressão teve o condão de transformar estas comemorações numa verdadeira manifestação popular de cariz patriótico que contrasta com o distanciamento que anteriores celebrações vinham estabelecendo em relação à generalidade dos cidadãos.

Estas comemorações constituíram uma iniciativa conjunta da Câmara Municipal de Lisboa, Sociedade Histórica para a Independência de Portugal e o Movimento 1º de Dezembro. Entretanto, a organização espera poder vir a anunciar já o lançamento do Concurso Nacional de Bandas Filarmónicas, o qual começará a realizar-se por todos os distritos do país em 2014 (Primavera/Verão), o qual convergirá para o Desfile Nacional anual comemorativo do 1º de Dezembro, junto aos Restauradores.

Para além destas iniciativas, prevê-se a realização no próximo ano de uma grandiosa recriação histórica dos acontecimentos do 1º de Dezembro de 1640 a ter como palco os locais históricos situados na baixa lisboeta.

Dia da Restauração 045

Dia da Restauração 060

Dia da Restauração 057

Dia da Restauração 063

Dia da Restauração 043

Dia da Restauração 056

Dia da Restauração 036

Dia da Restauração 061

Dia da Restauração 006

Dia da Restauração 004

Dia da Restauração 078

Dia da Restauração 100

Dia da Restauração 094

Dia da Restauração 102

Dia da Restauração 075

Dia da Restauração 114

LITOGRAFIA DE MEADOS DO SÉCULO XIX MOSTRA SÉ CATEDRAL DE BRAGA

A litografia encontra-se na Biblioteca Nacional de Portugal e retrata a Sé Catedral de Braga em meados do século XIX. O documento possui a seguinte ficha bibliográfica:

LEGRAND, Charles, fl. entre 1839 e 1847

Sé de Braga [Visual gráfico = Cathedrale de Braga / C. Legrand lith., 1847. - [Lisboa? : s.n., 1847] (Lisboa : Lith. Rua N. dos Martyres, nº 12 a 14. - 1 gravura : litografia, p&b http://purl.pt/12037

. - Dim. da comp. sem letra: 33x24 cm (com esquadria). - Vista exterior da capela-mór

ARTESÃOS DO MINHO EXPÕEM NA AMADORA

Amadora 003

A feira de artesanato e gastronomia que está a decorrer na cidade da Amadora conta este ano com a participação de artesãos de Braga e Cabeceiras de Basto. Trata-se de um certame bastante concorrido por parte do público que possui uma oportunidade de adquirir produtos do nosso artesanato e da gastronomia tradicional. Em regra, o Alentejo tem sido a região mais bem representada, começando no entanto a despertar o interesse por parte dos artesãos da nossa região.

Amadora 001

Amadora 002

MENSAGEM DE SAR D. DUARTE PIO, DUQUE DE BRAGANÇA, AOS PORTUGUESES, PROFERIDA POR OCASIÃO DAS COMEMORAÇÕES DO 1º DE DEZEMBRO REALIZADAS NO ANO PASSADO

556853_583738065029195_375069725_n

Painel de azulejos existente na parede da Igreja Matriz de Ponte de Lima

Portugueses,

Nesta hora difícil que Portugal atravessa, talvez uma das mais difíceis da nossa já longa história, afectando a vida das famílias portuguesas e dos mais desfavorecidos de entre nós, Eu, enquanto descendente e representante dos Reis de Portugal, sinto ser meu dever moral e obrigação política dirigir-vos uma mensagem profunda e sentida, como se a todos conseguisse falar pessoalmente.

Estamos a viver uma terrível crise económica, o nosso país vê-se esmagado pelo endividamento externo, pelo défice das contas públicas e pela decorrente e necessária austeridade.

O actual regime vigora há pouco mais de 100 anos, e muitos dos seus governantes, por acção ou omissão, não quiseram ou não foram capazes de evitar o estado de deterioração a que chegaram as finanças públicas. Tais governantes, é preciso dizê-lo de forma clara, foram responsáveis directos pela perda da soberania portuguesa e pelo descrédito internacional em que caiu Portugal, uma das mais antigas e prestigiadas nações da Europa. Sem uma estratégia de longo ou sequer de médio prazo, sem sentirem a necessidade de obedecerem a um plano estratégico nacional, não conseguiram construir as bases necessárias para um modelo de desenvolvimento politicamente são e economicamente sustentável, optando, antes, pelo facilitismo e pelo encosto ao Estado.

Infelizmente, o Estado, vítima também ele da visão curta com que tem sido administrado, tem permitido que se agravem as assimetrias regionais, que se assista à desertificação humana do nosso território e que fique cada vez mais fundo o fosso que separa os mais ricos dos mais pobres.

Infelizmente, Portugal continua a ser dos países europeus com índices de desigualdade mais altos. Todos têm o direito de ver bem remunerado o esforço do seu trabalho, da sua criatividade, da sua ousadia e do seu risco, mas a ninguém pode ser cortada a igualdade de oportunidades. Agora, neste momento de particular gravidade, em que nos é pedido um esforço ainda maior, recordo que o Estado é sobretudo suportado pelo fruto do esforço, do trabalho dos portugueses e de muitas das empresas a quem os portugueses dão o melhor das suas capacidades. Todos eles são merecedores do respeito por parte de quem gere os nossos impostos, e é esse respeito, esse exemplo que se exige ao Estado. Não posso deixar de aplaudir a dedicação, a entrega e sobretudo a enorme boa vontade com que inúmeros funcionários públicos se dedicam a servir com dignidade o nosso país.

Mas este diagnóstico e estas constatações valem pouco, valem muito pouco, quando confrontados com as dificuldades com que muitos portugueses hoje se debatem. Um facto é incontornável: a crise está aí e toca-nos a todos, e com ela se vão destruindo postos de trabalho, se vai degradando o nível de vida das nossas famílias e se vão desprotegendo os mais frágeis. Não tenhamos ilusões: muitos são os que hoje só sobrevivem graças à imensa solidariedade de que o nosso povo ainda é capaz. Porque somos um povo generoso, gente de bem, somos um povo capaz de tudo quando nos unimos em torno de um objectivo comum.

Torna-se importante, por isso, lembrar que neste dia, há quase 9 séculos, contra todas as adversidades, nascia Portugal, uma nação livre e independente, fruto da vontade e sacrifício dum povo unido à volta do seu Rei.

Então, como agora, foi fundamental a existência de um projecto nacional, uma causa comum e desejada que a todos envolveu: grandes e pequenos, governantes e governados, homens e mulheres. Um projecto que tinha, acima de tudo, o Rei e os portugueses, unidos por um vínculo indestrutível, constantemente renovado e vencedor, um vínculo de compromisso que nos ajudou a ultrapassar crises avassaladoras no passado, e que se prolongou pelos séculos seguintes, sendo interrompida apenas em 1910.

Foi essa mesma comunhão, uma comunhão de homens livres, que permitiu a reconquista e o povoamento do território, bem como, mais tarde, a epopeia dos descobrimentos e a expansão de Portugal pelo mundo. Foi todo um Povo, o nosso Povo, que enfrentou, com coragem e determinação os mares desconhecidos, “dando, assim, novos mundos ao mundo”. Foi a gesta de todo um Povo que permitiu criar este grande espaço de língua e afectos da Lusofonia, vivido em pleno pelas nações nossas irmãs, hoje integradas na CPLP. E foi a renovação desse projecto que permitiu a restauração da nossa independência em 1640, neste local, naquela que foi uma verdadeira refundação nacional, só conseguida pelo esforço e sacrifício dos Portugueses de então.

É pois este o desafio que temos hoje pela frente: refundar um projecto nacional capaz de unir todos os Portugueses de boa vontade, com o objectivo de reerguer Portugal, devolvendo a esperança e o orgulho a cada português. Esse projecto mobilizador é imprescindível para que cada um de nós possa ambicionar ter uma vida normal, socialmente útil, para que possa ser promovido pelo mérito e pelo esforço do seu trabalho, criar uma família e contribuir, cada um na sua medida, para o engrandecimento de Portugal.

Para que este projecto nacional seja possível, teremos de repensar o actual sistema político e as nossas instituições, procurando alcançar uma efectiva justiça social e a coesão económica e territorial, aproximando os eleitos dos eleitores

Devemos também considerar as vantagens da Instituição Real, renovando a chefia do Estado para restaurar o vínculo milenar que sempre uniu os portugueses ao seu Rei.

O Rei interpreta o sentir da Nação, e age apenas pelo superior interesse do país, e nenhum outro interesse deve também mover os actores políticos. Portugal precisa de autoridade moral, de união em torno de um ideal, Portugal precisa de um projecto que seja o cimento em torno da Nação – a política e, acima dela, a Coroa, deve procurar sempre servir esse ideal, e nunca servir-se dele em benefício próprio.

É num sistema político, moderno, democrático, que a Chefia de Estado, isenta como tem de estar de lutas políticas e imbuída de uma autoridade moral que lhe advém do vínculo indestrutível e milenar com os portugueses, pode e deve zelar pelo bom funcionamento das instituições políticas, assegurando aos portugueses a sua eficácia e transparência. É a mesma Chefia de Estado que pode e deve apoiar a acção diplomática do Governo com o elo natural que a liga aos países lusófonos e a muitos dos nossos congéneres europeus. Acredito que só é possível debater a integração europeia, na sua forma e conteúdo, em torno de um elemento agregador: a agenda própria de um país multisecular na Europa, mas também com continuidade linguística, histórica, social, patrimonial e empresarial em geografias distantes. É o Rei que, personificando a riqueza da nossa história e cultura, é o último garante da nossa independência e individualidade enquanto Nação.

Portugal, nação antiga, com um povo generoso e capaz de grandes sacrifícios, sê-lo-á ainda mais se encontrar no Estado e nos seus representantes o exemplo de cumprimento do dever, de assunção dos sacrifícios e de sobriedade que os tempos de hoje e de sempre exigem.

Unidos e solidários num renovado projecto nacional que devolva a esperança aos Portugueses, reencontrados com uma instituição fundacional – a Instituição Real – sempre isenta e centrada no bem comum, então todos nós Portugueses – em Portugal ou espalhados pelo mundo através das vivíssimas comunidades emigrantes – com a grandeza de alma de que sempre fomos capazes nas horas difíceis, estaremos dispostos aos necessários e equitativos sacrifícios que a presente hora impõe. Em nome do futuro de todos os que nos são queridos, filhos e netos. Numa palavra: em nome de Portugal.

Não duvido que, aconteça o que acontecer, os Portugueses, com calma, ponderação e perseverança, saberão lutar para continuar a merecer o seu lugar na história e no concerto das nações. Eu e a minha Família – assim os Portugueses o queiram – saberemos estar à altura do momento e prontos para cumprir, como sempre, o nosso dever, que é só um: servir Portugal.

Existe uma alternativa muito clara à actual situação a que chegou a este regime, alternativa que passa por devolver a Portugal a sua Instituição Real e que, se não resolve por si só todos os nossos problemas actuais, será certamente – como o provam os vários países europeus que a souberam preservar – um grande factor de união popular, de estabilidade política e de esperança coletiva. Numa palavra, de progresso.

Portugal triunfará! assim saibamos unir esforços, assim saiba cada um de nós, de forma solidária, dar o melhor de si mesmo, não esquecendo nunca os que mais sofrem e os que mais precisam. Que ninguém duvide: somos uma nação extraordinária, e o valor e a coragem do nosso povo serão a chave do nosso sucesso.

Viva Portuga!

EM 1908, BARCELOS RECEBEU EM APOTEOSE A VISITA DE SUA MAJESTADE EL REI D. MANUEL II

transferir-1

A foto data de dezembro de 1908 e regista a receção do povo de Barcelos a Sua Majestade, El Rei D. Manuel II, na sua passagem por aquela cidade minhota durante a sua digressão ao norte do país. Numa das imagens vemos o soberano, à janela dos Paços do Concelho, acompanhado do presidente da Câmara Municipal de Barcelos.

Fonte: Arquivo Nacional da Torre do Tombo

transferir-2

Pág. 18/18