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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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PONTE DE LIMA: GEMIEIRA REALIZA FESTIVAL DE FOLCLORE

A Freguesia de Gemieira, no concelho de Ponte de Lima, vai no próximo dia 12 de maio ser palco de mais um grandioso festival de folclore, organizado pelo Grupo Folclórico da União Desportiva e Cultural da Gemieira. A iniciativa conta com a participação do Rancho Folclórico da Ribeira, de Ovar, Rancho Folclórico de Paçô, Arcos de Valdevez, Rancho Folclórico de Santa Luzia, de Vilar de Viando, Mondim de Basto e do Rancho das Lavradeiras de S. Martinho da Gandra, de Ponte de Lima, além naturalmente do anfitrião, o Grupo Folclórico da Gemieira.

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Em terras limianas, o folclore constitui sempre motivo de festa e muita alegria, sendo os festivais de folclore muito concorridos e animados. As gentes da região prezam bastante as suas tradições mais genuínas, os seus usos e costumes, fazendo do folclore um pretexto para atrair numerosos visitantes que nunca dão por pedida uma jornada bem passada entre gente alegre e hospitaleira.

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Historial do Grupo Folclórico da União Desportiva e Cultural da Gemieira

Gemieira é uma Freguesia situada na margem esquerda do Rio Lima, 5 km a montante da bonita Vila de Ponte de Lima, sua sede concelhia. Para além da Igreja quinhentista com azulejos de rara beleza, esta Freguesia é também possuidora de diversas casas solarengas, uma das quais ao serviço do Turismo de Habitação.

A beleza paisagística da Ribeira Lima em que Gemieira está inserida é reforçada pelos típicos Moinhos em pedra, que se encontram ao longo do Ribeiro de águas cristalinas que atravessa esta freguesia e desagua nas encantadoras águas do Rio Lima, sendo esta beleza completa por vários locais de lazer junto à margem do Rio Lima, dos quais se destacam o Carvalhal e o Giestal.

Em tempos realizaram-se na Gemieira diversos cortejos de oferendas em beneficio da Igreja, um dos quais em 1984. Neste cortejo, umas das zonas participantes fez-se representar culturalmente pelo Folclore, partindo daí a ideia da criação de um Grupo Folclórico, vindo este a integrar-se na União Desportiva e Cultural de Gemieira, aquando da sua fundação em 16 de Janeiro de 1985.

Enfrentando diversas carências e dificuldades, este Grupo apresenta hoje um vasto património cultural representando assim a sua região através dos instrumentos, danças e cantares, destacando-se três vídeos:

Trabalhos Agrícolas – Trabalho dividido em quatro temas (sementeira da batata; cegada da erva; roçada do tojo e ripada da azeitona);

O Milho - Desde o deitar do estrume à terra até ao cozer do pão;

O Vinho - Desde a plantação da videira até obter o precioso líquido. Este último foi o vencedor do 1° Prémio do Festival de Vídeo de Viana em 1997.

O Grupo Folclórico da União Desportiva e Cultural de Gemieira, gravou ainda outro trabalho designado, “Cantigas da minha terra”, no qual mostra as paisagens da Freguesia e todas as danças e cantigas do Grupo.

Este grupo tem-se deslocado de Norte a Sul de Portugal, passando também por Espanha, Andorra e França, sendo ainda convidado para diversas exibições na Televisão Portuguesa.

MINHOTOS VÃO REALIZAR ARRAIAL EM LOURES

O Grupo Etnográfico Danças e Cantares “Verde Minho” vai realizar na cidade de Loures um autêntico arraial minhoto, tendo como cenário a réplica das ruínas de São Paulo e que constituiu a fachada do Pavilhão de Macau na Expo’98, atualmente exposto no Parque da Cidade. Trata-se do XX Festival de Folclore Nacional e terá lugar no próximo dia 8 de Junho, com início às 16 horas, com a abertura dos pavilhões onde o artesanato e a gastronomia minhota marcarão a sua presença, culminando o arraial com uma imponente sessão de fogo-de-artifício.

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Às 20 horas, realizar-se-á o desfile dos grupos folclóricos a partir dos Paços do Concelho com direção ao Parque da Cidade. Pelas 21 horas, terá início a atuação dos grupos folclóricos, com apresentação a cargo do escritor, jornalista e comentador desportivo Fernando Correia.

O Festival de Folclore propriamente dito conta com a participação do Grupo de Bombos “OS BAIONENCES” Baião, a Escola de Concertina, “Filipe Oliveira e Daniel Sousa”, o Grupo de Danças e Cantares “BESCLORE”, o Rancho Folclórico da Casa do Concelho de Ponte de Lima e o Rancho Folclórico da Casa do Minho, além do anfitrião, o Grupo Etnográfico Danças e Cantares “VERDE MINHO”.

O Grupo Folclórico e Etnográfico “Verde Minho” encontra-se sediado na localidade de A-das-Lebres, no concelho de Loures, e é uma associação cultural constituída por minhotos e amigos que vivem na região de Lisboa que procuram manter as suas raízes culturais e as tradições da sua região de origem. Loures, terra de tradições saloias, vai por um dia viver a alegria e a exuberância de um arraial à moda do Minho, montado pelas gentes minhotas que ali vivem e trabalham.

EM 1964, A DEPUTADA CUSTÓDIA LOPES FEZ NA ASSEMBLEIA NACIONAL ALUSÃO À CASA DO MINHO DE LOURENÇO MARQUES (MOÇAMBIQUE)

Na sessão da Assembleia Nacional realizada em 12 de março de 1964, presidida por Mário de Figueiredo e secretariada por Fernando Cid Oliveira de Proença e Luís Folhadela de Oliveira, foi debatido no período da Ordem do Dia o aviso prévio apresentado pelo deputado Nunes Barata acerca do turismo nacional, tendo usado da palavra os deputados Custódia Lopes, Costa Guimarães, Carlos Coelho, Alexandre Lobato e Antunes de Lemos.

Numa longa exposição acerca das potencialidades turísticas do território de Moçambique e das vantagens recíprocas em implementar-se uma maior cooperação com a metrópole, Custódia Lopes defendeu a digressão por terras moçambicanas de grupos folclóricos provenientes das mais diversas regiões de Portugal e fez ainda alusão ao trabalho desempenhado pela Casa do Minho de Lourenço Marques, atual Maputo.

Custódia Lopes nasceu em 18 de agosto de 1919, em Lourenço Marques, e era licenciada em Filologia Clássica pela Universidade de Lisboa. Era professora do ensino secundário, exercendo a docência no Liceu Feminino de Lourenço Marques. Foi deputada à Assembleia Nacional nas VIII, IX e X Legislaturas e Procuradora à Câmara Corporativa por designação do Conselho Corporativo. Faleceu na década de 1990.

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A Sr.ª D. Custódia Lopes: - Sr. Presidente: precisamente quando na metrópole está, por assim dizer, na ordem do dia o turismo e nesta Câmara o DeputadoNunes Barata apresenta muito oportunamente para debate um aviso prévio sobre b assunto, em Moçambique, por feliz coincidência, como que em prolongamento do estudo de um problema que não interessa apenas ao Portugal da Europa, mas a toda a Nação Portuguesa, realizou-se nos dias 19 a 21 de Fevereiro, na cidade da Beira, a primeira reunião provincial de turismo.

Escusado será salientar a importância e a necessidade de uma reunião deste -género para se traçarem as? linhas básicas em que há-de assentar a acção turística da província e para se estruturar e definir o plano em que há-de desenvolver-se o verdadeiro turismo moçambicano, que, até hoje, tem vivido descoordenado, um pouco ao acaso das improvisações e das boas vontades dos que a ele arriscam o dinheiro e o entusiasmo.

Se na verdade alguma coisa já se tem feito oficialmente pelo turismo em Moçambique, o que se fez está ainda muito longe de corresponder às inúmeras possibilidades daquela grande província do Indico, cujas belezas já foram efusivamente exaltadas nesta Câmara por alguns Srs. Deputados, sem que, contudo, tenham podido esgotar o abundante manancial de riquezas turísticas, muitas das quais ainda por explorar, com que a providência brindou aquela distante terra portuguesa.

Falar das belezas de Moçambique, desde a Ponta do Ouro, no Rui do Save, às regiões de Vila Cabral, junto cio lago Niassa, é percorrer toda uma extensa região de contrastes, em que ao mar se opõem as montanhas e os planaltos, em que as cidades do litoral, com as suas praias de areias douradas, contrastam com as planícies a perder de vista e as densas e inexploradas florestas percorridas ainda despreocupadamente por abundantes o variadas espécies de animais selvagens, em que enfim, aos requintes da civilização ocidental e europeia se contrapõe o exotismo dos hábitos, dos costumes e da cultura africana dos povos das regiões do interior, alguns dos quais tão expressivos e espontâneos nas suas manifestações artísticas que bem merecem que estas sejam olhadas com especial cuidado e mais carinho.

Mas não basta que a Providência tenha sido pródiga em conceder-nos tantos e tão variados motivos de atracção para que nos sintamos satisfeitos e orgulhosos com as potencialidades turísticas de Moçambique.

De que nos valerá tudo isso se não tivermos estradas em número suficiente e em condições de alcançarmos, com o mínimo de conforto, as enormes distâncias que medeiam entre os principais centros turísticos da província? Se o viajante, exausto da viagem, não encontrar, pelo caminho, acolhedoras pousadas onde .possa repousar, para depois prosseguir, reconfortado, o resto da longa jornada? Pousadas asseadas, simples e alegres, ao jeito bem português, que não toscamente copiadas dos moldes e figurinos estrangeiros. Pousadas que manifestem a quem nelas se acolhe um gosto delicado o um cuidadoso arranjo, que traduzam significativamente a cultura- europeia e africana, vivendo lado a lado, misturando-se até harmoniosamente sem que nenhuma delas perca o que tem de característico e genuíno.

Nas terras da metrópole, graças ao S. N. I. - é justo que recorde neste momento o nome do grande impulsionador que foi António Ferro - e a algumas iniciativas particulares, já se encontram espalhadas pelo País fora, a maior parte das vezes em lugares privilegiados, típicas pousadas, que sobrepõem ao luxo a simplicidade e graciosidade do gosto rústico das diferentes e variadas regiões do País. Km Moçambique, porém, elas são ainda escassas.

Se sairmos da capital ou das principais cidades onde se encontram os hotéis e pensões, dos mais luxuosos aos mais modestos, a caminho de outros lugares, dificilmente encontramos pequenas pousadas onde apeteça ficar. Julgo que seria conveniente que se olhasse seriamente para este aspecto do turismo de Moçambique ; construindo-se, à semelhança do que em boa hora se empreendeu na metrópole, algumas pousadas, através da província, escolhendo-se para isso os lugares de maior interesse turístico, quer sob o ponto de vista paisagístico e climático, quer sob o ponto de vista cinegético, piscatório ou outros. Poder-se-ia interessar nisso as empresas privadas ou os particulares concedendo-se-lhes facilidades, subsídios ou prémios na construção de tais pousadas que seriam, no entanto, orientadas pelo Centro de Turismo quanto à sua arquitectura e decoração, para que resultassem funcionais, convidativas e módicas, em vez de luxuosas mas de mau gosto e caras, corno, por vezes, sucede.

A poucos quilómetros de Lourenço Marques situa-se a Namaacha, região de uma altitude média, de cerca de 600 m, estância de repouso que nunca alcançou, porém, o lugar que verdadeiramente merece no turismo de Moçambique.

Apenas com um hotel a poucas pensões, construídas ao acaso por particulares que de mistura com o negócio mantêm, por vezes dificilmente e quantas vezes com negligência, o restaurante e os quartos de aluguer, a Namaacha não oferece ainda hoje outros atractivos que não sejam a sua privilegiada situação montanhosa, povoada de abundantes matas de pinheiros e eucaliptos, o seu clima fresco e agradável, mesmo nos dias em que na cidade o calor aperta, a sua água límpida e leve a brotar dedicada e teimosamente de uma apagada fonte ou a cair em cascata de um rochedo.

Porque não aproveitar esta região, tão perto da capital, onde o clima é saudável, a terra fértil para a cultura, vendo-se a cada passo as mais variadas flores e árvores carregadas de apetitosos frutos europeus e africanos, porque não aproveitar, digo, esta vila de abundantes recursos naturais e fazer dela uma verdadeira estância turística com as comodidades e atractivos necessários?

A Namaacha continua a ser um modesto cartaz turístico da província aonde o turista vai de Lourenço Marques, em pouco mais de uma hora, admirar a beleza da paisagem e pouco mais ... Porque não construir-se aí uma pousada acolhedora e convidativa que atraia mais forasteiros?

É já tempo de que a Namaacha, com os seus tão belos e bons recursos naturais, saia da modesta condição de estância monótona e mal servida de hotéis e de atractivos para se tornar num verdadeiro centro turístico.

Já não penso naquele tão famoso comboio a ligar a capital a esta próxima vila e que, segundo consta, foi uma ilusória ambição dos antigos moçambicanos e é ainda hoje um velho sonho de alguns...

Ao falar dos turistas, não me refiro apenas aos estrangeiros, que esses, vindos da vizinha Suazilândia, da África do Sul ou das Rodésias, possuem nos seus territórios lugares semelhantes à Namaacha ou mesmo inferiores com beleza mas turisticamente bem aproveitados para- repouso e vilegiatura nas montanhas. Esses, geralmente, preferem o mar, com as suas amplas praias, o sol quente e os demais encantos que estas lhes oferecem.

Refiro-me, sim, aos nacionais que habitam as cidades ou as regiões do interior da província e que, no tempo mais quente, geralmente a coincidir com as férias escolares dos filhos, necessitam de uma região de altitude onde, fugindo ao calor, possam retemperar as forças ao mesmo tempo que distraem o espírito.

Para esses, para os nacionais, também é preciso desenvolver o turismo, lá como cá.

Mas como fazer turismo interno através da extensa província sem as indispensáveis estradas e transportes acessíveis?

Quando pensamos naqueles que pelo interior mourejam no desenrolar dos dias sempre iguais e das noites que parecem infindáveis, em lugares aonde não chegam muitas vezes nem a luz nem o cinema, e a, telefonia se ouve com dificuldade (não falo da televisão porque infelizmente ela ainda não existe na província), compreendemos bem a ânsia de uma distracção que os ajude a suportar a vida monótona das terras do mato e que os leva, por vezes, a percorrer de automóvel, de jeep ou de camioneta, longos e tortuosos caminhos e más estradas só para assistir a um simples espectáculo.

É certo que ultimamente se tem procurado de algum modo alargar e melhorar a rede de estradas de Moçambique. Mas o ritmo desta imprescindível obra terá de ser acelerado se quisermos fazer um turismo oportuno e eficiente através da província. Por outro lado, as viagens por avião, que é hoje o meio mais rápido para se poder aproveitar umas curtas férias, são ainda excessivamente dispendiosas para que as famílias se abalancem a deslocar-se para longe das suas casas, para a cidade ou para o campo, mesmo na província, não falando, é claro, no elevado preço de uma viagem à metrópole distante. E, no entanto, torna-se cada vez mais imperioso que se promova o turismo nas províncias ultramarinas, quer dentro das próprias províncias, quer entre elas, quer ainda entre elas e a metrópole e vice-versa.

Ama-se mais e melhor o que se conhece e quantas vezes os Portugueses desconhecem a sua própria terra!

Neste momento da nossa história ultramarina, tão denegrida e falseada por certos estrangeiros, há sem dúvida a necessidade de os levar, por todos os meios, a conhecer as terras portuguesas do ultramar, não apenas para observarem a sua beleza e o seu progresso, mas para que possam esclarecer-se sobre a verdade da nossa política ultramarina.

Vozes: - Muito bem!

A Oradora: -Todavia, torna-se também necessário que os Portugueses tenham do ultramar uma noção cada vez mais exacta e perfeita para que melhor o sintam e amem.

Vozes: - Muito bem!

A Oradora: - O intercâmbio turístico entre a metrópole e o ultramar, facilitado por viagens aéreas e marítimas de preço acessível, por excursões e cruzeiros bem organizados, traria para a Nação benefícios incontáveis que vão muito para além do aspecto puramente material da rendosa indústria que é o turismo. Não basta que pensemos somente nos turistas estrangeiros, sem dúvida os que mais contribuem com as divisas para o equilíbrio económico das balanças deficitárias.

O turismo, porém, é muito mais do que uma simples indústria nos seus vários aspectos e interessa na verdade que ele seja fomentado, tendo em conta os múltiplos benefícios de ordem cultural e social que encerra.

Vozes: - Muito bem!

A Oradora: - Promover o turismo da metrópole para o ultramar e do ultramar para a metrópole não é apenas um processo de rendimento económico dentro do País nem tão-pouco mais uma viagem a acrescentar às muitas dos vistosos cartazes e das propagandas turísticas!

Fazer o intercâmbio turístico entre as várias e afastadas parcelas de Portugal é aproximá-las umas das outras, é irmaná-las num largo amplexo de amizade mais sincera, porque se conhecem melhor entre si. E levar os Portugueses a conhecer melhor a sua terra pelo contacto directo com os territórios e as suas gentes.

Por isso, Sr. Presidente, importa que no estudo do problema do turismo em Portugal, tão vivo e premente neste momento, não seja descurado este aspecto do turismo.

Não posso também deixar de me referir à necessidade de se intensificar o turismo juvenil no nosso país, levando os nossos jovens a conhecer a metrópole e o ultramar.

Vozes: - Muito bem!

A Oradora: - A promoção de excursões de estudantes convenientemente orientadas dentro da própria metrópole ou nas províncias ultramarinas, o intercâmbio juvenil entre estas e a metrópole, daria à juventude portuguesa uma noção mais real da grandeza e das possibilidades do território português, com a sua história secular e de epopeia, e ainda da força moral com que a custo e por todos os meios defendemos o nosso património.

Vozes: -Muito bem!

A Oradora: - Sei que à Mocidade Portuguesa está entregue o turismo juvenil, mas também sei que, apesar do esforço dos seus dirigentes, o que se tem feito neste sector está ainda longe de corresponder a um verdadeiro turismo da juventude portuguesa e ao largo alcance da sua promoção. As dificuldades que se põem à sua realização e que se baseiam, sobretudo, na falta de meios materiais, merecem que sejam analisadas e que se lhe dêem os remédios mais convenientes para que se promova quanto antes um turismo juvenil intenso e eficaz, como meio complementar da educação da nossa juventude.

Como já nesta Câmara afirmei, quando da minha intervenção sobre a educação, o conhecimento do ultramar através do ensino tem sido imperfeito e incompleto.

Que melhor lição para um estudante do que o contacto directo com a geografia dos territórios, com os povos e as suas tradições?

Que melhor complemento para os estudos de um finalista de qualquer dos cursos e, particularmente, dos que se relacionam com o ultramar, do que ir percorrer e observar as regiões a que possivelmente se dedicará?

Que se dê, pois, toda a atenção e apoio ao problema do turismo na educação da juventude para que esta, tendo da sua pátria uma noção mais exacta e real, se lhe dedique com maior entusiasmo e fé.

Vozes: - Muito bem!

A Oradora: -Também me merece algumas considerações o aspecto social e cultural do turismo quanto ao nosso folclore e artesanato.

Na metrópole tem-se procurado, de certo modo, divulgar as canções e danças regionais, dentro do País e no estrangeiro, por meio de ranchos organizados, concursos de cantares e danças e de trajos e ainda outras manifestações artísticas.

Há, na verdade, necessidade de se dar a conhecer o variado e rico folclore português, que assenta por profundas raízes na tradição popular pela qual, ainda hoje, Portugal é considerado no conceito turístico internacional como um dos países mais curiosos e típicos da Europa.

Esta atitude, porém, não tem sido extensiva, ao ultramar, onde raramente se exibem as variadas e sempre apreciadas danças regionais do continente, a não ser aquelas que modernizadas ou estilizadas se integram nos programas das revistas de teatro que por vezes nos visitam ou as que, com certo esforço e persistência, algumas associações regionais, como a Casa do Minho em Lourenço Marques, procuram organizar entre os seus associados.

Seria interessante que os verdadeiros e típicos ranchos folclóricos das diferentes províncias do continente pudessem ir, de quando em quando, ao ultramar, levando até lá os seus puros cantares e danças, ao mesmo tempo que de lá trariam algum conhecimento.

Não só agradaria aos nacionais, como também seria um excelente motivo turístico para os estrangeiros.

Quanto ao artesanato, embora alguns Srs. Deputados, entre os quais mais largamente o Prof. Nunes de Oliveira, já se tenham dele ocupado neste aviso prévio, não deixarei de tecer também acerca dele algumas considerações.

É o artesanato um património cultural que se vai a pouco e pouco perdendo pelo desaparecimento das pessoas idosas que o transmitiam aos mais novos, que hoje, mercê das influências citadinas, do incremento da indústria e ainda da própria educação, o vão abandonando e menosprezando.

Há, portanto, que preservá-lo, quer pela educação, levando os jovens a praticá-lo, quer ainda estimulando o artesão adulto por meio de uma remuneração justa pelo seu trabalho.

Mas torna-se imprescindível, antes de mais, que se criem não só o gosto, mas uma séria e eficaz divulgação do artesanato, quer entre os nacionais, quer entre os estrangeiros. Ainda que no País alguma coisa se tenha feito nesse sentido, o artesanato em Portugal não atingiu ainda o lugar que de direito lhe compete no turismo português.

A arte popular portuguesa, tão variada e rica nas suas manifestações, não é ainda verdadeiramente conhecida e apreciada. Desde o Minho ao Algarve, da Madeira aos Açores e às províncias ultramarinas se pode observar quanto o País é rico em artesanato, indústria que noutros países tem merecido tal atenção que se criaram para ela verdadeiros institutos nacionais de artesanato e até mesmo Ministérios de Artesanato. Entre nós, ela encontra-se repartida por vários organismos que vão dando o seu esforço na divulgação das várias manifestações da arte popular, sem que contudo, esta tenha obtido ainda u expansão que merece à escala nacional.

Há que promover uma mais intensa e larga campanha de expansão do artesanato português, problema que está entregue principalmente ao Fundo de Fomento de Exportação e ao S. N. I. Esperemos que estes dois organismos, ao tentarem resolvê-lo, não deixem de ter em conta também o artesanato do ultramar, tão característico e belo nas suas diversas formas, mas que é ainda hoje quase desconhecido na metrópole por não ter sido devidamente aproveitado. No entanto, é avidamente procurado pelos estrangeiros que visitam o ultramar.

O importante e valioso papel da mulher no artesanato, constituindo o seu contributo a mais poderosa mão-de-obra, não pode deixar também de merecer a nossa atenção.

O artesanato feminino é, muitas vezes, constituído por trabalhos que, em algumas aldeias e vilas, as mulheres fazem em casa, em pequenos intervalos, enquanto a panela ferve ao lume e as demais lides domésticas o permitem. E um trabalho quase maquinal, feito com os mesmos gestos das gerações passadas e com o apego que toda a mulher rural põe nas ocupações caseiras.

É uma indústria simples, que vai desde a tecelagem manual, em rústicos teares, aos palitos trabalhados, às mantas de retalhos e outros, e que merece ser devidamente amparada, pois que, além de ser uma pequena fonte de receita na parca vida económica do lar rural, é também um motivo de atracção turística para o estrangeiro que, vindo de países altamente industrializados, encontra nestes artefactos regionais uma típica e curiosa lembrança do País, na pureza e simplicidade das suas tradições.

A Obra das Mães pela Educação Nacional mantém, pelo País, centros de educação familiar rural onde as raparigas rurais aprendem com as mestras os trabalhos característicos das suas regiões. E uma louvável iniciativa que merece ser apoiada na medida em que esse ensino contribui para preservar o cunho artístico acentuadamente regional e português desses trabalhos, pois que, no artesanato, há que defender a autenticidade no aspecto artístico, ainda que, em muitos artefactos, o aspecto tecnológico deva ser modificado ou melhorado.

Tanto os trabalhos caseiros como os que são feitos sob a orientação de mestras deveriam ser garantidos, de qualquer maneira, na sua qualidade e autenticidade para que ganhassem a confiança do turista. Também a essas mulheres e raparigas que se dedicam aos trabalhos de artesanato deveria ser-lhes facilitada a matéria-prima ou os produtos necessários k sua manufactura, como, por exemplo, as anuirias, assegurando-se-lhes também a colocação dos seus produtos, o que seria um estímulo.

Para um maior desenvolvimento do artesanato rural seria de desejar a criação de pequenas exposições de carácter permanente nos principais centros turísticos das diferentes regiões onde os próprios artífices fizessem demonstrações do seu trabalho, o que, certamente, atrairia a curiosidade do turista e despertaria o interesse em adquiri-los.

Qualquer que seja o organismo que se venha u ocupar do artesanato u escala nacional, não poderá deixar de atender e receber a cooperação dos organismos locais e regionais.

Para essa cooperação e coordenação muito poderão contribuir as Casas do Povo.

No ultramar torna-se necessário criar escolas ou centros regionais de artesanato que encaminhem as raparigas e os rapazes para esse género de trabalhos e orientem os adultos na sua primitiva arte sem que, contudo, lhes tirem a sua característica feição africana. São obras de madeira, de pau-preto, de marfim, de missangas ou de palha, facilmente vendáveis e, como já disse, muito procuradas e apreciadas pelos estrangeiros.

Seria interessante e oportuno que se promovesse um intercâmbio folclórico e artesanal entre a metrópole e o ultramar, o que muito contribuiria paru um melhor conhecimento da arte popular portuguesa em toda a sua dimensão.

Para terminar, apraz-me registar perante a Câmara que há dias aportou a Lourenço Marques o grande transatlântico Brasil, levando em cruzeiro de férias por portos da América do Sul, África, Mediterrâneo e Europa muitos turistas norte-americanos (segundo os jornais, 406 milionários), que tiveram a oportunidade de visitar a capital de Moçambique e foram até ao Kruger Park, ria África do Sul. Haverá que preparar os motivos e recordações que os turistas possam desfrutar e guardar numa curta estada ou passagem pela província. Além da Namaacha. a que já me .referi, temos a pouca distância da cidade a Catembe e a ilha da Inhaca. Esta última, á entrada da baía de. Lourenço Marques, com uma área de 45 km2, oferece, pela localização, clima e recursos naturais, as melhores condições para o turismo. Bastaria que aí

se construísse uma pousada ou um hotel e se criassem os motivos de atracção turística que se relacionam sobretudo com o mar, que, com a sua fauna marítima abundante, proporcionaria e permitiria o desporto da pesca. Também as suas belas praias deverão ser aproveitadas, para o que haverá necessidade de provê-las com redes de protecção contra os perigosos tubarões e ainda com a criação de outros divertimentos que agradam ao turista.

Mas para que o Centro de Informação e Turismo da província possa realizar eficientemente a obra para que foi criado e a sua acção se faças sentir viva e actual terá, certamente, de ser dotado com- mais amplos meios materiais, o que estará, decerto, nos propósitos do Governo quando através deste organismo pretende desenvolver um verdadeiro turismo em Moçambique.

Tenho dito.

FILATELIA PORTUGUESA DESTACA ROMARIA DA SENHORA DA AGONIA EM VIANA DO CASTELO

Viana do Castelo está em destaque na filatelia portuguesa. Os CTT acabam de editar um bloco filatélico alusivo às festas tradicionais portuguesas, incluindo nesta série um selo alusivo à Festa da Senhora da Agonia, com a importância de 0,50 €.

Selo Festas da Agonia, Viana do Castelo

Na pagela que o apresenta pode ler-se a seguinte descrição: “A Festa da Senhora da Agonia de Viana do Castelo, em Agosto, constitui um ex-libris de destaque no universo das romarias portuguesas. Famosa pelo fausto dos trajes e ouros das mordomas e pela riqueza do cortejo etnográfico, inclui procissões, desfiles, a “revista de gigantones e cabeçudos”, com grupos de bombos, gaiteiros, “zés-pereiras”, um imenso arraial e a famosa pirotecnia minhota. Tem como traço essencial a devoção das gentes do mar, que retribuem as graças recebidas aquando de tempestades ou naufrágios. O andor principal era por isso tradicionalmente transportado pelos pescadores, a partir de 1968 passou-se a realizar uma procissão fluvial no Rio Lima, com a imagem da santa em destaque.”

HÁ 101 ANOS, GOVERNO AUTORIZOU O MUNICÍPIO DE VILA NOVA DE CERVEIRA A CONTRAIR EMPRÉSTIMO PARA CONSTRUIR OS PAÇOS DO CONCELHO

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O decreto foi publicado no Diário do Governo nº. 106, de 7 de maio de 1911, e consta do seguinte:

Ministerio do Interior

Direcção Geral de Administração Política e Civil

Sobre proposta do Ministerio do interior e nos termos do artigo 55º, nº 1º, do Código Administrativo de 4 de maio de 1896: hei por bem autorizar a Camara Municipal do concelho de Vila Nova de Cerveira a contrair um empréstimo na importância de 12:000$000 réis, ao juro anual de 6 por cento, e amortizavel em vinte anuidades garantidas com 12 por cento de percentagem cobrada pela mesma Câmara sobre as contribuições directas do Estado; empréstimo êste exclusivamente destinado às obras de construção dum edifício para os Paços do Concelho.

O Ministro do Interior assim o tenha entendido e faça executar.

Paços do Governo da República, em 4 de Maio de 1912 = Manuel de Arriaga = Silvestre Falcão.