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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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VAMOS CANDIDATAR A “VACA DAS CORDAS” A PATRIMÓNIO CULTURAL IMATERIAL DA HUMANIDADE?

Vaca das Cordas

CARLOS GOMES

in jornal "NOVO PANORAMA" nº. 58, de 15 de Dezembro de 2011

É de origem bem remota a tradição da Vaca das Cordas tal como ela é realizada em Ponte de Lima, devendo mesmo constituir uma das tradições mais primitivas do povo português.

Todos os anos, na véspera do Corpo de Deus, os limianos mantêm o peculiar costume de correr pela vila uma vaca preta, presa e conduzida pelos ministros da função que assim procedem com o auxílio de três longas cordas. Ao começo da tarde, o animal é preso ao gradeamento da igreja Matriz, aí permanecendo exposta à mercê do povo que outrora, num hábito que com o decorrer do tempo se foi perdendo, por entre aguilhoadas e gritaria procurava embravecer o animal a fim de que ele pudesse proporcionar melhor espectáculo. Invariavelmente, às dezoito horas, lá aparecem os executantes da corrida que, após enlaçarem as cordas nos chifres da vaca, desprendem-na das grades e dão com ela três voltas em pesado trote em redor da igreja após o que a conduzem para a Praça de Camões e finalmente para o extenso areal junto ao rio Lima. E, por entre enorme correria e apupos do povo, alguns recebem a investida do animal aguilhoado e embravecido ou são enredados nas cordas, enquanto as janelas apinham-se de gente entusiasmada com o espectáculo a que assiste.

A respeito das suas origens, em meados do século dezanove, o historiador pontelimense Miguel dos Reys Lemos arriscou a seguinte opinião que publicou nos “Anais Municipais de Ponte de Lima” :

"Segundo a mitologia, Io, filha do Rei Inaco e de Ismene - por Formosa e meiga - veio a ser requestada por Júpiter. Juno, irmã e mulher deste apaixonado pai dos deuses, que lia no coração e pensamentos do sublime adúltero e velava de contínuo sobre tudo quanto ele meditava e fazia, resolvera perseguir e desfazer-se da comborça que lhe trazia a cabeça numa dobadoura.

Ele, para salvar da vigilância uxória a sua apaixonada, metamorfoseou-a em vaca: - mas Juno, sabendo-o, mandou do céu à terra um moscardo ou tavão, incumbido de aferroar incessantemente a infeliz Io, feita vaca e de forçá-la a não ter quietação e vaguear por toda a parte.

Io, assim perseguida e em tão desesperada situação, atravessou o Mediterrâneo e penetrou no Egito: aí, restituída por Júpiter à forma natural e primitiva, houve deste um filho, que se chamou Epafo e, seguidamente, o privilégio da imortalidade e Osiris por marido, que veio ter adoração sob o nome de Ápis.

Os egípcios levantaram altares a Io com o nome de Isis e sacrificavam-lhe um pato por intermédio de seus sacerdotes e sacerdotizas: e parece natural que, não desprezando o facto da metamorfose, exibissem nas solenidades da sua predilecta divindade, como seu símbolo, uma vaca aguilhoada e errante, corrida enfim.

Afigura-se-nos que sim e, portanto, que a corrida da vaca, a vaca das cordas, especialmente quanto à primeira parte, as três voltas à roda da Igreja Matriz, seria uma relíquia dos usos da religião egípcia, como o boi bento, na procissão de Corpus-Christi, é representativo do deus Osiris ou Ápis, da mesma religião. E esta foi introduzida com todos os seus símbolos na península hispânica pelos fenícios, aceite pelos romanos que a dominaram, seguida pelos suevos e tolerada pelos cristãos em alguns usos, para não irem de encontro, em absoluto, às enraizadas crenças e costumes populares.

É que essa Ísis, a vaca de Júpiter, a deusa da fecundidade, teve culto especial precisamente na região calaico-bracarense, na área de Entro Douro e Minho; no Convento Bracaraugustano, ou Relação Jurídica dos Bracaraugustanos (povos particulares de Braga), de que era uma pequeníssima dependência administrativo-judicial o distrito dos límicos, prova-o o cipo encravado na face externa dos fundos da vetusta e venerada Sé Arquiepiscopal, - cipo que a seguirtranscrevemos inteirado, conforme a interpretação que em parte, nos ensinou e em parte nos aceitou o eruditíssimo professor do Liceu, Dr. Pereira Caldas:

ISID · AVG · SACRVM LVCRETIAFIDASACERD · PERP · P ROM · ET · AVG

CONVENTVVSBRACARAVG · D ·

Interpretação:

ISIDI AUGUSTAE SACRUM; LUCRETIA FIDA SACERDOS PERPETUA POPULI ROMANI ET AUGUSTI, CONVENTUUS BRACARAUGUSTANORUM DICAT

Tradução:

"SENDO LUCRÉCIA FIDA SACERDOTISA PERPÉTUA DO POVO ROMANO E DE AUGUSTO, O CONVENTO DOS BRACARAUGUSTIANOS DEDICA A ISIS AUGUSTA (OU: À DEUSA ISIS) ESTE MONUMENTO SAGRADO"

Pela importância que a vaca possui para as comunidades rurais do Minho em geral pela sua participação nos trabalhos da lavoura e na alimentação doméstica, tirando partido da paisagem verdejante da região, é bem provável que a mesma tivésse outrora sido venerada como uma deusa da fecundidade e, em torno desse culto, tivéssem surgido os mais variados rituais posteriormente cristianizados como o Corpus Christi e as Festas do Divino Espírito Santo, anunciado a chegada das primeiras colheitas e, por consequência, uma época de prosperidade e abundãncia que aconselha a repartir.

A “Vaca das Cordas” reúne, todas as condições para que, caso a Câmara Municipal de Ponte de Lima elabore o respectivo pedido de inventariação junto do Instituto dos Museus e da Conservação (IMC), venha a ser registada no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial. De salientar que, nos termos da legislação portuguesa, o registo de uma manifestação cultural no Inventário Nacional constitui condição indispensável para a sua candidatura a Património Cultural Imaterial da Humanidade. A sua candidatura deveria constituir um objectivo a congregar todos os esforços dos limianos pela valorização do seu património cultural e da sua própria identidade!

Primeira55-2

Rua Agostinho José Taveira * 4990-072 Ponte de Lima * novopanorama@sapo.pt

OS GALEGOS SÃO NOSSOS IRMÃOS!

Publicou o jornal “Notícias Ilustrado”, na sua edição de 10 de Março de 1929, uma interessante reportagem acerca da comunidade galega radicada em Portugal, dando a conhecer importantes personalidades que se salientaram nos mais variados domínios, desde as artes à indústria, realçando o seu carácter trabalhador e honesto e lembrando ao mesmo tempo as afinidades que ligam os portugueses às gentes da Galiza. É precisamente essa reportagem que aqui parcialmente reproduzimos.

A tradição galaica em Portugal é das mais curiosas, das mais características. Dessa região admirável que um poeta supremo da Espanha cantou enternecidamente, Curros Henriquez, no seu livro máximo “Aires de mi tierra” desse torrão abençoado, que é Portugal na cor quente da sua paisagem, na suavidade acalentadora do céu clima, dessa terra de monumentos antigos e de troveiros campezinos, teem vindo pacientemente, hora a hora, ano por ano, século, por século gerações de gente de trabalho, famílias inteiras à terra portuguesa, onde um nobilitante trabalho lhe dá quasi fóros de naturais. O árduo labor das suas profissões grangeiou à população galega que vive entre nós, uma simpatia fraterna, um convívio demorado, uma cativante estima que apaixonou as duas raças como se verdadeiros irmãos fossem, como se as norteiasse um mesmo ideal de trabalho, a mesma religião de atividade e de esforço.

Prepara-se Portugal para celebrar a semana galaica, sete dias de consagração dos nossos seculares vizinhos.gos

 “O Notícias Ilustrado” dá com este numero a sua comovida colaboração nessa homenagem à colonia galaica que em Portugal tem tão numerosa representação. Irmãos na raça, na actividade, galegos e portugueses irmanam-se na sua intimidade sã e cordeal. E é tão grande essa tradição de amisade que, já em tempos do rei D. João I, um fidalgo da Galiza D. Pedro Alvarez de Souto Maior, que foi Conde de Caminha e Visconde de Tuy, seguiu as hostes de Portugal, onde casou com uma senhora dos Tavoras de Mogadouro, de que há ainda hoje larga descendência, na nobreza lusitana.

Hoje, a colónia galaica, é das mais importantes do nosso paiz. Não só trabalhadores humildes e infatigáveis, trocaram os campos verdes e paisagens fartas pela labuta nos nossos centros; homens de valor, da industria e da sciencia teem em Portugal construído os seus lares. É das mais laboriosas colónias – a da Galiza irmã – esta que tem em Portugal no coração – irmãos; e na alma amigos sinceros e complementos espirituaes – temos entre nós poetas e artistas galegos – que nos acarinham a alma com as suas obras que tanto se casam com o nosso sentimento e com a nossa ternura de meridionais.

Eles são, na nossa terra de sonhadores, de idealistas, como que um pedaço da Espanha cavalheiresca, cheia de tradição, alfobre de lendas deliciosas, ninho de afirmações, onde o Sol tem o brilho que tem no nosso Portugal e onde a paisagem tanto se identifica com a nossa.

(clichés de Batista e Ferreira da Cunha)

“….não se deve esquecer que entre a gente de alem Douro, entre minhotos e galegos, apenas existem características diferentes”

- Alejo Carrera

O MINHO NA INTERNET: PAREDES DE COURA - TERRITÓRIO COM ALMA!

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“Paredes de Coura – Território com Alma” é um blogue de informação courense que se publica desde 2007. Para além dos artigos de indiscutível interesse cultural, este blogue procura acompanhar tudo quanto acontece no Concelho de Paredes de Coura e ainda relacionado com os courenses ausentes da sua terra, apoiando nomeadamente as actividades da sua associação regionalista – a Casa Courense em Lisboa.

O blogue “Paredes de Coura – Território com Alma” encontra-se no endereço http://paredesdecoura.blogs.sapo.pt/ e constitui um elo de ligação entre Paredes de Coura e os courenses espalhados pelo país, além de tratar-se de uma voz que acompanha toda a vida social courense.