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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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GUIMARÃES: O PATRIMÓNIO SOMOS NÓS!

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Centenas de viamaranenses afluíram ontem, ao final da tarde, ao Largo do Toural e à Alameda de São Dâmaso, para se associarem à cerimónia de reabertura ao público daqueles espaços da cidade de Guimarães que estiveram sujeitos a obras de requalificação.

A reabertura daqueles locais registou-se precisamente no dia em que Guimarães comemora o 10º aniversário da classificação do seu centro histórico como Património Cultural da Humanidade reconhecido pela UNESCO.

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Fotos: Câmara Municipal de Guimarães

CÂMARA DOS DEPUTADOS DA PRIMEIRA REPÚBLICA HOMENAGEOU O COURENSE NARCISO ALVES DA CUNHA

O ilustre courense que foi Narciso Alves da Cunha faleceu no dia 15 de Janeiro de 1913. Aproxima-se, pois, a data do centenário do seu falecimento que, por certo, os seus conterrâneos não deixarão de assinalar na altura própria.

No dia seguinte à sua morte, todos os parlamentares e grupos políticos representados na Câmara dos Deputados associaram-se às manifestações de pesar que então se verificaram, prestando-lhe a devida homenagem. Registamos as intervenções feitas na sessão realizada nesse dia, sob a presidência de José Augusto Simas Machado.

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O Sr. Presidente: - Cumpro o doloroso dever de participar á Câmara a morte do

Sr. Senador Narciso Alves da Cunha que fez parte da Assembleia Constituinte, donde foi eleito para o Senado.

Narciso Alves da Cunha foi um digno funcionário público e um homem que prestou relevantes serviços ao seu país (Apoiados). Distinguiu-se, sempre pelas suas altas qualidades de carácter, e quer como membro da Assembleia Nacional Constituinte quer como membro do Senado, prestou á República valiosos serviços. (Apoiados). E creio interpretar o sentir da Câmara propondo que na acta seja exarado um voto de profundo sentimento pela morte do ilustre homem público, -que, à semelhança do que, em ocasiões idênticas se tem feito, se levante a sessão por cinco minutos (Apoiados).

O Sr. Casimiro de Sá: - Sr. Presidente: em meu nome pessoal e, também, por indevida honra, em nome do Partido Evolucionista a que pertenço, associo-me, comovidamente, à triste comemoração que agora fazemos.

O Sr. Narciso Alves da Cunha era da minha terra; vivi nas suas relações pessoais durante largos anos. Afirmou-se, sempre, um homem de inteligência, um homem de cultura e um homem de estudo (Apoiados). Foi, principalmente, um grande amigo da sua terra; e para a história local, deixou em um livro, que é uma página de amor à terra onde nasceu, subsídios importantes para a história do meu concelho: Paredes de Coura.

Assim, eu, lamentando a morte prematura e inesperada do meu ilustre conterrâneo, do homem com cujas relações pessoais longos anos me honrei, do homem que soube amar e honrar, também, a sua e minha terra, eu, neste momento, em meu nome e igualmente em nome do Partido Evolucionista, associo-me, repito, comovidamente, com verdadeira sinceridade ao voto de pesar proposto pelo lamentável acontecimento. (Apoiados).

S. Exa. não reviu.

O Sr. Barbosa de Magalhães: - Sr. Presidente: o Parlamento da República acaba de sofrer uma grande perda, porque o Sr. Narciso Alves da Cunha, cujo falecimento todos nós deploramos, era uma dessas figuras que se impunham ao respeito e à consideração de todos, pelas suas qualidades de carácter, pela sua inteligência e pela afabilidade do seu trato (Apoiados).

Em cada um dos seus colegas tinha um verdadeiro amigo (Apoiados), que o considerava e estimava (Apoiados).

Sendo um sacerdote ilustre, e não obstante poder incorrer nas iras de Roma, nas iras dos reaccionários, daqueles que não viam bem a República, êle soube integrar-se nela e soube, desde o primeiro momento, prestar-lhe os valiosos serviços que, pela sua inteligência e pela muita consideração de que gozava, não só na sua terra, no seu concelho, mas em todo o distrito, lhe podia prestar. Prestou, efectivamente, grandes e alevantados serviços ao seu país, á República e ao Partido Democrático, a quem, desde logo, deu a sua mais calorosa adesão. (Apoiados).

Não e só em meu nome, mas em nome do Grupo Parlamentar Democrático, por quem tenho a honra de falar, e bem assim por todo o Partido Democrático, que eu, sincera e comovidamente, me associo à proposta de V. Exa., declarando que, realmente, a morte do digno Senador foi uma perda grande para o Parlamento da República, porque Narciso Alves da Cunha a todos se impunha pelas suas grandes qualidades (Apoiados).

Vozes: - Muito bem, muito bem.

S. Exa. não reviu.

O Sr. Brito Camacho: - Pedi a palavra para declarar, em nome dos Deputados da União Republicana, que nos associamos a todas as homenagens prestadas â memória do ilustre Senador, cujo falecimento todos pranteiam.

S. Exa. não reviu.

O Sr. Amorim de Carvalho: - Encarregado pelos Deputados independentes desta Câmara, tenho a declarar a V. Exa., Sr. Presidente, que nos associamos á homenagem prestada à memória do Senador Sr. Narciso Alves da Cunha.

Devo acrescentar que foi ele um grande trabalhador, que prestou serviços à causa da República.

É sempre, para nós, lamentável ver desaparecer trabalhadores como ele foi.

É por isso que os Deputados independentes tomam parte na homenagem prestada à memória do ilustre extinto.

S. Exa. não reviu.

O Sr. Ministro do Interior (Rodrigo Rodrigues): - Pedi a palavra para declarar a V. Exa., Sr. Presidente, e à Câmara, que o Governo se associa ao voto de condolências pelo falecimento do Sr. Senador Narciso Alves da Cunha.

A sua individualidade escusa de mais palavras de exaltação. Bastou a sua presença, dentro do Congresso, para afirmar, não só o seu alto espírito de civismo e o espírito de cordura e boa orientação que às leis da República tem presidido, mas, também, que ele foi um bom sacerdote e um bom cidadão republicano.

S. Exa. não reviu.

O Sr. Presidente: - Em vista das manifestações prestadas pelos ilustres Deputados que usaram da palavra, considero aprovada a minha proposta e suspendo a sessão por cinco minutos.

Eram 15 horas e 20 minutos.