Sob o título “Solar e Paço de Calheiros”, a revista “Ilustração Portuguesa”, de 26 de Agosto de 1918, destacou, numa das suas páginas, aquela importante casa no Concelho de Ponte de Lima, fazendo uma descrição do local e a apresentação do seu proprietário, o Conde de Calheiros, sr. Francisco Lopes de Calheiros, a qual a seguir se transcreve.
“Ao fim de uma bela estrada de dois quilómetros e que entronca, a légua e meia de Ponte de Lima, com a estrada que vai de Viana do Castelo aos Arcos de Val-de-Vez, uma das mais interessantes casas nobres do Minho e que, quando se fizer a historia das residências solarengas em Portugal, decerto fornecerá assunto para um dos seus capítulos. A estrada que conduz ao paço de Calheiros é já um encanto pelo seu traçado e pela sua opulenta e florida vegetação que forma como que um túnel de deleitosa sombra em que o ar se impregna de inebriantes perfumes…
O palácio, a que dão acesso dois largos lanços de escada, é elegante e majestoso. O lanço da direita leva a uma ampla varanda de colunatas, em parte envidraçada e armada em estufa. A fachada da capela impõe-se ao mais exigente gosto arquitectónico e interiormente admira-se uma soberba obra de talha. As salas e aposentos da casa de Calheiros estão à altura das tradições da família ilustre a que pertence o seu proprietário, o sr. Francisco Lopes de Calheiros e Menezes, conde de Calheiros, que costuma receber com a bizarria que distinguiu os seus maiores. Não só os seus eguaes como os pobres e os humildes conhecem a delicadeza e a longaminidade do seu generoso coração.
O paço de Calheiros reserva ainda a todos os seus visitantes um verdadeiro deslumbramento: o magnífico panorama sobre que se abrem as suas janelas de onde se descortina um horisonte extensíssimo e variado… Como nota final, recordaremos que no brazão dos Calheiros, que data de 1459, figuram cinco vieiras e três estrelas em facha. No portão, reconstruído em 1889, vê-se á esquerda esse brazão e sobrepostas as seguintes palavras em caracteres góticos: “Desta antiga e nobre casa procedem os Calheiros, fidalgos do solar”.
Um trecho da escadaria de acesso ao Paço de Calheiros
Altar da Capela do Paço de Calheiros
Francisco Lopes de Calheiros, Conde de Calheiros
Página da revista “Ilustração Portuguesa” que destaca o Paço de Calheiros
A Progestur em parceria com o Museu de Arte Popular (MAP) e com o apoio da Associação de Artesãos da Serra da Estrela desenvolveu a MOART - Mostra de Artesanato e Produtos Regionais, que se irá apresentar ao público no MAP nos dias 8, 9, 10, 11, 17 e 18 de Dezembro.
Pretende-se com esta iniciativa criar uma oportunidade de trazer até Lisboa e juntar num espaço de excelência como é o MAP, o melhor do artesanato português, os nossos produtos regionais mais relevantes e uma dinâmica de animação diária, com actuações de grupos etnográficos, música tradicional, exposições, ateliês, provas de produtos DOP, magustos, entre muitas outras acções.
Na MOART, daremos visibilidade tanto ao melhor do nosso artesanato tradicional como ao New Craft, apresentando em simultâneo as novas tendências da fusão entre artesanato e design e as peças dos grandes mestres da cerâmica, olaria e de muitas outras artes e ofícios.
A programação será dinâmica e diversificada. Venha aprender como se faz uma peça de cerâmica e desfrute de um bom vinho acompanhado por uma fatia de pão alentejano com queijo da serra da estrela. Serão ainda todos os dias sorteados vouchers cujos prémios vão desde a um fim-de-semana na Quinta Nova N.S do Carmo a muitas outras surpresas que estamos a preparar.
É nossa intenção tornar a MOART um evento desejado no calendário da programação de actividades culturais nacionais, contando para isso com a vossa colaboração que será certamente imprescindível ao êxito desta iniciativa.
Este evento é organizado sob a óptica da sustentabilidade das entidades presentes assim como pelo dever, que é de todos, de Responsabilidade Nacional de promoção e valorização do produto português!
Com entrada livre, de 8 a 11 e 17 e 18 de Dezembro, das 10h às 18h excepto Sábados que encerra às 21h, motivos não irão faltar para conhecer e descobrir, viver e saborear Portugal, tudo num só espaço em Lisboa!
Entre 1843 e 1849, funcionou em Viana do Castelo uma primeira loja maçónica cuja designação com segurança se desconhece, mas que se presume poderá ter sido “fraternidade” em virtude de, anos mais tarde, ali ter existido uma com tal denominação. Esta loja integrava então o Grande Oriente Passos Manuel, também conhecido por “Maçonaria do Norte”, o qual constituía uma das quatro obediências existentes à altura. Desta derivou, em 1903, a constituição de um triângulo em Ponte de Lima, o qual viria curiosamente a extinguir-se em 1910, por ocasião da implantação da I República. Tratava-se do Triângulo nº. 28, e que deverá ter agrupado entre três a seis obreiros.
O general Norton de Mattos, Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano Unido, com as insígnias maçónicas.
(…) Em 1926, por ocasião da instauração da ditadura militar que viria a abrir caminho à criação do Estado Novo, a Loja “Fraternidade” dispunha de 75 membros, a Loja “Vedeta do Norte” dispunha de 12 membros e os triângulos de Afife e de Arcos de Valdevez de 6 membros cada. O Grande Oriente Lusitano possuía então 3325 membros do rito escocês distribuídos por 9 consistórios, 24 aerópagos, 44 capítulos, 73 lojas e 14 triângulos. Título de curiosidade, Rodrigo Luciano de Abreu Lima, um dos membros da Loja “Fraternidade” e até então acérrimo republicano, viria a ser o primeiro presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo saído da revolução Nacional de 28 de Maio de 1926.
Uma relação existente no Grande Oriente Lusitano e que amavelmente nos foi cedida pelo ilustre historiador Prof. Doutor A. H. Oliveira Marques, a qual reporta ao ano de 1933, revela que a Loja “Fraternidade” contava então com mais de meia centena de filiados, alguns dos quais conhecidas e prestigiadas figuras do meio ponte-limense, tendo-se a referida Loja mantido em funções pelo menos até ao derrube do Estado Novo, em 1974. Através da referida lista, ficamos a saber que Rodrigo Luciano de Abreu e Lima pertenceu à Loja “Fraternidade”, ocupando o cargo de Orador, com o grau 33 correspondendo a Soberano Grande Inspector-geral e adoptando o nome simbólico Dantec, ou ainda Severino Costa que, no grau 2 correspondente ao de Companheiro, usou o nome Frederico Nietzsche. (...)
Carlos Gomes in A Maçonaria em Ponte de Lima. O Anunciador das Feiras Novas, nº XXIV, Ponte de Lima, 2007
A imagem regista um trecho da paisagem bucólica do rio Lima junto a Ponte da Barca, terra de Diogo Bernardes e Frei Agostinho da Cruz. A foto encontra-se publicada no livro “Portugal Romântico”, de Frederic P. Marjay, editado pelo autor em 1955.
O aparecimento do postal ilustrado encontra-se associado ao turismo moderno que teve o seu advento sobretudo a partir dos começos do século XX. A Revolução Industrial operada no século XIX permitiu uma evolução notável das vias de comunicação, nomeadamente nos meios de transporte ferroviário e fluvial. Com elas veio também a instalação de grandes hotéis, casinos e outras formas de entretimento para os viajantes, muitos deles estrategicamente situados no centro das capitais ou junto às estações de comboio.
A partir de então, os países e os continentes tornaram-se mais próximos, encurtando substancialmente o tempo demorado em viagens. Entretanto, surgiu o automóvel e, com ele, a possibilidade de deslocar-se mais facilmente e conhecer novas paisagens.
Beneficiando do progresso então verificado que veio introduzir novos hábitos na sociedade, as pessoas começaram a viajar, partindo à descoberta de novas terras e novas gentes, procurando por esse meio também enriquecer os seus conhecimentos em contacto com novas realidades. À semelhança do que antes se verificava com as estadias nas termas, viajar passou também a constituir uma forma de afirmação do estatuto social das classes mais abastadas.
Mas a industrialização não se reflectiu apenas no desenvolvimento dos transportes e vias de comunicação. Também as artes gráficas registaram um progresso notável com o desenvolvimento da zincogravura e, mais tarde, o aparecimento da impressão em offset. Este avanço dos processos de impressão possibilitou um incremento e uma melhoria na qualidade da imprensa que se reflectiu na produção de uma maior quantidade de jornais, no aparecimento das revistas ilustradas, publicações para viajantes e, como não podia deixar de suceder, na invenção do postal ilustrado.
Ao visitar um determinado local, o viajante tem a possibilidade de enviar à família ou aos amigos uma recordação do local por onde passou, realçando os aspectos locais que mais lhe apraz visitar e, simultaneamente, fazer-se notar na sociedade. Em consequência, o postal ilustrado tornou-se um excelente meio de promoção turística.
O postal ilustrado nunca pretendeu constituir-se como um registo histórico de um acontecimento ou sequer da imagem num determinado espaço temporal. De resto, os seus editores nunca adquiriram o hábito de inserirem a data de edição, até porque, destinando-se a serem vendidos, os mesmos por vezes permaneciam nos expositores por largos períodos de tempo até se esgotarem as edições. Porém, com o decorrer do tempo, as imagens que o postal reproduz vieram de certa forma a tornar-se um documento histórico na medida em que acabaram por registar uma realidade que existia ao momento em que as imagens foram captadas para serem reproduzidas no postal.
Não obstante o registo constante do postal ilustrado poder documentar um determinado momento histórico, ele não é inteiramente fiável porquanto o mesmo registo é propositadamente alterado pelo editor segundo critérios estritamente comerciais. Épocas houve que as cores quentes eram acentuadas e introduzidos elementos não constantes como nuvens e flores para preencher os espaços vazios e conferir um colorido mais atraente, da mesma forma que actualmente se procede a autênticas operações de limpeza com o recurso a programas informáticos de tratamento de imagem.
Não dispondo o postal ilustrado de data de edição, apenas é possível calculá-la aproximadamente através da imagem que reproduz ou ainda das técnicas utilizadas e dos grafismos empregues, como sucede com a utilização da fotografia, a impressão a preto, as diferenças de formatos e de tonalidade das cores, a serrilha e outros elementos estéticos aplicados na sua produção. Todos esses aspectos encontram-se directamente relacionados com a evolução dos meios de produção gráfica e ainda dos gostos gráficos e modas utilizadas em cada época.
in jornal "NOVO PANORAMA" nº. 56, de 17 de Novembro de 2011
O incremento do sector do turismo tem sido uma das apostas dos concelhos do Vale do Lima também para compensar a perda de algumas empresas importantes na região e o consequente aumento do desemprego. Com uma paisagem deslumbrante e uma gastronomia rica e variada, festividades tradicionais e uma diversificada oferta cultural e de lazer, o Vale do Lima constitui um destino privilegiado para muitos visitantes nacionais e estrangeiros e um pólo de atracção turística por excelência.
Desde tempos remotos, os concelhos de Ponte de Lima e Viana do Castelo ligaram-se por via fluvial – durante muitos séculos, o rio Lima foi a principal via de comunicação entre os dois concelhos. Com o advento da era industrial e o aparecimento de novas vias de comunicação, a ligação passou a estabelecer-se por estrada com a utilização da velha diligência e, mais tarde, a chamada auto-viação mecanizada. Porém, desde a segunda metade do século XIX, também se tentou ligar Viana do Castelo ao Lindoso através de Ponte de Lima por meio de via-férrea. As obras chegaram a iniciar-se e foram inclusivamente construídas algumas estruturas, algumas das quais ainda se podem ver ao longo do percurso traçado, mormente em Bertiandes e Arcozelo.
A discussão em torno do traçado da linha férrea do Vale do Lima, levantando-se a questão a saber se a mesma deveria seguir pela margem direita do Rio Lima até Ponte de Lima ou, em alternativa, atravessar para a outra margem em Lanheses, evitando desse modo o comboio passar diante do Paço de Bertiandes com os naturais inconvenientes que isso iria representar, acabou por ditar o abandono definitivo do projecto.
Nos tempos que correm, o projecto da linha férrea do Vale do Lima poderia ser recuperado com as maiores vantagens para a região, adaptado naturalmente a metro de superfície com interesse turístico e facilitando a mobilidade das populações. Sem o impacto ambiental em termos de poluição sonora e atmosférica como sucedia com as antigas composições ferroviárias, o metro de superfície no Vale do Lima permitia aliviar consideravelmente o tráfego da Estrada Nacional 202 facilitando a deslocação de pessoas na margem direita do Rio Lima, entre Viana do Castelo e Ponte de Lima, ao mesmo tempo que se tornaria um meio de atracção turística semelhante à linha de eléctricos que liga Sintra à Praia das Maçãs, nos arredores de Lisboa.
A recuperação do traçado da linha férrea do Vale do Lima, entre Viana do Castelo e Ponte de Lima, deveria ser ainda encarada numa perspectiva de desenvolvimento regional, contemplando a recuperação dos antigos ancoradouros do rio para apoio ao turismo, a actividades desportivas e de lazer, a recuperação das antigas salinas da foz do Rio Lima e uma maior divulgação das “Azenhas de D. Prior”, o único moinho de maré actualmente existente na nossa região. Entre Viana do Castelo e Ponte de Lima existe também diverso património que necessita de ser reabilitado e numerosas localidades que beneficiariam da implementação de uma política de desenvolvimento integrado. Encontram-se, entre tais localidades, Vitorino das Donas com o seu Paço e S. Pedro com as magníficas lagoas ali existentes, para apenas citar estas a título de exemplo.
Finalmente, a implementação do metro de superfície na margem direita do Rio Lima poderia constituir um meio de solucionar parcialmente o problema do estacionamento automóvel em Ponte de Lima, permitindo a utilização de outro meio de transporte mais ecológico e amigo do ambiente e, simultaneamente, criar um estacionamento adequado em Arcozelo e, desse modo, reduzindo o impacto negativo do estacionamento automóvel no areal, situação para a qual a autarquia parece não ter ainda encontrado solução.
UM POUCO DE HISTÓRIA
A primeira concessão para o estabelecimento de uma linha férrea no Vale do Lima data de 18 de Junho de 1874 e foi feita a Alberto Meister. Porém, como o projecto não foi apresentado ao governo dentro do prazo de um ano como constava do respectivo decreto de concessão, o mesmo veio a ficar sem efeito. D. Luís I era então o monarca reinante e António Cardoso Avelino o seu Ministro e Secretário de Estado dos Negócios das Obras Públicas, Comércio e Indústria.
No ano seguinte, de acordo com o Decreto de 27 de Julho, foi feita a concessão a Damião António Pereira Pinto para “construir e explorar um caminho de ferro de via reduzida, servido por locomotivas e assente em leito próprio, para transporte de passageiros e mercadorias entre Vianna do Castello e a villa da Barca”. Também este viria a ficar sem efeito e o projecto uma vez mais adiado. Entretanto, em 20 de Maio desse ano, o comboio já circulava entre o Porto e Braga, inaugurando-se assim este meio de transporte a norte do rio Douro. Apenas em 1877 são ligadas as duas margens do rio Douro através da via-férrea.
O vale do Lima vai continuar a ser exclusivamente servida por via fluvial e também por via terrestre, com a carreira da diligência entre Viana do Castelo e Ponte de Lima, cujas viagens atribuladas nos são descritas por Ramalho Ortigão n’ AsFarpas. De novo, em 1897, o projectovolta à liça quando o jornal “O Libertador de Coura”, na sua edição de 11 de Abril, anuncia que “…vai ser feita a concessão de um caminho de ferro que deve ligar Viana com Ponte de Lima, Arcos e Barca, seguindo, mais tarde, até à fronteira, nas proximidades de Lindoso. Essa via férrea terá estações na Meadela, Santa Marta, Serreleis, Lanheses, Bertiandos, Ponte de Lima, proximidades do Carregadouro e outros pontos”. Referia-se aquele jornal à concessão que veio a ser feita em 7 de Julho de 1898 aAlberto da Cunha Leão e a António Júlio Pereira Cabral. Esta concessão apresentava como principal novidade a sua exploração ser feita “por meio de tracção eléctrica” o que, a concretizar-se, representaria um extraordinário avanço para a época.
Em 1898, o Ministério da Obras Publicas, Commercio e Industria publica o “Plano da Rede Ferro-Viaria ao Norte do Mondego” o qual teve por base um inquérito então efectuado aos municípios com vista a elaborar um plano de acessibilidades assente não apenas em aspectos económicos e de desenvolvimento social como ainda geográficos e estratégicos de defesa, pois prevenia que “uma irrupção de tropas hespanholas pela fronteira do rio Minho ou desde ahi até Montalegre póde ser efficazmente debellada com o auxilio d’esta linha, que não deixará ultrapassar o Lima. A invasão por aquelle lado da Galliza, situado entre o Minho e alturas de Montalegre, só se póde fazer por Lindoso e pela margem esquerda do Lima”.
Em 1903 é aberto concurso para a “construcção e exploração das linhas férreas de Vianna a Ponte da Barca, de Braga a Monção, e de Braga a Guimarães”, de acordo com o qual o seu traçado deveria partir “da estação de Vianna do Castello, siga margem direita do Lima até as proximidades de Lanhezes, e, atravessando ahi o rio, vá por Ponte de Lima a Ponte da Barca, ligando-se ahi com a linha antecedente”. Tratava-se de uma linha de bitola estreita para servir composições com carruagens de duas classes, devendo as obras ficarem concluídas num prazo máximo de três anos. Foram assentes carris, adquiridas locomotivas e construídos viadutos. Porém, mais uma vez, a obra não avançou devido à insistência de alguns em fazê-lo avançar pela margem direita do rio Lima até ao Carregadouro, o que implicaria a sua passagem mesmo em frente ao Paço de Bertiandos.
De novo, em 1929 a sua construção volta a ser questionada, desta vez por iniciativa da Direcção Geral dos Caminhos de Ferro, organismo do Ministério do Comércio e Comunicações, o qual submete à apreciação dos municípios o “Plano Geral da Rede Ferroviária do Continente”. De forma algo insistente, também este plano previa a construção da linha pela margem direita do rio Lima e o seu atravessamento no sítio do Carregadouro. Como se referia naquele documento, “Ocioso é relembrar que o traçado deve seguir a margem direita do Lima, desde Viana até ao Carregadouro, onde o rio estreita e deixa de ser navegável, transpondo-o em ponte pouco extensa e de fácil construção, que deve servir também para a viação ordinária”.
O projecto acabaria por ser definitivamente abandonado e alguns terrenos que, por estarem destinados à via-férrea pertenciam já ao domínio público, foram sendo apropriados por moradores para serventias particulares e outras utilizações. Nalguns casos, a sua disputa chegou inclusive à barra dos tribunais, como sucedeu com a posse de um carreiro no lugar da Barrosa, em Santa Marta de Portuzelo.
Em pleno século XXI, quando os meios de transporte mais económicos e menos poluentes constituem uma aposta, o turismo se assume cada vez mais como a área económica do futuro e o principal objectivo do desenvolvimento económico reside na melhoria da qualidade de vida das populações, a linha férrea do vale do Lima pode ser repensada em moldes actuais, respeitando a paisagem e o património arquitectónico, mas tirando dele o melhor partido em proveito da região e das suas gentes. A recuperação deste projecto poderia constituir um elemento aglutinador de vontades e a sua defesa ser interpretada por aqueles que as populações do vale do Lima vão eleger nos próximos actos eleitorais.
Bibliografia:
- GOMES, Carlos. A Linha-Férrea do Vale do Lima. Anunciador das Feiras Novas. XXIV. Ponte de Lima. 2007
O BLOGUE DO MINHO inicia hoje uma série de artigos que visam dar a conhecer a presença do Minho na Internet, nomeadamente através de blogues e sites que promovem os valores e as potencialidades da nossa região. A sua publicação não terá qualquer regularidade e privilegiará, naturalmente, aqueles que de forma recíproca contribuem para a divulgação deste espaço.
“Arquitectura e Ponte de Lima” é um blogue do arquitecto limiano André Rocha que, desde 2008, vem destacando situações e aspectos relacionados sobretudo com a arquitectura e o enquadramento paisagístico de Ponte de Lima. Este site encontra-se no endereço http://arquitecturaepontedelima.blogspot.com/.
D. Telo, aliás São Teotónio, foi canonizado em 1163, um ano após a sua morte, pelo Papa Alexandre IV, tornando-se desse modo o primeiro português a subir aos altares. Nasceu em Ganfei, no Concelho de Valença, em 1082 e faleceu em Coimbra em 18 de Fevereiro de 1162. No próximo ano, assinalam-se 930 anos sobre a data do seu nascimento e 850 anos do seu falecimento.
Foto:Wikipédia
Em 1112, S. Teotónio tornou-se Prior da Catedral e Administrador Apostólico da Sé de Viseu. Por essa razão, a Diocese de Viseu iniciou já os preparativos para as celebrações jubilares de São Teotónio a terem lugar durante o próximo ano, tendo já celebrado um acordo de colaboração com o Museu Grão Vasco para celebrar os 900 anos da sua ida para Viseu.
O valenciano S. Teotónio foi ainda um dos fundadores do Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, local onde se encontra sepultado, perto do local onde repousam os restos mortais de D. Afonso Henriques de quem foi aliado em vida, tendo contribuído para a afirmação da independência de Portugal face ao rei de Leão.
Decerto, Valença que foi sua terra natal e da qual é o seu padroeiro, não esquecerá aquele que foi um dos seus filhos mais distintos e saberá assinalar condignamente as efemérides do nascimento e falecimento de S. Teotónio.
“Novos Contos de Natal” é um livro colectivo que reúne quinze contos de natal inéditos, contando com a participação de treze escritores, entre os quais Ricardina Silva, a artista natural de Esposende que também colabora na ilustração da obra.
O livro “Novos Contos de Natal” tem a chancela de Edições Vieira da Silva e o seu lançamento vai ter lugar no próximo dia 3 de Dezembro, pelas 15 horas, na Quinta Pedagógica dos Olivais, sita na rua Cidade de Lobito, em Lisboa.
No final, todos os autores que participam nesta obra vão ser convidados a proferirem algumas palavras e a ler um dos seus contos para os mais pequenos que vão estar presentes. Com esta iniciativa, pretende-se proporcionar às crianças alguns momentos de sonho numa quadra festiva repleta de magia. Os direitos de autor serão cedidos à “Acreditar”, uma instituição de solidariedade social constituída por pais e amigos de crianças vítimas de cancro.
Este evento, denominado “Hora do Conto”, insere-se na programação da Quinta Pedagógica dos Olivais.
D. Afonso Henriques, o minhoto que foi o fundador do Reino de Portugal, nasceu em Guimarães há novecentos anos. Por tradição, a data de seu nascimento é celebrada a 25 de Julho.
Coma vitória da Batalha de Ourique em 1139, D. Afonso Henriques proclamou-se Rei de Portugal, vindo a sua autoridade a ser reconhecida em 1143 através do Tratado de Zamora. A ele se deve o facto de sermos portugueses, conquista mantida com enormes sacrifícios ao longo de muitos séculos e sucessivas gerações e, não raras as vezes, colocada em risco em determinados momentos históricos particularmente adversos que os nossos antepassados sempre souberam superar.
Nove séculos após a data do seu nascimento, a efeméride parece ter passado despercebida às entidades oficiais, sinal evidente de que, mais do que uma crise económica e financeira, Portugal vive uma profunda crise de identidade que ameaça a sua própria soberania nacional!
A gravura mostra um exemplar do “Plano hydrographico da barra e porto do rio Lima e costa adjacente”, editado à escala 1:5000 noano de 1865, da Direcção Geral dos Trabalhos Geodésicos. Este documento cartográfico foi produzido com base com levantamento hidrográfico realizado por Carlos de Vasconcellos e Noronha, sob a direcção do Engº Filipe Folque e encontra-se na Biblioteca Nacional de Portugal.
A propósito deste tema, recomenda-se a leitura do artigo “Cartas Hidrográficas do Rio Lima”, de Carlos Gomes, publicado na revista “O Anunciador das Feiras Novas”, nº 27, de 2010. Trata-se de uma “publicação anual de informação, cultura, turismo e artes limianas”, editada pela Associação Empresarial de Ponte de Lima.
O “Cancioneiro de Músicas Populares” constitui uma obra rara e de elevado interesse sobretudo para os estudiosos da nossa etnografia. Publicada em três volumes, compilando uma colecção de fascículos editados entre os anos 1893 e 1899 e impressos na Typografia Occidental, da cidade do Porto, contém “letra e musica de canções, serenatas, chulas, danças, descantes, cantigas dos campos e das ruas, fados, romances, hymnos nacionaes, cantos patrioticos, canticos religiosos de origem popular, canticos liturgicos popularisados, canções políticas, cantilenas, cantos maritimos, etc. e cançonetas estrangeiras vulgarizadas em Portugal”, recolhida por César A. Das Neves, coordenada a parte poética por Gualdino de Campos e prefaciada pelo Dr. Teophilo Braga.
Uma Tyrana recolhida em Ponte de Lima constitui uma das preciosidades do “Cancioneiro de Músicas Populares”. Esta obra pode ser consultada na Biblioteca Nacional de Portugal.
A gravura reproduz o comunicado do Partido Regenerador contra Balthazar Aprigio, Administrador do Concelho de Braga, pelas suas interferências no processo eleitoral ali realizado em 1897.
O Grupo Anaquiños da Terra é um agrupamento folclórico constituído no seio da Xuventude de Galiza e que visa recrear e divulgar os usos e costumes das gentes galegas na região de Lisboa.
Como o próprio Grupo refere no seu site oficial, “Os “Anaquiños da Terra” acaban por ser o principal vehículo de expresión da tradición galega. O seu nome é indicativo dese papel: significa: “pedaciños da nosa terra”.
A descrição do seu folclore é feita pelo próprio Grupo Anaquiños da Terra: “Os cantares son esencialmente femininos, os instrumentos, entre os cuais destacan as pandeiretas, as cunchas, como as utilizadas polos peregrinos a Santiago de Compostela, as piñas, o tambor, o bombo, o pandeiro, a zanfona (instrumento de cordas medieval) e a gaita, entre outros.
Na danza tradicional galega, onde destaca especialmente a muiñeira, a xota e a pandeirada, características dos bailes tradicionais, tamén existen danzas asociadas a eventos específicos, como son: a danza de maio, a danza dos paos ou a danza da regueifa, típica de bodas. Existe tamén outro tipo de danza máis recente produto de interaccións con outras tradicións, normalmente traídas por emigrantes galegos, como son: a polca, o valse galego ou a mazurca.
Os traxes dos “Anaquiños da Terra” son típicos de Galicia, de varias rexións e con diversas aplicacións”.
A Xuventude de Galiza – Centro Galego de Lisboa foi fundada em 10 de Novembro de 1908, precisamente num período marcante do associativismo popular caracterizado pelo surgimento de numerosas associações, incluindo os primeiros grémios regionalistas, posteriormente designados por casas regionais.
As afinidades étnicas, históricas e culturais que nos ligam à Galiza e ao povo galego não nos podiam deixar indiferentes à sua presença nomeadamente em Lisboa onde a colaboração entre minhotos e galegos deveria, em nosso entender, ser mais estreita. E, é precisamente pela noção de identidade que temos em relação ao povo galego que abrimos as portas deste espaço - o BLOGUE DO MINHO – à Galiza e aos galegos, mormente à Xuventude de Galiza – Centro Galego de Lisboa.
A presença de galegos entre nós remonta aos primórdios da Reconquista e da formação da nacionalidade. Porém, o fenómeno da imigração galega entendida enquanto tal teve o seu começo a partir do século XVII, facto a que não é certamente alheia a situação política da época caracterizada pela dominação filipina. Vinham sobretudo para a lides dos campos, ocupar-se em trabalhos sazonais, procurando obter o indispensável para regressarem às origens e providenciarem o sustento da família. Mas também havia os que se estabeleciam nas cidades, nomeadamente em Lisboa, dedicando-se às mais variadas profissões e ofícios.
Por essa altura, no alto de uma colina do sítio de Alcântara já se encontrava construída a Capela de Santo Amaro que viria a tornar-se o local mais concorrido dos galegos que viviam em Lisboa, tornando-se palco de festas e romarias em homenagem àquele que se tornara o seu padroeiro nesta cidade. Com efeito, a pequena ermida foi erguida na sequência de uma promessa feita por frades da Ordem de Cristo que, numa viagem de regresso de Roma, a nau em que vinham foi acometida de temporal no mar e, perante o receio de naufrágio, prometeram construir uma capela no local onde aportassem sãos e salvos.
De traça renascentista, a ermida apresenta forma circular e é rodeada por um átrio. A capela original foi construída em 1549 e constitui, muito provavelmente, a actual sacristia. A Capela de Santo Amaro está classificada como Monumento Nacional por Decreto de 16 de Julho de 1910.
Com o tempo, a presença de galegos foi crescendo em número, tendo passado a concentrar-se preferencialmente nas cidades de Lisboa e Porto. Por altura da “Guerra das Laranjas” ocorrida em 1801, altura em que perdemos Olivença, chegou a ser aventada a possibilidade da sua expulsão a qual, proposta que contou com a oposição do Intendente da Polícia porque tal resultaria em deixar de ter “quem servisse as cidades de Lisboa e Porto”. Acredita-se, porém, que em consequência do crescimento económico verificado a partir da segunda metade do século XIX, a comunidade galega tenha atingido perto de trinta mil indivíduos, a maioria dos quais a viver em Lisboa.
Como costuma dizer-se, os galegos eram então pau para toda a obra. Havia entre eles taberneiros e carvoeiros, moços de fretes e hospedeiros. Eça de Queirós, na sua obra “Os Maias”, faz-lhes frequentes alusões, confundindo-os embora com espanhóis. Porém, é a profissão de aguadeiro que mais o identifica e fica associado na vida lisboeta. Com a sua indumentária característica e a respectiva chapa de identificação municipal no boné, o aguadeiro galego percorria a cidade vendendo a água em barris. E era vê-los a abastecer-se nos chafarizes e fontes do Aqueduto das Águas Livres, nas bicas que lhes estavam reservadas pelo município a fim de evitar as brigas que frequentemente ocorriam. De referir que, até ao início do século XX, a maioria da população lisboeta era forçada a recorrer aos fontenários uma vez que poucas eram as habitações que dispunham de água canalizada. Os aguadeiros organizavam-se em companhias e, uma vez que tinham a primazia do abastecimento de água, eram ainda obrigados a participar no combate aos incêndios.
Outra das actividades pela qual ficaram particularmente conhecidos consistiu na venda dos palitos fosfóricos, então feitos de enxofre que tinham de ser mergulhados num pequeno frasco de ácido sulfúrico. Dada a sua utilização demorada e ainda pouco prática, os palitos fosfóricos ficaram então conhecidos por “espera-galego”, criando-se desse modo uma imagem que passou a conotar de forma algo injusta os próprios galegos, sugerindo tratarem-se de mandriões. Porém, a colónia galega não se ocupava apenas das profissões mais labregas, por assim dizer humildes, mas destacava-se em todas as áreas sociais, muitas das quais de grande relevo, tendo nomeadamente eleito vereadores para a edilidade lisboeta como sucedeu com o escritor Carlos Selvagem. É, aliás, no início do século que surge na zona da Graça, em Lisboa, por iniciativa de um empresário galego, um bairro para os trabalhadores da sua fábrica que desperta ainda grande curiosidade devido à simbologia ali sempre presente – o Bairro Estrela d’Ouro.
Todos os anos, por ocasião do dia que é consagrado a Santo Amaro e que ocorre em meados do mês de Janeiro, uma autêntica multidão acorria à Romaria de Santo Amaro para festejar o seu padroeiro. Rezam as crónicas da época que, em redor da capela, era um ver de gaitas-de-foles e pandeiretas e um nunca mais acabar de xotas e muiñeiras, carballesas e foliadas. Contudo, esta festa foi perdendo o seu fulgor e deixou de realizar-se. A própria capela veio a encontrar-se ao abandono, chegando uma das suas dependências a ser utilizada como armazém de carvão.
Entretanto, em 1908, os galegos que vivem em Lisboa constituíram a sua própria associação – a Xuventude de Galicia (Centro Galego de Lisboa). E, em meados do século passado, passaram a celebrar o dia 25 de Julho em homenagem a S. Tiago, Padroeiro da Galiza. E, para o festejar, escolhiam então uma velha capelinha actualmente em ruína, situada no Alto da Boa Viagem, junto ao farol do Esteiro, em Caxias, e para lá acorriam juntamente com os minhotos, o mesmo é dizer os “galegos d’aquém Minho”. Mas, à semelhança do que antes sucedera com a Romaria de Santo Amaro, também esta acabou votada ao esquecimento e deixou de ser celebrada. Também, há pouco mais de meio século, criaram o grupo “Os Anaquinos da Terra” que procura manter e divulgar as tradições folclóricas das gentes da Galiza.
Em virtude da sua identidade cultural e sobretudo linguística, a comunidade galega encontra-se presentemente integrada na sociedade portuguesa a tal ponto que não se faz notar pela forma de estar ou de se exprimir. Pese embora os acontecimentos históricos terem determinado a separação política de um povo que possui raízes comuns, portugueses e galegos continuam irmanados do mesmo sentimento que os une e do supremo ideal de virem ainda um dia a construir uma só nação. Como disse Ramón Cabanillas, no seu poema “Saúdo aos escolares Lusitanos”:
Existem alcunhas que, não constituindo gentílicos, identificam as gentes oriundas de uma determinada região ou localidade. Elas resultam de uma rivalidade étnica que sempre existiu, as quais por vezes descem aos estreitos limites do lugarejo quando não mesmo do agregado familiar. De resto, a alcunha constitui no meio rural um elemento identificador de um determinado grupo familiar, transmitido de geração em geração.
Porque tinham o hábito de comerem pão de milho, eram os minhotos apelidados de “picamilho” enquanto os tomarenses ficaram conhecidos por “patos-bravos”. Os aveirenses são cagaréus, os do Porto tripeiros e os alentejanos chaparros.
Quando alguém pergunta a um natural de Arcos de Valdevez qual é a sua terra, ele invariavelmente responde:
- Sou dos Arcos, oh!
Aproveitando este jeito peculiar dos arcuenses se exprimirem, os de Ponte da Barca zombam dos seus vizinhos dizendo que são dos “Arcos ó”!
De forma um pouco maldosa, existe também quem identifique os bragançanos – de Bragança – como “bragansuínos” e os de Paredes de Coura como “coirões”…
E, a propósito de Paredes de Coura, o Dr. José Leite de Vasconcelos deixou considerável informação na sua obra “Etnografia Portuguesa”. E, como exemplo da rivalidade étnica que podemos encontrar um pouco por todo o país, citamos precisamente as que aludem aos naturais de Paredes de Coura cujo gentílico se designa por courenses por, numa versão mais arcaica, a região ser denominada de Coyra. Disse o conceituado arqueólogo e etnólogo no volume X da referida obra:
“Às gentes de Coura chamam papas de Coura, porque faziam lá umas papas de farinha de milho e leite que se vendiam nas feiras em cestos (balaios) e se cortavam à navalha, como o manjar branco do Porto. E também a mesma gente se designa de papeiros.
Em S. Paio de Jolda, concelho de Arcos de Valdevez, ouve-se:
O meu amor é de Coira,
É um grande cidadão;
É da raça dos mosquitos,
É de fraca geração.
E também:
- Tu és de Coira.
- Abaixo de Coira, bandalho!
E ainda: Nunca de Braga veio Bom tempo / Nem de Coura bom casamento.”
Paredes de Coura é terra de gente laboriosa e alegre do interior do Alto Minho. Estas rivalidades étnicas devem ser encaradas de uma forma positiva e apenas como elemento de estudo etnográfico. Trata-se de velharias que constituem um testemunho do relacionamento e da proximidade dos povos, com a mesma rivalidade que é frequente observar-se entre os próprios irmãos. E, caso alguém não entenda como tal, façamos como os bracarenses:
Em 30 de Dezembro de 1916, reuniu a Câmara dos Deputados para, entre outras iniciativas legislativas, apreciar a proposta apresentada pelo deputado Domingos Cruz que visava restaurar a “antiga paróquia de Cristelo”, em Paredes de Coura. Presidiu à sessão Manoel Joaquim Rodrigues Monteiro.
Pode ler-se no Diário da Câmara dos Deputados o teor da referida proposta e o debate que se seguiu. Como se constata, gerou-se alguma confusão entre os deputados em virtude da proposta seguinte ser idêntica, dizendo respeito a uma freguesia com o mesmo nome mas no Concelho de Paredes.
Decorrido quase um século desde a restauração da Freguesia de Cristelo, resta-nos saber se Cristeo, com pouco mais de três centenas de habitantes, sobreviverá à reforma administrativa que se anuncia.
“ORDEM DO DIA
O Sr. Presidente: - Vai ler-se, para entrar em discussão, o parecer n.º 225, relativo ao projecto de lei n.º 167- A, pelo qual se restaura uma paróquia civil no concelho de Paredes de Coura.
Leu-se na Mesa. É o seguinte:
Parecer n.º 225
Senhores Deputados - O presente projecto de lei é duma simplicidade extrema.
A paróquia de Cristelo, do concelho de Paredes de Coura, porque tinha menos de 21, eleitores, número mínimo necessário para a constituição e renovação dos seus corpos paroquiais, foi, como de lei e nos termos do Código Administrativo ao tempo em vigor, anexada á freguesia de Besteiros do mesmo concelho.
Tem essa paróquia, hoje, 30 eleitores, como se prova pelo documento que juntaram à petição em que esses paroquianos reclamaram o levantamento da sua interdição política administrativa.
Cessou efectivamente a causa da anexação, e, porque ela cessou, justo é que a referida paróquia seja restituída à sua autonomia administrativa.
E, pois, o parecer da vossa comissão de administração pública que merece deferimento a pretensão do povo de Cristelo, aprovando-se este projecto de lei, com a seguinte redacção que lhe parecer mais própria e completa.
PROJECTO DE LEI
Artigo 1. ° É restaurada a antiga paróquia civil de Cristelo, concelho de Paredes de Coura, tal como existiu à data da sua anexação a paróquia de Besteiros, da qual fica desanexada.
Art. 2.° Cessam as funções dos paroquianos da paróquia restaurada, que fizerem parte da paróquia de Besteiros, e o Governo, pelo Ministério do Interior, marcará dia para se proceder a nova eleição paroquial em ambas as referidas paróquias.
Art. 3.° Fica revogada a legislação em contrário.
Sala das sessões da comissão de administração pública, em 11 de Janeiro de. 1916. - Adriano Gomes Pimenta - António Fonseca - Vasco de Vasconcelos - Alfredo de Sousa - Abílio Marçal, relator.
Projecto de lei n.º 167- A
Senhores Deputados - A freguesia de Cristelo, até agora anexa à freguesia de Besteiros, dista desta cerca de cinco quilómetros. É composta de, aproximadamente, 100 fogos com uma população de cerca de 500 habitantes.
Segundo um certificado passado pela secretaria da Câmara Municipal do concelho de Paredes, que temos a honra de juntar, vê-se que estão inscritos no recenseamento eleitoral da referida freguesia trinta eleitores, número superior ao exigido pelo código administrativo para constituir uma paróquia civil. A maioria dos eleitores requereu a sua desanexação; e porque o seu desejo se nos afigura atendível, temos a honra de submeter á vossa apreciação o seguinte
Artigo 1.° A freguesia de Cristelo, do concelho de Paredes, é desanexada da freguesia de Besteiros, do mesmo concelho, e passa a constituir de per si uma paróquia civil.
Art. 2.° Fica revogada a legislação em contrário.
Sala das sessões, 23 de Agosto de 1915. - Bernardo Lucas - Domingos José da Cruz.
O Sr. Presidente: - Está em discussão o parecer na generalidade.
O Sr. Domingos Cruz: - Pedi a palavra para mandar para a Mesa uma proposta de emenda ao artigo 1. °
O Sr. Abílio Marçal: - Pedi a palavra para declarar, em nome da comissão de administração pública, que concordo com a emenda apresentada pelo Sr. Domingos Cruz.
O Sr. Celorico Gil: - Lamenta que todos os dias estejam aparecendo projectos para criações ou restaurações de paróquias civis, visto que isso só ocasiona prejuízos e uma perfeita anarquia em todos os serviços. A lei do registo civil está positivamente num caos, e a remuneração que percebem os funcionários que deste estão encarregados é de todo o ponto mesquinha. E se a sua retribuição é pequena, mais diminuída vai ser com o desdobramento dos concelhos. Não quer ver atrás destes projectos, que criam ou restauram paróquias civis, nenhum oculto propósito, a satisfação dum capricho ou simplesmente o prazer de se receber uma carta de agradecimento dum compadre, dum amigo ou dum cacique, mas promete que será o projecto em discussão o último que conseguirá ter a aprovação da Câmara, pois ele, orador, há-de servir-se de tudo quanto o Regimento lhe faculta para lhes opor o necessário travão.
O discurso será publicado na íntegra quando o orador restituir as notas taquigráficas.
O Sr. Casimiro de Sá: - Sr. Presidente: eu não entro na apreciação do projecto, nem quero saber se ele é justo ou injusto, mas quero simplesmente declarar que esta freguesia do Cristelo, de que trata o projecto, não pertence ao concelho de Paredes de Coura.
Tenho dito.
O orador não reviu.
O Sr. Presidente: - Tenho a dizer ao Sr. Casimiro de Sá que já foi apresentada uma emenda desfazendo o equívoco.
Não está mais ninguém inscrito. Vai votar-se na generalidade o parecer.