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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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O PAÇO DE CALHEIROS NA “ILUSTRAÇÃO PORTUGUESA”

Sob o título “Solar e Paço de Calheiros”, a revista “Ilustração Portuguesa”, de 26 de Agosto de 1918, destacou, numa das suas páginas, aquela importante casa no Concelho de Ponte de Lima, fazendo uma descrição do local e a apresentação do seu proprietário, o Conde de Calheiros, sr. Francisco Lopes de Calheiros, a qual a seguir se transcreve.

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“Ao fim de uma bela estrada de dois quilómetros e que entronca, a légua e meia de Ponte de Lima, com a estrada que vai de Viana do Castelo aos Arcos de Val-de-Vez, uma das mais interessantes casas nobres do Minho e que, quando se fizer a historia das residências solarengas em Portugal, decerto fornecerá assunto para um dos seus capítulos. A estrada que conduz ao paço de Calheiros é já um encanto pelo seu traçado e pela sua opulenta e florida vegetação que forma como que um túnel de deleitosa sombra em que o ar se impregna de inebriantes perfumes…

O palácio, a que dão acesso dois largos lanços de escada, é elegante e majestoso. O lanço da direita leva a uma ampla varanda de colunatas, em parte envidraçada e armada em estufa. A fachada da capela impõe-se ao mais exigente gosto arquitectónico e interiormente admira-se uma soberba obra de talha. As salas e aposentos da casa de Calheiros estão à altura das tradições da família ilustre a que pertence o seu proprietário, o sr. Francisco Lopes de Calheiros e Menezes, conde de Calheiros, que costuma receber com a bizarria que distinguiu os seus maiores. Não só os seus eguaes como os pobres e os humildes conhecem a delicadeza e a longaminidade do seu generoso coração.

O paço de Calheiros reserva ainda a todos os seus visitantes um verdadeiro deslumbramento: o magnífico panorama sobre que se abrem as suas janelas de onde se descortina um horisonte extensíssimo e variado… Como nota final, recordaremos que no brazão dos Calheiros, que data de 1459, figuram cinco vieiras e três estrelas em facha. No portão, reconstruído em 1889, vê-se á esquerda esse brazão e sobrepostas as seguintes palavras em caracteres góticos: “Desta antiga e nobre casa procedem os Calheiros, fidalgos do solar”.

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Um trecho da escadaria de acesso ao Paço de Calheiros

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Altar da Capela do Paço de Calheiros

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Francisco Lopes de Calheiros, Conde de Calheiros

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Página da revista “Ilustração Portuguesa” que destaca o Paço de Calheiros

MUSEU DE ARTE POPULAR MOSTRA ARTESANATO E PRODUTOS REGIONAIS DE TODO O PAÍS

A Progestur em parceria com o Museu de Arte Popular (MAP) e com o apoio da Associação de Artesãos da Serra da Estrela desenvolveu a MOART - Mostra de Artesanato e Produtos Regionais, que se irá apresentar ao público no MAP nos dias 8, 9, 10, 11, 17 e 18 de Dezembro.

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Pretende-se com esta iniciativa criar uma oportunidade de trazer até Lisboa e juntar num espaço de excelência como é o MAP, o melhor do artesanato português, os nossos produtos regionais mais relevantes e uma dinâmica de animação diária, com actuações de grupos etnográficos, música tradicional, exposições, ateliês, provas de produtos DOP, magustos, entre muitas outras acções.

Na MOART, daremos visibilidade tanto ao melhor do nosso artesanato tradicional como ao New Craft, apresentando em simultâneo as novas tendências da fusão entre artesanato e design e as peças dos grandes mestres da cerâmica, olaria e de muitas outras artes e ofícios.

A programação será dinâmica e diversificada. Venha aprender como se faz uma peça de cerâmica e desfrute de um bom vinho acompanhado por uma fatia de pão alentejano com queijo da serra da estrela. Serão ainda todos os dias sorteados vouchers cujos prémios vão desde a um fim-de-semana na Quinta Nova N.S do Carmo a muitas outras surpresas que estamos a preparar.

É nossa intenção tornar a MOART um evento desejado no calendário da programação de actividades culturais nacionais, contando para isso com a vossa colaboração que será certamente imprescindível ao êxito desta iniciativa.

Este evento é organizado sob a óptica da sustentabilidade das entidades presentes assim como pelo dever, que é de todos, de Responsabilidade Nacional de promoção e valorização do produto português!

Com entrada livre, de 8 a 11 e 17 e 18 de Dezembro, das 10h às 18h excepto Sábados que encerra às 21h, motivos não irão faltar para conhecer e descobrir, viver e saborear Portugal, tudo num só espaço em Lisboa!

 

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A MAÇONARIA NO ALTO MINHO

Entre 1843 e 1849, funcionou em Viana do Castelo uma primeira loja maçónica cuja designação com segurança se desconhece, mas que se presume poderá ter sido “fraternidade” em virtude de, anos mais tarde, ali ter existido uma com tal denominação. Esta loja integrava então o Grande Oriente Passos Manuel, também conhecido por “Maçonaria do Norte”, o qual constituía uma das quatro obediências existentes à altura. Desta derivou, em 1903, a constituição de um triângulo em Ponte de Lima, o qual viria curiosamente a extinguir-se em 1910, por ocasião da implantação da I República. Tratava-se do Triângulo nº. 28, e que deverá ter agrupado entre três a seis obreiros.

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O general Norton de Mattos, Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano Unido, com as insígnias maçónicas.

(…) Em 1926, por ocasião da instauração da ditadura militar que viria a abrir caminho à criação do Estado Novo, a Loja “Fraternidade” dispunha de 75 membros, a Loja “Vedeta do Norte” dispunha de 12 membros e os triângulos de Afife e de Arcos de Valdevez de 6 membros cada. O Grande Oriente Lusitano possuía então 3325 membros do rito escocês distribuídos por 9 consistórios, 24 aerópagos, 44 capítulos, 73 lojas e 14 triângulos. Título de curiosidade, Rodrigo Luciano de Abreu Lima, um dos membros da Loja “Fraternidade” e até então acérrimo republicano, viria a ser o primeiro presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo saído da revolução Nacional de 28 de Maio de 1926.

Uma relação existente no Grande Oriente Lusitano e que amavelmente nos foi cedida pelo ilustre historiador Prof. Doutor A. H. Oliveira Marques, a qual reporta ao ano de 1933, revela que a Loja “Fraternidade” contava então com mais de meia centena de filiados, alguns dos quais conhecidas e prestigiadas figuras do meio ponte-limense, tendo-se a referida Loja mantido em funções pelo menos até ao derrube do Estado Novo, em 1974. Através da referida lista, ficamos a saber que Rodrigo Luciano de Abreu e Lima pertenceu à Loja “Fraternidade”, ocupando o cargo de Orador, com o grau 33 correspondendo a Soberano Grande Inspector-geral e adoptando o nome simbólico Dantec, ou ainda Severino Costa que, no grau 2 correspondente ao de Companheiro, usou o nome Frederico Nietzsche. (...)

Carlos Gomes in A Maçonaria em Ponte de Lima. O Anunciador das Feiras Novas, nº XXIV, Ponte de Lima, 2007