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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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VALE DO LIMA: O DESENVOLVIMENTO REGIONAL DEVE SER ENCARADO NUMA PERSPECTIVA INTEGRADA

CARLOS GOMES

in jornal "NOVO PANORAMA" nº. 56, de 17 de Novembro de 2011

O incremento do sector do turismo tem sido uma das apostas dos concelhos do Vale do Lima também para compensar a perda de algumas empresas importantes na região e o consequente aumento do desemprego. Com uma paisagem deslumbrante e uma gastronomia rica e variada, festividades tradicionais e uma diversificada oferta cultural e de lazer, o Vale do Lima constitui um destino privilegiado para muitos visitantes nacionais e estrangeiros e um pólo de atracção turística por excelência.

Desde tempos remotos, os concelhos de Ponte de Lima e Viana do Castelo ligaram-se por via fluvial – durante muitos séculos, o rio Lima foi a principal via de comunicação entre os dois concelhos. Com o advento da era industrial e o aparecimento de novas vias de comunicação, a ligação passou a estabelecer-se por estrada com a utilização da velha diligência e, mais tarde, a chamada auto-viação mecanizada. Porém, desde a segunda metade do século XIX, também se tentou ligar Viana do Castelo ao Lindoso através de Ponte de Lima por meio de via-férrea. As obras chegaram a iniciar-se e foram inclusivamente construídas algumas estruturas, algumas das quais ainda se podem ver ao longo do percurso traçado, mormente em Bertiandes e Arcozelo.

A discussão em torno do traçado da linha férrea do Vale do Lima, levantando-se a questão a saber se a mesma deveria seguir pela margem direita do Rio Lima até Ponte de Lima ou, em alternativa, atravessar para a outra margem em Lanheses, evitando desse modo o comboio passar diante do Paço de Bertiandes com os naturais inconvenientes que isso iria representar, acabou por ditar o abandono definitivo do projecto.

Nos tempos que correm, o projecto da linha férrea do Vale do Lima poderia ser recuperado com as maiores vantagens para a região, adaptado naturalmente a metro de superfície com interesse turístico e facilitando a mobilidade das populações. Sem o impacto ambiental em termos de poluição sonora e atmosférica como sucedia com as antigas composições ferroviárias, o metro de superfície no Vale do Lima permitia aliviar consideravelmente o tráfego da Estrada Nacional 202 facilitando a deslocação de pessoas na margem direita do Rio Lima, entre Viana do Castelo e Ponte de Lima, ao mesmo tempo que se tornaria um meio de atracção turística semelhante à linha de eléctricos que liga Sintra à Praia das Maçãs, nos arredores de Lisboa.

A recuperação do traçado da linha férrea do Vale do Lima, entre Viana do Castelo e Ponte de Lima, deveria ser ainda encarada numa perspectiva de desenvolvimento regional, contemplando a recuperação dos antigos ancoradouros do rio para apoio ao turismo, a actividades desportivas e de lazer, a recuperação das antigas salinas da foz do Rio Lima e uma maior divulgação das “Azenhas de D. Prior”, o único moinho de maré actualmente existente na nossa região. Entre Viana do Castelo e Ponte de Lima existe também diverso património que necessita de ser reabilitado e numerosas localidades que beneficiariam da implementação de uma política de desenvolvimento integrado. Encontram-se, entre tais localidades, Vitorino das Donas com o seu Paço e S. Pedro com as magníficas lagoas ali existentes, para apenas citar estas a título de exemplo.

Finalmente, a implementação do metro de superfície na margem direita do Rio Lima poderia constituir um meio de solucionar parcialmente o problema do estacionamento automóvel em Ponte de Lima, permitindo a utilização de outro meio de transporte mais ecológico e amigo do ambiente e, simultaneamente, criar um estacionamento adequado em Arcozelo e, desse modo, reduzindo o impacto negativo do estacionamento automóvel no areal, situação para a qual a autarquia parece não ter ainda encontrado solução.

UM POUCO DE HISTÓRIA

A primeira concessão para o estabelecimento de uma linha férrea no Vale do Lima data de 18 de Junho de 1874 e foi feita a Alberto Meister. Porém, como o projecto não foi apresentado ao governo dentro do prazo de um ano como constava do respectivo decreto de concessão, o mesmo veio a ficar sem efeito. D. Luís I era então o monarca reinante e António Cardoso Avelino o seu Ministro e Secretário de Estado dos Negócios das Obras Públicas, Comércio e Indústria.

No ano seguinte, de acordo com o Decreto de 27 de Julho, foi feita a concessão a Damião António Pereira Pinto para “construir e explorar um caminho de ferro de via reduzida, servido por locomotivas e assente em leito próprio, para transporte de passageiros e mercadorias entre Vianna do Castello e a villa da Barca”. Também este viria a ficar sem efeito e o projecto uma vez mais adiado. Entretanto, em 20 de Maio desse ano, o comboio já circulava entre o Porto e Braga, inaugurando-se assim este meio de transporte a norte do rio Douro. Apenas em 1877 são ligadas as duas margens do rio Douro através da via-férrea.

O vale do Lima vai continuar a ser exclusivamente servida por via fluvial e também por via terrestre, com a carreira da diligência entre Viana do Castelo e Ponte de Lima, cujas viagens atribuladas nos são descritas por Ramalho Ortigão n’ As Farpas. De novo, em 1897, o projecto volta à liça quando o jornal “O Libertador de Coura”, na sua edição de 11 de Abril, anuncia que “…vai ser feita a concessão de um caminho de ferro que deve ligar Viana com Ponte de Lima, Arcos e Barca, seguindo, mais tarde, até à fronteira, nas proximidades de Lindoso. Essa via férrea terá estações na Meadela, Santa Marta, Serreleis, Lanheses, Bertiandos, Ponte de Lima, proximidades do Carregadouro e outros pontos”. Referia-se aquele jornal à concessão que veio a ser feita em 7 de Julho de 1898 a Alberto da Cunha Leão e a António Júlio Pereira Cabral. Esta concessão apresentava como principal novidade a sua exploração ser feita “por meio de tracção eléctrica” o que, a concretizar-se, representaria um extraordinário avanço para a época.

Em 1898, o Ministério da Obras Publicas, Commercio e Industria publica o “Plano da Rede Ferro-Viaria ao Norte do Mondego” o qual teve por base um inquérito então efectuado aos municípios com vista a elaborar um plano de acessibilidades assente não apenas em aspectos económicos e de desenvolvimento social como ainda geográficos e estratégicos de defesa, pois prevenia que “uma irrupção de tropas hespanholas pela fronteira do rio Minho ou desde ahi até Montalegre póde ser efficazmente debellada com o auxilio d’esta linha, que não deixará ultrapassar o Lima. A invasão por aquelle lado da Galliza, situado entre o Minho e alturas de Montalegre, só se póde fazer por Lindoso e pela margem esquerda do Lima”.

Em 1903 é aberto concurso para a “construcção e exploração das linhas férreas de Vianna a Ponte da Barca, de Braga a Monção, e de Braga a Guimarães”, de acordo com o qual o seu traçado deveria partir “da estação de Vianna do Castello, siga margem direita do Lima até as proximidades de Lanhezes, e, atravessando ahi o rio, vá por Ponte de Lima a Ponte da Barca, ligando-se ahi com a linha antecedente”. Tratava-se de uma linha de bitola estreita para servir composições com carruagens de duas classes, devendo as obras ficarem concluídas num prazo máximo de três anos. Foram assentes carris, adquiridas locomotivas e construídos viadutos. Porém, mais uma vez, a obra não avançou devido à insistência de alguns em fazê-lo avançar pela margem direita do rio Lima até ao Carregadouro, o que implicaria a sua passagem mesmo em frente ao Paço de Bertiandos.

De novo, em 1929 a sua construção volta a ser questionada, desta vez por iniciativa da Direcção Geral dos Caminhos de Ferro, organismo do Ministério do Comércio e Comunicações, o qual submete à apreciação dos municípios o “Plano Geral da Rede Ferroviária do Continente”. De forma algo insistente, também este plano previa a construção da linha pela margem direita do rio Lima e o seu atravessamento no sítio do Carregadouro. Como se referia naquele documento, “Ocioso é relembrar que o traçado deve seguir a margem direita do Lima, desde Viana até ao Carregadouro, onde o rio estreita e deixa de ser navegável, transpondo-o em ponte pouco extensa e de fácil construção, que deve servir também para a viação ordinária”.

O projecto acabaria por ser definitivamente abandonado e alguns terrenos que, por estarem destinados à via-férrea pertenciam já ao domínio público, foram sendo apropriados por moradores para serventias particulares e outras utilizações. Nalguns casos, a sua disputa chegou inclusive à barra dos tribunais, como sucedeu com a posse de um carreiro no lugar da Barrosa, em Santa Marta de Portuzelo.

Em pleno século XXI, quando os meios de transporte mais económicos e menos poluentes constituem uma aposta, o turismo se assume cada vez mais como a área económica do futuro e o principal objectivo do desenvolvimento económico reside na melhoria da qualidade de vida das populações, a linha férrea do vale do Lima pode ser repensada em moldes actuais, respeitando a paisagem e o património arquitectónico, mas tirando dele o melhor partido em proveito da região e das suas gentes. A recuperação deste projecto poderia constituir um elemento aglutinador de vontades e a sua defesa ser interpretada por aqueles que as populações do vale do Lima vão eleger nos próximos actos eleitorais.

Bibliografia:

- GOMES, Carlos. A Linha-Férrea do Vale do Lima. Anunciador das Feiras Novas. XXIV. Ponte de Lima. 2007

Primeira55-2

Rua Agostinho José Taveira * 4990-072 Ponte de Lima * novopanorama@sapo.pt

O MINHO NA INTERNET: ARQUITECTURA E PONTE DE LIMA

O BLOGUE DO MINHO inicia hoje uma série de artigos que visam dar a conhecer a presença do Minho na Internet, nomeadamente através de blogues e sites que promovem os valores e as potencialidades da nossa região. A sua publicação não terá qualquer regularidade e privilegiará, naturalmente, aqueles que de forma recíproca contribuem para a divulgação deste espaço.

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“Arquitectura e Ponte de Lima” é um blogue do arquitecto limiano André Rocha que, desde 2008, vem destacando situações e aspectos relacionados sobretudo com a arquitectura e o enquadramento paisagístico de Ponte de Lima. Este site encontra-se no endereço http://arquitecturaepontedelima.blogspot.com/.

SÃO TEOTÓNIO, MINHOTO DE VALENÇA, FOI O PRIMEIRO PORTUGUÊS A SUBIR AOS ALTARES

D. Telo, aliás São Teotónio, foi canonizado em 1163, um ano após a sua morte, pelo Papa Alexandre IV, tornando-se desse modo o primeiro português a subir aos altares. Nasceu em Ganfei, no Concelho de Valença, em 1082 e faleceu em Coimbra em 18 de Fevereiro de 1162. No próximo ano, assinalam-se 930 anos sobre a data do seu nascimento e 850 anos do seu falecimento.

Foto:Wikipédia

Em 1112, S. Teotónio tornou-se Prior da Catedral e Administrador Apostólico da Sé de Viseu. Por essa razão, a Diocese de Viseu iniciou já os preparativos para as celebrações jubilares de São Teotónio a terem lugar durante o próximo ano, tendo já celebrado um acordo de colaboração com o Museu Grão Vasco para celebrar os 900 anos da sua ida para Viseu.

O valenciano S. Teotónio foi ainda um dos fundadores do Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, local onde se encontra sepultado, perto do local onde repousam os restos mortais de D. Afonso Henriques de quem foi aliado em vida, tendo contribuído para a afirmação da independência de Portugal face ao rei de Leão.

Decerto, Valença que foi sua terra natal e da qual é o seu padroeiro, não esquecerá aquele que foi um dos seus filhos mais distintos e saberá assinalar condignamente as efemérides do nascimento e falecimento de S. Teotónio.

RICARDINA SILVA ILUSTRA “NOVOS CONTOS DE NATAL”

“Novos Contos de Natal” é um livro colectivo que reúne quinze contos de natal inéditos, contando com a participação de treze escritores, entre os quais Ricardina Silva, a artista natural de Esposende que também colabora na ilustração da obra.

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O livro “Novos Contos de Natal” tem a chancela de Edições Vieira da Silva e o seu lançamento vai ter lugar no próximo dia 3 de Dezembro, pelas 15 horas, na Quinta Pedagógica dos Olivais, sita na rua Cidade de Lobito, em Lisboa.

No final, todos os autores que participam nesta obra vão ser convidados a proferirem algumas palavras e a ler um dos seus contos para os mais pequenos que vão estar presentes. Com esta iniciativa, pretende-se proporcionar às crianças alguns momentos de sonho numa quadra festiva repleta de magia. Os direitos de autor serão cedidos à “Acreditar”, uma instituição de solidariedade social constituída por pais e amigos de crianças vítimas de cancro.

Este evento, denominado “Hora do Conto”, insere-se na programação da Quinta Pedagógica dos Olivais.