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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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EXTRACÇÃO DO OURO VAI DESTRUIR COVAS, EM VILA NOVA DE CERVEIRA

A empresa canadiana Avrupa Minerals Ltd anunciou recentemente no seu site oficial ter encontrado nas antigas minas de Covas, em Vila Nova de Cerveira, ouro e tungsténio, vulgo volfrâmio, em quantidade “significativa” para ser explorada. As prospecções decorrem numa área de cerca de 900 metros de comprimento por 100 metros de largura, tendo-se registado a presença de ouro em quase todas as amostras recolhidas. O melhor resultado obtido representou 10,2 gramas de ouro por tonelada de terra e rocha removida.

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Com efeito, o ouro encontra-se disperso no subsolo em ínfimas proporções pelo que é necessário proceder à remoção de grandes quantidades de solo para se poder obter uma pequena quantidade de metal precioso. Mais ainda, a sua extracção é efectuada com recurso a lixiviantes com cianeto, mercúrio e metais pesados de elevado teor tóxico e altamente prejudiciais para a saúde e o meio ambiente.

Com a extracção de ouro, na freguesia de Covas, os recursos naturais ficarão contaminados e os solos agrícolas destruídos, a paisagem não será mais a mesma e a população perderá a sua qualidade de vida a troco de uma miragem cujo brilho do ouro jamais enxergarão. Há muitas décadas, também na vizinha Freguesia da Cabração, em Ponte de Lima, se extraiu ouro e estanho sem que a população alguma vez tivésse recebido qualquer benefício da exploração. A própria energia eléctrica só chegou em 1975, muito tempo decorrido desde a suspensão da actividade mineira naquela localidade.

PAPAS DE SARRABULHO ESTÃO NA ORIGEM DO ARROZ DE SARRABULHO À MODA DE PONTE DE LIMA

Arroz de Sarrabulho com Rojões2

Até ao descobrimento da América por Cristóvão Colombo, o milho era completamente desconhecido dos ocidentais. Foi a partir de então que a sua cultura se difundiu entre nós, implantando-se predominantemente no noroeste peninsular.

Beneficiando das excelentes condições climáticas e da abundância de água na nossa região, o milho depressa entrou nos hábitos alimentares das nossas gentes a partir do século XVI e passou a fazer parte da sua dieta, a tal ponto que, entre naturais de outras regiões, o minhoto era usualmente apelidado de “pica-milho”.

Por seu turno, apesar de ter sido introduzido na Península Ibérica pelos muçulmanos e os portugueses terem tido contacto com esta cultura no Japão de onde era originária, desde meados do século XVI, só a partir do século XVIII surge documentação a seu respeito registando o seu cultivo nos campos alagadiços do Ribatejo.

O clima e a orografia impedem a produção de arroz na nossa região pelo que o seu cultivo nos rios Mondego, Tejo, Sorraia, Sado e Mira. Por conseguinte, a sua introdução nos hábitos alimentares dos minhotos é relativamente recente, tendo dado origem a algumas maravilhas da nossa gastronomia como o arroz de sarrabulho à moda de Ponte de Lima, surgido em meados do século XIX pelas mãos da cozinheira Clara Penha cujo testemunho passou a Belozinda Varela.

Sem demérito para aquele maravilhoso prato da gastronomia ponte-limense, a qual aliás, já conta com uma Confraria gastronómica para a promover, as papas de sarrabulho fazem parte do património cultural da nossa região, incluindo o Concelho de Ponte de Lima. Trata-se de uma especialidade da gastronomia minhota que merece ser divulgada!