Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

RESTOS MORTAIS DE S. GUALTER DESCOBERTOS EM GUIMARÃES

 Guimarães (5)

Faz precisamente dois anos que os restos mortais de S. Gualter foram descobertos em Guimarães, dissimulados no interior de uma imagem que se encontrava na Igreja de S. Francisco. A descoberta ocorreu na sequência das obras de restauro realizadas naquela igreja e os achados encontravam-se envoltos em linho, no interior de uma imagem oca.

Os registos deixados em actas do antigo mosteiro franciscano e noutros documentos existentes na Ordem de S. Francisco indicam que se trata efectivamente de S. Gualter, o monge franciscano que é venerado como padroeiro da cidade de Guimarães.

Nos começos do século XIII, S. Francisco de Assis enviou S. Gualter para Portugal com a missão de estabelecer no nosso país a Ordem dos Frades Menores, vulgo franciscanos.

A devoção popular a S. Gualter entre os vimaranenses faz das Festas Gualterianas que todos os anos se realizam em Agosto, em Guimarães, uma das mais concorridas e grandiosas romarias minhotas.

NABIA: A DEUSA PAGÃ DO RIO NEIVA

Nabia

No princípio era o Caos… entretanto, na ânsia de encontrar uma explicação para os fenómenos da natureza que o rodeiam, o Homem concebeu inúmeras divindades que além de representar os atributos de tais fenómenos passaram ainda a revelar emoções e sentimentos próprios dos humanos uma vez que eram construídos à sua imagem e semelhança.

Entre tais divindades, Nábia foi uma das divindades mais veneradas na faixa ocidental da Península Ibérica ou seja, a área que actualmente corresponde a Portugal e à Galiza, durante o período que antecedeu à ocupação romana. Na mitologia céltica, Nábia, era a deusa dos rios e da água, tendo em sua honra o seu nome sido atribuído a diversos rios como o Navia, na Galiza e o Neiva e o Nabão em Portugal. Inscrições epigráficas como as da Fonte do Ídolo, em Braga e a de Marecos, em Penafiel, atestam-nos a antiga devoção dos nossos ancestrais à deusa Nábia.

Quando ocuparam a Península Ibérica à qual deram o nome de Hispânia, os romanos que à época não se haviam convertido ainda ao Cristianismo, adoptaram as divindades indígenas e ampliaram o seu panteão, apenas convertendo o nome de Nábia para Nabanus, tal como antes haviam feito com os deuses da antiga Grécia.

Qual reminiscência do período visigótico, a crença pagã em Nábia – ou Nabanus – viria a dar origem na famosa lenda de Santa Iria – ou Santa Irene – cujo corpo, após o seu martírio, ficou depositado nas areias do rio Tejo junto às quais se ergueram vários locais de culto, tendo inclusive dado origem a alguns topónimos como a Póvoa de Santa Iria e, com a introdução do Cristianismo, a atribuição do seu nome à antiga Scallabis, a actual cidade de Santarém.

Bem vistas as coisas, são em grande parte do rio Nabão e das suas nascentes as águas que o rio Tejo leva ao Oceano Atlântico, junto a Lisboa, depois daquele as entregar ao rio Zêzere. E, é nas águas cristalinas do rio Nabão que habita a deusa Nábia e nas suas margens que Santa Iria encontrou o eterno repouso

QUEM NA CABRAÇÃO AINDA SE LEMBRA DO “PINTINHO”?

img256

Até meados dos anos setenta do século passado, a Freguesia de Cabração, no Concelho de Ponte de Lima, era conhecida pelos rituais de exorcismo que os seus párocos ali praticaram. Recordamos o Padre Miranda, último exorcista que ali exerceu tal ofício e a extraordinária afluência diária de visitantes à localidade. Este tema mereceu, aliás, um artigo publicado na edição de 1998 da revista “O Anunciador das Feiras Novas” com o título “Cabração: o último exorcista”.

O padre Manuel Lopes Miranda veio a falecer em 26 de Janeiro de 1978 e foi sepultado na sua terra natal, em jazigo de família, no cemitério paroquial de Cristelo, no Concelho de Barcelos.

Entretanto, a prática do exorcismo na Freguesia da Cabração adquiriu tal popularidade que o povo chegou a criar uma palavra para identificar algo de sobrenatural que apoquentava as pessoas e, por extensão, tudo o que se revelasse estranho no comportamento de cada indivíduo. E, tal vocábulo depressa se tornou de uso corrente e empregue de forma jocosa, algo divertida que só por si constituía uma prática exorcista. Chamavam-lhe o “pintinho”!

A CASA DE BRAGANÇA NA PROVÍNCIA DE ENTRE-DOURO-E-MINHO

cartaz-a3

Inaugura no Museu de Salto – Ecomuseu de Barroso, no próximo dia 7 de Outubro, pelas 14.30h, a exposição temporária dedicada aos primeiros Duques da Casa de Bragança.

Esta exposição resultou de um protocolo estabelecido entre o Paço dos Duques de Bragança e os Municípios de Barcelos, Montalegre e Cabeceiras de Basto, tendo por objectivo dar a conhecer as origens da Casa de Bragança, bem como a sua implantação na região de Entre-Douro-e-Minho.

Trata-se de uma exposição itinerante que será apresentada em simultâneo nas referidas localidades com a seguinte estrutura:

. Fundação da Casa de Bragança

. Os Duques de Bragança até 1580

. Implantação da Casa de Bragança nos Municípios de Barcelos, Montalegre, Cabeceiras de Basto e Guimarães

. Cartografia da Região Norte com destaque nas quatro localidades

. Mapa específico para cada concelho.

Na continuidade da homenagem prestada em Abril passado a São Nuno de Santa Maria, na ocasião da comemoração dos 50 anos da visita das relíquias do Condestável a Salto, esta exposição, que estará patente ao público até final do ano, pretende também destacar a importância das Terras de Barroso na construção da Sereníssima Casa de Bragança, uma das mais poderosas e respeitadas linhagens da Realeza Europeia.

Fonte: http://causamonarquica.com/

JÁ FOI DISTRIBUÍDA A EDIÇÃO DESTE ANO DA REVISTA "O ANUNCIADOR DAS FEIRAS NOVAS"

Anunciador_2011_0001

A revista “O Anunciador das Feiras Novas” é uma publicação anual de informação, cultura, turismo e artes limianas cuja série já conta com 28 edições. É propriedade da Associação Empresarial de Ponte de Lima e é coordenada pelo sr. Alberto do Vale Loureiro.

Com excelente apresentação gráfica, a revista “O Anunciador das Feiras Novas” conta com uma vasta e diversificada colaboração abrangendo nomeadamente temas de História, Literatura e Botânica.

“O Anunciador das Feiras Novas” é reconhecidamente uma das melhores publicações de índole cultural que se ditam em toda a nossa região.

FOLCLORE DE ESPANHA E TURQUIA DESFILAM EM VILA PRAIA DE ÂNCORA

Vila Praia de Âncora foi palco no passado mês de Agosto de mais uma edição do Festival Internacional de Folclore que habitualmente ali se realiza. Nele participaram, para além do anfitrião: Grupo Etnográfico de Vila Praia de Âncora, o Grupo de Musica y Danza Airs Castellanos – Valladolid (Espanha) e o grupo Besiktas Belediyesi Oyun Youth and Sport Club – Istambul (Turquia).

VPAncora-11Agosto2011 077

A Igreja de Nossa Senhora da Bonança, padroeira dos pescadores de Vila Praia de Âncora, foi o cenário deste festival a que assistiram alguns milhares de pessoas numa altura em que aquela localidade regista a afluência de elevado número de turistas e emigrantes.

Esta iniciativa inseriu-se na "Festa da Europa" promovida pelo deputado europeu José Manuel Fernandes e que incluiu outras iniciativas de âmbito cultural.

VPAncora-11Agosto2011 072

VPAncora-11Agosto2011 066

CATÁLOGO DO MUSEU DO TRAJE DE VIANA DO CASTELO É OBRA DE REFERÊNCIA DA NOSSA ETNOGRAFIA

O Museu do Traje de Viana do Castelo apresentando recentemente o catálogo da sua colecção permanente. Trata-se de uma obra de referência a pensar no seu acervo museológico que possui o maior interesse para todos quantos estudam o nosso traje tradicional, mormente os ranchos folclóricos da nossa região.

untitled

O catálogo, da autoria do Director do Museu do Traje, Dr. João Alpuim Botelho, foi apresentado pelo Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Dr. José Maria Costa. Este magnífico trabalho inclui fotografias antigas e actuais, apresentando as mais diversas peças de vestuário, calçado e adornos, realçando aspectos relacionados com a sua confecção e características únicas como os bordados e realçando a sua beleza ímpar que o torna o mais celebrizado de todos os trajes tradicionais do povo português.

As Vindimas na Pintura de Malhoa

A pintura “As Vindimas” constitui uma obra do pintor José Malhoa que se insere num conjunto de duas telas encomendadas nos finais do século XIX por um abastado emigrante oriundo da região de Aveiro, o Comendador Seabra, destinadas a ornamentar o cimo de uma escadaria do seu faustoso palacete, situado no Bairro Flamengo, na área sul do Rio de Janeiro. Este prédio viria a ser demolido nos anos oitenta do século XX para dar lugar a modernas construções, mais ao gosto das novas metrópoles. A outra tela que integra o conjunto titula-se “A Caminho da Romaria”, possuindo ambas a particularidade de retratarem os modos de vida característicos dos finais de oitocentos na região de Entre-o-Douro-e-Minho.

Malhoa-Vindimas

Possuindo cerca de seis metros de altura, ambas as telas se apresentam recortadas em diagonal na parte inferior uma vez que se destinaram a ser expostas no cimo de uma escadaria a ladear a entrada de um salão nobre. Quando o palacete foi demolido, o seu recheio foi a leilão e, apesar de ter contado com a presença de um representante do Estado português, aquelas telas viriam a ser adquiridas juntamente com correspondência trocada pelo pintor José Malhoa, por um conceituado antiquário de Lisboa, o Sr. Jaime Afra, que as transportou para Portugal e durante vários anos as manteve expostas no seu estabelecimento situado nas proximidades da Praça do Príncipe Real.

Com o seu falecimento, ficámos a desconhecer o paradeiro destas duas obras-primas do mestre José Malhoa. Aliás, apesar da sua importância, as mesmas não se encontram no Museu José Malhoa, em Caldas da Rainha, nem em Figueiró dos Vinhos onde o artista viveu, nem as mesmas são referidas nas publicações acerca da obra do pintor. Recentemente, viemos a saber através da srª D. Isabel Afra, viúvia do antiquário Jaime Afra, que os referidos quadros foram vendidos para a colecção do antigo Banco BCP, actual Millenium, acreditando-se que ainda lá se encontrem.

O quadro “As Vindimas” constitui uma pintura a óleo sobre tela, produzida nos finais do século XIX e que, à semelhança de outras obras de arte que produziu, procurou retratar motivos populares, repletos de vida e cor, envolta numa atmosfera luminosa e plena de sensualidade. Esta obra retrata-nos a alegria esfusiante e singela do povo simples que se desloca em ambiente festivo para a festa no cumprimento de uma promessa, na devoção de algum santo milagreiro, levando consigo as suas alfaias, envergando os seus trajes característicos, exibindo o colorido garrido e a robustez das gentes simples do povo.

Influenciado por Silva Porto, o pintor José Malhoa é considerado o pioneiro do naturalismo em Portugal, tendo integrado o chamado “Grupo do Leão” e vindo a aproximar-se do impressionismo. Tal como na pintura de Silva Porto, também o paisagismo na obra de José Malhoa incide particularmente nos costumes mais pitorescos, valorizando desse modo a natureza como única realidade existente e, em consequência, rejeitando qualquer ideia de sobrenatural. No quadro “As Vindimas”, o pintor descreve o que viu, sem qualquer preconceito de ordem moral ou estética nem idealizações como o faziam os românticos, retratando apenas a natureza e as pessoas tal como elas se lhe apresentam. Aqui, a natureza adquire um carácter absoluto e permanente, por oposição ao idealismo, retratando cenas da vida rural, combinando uma luminosidade intensa e dramática com a técnica impressionista de representação da luz solar. Com efeito, a obra pictórica de José Malhoa insere-se nas correntes estéticas predominantes nos finais do século XIX, mormente o naturalismo, o realismo e o impressionismo.

Os finais do século XIX foram marcados por um verdadeiro fervilhar de novas ideias e correntes estéticas a reflectir as grandes mudanças sociais da época, a industrialização das sociedades modernas, a maior rapidez dos meios de transporte e melhoria das formas de comunicação a facilitar nomeadamente a circulação da cultura e do pensamento e, finalmente, a prenunciar grandes convulsões sociais. De toda a Europa, e principalmente de Paris, chegavam de comboio novas ideias políticas e filosóficas, a moda e novas correntes estéticas, à semelhança das mercadorias que eram importadas para consumo de uma burguesia que sobretudo no meio lisboeta se revelava cada vez mais exigente. Não obstante, são os motivos populares e genuínos que mais cativam José Malhoa na sua obra, incluindo os retratos produzidos em ambiente urbano.

Naturalmente, a pintura “As Vindimas” de José Malhoa, bem assim como grande parte da sua obra, sofreu as influências da pintura de Silva Porto mas, ao invés deste, utiliza recorrentemente uma paleta de cores vivas, audaciosas, plenas de sensualidade e beleza, através das quais inunda a luz solar. Aqui retrata a alegria do povo nos seus afazeres da lavoura, mostrando raparigas robustas e enérgicas, de peitos fartos e rostos saudáveis. Toda esta abundância de luz e cor mais não parece do que uma forma de celebrar a natureza e com ela o próprio sol, numa manifestação de fé quase panteísta com a qual o próprio naturalismo se chega a confundir na crença de que a razão humana pode atingir o entendimento do divino.

Malhoa-Romaria

Pág. 3/3