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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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SANTUÁRIO DO BOM JESUS DO MONTE, EM BRAGA, FAZ 200 ANOS

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A construção do Santuário do Bom Jesus do Monte, em Braga, foi concluída há duzentos anos. Para assinalar a efeméride, a Confraria de Bom Jesus do Monte vai realizar nos próximos dias 20 a 22 de Outubro um Congresso sobre o Barroco no qual vão participar historiadores e outros especialistas portugueses e brasileiros especialistas na matéria.

Para além do carácter científico deste evento no qual vão participar mais de 70 congressistas, o Congresso Luso-Brasileiro do Barroco deverá constituir o ponto de partida para a apresentação da candidatura deste monumento a Património Mundial da UNESCO. A candidatura deverá contemplar o conjunto arquitectónico do Santuário e a estância envolvente.

Projectado por Carlos Amarante, considerado um dos mestres do barroco português, a construção do Santuário do Bom Jesus do Monte foi iniciada em 1784, tendo ficado concluída em Setembro de 1811 com a construção do escadório com as suas capelas e Passos da Paixão.

BRAGA: 200 ANOS DO SANTUÁRIO DO BOM JESUS DO MONTE

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A Confraria de Bom Jesus do Monte (Braga) vai assinalar durante o próximo mês de Outubro (dias 20-22) a data da conclusão arquitectónica do Templo com a realização de um evento de carácter científico, a saber: um Congresso sobre o Barroco, o primeiro especialmente consagrado às realizações do barroco em Portugal e no Brasil, e reunindo estudiosos do fenómeno do barroco, brasileiros e portugueses.

Na verdade, o actual Templo que remata o monumental escadório, com as Capelas e Passos da Paixão, ficou concluído em Setembro em1811, substituindo um antigo Templo Barroco que vinha do tempo de D. Rodrigo de Moura Teles (1704-1728) e que ocupava o patamar inferior ao que ocupa o actual (onde se encontra hoje um fontanário artístico). Continuariam depois as obras com o preenchimento dos interiores (das talhas e pinturas), e depois continuando também várias obras nos jardins exteriores que se prolongariam, por todo o Século XIX que, praticamente, lhe deram a feição geral com que hoje o conhecemos.

Podemos dizer que o conjunto arquitectónico passou por 4 ou 5 momentos principais: Uma primitiva capela ou ermida dedicada a Santa Cruz, que vem, do Século XIV e que com certeza deve a sua fundação ao Arcebispo D. Gonçalo Pereira (1326-1348) (sob invocação de Santa Cruz do Monte).

Este Arcebispo esteve na Batalha o Salado (1340) - uma das decisivas batalhas peninsulares - travadas contra a presença e domínio árabes e contra o Islão. O Arcebispo esteve aí, com Afonso IV, com as suas hostes e as de seu filho - D. Álvaro Gonçalves Pereira. O Primaz atribuiu essa notável e decisiva vitória à intervenção de S. Cruz de quem era devoto e que seu filho, Prior do Crato, levava em estandarte, conduzindo as hostes: Neste sinal da Vera Cruz… vencereis seus inimigos (Ruy de Pina, Chronica d´El-Rei Dom Affonso IV. Ed. Biblion Lisboa. 1936.168). O resultado foi a ereção de uma ermida comemorando o feito e assinalando essa devoção. A Ermida, desde aí, foi reunindo devoções e atraindo devotos, nesta primeira fase, essencialmente da Cidade de Braga.

Essa vetusta ermida seria substituída por uma outra de traça "moderna" - gótico final, ou manuelina ou renascentista - que como era já a moda do tempo - atendendo até à importância e ao enorme património económico da personalidade a quem se atribuem essas obras (pelos anos de 1493-98) - D. Jorge da Costa. Mais que restauro, ter-se a tratado de uma nova fundação em torno do mesmo devocionário - a Santa Cruz. Durante muito tempo, essa data, foi tomada como a data da fundação do Bom Jesus do Monte. Por cerca de 1525 essa construção já oferecia ruína. O Deão D. João da Guarda, ao tempo em que D. Diogo de Sousa "refundacionava" a cidade de Braga com vários edifícios ao estilo Manuelino ou da Renascença, reconstruiu ou, mais verosimilmente, edificou nova capela que alguns definem como "construção em grande". Com peripécias varias, seria essa construção, a que alimentou as devoções e os interesses de alguns particulares até 1629 em que se criou a Irmandade ou Confraria de Bom Jesus do Monte, que desde aí, também com peripécias e acidentes vários, tem regido até à atualidade, os destinos devocionais e artísticos do Complexo do Bom Jesus do Monte. Surgia a partir daqui uma nova feição monumental a cujos traços gerais obedeceu a posterior intervenção de D. Rodrigo de Moura Teles, documentando os primeiros passos do maneirismo e do barroco nortenhos.

O complexo monumental, de feição barroca setecentista, com as capelas dos passos da Paixão que rematava esses complexo e que ocupava, como dissemos, o imediato patamar abaixo do actual templo, são obra de outro grande Arcebispo - D. Rodrigo de Moura Teles (1704-1728) a quem Braga, nesses aspectos, muito deve. Intervenções essas que aqui se materializam a partir de 1722.

Os tempos posteriores são de prosperidade devocional e monumental.

O Bom Jesus do Monte transforma-se no grande santuário de romagem não só de Entre Douro e Minho como do conjunto do Reino. Aí acorrem devotos de todas Províncias desde o Minho à linha do Tejo. E as famosas romarias são agora (não o foram antes?) um misto de devoção religiosa e de folguedo laico profano a que os tempos da festa (como foram essencialmente os do Século XVIII) a que a beleza do lugar, tanto convidavam paralelos a um profanismo e laicismo que foi acompanhando o bem-estar geral que se sentiu por quase todo este Século XVIII, (tenham dito ou continuem dizendo, outros, o contrário) e que tiveram nas grandes Romarias e centros de romagem a expressão mais completa e por vezes mais heterodoxa, em termos de religião.

As acomodações tornaram-se exíguas e, por sua vez, a Capela ou Santuário que rematava o escadório começou a ameaçar ruína.

Eram chegados os tempos das últimas grandes intervenções artísticas e arquitectónicas que deram ao Santuário a feição que hoje conhecemos. Correu paralelas com outra época de esplendor arquitectónico que a cidade de Braga conheceu, com o último Arcebispo régio - D. Gaspar e Bragança (1758-1789). Coincidia também com o apogeu económico do próprio Santuário ou Confraria. Vários artistas de renome trabalharam então para este Santuário: engenheiros, arquitectos como carpinteiros e imaginários e pintores, como Mestres pedreiros.

Ameaçando ruína a capela Setecentista do tempo de D. Rodrigo, exíguos os espaços de culto e acomodações, encomendou-se um novo Templo. Seria construído no patamar superior ao que ocupava o anterior do tempo de Moura Teles. Foi o Arquitecto Carlos Amarante, que já na cidade exercia importantes cargos em obras e por incumbência do Arcebispo e da edilidade e que na mesma deixaria outras obras notáveis. Começaram as obras em 1784 tendo-se concluído em Setembro de 1811.

É este acontecimento que serve de pretexto para a realização do referido Congresso mas também de efeméride comemorativa dos 200 anos da conclusão arquitectónica do actual Templo.

Embora vários exemplares da obra deste arquiteto estejam muito ligados ainda ao barroco terminal, podemos dizer que, com o Novo Templo do Bom Jesus do Monte, na traça arquitectónica, como na decoração dos interiores (que quase na totalidade se lhe devem também), se remata em Braga, e em geral, Ciclo do Barroco abrindo-se decisivamente o caminho ao Neo-clacissismo, estabelecendo, em simultâneo, um corte e um remate da formulária barroca que continuou (e continua) presente no Escadório nas Fontes e nas Capelas dos Passos e outras que, entretanto, compuseram todo o conjunto.

Aurélio de Oliveira, Faculdade de Letras do Porto, presidente da Comissão Científica do Congresso

Fonte: http://www.agencia.ecclesia.pt/

ROTEIROS REPUBLICANOS DE VIANA DO CASTELO

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“VIANA DO CASTELO – Roteiros Republicanos” é um livro da autoria de Alberto A. Abreu cuja edição foi promovida pela Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República.

É um excelente trabalho historiográfico que nos convida a percorrer o período da Primeira República no Distrito de Viana do Castelo, remetendo para a crise vivida desde 1891 que criou as condições para o derrube do regime republicano e acompanhando os principais acontecimentos vividos pelo novo regime, desde os conflitos com a Igreja à participação na Grande Guerra e ao Sidonismo.

Nele abordam-se ainda aspectos relacionados com a actividade económica, o artesanato, as artes e as letras.

Com excelente aspecto gráfico e magnificamente ilustrado, esta constitui uma obra cuja leitura é indispensável para quem queira conhecer um período importante da nossa História vivido na nossa região.

LIVRO “RIO HOMEM" DE ANDRÉ GAGO É APRESENTADO EM VILARINHO DA FURNA

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O livro “Rio Homem” da autoria de André Gago vai ser apresentado ao público no próximo dia 16 de Outubro, pelas 15 horas, no Museu Etnográfico de Vilarinho da Furna. A apresentação será moderada por Rui Barbosa e é seguida de sessão de autógrafos e ainda da visita ao Museu e à antiga aldeia de Vilarinho da Furna, presentemente a descoberto.

A iniciativa é da AFURNA - Associação dos Antigos Habitantes de Vilarinho da Furna, entidade pioneira no desenvolvimento sustentável.

Este livro é uma homenagem a Vilarinho da Furna e às suas gentes que um dia tiveram de abandonar as suas casas e a sua lavoura para ver a sua aldeia submersa pelas águas da barragem.

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D. DUARTE PIO, DUQUE DE BRAGANÇA, VISITA A FREGUESIA DE OLIVEIRA S. PEDRO, EM BRAGA

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D. Duarte Pio, Duque de Bragança, vai no próximo dia 15 de Outubro deslocar-se à Freguesia de Oliveira S. Pedro, em Braga, a convite da autarquia local, a fim de visitar os marcos da Casa de Bragança existentes e proceder à inauguração da primeira réplica dos marcos a colocar nos locais onde desapareceram, efectuando ainda uma visita ao Penedo das Letras, local onde existe um registo, gravado numa rocha, da passagem do rei D. Miguel.

O Duque de Bragança, D. Duarte Pio, será recebido na Junta de Freguesia em cerimónia que contará com a actuação da Banda Marcial de Arnoso e a presença de representantes de outras autarquias locais da região e ainda o pároco da localidade.

Refira-se que os marcos em causa testemunham as delimitações do senhorio da Casa de Bragança, apresentando o escudo com as cinco quinas e a letra “B” indicativa da casa de Bragança.

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CÂMARA DOS DEPUTADOS DEBATE CONSTRUÇÃO DA LINHA FÉRREA DO VALE DO LIMA

Em 1912, a Câmara de Deputados debatia o traçado da linha férrea do Vale do Lima e as condições para a criação de uma estância turística em Santa Luzia, servida por elevador. Registamos aqui uma passagem do Projecto de Lei então apresentado à Câmara dos Deputados em 23 de Janeiro daquele ano e publicada em Diário da Câmara dos Deputados.

A quem pretender conhecer mais pormenorizadamente a questão jamais resolvida da construção da linha férrea do Vale do Lima, sugerimos a leitura do artigo “A Linha-Férrea do Vale do Lima” publicado na edição de 2007 da revista “O Anunciador das Feiras Novas”.

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"PROJECTO DE LEI

Artigo 1.° Os contractos de 27 de Setembro de 1904 e 4 de Março de 1907 para a construção e exploração dos Caminhos de ferro de Braga a Guimarães, Braga a Monção e Viana a Ponte da Barca serão modificados em harmonia com as prescrições das bases anexas à presente lei, que dela ficam fazendo parte integrante.

Art. 2.° É revogada a legislação em contrário.

Base 1.ª

1.° O caminho de ferro do Vale do Lima seguirá a margem direita do Rio Lima em toda a sua extensão, desde Viana até o entroncamento na linha de Braga a Monção.

2.° A Empresa concessionária fica obrigada a construir uma ponte sôbre o Rio Lima em Lanheses para ligação da estrada das duas margens, logo que o rendimento líquido das linhas concedidas com garantia de juro atinja 7 por cento do capital garantido, assistindo â mesma o direito de cobrar as portagens previstas no contracto.

3.° Em nenhum dos troços das linhas a construir poderá ser excedido o limite do 25 milímetros nas inclinações.

4.° Os projectos dos troços de Lanheses a Ponte da Barca e dos Arcos a Monção serão apresentados no prazo dum ano a contar da data do novo contracto feito nos termos da presente lei.

5.° O prazo de sete anos previsto no contracto para a construção do troço dos Arcos a Monção é reduzido a cinco anos, contados da data da aprovação dos respectivos projectos;

Todos os outros troços serão construídos no prazo de três anos, contados da data do novo contracto celebrado nos termos da presente lei, para aquele cujos projectos estejam já aprovados, e da data da aprovação dos projectos para os restantes.

6.° A mesma empresa fica obrigada a estudar e promover desde já, quanto em si caiba, a criação duma estância em Santa Luzia, junto de Viana do Castelo, servida por ascensor e dotada com os atractivos e comodidades precisas para chamarem ali concorrência de excursionistas, devendo submeter à aprovação do Govêrno, no prazo dum ano a contar da data do novo contracto feito nos termos da presente lei, o respectivo projecto elaborado em harmonia com as indicações das estações oficiais competentes.

Base 2.ª

A fusão das companhias do Pôrto à Póvoa e Famalicão e do caminho de ferro de Guimarães com a empresa concessionária das linhas de Braga a Guimarães, Braga a Monção e Viana a Ponte da Barca, aceite em princípio por despacho ministerial de 22 de Julho de 1909, deverá ser sujeita ás seguintes condições"

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GRUPO FOLCLÓRICO E ETNOGRÁFICO DANÇAS E CANTARES VERDE MINHO

Respondendo ao chamamento da terra que os viu nascer, os minhotos que vivem nos arredores de Lisboa, mais concretamente no Concelho de Loures, decidiram em tempos criar um grupo folclórico que os ajuda a manter a sua ligação afectiva às origens. Assim nasceu em 1994 o “Grupo Folclórico e Etnográfico Danças e Cantares Verde Minho”, anunciado como seu propósito a preservação, salvaguarda e divulgação das suas raízes culturais.

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Visa através da sua actuação promover as tradições da nossa região nomeadamente junto dos mais jovens ao mesmo tempo que valoriza os seus conhecimentos musicais e da etnografia minhota.

As danças e cantares que exibe são alegres e exuberantes como animadas são as mais exuberantes romarias do Minho. Trajam de linho e sorrobeco e vestem trajes de trabalho e domingueiros, de mordoma e lavradeira, de noivos, de ir ao monte e à feira. Calçam tamancos e ostentam o barrete e o chapéu braguês. As moças, graciosas e belas nos seus trajes garridos bordados pelas delicadas mãos de artista, com a sua graciosidade e simpatia, exibem vaidosas os colares de contas e as reluzentes arrecadas de filigrana que são a obra-prima da ourivesaria minhota.

Ao som da concertina e da viola braguesa, do bombo e do reque-reque, dos ferrinhos e do cavaquinho, cantam e dançam a chula e o vira, a rusga e a cana-verde, com a graciosidade e a desenvoltura que caracteriza as gentes do Minho. O seu reportório foi recolhido em meados do século passado, junto das pessoas mais antigas cujo conhecimento lhes foi transmitido ao longo de gerações, nas aldeias mais remotas das serranias da Peneda e das Argas, nas margens do Minho e do Lima, desde Melgaço a Ponte da Barca, do Soajo a Viana do Castelo. Levam consigo a merenda e os instrumentos de trabalho que servem na lavoura como a foicinha e o malho, os cestos de vime e os varapaus, as cabaças e os cabazes do farnel.

Qual hino de louvor ao Criador, o Minho, terra luminosa e verde que a todos nos seduz pelo seu natural e infinito encanto, salpicado de capelinhas aonde o seu povo acorre em sincera devoção, é ali representado por um punhado de jovens, uns mais do que outros, os quais presenteiam o público com o que o Minho possui de mais genuíno – o seu Folclore

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AS MARINHAS DE SAL DE VIANA DO CASTELO

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Seca do bacalhau em Viana do Castelo, indicador claro da existência de marinhas de sal.

 

Desde os tempos mais remotos, o sal é explorado nos estuários dos principais rios portugueses. Os romanos utilizavam-nos na produção do garum que era armazenado nos tanques de salga existentes na região de Setúbal e com ele pagavam aos seus soldados, o que explica a origem semântica do termo salário. Existem ainda outras formas de exploração como a extracção do sal-gema nas minas de Loulé ou nas marinhas de Rio Maior, constituindo este um caso notável de aproveitamento turístico desta actividade de que há registo escrito desde o século XII.

Para além daqueles exemplos, a extracção do sal subsiste ainda na Figueira da Foz, Alcochete, Alcácer do Sal e Olhão, não existindo praticamente memória da sua produção a norte do rio Mondego. Porém, a mesma verificava-se em tempos idos na foz do rio Lima, junto a Viana do Castelo, sendo disso testemunha a toponímia local. Uma vez abandonada esta actividade, ficaram os sapais que, apesar das regras de protecção ambiental, parecem desafiar os urbanistas na sua ânsia de levar o betão e o alcatrão até ao limite da sua ambição.

A recuperação das marinhas de sal de Viana do Castelo e a sua transformação em núcleo museológico, com funções didácticas, poderia constituir uma mais-valia cultural e turística para a região uma vez que seria um caso singular no norte do país. Aliás, à semelhança do que se verifica com o moinho de maré existente no rio Lima, conhecido por “Azenha de D. Prior”. A procura turística está cada vez mais virada para a vertente cultural e não se contenta mais com a visita a um monumento bastante conhecido, por mais valioso e apreciado que seja. Também os mais jovens se interessam em conhecer os processos naturais de produção, incluindo o ciclo do sal, conscientes de que este não nasce misteriosamente nas prateleiras dos supermercados.

Por outro lado, a recuperação das marinhas de sal representa o enriquecimento do nosso património cultural uma vez que traz-nos ao conhecimento, uma das formas de vida que outrora também ocupava os vianenses. É que, se noutras épocas existiram marinhas de sal na foz do rio Lima também existiram salineiros que fizeram desse o seu modo de vida. E, por conseguinte, possuíam os seus instrumentos de trabalho, o seu vestuário apropriado, os seus ritmos e modos de ser. E, quem sabe, ainda existirão peças de interesse junto dos descendentes dos antigos marnotos. Aliás, este deve constituir um tema de reflexão relacionado com o folclore vianense.

A presença do sal na economia e na dieta alimentar dos portugueses assumiu particular relevo na época dos descobrimentos quando era utilizado na conservação dos alimentos, medida considerada necessária para a sua preservação durante viagens tão prolongadas. Não admira, pois, a forma como consumimos o bacalhau e também a secagem de outros peixes, como ainda se pode observar na Nazaré, aliás à semelhança das práticas dos povos da península indiana em virtude do enorme afastamento de muitas cidades em relação ao mar. De resto, o seu tempero marca de forma algo indelével o paladar dos portugueses ao longo de sucessivas gerações e distingue a sua culinária em relação às dos demais povos europeus. O sal constitui, pois, um dos factores de desenvolvimento económico e os diferentes aspectos da vida que lhe está relacionada uma das marcas da nossa identidade.

Algures na Polónia, um luxuoso hotel foi construído no interior de uma mina de sal-gema idêntico à que existe em Loulé. Entre nós, as marinhas de sal de Rio Maior organizaram-se como cooperativa de sal e turismo, continuam a exportar muitas toneladas especialmente para a Holanda e recebem diariamente muitas centenas de visitantes. Da mina de Loulé é extraído o sal que é espalhado nas estradas francesas para desobstruí-las da neve. Alcochete criou um pólo museológico com ligação aos estabelecimentos de ensino da localidade. A cidade de Viana do Castelo bem poderá recuperar as suas marinhas de sal e transformá-las num grandioso pólo de animação cultural e turístico.

PONTE DE LIMA RECEBE CONGRESSO INTERNACIONAL PARA DEBATER A SUA HISTÓRIA

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“Dos tempos medievais à contemporaneidade: Ponte de Lima no espaço e no tempo” é o tema do Congresso Internacional que vai ter lugar em Ponte de Lima nos próximos dias 18 e 19 de Novembro, no Teatro Diogo Bernardes. A organização é do Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória (CITCEM) e conta com o apoio da Câmara Municipal de Ponte de Lima, devendo reunir especialistas nacionais e estrangeiros que irão debater aspectos relacionados com a sua História.

De acordo com os seus promotores, pretende-se com esta iniciativa “realizar um balanço das mais recentes investigações sobre uma vila e um concelho tão ricos em história, perspectivar novos enfoques de análise e despertar o interesse dos seus habitantes e, em particular, de professores, investigadores e alunos de todos os níveis de ensino, pela história local”.

BRAGA ASSINALA DIA NACIONAL DOS BENS CULTURAIS DA IGREJA

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Vai realizar-se em Braga a 1ª edição do Dia Nacional dos Bens Culturais da Igreja. A iniciativa, promovida pelo Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja, tem lugar no Auditório Vita no próximo dia 18 de Outubro, data consagrada no calendário litúrgico a S. Lucas, padroeiro dos artistas.

Pretende-se com esta iniciativa criar um espaço de reflexão e partilha do trabalho desenvolvido no âmbito das dioceses em torno do património eclesiástico, dando visibilidade e debatendo novas propostas de actuação. Este encontro é dedicado ao tema “Património da Igreja: Conhecer e Fruir” e vai reunir vários dirigentes e responsáveis das diferentes dioceses do país.

AUTOCARROS DA CARREIRA DE VIANA AOS ARCOS DE VALDEVEZ MOVIDOS A GASOGÉNIO

 

Autocarro a gasogénio

Numa época de escassez de petróleo devido às limitações do comércio marítimo no contexto da Segunda Guerra Mundial, alguns países socorreram-se do chamado gasogénio para assegurar nomeadamente o funcionamento de transportes públicos. Tal foi o caso dos autocarros de carreira entre Viana do Castelo, Ponte de Lima e Arcos de Valdevez como a foto documenta.

O gasogénio foi inventado na década de vinte do século passado pelo engenheiro químico francês Georges Imbert e consistia numa mistura combustível de gases produzida por um método de combustão incompleta com recurso a madeira e carvão entre outros combustíveis ricos em carbono em combinação com oxigénio e até vapor de água, razão pela qual também é denominado por “gás de síntese”. Na imagem, vemos o equipamento instalado nas traseiras do autocarro.

RICARDINA SILVA: PINTORA É NATURAL DE ESPOSENDE

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Ricardina Silva nasceu em Esposende e vive actualmente em Leiria. Como ela própria refere, “desde tenra idade que adorava desenhar apenas com um lápis e uma folha branca, guardava todos os desenhos num dossier”. Aos dezassete anos experimentou a pintura sobre tela em acrílico.

Em 2006 realizou a primeira exposição e, a partir de então nunca mais parou. Sucederam-se os concursos e as bienais, passou a experimentar outras técnicas como a pintura a óleo, mista, pastel, aguarela e os desenhos começaram a ser realizados a carvão e grafite.

Para a artista, “cada obra é como um poema harmonioso, de cores luminosas que transparecem num clima rimático e transmitem a paz interior que desejo. Quando realizo um desenho ou uma pintura entrego o meu coração… a minha alma. É como se viajasse para um sítio maravilhoso e mágico, onde não existe o sofrimento, mas sim alegria e cor. Normalmente, para a realização das minhas obras utilizo diversas técnicas como o óleo, o acrílico e a mista. Apesar do diversificado leque de temáticas que já executei, nas minhas obras a que predomina é a do mar, remontando às minhas origens”.