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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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ARTE DE AMAR PONTE DE LIMA: A PALAVRA E A IMAGEM

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Amar Ponte de Lima por meio da palavra e da imagem é o mais recente desafio lançado por dois poetas limianos que se exprimem cada um a seu modo – Cláudio Lima através da poesia, Amândio de Sousa Vieira por meio da fotografia – fazendo coincidir a beleza do instantâneo captado através da câmara com a sonoridade e o encanto da poesia, elevando a garndeza do sentimento à condição sublime da arte. Com efeito, “Arte de Amar Ponte de Lima” constitui o título de um livro de poemas, em verso e imagens, que Cláudio Lima e Amândio Vieira publicaram, editado pelo Lions Clube de Ponte de Lima, com o patrocínio da Câmara Municipal.

Neste livro de poemas, os autores conduzem o leitor através dos recantos medievais da vila limiana e dos lugares bucólicos das suas aldeias, contemplar as sacadas e a deleitar-se com o remanso entardecer do Lima, extasiar-se com a paisagem que inspirou poetas e seduziu as legiões do Império, embriagar-se com a volúpia das cores e deixar-se contagiar com a alegria inebriante das romarias minhotas que encontram nas Feiras Novas o seu expoente máximo. O moinho velho e os plátanos despidos contemplando a cheia, o candeeiro naufragado e o barqueiro num cenário quase irreal, as mulheres lavando a roupa no “rio feiticeiro” e a bandeira municipal flutuando altiva sobre as ameias da História. São imagens e palavras que nos ensinam a “Arte de Amar” Ponte de Lima – porque é de Arte que realmente se trata e não do sentimento de Amar, porque este, já vive no coração e na alma da gente limiana. Parafraseando o Poeta, só os limianos amam Ponte de Lima – os estranhos, quanto muito, apenas a admiram!

Na impossibilidade que sentimos em reproduzir fielmente a imagem que Amândio Vieira nos pretendeu transmitir, fiquemos com as palavras, sentidas e traduzidas por Claúdio Lima, qual reluzente colar de contas que dá pelo título:

FEIRAS NOVAS

Feiras Novas – e tão velhas;

Tão velhas – e sempre novas...

Um rio sobre outro rio:

Cantares ao desafio

Em linda rima de trovas...

 

Um rio sobre outro rio:

Gente que chega e que dança

Possessa do alvoroço.

Feiras Novas... a aliança

Da alegria e da pujança

Que ferveno sangue moço.

 

Feiras Novas ... luz a rodos

Incendiando as romanas

Pedras da ponte que encanta.

São cristãs ou são profanas ?

São as gentes limianas

Com a alma na garganta...

Com uma já considerável obra publicada com especial relêvo para o domínio da poesia, Cláudio Lima possui ainda vasta colaboração literária espalhada em jornais e revistas também no Brasil e Angola, também nas áreas da ficção, da diarística e da crítica literária, fazendo muitos dos seus trabalhos parte integrante de antologias e obras colectivas.

O livro de poemas que acaba de publicar vem juntar-se a outros da sua autoria cuja leitura nos deram momentos de prazer indiscutíveis como “A Foz das Palavras”, “Por aqui não é passagem”, “Itinerarium”, “Maçã pra Dois” e “Vate do Reino”.

Cláudio Lima é o pseudónimo literário de Manuel da Silva Alves. Nascido em Calvelo, no Concelho de Ponte de Lima, tal facto não podia passar indiferente à sua sensibilidade poética, procurando nas margens do mítico Lethes e nos montes de Parnaso que o rodeiam as musas inspiradoras as quais, com as suas liras também deram o mote a numerosos poetas que ali nasceram e simplesmente passaram algum tempo das suas vidas, entre os quais salientamos Diogo Bernardes e António Feijó. Através da palavra, Cláudio Lima canta a terra que o viu nascer, celebra a beleza e a criação divina que foi generosa na terra limiana, o esplendor da paisagem e a simplicidade das suas gentes. É com arte que ama Ponte de Lima!

E, se Cláudio Lima possui a capacidade intrínseca de nos transmitir por meio da palavra essa Arte de Amar Ponte de Lima, Amândio de Sousa Vieira fá-lo através da imagem com notável talento que não receamos o risco de afirmar que nos encontramos perante o melhor artista fotográfico da nossa região. Apesar das distâncias que o tempo ergueu, não podía deixar de realçar a sua extraordinária sensibilidade poética expressa através da imagem que capta através da objectiva a qual, desde sempre vem colocando ao serviço da terra limiana e das suas gentes. São exemplo disso os livros que já publicou, entre os quais salientamos “Formas de Ver”, “Outros Tempos”, “A Torre de Refoios” e “Ponte de Lima – Minha Pátria”. Na realidade, qual Mãe extremosa, Ponte de Lima tem a feliz sorte de contar com a devoção dos seus filhos que lhe dedicam as suas melhores orações, num misto de amor e de fé, dando forma a uma espiritualidade quase religiosa a que chamamos limianismo!

VILARINHO DA FURNA VIVE DIA MEMORÁVEL

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No passado dia 16 do corrente mês, foi apresentado, no Museu Etnográfico de Vilarinho da Furna, o romance de André Gago, Rio Homem, a que se seguiu a visita à antiga aldeia, presentemente a descoberto.

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RIO HOMEM

“Que grande nome para um rio!” – disse Torga.

RIO HOMEM

“Que grande nome para um livro!” – digo eu -,  este romance de André Gago, que, há uns tempos, foi lançado, em Lisboa.

Na altura, por motivos de labor académico, não me foi possível assistir ao lançamento desta obra.

Mas não resisti a enviar uma mensagem, em nome pessoal e d’AFURNA, a felicitar o autor, por este seu trabalho, cuja trama decorre no palco de Vilarinho da Furna.

E deixei um desafio: porque não programar uma apresentação do livro, no Museu Etnográfico de Vilarinho da Furna?

Esse desafio foi agora correspondido pelo autor, André Gago, conhecido autor e actor, um homem da escrita, do teatro, do cinema, da televisão, em síntese, um homem da cultura, que nos deu a honra da sua presença no Museu Etnográfico de Vilarinho da Furna. Com a simpática companhia de Rui C. Barbosa, que, entre muitas outras coisas, tem calcorreado a nossa terra e procurado documentar a memória das Minas dos Carris, por onde perpassa parte da estória, que o André nos conta.

Se o livro do André Gago é uma homenagem a Vilarinho da Furna, esta sessão foi, assim o espero, uma homenagem, ainda que singela, ao autor desse livro, que acabou de ganhar o prémio do Pen Clube.

RIO HOMEM é uma obra de grande fôlego, em que o autor, a partir da sua juvenil e inesquecível visão, nos anos 80, do século passado, da aldeia de Vilarinho da Furna, submersa por uma barragem, nos leva até à guerra civil de Espanha e consequente segunda guerra mundial, ao mesmo tempo que faz um retrato de Portugal, de1939 a 1972.

O livro lê-se com agrado, pela elegância da escrita, fidelidade aos dados históricos, no que ao ensaio concerne, e originalidade na ficcional estória romanesca, com toda a sua profundidade dramática.

Muitas obras já foram feitas sobre Vilarinho da Furna, da ciência à ficção, passando pelo cinema e pela poesia. Onde sobressaem nomes como Link, Tude de Sousa, Jaime Cortesão, Orlando Ribeiro, Jorge Dias, Rosado e Delmira Correia, João Machado Cruz, Miguel Torga, António Campos, Manoel de Oliveira, entre tantos outros, e, agora, André Gago.

São obras que, cada uma ao seu jeito, muito dignificam a aldeia, o povo de Vilarinho, a ciência e a literatura portuguesa.

Manoel de Oliveira, nos idos de 50, do século passado, pensou fazer um filme sobre Vilarinho da Furna. Hoje, com os seus 102 anos, ainda está em boa idade para fazer o “filme da sua vida”, a partir do Rio Homem, de André Gago. Aqui fica o desafio.

Vilarinho da Furna, apesar de submersa, foi e continua ser uma aldeia suficientemente rica para a investigação dos cientistas, a imaginação dos artistas, a inspiração de muitos.

RIO HOMEM é a prova disso.

Obrigado André, o povo de Vilarinho agradece.

Museu Etnográfico de Vilarinho da Furna

Manuel de Azevedo Antunes

(Presidente da Direcção d’AFURNA)

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A imagem mostra a aldeia de Vilarinho da Furna a emergir das águas da albufeira.

CORETO PARA RECEPÇÃO DE AFONSO XIII NA SUA VISITA A LISBOA EM 1903 FOI CONSTRUÍDO POR UM VIANENSE

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A imagem, de autor não identificado, mostra um coreto que foi montado por ocasião da visita que o rei Afonso XIII, de Espanha, fez a Lisboa em 1903. Este coreto foi construído por um empreiteiro de Viana do Castelo de seu nome Filipe Mateus Branco, e tinha a forma de um pavilhão rústico. Foi instalado na avenida da Liberdade e destinava-se à realização de um arraial minhoto a ter lugar no âmbito das cerimónias de recepção ao visitante.

Recorde-se que Afonso XIII visitou Lisboa em 13 de Dezembro daquele ano, tendo desembarcado no Cais das Colunas. Foi recebido com bastante pompa e a visita incluiu a realização de uma grandiosa sessão de fogo-de-artifício.

A fotografia, em negativo de gelatina e prata em vidro, pertence ao Arquivo Municipal de Lisboa.

“CRÓNICAS DE UM OUTRO TEMPO” DE JOSÉ ERNESTO COSTA EVOCA A PÁTRIA DO LIMA

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Qual cronista da pátria limiana, tal como a seu tempo o foi Fernão Lopes em relação ao Reino de Portugal, José Ernesto Costa relata-nos por palavras e imagens quadros simples da terra e da vida das gentes limianas, retendo-nos na memória de tempos idos que urge fixar no registo histórico para não mais se perderem na voragem dos tempos ou na correria do quotidiano. São imagens e palavras que surgem compiladas em livro que é, na realidade, um excelente álbum que dá pelo título “Crónicas de um outro tempo”.

Para além de vasta colaboração poética, jornalística, fotográfica e de crítica literária dispersa em vários jornais e revistas, José Ernesto Costa publicou em livro “Poemas da Terra e do Lima” e ainda “Cheia do Rio Lima” que constitui um excelente registo fotográfico e histórico de um dos fenómenos naturais que mais tem marcado a região limiana e a vida das suas gentes ao longo dos séculos.

José Ernesto Costa nasceu e vive em Ponte de Lima. Publicou três volumes de ““Crónicas de um outro tempo”. Resta-nos a esperança de que as sua crónicas não se fiquem por aqui, apesar dos tempos serem outros.

PAREDES DE COURA PROMOVE CONFERÊNCIAS SOBRE ANTIGOS MOSTEIROS BENEDITINOS

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O Arquivo Municipal de Paredes de Coura promove, no próximo dia 28 de Outubro, pelas 18 horas e 30, as conferências “Tibães no Arquivo Secreto do Vaticano”, da autoria de Micaela Ramon, professora auxiliar do Departamento de Estudos Portugueses e Lusófonos, do Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho, e “Na Rota dos Mosteiros Beneditinos: Luz e Trevas sobre Ganfei”, da mestre em Teoria da Literatura, pela Universidade do Minho, Ana Paula Ferreira. A primeira oradora procurará desvendar alguns aspetos indicadores da importância do mosteiro beneditino de Tibães no contexto das relações de Portugal com o mundo, nomeadamente durante o período da expansão portuguesa, a partir das referências que o vastíssimo Arquivo Secreto do Vaticano faz a documentos produzidos por religiosos daquele mosteiro.

Por seu turno, ainda dentro da mesma atmosfera temática, a docente e investigadora Ana Paula Ferreira propõe-se reavivar a “fervilhante” actividade cultural e espiritual do mosteiro beneditino de Ganfei, com base no estudo aprofundado das Memórias escritas pelo monge tibanense Frei António da Assunção Meireles. A reconstituição da história dessa casa religiosa levar-nos-á às ligações a Paredes de Coura, numa viagem ao passado que se prende com a própria História de Portugal.

Micaela Ramon é Professora Auxiliar do Departamento de Estudos Portugueses e Lusófonos do Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho, onde lecciona Literatura Portuguesa dos períodos Renascentista, Maneirista e Barroco e Português como Língua Estrangeira em cursos de graduação, pós-graduação e extensão. É licenciada em ensino de Português–Francês, mestre em ensino da Língua e da Literatura Portuguesas e doutorada em Literatura Portuguesa por aquela Universidade. Tem publicada a obra Os Sonetos Amorosos de Camões. Estudo Tipológico, sendo igualmente autora de cinco verbetes do Dicionário Camoniano, elaborado sob a coordenação do Prof. Doutor Vítor de Aguiar e Silva.

Licenciada em Português – Francês, pela Universidade de Évora, em 1995, Ana Paula Ferreira é professora do Ensino Básico e Secundário, desde 1990, tendo desempenhado ao longo da carreira vários cargos, entre os quais o de Presidente do Órgão de Gestão da Escola Secundária de Paredes de Coura. Concluiu o Mestrado em Teoria da Literatura, área de especialização em Literaturas Lusófonas, na Universidade do Minho, tendo desenvolvido a sua dissertação sobre o manuscrito Memórias para a História particular do Mosteiro de Ganfei, de Frei António da Assunção Meireles.

Recorde-se que as conferências temáticas se integram na estratégia de dinamização cultural prosseguida pelo Arquivo Municipal de Paredes de Coura, aberto ao público em 5 de Maio de 2008, a par da organização de exposições, lançamento de livros, coordenação de projectos pedagógicos, visitas guiadas, entre outras iniciativas de interacção com a comunidade.

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FAMALICÃO REALIZA EXPOSIÇÃO SOBRE MOLINOLOGIA

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O Município de Vila Nova de Famalicão vai organizar no dia 5 de Novembro o Seminário: “Património Periférico – Cultura e Território”, que irá decorrer na Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco. Este seminário está enquadrado na exposição itinerante: “Património à Prova de Água: Apontamento para a salvaguarda das Azenhas e Açudes nas margens do Rio Ave - Vila Nova de Famalicão / Trofa”, patente na Biblioteca Municipal de 3 a 26 de Novembro, a qual  tem por base a investigação realizada pelo Arquitecto Rogério Bruno Guimarães Matos sobre a história da actividade e tecnologias associadas de 15 Azenhas e 9 Açudes localizadas na área de “fronteira administrativa” dos concelhos vizinhos: Vila Nova de Famalicão e Trofa. Neste seminário serão apresentados diferentes casos práticos de trabalho já realizado nesta área, procurando assim, suscitar a discussão sobre os diferentes caminhos já percorridos, e quais os novos desafios que são colocados.

Mais informações e inscrições (gratuitas) on-line em: http://www.vilanovadefamalicao.org/_exposicao_e_seminario

TERRAS DE BOURO FESTEJA S. MARTINHO E COMEMORA ATRIBUIÇÃO DO FORAL

O Concelho de Terras de Bouro vai assinalar no próximo dia 20 de Outubro a atribuição do Foral, em 1514, pelo Rei D. Manuel I. As comemorações vão ter lugar na Vila do Gerês e inclui diversas iniciativas de âmbito cultural como a exposição “Paradoxos…Senda da Luz”, da pintora Luzia Teixeira, e a apresentação de duas obras literárias: “Memórias Geresianas” da autoria do Sr. Dr. Agostinho Moura e “O Gerês: de Bouro a Barroso, Singularidades Individuais e Dinâmicas Territoriais”, da Profª Drª Rosa Fernanda Moreira da Silva.

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Na ocasião e à semelhança dos anos anteriores, realiza-se em Terras de Bouro a “Festa de São Martinho nas terras do Gerês” destinado a divulgar as potencialidades económicas, turísticas e culturais daquela região.

No Largo Padre Martins Capela, em plena sede do Concelho de Terras de Bouro, vão desfilar os ranchos folclóricos e haverá muita animação com os cantadores “Augusto Canário e Amigos”. Haverá ainda corridas de cavalos, uma desfolhada do milho e a prova “Trilho dos Moinhos”.

Terras de Bouro vai também receber uma comitiva de vinte pessoas proveniente de Saint Arnoult en Yvelines, localidade francesa que regista uma forte implantação de emigrantes terrabourenses. A comitiva francesa é chefiada pela autarca de Saint Arnoult-en-Yvelines, Françoise Poussineau e pela Presidente da Comissão de Geminação, Collette Bumillier.

MUSEU DO TRAJE DE VIANA DO CASTELO APRESENTA COLECÇÃO DE AMADEU COSTA

“Traje e Chieira” é o título da exposição temporária de Amadeu Costa que vai estar patente ao público no Museu do Traje de Viana do Castelo, a partir do próximo dia 22 de Outubro. Trata-se de uma iniciativa conjunta da Câmara Municipal de Viana do Castelo e da família do conceituado etnógrafo vianense.

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Amadeu Costa foi um dos grandes divulgadores do Traje à Vianesa, através de exposições, palestras ou da organização da Festas da Senhora d’Agonia e foi também um incansável lutador pela criação de um museu dedicado ao traje regional em Viana do Castelo.

No momento da compra do edifício do Banco de Portugal para a instalação desse Museu, em 1996, foi ele quem organizou a exposição Traje Regional, a primeira que aqui se realizou e, no ano seguinte, organizou também a exposição que marcou a inauguração do Museu: Ambientes Regionais e Trajes. Por esta razão o Museu atribuiu a uma das suas salas o nome de Galeria Amadeu Costa.

Ao longo da sua vida, Amadeu Costa reuniu uma colecção de dezenas de fatos que agora a sua família decidiu, num acto de grande generosidade, doar ao Museu. Esta colecção demonstra a sensibilidade com que viu o traje, e, através dele, o povo vianense. Ele soube guardar e enaltecer os trajes ricos, mas também os mais humildes, mais esquecidos, aqueles que chamaram menos a atenção dos coleccionadores: os trajes de trabalho, grosseiros, com pouca decoração, do quotidiano duro, das idas ao monte cortar o mato para as camas dos animais, ou das lavradas que duravam dias inteiros.

É esta a colecção que agora mostramos e que tem uma fundamental importância para o Museu poder cumprir a sua missão de estudar e divulgar os modos de vida tradicionais do Alto Minho dos finais do século XIX e inícios do XX, que formam a identidade vianense e alto minhota.

QUAIS SÃO OS FERIADOS QUE O GOVERNO QUER SUPRIMIR?

O governo tenciona reduzir o número de feriados e alterar as datas de outros a fim de diminuir os fins-de-semana prolongados a fim de alegadamente aumentar a produtividade.

Encontram-se em Portugal instituídos catorze feriados nacionais, incluindo o dia de Entrudo. Dessa lista, nove são considerados dias festivos católicos e encontram-se abrangidos pela Concordata que o Estado português celebrou em 2004 com a Santa Sé, em cujo artigo 3º se reconhece o direito à sua celebração. Excluindo estes, restam apenas cinco feriados civis que são o 25 de Abril, 1 de Maio, 10 de Junho, 5 de Outubro e 1 de Dezembro.

A não ser que o Estado português pretenda rever a Concordata que celebrou com a Santa Sé de forma a suprimir alguns feriados religiosos, resta apenas a possibilidade de eliminar os feriados civis ou deslocá-los no calendário. A curiosidade consiste em saber quais desses feriados vai o governo suprimir...

GASPAR MOREIRA: UM ARCUENSE EM OURÉM (II)

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Da antiga Igreja de Nossa Senhora de Rio de Couros apenas resta a torre que se vê na imagem. A sua demolição representou uma perda irreparável do património, exemplo que não deve ser seguido.

“Porque, antigamente, abundavam, abundavam ali os curtumes, a terra passou a denominar-se Rio de Couros. Ao que se afirma, lá deve ter existido uma cidade ou grande povoação cujo nome se ignora, sendo também, de anotar que houve, nessa terra, uma capela consagrada a Nossa Senhora de Rio de Couros, ou Radecouros, como noutros tempos se dizia, e que, por fim, mudou para o título de Nossa Senhora da Piedade. Em escavações várias, feitas nas próximidades da igreja, foram encontrados não somente ossos de homens de grande estatura, crânios ainda com dentes, cipós, ou seja colunas próprias para a afixação de instruções de interesse público ou decisões do Senado romano, alicerces, pedaços de telha, tudo denotando grande antiguidade.

A fama do santuário da bonita e pitoresca localidade chegava longe, muita gente admirando o fervor religioso da população, de velhos e novos.

Em Rio de Couros passou a viver um dia, um homem, natural de Arcos de Valdevez, chamado Gaspar Moreira, que foi moço de câmara do rei D. Sebastião. Estava na corte de Lisboa quando o “Desejado” se encaminhou para África e travou com os mouros a célebre batalha de Alcácer Quibir, infausto combate ocorrido em 4 de Agosto de 1578, e no qual, entre outros portugueses e bons cristãos, intervieram, não só aquele monarca, como Gaspar Moreira, que ali ficou prisioneiro. A sua presença irritava constantemente os agarenos, que alimentavam o desejo de lhe dar morte violenta. Poucos cativos, como é da história, foram resgatados, e outros ali morreram em consequência de ferimentos que tiveram no duro combate, e, depois, cheios de fome ou maltratados. Os carcereiros mouros revelavam com as atitudes tomadas contra eles o seu rancor à Pátria lusitana.

Gaspar Moreira era tratado de maneira diferente pois estava preso à parte e às ordens de um oficial da moirama. Beneficiava de certo conforto na masmorra e de boa alimentação.

Numa noite luarenta, quando meditava sobre a sua vida, viu o tal oficial andar passeando perto dos muros da prisão. Na mão direita levava uma espada, e, com a esquerda, segurava uma forte corrente de ferro, a que prendia um grande e domado leão.

O lusitano, continuando junto das grades, ouviu, estupefacto e atemorizado, ele falar com a fera, dizendo que não tardaria muito que não lhe proporcionasse um farto banquete, pois o cristão estava engordando e ía atirar com ele para a sua boca para que o devorasse. Queria vingar-se dos portugueses, que tendo expulso os mouros das Espanhas, ali em Marrocos, os tinham, depois, atacado, mas sido vencidos por graça de Alá. Ante tal facto, atemorizado pela ideia de que o leão o mataria, recordou-se das suas romagens ao Santuário de Nossa Senhora de Rio de Couros, lembrando-se também da Batalha de Alcácer Quibir, dos seus companheiros de armas e de D. Sebastião, que ali tinha perdido a vida. No dia seguinte, viu entrar na prisão o oficial mouro que levava um pensamento: verificar se, com efeito, ele estava em condições de satisfazer o seu inclemente intento. Então, o agareno perguntou-lhe se desejava ficar liberto, ao que logo respondeu, afirmativamente. Nova atitude do oficial o deixou perturbadíssimo, pelo que fez uma prece a Nossa Senhora da Natividade para que, milagrosamente, o livrasse do cativeiro e o conduzisse para Portugal.

De repente, uma luz raiou na prisão, aparecendo-lhe a Virgem Maria com o Menino Jesus nos braços, fazendo-lhe sinal para que a seguisse. Então, as portas do cárcere abriram-se e ele acompanhou a sua libertadora, que, momentos após, desapareceu. De joelhos, tendo reconquistado a liberdade, agradeceu-a ao Céu e à Senhora da Natividade. Logrou, depois, regressar a Portugal, nessa altura já sob dominação castelhana, logo se dirigindo à ermida de Nossa Senhora de Rio de Couros para se lhe mostrar grato pelo seu milagre. Mais algum tempo passou e, quando sentiu a morte aproximar-se, rogou que o seu corpo – e assim se fez – fosse metido num caixão de pedra e sepultado junto da capela. Isso fortificou, justificadamente, a fé que já se tinha na miraculosa Senhora” 

In Jornal “O Século”, secção “Lendas de Portugal”, de 25 de Dezembro de 1970 

Fonte: http://auren.blogs.sapo.pt/

PONTE DE LIMA EXPÕE PINTURA DE RICARDINA SILVA

Na Galeria da Torre da Cadeia Velha, em Ponte de Lima, encontra-se patente ao público até ao próximo dia 30 de Outubro a exposição de pintura de Ricardina Silva, podendo ser visitada de Segunda a Sábado, das 9h30 às 12h30 e das 12h30 às 18 horas. Aos Domingos, a exposição encontra-se aberta das 10 h às 12h30 das 15h às 18h.

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O título da exposição é “Olhar/Sentir” porque, como refere a pintora, “esta exposição pretende estimular sentimentos, emoções e olhares… interpretações e diferentes formas de ver e sentir a arte”.

A exposição é composta por pinturas a óleo, acrílico e técnica mista.

A pintora Ricardina Silva é natural de Esposende e vive actualmente em Leiria. Como ela própria refere, “desde tenra idade que adorava desenhar apenas com um lápis e uma folha branca, guardava todos os desenhos num dossier”. Aos dezassete anos experimentou a pintura sobre tela em acrílico.

Em 2006 realizou a primeira exposição e, a partir de então nunca mais parou. Sucederam-se os concursos e as bienais, passou a experimentar outras técnicas como a pintura a óleo, mista, pastel, aguarela e os desenhos começaram a ser realizados a carvão e grafite.

Para a artista, “cada obra é como um poema harmonioso, de cores luminosas que transparecem num clima rimático e transmitem a paz interior que desejo. Quando realizo um desenho ou uma pintura entrego o meu coração… a minha alma. É como se viajasse para um sítio maravilhoso e mágico, onde não existe o sofrimento, mas sim alegria e cor. Normalmente, para a realização das minhas obras utilizo diversas técnicas como o óleo, o acrílico e a mista. Apesar do diversificado leque de temáticas que já executei, nas minhas obras a que predomina é a do mar, remontando às minhas origens”.

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AS GUALTERIANAS EM 1910

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O jornal “A Capital” na sua edição de 22 de Julho de 1910 dispensou rasgados elogios ao grafismo do cartaz que anunciavam as Festas Gualterianas desse ano, na cidade de Guimarães. Para além de tais referências, descreve os aspectos relacionados com a organização e o programa dos festejos, mormente a “batalha de flores” com as ornamentações, o desfile de meia centena de carruagens, a instalação do coreto para actuação das bandas de música e os pavilhões destinados à exposição agrícola e ao mercado industrial de Guimarães. E conclui: “Todos estes attractivos, que hão de chamar enorme concorrência a Guimarães, se devem aos patrióticos esforços da direcção da Associação Commercial”.

GASPAR MOREIRA: UM ARCUENSE EM OURÉM (I)

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Painel de azulejos existente junto ao escadório da Igreja de Rio de Couros, em Ourém

 

“No dia 4 de Agosto de 1578, ficou prisioneiro dos mouros, Gaspar Moreira, Moço de Câmara de El-Rei Dom Sebastião, Filho de Pedro Alves Bandeira, 4º Neto do Grande Gonçalo Pires Bandeira, era natural de Arcos de Valdevez, Nossa Senhora da Natividade, que se venera nesta Igreja, livrou-o da prisão e cativeiro”.

- Legenda que consta do painel de azulejos existente na escadaria de acesso à Igreja de Rio de Couros e que reproduz uma antiga gravura outrora existente na sacristia da capela entretanto demolida.

Fonte: http://auren.blogs.sapo.pt/