Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

TERRAS DE BOURO FESTEJA S. MARTINHO E COMEMORA ATRIBUIÇÃO DO FORAL

O Concelho de Terras de Bouro vai assinalar no próximo dia 20 de Outubro a atribuição do Foral, em 1514, pelo Rei D. Manuel I. As comemorações vão ter lugar na Vila do Gerês e inclui diversas iniciativas de âmbito cultural como a exposição “Paradoxos…Senda da Luz”, da pintora Luzia Teixeira, e a apresentação de duas obras literárias: “Memórias Geresianas” da autoria do Sr. Dr. Agostinho Moura e “O Gerês: de Bouro a Barroso, Singularidades Individuais e Dinâmicas Territoriais”, da Profª Drª Rosa Fernanda Moreira da Silva.

feira_martinho

Na ocasião e à semelhança dos anos anteriores, realiza-se em Terras de Bouro a “Festa de São Martinho nas terras do Gerês” destinado a divulgar as potencialidades económicas, turísticas e culturais daquela região.

No Largo Padre Martins Capela, em plena sede do Concelho de Terras de Bouro, vão desfilar os ranchos folclóricos e haverá muita animação com os cantadores “Augusto Canário e Amigos”. Haverá ainda corridas de cavalos, uma desfolhada do milho e a prova “Trilho dos Moinhos”.

Terras de Bouro vai também receber uma comitiva de vinte pessoas proveniente de Saint Arnoult en Yvelines, localidade francesa que regista uma forte implantação de emigrantes terrabourenses. A comitiva francesa é chefiada pela autarca de Saint Arnoult-en-Yvelines, Françoise Poussineau e pela Presidente da Comissão de Geminação, Collette Bumillier.

MUSEU DO TRAJE DE VIANA DO CASTELO APRESENTA COLECÇÃO DE AMADEU COSTA

“Traje e Chieira” é o título da exposição temporária de Amadeu Costa que vai estar patente ao público no Museu do Traje de Viana do Castelo, a partir do próximo dia 22 de Outubro. Trata-se de uma iniciativa conjunta da Câmara Municipal de Viana do Castelo e da família do conceituado etnógrafo vianense.

capture1

Amadeu Costa foi um dos grandes divulgadores do Traje à Vianesa, através de exposições, palestras ou da organização da Festas da Senhora d’Agonia e foi também um incansável lutador pela criação de um museu dedicado ao traje regional em Viana do Castelo.

No momento da compra do edifício do Banco de Portugal para a instalação desse Museu, em 1996, foi ele quem organizou a exposição Traje Regional, a primeira que aqui se realizou e, no ano seguinte, organizou também a exposição que marcou a inauguração do Museu: Ambientes Regionais e Trajes. Por esta razão o Museu atribuiu a uma das suas salas o nome de Galeria Amadeu Costa.

Ao longo da sua vida, Amadeu Costa reuniu uma colecção de dezenas de fatos que agora a sua família decidiu, num acto de grande generosidade, doar ao Museu. Esta colecção demonstra a sensibilidade com que viu o traje, e, através dele, o povo vianense. Ele soube guardar e enaltecer os trajes ricos, mas também os mais humildes, mais esquecidos, aqueles que chamaram menos a atenção dos coleccionadores: os trajes de trabalho, grosseiros, com pouca decoração, do quotidiano duro, das idas ao monte cortar o mato para as camas dos animais, ou das lavradas que duravam dias inteiros.

É esta a colecção que agora mostramos e que tem uma fundamental importância para o Museu poder cumprir a sua missão de estudar e divulgar os modos de vida tradicionais do Alto Minho dos finais do século XIX e inícios do XX, que formam a identidade vianense e alto minhota.

QUAIS SÃO OS FERIADOS QUE O GOVERNO QUER SUPRIMIR?

O governo tenciona reduzir o número de feriados e alterar as datas de outros a fim de diminuir os fins-de-semana prolongados a fim de alegadamente aumentar a produtividade.

Encontram-se em Portugal instituídos catorze feriados nacionais, incluindo o dia de Entrudo. Dessa lista, nove são considerados dias festivos católicos e encontram-se abrangidos pela Concordata que o Estado português celebrou em 2004 com a Santa Sé, em cujo artigo 3º se reconhece o direito à sua celebração. Excluindo estes, restam apenas cinco feriados civis que são o 25 de Abril, 1 de Maio, 10 de Junho, 5 de Outubro e 1 de Dezembro.

A não ser que o Estado português pretenda rever a Concordata que celebrou com a Santa Sé de forma a suprimir alguns feriados religiosos, resta apenas a possibilidade de eliminar os feriados civis ou deslocá-los no calendário. A curiosidade consiste em saber quais desses feriados vai o governo suprimir...

GASPAR MOREIRA: UM ARCUENSE EM OURÉM (II)

19 julho 2008 069.JPG

Da antiga Igreja de Nossa Senhora de Rio de Couros apenas resta a torre que se vê na imagem. A sua demolição representou uma perda irreparável do património, exemplo que não deve ser seguido.

“Porque, antigamente, abundavam, abundavam ali os curtumes, a terra passou a denominar-se Rio de Couros. Ao que se afirma, lá deve ter existido uma cidade ou grande povoação cujo nome se ignora, sendo também, de anotar que houve, nessa terra, uma capela consagrada a Nossa Senhora de Rio de Couros, ou Radecouros, como noutros tempos se dizia, e que, por fim, mudou para o título de Nossa Senhora da Piedade. Em escavações várias, feitas nas próximidades da igreja, foram encontrados não somente ossos de homens de grande estatura, crânios ainda com dentes, cipós, ou seja colunas próprias para a afixação de instruções de interesse público ou decisões do Senado romano, alicerces, pedaços de telha, tudo denotando grande antiguidade.

A fama do santuário da bonita e pitoresca localidade chegava longe, muita gente admirando o fervor religioso da população, de velhos e novos.

Em Rio de Couros passou a viver um dia, um homem, natural de Arcos de Valdevez, chamado Gaspar Moreira, que foi moço de câmara do rei D. Sebastião. Estava na corte de Lisboa quando o “Desejado” se encaminhou para África e travou com os mouros a célebre batalha de Alcácer Quibir, infausto combate ocorrido em 4 de Agosto de 1578, e no qual, entre outros portugueses e bons cristãos, intervieram, não só aquele monarca, como Gaspar Moreira, que ali ficou prisioneiro. A sua presença irritava constantemente os agarenos, que alimentavam o desejo de lhe dar morte violenta. Poucos cativos, como é da história, foram resgatados, e outros ali morreram em consequência de ferimentos que tiveram no duro combate, e, depois, cheios de fome ou maltratados. Os carcereiros mouros revelavam com as atitudes tomadas contra eles o seu rancor à Pátria lusitana.

Gaspar Moreira era tratado de maneira diferente pois estava preso à parte e às ordens de um oficial da moirama. Beneficiava de certo conforto na masmorra e de boa alimentação.

Numa noite luarenta, quando meditava sobre a sua vida, viu o tal oficial andar passeando perto dos muros da prisão. Na mão direita levava uma espada, e, com a esquerda, segurava uma forte corrente de ferro, a que prendia um grande e domado leão.

O lusitano, continuando junto das grades, ouviu, estupefacto e atemorizado, ele falar com a fera, dizendo que não tardaria muito que não lhe proporcionasse um farto banquete, pois o cristão estava engordando e ía atirar com ele para a sua boca para que o devorasse. Queria vingar-se dos portugueses, que tendo expulso os mouros das Espanhas, ali em Marrocos, os tinham, depois, atacado, mas sido vencidos por graça de Alá. Ante tal facto, atemorizado pela ideia de que o leão o mataria, recordou-se das suas romagens ao Santuário de Nossa Senhora de Rio de Couros, lembrando-se também da Batalha de Alcácer Quibir, dos seus companheiros de armas e de D. Sebastião, que ali tinha perdido a vida. No dia seguinte, viu entrar na prisão o oficial mouro que levava um pensamento: verificar se, com efeito, ele estava em condições de satisfazer o seu inclemente intento. Então, o agareno perguntou-lhe se desejava ficar liberto, ao que logo respondeu, afirmativamente. Nova atitude do oficial o deixou perturbadíssimo, pelo que fez uma prece a Nossa Senhora da Natividade para que, milagrosamente, o livrasse do cativeiro e o conduzisse para Portugal.

De repente, uma luz raiou na prisão, aparecendo-lhe a Virgem Maria com o Menino Jesus nos braços, fazendo-lhe sinal para que a seguisse. Então, as portas do cárcere abriram-se e ele acompanhou a sua libertadora, que, momentos após, desapareceu. De joelhos, tendo reconquistado a liberdade, agradeceu-a ao Céu e à Senhora da Natividade. Logrou, depois, regressar a Portugal, nessa altura já sob dominação castelhana, logo se dirigindo à ermida de Nossa Senhora de Rio de Couros para se lhe mostrar grato pelo seu milagre. Mais algum tempo passou e, quando sentiu a morte aproximar-se, rogou que o seu corpo – e assim se fez – fosse metido num caixão de pedra e sepultado junto da capela. Isso fortificou, justificadamente, a fé que já se tinha na miraculosa Senhora” 

In Jornal “O Século”, secção “Lendas de Portugal”, de 25 de Dezembro de 1970 

Fonte: http://auren.blogs.sapo.pt/