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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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RICARDINA SILVA: PINTORA É NATURAL DE ESPOSENDE

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Ricardina Silva nasceu em Esposende e vive actualmente em Leiria. Como ela própria refere, “desde tenra idade que adorava desenhar apenas com um lápis e uma folha branca, guardava todos os desenhos num dossier”. Aos dezassete anos experimentou a pintura sobre tela em acrílico.

Em 2006 realizou a primeira exposição e, a partir de então nunca mais parou. Sucederam-se os concursos e as bienais, passou a experimentar outras técnicas como a pintura a óleo, mista, pastel, aguarela e os desenhos começaram a ser realizados a carvão e grafite.

Para a artista, “cada obra é como um poema harmonioso, de cores luminosas que transparecem num clima rimático e transmitem a paz interior que desejo. Quando realizo um desenho ou uma pintura entrego o meu coração… a minha alma. É como se viajasse para um sítio maravilhoso e mágico, onde não existe o sofrimento, mas sim alegria e cor. Normalmente, para a realização das minhas obras utilizo diversas técnicas como o óleo, o acrílico e a mista. Apesar do diversificado leque de temáticas que já executei, nas minhas obras a que predomina é a do mar, remontando às minhas origens”.

RICARDINA SILVA EXPÕE EM PONTE DE LIMA

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A pintora Ricardina Silva vai expor em Ponte de Lima diversas obras de sua autoria de carácter surrealista e realista abordando diversas temáticas. A exposição “Olhar/Sentir” estará é inaugurada no próximo dia 15 de Outubro e ficará patente ao público até ao dia 30 de Outubro, na Galeria da Torre da Cadeia Velha, podendo ser visitada de Segunda a Sábado das 9h30 às 12h30 e das 14h00 às 18h00. Domingo das 10h00 às 12h30 e das 15h00 às 18h00. E a entrada é livre.

O Título da exposição é "Olhar/Sentir". Porquê este título: "Esta exposição pretende estimular sentimentos, emoções e olhares...interpretações e diferentes formas de ver e sentir a arte.".Exposição composta por obras a óleo, a acrílico e técnica mista.

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TRAJE À VIANESA – EX-LíBRIS DE PORTUGAL

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A Câmara Municipal de Viana do Castelo editou há algum tempo o livro “Um Traje da Nação. Traje à Vianesa”, da autoria de António Medeiros, Benjamim Pereira e João Alpuim Botelho. A cerimónia pública de lançamento teve lugar nas instalações recentemente renovadas do Museu do Traje, a assinalar o Dia dos Museus e integrado nas comemorações dos 750 anos da atribuição do Foral a Viana do Castelo por D. Afonso III.

Pela sua extraordinária beleza e graciosidade dos seus bordados, por tudo que ele representa em termos de criatividade artística e o trabalho que lhe está subjacente, não apenas na sua confecção como ainda nos processos de cultivo, o “traje à vianesa” constitui uma das maiores preciosidades da nossa cultura tradicional e, seguramente, o traje mais emblemático de todos quantos nos identificam como povo.

Considerado o mais belo traje tradicional do nosso país, o “traje à vianesa” transmite a alegria e a vivacidade das nossas gentes, a habilidade artística da mulher minhota, o seu apego à família e às lides domésticas. Através do traje podemos traçar o seu perfil psicológico, estudar os usos e costumes, analisar o contexto social, económico e histórico em que se originou, compreender os comportamentos sociais, os processos agrícolas, enfim, reconstituir a vida social de um povo em todas as suas vertentes.

As moças cuidam da confecção do seu traje como o mesmo desvelo e talento que o ourives emprega na criação da filigrana ou o poeta no encadeamento dos seus versos. Vários foram os escritores que lhe prestaram a maior atenção e dedicaram o seu estudo, como sucedeu com Cláudio Basto cujo livro, “Traje à Vianesa”, ainda constitui uma obra de referência no domínio da etnografia. E, quando o envergam, a mulher minhota revela uma atitude elegante e digna que faz realçar ainda mais a sua beleza natural, salientando discretamente as suas formas graciosas e deslumbrando pelo brilho e o esplendor dos seus adornos a sua figura esbelta.

Disputam os folcloristas a origem do “traje à vianesa”, procuram saber onde o mesmo era utilizado e as formas como se apresentava, vasculham em velhas arcas carcomidas alguma peça de vestuário esquecida para questionarem a sua antiguidade, questionam se o mesmo levava mais linho ou estopa, qual o comprimento original da saia e como deveria aparecer a algibeira sob o avental. São preocupações naturalmente compreensíveis e até justificáveis do ponto de vista etnográfico, não obstante por vezes se confundirem com uma espécie de bairrismo estéril. Porém, apraz-nos registar o enorme interesse que rodeia o “traje à vianesa”, não nos admirando, pois, a disputa que o mesmo suscita: Afinal de contas, quando se trata de defendermos aquilo que é realmente nosso e nos identifica, somos todos minhotos – somos todos vianenses!

Como é evidente, à semelhança do que sucede com todas as coisas, também o “traje à vianesa” se submete às influências das épocas e respectivas modas, registando também os efeitos perversos do uso que lhe é dado, para além da sua primitiva finalidade que consistia simplesmente num vestuário para ser utilizado em dia de festa. Numa determinada época, as exigências do turismo encolheram as saias e provocaram outros estragos que ainda são visíveis no nosso folclore. Enfim, a passagem do tempo e as mudanças sociais causam inevitavelmente o seu desgaste nos objectos e nas mentalidades.

Na realidade, tal como disse Cláudio Basto, “na província do Minho não há, para as mulheres, como para ninguém, um só vestuário regional típico – e nem sequer o há em Viana do Castelo”. O traje à lavradeira possui tantas variantes quantas as aldeias e a criatividade das suas gentes na confecção do seu próprio vestuário e, sobretudo, neste traje que apenas era usado em dias de festa. Sucede que, a sua origem remonta a um tempo em que a indústria então emergente ainda não conseguira impor a padronização das formas, a uniformização dos gostos e a produção da roupa “pronto-a-vestir”. Nem os modestos recursos das nossas gentes permitiam adquirir peças de fábrica, pelo que tinham de semear o linho e tecê-lo nos teares caseiros, agora arrumados ao canto da casa, em muitas aldeias da nossa região. Aliás, conforme se comprova através dos assentos paroquiais de baptismo, eram elevado o número de tecedeiras então existentes, profissão que acabaria por praticamente desaparecer.

Mas o “traje à vianesa” não se deteve na nossa região. Desde há muito tempo que ultrapassou os seus limites naturais, galgou fronteiras e atravessou mares. Ele surge nas mais variadas formas de publicidade, desde sempre foi o traje preferido das crianças no período carnavalesco e em épocas festivas, desfila nas ruas de Nova Jersey por ocasião das celebrações do Dia de Portugal realizadas pela comunidade portuguesa e é envergado por goeses e malaios que, através de ranchos folclóricos, insistem em preservar as suas raízes portuguesas. Em Lisboa, quando as marchas populares desceram pela primeira vez a avenida da Liberdade, o “traje à vianesa” foi o escolhido pela marcha do bairro de Campo de Ourique, sintomaticamente aquele que viria a vencer o concurso. E, ainda há cerca de uma dúzia de anos, aquele bairro lisboeta viria a repetir a escolha do traje, numa evocação da migração minhota que teve aquela cidade como local de destino. Também, no Museu do Homem, em Paris, é o “traje à vianesa” que figura em destaque no expositor dedicado a Portugal, qual ex-líbris a identificar o nosso país.

Não discuto se o “traje à vianesa” é de Viana ou Ponte de Lima, de Valença ou de Caminha, das Argas ou da Ribeira Lima. Ou ainda, se é mais gracioso em Carreço ou na Meadela, Afife ou Areosa, em Perre ou Santa Marta de Portuzelo. O traje de lavradeira, vulgo “traje à vianesa”, é património nacional e ex-líbris de Portugal!