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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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BARCELOS HOMENAGEIA ETNÓGRAFO ANTÓNIO GOMES PEREIRA

Evocação do centenário do nascimento decorre em Midões e Barcelos, no sábado, dia 7 de dezembro

António Gomes Pereira, padre, professor e etnógrafo de nomeada, cujo primeiro centenário da sua morte se comemora no presente ano, vai ser homenageado pelo Município de Barcelos, no próximo sábado, dia 7 de dezembro, com uma série de iniciativas que decorrerão em Midões, sua terra natal e na sede do concelho.

Assim, pelas 12h00, naquela freguesia, na Quinta e Casa de Chapre, onde nasceu, será descerrada uma placa evocativa, seguindo-se uma romagem ao cemitério, onde junto do seu túmulo será depositada uma coroa de flores. Pelas 16h00, na Biblioteca Municipal de Barcelos, será inaugurada uma exposição iconográfica e documental sobre Gomes Pereira, seguindo-se uma conferência pelo Dr. António Júlio Limpo Trigueiros.

António Gomes Pereira nasceu na Casa de Chapre, em Midões, em 30 de setembro de 1859 e faleceu na referida Casa, em 6 de abril de 1913, vítima de tuberculose.

Publicou vários trabalhos sobre etnografia, folclore e toponímia das regiões de Barcelos, Esposende, Guarda, Póvoa de Varzim, Vila do Conde e Terras de Bouro, a maior parte dos quais na revista “Lusitana”. Muitos deste trabalhos foram, depois, publicados em livro, entre os quais, “Tradições Populares, Linguagem e Toponímia de Barcelos” (1915). Publicou ainda uma Selecta de Literatura (1ª edição-1908 – 2ª edição-1912), que foi muito difundida na sua época.

A sua valiosa Biblioteca, com predominância de escritores portugueses e de humanistas estrangeiros, foi doada, parte à Biblioteca do Liceu Rodrigues de Freitas (autores dos séculos XVI a XVIII) e outra parte aos seus amigos, dois dos quais de Esposende, José da Silva Vieira –editor das suas obras e o Dr. Sousa Ribeiro, bem como à Biblioteca do Seminário do Porto.

A Câmara Muncipal de Barcelos instituiu, em 1964, um prémio com o seu nome para galardoar o melhor trabalho em etnografia.

Fez a instrução primária na Escola do Sobreiro da freguesia de Adães. Depois de ter feito os preparatórios liceais em Braga, matriculou-se, em 1 de outubro de 1878, no Curso Teológico, no Seminário de S. Pedro. Concluídos os estudos teológicos em 1881 e, admitido às ordens sacras, é ordenado presbítero, em 23 de setembro de 1882, pelo arcebispo D. João Crisóstomo de Amorim Pessoa. Celebrou a primeira Missa Nova, na Igreja Paroquial de Midões, em 22 de outubro de 1882.

Em 1889, matriculou-se no Curso Superior de Letras da Universidade de Lisboa, depois de ter sido professor no Colégio da Formiga, em Ermesinde e coadjutor do pároco de Valongo. Aqui teve oportunidade de contactar com vários intelectuais, entre os quais o Dr. José Leite de Vasconcelos, adquirindo a paixão pela etnografia e folclore. Concluídos os estudos universitários, permaneceu ainda mais quatro anos na capital, tendo sido subdirector, perfeito e professor nas Oficinas de S. José.

Abalado na sua saúde pelo excesso de trabalho, deixou Lisboa, em Junho de 1896, e regressou à sua terra natal-Midões, onde durante dois anos foi pároco.

Depois de habilitado para o efeito, ingressa, em 1898, no ensino oficial, como professor de Latim e de Português, no Liceu de Vila Real e, a partir de 1902, no Liceu D. Manuel II (actual Rodrigues de Freitas), no Porto, onde se manteve até a meio do ano lectivo de 1909/1910. É nesta cidade que elabora a maior parte das suas obras e alcança notoriedade.