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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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REGIÕES DE TURISMO DEVEM PROMOVER-SE EM LISBOA

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A recente reestruturação das regiões de turismo veio criar condições para que as diferentes regiões do país constituam uma forma de promover na capital as suas potencialidades, divulgar as suas ofertas em termos turísticos e angariar iniciativas no domínio empresarial e da criatividade intelectual para o desenvolvimento das suas regiões.

As diferentes regiões podem e devem constituir “sociedades regionais” que promovam na capital do país o seu turismo, divulguem a gastronomia regional, proporcionem contactos a nível empresarial e visitas guiadas à região. Nos tempos que correm, a representação regional deve passar a ser encarada mais como uma actividade empresarial e vista como um investimento colectivo da região.

Quando, nos anos trinta do século passado, o Estado Novo determinou a alteração da designação dos “grémios regionalistas” que passaram a ser tratados por “casas regionais” com referência a uma determinada província ou conjunto de províncias, à área de uma comarca ou simplesmente de um concelho, visava então aproveitar as suas características e espírito voluntarista dos seus associados para, numa perspectiva corporativa e economizando recursos, potencializar as suas energias e, desse modo, levá-las a desenvolver uma actividade de divulgação de algum modo semelhante ao que realizam as “maisons régionales” em França. Este tratamento, aliás, conferiu-lhes um estatuto de que jamais vieram a beneficiar.

Porém, tal desiderato nunca veio a alcançar-se, tendo inclusive as associações regionalistas de âmbito provincial entretanto entrado em declínio, dando origem ao aparecimento de múltiplas casas regionais de âmbito concelhio que, também estas, revelam uma particular dificuldade em se agruparem com vista à promoção conjunta das respectivas regiões.

As “sociedades regionais” devem possuir uma abrangência provincial, congregando em si as instituições, empresas e outros organismos da área da respectiva região a fim de conseguir uma projecção adequada, desenvolver uma actuação eficaz e conseguir retornos do seu investimento em benefício regional. E, esse empreendimento deve ser feito numa perspectiva empresarial, com elevado desempenho profissional, com propósitos de divulgação e de influência e com claros objectivos de obtenção de lucro e outros proveitos.

Este modelo de “sociedades regionais” já existe nomeadamente em França desde há muito tempo e, apesar da denominação “maisons régionales”, pouco ou nada têm a ver com nossa realidade neste domínio ou seja, as chamadas “casas regionais” que existem no nosso país. De resto, pela sua própria natureza, as “casas regionais” não são susceptíveis de vir a desempenhar aquelas funções, nomeadamente em virtude do seu carácter associativo sem fins lucrativos.

O recente reordenamento das regiões de turismo veio criar excelentes condições para levar por diante a ideia da constituição de “sociedades regionais” que se constituam nomeadamente como delegações de turismo em Lisboa, sejam locais de acolhimento, informação e encaminhamento de possíveis visitantes das respectivas regiões. Porém, a promoção turística não deve constituir a única razão de ser de tais organismos. A intervenção das referidas “sociedades regionais” deve possuir um carácter mais abrangente, naturalmente de acordo com as necessidades e especificidades de cada região, mas contemplando a vertente cultural, económica, social, empresarial, educativa e outras.

As “sociedades regionais”, qualquer que venha a ser a sua designação, podem e devem constituir um projecto colectivo das instituições e forças económicas da região, uma empresa que concentra o esforço colectivo das principais entidades regionais com vista à sua própria valorização e ao desenvolvimento da região onde se inserem. Como empresas, deverão ter capacidade de instalar na capital do país um espaço condigno da sua própria representação, a funcionar em moldes profissionais, com rigor e exemplaridade. As “sociedades regionais” deverão ser locais onde o visitante pode encontrar tudo o que a região tem para lhe oferecer, desde a possibilidade de alojamento à oportunidade de negócios com outras empresas, dos contactos com as autarquias locais à informação turística, da venda de bens culturais à divulgação da gastronomia.

Do Minho ao Algarve, incluindo as regiões autónomas dos Açores e da Madeira, estão neste momento reunidas as condições objectivas para que as diferentes regiões passem a dispor de uma representação na capital do país – uma “sociedade regional” que, numa perspectiva empresarial, congregue as mais diversas entidades da sua região e promova os seus interesses regionalistas. O sucesso depende exclusivamente da visão e capacidade empreendedora das entidades – públicas e privadas – das respectivas regiões!