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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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A ABSTENÇÃO FOI A GRANDE VENCEDORA DAS ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS A NÍVEL NACIONAL

Com 47,36% de abstenção, as eleições autárquicas que acabam de realizar-se registaram a maior taxa de sempre, excedendo largamente os 40,97% atingidos nas últimas eleições autárquicas realizadas em 2009, prosseguindo uma escalada vertiginosa que coloca a participação cívica em atos eleitorais ao nível do que se verifica em muitos regimes não democráticos. É que, sem povo não há democracia!

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Uma vez terminado o escrutínio, as diferentes candidaturas – partidárias e independentes – embrenham-se na contagem dos votos expressamente válidos entrados nas urnas, obcecados no apuramento dos resultados e no cálculo dos mandatos atribuídos, fingindo uma vez mais ignorar que quase metade dos eleitores não legitimaram com o seu voto a sua própria eleição e, consequentemente, o sistema através do qual se fizeram eleger.

Dominados pela embriaguez do poder, todos os argumentos são válidos para desvalorizar o significado da abstenção, atitude arrogante que apenas contribuirá para que a mesma continue a crescer de forma imparável. Silenciosamente, a abstenção acabará por correr os alicerces da democracia na forma como a conhecemos ou seja, um modelo no qual os partidos detêm o monopólio, apresentam programas que rasgam no dia imediato à sua eleição e cuja participação dos cidadãos se resume ao exercício do voto. Um modelo político que já assiste a uma rebelião contra os próprios partidos políticos claramente expressado no apoio manifestado a numerosas candidaturas independentes mas cujo âmbito de participação está restringido às eleições autárquicas.

Perante a cegueira do poder que alimenta a vida dos partidos, a abstenção irá muito provavelmente em breve ultrapassar de forma constante a fasquia dos 50% do eleitorado, retirando às eleições toda a sua credibilidade. E, a verificar-se tal situação, terá inevitavelmente de retirar-se as devidas consequências!

Carlos Gomes