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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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CABRAÇÃO: PÉROLA ESCONDIDA NA SERRA D'ARGA

Qual quadro impressionista no qual o pintor pincelou a tons de verde a clorofila que domina a paisagem, a Cabração é obra-prima do Criador que nas fraldas da serra d’Arga criou um paraíso terreal onde corre o leite e o mel, por sinal tão afamado quanto ao de Himeto, entre os antigos gregos. Quem percorre trilhos e veredas desta povoação – de escassa população mas de grande extensão – pulando os muros de pedra e descendo as ravinas, desde as leiras da escusa às cachoeiras do Passadouro na Balouca, do alto do Chibadouro e dos caminhos sinuosos da Lousa aos recantos da Bemposta, é surpreendido por algo inesperado que se nos oferece aos sentidos. 

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A Cabração é uma sinfonia de cor e luz que nos invade a alma e penetra o coração. Sobre os caminhos, cachos de uvas morangueiras nas latadas exalam um perfume inebriante e o seu suco, qual elixir dionisíaco, deixa um aroma que nos extasia, proporcionando uma atmosfera divinal que nos remete para o monte Parnaso onde António Feijó se inspirou ao redigir os seus versos:

                                      "Nasci à beira do Rio Lima,

                                      Rio saudoso, todo cristal,

                                      Daí a angùstia que me vitima,

                                      Daí deriva todo o meu mal.

                                     

                                      É que nas terras que tenho visto,

                                      Por toda a parte por onde andei,

                                      Nunca achei nada mais imprevisto,

                                      Terra mais linda nunca encontrei.

                                     

                                      São águas claras sempre cantando,

                                      Verdes colinas, alvor de areia,

                                      Brancas ermidas, fontes chorando,

                                      Na TREMULINA DA "LUA CHEIA".

                                     

                                      Se é funda a mágua que me exaspera,

                                      Negra saudade que me devora...

                                      Regresso a ti - Volta a Primavera,

                                      À noite escura segue-se a aurora.

                                     

                                      Oh meus Amigos, quando eu morrer,

                                      Levai meu corpo despedaçado.

                                      Na minha terra, já sem sofrer,

                                      Dormir eu quero mais descansado.

                                     

                                      Belos domingos os das aldeias,

                                      Manhãs serenas, que alegrias,

                                      Um Deus amável até as feias,

                                      Leva cantando à romaria.

                                     

                                      Danças alegres há pelas eiras,

                                      Cantigas tristes pelas quebradas,

                                      Capelas brilham entre roseiras,

                                      As flores sorriem ás namoradas.

                                     

                                      Rindo e sonhando, passam as horas,

                                      Pelos outeiros do meu lugar,

                                      Lábios risonhos tintos de amoras,

                                      Bocas vermalhas sempre a cantar..."

António Feijó

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Vista aérea da Freguesia da Cabração, nas fraldas da Serra d'Arga

" (...) Mas saltara tão de improviso, que mal o viram relampejar, através do brejo, por uma das suas seitas, e num ápice se punha lá para a Cabração, em cujos tesos, a avaliar pelos latidos espaçados, os cães lhe perderam o rasto. Agora, em despeito da ressega, a cada passo os podengos soltavam a sua fanfarra e os gritos dos caçadores: cerca; aboca; ai, cãezinhos duma cana! repercutiam alacremente nas circunvolações dos oiteiros, debaixo do céu lavado.

O tojo, às duas margens do córrego, dava pela cinta dum homem; sobros e carvalhiços anões cresciam em touceiras tão fartas que a caça facilmente se escamugia e tinha bom encosto para alapardar-se."

Aquilino Ribeiro, em A Casa Grande de Romarigães

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Um aspecto do Lugar da Igreja, vulgo "baixa". 

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Um cruzeiro, a fonte e o espigueiro.

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Um aspecto da veiga da Cabração

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O Chouso e, ao longe, o Lugar da Lousa

VENHA DESCOBRIR A ALDEIA DE CABRAÇÃO

A 14 km para noroeste de Ponte Lima, a aldeia de Cabração situa-se entre duas elevações de natureza distinta: a ocidente, a Serra de Arga, uma imponente montanha granítica; a leste, a cumeada de xistos do Formigoso.

O meio envolvente...

Percorrendo a aldeia fica-se com a visão de uma geologia invulgar, pelos materiais usados na construção e ornamentação tradicionais, em especial xistos e granitos. Afloram por aqui algumas rochas quartzo-feldspáticas com grão muito grosseiro e cristais perfeitos vulgarmente conhecidas como pegmatitos. Na primeira metade do século XX, a exploração de estanho num importante conjunto de filões de pegmatito transformou Cabração numa aldeia mineira. A mina de Monteiros é o melhor exemplo dessa atividade. Em algumas escavações mineiras antigas identificam-se, ainda hoje, alguns minerais muito raros, que em Portugal só são conhecidos nesta região. A Serra de Arga, sobranceira à aldeia, deve a sua designação às ocorrências auríferas que foram exploradas no período de ocupação romana da Península Ibérica. Algumas minas revelam trabalhos antigos que a arqueologia industrial atribui a este período. As gentes de Cabração identificam-se com a vivência mineira. Sinal desta afinidade é o vocabulário regional, que retém as designações corrompidas de alguns minerais: "volfro" (volframite), "vidrilho" (turmalina gema) ou "louça" (feldspato). Entre os símbolos arquitetónicos, contam-se ruínas de instalações e outros vestígios do ciclo do estanho, e mesmo alguns espaços com apetência para atividades de lazer, como são as albufeiras do Lourinhal, que têm na sua origem a indústria extrativa. Atualmente, os principais alvos de prospeção são os minerais industriais, o feldspato, a andaluzite e a petalite. Em Portugal, a petalite foi descoberta pela primeira vez junto desta aldeia. Persiste assim a apetência mineira e a singularidade geológica de Cabração. Em termos gastronómicos, Cabração distingue-se pelo arroz de sarrabulho, rojões à moda do Minho, cozido à portuguesa, cabrito assado, fumeiro (enchidos e presunto), lampreia, enguias, truta, broa de milho, vinho verde e mel. Quanto ao património edificado merecem destaque alguns cruzeiros e a Igreja Paroquial de Santa Maria da Cabração. É uma igreja muito pequena que esteve ligada ao mosteiro do Salvador, de Braga. Em 1761 foi totalmente remodelada. Os leves labores rococó que se podem ver lavrados nas portas principal e lateral repetem-se no interior em todos os retábulos, mas ganham uma nova dimensão num deles, feito em pedra, um dos raríssimos retábulos da segunda metade do século XVIII feito neste material. Na Cabração atraem ainda a nossa atenção algumas raras casas feitas de xisto. A aldeia, em termos paisagísticos, é enquadrada pelos rios Lima e Estorãos, pelas Serras D’Arga e da Labruja e pelo Lugar da Escusa.

Fonte: http://www.aldeiasdeportugal.pt/

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A imagem mostra a veiga e o Lugar da Igreja

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A "baixa" é o sítio de encontro das gentes desta terra

Vista do Formigoso

Vista panorâmica do Formigoso a partir do Lugar de Além

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Um aspecto do Lugar de Além vendo-se ao fundo o Formigoso

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Os tons verdejantes variam consoante as estações do ano

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Quem sobe ao Lugar da Escusa tem a possibilidade de desfrutar magníficas vistas panorâmicas...

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...e contemplar o gado a pastar nas leiras verdejantes!

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Na Cabração, a natureza surpreende-nos a cada instante com cenários de rara beleza

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Parafraseando Miguel Torga, na Cabração tudo é verde: o vinho é verde, o caldo é verde...

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O casario costrasta com os campos verdejantes dos milheirais

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Ao longe, na outra vertente do Formigoso, atravessa a autoestrada A3 que liga o Porto a Valença...

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A casa do Carmo, assim designada por ter pertencido a uma família com esse apelido, conserva na fachada o escudo nacional que evoca a adesão do seu antigo proprietário à "Monarquia do Norte" em 1919

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O calcetamento dos caminhos rurais foi realizado através exclusivamente dos recursos da terra com a gestão dos baldios

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O Lugar da Escusa é um dos recantos mais bonitos e fascinantes da Cabração

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A Cabração situa-se nas fraldas da Serra d'Arga

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A gravura mostra uma magnífica latada de vinha no Lugar da Escusa

O Formigoso encerra recantos de rara beleza paisagística

A imagem mostra a torre da Capela de Nossa Senhora do Azevedo

Fotos cedidas pelos habitantes da Freguesia da Cabração