Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

BANDAS FILARMÓNICAS SÃO OS CONSERVATÓRIOS DE MÚSICA DO POVO!

O termo Filarmónico pelo qual que se designam centenas de bandas musicais de cariz popular espalhadas pelo país e também no seio das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo provém dos vocábulos gregos “philos”, que quer dizer, “amigo” e “harmonikos” que significa harmonia. Filarmonia é, pois, um conceito musical e filosófico que nos remete para os valores da fraternidade através da expressão musical.

O aparecimento de sociedades musicais um pouco por toda a Europa encontra-se intimamente associado aos ideais do liberalismo e da revolução francesa, pugnando pela instrução como um meio de promover a libertação e a melhoria das condições sociais de vida das classes mais desfavorecidas, tradicionalmente acorrentadas à ignorância e obscurantismo.

Entre nós, remonta ao século XIX o aparecimento das bandas filarmónicas, tal como atualmente as conhecemos. Em 28 de agosto de 1840 foi fundada em Estremoz a Sociedade Filarmónica Luzitana, a partir da extinta Banda Marcial do Batalhão de Voluntários de Estremoz da Senhora D. Maria II. Porém, de acordo com a tradição oral, terá sido em 1799 criada a Banda de Música de S. Mamede de Ribatua, no concelho de Alijó.

A sua existência confunde-se em grande medida com a história do próprio associativismo e a propaganda dos ideais republicanos, constituindo não raras as vezes a alma das sociedades de instrução e recreativo. Eram elas que animavam as tardes domingueiras nos jardins públicos com os seus concertos da mesma forma que atualmente asseguram a atuação do “cavalinho” nos desfiles das marchas populares em lisboa.

É sobretudo às bandas filarmónicas que se deve a existência de coretos nos largos e jardins públicos, graciosas peças de arquitetura popular ao gosto romântico que muitos município têm vindo zelosamente a remover em lugar de promover o gosto pela música.

Sucede que, à falta de instrução musical, continuam a ser as bandas filarmónicas os verdadeiros conservatórios de música a que a maioria dos jovens tem acesso uma vez que até as aulas de canto coral foram suprimidas do ensino oficial. São as bandas de música que, debatendo-se não raras as vezes com grandes dificuldades nomeadamente na aquisição de instrumentos musicais, asseguram a grande obra educativa que consiste na democratização do ensino da música. Graças às sociedades filarmónicas, milhares de pessoas em todo o país têm acesso à instrução musical.

Carlos Gomes

Foto: http://olhares.uol.com.br/