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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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CHEGAS DE BOIS: UMA TRADIÇÃO DE CABECEIRAS DE BASTO E DO BARROSO

Em Cabeceiras de Basto e no planalto barrosão subsistem velhas usanças que testemunham uma existência comunitária que os novos tempos teimam em fazer desaparecer. Sublinhe-se que, noutros tempos, o Concelho de Cabeceiras de Basto estendia-se para além dos limites actuais, englobando a importante Freguesia do Salto, em Montalegre, junto às minas da Borralha, cujas gentes mantém os seus hábitos minhotos apesar da transferência administrativa que lhes foi imposta.

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Chega de bois em Cabeceiras de Basto (Foto: Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto)

O povo partilhava o forno onde cozia o pão da mesma forma que todos os habitantes concorriam para a lavra de cada um. Por mais árduo que fosse, o trabalho era vivido num ambiente de intensa alegria, desde a época das sementeiras até ao malhar do centeio. E depois vinha a festa e o divertimento que a vida não era só feita de sacrifícios.

Entre os vestígios dessa vivência comunitária salientamos o boi do povo, assim designado por cada aldeia possuir o seu animal que alimentava e preparava para o combate com o da aldeia vizinha em dia aprazado com a finalidade de saber qual era o mais possante e corajoso, até chegar a altura em que deveria ser abatido. A esse combate pesado que ainda actualmente faz o gáudio das gentes minhotas de Cabeceiras de Basto e do Barroso designa-se vulgarmente por "chegas" de bois. Curiosamente, tal costume também é usual nos Emirados Árabes Unidos.

A expressão empregue justifica-se pelo facto dos seus promotores se limitarem a chegarem os animais um ao outro, não possuindo outra interferência na luta que travam.

O boi barrosão é um animal possante que facilmente se distingue pela sua enorme barbela e grandes hastes, chegando a pesar com frequência mais de quatrocentos quilos. Em virtude de ter sido durante muito tempo empregue nos trabalhos da lavoura, veio a tornar-se num dos cartazes emblemáticos da região de Entre-o-Douro-e-Minho, sendo a sua carne muito apreciada por se alimentar sobretudo dos pastos nos lameiros do Soajo e do vale do Lima.

Em tempos idos, sucedia com frequência que, antes do dia combinado para o combate, havia quem pela calada da noite vinha raptar o animal para medir forças com o boi da sua aldeia a fim de saber as probabilidades deste sair vencedor. Actualmente, são os criadores que os levam para o terreiro e os chegam com outro de idêntica compleição física que esteja destinado à chega. O povo acorre, entusiasma-se e até se fazem apostas a saber qual deles vai ser o campeão. Ao avistarem-se a reduzida distância, os animais enfrentam-se com denodada bravura até que um deles desiste e afasta-se dando-se por vencido. O boi vencedor, vulgarmente designado por campeão, é o orgulho do criador tal como noutros tempos o era de igual modo da aldeia que representava. As chegas de bois continuam a ser uma das tradições mais emblemáticas das gentes barrosãs, sobretudo do concelho de Montalegre.

Carlos Gomes in http://www.folclore-online.com/

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