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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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VIVA A MARIA DA FONTE COM A PISTOLA NA MÃO PARA MATAR OS CABRAIS QUE SÃO FALSOS À NAÇÃO!

No bairro lisboeta de Campo de Ourique ergue-se uma estátua que, constituindo uma homenagem à heroica mulher que no Minho dirigiu o levantamento popular contra a ditadura de Costa Cabral, constitui paradoxalmente uma alegoria à instauração do regime liberal.

A estátua é da autoria de Costa Motta (tio) e representa uma mulher jovem e robusta, descalça, no seu trajar minhoto, levando ao ombro o chuço e erguendo na mão direita um pistolão, incitando à revolta.

O monumento encontra-se no jardim Teófilo Braga e foi inaugurado em 15 de setembro de 1920, por ocasião das comemorações do primeiro centenário da proclamação do regime liberal.

Em 1846, as heroicas mulheres do Minho deram início a uma revolta popular contra a ditadura de Costa Cabral, tomaram de assalto as repartições de finanças onde destruíram as “papeletas da roubalheira” e expulsaram a soldadesca enviada para reprimir a revolta.

O levantamento popular começou na Póvoa de Lanhoso e depressa se alastrou a todo o Minho. A exumação de um cadáver que havia sido sepultado na igreja constituiu o rastilho que ateou a revolta. Os sinos tocaram a rebate e, de rebelião em rebelião, a revolta foi adquirindo um caráter de guerrilhas populares até que a Rainha D. Maria II se viu forçada a demitir o governo.

A opressão fiscal e a prepotência do governo cartista de Costa Cabral tiveram na revolta da Maria da Fonte uma resposta à altura que deveria constituir uma lição da História, sobretudo por parte daqueles que, recriando os modelos do passado sob a denominação ideológica do neoliberalismo, insistem em oprimir o povo com medidas semelhantes às do governo de Costa Cabral.