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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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“MASTERS EUROPEAN CUP” ARRANCOU HOJE EM PONTE DE LIMA

“Masters European Cup” arrancou hoje com mais de duas centenas de atletas em competição. 2017 ECA Canoe Marathon European Championships faz rumar a Ponte de Lima vinte e três nações

O Rio Lima e a pista deste acolhem hoje as primeiras provas do campeonato, naquele que é um dos maiores eventos de sempre da modalidade realizado na Europa.

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A “Masters European Cup”, o campeonato europeu para atletas com mais de 35 anos, (Masters), trás ao Norte de Portugal quase duas centenas e meia de atletas, que, durante os dias de hoje e de amanhã competem pelo título europeu nas categorias de “K1”, “K2”, “C1”e “C2”.

Também a 28 de junho, tem lugar a abertura oficial dos “European Championships”. Às 18h30 em pleno Largo de Camões serão apresentadas as comitivas provenientes da Bélgica, República Checa, Dinamarca, Espanha, Estónia, França, Grã-Bretanha, Alemanha, Hungria, Irlanda, Itália, Croácia, Holanda, Noruega, Polónia, Portugal, Rússia, Eslovénia, Sérvia, Eslováquia, Suíça, Ucrânia, e Geórgia. Esta cerimónia marca o tiro de partida para o Campeonato que até dia 2 de julho irá contar com atletas em competição em dois tipos de barcos, Canoa (C), C1 e C2  e Kayak (K), K1 e K2 nas vertentes masculina, feminina e Sub-23.

Organizado pelo Município de Ponte de Lima em conjunto com a Federação Portuguesa de Canoagem e Clube Náutico de Ponte de Lima, o Campeonato que promete ficar gravado na memória da modalidade por muitos anos, vai, nas palavras da Associação Europeia de Canoagem (ECA) "ter a maior produção televisiva de sempre", assim como direito a streaming HD no canal de youtube da ECA, para que nenhum momento passe despercebido, neste que é um dos maiores eventos da modalidade de sempre realizado na Europa.

Os horários, as listas de participantes por prova e os resultados do “Masters European Cup” podem ser consultados em http://canoemarathonportugal.com/index.php?page=timetable-and-results.

A TRAVESSIA DO RIO LETHES PELOS EXÉRCITOS ROMANOS VISTA PELOS REINTEGRACIONISTAS GALEGOS

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O PORQUÊ DA HISTÓRIA DA LÍNGUA

Qualquer que fosse a razom para estares agora a ler a História da Língua em Banda Desenhada, é indicativo do atual conflito linguístico.

Os coletivos que respaldamos este trabalho, propomo-nos dar umha visom histórica sobre o galego e que todos saibamos o que é o reintegracionismo.

Para os nom iniciados, incluímos um guia de leitura nestas mesmas páginas, a descriçom do alfabeto galego e, como a língua é escrita e fala, juntamos também um esquema fonético.

Para os mais conhecedores, trabalhamos com rigor em datas e citaçons (tiradas das respetivas primeiras ediçons).

E para todos -aprovados e reprovados em galego-, apresentamos a história da língua como nunca se tinha feito, utilizando um meio divertido e inovador: a linguagem da banda desenhada: por isso, usando critérios didáticos respeitamos formas orais e expressons coloquiais, em ocasions estranhas ao galego.

Também nos propugemos ser umha alternativa ao folclorismo cultural e linguístico que se promove com dinheiros públicos, umha alternativa a todos os editores, júris e premiados que vem no nosso idioma mais um negócio. Som os que hoje vam a Portugal a vender homogeneidade cultural e linguística, enquanto na Galiza usam umha norma de laboratório, sem rigor histórico, sem passado, de nulo presente e, o que é pior, sem futuro. Nós luitamos para se respeitar a liberdade e nom se discriminar o reintegracionismo no ensino, em publicaçons, meios de comunicaçom, etc. A gente deve estar informada de que existe um amplo conflito linguístico e umha grande desconformidade.

A muitos nom servem as propostas da norma chamada hoje de “oficial”, e exigimos um amplo consenso social.

Os reintegracionistas trabalhamos também, e antes de mais, pola extensom do uso do nosso idioma em todos os ámbitos. Contra os preconceitos e a dialectalizaçom do galego temos argumentos: um idioma internacionalmente útil e usado -nas suas diferentes variedades- por 200 milhons de falantes, em cujo tronco se acha a sobrevivência e consolidaçom do galego na Galiza.

Por tudo isto, se te obrigarem a escrever em castrapo lembra-lhes que o “ñ” só existe em espanhol.

Ourense, Galiza. Abril 1992

https://www.facebook.com/AtravesEditora/

LIMIANOS ABRAÇAM O RIO LIMA

Serviço Educativo da Área Protegida das Lagoas de Bertiandos e S. Pedro de Arcos promove o VII Abraço ao Rio Lima de 18 e 19 de outubro

À semelhança dos anos anteriores, o Serviço Educativo das Lagoas de Bertiandos e S. Pedro de Arcos está a preparar mais uma edição do Abraço ao Rio Lima, iniciativa que tem como missão sensibilizar para a necessidade da preservação do recurso hídrico mais importante do concelho de Ponte de Lima – o Rio Lima.

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Este ano, marcada para o dia 18 de outubro, esta ação de sensibilização vai já na 7ª edição, e conta com a parceria dos Centros Educativos do concelho e com uma delegação da comunidade escolar de Xinzio de Limia, localidade galega onde nasce o Rio Lima, na Serra de S. Mamede, com forte ligação a Ponte de Lima, quer pelo rio que atravessa o concelho, quer pelo nome Lima.

O Abraço ao Rio Lima 2016 conta com uma nova comunidade aderente, o Agrupamento de Escolas da Ponte da Barca, que aceitou o desafio lançado pelo Serviço Educativo da Área Protegida, para participar nesta ação de sensibilização ambiental.

Neste contexto, no próximo dia 3 de outubro, uma turma do Centro Educativo das Lagoas vai participar na caminhada organizada pelo Agrupamento de Escolas da Ponte da Barca, no âmbito do Abraço ao Rio Lima que tal como Ponte de Lima o concelho da Ponte da Barca também dinamiza.

Em Ponte de Lima, o VII Abraço ao Rio Lima conta com o seguinte programa:

Dia 18 de outubro (terça feira)

09h30 – Concentração no recinto da Expolima

10h00 – Receção dos participantes e convidados

 - Atuação da “Academia de Música Fernandes Fão”

 - Atuação da Escola Básica de Ponte de Lima - Hino de Ponte de Lima

 - Sorteio do trabalho mais original “Barco do rio” da turma que irá deslocar-se a Xinzo de Límia, no ano 2017, no âmbito do protocolo de Geminação entre Ponte de Lima e Xinzo de Límia. (Ver regulamento de concurso).

 - Entidades: Agrupamento de Escolas E.B. 2,3 António Feijó; Agrupamento de Escolas de Arcozelo; Agrupamento de Escolas de Ponte da Barca; Representantes das escolas de Xinzo de Límia; Executivo Municipal de Ponte de Lima

Encenação da peça de teatro “Lenda do rio Lethes” pelo Centro Educativo das Lagoas, desde o recinto da Expolima até às margens do rio.

11h45 – VII Abraço ao rio Lima nas margens do rio.

ONDE ATRAVESSAVAM O RIO LIMA OS PEREGRINOS QUE SEGUIAM PARA SANTIAGO DE COMPOSTELA?

À semelhança das legiões do Império Romano, era em Ponte de Lima que os peregrinos atravessavam o rio Lima

Corria o ano 163 Antes de Cristo quando as legiões romanas comandadas por Decimus Julius Brutus atravessaram o rio Lima, num sítio mais ou menos próximo do local onde posteriormente vieram a construir a ponte que antecedeu a atual ponte medieval e que se situava numa encruzilhada com a antiga estrada romana, via XIX que constava do Itinerário de Antonino, a qual ligava Bracara Augusta (Braga) a Astúrica Augusta (Astorga), passando por Lugo e Tui.

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O sítio escolhido pelas legiões romanas para atravessar o rio Lima foi naturalmente aquele que entenderam por mais adequado para construírem a ponte. Por outras palavras, foi no local onde mais tarde veio a florescer a vila de Ponte de Lima e não noutro sítio qualquer que os romanos efetuaram a travessia do rio que eles próprios vieram a batizar como Lethes em clara alusão ao mítico Lethes, um dos quatro rios que na mitologia grega banhava o Hades, representando a passagem da vida para a morte através de uma barca conduzida por Caronte.

A notícia da descoberta dos restos mortais do apóstolo Santiago Zebedeu ou Santiago Maior, que se crê ter ocorrido na primeira metade do século IX, veio a espalhar-se por toda a Cristandade, desencadeando peregrinações que atravessaram todo o continente europeu rumo a Santiago de Compostela, conferindo ao local uma crescente importância religiosa ao ponto de o transformarem aquele santuário num dos mais destacados destinos de peregrinação.

Sucede que, existindo à época uma ponte – a única até então existente! – que possibilitava a travessia do rio Lima a pé enxuto, era precisamente esse o local que os peregrinos procuravam para prosseguir a sua caminhada rumo a Santiago de Compostela. E, assim sendo, não faria o menor sentido efetuar a travessia noutro local qualquer, sobretudo na foz do rio Lima, enfrentando dificuldades e correndo riscos a efetuarem a travessia a nado ou numa embarcação, à semelhança do que muitos séculos antes sucedera com os romanos.

De resto, a ponte que deu o nome à Vila de Ponte – atual Ponte de Lima – foi até aos finais da Idade Média a única passagem segura do rio Lima, em toda a sua extensão. Refira-se, aliás, que da primitiva ponte romana resta ainda um troço ainda bastante significativo na margem direita do rio Lima.

Foi desta encruzilhada da estrada e da ponte com o rio Lima que veio a nascer a vila medieval que se encontra entre as localidades que há mais tempo recebeu carta de foral por D. Teresa, fazendo uma das mais antigas vilas de Portugal: Ponte de Lima foi tornada vila em 1125!

Pese embora a importância dos Caminhos de Santiago na promoção turística e no desenvolvimento económico da região, deve respeitar-se sempre a verdade histórica e jamais preterir um concelho cujos pergaminhos engrandecem o Minho no seu conjunto. Como qualquer outra terra da nossa região, Ponte de Lima merece o respeito e o apreço de todos os minhotos!

LIMIANOS LIMPAM RIO LIMA

Município de Ponte de Lima e o Clube Náutico promoveram mais uma ação de limpeza no Rio Lima

Quarenta canoas e uma centena de atletas do Clube Náutico percorreram ontem, quinta-feira o Rio Lima, numa ação de sensibilização e limpeza do Rio.

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Esta iniciativa anual realiza-se no âmbito de um protocolo de cooperação celebrado entre o Município de Ponte de Lima e o Clube Náutico de Ponte de Lima.

Segundo o Vice-Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima, Gaspar Martins, “ este é um ato simbólico, que alia desporto e ambiente, no entanto, salienta-se que de ano para ano tem registado um decréscimo na recolha de resíduos, o que significa que a campanha de sensibilização tem causado efeito.”

A iniciativa contou ainda com a presença do Vereador do Desporto Engº Vasco Ferraz, que salientou o fator pedagógico da campanha, “como forma de sensibilizar e incutir nos jovens hábitos de preservar o ecossistema do Rio.”

Os resíduos recolhidos, entre algas, pneus e outros pequenos objeto, num total aproximado de 2 toneladas, foram retirados pelos serviços municipais.

INVESTIGADORES DA UTAD ESTUDAM ALTERNATIVAS A BARRAGENS PARA CONTROLO DAS CHEIAS

As soluções passam por infraestruturas verdes com menor impacte ambiental e igualmente eficazes.

Um grupo de investigadores da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) desenvolveu um modelo de redução de cheias com base em bacias de retenção com o objetivo de minimizar o impacto das cheias. O trabalho foi elaborado para a bacia hidrográfica do rio Vez, principal afluente do rio Lima, um dos mais problemáticos do País pela recorrência deste tipo de eventos.

Efeito das cheias na bacia do rio Lima/Vez

O local escolhido para este estudo faz parte das 22 regiões sujeitas a inundações do continente português, segundo a Agência Portuguesa do Ambiente (APA). Aqui equacionaram-se vários locais para implantação de bacias de retenção, onde foram tidas em conta a proximidade aos locais de jusante, a densidade populacional e atividades humanas com implicações de poluição difusa ou pontual.

“Os resultados mostraram que são necessários mecanismos de menor impacte para diminuir escoamentos superficiais, alicerçados em infraestruturas verdes, focadas para o aumento de retenção de água pelos aquíferos, solo e ecossistemas aquáticos, em vez de obras de grande porte como barragens”, explica Luís Filipe Fernandes, investigador do CITAB - Centro Investigação e de Tecnologias Agroambientais e Biológicas da UTAD.

Estes sistemas melhoram em simultâneo o “estado ecológico das massas de água, reduzem a vulnerabilidade a cheias e secas, restauram o caráter funcional e maximizam o serviço de ecossistemas”, acrescenta o investigador.

Para chegar a este modelo foram aplicadas equações de engenharia acompanhadas de análise multicritério e tratamento espacial de dados através de Sistemas de Informação Geográfica. Através desta metodologia foi aplicado um modelo de redução de cheias com base em bacias de retenção, tendo em conta três módulos (hidrológico, geomorfológico e ambiental) que entram em linha de conta com o volume de armazenamento e localização apropriada bem como com aspetos como ações do homem, qualidade da água, entre outros.

As cheias urbanas são um problema mundial que afeta também Portugal. Já em 2016 ocorreram, de norte ao sul do país, vários eventos com elevados prejuízos materiais, causados por picos de cheias que, no caso do rio Vez, podem chegar aos 550 m3/s com fluxos associados a uma topografia escarpada e a alta pluviosidade.

Por estas razões os investigadores deste estudo indicam como solução um “extenso programa de reflorestamento para aumentar a evapotranspiração, reduzindo, consequentemente, o escoamento”, uma abordagem que passa pela descentralização do sistema de retenção em várias bacias mais pequenas “facilmente integradas na paisagem natural, com baixo impacto ambiental”.

Este estudo foi recentemente publicado no prestigiado Journal of Hydrology e apresentado no 13º Congresso da Água. O método está neste momento a ser aplicado em outros locais considerados críticos pela APA.

QUEM OFERECE UM CÃO "CASTRO LABOREIRO" AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA?

Quando o Presidente dos Estados Unidos da América escolheu um cão de raça autóctone portuguesa, concretamente um cão de água, para companhia dos seus filhos na Casa Branca, os portugueses regozijaram-se pela sua escolha que desse modo contribuiu para dar a conhecer um animal de raça originária portuguesa.

Entretanto, ao Presidente da República Portuguesa, Professor Dr. Marcelo Rebelo de Sousa, um português com raízes minhotas, oferecem-lhe um cão de raça “pastor alemão” em lugar de um animal de raça portuguesa, entre a variedade de espécies existentes, porventura um “Sabujo” do Soajo, vulto Castro Laboreiro, entre as várias raças autóctones existentes em Portugal. Até nisto insistimos no nosso provincianismo no pior sentido do termo!

Na área montanhosa limitada pelos rios Minho e Lima e as agrestes penedias das serras do Soajo e da Peneda situa-se a região do Castro Laboreiro, no Concelho de Melgaço, atingindo alguns pontos quase mil e quinhentos metros de altitude. Aqui, o cão de Castro Laboreiro tem o seu solar, guardando os rebanhos comunitários na pastagem de transumância de curta distância que ainda ali se verifica.

Considerada uma das raças caninas mais antigas da Península Ibérica, o cão de Castro Laboreiro é dócil e sociável com os animais de outras raças, afetuoso com as crianças e dedicado ao dono, sendo um excelente cão de guarda e de companhia.

Quem será capaz de levar ao Palácio de Belém um magnífico exemplar da raça Castro Laboreiro para que os portugueses passem a orgulhar-se daquilo que realmente lhes pertence? Ou será que é necessário que o Presidente dos Estados Unidos da América escolha mais um cão de raça portuguesa para servir de exemplo aos envergonhados portugueses?

CACHORROS

SECRETÁRIO DE ESTADO DA JUVENTUDE E DO DESPORTO INAUGURA AÇUDE NO RIO LIMA

Secretário de Estado da Juventude e do Desporto preside à inauguração do Açude de Ponte de Lima no dia 6 de fevereiro, pelas 16h00

O Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Wengorovius Meneses, preside à inauguração do Açude de Ponte de Lima, no próximo dia 6 de fevereiro.

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A recuperação e remodelação do Açude de Ponte de Lima teve como objetivo criar melhores condições para a prática da canoagem.

Assim, ao abrigo do projeto de Beneficiação e Recuperação Ambiental a implementar nas margens do Rio Lima, a intervenção visou encontrar uma solução que garanta a estrutura hidráulica do Açude, bem como proporcionar condições de escoamento dos caudais, semelhantes às que atualmente se verificam.

Desta forma foi introduzida uma técnica única no país, designada Escada de Peixe, que consiste num alinhamento de pedras em sobreposição, criando agitação das águas, o que facilita a passagem dos peixes. A instalação desta técnica, que se baseia em projetos internacionais, foi orientada pelo ICNF – Instituto de Conservação da Natureza e Florestas. As obras não comprometeram os ecossistemas naturais do Rio Lima, tendo-se conseguido concretizar uma intervenção que assegura as condições fundamentais para a prática da canoagem e para a melhoria paisagística.

A obra de recuperação do Açude teve início em julho, cujo investimento total, foi de 656.000,00€ (c/iva) sendo o custo do desassoreamento do Rio Lima de 91.000,00€ (c/iva). O investimento foi assegurado pelo Orçamento Municipal, tendo o Município de Ponte de Lima submetido uma candidatura ao Fundo de Proteção dos Recursos Hídricos, sendo admitido o cofinanciamento do projeto de intervenção.

SECRETÁRIO DE ESTADO DA JUVENTUDE E DO DESPORTO INAUGURA AÇUDE NO RIO LIMA

Secretário de Estado da Juventude e do Desporto preside à inauguração do Açude de Ponte de Lima, no dia 6 de fevereiro, pelas 16h00

O Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Wengorovius Meneses, preside à inauguração do Açude de Ponte de Lima, no próximo dia 6 de fevereiro.

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A recuperação e remodelação do Açude de Ponte de Lima teve como objetivo criar melhores condições para a prática da canoagem.

Assim, ao abrigo do projeto de Beneficiação e Recuperação Ambiental a implementar nas margens do Rio Lima, a intervenção visou encontrar uma solução que garanta a estrutura hidráulica do Açude, bem como proporcionar condições de escoamento dos caudais, semelhantes às que atualmente se verificam.

Desta forma foi introduzida uma técnica única no país, designada Escada de Peixe, que consiste num alinhamento de pedras em sobreposição, criando agitação das águas, o que facilita a passagem dos peixes. A instalação desta técnica, que se baseia em projetos internacionais, foi orientada pelo ICNF – Instituto de Conservação da Natureza e Florestas. As obras não comprometeram os ecossistemas naturais do Rio Lima, tendo-se conseguido concretizar uma intervenção que assegura as condições fundamentais para a prática da canoagem e para a melhoria paisagística.

A obra de recuperação do Açude teve início em julho, cujo investimento total, foi de 656.000,00€ (c/iva) sendo o custo do desassoreamento do Rio Lima de 91.000,00€ (c/iva). O investimento foi assegurado pelo Orçamento Municipal, tendo o Município de Ponte de Lima submetido uma candidatura ao Fundo de Proteção dos Recursos Hídricos, sendo admitido o cofinanciamento do projeto de intervenção.

Neste contexto, convidamos o V/ órgão de comunicação para a cerimónia oficial de inauguração, na margem direita do Rio Lima, junto ao Clube Náutico, no sábado, a partir das 16 horas.

AGÊNCIA PORTUGUESA DO AMBIENTE APRESENTA PLANO DE GESTÃO DA REGIÃO HIDROGR´FICA DO MINHO E LIMA

Plano de gestão da Região Hidrográfica do Minho e Lima apresentado em Arcos de Valdevez

Teve lugar na Casa das Artes de Arcos de Valdevez a sessão pública de apresentação e debate do Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Minho e Lima (PGRH Minho e Lima), promovida pela Agência Portuguesa do Ambiente, Administração da Região Hidrográfica do Norte (APA/ARH do Norte), contando com o apoio do Município de Arcos de Valdevez.

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O PGRH é um instrumento de planeamento das águas que visa a gestão, a proteção e a valorização ambiental, social e económica das águas, ao nível da bacia hidrográfica, neste caso dos rios Lima e Minho.

Neste quadro, a sessão pública ocorrida, de apresentação/debate da proposta de PGRH da Região Hidrográfica do Minho e Lima, foi dedicada ao tema “Os recursos hídricos e a biodiversidade”, com enquadramento no processo de participação pública dos PGRH que se encontra em curso até dezembro de 2015.

Esta sessão iniciou com as intervenções do presidente da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, João Manuel Esteves e do Diretor Regional da APA, Pimenta Machado, cabendo a apresentação do plano às técnicas da ARH do Norte, Maria José Moura e Susana Sá.

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Neste plano estão contempladas medidas, distribuídas por nove eixos de atuação tais como, a Promoção da sustentabilidade das captações de água, a Redução ou eliminação de cargas poluentes, a Minimização de alterações hidromorfológicas, o Controlo de espécies exóticas e pragas, a Recuperação de custos dos serviços da água, a Minimização de riscos, a Promoção da sensibilização, o Aumento do conhecimento e a Adequação do quadro normativo. O investimento total estimado é da ordem dos 105 milhões de euros para o período de 2016-2021.

O Município enviou as suas propostas de intervenção ao nível de medidas que visem garantir uma maior proteção e melhoria nas massas de água contribuindo para a valorização das áreas hidrográficas e melhoria das condições de vida dos arcuenses.

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LIMIANOS ABRAÇAM O RIO LIMA

VI Abraço ao Rio Lima: Dia Nacional da Água e o Dia Internacional do Idoso

O Serviço da Área Protegida das Lagoas de Bertiandos e S. Pedro de Arcos, em colaboração com a comunidade educativa do concelho está a preparar mais uma edição do Abraço ao Rio Lima.

A iniciativa que vai já na VI edição, realiza-se a 1 de outubro – Dia Nacional da Água, e consiste em reunir o maior número possível de participantes à volta do Rio Lima.

A ação concentra-se junto ao rio Lima e para além da comunidade escolar conta com a presença dos utentes de instituições de solidariedade social do concelho, que se associam a esta ação, assinalando também o Dia Internacional do Idoso.

Como vem sendo habitual nos últimos anos, a iniciativa conta com a presença de uma delegação vinda de Xinzo de Limia. São cerca de 100 alunos, no âmbito do protocolo de geminação existente há mais de 30 anos entre Ponte de Lima e Xinzo de Limia.

O programa do VI Abraço ao Rio Lima inclui ainda a receção dos participantes, na Expolima, a partir das 9h30 da manhã, onde a festa começa com as seguintes atuações:

- Escola de Musica de Ponte de Lima

- Atuação das turmas da E.B.1 de Ponte de Lima (Hino)

- Encenação da peça de teatro “Lenda do rio Lima” pelo Centro Educativo das Lagoas.

Às 11 horas realiza-se nas margens do Rio Lima o VI Abraço ao Rio Lima.

PONTE DE LIMA RECUPERA AÇUDE DO RIO LIMA

Câmara Municipal de Ponte de Lima aprovou o projeto de Beneficiação e Recuperação do Açude de Ponte de Lima

No âmbito do projeto de Beneficiação e Recuperação Ambiental a implementar nas margens do Rio Lima, a Câmara Municipal de Ponte de Lima aprovou a Reconstrução do Açude no Rio Lima.

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A intervenção visa encontrar uma solução que possa garantir a recuperação estrutural e hidráulica do Açude, bem como proporcionar condições de escoamento dos caudais sobre o açude semelhantes às que atualmente se verificam.

Esta ação justifica-se face ao estado de degradação que se tem vindo a assinalar e de acordo com avaliação efetuada pelo ICNF - Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, está associado aos regimes de caudais que galgam o açude, de grande variabilidade, o que provocou um ligeiro abaixamento da crista do açude.

A reconstrução preconiza ainda a introdução de uma rampa a jusante, de forma a naturalizar uma passagem de peixes em rampa, eventualmente com a inserção de pequenos obstáculos, garantindo-se um escoamento semelhante ao que atualmente se produz. De acordo com as orientações do ICNF, esta passagem deverá abranger toda a largura do rio, ou pelo menos parte significativa da sua largura, em função do caudal mínimo de dimensionamento.

ESPECIALIDADE GASTRONÓMICA DA LAMPREIA ATRAI VISITANTES AO MINHO

A lampreia dos rios Minho, Lima e Cávado atraem nesta época do ano elevado número de visitantes à nossa região. Trata-se de uma das mais afamadas especialidades da cozinha tradicional minhota e dos pratos mais apreciados pelos maiores conhecedores da nossa culinária.

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“Ó lampreia divina, ó divino arroz,

Comidos noite velha, em casa do Julião!

Sem ter ceias assim o que há-de ser de nós? Sofre meu paladar! Chora meu coração!”

(Afonso Lopes Vieira)

"A lampreia é, sem dúvida alguma, um dos mais importantes ex-líbris gastronómicos da cozinha tradicional portuguesa. Mais do que qualquer outra forma de preservação, incluindo eventuais medidas legislativas, o seu interesse gastronómico é, sem dúvida alguma, a principal garantia da sua própria sobrevivência."

Reza a História que, ao tempo do Condado Portucalense, D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques, concedeu em 1125 ao Arcebispado de Tui o privilégio de tomar como suas as lampreias que apresassem no rio Minho, a montante da Torre da Lapela, a fim de abastecer os mosteiros e conventos por ocasião dos jejuns quaresmais. Mais recentemente, foi nas estantes da Biblioteca de Nápoles encontrado uma obra-prima da culinária portuguesa, remontando ao século XVI, com o título “Livro de Cozinha da Infanta D. Maria”. Com efeito, são inúmeras as referências históricas a tão afamada especialidade da nossa cozinha 

A lampreia já sobe os rios para desovar, depositando sob as rochas ou em pequenos ninhos escavados no leito milhares de minúsculos ovos que garantirão a sobrevivência da espécie. E morrem. Após a desova, as larvas permanecem no rio até que, por meio de metamorfose se tornam adultas. Nessa altura, migram para o mar onde permanecem até atingirem a sua maturação sexual. Existem, porém, espécies de água doce como as que se encontram no rio Nabão e respetivos afluentes, sobretudo as ribeiras de Caxarias, Seiça e Olival.

A lampreia é um ciclóstomo muito procurado por conceituados gastrónomos e outros apreciadores da nossa culinária. Ela faz os requintes das melhores mesas das mais afamadas unidades hoteleiras, atraindo numeroso público a localidades do nosso país que mantêm a tradição da sua confeção esmerada e o requinte de bem servir. No Minho, a lampreia dos rios Cávado, Lima e Minho constituem o ex-líbris da gastronomia local a promover o desenvolvimento económico daquela região. Não admira, pois, o relevo que lhe é conferido pelas entidades que superintendem a promoção turística e os próprios estabelecimentos de restauração. Mas, também perto de Ourém, o vizinho concelho de Tomar recebe anualmente milhares de visitantes que de longe se deslocam a fim de degustarem um apetitoso e suculento arroz de lampreia regado com os bons vinhos da região.

A preservação da lampreia nos nossos rios depende também da importância que lhe atribuímos, nomeadamente como parte integrante da nossa alimentação. Ao contrário do que à primeira vista se possa imaginar, não é a sua captura mas a poluição das águas e outros atentados ao ambiente que fazem perigar a sua sobrevivência.

Em virtude do período sazonal da desova, o seu consumo verifica-se geralmente entre Fevereiro e os finais de Abril. A partir daí, a lampreia apenas surge figurada na doçaria da Páscoa sob a forma de “lampreia de ovos”, e evocar as delícias de um prato que apenas pode voltar a ser apreciado no ano seguinte. Não admira, pois, que chegue inicialmente a atingir preços exorbitantes que, no entanto, não constituem razão que baste para desmotivar os melhores apreciadores de tão delicioso pitéu.

Refastelando-se na sua casa senhorial de Paredes de Coura, Aquilino Ribeiro, na sua obra “A Casa Grande de Romarigães” afirmava: “Não há como o arroz de lampreia, se lhe adicionarem uma colher de manteiga de pato”. Por seu turno, o poeta e gastrónomo António Manuel Couto Viana, no seu livro “Por horas de comidas e bebidas – crónicas gastronómicas”, dedica um capítulo inteiro à “lampreia divina”, como Afonso Lopes Vieira a designou. Escreveu Couto Viana o seguinte:

Já a correnteza das águas que jorram da vizinha Espanha se enfeitam com o aparato das estacas e redes, para prenderem, nas suas malhas, noite adiante, o fugidio ciclóstomo, a tentar disfarçar-se aos rés dos seixos do leito; o chupa-pedras tão apreciada por mim, quando de cabidela, afogado no arroz malandrinho, embebido no seu sangue espesso e escuro.

Também a fisga certeira, atirada, firme, dos altos, se os olhos penetrantes do pescador distinguem bem o vulto ondeante, faz içar a lampreia até às mãos ávidas, e lança-a, depois, para a vastidão de um saco que se quer a abarrotar.

(…)

Soberbo petisco! Com que gula a mastigavam os frades medievos torturados pelos jejuns quaresmais!

Com que gula a mastigo eu, em mesa que ma apresente opípara no arroz do tacho, em grossos toros aromáticos, ou à bordalesa, ou de escabeche, que nestas três artes se mantém ela tentadora e sápida”.

A lampreia é, sem dúvida alguma, um dos mais importantes ex-líbris gastronómicos da cozinha tradicional portuguesa. Mais do que qualquer outra forma de preservação, incluindo eventuais medidas legislativas, o seu interesse gastronómico é, sem dúvida alguma, a principal garantia da sua própria sobrevivência.

Com o talento dos mais consagrados artistas, o cozinheiro após pelar a lampreia, coloca-a num alguidar deitando sobre ela água a ferver. De seguida, abre-a da cabeça até ao fundo dos buracos e, junto à cauda, desfere-lhe um golpe para lhe retirar a tripa inteira. O sangue é guardado no mesmo recipiente onde a lampreia fica a marinar mergulhada em vinho tinto a que se juntam um ramo de salsa, uma folha de louro, um dente de alho, pimenta, colorau, sal e margarina. No dia seguinte, é feito um refogado onde é colocada a lampreia que fica a cozer durante cerca de quinze minutos, cuidando para que não se desfaça. Após o guisado, retira-se a lampreia. Ao caldo junta-se água no triplo do arroz que vai ao tacho e deixa-se ferver durante mais quinze minutos. Finalmente serve-se numa travessa funda, cobrindo o arroz com a lampreia, golpeada em troços.

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PONTE DE LIMA COMEMORA DIA NACIONAL DA ÁGUA NUM ABRAÇO AO RIO LIMA

V Abraço ao Rio Lima: Dia Nacional da Água e o Dia Internacional do Idoso

Realiza-se amanhã, 1 de outubro, às 11 horas o V Abraço ao Rio Lima, iniciativa do Serviço da Área Protegida das Lagoas de Bertiandos e S. Pedro de Arcos, que desta forma assinala o Dia Nacional da Água e o Dia Internacional do Idoso.

A ação concentra-se junto ao rio Lima e para além da comunidade escolar conta com a presença dos utentes de instituições de solidariedade social do concelho. Junta-se ainda ao grupo uma delegação vinda de Xinzo de Limia, cerca de 100 alunos, no âmbito do protocolo de geminação, que este ano prevê a pernoita dos alunos de Xinzo na Quinta de Pentieiros, com vista a alargar os esforços de sensibilização a toda a extensão do rio, neste ano em que se comemoram os 30 anos de geminação, entre Ponte de Lima e Xinzo de Limia.

Para completar o Abraço ao Rio Lima, prevê-se a presença de mais de 1000 participantes, estando já confirmadas as seguintes Instituições de ensino: Escola Básica de Ponte de Lima (270 alunos), alunos do Jardim de Infância de Ponte de Lima (115 alunos), alunos do Centro Educativo das Lagoas (270), Centro Educativo de Freixo (21 alunos), Centro Educativo de Arcozelo (46 alunos), Centro Educativo da Ribeira (20 alunos); Jardim de Infância de Brandara (14 alunos), Jardim de Infância da Correlhã (73 alunos).

Quanto às IPSS´s confirma-se a presença da Casa da Caridade da Nossa Senhora da Conceição de Ponte de Lima, com 9 utentes; Centro Comunitário de Refoios - 13 utentes; Centro Social e Paroquial de Fornelos - 20 utentes; Santa Casa da Misericórdia de Ponte de Lima- 14 utentes; Residência Sénior Lar Santa Maria dos Anjos – 9 utentes.

De realçar a adesão a esta iniciativa de outras entidades como a Universidade Fernando Pessoa; Escola Superior Agrária de Ponte de Lima; Unidade de Saúde Familiar Lethes; Unidade de Saúde Mais Perto; Bombeiros Voluntários de Ponte de Lima; Destacamento Territorial dos Arcos de Valdevez; PSP – Escola Segura e o canoísta Fernando Pimenta.

A animação musical do evento estará a cargo do Clube de Música da EB 2, 3 António Feijó, Academia de Música de Ponte de Lima e da Rusga Típica da Correlhã.

PIROGA DO RIO LIMA

Oito pirogas monóxilas foram encontradas em Portugal. Apenas duas foram escavadas em contexto arqueológico. Mas ajudam a explicar os primórdios da navegação.

Em 1889, o arqueólogo Sebastião Estácio da Veiga era um homem fatigado. Tinha 71 anos e ligara-se quase acidentalmente ao tema, apesar de trabalhar na Subinspecção Geral dos Correios e Postas do Reino. Todas as carreiras passam por um momento definidor. No caso de Estácio da Veiga, esse momento ocorreu no Inverno de 1876, uma estação terrível no Sul de Portugal, durante a qual as tempestades e cheias redesenharam o litoral. Perante as notícias de artefactos submersos que emergiam depois das cheias, o governo deu-lhe instruções para fazer um levantamento dos tesouros arqueológicos. Dessa recolha, nasceram as “Antiguidades Monumentais do Algarve”, publicadas até ao ano da sua morte, em 1891.

Pirogas

Um dos debates na arqueologia europeia de então prendia-se com a navegação humana – quando começara e com que embarcações? “Grosso modo”, lembra o arqueólogo Francisco Alves, “há jangadas, canoas de pele ou couro, canoas de casca e canoas ou pirogas monóxilas. Ora, são estas que aparecem no registo arqueológico. E começaram por aparecer a Estácio da Veiga.”

Na verdade, o historiador não chegou a observar nenhuma piroga. Para sua frustração, chegou tarde de mais. As duas pirogas de que tomou conhecimento – a norte de Peniche e perto do estuário do rio Mira – foram destruídas e queimadas para lenha antes de ele chegar. No terceiro volume das “Antiguidades”, queixou-se que “a incúria dos indiferentes deixou completamente estragar.” Antes, em 1876, um colega, Silva Ribeiro, comunicara-lhe a observação de uma piroga revelada pelo recuo da maré numa camada de lodo aluvial. Quando Silva Ribeiro voltou para recolhê-la, nada restava.

Tardou um século até nova descoberta reavivar o interesse pelo tema. Em 1985, emergiram os restos de uma piroga do século X ou XI d.C e, onze anos mais tarde, foram encontradas mais duas (séculos VII/IX e VIII a X d.C.). O grande achado, porém, demorou um pouco mais. Em 2002, no rio Lima, foram detectados vultos no leito fluvial. Os trabalhos arqueológicos coordenados por Francisco Alves permitiram descobrir, entre 2002 e 2003, dois exemplares inesperados. Ambos datavam da Idade do Ferro (séculos V a II a.C.) e estão preservados há mais de uma década em solução aquosa para evitar a deterioração. “Pela primeira vez, tínhamos pirogas in situ e eram muito mais antigas do que as restantes”, diz. Provava-se, por fim, que também em Portugal se começara cedo a utilizar esta embarcação, como aliás referira o geógrafo Estrabão, na transição do século I a.C. para I d.C., contando que “para as marés altas e pântanos usavam-se embarcações de couro, porém, hoje, até as talhadas num só tronco são já raras”.

Em 2008, foram encontrados fragmentos de mais uma piroga no rio Lima. Contando com as duas observações indirectas de Estácio da Veiga, há portanto oito vestígios destas embarcações no território. Em 2013, Francisco Alves publicou um artigo, comparando as tradições monóxilas de Portugal e do Brasil. “Discute-se se a tradição foi levada para ali por europeus ou se nasceu independentemente, por poligénese”, diz. “Aceito o princípio de que comunidades humanas com recursos naturais e técnicas idênticas podem encontrar soluções técnicas semelhantes, pelo que é possível que as populações indígenas construíssem as embarcações antes da chegada dos europeus... Mas um facto é um facto: e no Brasil ainda não se descobriu nenhuma monóxila em contexto arqueológico pré-colonial.”

Na Primavera de 2014, os arqueólogos já não se queixam (tanto!) da incúria dos indiferentes. Duas pirogas medievais foram recuperadas, graças a uma parceria do Museu Nacional de Arqueologia (MNA) com o Museu de Arqueologia Subaquática de Cartagena e empresas privadas de transporte e seguros. Depois da impregnação em solução aquosa e transporte para Espanha, foram secas por liofilização. “Foi uma parceria virtuosa entre entidades públicas e privadas”, diz António Carvalho, o director do MNA. As pirogas, já consolidadas, regressaram no Verão passado e uma delas é a estrela da exposição “O Tempo Resgatado ao Mar”, no MNA, em Lisboa. 

Texto de Gonçalo Pereira. Ilustração de Anyforms

Fonte: http://www.nationalgeographic.pt/