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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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ASSOCIAÇÃO DE PSICOLOGIA DA UNIVERSIDADE DO MINHO INSTALA-SE EM GUIMARÃES

INAUGURAÇÃO DECORREU ESTA QUARTA-FEIRA

Associação de Psicologia da Universidade do Minho abre portas em Guimarães em maio

APsi irá desenvolver o seu programa através da prestação de serviços destinados à sociedade civil e comunidade académica. Começa no dia 08 de maio.

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A sede da Associação de Psicologia da Universidade do Minho (APsi) em Guimarães foi inaugurada esta quarta-feira, 19 de abril, no piso superior das antigas instalações da CP, no edifício onde atualmente se encontra a “Loja Ponto Já”. A área superior, distribuída por quatro gabinetes e três salas de apoio, é destinada à APsi, que desenvolverá a sua atividade a partir do dia 08 de maio, com um calendário de consultas de segunda a sexta-feira, entre as 09 e as 12:30 horas e as 14 e as 19 horas.

«Este é um projeto de grande utilidade social! As parcerias dão coesão ao território e intensificam a relação da Universidade do Minho com Guimarães», referiu o Presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Domingos Bragança, na cerimónia de inauguração, onde também este presente o Reitor da Universidade do Minho, António M. Cunha, o Presidente da Escola de Psicologia, Paulo Machado, o Diretor Executivo da APsi, Rui Abrunhosa, a vereadora Sameiro Araújo, em representação da Câmara Municipal de Braga, enquanto membro associado, entre outros convidados.

«A APsi é mais um bom exemplo do bom relacionamento com Guimarães. A localização deste edifício simboliza a partida e a chegada de pessoas», metaforizou António M. Cunha, considerando que o projeto permitirá «envolver estudantes em práticas de investigação da Escola com o melhor grupo de psicologia a nível nacional e com reconhecimento internacional, que muito orgulha a Universidade do Minho», acrescentou. Paulo Machado, por sua vez, afirmou que a nova sede permitirá «ajudar a criar a identidade da Associação».

Cooperação institucional

A instituição foi formalmente constituída em setembro de 2016, como associação de direito privado sem fins lucrativos que, em parceria com os Serviços de Ação Social da Universidade do Minho e as Câmaras Municipais de Guimarães e de Braga, promove o desenvolvimento global de pessoas, grupos e organizações, consubstanciando projetos da Escola de Psicologia e dos restantes parceiros no âmbito da interação com a comunidade.

A prestação de serviços realiza-se consoante as valências especializadas que são asseguradas por profissionais especializados no âmbito da Unidade de Desenvolvimento e Psicopatologia, Unidade de Neuropsicofisiologia, Unidade de Psicologia Clínica e da Saúde – Adultos, Unidade de Psicologia Clínica e da Saúde - Crianças e Adolescentes, Unidade de Psicologia Clínica e da Saúde - Perturbações Alimentares, Unidade de Psicologia da Justiça e Comunitária, Unidade de Psicologia da Educação e Vocacional e Unidade de Psicologia das Organizações.

ASSOCIAÇÃO DE PSICOLOGIA DA UNIVERSIDADE DO MINHO INAUGURA SEDE EM GUIMARÃES

ESTA QUARTA-FEIRA, 19 DE ABRIL (11H)
Cerimónia está marcada para a manhã desta quarta-feira. APsi irá desenvolver o seu programa através da prestação de serviços destinados à sociedade civil e comunidade académica.

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A sede da Associação de Psicologia da Universidade do Minho (APsi) em Guimarães é inaugurada esta quarta-feira, 19 de abril, às 11 horas, no piso superior das antigas instalações da CP, no edifício onde atualmente se encontra a Loja Ponto Já. A área superior, distribuída por quatro gabinetes e três salas de apoio, será destinada à APsi, que desenvolverá a sua atividade a partir do dia 08 de maio, com um calendário de consultas de segunda a sexta-feira, entre as 09 e as 12:30 horas e as 14 e as 19 horas.

A cerimónia de inauguração desta quarta-feira contará com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Domingos Bragança, do Reitor da Universidade do Minho, António M. Cunha, do Presidente da Escola de Psicologia, Paulo Machado, do Diretor Executivo da APsi, Rui Abrunhosa, e da vereadora Sameiro Araújo, em representação da Câmara Municipal de Braga, enquanto membro associado.
A Associação de Psicologia da Universidade do Minho foi formalmente constituída em setembro de 2016, como associação de direito privado sem fins lucrativos que, em parceria com os Serviços de Ação Social da Universidade do Minho e as Câmaras Municipais de Guimarães e de Braga, promove o desenvolvimento global de pessoas, grupos e organizações, consubstanciando projetos da Escola de Psicologia e dos restantes parceiros no âmbito da interação com a comunidade.
Neste sentido, a APsi irá desenvolver o seu programa de ação através da prestação e disseminação de serviços junto das comunidades locais e académicas, entre outras dimensões, funcionando ainda como uma estrutura e plataforma essencial de apoio à formação de psicólogos.
A prestação de serviços realiza-se consoante as valências especializadas que são asseguradas por profissionais especializados no âmbito da Unidade de Desenvolvimento e Psicopatologia, Unidade de Neuropsicofisiologia, Unidade de Psicologia Clínica e da Saúde – Adultos, Unidade de Psicologia Clínica e da Saúde - Crianças e Adolescentes, Unidade de Psicologia Clínica e da Saúde - Perturbações Alimentares, Unidade de Psicologia da Justiça e Comunitária, Unidade de Psicologia da Educação e Vocacional e Unidade de Psicologia das Organizações.

PONTE DE LIMA EVOCA ALVES DOS SANTOS

Município de Ponte de Lima assinala os 150 anos de nascimento de Alves dos Santos

O Município de Ponte de Lima vai assinalar o 150.º aniversário de nascimento de Augusto Joaquim Alves dos Santos (1866-2016) – personalidade limiana notabilizada nas áreas da Educação e da Psicologia – com um destaque biobibliográfico patente na Sala de Adultos da Biblioteca Municipal de Ponte de Lima (BMPL), de 14 a 31 de Outubro.

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Uma oportunidade para descobrir a vida e a obra de uma figura menos conhecida do grande público, mas que se destacou em diferentes esferas de atuação. Alves dos Santos foi precursor da Pedologia em Portugal, criou o primeiro laboratório nacional de Psicologia, em Coimbra, exerceu vários cargos políticos de notoriedade e chegou a Ministro do Trabalho na Primeira República.

Além de dois painéis biográficos e da disponibilização para consulta de documentos de e sobre Alves dos Santos, a BMPL facultará um folheto com o essencial do tributo.

Associe-se à homenagem a Augusto Joaquim Alves dos Santos, cujo currículo eclético enobrece o legado cultural de Ponte de Lima, e visite a Biblioteca Municipal.

SENADO DA REPÚBLICA PRESTOU TRIBUTO DE HOMENAGEM A ALVES DOS SANTOS

O Senado da República, reunido em 18 de janeiro de 1924, prestou o devido tributo de homenagem a Augusto Joaquim Alves dos Santos. Presidiu à sessão António Xavier Correia Barreto, secretariado pelo ilustre caminhense Luís Inocêncio Ramos Pereira e ainda por António Gomes de Sousa Varela. Transcrevemos do respetivo “Diário do Senado” a parte respeitante à homenagem realizada, bem assim a lista de presenças.

Sumário. — - Verificando-se a presença de 20 Srs Senadores, foi aberta a sessão.

Leu-se a acta, que foi aprovada, e deu-se conta do expediente.

Leu-se a acta, que foi aprovada, e deu-se conta do expediente.

Antes da ordem do dia.— O Sr. Presidente propôs que na acta te exarasse um voto de pesar pelo falecimento dos Srs. Drs. José de Pádua e Alves dos Santos, a que se associaram todos os lados da Câmara,

O Sr. Pereira Osório refere-se ao facto de as sessões não abrirem à hora regimental, dando o Sr. Presidente cabais explicações.

O Sr. Júlio Ribeiro apresentou e justificou um projecto de lei alusivo à compra e venda de cambiais.

O Sr. Alfredo Portugal discorda da interpretação que se dá ao artigo 32." da Constituição em vista do oficio recebido da Câmara dos Deputados por motivo da promulgação de leis.

O Sr. Ribeiro de Melo protesta contra o desconto feito nas colónias pelo Danço Nacional Ultramarino nas notas de 100 escudos, e apresenta um projecto anulando os concursos do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Responde o Sr. Ministro das Colónias (Mariano Martins).

O Sr. Aragão e Brito alude à elevação do preço das libras e apresenta um projecto de lei (preenchimento pelos propostos das vagas de tesoureiros interinos da Fazenda Pública).

Ordem do dia.— Continua a discussão do debate político.

Falam os Srs. José Pontes, Querubim Guimarães e Presidente do Ministério e Ministro das Finanças (Álvaro de Castro}.

A requerimento do Sr. Ernesto Navarro havia sido prorrogada a sessão até concluir o debate político.

Antes de se encerrar a sessão.— O Sr, Ministro das Colónias (Mariano Martins mandou para a Mesa uma proposta de nomeação do Governador da provinda da Guiné (Velez Caroço).

Abertura da sessão, às l5 horas e 30 minutos.

Presentes à chamada 31 Srs. Senadores.

Entraram durante a sessão 19 Srs. Se-Dadores.

Srs. Senadores presentes à chamada:

Abílio do Lobão Soeiro.

Afonso Henriques do Prado Castro

Alfredo Narciso Marcai Martins Portugal;

Álvaro António do Bulhão Pato.

António da Costa Godinho do Amaral.

António Gomes do Sousa Varela

António Maria da Silva Barroto

Artur Augusto da Costa.

Artur Octávio do Rego Chagas.

Augusto Casimiro Alves Monteiro.

Augusto César do Almeida Vasconcelos Correia.

César Justino do Lima Alves.

Constantino José dos Santos.

Duarte Clodomir Patten do Sá Viana.

Ernesto Júlio Navarro.

Francisco José Pereira.

Herculano Jorge Galhardo.

Joaquim Manuel dos Santos Garcia.

Joaquim Pereira Gil de Matos.

Joaquim Xavier do Figueiredo Oriol Pena.

Jorge Frederico -Velez Caroço.

José Augusto Ribeiro de Melo

José Duarte Dias de Andrade.

José Joaquim Pereira Osório.

José Machado Serpa.

José Mendes dos Reis

José Nepomuceno Fernandes Brás.

Júlio Augusto Ribeiro da Silva.

Luís Inocêncio Ramos Pereira.

Pedro Virgolino Ferraz Chaves.

Rodolfo Xavier da Silva.

Srs. Senadores que entraram durante a sessão:

Aníbal Augusto Ramos de Miranda.

António Alves de Oliveira Júnior.

António Xavier Correia Barreto.

Elísio Pinto de Almeida e Castro.

Francisco de Sales Ramos da Costa.

Frederico António Ferreira de Simas.

João Carlos da Costa.

Joaquim Crisóstomo da Silveira Júnior.

José Joaquim Fernandes Pontes.

Júlio Ernesto de Lima Duque.

Luís Augusto de Aragão e Brito.

Nicolau Mesquita.

Querubim da Rocha Vale Guimarães.

Raimundo Enes Meira.

Ricardo Pais Gomes.

Roberto da Cunha Baptista.

Rodrigo Guerra Alvares Cabral.

Silvestre Falcão.

Tomás de Almeida Manuel de Vilhena (D.).

Sr a. Senadores que não compareceram à sessão:

António de Medeiros Franco.

Augusto de Vera Cruz.

César Procópio de Freitas.

Francisco António de Paula.

Francisco Vicente Ramos.

Francisco Xavier Anacleto da Silva.

João Alpoim Borges do Canto.

João Catanho de Meneses.

João Manuel Pessanha Vaz das Neves.

João Maria da Cunha Barbosa.

João Trigo Motinho.

Joaquim Teixeira da Silva.

José António da Costa Júnior.

José Augusto de Sequeira.

José Joaquim Fernandes de Almeida.

Luís Augusto Simões de Almeida.

Manuel Gaspar de Lemos.

Vasco Crispiniano da Silva.

Vasco Gonçalves Marques.

Vítor Hugo do Azevedo Coutinho.

Pelas l5 horas e 30 minutos, o Sr. Presidente manda proceder a chamada. Fez-se a chamada.

O Sr. Presidente:— Estão presentes 30 Srs. Senadores. Está aberta a sessão. Vai ler-se a acta. Leu-se. Pausa,

O Sr. Presidente: — Como nenhum Sr. Senador pede a palavra considero a acta aprovada.

Vai ler-se o Expediente

(…)

Antes da ordem do dia

O Sr. Presidente: — Acabam de falecer dois ilustres cidadãos que prestaram relevantes serviços à Pátria, um deles o Sr. Dr. José de Pádua, médico distintíssimo, ex-Deputado da Nação e antigo Senador, o outro o Sr. Alves dos Santos, Deputado da Nação e professor também muito distinto da Universidade de Coimbra.

Proponho que na acta se lavre una voto de sentimento pela perda destes ilustres homens de sciência e que se comunique às famílias a deliberação da Câmara.

O Sr. Pereira Osório: — Sr. Presidente: pedi a palavra para em nome deste lado da Câmara me associar ao voto de sentimento proposto por V. Ex.a pelo falecimento de dois parlamentares, os quais •eram figuras de destaque no mundo da sciência e das letras.

Refiro-me especialmente ao Sr. Dr. José de Pádua, deixando para o meu colega desta Câmara o Sr. Pereira Gil, visto ter-mo feito essa solicitação, o referir-se mais pormenorizadamente ao Sr. Dr. Alves dos Santos.

No que respeita ao Sr. Dr. José de Pádua, habituei-me desde muito novo, desde o início das lutas de propaganda, a respeitá-lo como um sincero republicano, como um médico distintíssimo, e ainda como um grande artista e compositor musical, que procurava na cultura da música suavizar as agruras da sua vida de incessante estudo e trabalho.

Também não deixarei de lembrar o alto papel que, como oficial miliciano, prestou na organização do corpo expedicionário para a Grande Guerra, na parte referente á assistência médica e serviços de saúde.

Não esquecerei jamais o carinho e proficiência com que tratou do meu filho numa doença grave, e bastava esta circunstância para me sentir verdadeiramente compungido quando, ao chegar à Câmara, me comunicaram a notícia do seu falecimento, pois até ignorava que ele se encontrasse doçnte.

Associo-me, por isso, e comovidamente ao voto de sentimento proposto por V. Ex.a

O Sr. Pereira Gil: — Sr. Presidente: representando o círculo de Coimbra, não posso deixar de me associar ao voto proposto por V. Ex.a pelo falecimento do ilustre professor Dr. Alves dos Santos.

S. Exa foi Deputado, foi Ministro.

Tornou-se distinto como professor da Universidade, sobretudo no ramo da puericultura, porque ele dedicava todos os seus esforços e toda a sua inteligência ao "bem das crianças.

Prestou relevantes serviços à cidade de Coimbra, sondo por várias vezes presidente do Município daquela cidade, Município esse de tão gloriosas tradições, sobretudo desde que o Dr. Marnoco e Sousa por lá passou.

Em Coimbra, a sua falta faz-se sentir em todas as classes, principalmente na Universidade e no Município.

Como representante de Coimbra nesta casa do Parlamento, não podia deixar de me associar ao voto de sentimento proposto por V. Ex.a

O orador não reviu.

O Sr. Dias de Andrade: — Sr. Presidente: é para me associar ao voto do sentimento proposto por V. Ex.a

O Sr. Augusto de Vasconcelos: — Sr. Presidente: é hoje verdadeiramente um dia do luto para o Parlamento e para o País.

Temos de registar a morte do duas eminentes personalidades, de dois prestantes cidadãos, e Portugal não está tam rico em cidadãos ilustres, que não sinta profundamente dois deles desaparecerem do número dos vivos, deixando de prestar à Nação os altos serviços, que lhe prestaram em vida.

O Sr. Dr. José de Pádua foi um republicano de todos os tempos. Médico e artista notável, afirmou-se nesta casa do Parlamento notavelmente pela forma como estudava e tratava as questões, sobretudo aquelas que se prendiam a higiene e a evolução da sociedade.

Foi portanto um ornamento do Parlamento que desapareceu novo, quando ainda havia muito a esperar do seu trabalho, da sua inteligência e virtudes de cidadão.

Sinto profundamente a sua perda, quer corno seu correligionário, embora ele não estivesse ultimamente na actividade política, quer como cidadão, por ver desaparecer um ornamento ilustre da sociedade.

O Sr. Dr. Alves dos Santos era um correligionário meu, era um professor distintíssimo, um orador brilha ate. e foi um estadista que deixou assinalada a sua passagem pela pasta do Trabalho em factos que demonstram o que havia a esporar da sua acção, se nela se tivesse demorado.

Aceitou fazer parte de um Governo em condições críticas e graves da sociedade portuguesa e, nessa ocasião, todos aqueles que se sacrificaram em tomar conta do Poder deram provas de coragem a que não podemos deixar de prestar elogio.

Associo-me aos votos propostos por V. Ex.a, na certeza do que a sociedade portuguesa perdeu hoje dois homens ilustres.

O Sr, Mendes dos Reis: — Sr. Presidente: é para me associar aos votos de sentimento propostos por V. Ex.a, o ao aditamento proposto pelo Sr. Pereira Osório.

O elogio de qualquer dos ilustres extintos já foi feito pelos Srs. Pereira Osório o Augusto de Vasconcelos, limitando-me eu a fazer minhas as palavras de S. Ex.as

O Sr. Querubim Guimarães: *— Sr. Presidente: pedi a palavra para, em nome da minoria monárquica, me associar aos votos de sentimento propostos por V. Ex.a

O Sr. José de Pádua não o conheço senão através dos jornais, com todas as referências agradáveis ao seu nome e para o seu espírito. Sei que foi uma pessoa que marcou no seu tempo e neste país.

No tocante ao Sr. Alves dos santos, foi meu contemporâneo em Coimbra, foi um professor distinto, e seguiu orientação diversa da minha em política, embora noutros tempos partilhasse das minhas ideias.

Daqui lhe tributo as homenagens do meu respeito e da minha muita consideração.

O Sr. Presidente: — Em vista da manifestação de todos os lados da Câmara considero aprovados os votos de sentimento propostos.

ALVES DOS SANTOS E OS “ESTUDOS DE MEMÓRIA HUMANA NA DÉCADA DE 1920 NA UNIVERSIDADE DE COIMBRA”

Em 1993, o Professor Dr. Amâncio da Costa Primo publicou na revista científica “Psychologica” um artigo intitulado “Estudos de memória Humana na Década de 1920 na Universidade de Coimbra”. Este artigo debruça-se nomeadamente sobre a obra “Psicologia Experimental e Pedologia”, da autoria de Augusto Joaquim Alves dos Santos. Para melhor se conhecer a obra neste domínio do Dr Alves dos Santos, transcreve-se com a devida vénia o referido artigo que se encontra no Repositório Aberto da Universidade do Porto.

BRAGA ACOLHE ENCONTRO ANUAL DE PSICÓLOGOS DO NORTE

Município pretende estimular projectos na área da Psicologia

O presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio, participou hoje, 13 de Novembro, na abertura do I Encontro Anual de Psicólogos do Norte que decorreu no auditório da AIMinho, em Braga.

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Neste encontro, promovido pela Direcção Regional do Norte da Ordem dos Psicólogos, o Autarca Bracarense considerou ser fundamental que as estruturas profissionais exerçam uma “política de proximidade” junto dos seus profissionais por forma a “garantir uma verdadeira representatividade territorial”, lembrando que só no distrito de Braga existem cerca de 900 psicólogos.

Ricardo Rio afirmou que Braga possui todas as condições para acolher este tipo de eventos, seja do ponto de vista dos atractivos turísticos, seja pelas infra-estruturas, desafiando a Delegação Regional do Norte da Ordem dos Psicólogos a fazer da Cidade “o ponto de encontro anual” dos seus profissionais.

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Já no domínio da Psicologia, o Edil referiu que as estruturas municipais não souberam, em tempo, munir-se dos recursos necessários para beneficiar do contributo que os psicólogos poderiam dar em diversos domínios, estando actualmente confrontadas com “as malhas muito estreitas da liberdade de contratação”.

Segundo Ricardo Rio, é neste contexto que ganha especial relevo a recém-criada Associação para a Psicologia, fundada pela Universidade do Minho e pelas Câmaras Municipais de Braga e Guimarães. “Esta associação, que já recebeu o visto do Tribunal de Contas, pretende capitalizar o potencial da Escola de Psicologia da UMinho, dos seus docentes e alunos em benefício de projectos para a comunidade em áreas como a Educação, a Acção Social ou a Saúde”, explicou.

O I Encontro Anual de Psicólogos do Norte reflecte a aposta da Delegação Regional do Norte da Ordem dos Psicólogos numa política de descentralização das suas actividades. Além de aproximar a Ordem e os psicólogos, o encontro procurou dar mais visibilidade aos profissionais da Psicologia e contribuir para a sua qualificação, através da discussão de modelos teóricos e práticas profissionais.

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GUIMARÃES APRESENTA ESTUDO CIENTÍFICO SOBRE FATORES PSICOLÓGICOS NA FORMAÇÃO DESPORTIVA DOS JOVENS

Conclusões são apresentadas sexta-feira numa sessão marcada para o “Liceu” de Guimarães. Projeto de investigação foi desenvolvido no âmbito da Cidade Europeia do Desporto 2013.

O Município de Guimarães vai apresentar, durante a realização de uma sessão pública, agendada para esta sexta-feira, 31 de outubro, pelas 10 horas, na Escola Secundária Martins Sarmento, o projeto de investigação “Fatores psicológicos na formação desportiva de jovens”, realizado por uma equipa de investigadores da Escola de Psicologia da Universidade do Minho.

Sob supervisão científica do Professor Doutor Rui António Gomes, as autoras Carla Vilela e Sara Vasconcelos estudaram aspetos relacionados com o apoio e acompanhamento parental, a motivação para a prática desportiva e os sentimentos de bem-estar no desporto.

Em 2013, a Cidade de Guimarães celebrou o título de Cidade Europeia do Desporto. No quadro do programa geral da CED2013, dando seguimento à sua estratégia de aposta na investigação e conhecimento sobre o fenómeno desportivo em Guimarães, e aproveitando a excelente parceria estabelecida com a Universidade do Minho, foi apoiada a realização de um conjunto de estudos e pesquisas científicas cujos resultados começam agora a ser conhecidos e anunciados.

A sessão pública de apresentação do projeto “Fatores psicológicos na formação desportiva de jovens” terá a presença da equipa de investigação, do Vereador do Desporto da Câmara Municipal de Guimarães, Amadeu Portilha, e dos representantes dos clubes que colaboraram no estudo, assim como da comunidade escolar.

BREVE BIOGRAFIA DAS AUTORAS

Carla Vilela é aluna do Mestrado Integrado em Psicologia da Universidade do Minho desde 2009. Atualmente, encontra-se a frequentar o último ano de mestrado, na área de especialização Psicologia das Organizações e do Desporto. Estagiou na Câmara Municipal de Guimarães – Divisão de Ação Social, onde desenvolveu um projeto no âmbito da psicologia social e comunitária. Entre 2013 e 2014, foi membro colaborador do grupo de investigação: Adaptação, Rendimento e Desenvolvimento Humano (ARDH-GI).

Sara Vasconcelos é licenciada em Psicologia pela Universidade dos Açores em 2012. É aluna do Mestrado Integrado em Psicologia da Universidade do Minho desde 2012. Atualmente, encontra-se a frequentar o último ano do mestrado, estagiou no Agrupamento de Escolas do Vale de S. Torcato na área da Psicologia Escolar e da Educação e desenvolveu o seu projeto de tese em Psicologia do Desporto. Entre 2013 e 2014, foi membro colaborador do grupo de investigação: Adaptação, Rendimento e Desenvolvimento Humano (ARDH-GI).

DR. ALVES DOS SANTOS: PIONEIRO DO ESTUDO DA PSICOLOGIA EM PORTUGAL

O Dr. Alves dos Santos, um dos mais ilustres filhos de Ponte de Lima, foi o pioneiro do estudo e investigação da psicologia no nosso país, continuando a sua obra a ser estudada pelos mais notáveis académicos decorridos mais de oito décadas desde a data do seu desaparecimento. A obra que publicou em 1923, “Psicologia Experimental e Pedologia”, é considerada aliás um marco “na história da psicologia em Portugal pelo seu pioneirismo e importância histórica”.

Num dos trabalhos publicados na Revista Portuguesa de Pedagogia a propósito da criação do laboratório de psicologia experimental da Universidade de Coimbra, J. F. Gomes inclui alguns dados biográficos que transcrevemos: “Alves dos Santos nasceu em Cabração, Ponte de Lima, em 14 de Outubro de 1866 e faleceu em 17 de Janeiro de 1924, com 58 anos incompletos. Doutorou-se na Faculdade de Teologia de Braga em 1890. Com a extinção da Faculdade de Teologia, Alves dos Santos é colocado na Faculdade de Letras de Coimbra, sendo nomeado professor de pedagogia por Decreto de 9 de Dezembro de 1911. (…) De Agosto até finais de Novembro de 1912 efectua uma visita às Universidades de Genebra e Paris, tendo adquirido livros e equipamento laboratorial que lhe permitiram fundar e organizar no regresso a Coimbra o laboratório de psicologia experimental, tendo o funcionamento deste sido iniciado em meados de Fevereiro de 1913”. Este foi, pois, o primeiro laboratório de psicologia experimental instalado em Portugal.

Em 1992, Professor Dr. Amâncio da Costa Pinto, actualmente professor catedrático a exercer docência na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, publica na revista Psychologica um artigo científico sob o título “Estudos de Memória Humana na década de 1920 na Universidade de Coimbra”, no qual analisa “o modo como a memória humana foi abordada a nível teórico e a nível experimental”, fazendo incidir a sua reflexão no capítulo “Mnemometria” da obra “Psicologia Experimental e Pedologia” do Dr. Alves dos Santos e também na tese de doutoramento “ O problema da recognição: Estudo psicológico teórico-experimental”, do Dr. Sílvio de Lima, publicada em 1928. A parte do artigo dedicada ao estudo da obra do Dr. Alves dos Santos aborda os seguintes temas: A “Noção de memória”, a “Classificação das memórias”, “Mecanismos e operações de memória” e a “Descrição dos dois estudos experimentais realizados”.

Afirma o articulista que “…este capítulo e os restantes do livro, além de terem por objectivo promover as investigações do Laboratório e os trabalhos dos alunos, constituem um excelente manual de formação dos futuros investigadores em psicologia experimental. Se o livro não foi usado como tal durante as décadas seguintes, não foi por falta de mérito e valor pedagógico nele contido”. E acrescenta: “Alves dos Santos apresenta ainda uma concepção inovadora de memória humana, ao afirmar que é precisamente a memória que torna “possível e inteligível a unidade e a identidade do eu”. Só muitas décadas mais tarde, nomeadamente nos anos 70 e 80, é que o estudo da memória humana veio a ter o protagonismo por ele antecipado. Acrescente-se a finalizar a elaboração temerosa, porque esboçada em nota de rodapé, mas valiosa e consequente, de uma classificação das memórias humanas, tema que voltou a interessar os investigadores nestes últimos 20 anos”.

A título de curiosidade e sem pretender reproduzir integralmente o artigo referido, transcrevemos uma breve passagem a respeito da “Classificação das memórias” que é feita: “Alves dos Santos rejeita a noção de que a memória é uma mera faculdade para reter ideias. A memória enquanto faculdade é “um erro”, já que não há uma memória, mas “memórias ou um feixe de memórias”, e estas em regra são muito desiguais, tanto em qualidade, como em quantidade…”. A causa desta diversidade resulta “da estrutura do órgão, que as elabora, e das circunstâncias da sua produção”. Por estrutura do órgão Alves dos Santos refere-se provavelmente à complexidade e plasticidade do cérebro, enquanto que as circunstâncias de produção teriam a ver com “a riqueza das respectivas associações”.

Alves dos Santos propõe dois sistemas de classificação de memórias. O primeiro sistema de memória é desenvolvido no corpo do texto e classifica a função mnésica em inorgânica, orgânica e psíquica. É uma classificação proposta na sequência talvez dos estudos de Rbot.

A memória inorgânica seria uma expressão da energia físico-química.

A memória orgânica, de ordem biológica, seria privativa de seres dotados de sistema nervoso. As modificações neste tipo de memória seriam susceptíveis de persistência, mesmo após ter desaparecido o estímulo que as desencadeou e de reprodução activa destas através da evocação e da identificação.

Alves dos Santos não define nem esclarece o mecanismo destas operações, principalmente as respeitantes à reprodução das impressões e modificações conservadas. Acrescenta no entanto uma explicação fisiológica para o seu bom funcionamento ao referir que a conservação depende da plasticidade do cérebro proporcionada pela nutrição e que a reprodução seria dependente do estado do aparelho vascular.

(…) Para justificar esta diversidade de memórias, Alves dos Santos adverte: “Não é de admirar, pois que “memórias” cada um tem as suas; e, todas juntas, são tantas, como os cabelos da cabeça”.

Relativamente ao Laboratório de Psicologia Experimental da Universidade de Coimbra, fundado em 1912 pelo Dr. Alves dos Santos, os seus aparelhos e outros instrumentos então utilizados encontram-se actualmente à guarda do actual Laboratório de Psicologia Experimental existente na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, constituindo um núcleo museológico devidamente catalogado e descrito num volume dedicado ao laboratório e ao seu fundador. De referir ainda que, apesar do ensino da psicologia ter-se iniciado naquela Universidade em 1911, apenas no ano lectivo de 1976/1977 teve início o Curso Superior de Psicologia inserida na Faculdade de Letras para em 1980 ser finalmente criada a Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação.

Não vamos enumerar aqui a sua vasta obra literária e científica como também não nos alongaremos na sua descrição biográfica porquanto já o fizemos em edições anteriores da revista Anunciador das Feiras Novas, bastando para tal os interessados seguirem as referências bibliográficas do presente artigo. Lembramos apenas, a quantos estejam porventura interessados em conhecer a sua obra, que podem consultar na Biblioteca Municipal de Ponte de Lima o seu livro “Elementos de Filosofia Sciêntífica”, constituindo este o único título disponível neste local. Contudo, na Biblioteca Nacional, em Lisboa, encontram-se depositados além daquele, ainda os seguintes livros do Dr. Alves dos Santos: “Um plano de reorganização do ensino público: projecto de lei, para apresentar à Câmara dos Senhores Deputados”, “O problema da origem da família e do património em face da Bíblia e da sociologia”, “Orações fúnebres”, “Elogio fúnebre do Conselheiro de Estado, Ernesto Rodolpho Hintze Ribeiro, proferido nas exéquias… 13 de Novembro de 1907”, “Estatística geral da circumscripção escolar de Coimbra, relativa ao anno de 1903-1904” e “O ensino primário em Portugal: nas suas relações com a história geral da nação”.

A propósito do Doutor António de Pádua, outro médico ilustre que nasceu no concelho limiano, escrevia Francisco de Magalhães, no Elucidário Regionalista de Ponte de Lima, o seguinte: “Honrada e, ainda mais, envaidecida sentia-se, também, Ponte de Lima. É que sucedeu, e no decurso de uma porção de anos, três filhos seus – desta vila pequenina, sempre, porém, farta de glórias – pertencerem, simultaneamente, ao corpo docente da Universidade de Coimbra, a saber: Doutor Alfredo da Rocha Peixoto, da Faculdade de Matemática; Doutor Augusto Joaquim Alves dos Santos, da Faculdade de Teologia; e Doutor António de Pádua, da Faculdade de Medicina.

Qual a cidade de província, populosa mesmo – e intencionalmente saio dos limites duma vila – que se pudesse exprimir, naquele instante, sob este aspecto, como Ponte de Lima ?

Não obstante, como disse o cronista, Ponte de Lima ter-se sentido “honrada e, ainda mais, envaidecida”, o Dr. Alves dos Santos permaneceu no desconhecimento da generalidade dos seus conterrâneos até muito recentemente, tendo cabido à revista “Anunciador das Feiras Novas” o mérito de o ter dado a conhecer e divulgar a sua obra. Ainda assim, uma sugestão feita à Câmara Municipal de Ponte de Lima e por esta unanimemente aceite, com vista à realização de uma homenagem por ocasião da passagem dos setenta e cinco anos sobre a data do seu falecimento, acabaria por cair no esquecimento em virtude da mudança de vereação entretanto verificada. Ficámo-nos pela atribuição do seu nome a uma artéria da vila quando foi necessário escolher novos topónimos para arruamentos entretanto construídos.

Contudo, a memória do Dr. Augusto Joaquim Alves dos Santos merecia mais porquanto constituiu uma das figuras mais notáveis do concelho de Ponte de Lima. A sua brilhante carreira de pedagogo, cientista e escritor bem justificaria a sua escolha para patrono de um estabelecimento de ensino no concelho de Ponte de Lima, proposta que pode ser apresentada pela Câmara Municipal ao abrigo do Decreto-Lei nº. 314/97, de 15 de Novembro. Assim exista vontade e Ponte de Lima sentir-se-á mais “honrada e, ainda mais, envaidecida”!

Bibliografia:

-  Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Editorial Enciclopédia. Lisboa. Rio de Janeiro.

-  MAGALHÃES, Francisco de. Médicos de Ponte de Lima. Elucidário Regionalista de Ponte de Lima. Livraria Soares Correia. Ponte de Lima. 1950

-  ABREU, M. V. Os primeiros laboratórios de psicologia em Portugal: Contexto e sentido da sua criação. Jornal de Psicologia nº. 9. 1990;

-  GOMES, J.F.. As origens do laboratório de psicologia experimental da Universidade de Coimbra. Revista Portuguesa de Pedagogia. XXIV. 1990;

-  RODRIGUES, Manuel Augusto. Memoria Professorvm Vniversitatis Conimbrigensis 1772-1937. Arquivo da Universidade de Coimbra. Coimbra. 1992;

- PINTO, Amâncio da Costa. Estudos de memória humana na década de 1920 na Universidade de Coimbra. Psychologica, 1992.

-  GOMES, Carlos. Dr. Alves dos Santos. Um limiano ilustre e desconhecido. Anunciador das Feiras Novas. Ano X. Ponte de Lima. 1993;

-  GOMES, Carlos. Dr. Alves dos Santos. Ponte de Lima vai prestar-lhe homenagem. Anunciador das Feiras Novas. Ano XI. Ponte de Lima. 1994;

-  GOMES, Carlos. Dr. Alves dos Santos. Alguns apontamentos biográficos. Anunciador das Feiras Novas. Ano XVII. Ponte de Lima. 2000;

Carlos Gomes, in Anunciador das Feiras Novas

PONTE DE LIMA: CABRAÇÃO É UM SANTUÁRIO DA NATUREZA!

Rodeada de floresta e sem iluminação pública até há escassas quatro décadas, a Cabração viveu ao longo de séculos isolada na encosta da serra, fechada sobre si mesma, temerosa do bulício que ocorria à sua volta. De importantes acontecimentos que vieram a ficar na História chegava, por vezes, o som longínquo que ecoava para além dos montes, umas vezes do lado da Galiza quando a Espanha esteve a ferro e fogo, outras mais a sul quando os realistas proclamaram em Viana do Castelo a restauração do regime monárquico. Na Cabração, apenas na Além foi hasteada a bandeira monárquica por essa altura, na casa que foi dos Carmo.

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Nesta casa foi hasteada a bandeira realista quando foi proclamada a Monarquia do Norte, em 1919

À noitinha, à lareira, contavam-se estórias de almas penadas que apareciam nas encruzilhadas e de bruxas que se juntavam sob a velha ponte de madeira que, mais à frente da Regueira ligava à Balouca. Tais crenças que nos testemunham ritos ancestrais ligados ao paganismo, alimentavam a imaginação dos mais novos e fizeram da Cabração terra fértil para a prática de exorcismos que tiveram no senhor abade – o padre Manuel Lopes Miranda – o último representante do guardião do paraíso.

A feira de Ponte de Lima que se realiza todas as segundas-feiras desde tempos imemoráveis e cujo testemunho documental mais antigo que se conhece é o foral atribuído por D. Teresa em 1125, era praticamente a única saída para o mundo. Até ao aparecimento da camioneta da carreira, o povo juntava-se em ranchos e lá ia, reta abaixo, até à bila. Ali, enquanto uns feiravam, outros guardavam as compras. Os mais novos aproveitavam para fazer novos namoricos. O ponto de encontro era junto à torre onde se encontra o magnífico painel de azulejos de Jorge Colaço que conta a lenda da Cabração. Mais recentemente, as pessoas juntavam no Café Guerra que ficava próximo. E, à tardinha, regressavam à terra ainda a tempo de darem de comer ao gado.

A partir dos começos do século vinte, muitos filhos desta terra debandaram para o Brasil e Lisboa. Mais tarde, nos anos sessenta, a França tornou-se o principal destino mas houve ainda quem se aventurasse por outras paragens, como Espanha, Alemanha e até os Estados Unidos da América. E, quem ficava, via com desconsolo as leiras ficarem de velho. À parte a ocasião em que se realiza a festa à Padroeira no 15 de agosto, pouco mais de uma centena de almas povoa a localidade. Porém, a Cabração chegou a ter mais de meio milhar de habitantes.

Apesar de humilde, é uma terra cheia de encantos de rara beleza e um local bastante aprazível para viver, suficientemente distante do frenesi dos grandes aglomerados urbanos. Aqui escorria o mel que as abelhas produziam em milhares de colmeias que povoavam os montes onde cresce toda a sorte de plantas silvestres respirando ar puro. E também o leite dos numerosos rebanhos de cabras que outrora aqui apascentavam e vieram a dar nome à terra – Cabras são, Senhor!

A Cabração é terra antiquíssima como se documenta pelo conhecimento que se tem da existência de um povoado castrejo pré-romano e do Convento da Carrapachana cuja localização não foi ainda possível determinar com absoluta segurança, apesar dos vestígios de ruínas no Outeirinho e na Costa. Mas, a humildade da terra não permitiu despertar até ao presente o interesse dos arqueólogos.

Não obstante, aqui nasceram algumas das mais ilustres figuras de Ponte de Lima como foi o Dr. Augusto Joaquim Alves dos Santos que, para além de eminente pedagogo, teólogo, escritor, político e cientista, foi o introdutor do estudo da Psicologia em Portugal, tendo na Universidade de Coimbra criado um laboratório, atualmente transformado em museu que ostenta o seu nome.

Ao perpetuar a sua memória na toponímia da vila, Ponte de Lima reconheceu a sua importância. Porém, como pedagogo, bem poderia tornar-se o patrono de uma das escolas do nosso Concelho e, sobretudo, a sua vida e a vasta obra que produziu serem dadas a conhecer aos seus conterrâneos.

Nos tempos que correm, a luz elétrica já ilumina os caminhos da freguesia. Porém, a razão ainda não ilumina as mentes que continuam a ignorar a extraordinária riqueza histórica, paisagística e ambiental que a Cabração guarda dentro de si e, qual santuário, preserva longe dos olhares profanos.

O Dr. Alves dos Santos, uma das figuras mais ilustres de Ponte de Lima, nasceu na Cabração

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O padre Manuel Lopes Miranda realizando um dos seus exorcismos

DR. ALVES DOS SANTOS: UM LIMIANO ILUSTRE E DESCONHECIDO

É sabido que o Concelho de Ponte de Lima possui uma extensa galeria de figuras notáveis como nenhum outro se pode orgulhar. É de igual modo verdade que, por vezes, muitas destas figuras ilustres permanecem durante certo tempo ignoradas por falta de conhecimento, apesar de em vida terem atingido grande notoriedade.

Foto existente na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, cedida ao autor

O Dr. Alves dos Santos tem sido precisamente uma dessas figuras ilustres e desconhecidas cuja estatura moral e craveira intelectual em muito prestigiam o nosso concelho.

De seu nome completo Augusto Joaquim Alves dos Santos, o nosso ilustre conterrâneo nasceu em 14 de Outubro de 1866, na Freguesia de Cabração, tendo falecido em 17 de janeiro de 1924 na cidade de Coimbra onde viveu e se distinguiu.

Apesar dos esforços desenvolvidos não conseguimos identificar possíveis descendentes ou outros familiares, nomeadamente na Freguesia de que foi natural. Sabemos unicamente que era filho de Manuel Joaquim Rodrigues dos Santos e Ana Maria Alves Soares.

Não é nosso propósito aqui fazer a sua biografia mas, no caso vertente, não resistimos a enumerar alguns dados biográficos pois o conhecimento do Dr. Alves dos Santos não dispensa apresentação.

Entre os inúmeros cargos que exerceu, o Dr. Alves dos Santos foi Presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ministro do Trabalho e por três vezes eleito deputado pelo círculo de Coimbra entre 1910 e 1921, chegando inclusivamente a presidir à Câmara dos Deputados. Foi ainda Diretor da Biblioteca da Universidade de Coimbra e, um ano após a implantação da República, Chefe do Gabinete do Presidente do Governo provisório.

Foi um eminente teólogo, tendo frequentado o curso de Teologia do Seminário de Braga e recebido ordens sacras. Comendador da Ordem de Santiago em 1904, lecionou Grego e Hebraico no Liceu de Coimbra, Pedagogia, Psicologia e Psicologia Infantil nomeadamente na Escola Normal Superior daquela cidade e, entre inúmeras cadeiras, Pedagogia, Psicologia e Lógica, História da Filosofia e Psicologia Experimental na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

A ele se deveu a instalação do Laboratório de Psicologia daquela Faculdade, no qual também desempenhou as funções de Diretor.

A sua obra literária é igualmente vasta, sendo de destacar os seguintes trabalhos:

- “Concordismo e Idealismo”, publicado em 1900;

- “O Problema da origem da família e do matrimónio em face da Bíblia e da Sociologia”, editado em 1901;

- “A nossa escola primária – o que tem sido e o que deve ser”, em 1910;

- “O ensino primário em Portugal, nas suas relações com a história geral da nação”, em 1913;

- “Elementos de filosofia científica”, em 1918;

- “Portugal e a Grande Guerra” (duas conferências), Coimbra, 1913;

- “Psicologia experimental e Pedagogia”, Coimbra, 1923;

O Dr. Alves dos Santos foi militante do Partido Republicano Nacionalista desde que se extinguira o Partido Republicano Evolucionista do Dr. António José de Almeida.

Sobre o seu perfil político, o periódico “O Despertar” de Coimbra, na sua edição de 19 de janeiro de 1924 afirmava:

Foi um orador fluente. Tanto da tribuna sagrada como em comícios públicos e mais tarde no parlamento, o sr. Dr. Alves dos Santos era sempre ouvido com o mais vivo interesse.

Conhecedor a fundo da língua, o saudoso extinto era fecundo em maravilhosas imagens, chegando, por vezes, a empolgar a assistência, com o seu gesto largo e manifesta sinceridade que exprimia às suas palavras.

Os seus adversários políticos, nomeadamente, eram os primeiros a reconhecer-lhe o mais formoso talento”.

Ainda segundo o mesmo periódico, o Dr. Alves dos Santos era uma figura “essencialmente popular, sem escusados preconceitos”, “estimadíssimo em Coimbra” e “um amigo devotado das crianças, às quais dedicava os mais vivos afectos”, razão pela qual lhes consagrou muitos dos seus estudos.

O Dr. Alves dos Santos residia no número catorze da rua Alexandre Herculano, na cidade de Coimbra, e faleceu na sequência de “uma horrorosa enfermidade para a qual a sciencia médica é ainda impotente”, conforme noticiava a “Gazeta de Coimbra”, no dia do seu falecimento.

No seu funeral estiveram representadas a Universidade de Coimbra, o Governador Civil do Distrito, os ministros do Interior e do Trabalho, a Câmara Municipal de Coimbra e a Misericórdia local entre numerosas outras entidades. Isto apesar da vontade manifesta do Dr. Alves dos Santos na realização de uma cerimónia fúnebre discreta.

Na Câmara Municipal e no Centro Nacionalista foi içada a bandeira nacional a meia haste e na Câmara dos Deputados foi aprovado um voto de sentimento.

Os restos mortais do Dr. Alves dos Santos encontram-se depositados no Cemitério da Conchada, em Coimbra, mais concretamente na sepultura nº. 16 do leirão nº. 23, conforme notícia publicada em “O Despertar” de 19 de janeiro de 1924.

O seu nome não consta da toponímia da cidade de Coimbra nem do Concelho de Ponte de Lima.

Contudo, como dizia o periódico acima citado na referida edição, o Dr. Alves dos Santos foi um “patriota dos mais eminentes, foi sempre um grande liberal, perdendo o país no saudoso finado um dos seus filhos mais ilustres”.

- Carlos Gomes em “O Anunciador das Feiras Novas”, nº X, Ponte de Lima, 1993

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O Dr. Alves dos Santos (segundo a contar da direita) foi Ministro do Trabalho no governo do Dr. Cunha Leal

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A foto, publicada na revista “Ilustração Portugueza” de 28 de janeiro de 1922, mostra a visita do Dr. Alves dos Santos, na qualidade de Ministro do Trabalho, ao asilo D. Maria Pia 

Notas:

1. Alguns anos após a publicação deste artigo, a Câmara Municipal de Ponte de Lima atribuiu o seu nome a uma das artérias da vila limiana.

2. O Dr. Alves dos Santos não teve descendentes diretos. De acordo com pesquisas genealógicas posteriormente efetuadas, Augusto Joaquim Alves dos Santos era oriundo da família Carmo (da Além) dos quais teve origem o apelido Santos e que, por sua vez, veio a ligar-se a um dos ramos da família Gomes, estes provenientes da Balouca. Por conseguinte, os Gomes que se encontram ligados ao “Carmo” são descendentes indiretos do Dr. Alves dos Santos, atualmente primos a partir do 3º grau.

DR. ALVES DOS SANTOS: PIONEIRO DO ESTUDO DA PSICOLOGIA EM PORTUGAL

O Dr. Alves dos Santos, um dos mais ilustres filhos de Ponte de Lima, foi o pioneiro do estudo e investigação da psicologia no nosso país, continuando a sua obra a ser estudada pelos mais notáveis académicos decorridos mais de oito décadas desde a data do seu desaparecimento. A obra que publicou em 1923, “Psicologia Experimental e Pedologia”, é considerada aliás um marco “na história da psicologia em Portugal pelo seu pioneirismo e importância histórica”.

Num dos trabalhos publicados na Revista Portuguesa de Pedagogia a propósito da criação do laboratório de psicologia experimental da Universidade de Coimbra, J. F. Gomes inclui alguns dados biográficos que transcrevemos: “Alves dos Santos nasceu em Cabração, Ponte de Lima, em 14 de Outubro de 1866 e faleceu em 17 de Janeiro de 1924, com 58 anos incompletos. Doutorou-se na Faculdade de Teologia de Braga em 1890. Com a extinção da Faculdade de Teologia, Alves dos Santos é colocado na Faculdade de Letras de Coimbra, sendo nomeado professor de pedagogia por Decreto de 9 de Dezembro de 1911. (…) De Agosto até finais de Novembro de 1912 efectua uma visita às Universidades de Genebra e Paris, tendo adquirido livros e equipamento laboratorial que lhe permitiram fundar e organizar no regresso a Coimbra o laboratório de psicologia experimental, tendo o funcionamento deste sido iniciado em meados de Fevereiro de 1913”. Este foi, pois, o primeiro laboratório de psicologia experimental instalado em Portugal.

Em 1992, Professor Dr. Amâncio da Costa Pinto, actualmente professor catedrático a exercer docência na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, publica na revista Psychologica um artigo científico sob o título “Estudos de Memória Humana na década de 1920 na Universidade de Coimbra”, no qual analisa “o modo como a memória humana foi abordada a nível teórico e a nível experimental”, fazendo incidir a sua reflexão no capítulo “Mnemometria” da obra “Psicologia Experimental e Pedologia” do Dr. Alves dos Santos e também na tese de doutoramento “ O problema da recognição: Estudo psicológico teórico-experimental”, do Dr. Sílvio de Lima, publicada em 1928. A parte do artigo dedicada ao estudo da obra do Dr. Alves dos Santos aborda os seguintes temas: A “Noção de memória”, a “Classificação das memórias”, “Mecanismos e operações de memória” e a “Descrição dos dois estudos experimentais realizados”.

Afirma o articulista que “…este capítulo e os restantes do livro, além de terem por objectivo promover as investigações do Laboratório e os trabalhos dos alunos, constituem um excelente manual de formação dos futuros investigadores em psicologia experimental. Se o livro não foi usado como tal durante as décadas seguintes, não foi por falta de mérito e valor pedagógico nele contido”. E acrescenta: “Alves dos Santos apresenta ainda uma concepção inovadora de memória humana, ao afirmar que é precisamente a memória que torna “possível e inteligível a unidade e a identidade do eu”. Só muitas décadas mais tarde, nomeadamente nos anos 70 e 80, é que o estudo da memória humana veio a ter o protagonismo por ele antecipado. Acrescente-se a finalizar a elaboração temerosa, porque esboçada em nota de rodapé, mas valiosa e consequente, de uma classificação das memórias humanas, tema que voltou a interessar os investigadores nestes últimos 20 anos”.

A título de curiosidade e sem pretender reproduzir integralmente o artigo referido, transcrevemos uma breve passagem a respeito da “Classificação das memórias” que é feita: “Alves dos Santos rejeita a noção de que a memória é uma mera faculdade para reter ideias. A memória enquanto faculdade é “um erro”, já que não há uma memória, mas “memórias ou um feixe de memórias”, e estas em regra são muito desiguais, tanto em qualidade, como em quantidade…”. A causa desta diversidade resulta “da estrutura do órgão, que as elabora, e das circunstâncias da sua produção”. Por estrutura do órgão Alves dos Santos refere-se provavelmente à complexidade e plasticidade do cérebro, enquanto que as circunstâncias de produção teriam a ver com “a riqueza das respectivas associações”.

Alves dos Santos propõe dois sistemas de classificação de memórias. O primeiro sistema de memória é desenvolvido no corpo do texto e classifica a função mnésica em inorgânica, orgânica e psíquica. É uma classificação proposta na sequência talvez dos estudos de Rbot.

A memória inorgânica seria uma expressão da energia físico-química.

A memória orgânica, de ordem biológica, seria privativa de seres dotados de sistema nervoso. As modificações neste tipo de memória seriam susceptíveis de persistência, mesmo após ter desaparecido o estímulo que as desencadeou e de reprodução activa destas através da evocação e da identificação.

Alves dos Santos não define nem esclarece o mecanismo destas operações, principalmente as respeitantes à reprodução das impressões e modificações conservadas. Acrescenta no entanto uma explicação fisiológica para o seu bom funcionamento ao referir que a conservação depende da plasticidade do cérebro proporcionada pela nutrição e que a reprodução seria dependente do estado do aparelho vascular.

(…) Para justificar esta diversidade de memórias, Alves dos Santos adverte: “Não é de admirar, pois que “memórias” cada um tem as suas; e, todas juntas, são tantas, como os cabelos da cabeça”.

Relativamente ao Laboratório de Psicologia Experimental da Universidade de Coimbra, fundado em 1912 pelo Dr. Alves dos Santos, os seus aparelhos e outros instrumentos então utilizados encontram-se actualmente à guarda do actual Laboratório de Psicologia Experimental existente na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, constituindo um núcleo museológico devidamente catalogado e descrito num volume dedicado ao laboratório e ao seu fundador. De referir ainda que, apesar do ensino da psicologia ter-se iniciado naquela Universidade em 1911, apenas no ano lectivo de 1976/1977 teve início o Curso Superior de Psicologia inserida na Faculdade de Letras para em 1980 ser finalmente criada a Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação.

Não vamos enumerar aqui a sua vasta obra literária e científica como também não nos alongaremos na sua descrição biográfica porquanto já o fizemos em edições anteriores da revista Anunciador das Feiras Novas, bastando para tal os interessados seguirem as referências bibliográficas do presente artigo. Lembramos apenas, a quantos estejam porventura interessados em conhecer a sua obra, que podem consultar na Biblioteca Municipal de Ponte de Lima o seu livro “Elementos de Filosofia Sciêntífica”, constituindo este o único título disponível neste local. Contudo, na Biblioteca Nacional, em Lisboa, encontram-se depositados além daquele, ainda os seguintes livros do Dr. Alves dos Santos: “Um plano de reorganização do ensino público: projecto de lei, para apresentar à Câmara dos Senhores Deputados”, “O problema da origem da família e do património em face da Bíblia e da sociologia”, “Orações fúnebres”, “Elogio fúnebre do Conselheiro de Estado, Ernesto Rodolpho Hintze Ribeiro, proferido nas exéquias… 13 de Novembro de 1907”, “Estatística geral da circumscripção escolar de Coimbra, relativa ao anno de 1903-1904” e “O ensino primário em Portugal: nas suas relações com a história geral da nação”.

A propósito do Doutor António de Pádua, outro médico ilustre que nasceu no concelho limiano, escrevia Francisco de Magalhães, no Elucidário Regionalista de Ponte de Lima, o seguinte: “Honrada e, ainda mais, envaidecida sentia-se, também, Ponte de Lima. É que sucedeu, e no decurso de uma porção de anos, três filhos seus – desta vila pequenina, sempre, porém, farta de glórias – pertencerem, simultaneamente, ao corpo docente da Universidade de Coimbra, a saber: Doutor Alfredo da Rocha Peixoto, da Faculdade de Matemática; Doutor Augusto Joaquim Alves dos Santos, da Faculdade de Teologia; e Doutor António de Pádua, da Faculdade de Medicina.

Qual a cidade de província, populosa mesmo – e intencionalmente saio dos limites duma vila – que se pudesse exprimir, naquele instante, sob este aspecto, como Ponte de Lima ?

Não obstante, como disse o cronista, Ponte de Lima ter-se sentido “honrada e, ainda mais, envaidecida”, o Dr. Alves dos Santos permaneceu no desconhecimento da generalidade dos seus conterrâneos até muito recentemente, tendo cabido à revista “Anunciador das Feiras Novas” o mérito de o ter dado a conhecer e divulgar a sua obra. Ainda assim, uma sugestão feita à Câmara Municipal de Ponte de Lima e por esta unanimemente aceite, com vista à realização de uma homenagem por ocasião da passagem dos setenta e cinco anos sobre a data do seu falecimento, acabaria por cair no esquecimento em virtude da mudança de vereação entretanto verificada. Ficámo-nos pela atribuição do seu nome a uma artéria da vila quando foi necessário escolher novos topónimos para arruamentos entretanto construídos.

Contudo, a memória do Dr. Augusto Joaquim Alves dos Santos merecia mais porquanto constituiu uma das figuras mais notáveis do concelho de Ponte de Lima. A sua brilhante carreira de pedagogo, cientista e escritor bem justificaria a sua escolha para patrono de um estabelecimento de ensino no concelho de Ponte de Lima, proposta que pode ser apresentada pela Câmara Municipal ao abrigo do Decreto-Lei nº. 314/97, de 15 de Novembro. Assim exista vontade e Ponte de Lima sentir-se-á mais “honrada e, ainda mais, envaidecida”!

Carlos Gomes in O Anunciador das Feiras Novas, nº XXIII, Ponte de Lima, 2006