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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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PÓVOA DE LANHOSO ENTREGA CERTIFICADOS DA ESCAVAÇÃO ARQUEOLÓGICA DA VILLA ROMANA DE VIA COVA

O Vereador da Cultura e Turismo da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, André Rodrigues, e o Presidente da Junta de Freguesia de Lanhoso, António Machado, entregaram os certificados de participação referentes aos trabalhos arqueológicos das ruínas da villa romana de Via Cova, em Lanhoso, na sede da Junta de Freguesia de Lanhoso.

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Esta intervenção arqueológica, que contou com 25 participantes em regime de voluntariado, além de ter posto a descoberto uma parte das ruínas romanas, foi o alicerçar das raízes para o desenvolvimento do espírito colaborativo, de interajuda e sentido de responsabilidade de cada participante, incutindo, desta forma, valores que permanecem para a vida.

“O Municipio deve muito ao trabalho destes voluntários, que tanto contribuíram para dignificar ainda mais o nosso património histórico. Já no próximo mês realizaremos uma nova intervenção, que só será concluída com sucesso com a ajuda dos voluntários”, salienta o Vereador da Cultura e Turismo, André Rodrigues.

No final da cerimónia, no passado dia 4 de março, o Vereador da Cultura e Turismo voltou a desafiar os presentes para participarem na próxima intervenção arqueológica, que terá como objetivo, estudar e valorizar três monumentos pertencentes à necrópole megalítica do Planalto da Pena Província, na Serra do Carvalho, que se realizará no próximo período de interrupção letiva, de 5 a 18 de abril de 2017.

Brevemente, serão disponibilizadas mais informações sobre a intervenção arqueológica dos três monumentos megalíticos.

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MUNICÍPIO DE CAMINHA VAI DEVOLVER ESPAÇO ENVOLVENTE AO DÓLMEN DA BARROSAÀS PESSOAS

Primeira fase da recuperação do espaço envolvente ao Dólmen da Barrosa a realizar no âmbito do Orçamento Participativo de Caminha já começou

A recuperação do espaço envolvente ao Dólmen da Barrosa a realizar no âmbito do Orçamento Participativo de Caminha já começou. Miguel Alves esteve esta manhã no local para acompanhar os trabalhos desta primeira fase da obra.

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“Este é o lançamento da primeira fase de uma obra de recuperação de todo o Dólmen da Barrosa e deste espaço fantástico que nós queremos colocar para usufruto das pessoas”, disse Miguel Alves, acrescentando que foi submetida uma candidatura para a criação de um núcleo museológico que projete o megalitismo no concelho. “Imagino por isso, dentro de poucos anos, o parque da Barrosa como um parque urbano de usufruto dos adultos e das crianças, um parque biológico onde se pode aprender muito sobre a flora, mas também uma alternativa à nossa praia. Será a partir daqui que vamos poder projetar o megalitismo no concelho de Caminha”, sublinhou.

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A visita ao espaço envolvente ao Dólmen da Barrosa em Vila Praia de Âncora, contou com a presença de Miguel Alves, presidente da Câmara Municipal de Caminha; Guilherme Lagido Domingos, vice-presidente da Câmara Municipal; Carlos Castro, presidente da Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora; Álvaro Meira, proponente da proposta, e dos técnicos responsáveis pela obra.

“Esta obra regenera urbanisticamente este parque, devolve este parque às pessoas, e vai criar condições de segurança para usufruto das crianças e dos adultos”, sublinhou Miguel Alves sobre a importância da obra.

Também Carlos Castro admitiu tratar-se de uma obra muito importante: “a requalificação desta zona envolvente do Dólmen da Barrosa é um sonho. E ainda bem que se concretiza porque vai ser uma zona muito bonita, vai ser uma zona de lazer e vai ser uma atratividade para Vila Praia de Âncora e para todos aqueles que nos visitam”.

O presidente da Câmara lembrou que esta é uma obra que “nasceu do Orçamento Participativo de Caminha”. Trata-se de uma intervenção no montante de 22.378,39 +IVA. Dos trabalhos fazem parte: o rebaixamento do muro existente no topo nascente para uma altura de 1,20m, bem como está prevista a sua reconstrução nas zonas em falta, com características idênticas ao existente; a demolição do muro atualmente existente no topo norte e reconstrução do mesmo com uma altura de 1,20m em toda a extensão. Já foram removidas as rampas de e vai ser demolida a respetiva base em betão.

Estes são os trabalhos que integram esta primeira fase. Quanto à segunda fase, Miguel Alves assegurou que já foi submetida uma candidatura ao Programa 2020 para a criação de um núcleo museológico que potencie o megalitismo de Vila Praia de Âncora e de todo o concelho de Caminha e que vai “potenciar a oferta turística que vila praia oferece”.

Miguel Alves sublinhou ainda “só foi possível fazer esta obra porque a Câmara Municipal de Caminha resolveu uma trapalhada de mais de 20 anos com a família e os herdeiros do Dólmen da Barrosa”. O autarca relembrou: “estes terrenos estavam em litigio judicial, a Câmara Municipal já pagou a primeira metade da indemnização e vai pagar até ao final de março de 2017 a outra tranche à família, de modo a que estes terrenos possam ser do município. Para já os terrenos ainda não são do município, mas já temos autorização para fazer esta obra aqui. É a resolução de mais uma trapalhada do passado que nos ajuda a construir o futuro”.

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CAMINHA RECUPERA DÓLMEN DA BARROSA

A Câmara Municipal de Caminha organiza amanhã, dia 14 de dezembro, pelas 10 horas, uma visita ao Dólmen da Barrosa, em Vila Praia de Âncora, no âmbito da intervenção a realizar com base no Orçamento Participativo.

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A Recuperação do espaço envolvente ao Dólmen da Barrosa (Vila Praia de Âncora) foi um dos projetos vencedores do 1º Orçamento Participativo de Caminha. Trata-se de um projeto avaliado em 60 mil euros e prevê intervenção nos muros, plantação de espécies autóctones, instalação de mobiliário urbano e remoção da pista de skate.

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PORTA DO MEZIO QUER VALORIZAR PATRIMÓNIO ARQUEOLÓGICO

ARDAL/Porta do Mezio aprova candidatura para a promoção e valorização da Área Arqueológica Mezio-Gião

O projeto Vozes das Pedras - Promoção e Valorização da Área Arqueológica Mezio-Gião visa dar resposta a uma crescente procura do turista do Parque Nacional da Peneda-Gerês e da Porta do Mezio, em particular, por estes monumentos culturais, oferecendo-lhe novos suportes e experiências relativas a esta temática.

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Esta iniciativa irá remeter os turistas para a relação do Homem com os elementos culturais e naturais. Com pedras enquadradas numa paisagem delimitada, o Homem do Mezio-Gião criou arte rupestre e espaços de rituais de enterramento (mamoas), mas criou-os num profundo relacionamento com o espaço natural, lendo-o, interpretando-o e experienciando-se a si e à paisagem como um só. Com este projeto a ARDAL/Porta do Mezio vai valorizar e promover as 100 rochas identificadas num dos maiores santuários de arte rupestre do Noroeste Peninsular – o Gião, bem como nas 11 mamoas da Área Arqueológica do Mezio.

Pretende-se que o conhecimento que estes espaços encerram seja partilhado com o grande público, num trabalho coordenado pelo Arqueólogo Martinho Baptista, diretor Parque Arqueológico Vale do Côa.

Com um valor elegível de cerca de 350 mil euros, apoiado no âmbito do Programa Operacional da Região Norte – Património Cultural, pretende-se que este trabalho venha, também, reforçar a atratividade da Porta do Mezio, enquanto estrutura de promoção, receção, animação e interpretação do território do Parque Nacional da Peneda Gerês.

CERVEIRA É VILA DAS ARTES DESDE A PRÉ-HISTÓRIA

Investigação da UM traz novos dados sobre a arte rupestre de Cerveira

Foram identificadas cerca de 40 novas gravuras rupestres no concelho de Vila Nova de Cerveira. O trabalho de campo, recentemente desenvolvido por uma equipa da Universidade do Minho, com o apoio do Município, vai agora avançar para uma fase mais técnica/de gabinete para inventariar, estudar, conservar e divulgar mais esta descoberta de arte rupestre, consolidando a história cerveirense.

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De grande riqueza patrimonial, Vila Nova de Cerveira é um concelho que apresenta um elevado potencial arqueológico que agora se alarga à arte rupestre, apresentando concentrações muito significativas de gravuras que remontam às origens históricas em formações rochosas situadas nas encostas e chãs da Serra da Gávea e que, desde há vários anos, suscita o interesse de profissionais e a curiosidade de visitantes.

O mais recente estudo decorreu ao longo do passado mês de julho, com uma equipa de cinco investigadores da Universidade do Minho a pesquisar arte rupestre em Cerveira, na sequência do projeto de investigação de pós-doutoramento “Paisagem e representação do poder na Pré-história Recente: Arte Atlântica e Estátuas-Menir”.

O trabalho consistiu na deteção de gravuras mediante a realização de prospeção sistemática de áreas de maior potencial, originando a descoberta de cerca de 40 novos locais gravados. Para cada uma das gravuras identificadas procedeu-se à contextualização física e arqueológica dos locais, à limpeza dos afloramentos, ao estudo técnico e formal das gravuras e ao levantamento fotogramétrico.

Os dados recolhidos vão agora ser analisados e sistematizados em gabinete, afim de se proceder à sua inventariação e definição de estratégias para posterior proteção e conservação.  De sublinhar que, dando continuidade à estratégia de promoção de Vila Nova de Cerveira enquanto polo de turismo cultural, a Câmara Municipal está já a preparar com os investigadores uma visita guiada às gravuras, a ter lugar no próximo mês de setembro equacionando a criação alguns trilhos e sinalizações que divulguem este e outros legados já descobertos.

O grupo de investigadores da Universidade do Minho constituído por alunos do Mestrado e Licenciatura em Arqueologia da Universidade do Minho, sob a coordenação do Doutor Manuel Santos Estévez, pós-doutorando da Universidade do Minho, e da Prof.ª Doutora Ana Maria dos Santos Bettencourt, Professora Auxiliar com Agregação da mesma instituição de ensino.

DIRETOR REGIONAL DE CULTURA DO NORTE VISITA ESCAVAÇÕES ARQUEOLÓGICAS EM MELGAÇO

Amanhã, pelas 11h00, na Estação arqueológica de Remoães, Melgaço

A decorrerem há cerca de cinco semanas, as escavações arqueológicas na freguesia de Remoães já geraram descobertas importantíssimas para os estudos da presença do Homem na região do Vale do Minho. É neste âmbito que o Diretor Regional de Cultura do Norte, António Ponte, visita amanhã, pelas 11h00, a Estação arqueológica de Remoães, em Melgaço.

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No local estão equipas investigadoras de universidades portuguesas e espanholas. De acordo com o Coordenador do projeto, João Ribeiro, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, ‘os promissores trabalhos de Melgaço permitiram reconhecer a diversidade de estratégias de ocupação da região pelo homem paleolítico tanto no tempo como no espaço, tendo mesmo permitido reconhecer a presença do homem de Neandertal na região’.

As escavações acontecem no âmbito do projeto transfronteiriço ‘Os primeiros habitantes do baixo Minho’, previsto decorrer nos vários municípios portugueses e espanhóis do troço internacional do rio Minho.

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MUNICÍPIO DE CERVEIRA APOIA INVESTIGAÇÃO NO ÂMBITO DO PATRIMÓNIO CULTURAL

Uma equipa de cinco investigadores da Universidade do Minho encontra-se em Vila Nova de Cerveira, até ao final do mês, para estudar a arte rupestre do concelho, no âmbito do projeto de investigação de pós-doutoramento “Paisagem e representação do poder na Pré-história Recente: Arte Atlântica e Estátuas-Menir”.

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 Gravura rupestre da Chã Longa – Vila Nova de Cerveira

  

O grupo de investigadores é constituído por alunos do Mestrado e Licenciatura em Arqueologia da Universidade do Minho, sob a coordenação do Doutor Manuel Santos Estévez, pós-doutorando da Universidade do Minho, e da Prof.ª Doutora Ana Maria dos Santos Bettencourt, Professora Auxiliar com Agregação da mesma instituição de ensino.

O trabalho consiste na contextualização física e arqueológica do local gravado: na limpeza do afloramento; no estudo técnico e formal das gravuras; no decalque com plástico polivinilo e no seu levantamento fotogramétrico. Serão, igualmente, observadas outras rochas na área, com o intuito de se encontrarem novas gravuras rupestres.

O Município de Vila Nova de Cerveira apoia esta investigação, sublinhando a importância da proteção e valorização do património do concelho, neste caso pré-histórico, através da requalificação e procura de vestígios histórico-arqueológicos. No sentido de dar continuidade à estratégia de promoção de Vila Nova de Cerveira enquanto polo de turismo cultural, a Câmara Municipal pretende, ainda, a constituição de trilhos e sinalizações que divulguem este legado.

LUGAR DA BEMPOSTA, VALADARES: PESQUISA ARQUEOLÓGICA JUNTO AO RIO MINHO PÕE A DESCOBERTO VESTÍGIOS COM MAIS DE 200 MIL ANOS

Equipa de investigadores portugueses e espanhóis, coordenada pelo Prof. João Pedro Cunha Ribeiro, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, acredita estar perante uma das mais relevantes estações do paleolítico a norte do rio Douro. Utensílios descobertos (machados de mão, bifaces e lascas) serão objeto de inventariação e divulgação. Resultado dos trabalhos arqueológicos serão publicados em revistas nacionais e internacionais.

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No âmbito do projeto transfronteiriço “Os primeiros habitantes do baixo Minho. Estudo das ocupações pleistocénicas da região”, iniciaram-se, no passado dia 27 de junho, trabalhos de arqueologia no Lugar da Bemposta, em Valadares, com a presença de investigadores portugueses e espanhóis e oito estudantes do curso de arqueologia da faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Esta manhã, na presença do autarca monçanense, Augusto de Oliveira Domingues, a equipa envolvida nos trabalhos fez um primeiro balanço e apresentou diversos utensílios arqueológicos com mais de 200 mil anos descobertos no decorrer da prospeção: machados de mão, bifaces e lascas.

Estes utensílios, que constituem testemunhos interessantes e inéditos sobre a ocupação primitiva do baixo Minho, são entendidos pelos especialistas como emblemáticos e representativos da presença do homem do paleolítico inferior nesta região. Por outras palavras, testemunham a chegada do homem a estas paragens há mais de 200 mil anos.

Maravilhado com a descoberta, o coordenador do projeto, Prof. João Pedro Cunha Ribeiro, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, acredita estar perante uma das mais relevantes estações do paleolítico a norte do rio Douro que, adiantou, merece um trabalho de continuidade porque pode revelar um conjunto de dados valiosos sobre as primeiras ocupações de humanos no baixo Minho.

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Os utensílios descobertos nesta pesquisa arqueológica serão agora objeto de inventariação, apresentação aos responsáveis do património nacional e divulgação pública. Os resultados dos trabalhos arqueológicos serão publicados em revistas nacionais e internacionais.

Presente no local, o autarca monçanense, Augusto de Oliveira Domingues, agradado com a lição de pré-história, realçou a importância desta pesquisa arqueológica, afirmando-se surpreendido e orgulhoso com o resultado: “Estou impressionado com o que vejo e extremamente satisfeito por saber que a nossa comunidade existe há mais de 200 mil anos”.

Disponível para a valorização deste espólio arqueológico através da criação de itinerários intermunicipais, Augusto de Oliveira Domingues, revelou também que gostaria muito de ver as peças no futuro museu municipal. “Em tempos, apresentamos uma candidatura que não foi aprovada. Voltaremos a tentar. Porque estamos apostados em garantir a preservação da nossa história”.

Refira-se que o presente projeto, que decorrerá nos vários municípios portugueses e espanhóis do troço internacional do rio Minho, focaliza-se no estudo da presença do homem paleolítico no curso final do rio Minho, entre a confluência com o rio Trancoso, na sua margem esquerda, e a foz, 75 quilómetros a jusante.

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SANTUÁRIO RUPESTRE DESCOBERTO EM BARCELOS

Arqueólogos identificaram gravuras pré-históricas no Município que constituem um dos maiores santuários rupestres do norte de Portugal

O Município de Barcelos, através do Gabinete de Arqueologia e Património Histórico e Cultural, identificou nos últimos meses, um conjunto de rochas com gravuras pré-históricas no Monte de São Gonçalo.

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Os arqueólogos do município identificaram até à data, cerca de três dezenas de rochas com gravuras que datam desde há cinco mil anos (Calcolítico até à idade do Bronze), distribuídas pela encosta noroeste do Monte de São Gonçalo, entre as freguesias de Palme e de Aldreu. O conjunto parece constituir um grande santuário rupestre, um dos maiores do norte de Portugal.

Estas gravuras já haviam referenciadas ao Município em 2012 pelo arqueólogo Tarcísio Maciel do Grupo de Estudos de Neiva (GEN), tendo sido depois objeto de investigação no âmbito dos trabalhos de prospeção arqueológica realizados para a Carta Arqueológica Municipal. Após as primeiras rochas terem sido identificadas em 2012, foram descobertas outras gravuras de valor inestimável distribuídas pelas diferentes plataformas do monte. O Município de Barcelos tem já prevista a criação, nos próximos meses, de um percurso arqueológico pelo Monte de São Gonçalo, promovendo as principais rochas gravadas.

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SANTUÁRIO RUPESTRE DE GARFE VAI SER CLASSIFICADO

Santuário Rupestre de Garfe em processo de classificação

Respondendo à solicitação do Município da Póvoa de Lanhoso, a Direção Regional de Cultura do Norte procedeu a nova abertura do procedimento de classificação do Santuário Rupestre de Garfe, com vista à proteção e enquadramento do monumento.

Os interessados em consultar, reclamar ou interpor recurso à proposta de classificação, devem consultar a página eletrónica da Direção Geral do Património Cultural.

"O interesse da Direção Regional de Cultura do Norte na classificação deste importante monumento é para nós motivo de satisfação. Este santuário rupestre é um dos poucos exemplares existentes no nosso país e facilmente se tornará num local de visitação e interesse histórico", considera o Vereador para a Cultura e Turismo da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, Armando Fernandes. "Vamos proceder à vedação do espaço envolvente que tem uma área superior a dois mil metros quadrados. Vamos, também, criar um acesso pedonal a este local que está situado no meio de uma quinta. O nosso objetivo é criar condições para o envolvimento da comunidade científica no estudo deste monumento. Já efetuámos contactos com duas universidades que demonstraram interesse em cooperar connosco", adianta o mesmo responsável.

De lembrar que a Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso solicitou, em 1996, ao antigo IPPAR (Instituto Português do Património Arquitetónico) a classificação do Santuário Rupestre de Garfe como Imóvel de Interesse Público. Porém, este procedimento não teve qualquer sequência, pelo que, até à data, este monumento não tem qualquer classificação.

Após uma intervenção de limpeza da vegetação que cobria o monumento e área envolvente, em finais de 2015, a Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso voltou a solicitar à DRCN (Direção Regional de Cultura do Norte) uma nova apreciação de abertura de classificação do imóvel e respetiva área envolvente, pois representa um elevado valor arqueológico, que permitirá compreender as práticas pagãs no período pré-romano e romano do noroeste peninsular.

Assim, no âmbito do procedimento de classificação do Santuário Rupestre de Garfe, o prazo para apresentação de reclamação é até 5 de abril de 2016; e o prazo para apresentação de recurso é a 27 de abril de 2016.

CENTRO DE ESTUDOS REGIONAIS DE VIANA DO CASTELO PROMOVE CONFERÊNCIA SOBRA A ARTE PRÉ-HISTÓRICA EM SANTA LUZIA

No próximo dia 17 de Março (quinta-feira), na Sala Couto Viana da Biblioteca Municipal de Viana do Castelo, às 17.00 horas, Ana Bettencourt apresenta a comunicação com o título “Arte Pré-histórica na serra de Santa Luzia: dos gestos às interpretações”, no âmbito do ciclo de estudos “Arte, da criação à fruição”, promovido pelo Centro de Estudos Regionais e sua Academia Sénior.

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Ana Bettencourt, natural de Angra do Heroísmo (Açores), é licenciada em História (variante Arqueologia), pela Universidade de Coimbra, mestre em Antropologia (opção Paleoantropologia, pela Universidade de Bordeús, enquanto bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian), doutorada em Arqueologia e História da Antiguidade, pela Universidade do Minho, e Agregada em Arqueologia Pré-histórica pela Universidade do Porto. É docente no Departamento de História da Universidade do Minho. As suas áreas de investigação relacionam-se com a Pré-história da Península Ibérica, tendo trabalhado temas associados aos contextos e práticas funerárias, metalurgia, arte rupestre e arqueologia e turismo. Foi investigadora responsável por vários projetos coletivos, subsidiados por fundos comunitários através da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Participa, regularmente, em congressos nacionais e estrangeiros e tem vasta obra publicada, entre livros, capítulos de livros e artigos em revistas nacionais e internacionais.

A entrada é livre.

…e visita guiada sobre a talha e arquitetura de André Soares em Viana do Castelo.

No dia 19 de Março (sábado), o Centro de Estudos Regionais promove uma visita guiada às obras de André Soares em Viana do Castelo. O percurso pedestre ligará a Igreja de Nossa Senhora d’Agonia, onde tem início a visita, às 15.00 horas, a Igreja de S. Domingos e a Capela das Malheiras. A visita é guiada por Eduardo Pires de Oliveira, reconhecido especialista na obra de André Soares e do Barroco. A iniciativa encerra o Curso “André Soares e o Barroco no Alto Minho”, integrado no VII Ciclo de Estudos do Centro de Estudos Regionais, intitulado "Arte, da criação à fruição", que decorre até Junho de 2016.

Eduardo Pires de Oliveira é doutorado em História de Arte na Universidade do Porto sob o tema “André Soares e o rococó do Minho”. Investigador integrado do ARTIS/Instituto de História de Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, recebeu o Prémio José de Figueiredo (Academia Nacional de Belas Artes), em 1994, e é autor de cerca de 180 livros, artigos e comunicações em congressos em Portugal, Brasil e Espanha sobre o Património Cultural Minhoto e sobre a Diáspora da Arte Minhota Barroca e Rococó pelo mundo, com especial relevo em Minas Gerais.

André Soares (1720-1769) foi um dos poucos vultos da História de Arte portuguesa que teve uma dimensão europeia. As mais recentes Histórias de Arte editadas fora do país tem-lhe dedicado alguma atenção, embora a sua obra ainda não tenha merecido a devida divulgação internacional. Como era corrente na época, oscilou entre o rococó e o tardobarroco. Os seus trabalhos estão disseminados um pouco por todo o Entre Douro-e-Minho: Braga, Viana do Castelo, Guimarães, Ponte de Lima, Arcos de Valdevez, etc. André Soares é, no dizer de Robert Smith, “o grande poeta do granito e virtuoso do castanho dourado”.

A participação é gratuita e não carece de inscrição.

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PÓVOA DE LANHOSO PRESERVA ACHADOS ARQUEOLÓGICOS

A Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso tem a decorrer o processo de tratamento do material arqueológico recolhido na escavação arqueológica da villa romana de Via Cova, na freguesia de Lanhoso. Quem desejar participar pode ainda fazê-lo.

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“Este projeto de voluntariado ao nível da seleção e tratamento das peças vem no seguimento da nossa política de envolvimento das pessoas nas ações que vamos promovendo ao nível da valorização do nosso património. E é muito gratificante constatar que há sempre alguns povoenses que respondem positivamente a esta chamada”, refere o Vereador para a Cultura da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, Armando Fernandes.“Esta é uma fase extremamente importante de todo o processo de preservação do acervo arqueológico que foi encontrado na villa romana de Via Cova, em Lanhoso. À medida que as peças foram aparecendo foram sendo recolhidas. Estamos, agora, numa fase mais minuciosa de identificação e tratamento desse espólio, para podermos mostrá-lo publicamente”, explica.

O processo de escavação arqueológica da villa romana de Via Cova ficou concluído em setembro de 2015, ficando a musealização e interpretação das ruínas para o ano de 2016. Deste trabalho arqueológico, realizado por voluntários, resultou um conjunto significativo de espólio, que após o processo de limpeza, conservação e consolidação, iniciado no mês de novembro de 2015 e que terminará no mês de fevereiro, permitirá compreender e, até, desmistificar o modus vivendi dos romanos, que se fixaram no concelho da Póvoa de Lanhoso no decorrer do séc.I a.C..

O estudo deste material, além de enriquecer o acervo arqueológico municipal, possibilitará avaliar a evolução que os artefactos foram sofrendo ao longo dos séculos, evidenciando, por outro lado, a importância que a própria villa romana teve no processo de romanização dos povoados castrejos dispersos pelo concelho.

Os resultados deste trabalho ficarão patentes ao público, no final do mês de março, na Sala de Interpretação do Território (SIT), sediada na Casa da Botica. “Estamos a estudar a possibilidade de encontrar outros locais, para além da Sala de Interpretação do Território, para expor os achados arqueológicos que temos em nosso poder. Entendemos ser muito importante que os povoenses tomem conhecimento dos resultados dos trabalhos de escavações arqueológicas que a autarquia promoveu no passado e continuará a promover no futuro”, revela Armando Fernandes.

Quem ainda estiver interessado em colaborar no tratamento do material arqueológico, deve efetuar a sua inscrição para arqueologia@mun-planhoso.pt.

VALENÇA ESCAVA O SEU PASSADO

10 Anos de Intervenções Arqueológicas na Fortaleza - Valença Descobre e Valoriza as Suas Origens

O Núcleo Museológico de Valença recebe uma mostra sobre os 10 anos de intervenções arqueológicas na Fortaleza, até 30 de novembro.

Cerâmicas com destaque para fragmentos de ânfora, material de construção como tégulas, peça de jogo, pesos de tear e pesos de rede de pesca são algumas das peças da época romana encontradas na Fortaleza de Valença possíveis de apreciar nesta exposição. Uma mostra que conta, ainda, com faianças e outros utensílios domésticos, moedas, projeteis de metal de várias épocas, bem como a reprodução de um dos enterramentos identificados no adro da Igreja de Santa Maria dos Anjos.~

A exposição conta, ainda, com 11 painéis que descrevem e mostram os principais pontos de prospeção arqueológica da Fortaleza  que permitiram aprofundar o conhecimento da ocupação e evolução do local onde está implantada a fortificação de Valença, bem como, comprovar a existência de uma ocupação romana e pré-romana.

A exposição é uma pequena mostra do vasto espólio recolhido, contabilizando-se já  50 contentores com cerâmicas, vidros, metais e utensílios em pedra.

A intervenção arqueológica permitiu compreender melhor a ocupação e evolução do local onde se implantou a vila medieval de Contrasta, futura Valença, que mais tarde, irá dar origem a Fortaleza abaluartada, setecentista e oitocentista.

A intervenção arqueológica proporcionou novos dados que vieram alterar a história local, no que respeita ao seu povoamento. Destaca-se a identificação de um povoado fortificado tipo “castro”, com uma linha de muralha sub-circular que deveria coroar o outeiro, da qual se identificaram parte de um talude térreo, associado a uma escadaria, em cujos aterros se recolheram materiais datáveis de época romana (séculos I-IV).

Os trabalhos arqueológicos foram executados sob a direção científica do arqueólogo Luís Fontes, com a co-responsabilidade da arqueóloga Belisa Pereira.

A exposição é uma iniciativa da Câmara Municipal de Valença em parceria com a Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho.

MUNICÍPIO DE PÓVOA DE LANHOSO PREPARA NOVAS INTERVENÇÕES ARQUEOLÓGICAS

A Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso entregou os certificados de participação aos voluntários que colaboraram na campanha arqueológica realizada em 2013, em Garfe. A Autarquia está a preparar outras intervenções arqueológicas, pelo que a oportunidade serviu ainda para apresentar a próxima campanha, prevista para agosto, que visa a escavação da villa romana de Via Cova, na freguesia de Lanhoso.

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A atenção com que a Autarquia olha os aspetos relacionados com o património, de que faz parte a arqueologia, não se esgotará por aqui, pois há outras intervenções em vista. “Adquirimos, recentemente, os terrenos contíguos à Pia dos Mouros, na freguesia de Garfe, com o propósito de estudar, interpretar e valorizar este santuário rupestre romano e é nossa intenção criar um campo arqueológico neste espaço”, referiu, durante a sessão o representante da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, o Vereador para a Cultura, Armando Fernandes. De acordo com este responsável, é pretensão “valorizar o património arqueológico, enquanto fonte de conhecimento dos nossos antepassados e ampliar a nossa oferta turística”, até porque existe “uma carência de sítios arqueológicos visitáveis no concelho da Póvoa de Lanhoso que queremos colmatar”.

Nos últimos dois anos, a Autarquia promoveu, em colaboração com entidades locais e com voluntários, escavações arqueológicas nas Tapadinhas da Senhora do Monte, na freguesia de Garfe. Em 2014, pretende-se intervir em Lanhoso. “Desde 2012, que temos vindo a apostar em campanhas arqueológicas, com a presença regular de 30 voluntários por cada campanha. Este ano, decidimos valorizar a villa romana de Via Cova, porque, desde 1990, não sofreu nenhuma ação de valorização e musealização e apresenta um avançado estado de degradação”, refere o Vereador.

De lembrar que os trabalhos arqueológicos promovidos pela Autarquia passaram, nos últimos anos, pela mamoa da Tojeira, em Calvos, pela base da Torre de Menagem e envolvente do Castelo de Lanhoso, no Monte do Pilar.

A entrega dos certificados decorreu na noite de 11 de julho, no auditório da Casa da Botica.

Intervenção na villa romana de Via Cova

O arqueólogo municipal, que coordena no terreno estes trabalhos, Orlando Fernandes, apresentou o projeto para Via Cova, fazendo um enquadramento arqueológico da freguesia de Lanhoso, com referência para a necrópole megalítica, que corrobora a presença humana durante o Neolítico (6700 a.C. – 4000 a.C.), na Serra do Carvalho; para os dois castros (Pena Província, no ponto mais alto da Serra do Carvalho, e Bouça do Campo Novo, no lugar do Pinheiro); e para a via romana XVII, importante eixo viário que ligava Bracara Augusta (Braga) a Astúrica Augusta (Astorga, Espanha).

No contexto da romanização, explicou, as villas eram moradias rurais, que eram o centro de uma grande propriedade agrícola, explorada por trabalhadores rurais.

Referiu ainda que a intervenção de 1990 na villa romana de Via Cova permitiu pôr a descoberto dois muros paralelos compartimentados em seis salas e um espólio arqueológico diversificado, permitindo supor que foi intervencionada a parte frutuária da villa romana, área destinada ao armazenamento e transformação de matéria-prima.

A necessidade de intervencionar este espaço justifica-se pois porque, depois da intervenção realizada em 1990, estas ruínas ficaram votadas ao abandono; não foram alvo de interpretação e valorização, nem foi definido um plano de limpeza regular, apresentando, atualmente, um avançado estado de degradação.

Assim, os trabalhos, que iniciam em agosto, pretendem valorizar as ruínas romanas, evidenciando e enaltecendo as qualidades intrínsecas destas estruturas arqueológicas; permitiam a interpretação das estruturas; fazer a sua integração em roteiros turísticos, com vista à ampliação da oferta turística deste concelho; criar condições que proporcionem visitas guiadas; e conseguir mecanismos que assegurem, de uma forma permanente, a limpeza daquele espaço.

Estarão envolvidos nestes trabalhos arqueológicos, a Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso e a Junta de Freguesia de Lanhoso, juntamente com voluntários.

Apresentacao escavacao Via Cova 1

MUNICÍPIO DE ARCOS DE VALDEVEZ MOSTRA INTERVENÇÃO ARQUEOLÓGICA NO PAÇO DA GIELA

A Câmara Municipal de Arcos de Valdevez organiza no próximo sábado, dia 5 de julho, pelas 10h00, uma visita à intervenção Arqueológica do Paço de Giela.

As visitas têm cerca de uma hora e serão realizadas pela equipa de arqueólogos responsável pela intervenção. Este será um momento único de observação dos vários elementos surgidos em contexto arqueológico, sendo que as novas fases de intervenção do projeto vão impossibilitar, por razões técnicas e de segurança, a sua futura contemplação.

O Paço de Giela é propriedade municipal e considerado como um excelente exemplar da arquitetura civil privada, gótica e manuelina, pertencente à tipologia denominada "casa-torre; está implantado numa pequena elevação sobranceira ao Rio Vez (margem esquerda), a cerca de 1,5 km da sede do concelho de Arcos de Valdevez, dominando parte deste vale e está classificado como Monumento Nacional desde 1910.

O objetivo principal do projeto é a recuperação, valorização e colocação à fruição públicas de um conjunto monumental, um dos marcos da identidade nacional, visando a reabilitação da zona de ha­bitações adjacentes (auditó­rio e unidade de receção ao visitante), do Paço de século XVI e da torre contígua do século XIV e a sua adapta­ção a espaço visitável, com interesse histórico e divul­gação museológica da ar­queologia local, da evolução do imóvel e do Recontro de Valdevez. Este projeto alia a valorização, a conservação, viabilidade económica e de gestão.

A intervenção conta com o financiamento do Programa de Operacional ON.2 - Eixo: III - Valorização e Qualificação Ambiental Territorial, sendo o seu in­vestimento elegível no valor de 1.383.906,09 euros e a comparticipação FEDER de 1.176.320,18 euros.

PIROGA DO RIO LIMA

Oito pirogas monóxilas foram encontradas em Portugal. Apenas duas foram escavadas em contexto arqueológico. Mas ajudam a explicar os primórdios da navegação.

Em 1889, o arqueólogo Sebastião Estácio da Veiga era um homem fatigado. Tinha 71 anos e ligara-se quase acidentalmente ao tema, apesar de trabalhar na Subinspecção Geral dos Correios e Postas do Reino. Todas as carreiras passam por um momento definidor. No caso de Estácio da Veiga, esse momento ocorreu no Inverno de 1876, uma estação terrível no Sul de Portugal, durante a qual as tempestades e cheias redesenharam o litoral. Perante as notícias de artefactos submersos que emergiam depois das cheias, o governo deu-lhe instruções para fazer um levantamento dos tesouros arqueológicos. Dessa recolha, nasceram as “Antiguidades Monumentais do Algarve”, publicadas até ao ano da sua morte, em 1891.

Pirogas

Um dos debates na arqueologia europeia de então prendia-se com a navegação humana – quando começara e com que embarcações? “Grosso modo”, lembra o arqueólogo Francisco Alves, “há jangadas, canoas de pele ou couro, canoas de casca e canoas ou pirogas monóxilas. Ora, são estas que aparecem no registo arqueológico. E começaram por aparecer a Estácio da Veiga.”

Na verdade, o historiador não chegou a observar nenhuma piroga. Para sua frustração, chegou tarde de mais. As duas pirogas de que tomou conhecimento – a norte de Peniche e perto do estuário do rio Mira – foram destruídas e queimadas para lenha antes de ele chegar. No terceiro volume das “Antiguidades”, queixou-se que “a incúria dos indiferentes deixou completamente estragar.” Antes, em 1876, um colega, Silva Ribeiro, comunicara-lhe a observação de uma piroga revelada pelo recuo da maré numa camada de lodo aluvial. Quando Silva Ribeiro voltou para recolhê-la, nada restava.

Tardou um século até nova descoberta reavivar o interesse pelo tema. Em 1985, emergiram os restos de uma piroga do século X ou XI d.C e, onze anos mais tarde, foram encontradas mais duas (séculos VII/IX e VIII a X d.C.). O grande achado, porém, demorou um pouco mais. Em 2002, no rio Lima, foram detectados vultos no leito fluvial. Os trabalhos arqueológicos coordenados por Francisco Alves permitiram descobrir, entre 2002 e 2003, dois exemplares inesperados. Ambos datavam da Idade do Ferro (séculos V a II a.C.) e estão preservados há mais de uma década em solução aquosa para evitar a deterioração. “Pela primeira vez, tínhamos pirogas in situ e eram muito mais antigas do que as restantes”, diz. Provava-se, por fim, que também em Portugal se começara cedo a utilizar esta embarcação, como aliás referira o geógrafo Estrabão, na transição do século I a.C. para I d.C., contando que “para as marés altas e pântanos usavam-se embarcações de couro, porém, hoje, até as talhadas num só tronco são já raras”.

Em 2008, foram encontrados fragmentos de mais uma piroga no rio Lima. Contando com as duas observações indirectas de Estácio da Veiga, há portanto oito vestígios destas embarcações no território. Em 2013, Francisco Alves publicou um artigo, comparando as tradições monóxilas de Portugal e do Brasil. “Discute-se se a tradição foi levada para ali por europeus ou se nasceu independentemente, por poligénese”, diz. “Aceito o princípio de que comunidades humanas com recursos naturais e técnicas idênticas podem encontrar soluções técnicas semelhantes, pelo que é possível que as populações indígenas construíssem as embarcações antes da chegada dos europeus... Mas um facto é um facto: e no Brasil ainda não se descobriu nenhuma monóxila em contexto arqueológico pré-colonial.”

Na Primavera de 2014, os arqueólogos já não se queixam (tanto!) da incúria dos indiferentes. Duas pirogas medievais foram recuperadas, graças a uma parceria do Museu Nacional de Arqueologia (MNA) com o Museu de Arqueologia Subaquática de Cartagena e empresas privadas de transporte e seguros. Depois da impregnação em solução aquosa e transporte para Espanha, foram secas por liofilização. “Foi uma parceria virtuosa entre entidades públicas e privadas”, diz António Carvalho, o director do MNA. As pirogas, já consolidadas, regressaram no Verão passado e uma delas é a estrela da exposição “O Tempo Resgatado ao Mar”, no MNA, em Lisboa. 

Texto de Gonçalo Pereira. Ilustração de Anyforms

Fonte: http://www.nationalgeographic.pt/

ESPOSENDE CONVIDA À DESCOBERTA DO PASSADO PRÉ-HISTÓRICO

Associando-se às comemorações do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, que se celebra a 18 de abril, este ano sob o tema “Lugares de Memória”, o Município de Esposende vai promover um conjunto de atividades em torno do património cultural concelhio.

ConstrutoresPre-Historia

Denominado “Em busca do passado… Pré-Histórico”, o programa, a desenvolver pelo Centro Interpretativo de S. Lourenço, decorrerá entre os dias 7 e 21 abril e pretende estimular os participantes a estabelecer a ligação entre o passado, o presente e o futuro, aprofundando o conhecimento sobre o património cultural local e o “modus vivendi” das comunidades do IV/ III milénio a.C.

Dirigida a crianças dos 6 aos 9 anos, a atividade “Construtores da Pré-História” parte do património Pré-Histórico existente na área envolvente, desafiando os participantes a constituir maquetes dos monumentos megalíticos e rituais associados.

Outra das propostas é a “Animação na Idade da Pedra”, que se traduz na visualização de um filme dirigido a crianças e jovens dos 6 aos 14 anos.

No âmbito deste programa, as famílias também estão convidadas, podendo participar na iniciativa “O Megalitismo”, um percurso pedestre circular com visita orientada aos Dólmens da Portelagem e da Cruzinha.

Outra opção é o percurso orientado “Do Megalitismo à Romanização”, uma caminhada entre os Dólmens da Portelagem e da Cruzinha, que termina no Castro de S. Lourenço. Nesta iniciativa procura-se dar a conhecer as vivências dos nossos antepassados desde o IV milénio a.C. à Romanização.

As atividades são de participação gratuita mas carecem de marcação prévia. Para mais informações ou inscrição em qualquer uma das atividades os interessados deverão contatar o Serviço de Património Cultural da Câmara Municipal, através do e-mail arqueologia@cm-esposende.pt ou do telefone 253 960 179.

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VILA PRAIA DE ÂNCORA: DÓLMEN DA BARROSA NOS COMEÇOS DO SÉCULO XX

A imagem data de 1906 e mostra o dólmen da Barrosa, em Vila Praia de Âncora, vendo-se junto uma jovem com a sua foicinha, numa pausa do trabalho. Refira-se que o dólmen da Barrosa foi classificado como monumento nacional quatro anos depois de tirada esta foto, não parecendo ter verdadeiramente beneficiado alguma vez da classificação atribuída…

A foto foi produzida por J. A. Cunha Morais e pertence atualmente ao Centro Português de Fotografia.

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CASTRO DE S. LOURENÇO EM ESPOSENDE INTEGRA REDE DE CASTROS DO NOROESTE PENINSULAR

O Castro de S. Lourenço, em Vila Chã, integra a Rede de Castros do Noroeste Peninsular, recentemente criada pela Direcção Regional da Cultura do Norte, com o intuito de promover a divulgação e salvaguarda de um conjunto de sítios arqueológicos.

Castro S.Lourenço_Vila Chã

O Município de Esposende reforça, assim, o seu empenho na investigação e preservação do património arqueológico do concelho. O Castro de S. Lourenço consiste num povoado fortificado ocupado há mais de 2 000 anos. Desde 1985 foram realizadas intervenções arqueológicas, no decurso das quais foram totalmente reconstruídas cinco edifícios correspondentes a dois núcleos familiares. Dispõe, desde 2011, do Centro Interpretativo de S. Lourenço, estrutura de acolhimento que promove e incentiva à descoberta do património.

Como forma de promover e divulgar o Castro de S. Lourenço, de Junho a Setembro a Autarquia vai organizar visitas orientadas, integradas num comjunto de actividades de verão, mediante marcação prévia, através do e-mail arqueologia@cm-esposende.pt ou dos telefones 253 960 179/253 960 100.

Além do Castro de S. Lourenço integram a Rede de Castros do Noroeste Peninsular, as cividades de Terroso (Póvoa de Varzim) e de Bagunte (Vila do Conde), os castros de Alvarelhos (Trofa), Eiras (Vila Nova de Famalicão), Monte Mozinho (Penafiel), do Padrão (Santo Tirso) e de S. Caetano (Monção), e as citânias de Santa Luzia (Viana do Castelo), de Sanfins (Paços de Ferreira) e de Briteiros (Guimarães). Para mais informações pode ser consultado o site www.castrosdonoroeste.pt.

VILA PRAIA DE ÂNCORA: DÓLMEN DA BARROSA É MONUMENTO NACIONAL

Situado em Vila Praia de Âncora, o Dólmen da Barrosa encontra-se classificado como monumento nacional desde 1910. Também conhecido por “Lapa dos Mouros”, o Dólmen da Barrosa é um monumento megalítico dos finais do neolítico, calculando-se em mais de dois mil anos a sua existência. Caraterizado como um dólmen de corredor sem diferenciação entre este e a câmara funerária propriamente dita, o Dólmen da Barrosa é considerado um dos monumentos megalíticos mais representativos do género na Península Ibérica.

Dólmen da Barrosa (2)

Apesar da sua importância histórica e patrimonial, o local onde se encontra não está devidamente protegido nem o mesmo mereceu até ao momento o devido enquadramento enquanto espaço a ser visitado para fins culturais e turísticos. Uma falha que esperamos venha a ser corrigida.

Dólmen da Barrosa (4)

"Situada na povoação de Vila Praia de Âncora, a "Anta da Barrosa" foi objecto de classificação, como "Monumento Nacional", logo em 1910, certamente por constituir o maior e mais bem preservado monumento megalítico de todos quantos foram identificados até à data no Vale de Âncora.

Escavado em 1879 pelo conhecido investigador vimarenense de oitocentos, Francisco Martins de G. M. Sarmento (1833-1899), numa altura em que a temática dolménica assumia proporções verdadeiramente inauditas junto da comunidade científica europeia da época, a anta foi, já em meados do século passado, estudada por João de Castro Nunes.

Trata-se de um monumento constituído, como os demais pertencentes a esta tipologia, por câmara sepulcral de planta poligonal formada por oito esteios e respectiva laje de cobertura - ou "chapéu" -, para além do corredor com cerca de um metro e meio de largura por seis de comprimento, ainda que não pareçam subsistir quaisquer vestígios de mamoa - ou tumulus - que a pudesse cobrir originalmente na totalidade. Estas dimensões estarão, na verdade, na base da hipótese de trabalho levantada pela conhecida arqueóloga alemã Vera Leisner, que inseriu este exemplar na tipologia genérica dos dolmens de corredor do Noroeste Peninsular e, dentro desta, no sub-agrupamento caracterizado pela indiferenciação revelada entre câmara funerária e corredor.

Entretanto, a investigação realizada por J. de Castro Nunes permitiu identificar a existência, na superfície de três lajes, de motivos decorativos típicos deste "mundo dolménico", com serpentiformes e signos em forma de "U", aqui executados através do método da percussão.

O início do século XXI trouxe, contudo, outras novidades relativas à História do sítio, ao serem encontrados vestígios de uma ocupação romana nas suas imediações, ao que tudo indica, entre os séculos I e II d. C., como parece indicar a análise dos fragmentos de cerâmica comum e de alguns materiais de construção, como telha romana - tegulae -, num testemunho mais da reutilização periódica (quando, não mesmo, sistemática) dos mesmos espaços simbólicos para, não apenas, apreender o seu significado preexistente, como sobrepor um novo poder temporal mediante a apropriação (ou, talvez, sobreposição ao) do poder espiritual.

[AMartins]"

Fonte: IGESPAR

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DÓLMEN DA BARROSA EM VILA PRAIA DE ÂNCORA É MONUMENTO NACIONAL

Dólmen da Barrosa (2)

O Dólmen da Barrosa, também conhecido por Lapa dos Mouros, situado em Vila Praia de Âncora, foi classificado como monumento nacional em 1910. Trata-se de um monumento megalítico da dos finais do neolítico e é constituído por um corredor e uma câmara de forma poligonal com 9 esteios sobre os quais assenta uma mesa com uma superfície com mais de 10 metros quadrados.

Caracterizado como um dólmen de corredor sem diferenciação entre este e a câmara funerária propriamente dita, o dólmen da Barrosa é considerado um dos monumentos megalíticos mais representativos da Península Ibérica.

Este monumento é particularmente importante não apenas do ponto de vista pedagógico e científico como ainda possui elevado interesse turístico e cultural, não sendo até ao momento devidamente aproveitado nesta vertente apesar de se encontrar localizado numa região de forte atracção turística.

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