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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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PENEDA-GERÊS TRAIL ADVENTURE® MOSTRA BELEZA DO TERRITÓRIO

10 de abril em Melgaço

Inscritos atletas de 22 nacionalidades, oriundos dos ‘quatro cantos do Mundo’

A 3ª edição da maior aventura do trail alguma vez realizada em Portugal, o Peneda-Gerês Trail Adventure®, passa por Melgaço no dia 10 de abril. O Trail, organização da Carlos Sá Nature Events, em parceria com a ADERE e com os cinco Municípios do Parque Nacional Peneda Gerês (PNPG) - nomeadamente Arcos de Valdevez, Melgaço, Montalegre, Ponte da Barca e Terras de Bouro, arranca este sábado, 08 de abril, em Ponte da Barca, e termina no dia 14 de abril, na vila do Gerês: conta com 22 nacionalidades presentes, oriundas dos quatro cantos do Mundo, como do Japão, Singapura, Nova Zelândia, Rússia, Argentina, Chile, Colômbia, EUA, entre outros locais.

Peneda Gerês – Trail Adventure momentos inesquecíveis da passagem por Melgaço (3).JPG

Este ano a prova desenrolar-se-á em sete ou quatro etapas, ao longo de sete ou quatro dias respetivamente, durante os quais os atletas poderão apreciar e usufruir das belezas singulares do único parque nacional de Portugal porque foi para isso que Carlos Sá idealizou e concretizou o evento:para mostrar ao mundo as potencialidades do PNPG, parte da reserva natural da BiosferaOs participantes passarão pelos mais belos e inóspitos recantos do Gerês, sempre emoldurados por uma fauna e flora únicas. O PGTA 7 dias decorrerá de 8 a 14 de abril: com duas provas em simultâneo permitirá percorrer 220 km ou, em alternativa, apenas 115km na versão de Starter/Trekking. O PGTA 4 dias decorrerá de 8 a 11 de abril: com duas provas em simultâneo permitirá percorrer 125 km ou, em alternativa, apenas 70 km na versão Starter/Trekking. Em Melgaço, os atletas têm ponto de partida às 10h00 na Branda da Aveleira, percorrendo 11 km até chegarem à meta: Largo Hermenegildo Solheiro (12h30).

Peneda Gerês – Trail Adventure momentos inesquecíveis da passagem por Melgaço (5).JPG

Como nas edições anteriores, a vertente solidária também estará presente na edição deste ano do Peneda-Gerês Trail Adventure. O PGTA Solidário, que contará com três Caminhadas Solidárias (dia 8 de abril em Ponte da Barca, dia 9 em Arcos de Valdevez e dia 14 na Vila do Gerês), permitirá aos participantes conhecer locais únicos e ao mesmo tempo contribuir solidariamente com o valor da sua inscrição para os Bombeiros Voluntários das localidades referidas. Uma forma de a organização agraciar o trabalho das instituições que tanto contribuem para conservar a riqueza natural dos PNPG, do País. No dia 14 de abril haverá também uma prova aberta ao público, de 25km, que se desenrolará em simultâneo com a 7ª e última etapa do PGTA 7 dias. 

Existe também um programa para os acompanhantes dos atletas. Em Melgaço terão a oportunidade de visitar a Adega Quinta de Soalheiro, ficando a conhecer todo o sistema de produção do vinho Alvarinho, e a Quinta de Folga, onde lhe será transmitida informação sobre o fumeiro tradicional de Melgaço; visitar as termas de Melgaço; de fazer uma pequena caminhada de 5 Km até ao centro de Melgaço; e de visitar o Castelo e museus no centro de Melgaço.

Peneda Gerês – Trail Adventure momentos inesquecíveis da passagem por Melgaço (6).JPG

O evento promove toda a região e conta com o apoio do Turismo Porto e Norte bem como das forças de proteção e socorro e ainda de muitas associações e juntas de freguesias locais! De ano para ano tem cativado cada vez mais pessoas, e de vários países. A nacionalidade mais representada, depois de Portugal, será o Brasil com mais de 70 atletas. Os números comprovam a aposta da Carlos Sá Nature Events® na internacionalização dos seus eventos, mostrando ao Mundo o melhor que Portugal tem para oferecer no que respeita ao Turismo Ativo e desportos de Natureza.

Para os que não conseguiram participar este ano, já é possível fazer uma pré-inscrição (info@carlossanatureevents.com) para o PGTA 2018, que decorrerá de 12 a 19 de maio, com uma etapa além-fronteiras: Portugal e Espanha.

Programa em www.carlossanatureevents.com.

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PARQUE NACIONAL DA PENEDA GERÊS É "LOCAL DARK SKY"

Aprovada a candidatura “Local Dark Sky no Parque Nacional da Peneda-Gerês” promovida pela ARDAL

A ARDAL viu aprovada, no âmbito do programa Norte 2020, na tipologia de intervenção Património Natural e Cultural, a candidatura “Local Dark Sky no Território do Parque Nacional da Peneda-Gerês”, que visa o desenvolvimento e promoção do potencial turístico do Parque Nacional da Peneda Gerês.

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Esta operação, que será levada a efeito em parceria com o Município de Arcos de Valdevez, tem fundamentalmente dois objetivos: obter a certificação internacional da Internacional Dark Sky Association (IDA) para um Local Dark Sky (LDS) no território do PNPG e implementar um LDS no território do PNPG com a demarcação de uma zona “core” de observação de astros e um centro de receção, interpretação e observatório LDS na Porta do Mezio, equipado com painéis informativos, material promocional e instrumentos de observação astronómica.

Um Local Dark Sky é um território de tamanho considerável, que possui uma qualidade excecional de noites estreladas e um ambiente noturno que é protegido pelo seu interesse científico, natural, educacional e cultural.

Para atingir estes dois objetivos principais irá ser auditado o território do PNPG para os requisitos definidos pela entidade certificadora, identificar os locais de elevado potencial para a zona principal no PNPG, submeter a certificação, bem como criar e produzir conteúdos para explicar no espaço de receção.

Com este projeto, cujo valor de orçamento ascende a 145.915,97 €, pretende-se diversificar a oferta na Porta do Mezio, criando novos públicos, com o objetivo de aumentar do número de visitantes, quer nesse equipamento, quer em toda a região do Parque Nacional da Peneda-Gerês.

PORTA DO MEZIO QUER VALORIZAR PATRIMÓNIO ARQUEOLÓGICO

ARDAL/Porta do Mezio aprova candidatura para a promoção e valorização da Área Arqueológica Mezio-Gião

O projeto Vozes das Pedras - Promoção e Valorização da Área Arqueológica Mezio-Gião visa dar resposta a uma crescente procura do turista do Parque Nacional da Peneda-Gerês e da Porta do Mezio, em particular, por estes monumentos culturais, oferecendo-lhe novos suportes e experiências relativas a esta temática.

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Esta iniciativa irá remeter os turistas para a relação do Homem com os elementos culturais e naturais. Com pedras enquadradas numa paisagem delimitada, o Homem do Mezio-Gião criou arte rupestre e espaços de rituais de enterramento (mamoas), mas criou-os num profundo relacionamento com o espaço natural, lendo-o, interpretando-o e experienciando-se a si e à paisagem como um só. Com este projeto a ARDAL/Porta do Mezio vai valorizar e promover as 100 rochas identificadas num dos maiores santuários de arte rupestre do Noroeste Peninsular – o Gião, bem como nas 11 mamoas da Área Arqueológica do Mezio.

Pretende-se que o conhecimento que estes espaços encerram seja partilhado com o grande público, num trabalho coordenado pelo Arqueólogo Martinho Baptista, diretor Parque Arqueológico Vale do Côa.

Com um valor elegível de cerca de 350 mil euros, apoiado no âmbito do Programa Operacional da Região Norte – Património Cultural, pretende-se que este trabalho venha, também, reforçar a atratividade da Porta do Mezio, enquanto estrutura de promoção, receção, animação e interpretação do território do Parque Nacional da Peneda Gerês.

CARLA CRUZ, DEPUTADA DO PCP ELEITA PELO CÍRCULO DE BRAGA QUESTIONA MINISTRO DO AMBIENTE SOBRE O PARQUE NACIONAL DA PENEDA GERÊS

Decorreu ontem na Assembleia da República a audição do Ministro do Ambiente no âmbito da discussão da especialidade da proposta de orçamento de estado para 2017.

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Nessa audição, a deputada do PCP eleita pelo círculo eleitoral de Braga, questionou o governante sobre a Gestão do Parque Nacional Peneda Gerês, designadamente “a concretização do modelo de gestão de proximidade a aplicar às áreas protegidas”. A deputada questionou mesmo o Governo se esta gestão de proximidade contemplava a afectação ao PNPG de um director próprio.

Em resposta, a Secretária de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza informou que o modelo de gestão de proximidade contempla “reforço orçamental, alargamento e contratação de mais vigilantes da natureza e dotá-los de equipamentos”. Disse, ainda, no que toca ao PNPG que o modelo de gestão de proximidade abrange também a criação de 10 equipas para sapadores florestais, o envolvimento activo da população, dos municípios e das associações. Para além disto, vão avançar com a criação de programas especiais de ordenamento das áreas protegidas.

Sobre esta resposta e este modelo de Gestão, o PCP considerando positivo o envolvimento das populações, dos municípios e associações na gestão, da contratação dos vigilantes da natureza e das equipas de sapadores não pode deixar de afirmar que o modelo apresentado não responde cabalmente às necessidades do PNPG.

O PCP reafirma que o PNPG precisa de um Director exclusivo, bem como de reforço de meios financeiros para cumprir integralmente os propósitos que estiveram na base da criação do Parque Nacional e não deixará de se bater por esse propósito.

O Gabinete de Imprensa da DORB do PCP

ACIAB PROMOVE REGIÃO E PNPG DANDO A CONHECER ALDEIAS TÍPICAS

A ACIAB lançou esta semana um site de Ermida e Germil, duas aldeias pertencentes a Ponte da Barca e inseridas no PNPG - Parque Nacional Peneda-Gerês. O site pode ser consultado emhttp://www.aciab.pt/ermidagermil e dá a conhecer um pouco da história das duas freguesias, assim como os locais de interesse e toda a riqueza arquitetónica e natural, sendo apresentada, inclusivamente, uma galeria com fotografias de ambas as aldeias.

Uma das imagens de abertura do site.png

O PNPG está classificado como Reserva da Biosfera pela UNESCO. A criação da Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurês (que inclui os territórios do Parque Nacional da Peneda-Gerês, do Parque Natural da Baixa Limia-Serra do Xurés e concelhos abrangidos de ambos os lados da fronteira) assume cada vez maior importância a nível da conservação da natureza, da biodiversidade e do desenvolvimento sustentável.

Com base na riqueza do nosso território, a ACIAB tem trabalhado, por um lado, a promoção de terras que se inserem no PNPG, como é o caso de Soajo (http://www.aciab.pt/soajo); Lindoso (http://www.aciab.pt/lindoso); Ermida e Germil, e por outro lado a promoção das aldeias que mesmo não estando inseridas no PNPG, como é o caso de Sistelo (http://www.aciab.pt/sistelo), são detentoras de riquezas únicas e por isso é imprescindível dar a conhecer.

Consideramos que ao promover o nosso território e ao promover o PNPG, estamos a promover a nossa riqueza e a promover os associados e as suas empresas, fomentando o turismo em Arcos de Valdevez e em Ponte da Barca, dinamizando o comércio e os serviços.

Após o lançamento destes sites, a ACIAB pretende continuar a trabalhar neste projeto e irá desenvolver outros sites dando a conhecer mais aldeias de Arcos de Valdevez e de Ponte da Barca.

A ACIAB lança como desafio que toda a população viste os sites e os divulgue de forma a dar a conhecer o nosso património, trazendo-lhe visibilidade e fomentando o turismo e o crescimento da região.

MINISTRO DO AMBIENTE REÚNE EM PONTE DA BARCA COM PRESIDENTES DOS MUNICÍPIOS ABRANGIDOS PELO PARQUE DA PENEDA-GERÊS

Ministro do Ambiente, João Pedro Fernandes, reúne em Ponte da Barca com Presidentes dos Municípios abrangidos pelo Parque Nacional Peneda-Gerês

O Ministro do Ambiente, João Pedro Fernandes, e a Secretária de Estado do Ordenamento do Território, Célia Ramos, vão estar na próxima segunda-feira, 5 de setembro, às 09h30, em Ponte da Barca, para uma Reunião com os Presidentes dos Municípios abrangidos pelo Parque Nacional da Peneda-Gerês, bem como representantes do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN).

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Às 11h30, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, o Ministro do Ambiente vai presidir à cerimónia de assinatura de um protocolo que vai ser celebrado com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e a EDP, de cedência do edifício da Central Hidroelétrica de Paradamonte à Câmara Municipal de Ponte da Barca.

SENADOR NARCISO ALVES DA CUNHA PROPÔS EM 1911 A CRIAÇÃO NO MINHO DE ESCOLAS AGRÍCOLAS MÓVEIS

O Sr. Senador Narciso Alves da Cunha apresentou na sessão de 15 de dezembro de 1911, do Senado da República, um projeto-lei para o estabelecimento de escolas móveis agrícolas no norte do país, justificando largamente a sua proposta e tecendo várias considerações acerca das gentes do Minho, sobretudo de Paredes de Coura, Soajo, Peneda e Castro Laboreiro. A referida intervenção transcreve-se do respetivo Diário do Senado.

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O Sr. Alves da Cunha: - Sr. Presidente e Srs. Senadores: vou mandar para a mesa um projecto de lei, que há tempo tenho nesta carteira. Talvez o demorasse ainda por mais algum tempo se não fora ter lido, há dias, um substancioso artigo escrito pelo nosso ilustre e estimado colega o Sr. Miranda do Vale, e publicado num jornal agrícola, A Gazeta das Aldeias, da cidade do Pôrto.

Achei tão judiciosas as afirmações de S. Exa.. afiguram-se-me de tanto interesse as suas observações, que bastaram para me determinarem a apresentar hoje ao Senado o meu modesto projecto, unicamente como uma experiência, que, se não der resultado, amanhã, com uma penada, pode deixar de ser lei do país.

Creio que está em moda discutirem-se, e com muita razão, assuntos que se prendem com a instrução, sobretudo com a instrução popular, que sempre me tem merecido a maior solicitude há dezenas e anos, e por isso entendi que devia associar-me a êste movimento, mandando para a mesa êste projecto de lei, que versa sôbre a criação duma escola agrícola, prática, móvel, pelo sistema das escolas conhecidas pelo nome de Maria Cristina, e que tem dado óptimos resultados. (Muitos apoiados).

Para justificar os pontos em que baseei o meu trabalho, peço licença a V. Exa. para ler, apenas, dois artigos, e depois formularei as considerações que julgar convenientes para justificação do meu projecto.

O artigo 1.° diz:

Leu.

Artigo 3.°: Chamo a atenção dos Srs. Senadores para êste artigo, que é um dos mais interessantes do projecto e de mais utilidade, segundo se me afigura, para a democratização do norte do país.

Diz assim:

Leu.

Sr. Presidente: eu não sou profissional, não sou pedagogo, nunca fui pedagogista, mas a verdade é que, desde há muitos anos, me tem, como disse, merecido especial cuidado a instrução popular, a instrução dessas massas anónimas, que vivem do campo, que vivem da terra e para a terra, que mourejam todo o dia, hora a hora, desde manhã até de noite, debruçadas sôbre a mesma terra para lhe pedirem pão para comer e até para o dar ao Estado. Estas classes considero-as eu como o verdadeiro nervo da Nação (Apoiados), e por isso hão-de permitir-me que lhes diga que elas tem sido, precisamente, as mais esquecidas. (Apoiados).

Eu vejo, porque está escrito em estatísticas oficiais, que a população das oficinas, da indústria, do comércio e da viação regula por 1.500:000 habitantes do país, emquanto que as massas agrárias representam 3.000:000 habitantes. Mais ainda: as classes agrárias estão desseminadas por todo o país, absolutamente por todo (Apoiados), embora nas cinco províncias do norte sejam mais densas.

Êsse povo, ou essa classe do povo, donde venho e com o qual me criei, cujas dores tenho auscultado desde há muitos anos, à cujas festas tenho assistido e com quem ainda há pouco privei perto de quatro anos para lhe estudar e registar a linguagem numa modestíssima monografia que escrevi acêrca duma terra do Alto Minho (Paredes de Coura), é de índole naturalmente boa, sofredora e ordeira. (Apoiados).

O povo do norte, e (mando digo norte não me refiro a esta ou aquela província determinada, mas a uma grande parte, senão á maior parte do país, é essencialmente trabalhador, respeitador das autoridades, pontual no cumprimento dos seus contractos e verdadeiramente amorável.

Haja vista o que se passa no Alto Minho, naquelas montanhas da Peneda, Suajo e Castro-Laboreiro, quando algum forasteiro (e são bem poucos os que por lá aparecem) se abeira do tugúrio do mais pobre dos habitantes que estão encerrados nas ravinas daqueles montes: o hóspede é, para êles, uma pesca sagrada e é tratado com o melhor que há em casa que, na maior parte dos casos, é pão de centeio e leite.

Nestas condições, e porque tantas vezes, aqui se tem falado na instrução do povo, julgo ter oportunidade a apresentação do meu projecto, não para ser uma lei geral do país, porque penso que o Estado, pelo menos é o que dizem os Ministros, não tem dinheiro para a instrução, mas porque nada se perderá com esta experiência e ensaio.

O ensaio dá resultado?

Está lançada a semente.

A semente frutifica?

Então alargue-se a sementeira, estenda-se por todo o país.

Pelo contrário, o ensaio não dá resultado?

Nós, que estamos aqui, ou aqueles que vierem, com uma penada de tinta, retiramos a êste diploma o seu valor legal e desaparece a escola agrícola, com os seus encargos, que, aliás, são bem modestos.

Sr. Presidente: tem sido com o maior agrado que eu tenho registado a forme, tão distinta como os nossos colegas Srs. Ladislau Piçarra, Eusébio Leão, Miranda do Vale e outros mais, se tem referido, aqui, a assuntos que se prendem com a instrução do povo. Tenho, porém, ouvido dizer, e a minha observação assim o comprova, que no nosso país não há a escola primária, nem a instrução popular, porque a escola até hoje tem-nos dado, apenas, o seguinte: saber ler e escrever.

Saber? Dicant Paduani.

Tenho observado crianças que. tendo feito exame de instrução primária há menos de dois anos, não sabem ler.

Na escola ensina-se adecorar, porque, infelizmente, no nosso país a instrução é considerada como um fim e não como meio.

E, todavia, a escola deve dar um capítulo que se há-de desdobrar na educação, como, há pouco, muito bem disse o Dr. Ladislau Piçarra? para da educação sair a formação do carácter, a disposição para o trabalho, a predisposição para lutar pela vida e uma tal lapidação das faculdades intelectuais da criança que possam actuar na modificação das desgraçadas condições das classes trabalhadoras e no progresso da pátria. (Apoiados).

Mas como é que, não tendo nós casas para escolas, não tendo professores, apropriada e convenientemente preparados, como muito bem disse e acentuou o nosso estimado colega Sr. Miranda do Vale; não tendo nós programas bem orientados, não tendo suficiente verba orçamental, se hão-de preparar crianças sadias, cheias de vida, que amanhã sejam os homens fortes da República?

Como é que se hão-de alumiar estas inteligências infantis que, num futuro proximo hão-de ser as fôrças vivas da Nação, se tudo falta?

Sr. Presidente, e Srs. Senadores, exepção feita Lisboa, Pôrto e mais algum centro populoso, afigura-se me que no nosso país não há, como já disse, instrução popular.

Para mim, e não sou profissional, a escola portuguesa, para dar o resultado que devia dar, e que temos direito deesperar dela, quando convenientemente modificada, é indispensável que, entre outras, satisfaça ás seguintes condições: primeira, ser prática: segunda, agrícola; terceira, regionalista e quarta, um tanto ou quanto, individualista.

Duas palavras apenas sôbre cada uma destas feições. Deve ser prática por isso que o carácter especulativo, que tem por isso tido, é que a não tem deixado frutear, antes a lançou nesse lastimoso estado em que se encontra. Além disso os grandes mestres da sciência pedagógica acentuam que deve ser êste o seu carácter fundamental, como o mais próprio para a vida de trabalho, positiva, a que é destinado o homem.

Agrícola, porque se conta em 65 por cento a população portuguesa que vive nos campos, dos campos e para os campos, espalhada, por todas as províncias do país, isto é, a sua grande maioria, que por isso mesmo, deve ser tida em toda a consideração.

Seria uma temeridade distribuir a instrução primária com a mesma igualdade de processos, de matérias a estudar, por todo o país. Seria uma verdadeira calamidade se tentássemos plantar no Algarve a vinha que produz o vinho verde, só próprio do Alto Minho: inversamente se quiséssemos adaptar ao Alto Minho a plantação da figueira e da alfarrobeira, para criar a indústria do figo seco, ou da alfarroba.

É preciso que na escola se tenha tudo isto em vista, para não resultar improfícua a instrução que ela ministra.

A segunda característica - ser regional - tem dado na Bélgica, os melhores resultados, porque aí a organização da escola varia conforme a região a que ela é destinada.

Para os cantões industriais o ensino primário tem uma parte manual, e para os agrícolas, compreende o ensino da agricultura.

Veja-se agora num só facto, o que nos fazemos e o que se faz na Bélgica: os nossos campos estão separados uns dos outros por verdadeiras muralhas chinesas, que são as suas vedações, mas na Bélgica a divisão e vedação das propriedades é feita por sebes vivas, de macieiras e pereiras, de forma que na primavera, cada propriedade é um jardim enflorado, e no estio, proveitoso pomar, que aumenta o valor da seara.

Deve ainda a escola ter uns laivos de individualista, como na Inglaterra, para que o homem se habituai a contar mais consigo do que com o Estado providência.

A escola primária que eu desejaria ver implantada no nosso país, já não falo da Suíssa, seria a da Suécia, por três razoes:

A primeira, por ser um país pequeno como o nosso, a segunda, por a sua população ser pouco mais ou menos igual à nossa - 5 milhões de habitantes - e a terceira, porque na Suécia pode dizer-se que não há analfabetos. As duas nacionalidades sob êste aspecto, merecem ser postas em confronto.

E o que vou fazer. Na Suécia, para 5 milhões de habitantes, ha 12:000 escolas; o nosso país terá 6:000.

Eu não quero, para não fatigar a atenção do Senado, descrever o sistema da escola primária na Suécia. Entretanto sempre desejo consignar que o ensino é ali dividido em três classes: escola popular ordinária, pequena escola e escola superior.

Há, ainda, depois, uma outra ordem de escolas que muito convinha introduzir no nosso país, que são as destinadas aos filhos do povo dos campos que estão fora da idade escolar, chamadas altas escolas populares, que tem dado os melhores resultados, e que para nós seriam de grande conveniência prática porque as crianças, passados dois anos depois de saírem da escola, deixam esquecer o pouco que lá aprenderam, por falta de continuação em exercícios práticos de leitura e escrita.

Como as altas escolas populares são destinadas a adultos e podem funcionar de noite, seria fácil compelir, quem precisasse, ou por não saber, ou por ter perdido o que aprendeu, a frequentá-las.

Na Suécia há 25 escolas destas; há fixas 9:058, e ambulantes ou móveis 2:923, mas devo declarar que estas notas foram extraídas duna relatório oficial de 1901.

Hoje devem ser muitas mais.

Sr. Presidente: nós somos dominados pelo espírito de rotina, e a rotina é teimosa; por isso cumpre contrapor àquela teimosia, a teimosia da escola agrícola, fazendo-a móvel, de forma tal que apareça, uma e muitas vezes, onde aquele prejuízo está mais inveterado.

Tal foi o meu propósito ao dar-lhe êste carácter de mobilidade.

Deixando, porém, generalidades, desçamos a factos concretos, porque êsses melhoramentos demonstram o rotineirismo do povo do norte.

O povo do norte é assim: há cerca de doze ou quinze anos, um benemérito do meu concelho e que tambêm ocupou um lugar nesta casa, quando ainda estávamos no regime monárquico, o conselheiro Miguel Dantas, aquém eu quero prestar, tambêm aqui, à sua memória, o preito de saudade e respeito que a minha terra lhe deve, quis tornar lá conhecido o trabalho da charrua Brabant, e para isso fez transportar para a sua localidade esta máquina agrícola.

Convidou pequenos lavradores para verem a nova forma de sulcar a terra, procedendo a vários trabalhos, tomando parte algumas mulheres na direcção e manejo da charrua.

Apurou-se que o trabalho era mais perfeito que o das charruas ali usadas; que não precisava mais gado para a tracção, e que havia economia de tempo e pessoal.

Todos ficaram satisfeitos, todos admiraram os trabalhos e, por fim, aquele benemérito aconselhou aquela gente a que se agrupasse, comprando cada grupo uma charrua, visto ser um pouco cara.

Pois, Srs. Senadores, nunca se falou mais. até hoje, naquela charrua, e ninguém a comprou.

Mais.

Eu tentei fazer um pequeno ensaio de aplicação de adubos minerais.

Dividi uma propriedade em dois talhões, aplicando num só estrume do curral, e no outro, o mesmo adubo e o mineral.

Fiz tambêm convites para os trabalhos e, mais tarde, convoquei alguns agricultores, que haviam tomado parte na semente, para observarem o resultado e a diferença na cultura e na novidade.

Pois quer a Câmara saber o que se disse, ao apurar-se que a terra, assim trabalhada e preparada, dava uma melhor produção?

"E do ano".

A escola prática, móvel, que eu preconizo é, pois, duma altíssima vantagem e necessidade, porque vai, de terra em terra, ensinar os novos processos agrícolas.

A escola móvel é duma absoluta necessidade, porque o povo do norte não sai da sua paróquia para aprender os nossos processos de trabalhar a terra e de desenvolver a agricultura e, conseguintemente, a riqueza pública.

Eu já, decerto, tenho cansado excessivamente a Câmara pelo que vou pôr ponto nas minhas considerações.

Vozes: - Não apoiado, não apoiado!

O Sr. Presidente: - V. Exa. já foi alêm da hora.

O Orador: - Então, se V. Exa. o ordena, eu termino.

O Sr. Presidente: - Eu não ordeno nada. O Regimento é que manda.

Vozes: - Fale, fale.

O Orador: - Agradeço á Câmara a gentileza da sua deferência e serei breve.

O meu projecto tem uma grande vantagem, que consiste na obrigação imposta ao professor de fazer propaganda das leis da República.

Eu, por causa do Regimento, que não permite reunir no mesmo projecto de lei matérias que não a tenham entre si intima ligação, é que não dei a esta parte do projecto a amplitude que êle merecia.

O meu fim era estatuir que o director da escola fizesse propaganda agrícola e democrática ao povo daquele distrito, mas, desde que o Regimento não deixa ir longe, limitei-me a consignar a doutrina que se lê no seu artigo 3.°

Em todo o caso a porta está aberta para um bom serviço à República, desde que, criteriosamente, queira ser aproveitada.

Poderá alguém dizer: mas se não há professores competentemente habilitados, como se pretende estabelecer uma escola agrícola?

Felizmente para uma escola temos onde escolher, pois, há muitos professores com os conhecimentos necessários. Porque, diga-se em abono da verdade, uma das nossas classes sociais, que mais tem progredido, é exactamente aquela que diz respeito ao professorado que tem a seu cargo a agricultura superior - a dos agrónomos.

Não será, por conseguinte, muito difícil, desde que haja boa vontade, escolher e propor quem tenha interesses pelas cousas da República, para ir reger essa escola: creio mesmo que é muito fácil reunir o povo aos domingos para levar ao seu conhecimento aquilo que, presentemente, mais lhe interessa, que é viver num Estado democrático, cujos órgãos, funcionamento, garantias, direitos e deveres, não conhece ou conhece mal.

Interrupção do Sr. Ladislau Piçarra, que não se ouviu.

Sr. Presidente: Todos reconhecem que o norte está por democratizar.

É verdade; e contudo, eu, que nasci lá e lá tenho vivido, pude observar que o povo do norte, se não abraço a República, na sua proclamação, com entranhado afecto, tambêm a não recebeu na ponta das baionetas. Conheço muito o povo do norte, sobretudo o do Alto Minho, e na sei que o das montanhas é muito positivista; só acredita obra, no facto, no que vê, porque está cheio de retórica e farto de promessas não cumpridas.

E porque é assim, foi que eu registei com o maior agrado as considerações aqui feitas, antes de mim, pelo ilustre Senador o Sr. Anselmo Xavier, pois penso sôbre o assunto, como S. Exa., mais obras e menos palavras.

Nós é que devemos ir procurar o povo; nós é que temos de ir ao encontro das populações agrícolas, não esperando que elas venham para nós, sem primeiro lhes mostrarmos; que, sincera e lealmente, nos interessamos por elas.

Não é só por meio da palavra, com uma tal ou qual retórica, mas sobretudo e especialmente com obras e com a instrução que nós nos elevemos dirigir ao povo.

De mais a mais, dá-se o seguinte: o povo do norte não é muito exigente, e tanto não é exigente que o das montanhas do Suajo e da Peneda, onde é preciso percorrer uma distância de 40 quilómetros para levar uma certa ao correio, tem-se mantido nesta situação incomportável, sem grandes reclamações.

O Sr. Presidente: - V. Exa. já excedeu, e muito, o tempo concedido pelo Regimento para falar antes da ordem do dia.

Vozes: - Fale, fale, fala.

O Orador: - Mais uma vez agradeço, muito reconhecido, a deferência de V. Exas. e prometo ser meio breve.

Sr. Presidente: Quando esteve reunida a Assembleia Nacional Constituinte, nós ouvimos dizer e informar ao Dr. Alfredo de Magalhães, que esteve na Gavieira e Suajo, isto é, no extremo norte do país, qual o estado de alma e de espírito da pobre gente que por lá habita.

Não há cemitérios, não há escolas, nem correio, nem médico; aquela gente, écran, vive uma vida semi-nómada, e vou dar a razão: é porque a gente desta região, desde Maio até Outubro, vive no alto das montanhas, depois retira para o fundo delas, onde vive em choupanas, quási promiscuamente com o gado, para ter mais calor.

Nestas circunstâncias, desde que nós trabalhemos com vontade para a integrar na República, posso garantir a todos que havemos de encontrar ali a primeira guarda avançada da República.

Se quiserem encontrar os primeiros atiradores do pais, tem de ir lá procurá-los.

E, depois, para mim, há uma circunstância que eu desejo registar com especial agrado nesta casa do Parlamento.

Acusa-se por toda a parte o clero paroquial de reaccionário e de intentos jesuíticos; mas a verdade é que D Dr. Alfredo de Magalhães foi encontrar àquelas montanhas párocos dedicados à República, como se não encontrem em outras regiões.

Um pobre velho, que eu conheço, e que ter lá vivido quási toda a sua vida, disse ao Dr. Alfredo de Magalhães que a sua arma de combate era a oração. Aceitamos a Republica, disse o bom ancião, se bem que, até aqui, ninguém nos tenha falado nela.

Vozes: - Muito bem. Os das freguesias próximas ofereceram ao Dr. Alfredo de Magalhães opíparos jantares, e trataram-no com todas as deferências e atenções, como êle próprio reconheceu na Constituinte.

Outro pároco, daquela região montanhosa, que foi excelente caçador, que é muito inteligente e um pároco na verdadeira acepção da palavra, que, quando foi para a sua paróquia, não se cultivando lá a vinha, conseguia, graças à sua inteligente direcção e salutar exemplo, que já se colham aí dezenas e dezenas de pipas de bom vinho verde, êsse pároco, avisado pelos fregueses para fugir, como êles, ao aproximarem-se uns militares que foram àquela freguesia fazer um reconhecimento por ordem do nosso colega na outra Camara o Sr. Simas Machado, quando esteve a comandar as forcas no norte, respondeu-lhes: "está aberta só meia porta da residência; pois vou abrir-lhes a outra meia".

E foi.

E as portas da casa do bom abade foram abertas, de par em par, e os militares ali foram hospedados, com aquela gentileza e afabilidade que êle sabe dispensar a todos que dele se acercam.

É claro que uma boa propaganda não se pode organizar sem elementos locais, em quem o povo deposite confiança. (Apoiados).

Acerca da propaganda no país, recebi, há pouco tempo, uma carta circular do Directório Republicano, e tenho e maior prazer em ver aqui alguns Srs. Senadores, que são membros sse Directório, porque desejo prestar-lhes esclarecimentos, subsídios e elementos, que reputo fundamentais, para se fazer uma propaganda eficaz, de resultados estáveis.

E a qualquer missão de propaganda, que se destine às províncias do norte, é preciso que dela faça parte, antes de mão, um elemento local, isto é, que tenha autoridade moral. (Apoiados).

Se não for assim, como o povo é ignorante, e à beira da ignorância está a desconfiança, êle receberá com pouco agrado aqueles que se lhe apresentarem.

Devem, portanto, figurar nesta classe de rnissões, os elementos locais, ou da freguesia, ou de perto, a quem e povo respeite, em quem deposite confiança; homens que serem como que seus juízes de paz, seus liais conselheiros e amigos sinceros.

Também deve fazer parte dessas missões o elemento militar, mas o elemento militar fardado, porque o povo tem muita consideração e até estima pela farda do oficial do exército: é uma espécie de culto externo, que não é para desprezar.

Quando alguns oficiais do Sr. Simas Machado foram a uma Sociedade sertaneja, no concelho dos Arcos, fazer uma missão de propaganda, encontraram o povo assistindo à missa paroquial.

Entraram no templo e aí se conservaram, até o fim, com todo o respeito, como é próprio de homens bem educados e prudentes, qualquer que seja a sua crença.

Bastou êste facto para, como se diz vulgarmente, empalmarem todo o auditório. Até o próprio párocho assistiu à conferência.

Não se imagina a influência que no povo exerceu essa compostura e respeito por parte dos oficiais, que se apresentaram devidamente fardados, dentro do templo, porque, assim, êles dão uma prova da sua boa educação e do respeito que deve merecer a crença alheia, embora não seja a que êles professam.

Deve, ainda, esta missão conter um membro, de preferência do Ministério do Fomento, que leve autorização para prometer e fazer logo, umas pequenas cousas, umas pequenas despesas, tais como uma caixa de correio, ou estabelecer um posto de registo civil, etc.

Com êstes elementos, eu garanto a V. Exa. que, em pouco tempo, teremos republicanizado o país.

De contrário, se continuarmos a mandar gente desconhecida, se continuarmos neste sistema de irmos para lá fazer discursos muito bonitos, que são bem recebidos naquela ocasião, mas que logo esquecem, não se conseguirá nada.

Eu digo a V. Exa., que já ouvi, a propósito dum orador distinto, que foi a uma daquelas aldeias pregar um sermão, e que fez, realmente, um discurso brilhante. O facto que aponto observei-o eu próprio.

Ao terminar êsse discurso, dirigi-me a um grupo de pequenos lavradores e perguntei:

"Então o que pensam, a respeito do sermão?"

"Oh, muito bem, muito bem, pena foi ser em latim!"

(Riso).

É e que acontece a esta pobre gente, muito rude e ignorante, que está um tanto desconfiada por nunca ter sido atendida em cousa alguma pelos governos da monarquia, e por isso só com obras, que atestem o nosso interesse por ela, é que a podemos integrar na República.

Sr. Presidente: embora isto custe um pouco ao Estado, fiquem certos de que a propaganda nestes termos ha-de ser duradoura e de bons resultados para a República.

Eu podia alongar-me em considerações, mas quero apenas frisar um ponto para V. Exa. e o Senado verem como aquela gente é patriota e respeitadora da autoridade.

Lembram-se de que, quando os paivantes tentaram entrar, como entraram no país, se fez uma chamada das reservas.

Nos jornais de Lisboa nós vimos pejadas as suas colunas de oferecimentos para ir para a raia, chegando o facto a ser moda.

Pois bem: eu posso citar factos de filhos do povo do norte, que bem mostram o seu amor pátrio.

Dois trabalhadores, um do campo, e outro, que depois de ser praça da armada, é hoje carpinteiro, escreveram-me nos seguintes termos:

O primeiro, pedindo que intercedesse junto do Sr. Ministro da Guerra para que o deixasse fazer parte daquelas fôrças do norte, e acrescentava "que ainda tinha boa pontaria".

O segundo pedia a mesma cousa e dizia: "O meu maior prazer seria apresentar em Lisboa a cabeça de Paiva Couceiro".

E um velho pai, que não pude apresentar o filho por estar no Brasil, voltou-se para a autoridade e disse: Estou eu aqui, senhor, para ir servir no lugar de meu filho".

Então esta gente não é patriota? Até faz bem ouvir falar o povo por esta forma.

O que falta, é nós estendermos-lhe os braços, ir procurá-lo ás ravinas e encostas dos seus montes, com o duplo fim de o educar, para ser útil á Pátria, e de melhorarmos as suas precárias condições, que, no norte, são bem mesquinhas.

Vou mandar para a mesa o meu projecto, e V. Exas. hão-de apreciá-lo como êle merecer e for de justiça.

Tenho dito.

Vozes: - Muito bem.

O orador foi cumprimentado por muitos Srs. Senadores presentes.

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ARCOS DE VALDEVEZ: NOSSA SENHORA DA PENEDA CHAMA AO SEU SANTUÁRIO NA GAVIEIRA GENTES DE TODO O MINHO E DA GALIZA

Antigamente, os romeiros que pagavam promessas iam metidos dentro de caixões

A Romaria a Nossa Senhora da Peneda realiza-se entre os próximos dias 1 e 8 de setembro, no seu imponente santuário situado na freguesia da Gavieira, no concelho de Arcos de Valdevez. É uma das mais importantes romarias do Minho, chamando àquele lugar recôndito da serra da Peneda muitos milhares de romeiros que, dos mais variados pontos da nossa região e também da Galiza, fazem-se ao caminho levando consigo a Fé, a alegria e a concertina uma vez que, após o dever cumprido, haverá lugar à folia.

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A partir de 31 de agosto e até 8 de setembro, depois das cinco horas da tarde, realiza-se o terço cantado, percorrendo as capelas da escadaria do santuário. No dia 6 de setembro, os populares cantam e dançam ao som das concertinas durante toda a noite, até às sete horas da manhã.

A festividade assenta num espaço natural e arquitetónico de beleza universal, com um magnífico afloramento rochoso de grande dimensão, uma queda de água e uma envolvente paisagística natural assombrosa. Ali se encontra edificado o magnífico templo cuja construção remonta aos séculos XVIII e XIX, com o seu escadório de vinte capelas temáticas, formando um conjunto de inigualável caracterização, dentro do espaço privilegiado do único Parque Nacional de Portugal: o Parque da Peneda-Gerês.

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Ao que se crê, em 5 de Agosto de 1220, terá ali aparecido a Senhora da Peneda sob a forma de pomba branca a uma jovem pastorinha que apascentava o seu rebanho de cabras, voando em seu redor e ordenando-lhe que dissesse às gentes do lugar da Gavieira que ali lhe edificassem uma ermida. A criança falou aos seus pais acerca da aparição da Senhora mas estes não lhe deram crédito.

Voltando a criança àquelas paragens para apascentar o seu rebanho, eis que a Senhora lhe voltou a aparecer. Porém, desta feita, já sob a forma na qual é atualmente venerada. E, vendo que a pastorinha não era bem-sucedida, ordenou-lhe o seguinte:

“-Filha, já que te não querem dar crédito ao que eu mando, vai ao lugar de Roussas (que fica na mesma freguesia de Gavieira, no mesmo termo do então concelho de Soajo) onde está uma mulher entrevada há dezoito anos e diz aos moradores do lugar que tragam à minha presença, para que ela fique de perfeita saúde, e assim te darão crédito ao que eu te ordeno.”

A criança assim o fez e, trazendo a enferma que se chamava Domingas Gregório ao local indicado, esta imediatamente se recompôs, ficando livre de todos os males de que padecia. A partir de então, a Senhora da Peneda passou a ser bastante venerada pelo povo das redondezas que, por baixo da Rocha da Meadinha, lhe ergueram a partir dos finais do século XVIII um imponente santuário de estilo neoclássico, com alguns traços caraterísticos da arquitetura barroca, que é atualmente um dos mais concorridos de toda a região, atraindo milhares de romeiros do Minho e da Galiza.

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Até meados do século passado, era frequente os romeiros que pagavam promessas serem levados à igreja metidos dentro de caixões. Algumas pessoas mais antigas ainda se recordam de tão estranho ritual o qual, secundo se crê, constituiria uma forma dos miraculados exprimirem a sua gratidão pela graça recebida, sugerindo através da sua teatralização o destino que lhes estaria traçado caso a Senhora não intercedesse a seu favor.

Tais cortejos “funerários” percorriam em regra um longo e acidentado trajeto que ia do pórtico situado ao fundo das capelas até ao interior da igreja, incluindo o longo escadório, sucedendo nalguns casos prolongar-se até ao próprio cemitério. Uma vez no interior do templo, era celebrada missa de “corpo presente” a que o “defunto” geralmente assistia ainda deitado na urna geralmente já aberta no local. Por vezes, o “funeral” era acompanhado de banda de música.

O padre Bernardo Pintor, autor do livro “Uma Joia do Alto Minho”, relata-nos a propósito: “Tudo isto observei de pequeno e lembra-me de ouvir falar de uma pessoa que foi até à beira da sepultura, mandada abrir no cemitério, onde lançou a sua roupa exterior, e, também de uma outra que seguia em caixão aberto mas que se impressionou de tal modo ao entrar no templo que saltou fora e rachou a cabeça de encontro aos umbrais da portaria”.

Com efeito, todo este ritual a que muitos devotos se submetiam produz um efeito psíquico de tal intensidade que pode despertar na mente efeitos perturbadores perante novos estados de consciência e meditação acerca da nossa própria existência.

Entretanto, há muito tempo que tal costume desapareceu, não havendo mais lugar a cortejos “fúnebres” de mortos-vivos. Agora, a festa faz-se de alegria sem perda de devoção, bem à maneira das gentes do Minho!

Fotos: Santuário de Nossa Senhora da Peneda

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ADERE PENEDA-GERÊS PROMOVE CAMINHADA ÀS BRANDAS DE SISTELO

A ADERE Peneda-Gerês através da sua empresa de animação turística Go2Nature irá promover no próximo dia 25 de Junho um Trilho Interpretado em Sistelo. Agradecemos se possível a divulgação desta atividade. 

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As Brandas de Sistelo

Um trilho que se inicia no Carvalhal do Rio Couço, entre sombras e biodiversidade e que atravessa as principais Brandas do lugar central de Sistelo: Rebordo Chão, Baraçal e Ricôvo. O vale escarpado do Rio Côvo contrasta com as panorâmicas de socalcos nos vales do Rio Vez e do Rio Couço. É nas florestas de altitude com carvalho negral e pinheiro de casquinha que teremos maior probabilidade de cruzamentos com o lobo e outra fauna local. Este é um percurso interpretado pelo guia local Hugo Novo, da 5ªLógica.
Inscrições em info@go2nature.pt ou 258452250
Local: Sistelo
Ponto de Encontro: Centro Cultural e Recreativo de Sistelo
Dificuldade: Média
Distância: 9.5km
Início: 09h30
Duração: 5h00
Inscrições: Min. 8 Max. 15
Idade mínima: 12 anos
Não esquecer:
Bota de caminhada
Roupa confortável
Protetor solar
Almoço PicNic
Água
Preço: 12€
Inclui:
Interpretação Biólogo Hugo Novo | https://www.facebook.com/quinta.logica
Guia Go2Nature
Seguro de acidentes pessoais
Exclui:
Almoço
Despesas de carácter pessoal
Transporte
Pagamentos feitos no dia da atividade ou por transferência bancária.

Anulações devem ser feita com uma antecedência de 24h antes da atividade calendarizada.

VIANA DO CASTELO: CENTRO DE ESTUDOS REGIONAIS PROMOVE CONFERÊNCIA SOBRE A PENEDA-GERÊS

As montanhas e as serras da Peneda-Gerês no Ciclo de Estudos “A Serra e o Homem: natureza, cultura e arte”

No próximo dia 6 de Fevereiro, na Sala Couto Viana da Biblioteca Municipal de Viana do Castelo, às 17 horas, tem lugar a segunda conferência do ciclo de estudos “A Serra e o Homem: natureza, cultura e arte”, promovido pelo Centro de Estudos Regionais, no âmbito das atividades da sua Academia Sénior. Maria do Céu Osório, em representação do Parque Nacional da Peneda-Gerês, apresenta a comunicação com o título “As montanhas e as serras da Peneda-Gerês”. A sessão é pública.

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Maria do Céu Meneses Osório é licenciada em Sociologia pela Universidade de Évora e pós-graduada em Sociologia da Infância pela Universidade do Minho. Trabalha no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) desde 1989, desenvolvendo a sua atividade principal na área da Comunicação, Informação e Educação Ambiental. Entre 2003 e 2007 coordenou a Delegação do PNPG e o Centro de Educação Ambiental do Vidoeiro, no Gerês. Atualmente está adscrita à Divisão de Gestão Operacional e Valorização do Departamento de Conservação da Natureza e Florestas do Norte, encarregando-se, sobretudo, dos assuntos relacionados com a utilização e valorização do PNPG e das áreas da Rede Natura 2000 que o circundam.

Durante o mês em curso, o programa do ciclo de estudos “A Serra e o Homem: natureza, cultura e arte” integra mais duas conferências, a decorrer, no mesmo local e hora, nos dias 20 e 27 de fevereiro. Entretanto, até ao próximo dia 7 de fevereiro decorre a exposição sobre a apicultura, nas instalações do Centro de Estudos Regionais, no Largo do Instituto Histórico do Minho (junto à Sé Catedral). O visitante tem a oportunidade de observar um conjunto diversificado de objetos relacionados com aquela atividade, amavelmente cedidos pelo apicultor Nuno Amaro.

DEPUTADO MANUEL DOMINGUES BASTO LEVA À ASSEMBLEIA NACIONAL, EM 1953, OS PROBLEMAS RELACIONADOS COM O RIO LIMA

Em 1953, o deputado Manuel Domingues Basto levou à Assembleia Nacional os problemas relativos ao rio Lima, nomeadamente os relacionados com o seu assoreamento e a regularização dos caudais. A referida intervenção registou-se na sessão que ocorreu a 23 de Março daquele ano, no âmbito da V Legislatura, sob a presidência de Albino dos Reis Júnior.

Manuel Domingues Basto era natural de Monção e foi fundador da Acção Católica de Braga. Sacerdote católico, foi eleito deputado para a V e VI Legislatura da Assembleia Nacional, não tendo chegado a exercer o mandato nesta última em virtude de ter entretanto falecido. Foi vereador da Câmara Municipal de Monção e Presidente da Comissão Municipal de Assistência de Fafe. Em virtude dos seus ideais monárquicos e na sequência do fracasso da Monarquia do Norte, exilou-se em Espanha.

Pelo seu interesse sobretudo do ponto de vista histórico, transcreve-se um extracto da sua extensa intervenção na Assembleia Nacional, na parte respeitante às questões relacionadas com o rio Lima.

“Sr. Presidente: quando o turista, português ou estrangeiro, se dirige ao Alto Minho, para aceder ao convite do autor do Minho Pitoresco e poder confrontar as belezas das margens do rio Minho com as do rio Lima - que se disputam à porfia vantagens e primazias, pleito difícil que o referido autor se não decide a resolver, comparando-o ao eterno e insolúvel problema dos olhos azuis e dos olhos negros -, e, entrando em Viana do Castelo, sobe a esse incomparável miradouro que é o monte de Santa Luzia, sentirá todo o assombro da maravilha da paisagem, viva, garrida e variegada.

Se, porém, além de admirar a paisagem, o interessa a vida da gente que habita esse rincão português de incomparável beleza, notará bem depressa que o rio - que em linguagem poética beija os pés da cidade, sua dama, e abraça os campos -, assoreado no seu leito, invade os terrenos marginais e rouba às gentes de Viana e de Ponte de Lima o pão, ou seja as culturas de algumas centenas de hectares de terreno.

É a nota triste e desoladora no meio de tanta garridice e policromia de tons da paisagem e do traje das raparigas.

Muitas vezes tenho contemplado entristecido este pormenor da paisagem e da vida da gente das margens do rio Lima e perguntado a mim próprio se não há quem veja aquilo e se para o caso se não encontrará remédio.

Tendo exposto a alguém o meu sentir em conversa de minhoto que mais ama a sua pátria através da região em que nasceu, vim a saber que já há estudos feitos sobre o aproveitamento total do rio Lima, de que resultará, com outras vantagens, não só o desaparecimento do espectáculo desolador que entristece o turista, mas ainda o melhoramento da barra de Viana do Castelo, a rega e o enxugo do muitas terras marginais e o aproveitamento hidroeléctrico do rio.

De facto, vêm de longe os estudos sobre o assunto, que é hoje de mais importância e de mais urgência na solução, dado que na sua parte inferior se agravam cada vez mais o estado do leito do rio e o lamentável desperdício das terras marginais invadidas pelas águas.

É o rio Lima, na opinião dos técnicos, um dos poucos rios portugueses cujo aproveitamento total se impõe, e esse aproveitamento reveste-se na actualidade da maior necessidade e urgência, por se tratar de uma região de grande densidade de população, em que as indústrias são escassas ou quase não existem, sendo por isso mais necessário intensificar a produção agrícola e aproveitar todos os recursos da terra.

Pelos elementos que me vieram à mão, verifica-se que as duas mais importantes obras para o aproveitamento completo do rio Lima estão já realizadas, e são o porto de Viana do Castelo, na sua foz, e o aproveitamento hidroeléctrico do Lindoso, na fronteira.

Reconhecem os técnicos a que a bacia hidrográfica do rio Lima tem excepcionais condições de aproveitamento e que nela se registam as maiores precipitações anuais médias e, paralelamente, os maiores coeficientes de escoamento de todo o País».

Vê-se dos bem elaborados anuários dos serviços hidráulicos que há possibilidade de um plano geral de aproveitamento a fio de água no rio, a jusante de Lindoso, e de albufeiras de elevada regularização específica nas ribeiras da Peneda e de Castro Laboreiro.

Os resultados desse plano seriam a produção de grande quantidade de energia, a defesa contra cheias, o enxugo do vale inferior do rio a jusante de Ponte de Lima, a rega e valorização com ela de 5 000 ha de terras férteis, o melhoramento da navegação - de grande vantagem económica para a região - e a recuperação integral de algumas centenas de hectares de terrenos de cultura inutilizados.

E se as duas obras maiores deste plano já estão realizadas, há também já muitos estudos feitos para se chegar ao aproveitamento total do rio.

Nos anos de 1939, 1940 e 1941 realizaram-se, por meio de brigadas de estudos dos serviços hidráulicos, levantamentos topográficos e hidrográficos e medições de caudais no rio Lima e seus afluentes.

Maiores foram os estudos e trabalhos dos anos de 1942 e 1943.

Em 1942 fizeram-se os reconhecimentos gerais necessários para a elaboração do plano geral de aproveitamento, o reconhecimento detalhado do rio Lima sob o ponto de vista hidráulico e agronómico e em relação às necessidades de enxugo e rega e ainda o reconhecimento das bacias dos seus afluentes-rio Vez e ribeiro de Castro Laboreiro.

Em 1943 iniciou-se o estudo do plano geral da regularização e aproveitamento das águas de toda a bacia hidrográfica.

O ano de 1944 foi o do início do estudo do aproveitamento hidroeléctrico, estudando-se já os vales do rio Lima e dos ribeiros da Peneda e de Castro Laboreiro.

Dos estudos e trabalhos no ano de 1945 diz o Anuário dos Serviços Hidráulicos:

Prosseguiu a recolha de elementos topográficos, hidrológicos e agronómicos para a elaboração do plano geral de sistematização da bacia deste rio. Ficou concluída a parte referente à correcção torrencial e ao aproveitamento da energia das águas do rio e dos seus afluentes Castro Laboreiro, Peneda e Vez.

O esquema do aproveitamento hidroeléctrico prevê uma possível produção de 450x106 kWh no ano muito seco de 1944-1945, com influência benéfica na utilização de água para a rega e na manutenção de caudais para a navegação e contribuindo ainda para a diminuição dos transportes sólidos.

Nos anos de 1946,1947,1948 e seguintes continuou se com a elaboração do plano geral de regularização e aproveitamento das águas, tendo-se ainda feito o reconhecimento agro-económico dos terrenos a beneficiar e o reconhecimento geológico dos possíveis locais de barragens.

O Sr. Elísio Pimenta: - Não esqueça V. Ex.ª que o problema do rio Lima, nos aspectos que acaba de encarar, não é o único na região do Minho.

Existe um problema paralelo no rio Minho, a poente de Valença, em S. Pedro da Torre.

O Orador:- Tem V. Ex.ª razão. Tanto na veiga de Ganfei como em S. Pedro da Torre, freguesias do concelho de Valença, há problemas idênticos.

Sr. Presidente: parece que os trabalhos sobre o aproveitamento integral do rio Lima pararam ou, pelo menos, não há indicação do que se fez depois de 1950. Diz-se que foi a necessidade de deslocar os técnicos para estudos urgentes no rio Douro o que motivou esta paralisação de trabalhos e estudos.

Permita-me, ao terminar as minhas considerações no debate das contas públicas, lembrar ao Governo a necessidade de se prosseguir nesses trabalhos interrompidos, visto que depende deles o aproveitamento de grandes fontes de receita, bem necessárias à gente do Alto Minho e às prementes necessidades de melhor nível económico, para sustento da sua densa população.

Junte-se à beleza da paisagem e dos trajos regionais a beleza desta possível e urgente realização. As despesas a que obriga são fartamente compensadas pelas receitas que dela hão-de provir para a economia nacional e para melhoria de vida da gente alegre de Viana e da Ribeira Lima.

Que por esta obra tão necessária possam o estrangeiro ou o português que visitam a cidade de Viana ou ali vão pelas festas da Agonia, ao ouvir os cantares das raparigas e ao apreciar as danças regionais, dizer com toda a verdade: «Sente-se que esta gente é mais feliz e canta com mais vivacidade e alegria porque vive no Portugal renovado de Salazar».

Tenho dito.”