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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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PÓVOA DE LANHOSO CAMINHA NA HISTÓRIA

Caminhada com História continua a dar a conhecer a Póvoa de Lanhoso

A Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso realizou nos passados dias 9 e 10 de setembro (sábado e domingo) mais uma edição da Caminhada com História, em parceria com a Decathlon de Braga. Esta iniciativa contou com 55 participantes, oriundos não só do concelho da Póvoa de Lanhoso, mas também do Porto, Matosinhos, Maia, Braga, Guimarães e Viana do Castelo.

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O Vereador da Cultura e Turismo da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, André Rodrigues, congratulou-se pela boa adesão dos caminhantes a esta iniciativa. “Estamos muito satisfeitos pela forma como decorreu mais esta edição e contentes com a adesão que temos vindo a ter nestas edições da Caminhada com História”, salienta aquele responsável. “A ideia de uma caminhada de dois dias surgiu porque queremos valorizar o nosso património que muitas vezes nem sequer é do conhecimento dos nossos habitantes e acreditamos que estamos a alcançar os nossos objetivos”, explica André Rodrigues. “Deixo ainda um agradecimento aos escuteiros do agrupamento de Taíde, ao agrupamento de escolas da Póvoa de Lanhoso, à Real Confraria de Nossa Senhora de Porto D’Ave, à Junta de Freguesia de Lanhoso, às paróquias de Louredo e de Santo Emilião, à D. Cármen Dolores Guimarães e ao Rancho Folclórico de Porto D’ Ave, que tornaram possível a realização deste evento com esta qualidade, reconhecida pelos participantes”, conclui.

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Ao longo dos 35 quilómetros de extensão (22 quilómetros no sábado e 13 quilómetros no domingo), esta caminhada pretendeu, tal como as edições anteriores, dar a conhecer a beleza do concelho da Póvoa de Lanhoso, com suas paisagens deslumbrantes e património edificado de relevância para o conhecimento da evolução dos nossos antepassados.

Este fim de semana de evasão pelo território povoense, repleto de boa disposição, partilha, entreajuda e algum espírito de sacrífico, fez com que alguns dos participantes superassem as suas próprias barreiras físicas e psicológicas, deleitando-se, por outro lado, com alguns cenários naturais. Castelo de Lanhoso, Castro de Lanhoso, Capela do Horto, Igreja de S. Martinho de Galegos, Igreja de S. Salvador de Louredo, Mosteiro de S. Bento e Santo Emilião, Sepultura de D. Joaquim da Boa Morte, Quinta Villa Beatriz, Santuário Rupestre de Garfe, Igreja de Santiago de Lanhoso, Via Romana XVII, Sala de Interpretação da Filigrana, Centro Interpretativo Maria da Fonte, Theatro Club e Santuário de Nossa Senhora de Porto D’Ave foram os locais visitados pelos participantes, nesta terceira edição.

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PONTE DE LIMA É (QUASE) A VILA MAIS ANTIGA DE PORTUGAL!

Localidade muito importante desde a era Romana, possuiu um Palácio da Corte do Reino de Leão, documentado por achados arqueológicos e outros documentos escritos.

Em pleno coração do Vale do Lima, a beleza castiça e peculiar da vila mais antiga de Portugal esconde raízes profundas e lendas ancestrais. Foi a Condessa D. Teresa de Leão quem, na longínqua data de 4 de Março de 1125, outorgou carta de foral à vila, referindo-se à mesma como Terra de Ponte. Anos mais tarde, já no século XIV, D. Pedro I, atendendo à posição geo-estratégica de Ponte de Lima, mandou muralhá-la, pelo que o resultado final foi o de um burgo medieval cercado de muralhas e nove torres, das quais ainda restam duas, vários vestígios das restantes e de toda a estrutura defensiva de então, fazendo-se o acesso à vila através de seis portas.

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A ponte, que deu nome a esta nobre terra, adquiriu sempre uma importância de grande significado em todo o Alto Minho, atendendo a ser a única passagem segura do Rio Lima, em toda a sua extensão, até aos finais da Idade Média. A primitiva foi construída pelos romanos, da qual ainda resta um troço significativo na margem direita do Lima, sendo a medieval um marco notável da arquitectura, havendo muito poucos exemplos que se lhe comparem na altivez, beleza e equilíbrio do seu todo. Referência obrigatória em roteiros, guias e mapas, muitos deles antigos, que descrevem a passagem por ela de milhares de peregrinos que demandavam a Santiago de Compostela e que ainda nos dias de hoje a transpõem com a mesma finalidade.

A partir do século XVIII a expansão urbana surge e com ela o início da destruição da muralha que abraçava a vila. Começa a prosperar, por todo o concelho de Ponte de Lima, a opulência das casas senhoriais que a nobreza da época se encarregou de disseminar. Ao longo dos tempos, Ponte de Lima foi, assim, somando à sua beleza natural magníficas fachadas góticas, maneiristas, barrocas, neoclássicas e oitocentistas, aumentando significativamente o valor histórico, cultural e arquitectónico deste rincão único em todo o Portugal.

Fonte: Wikipédia / Fotos: Luís Eiras

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PONTE DE LIMA PERCORRE OS TRILHOS DA HISTÓRIA

Milhares de pessoas afluíram hoje a Ponte de Lima para assistirem ao Cortejo Histórico que percorreu as ruas da vila. Foram magníficos quadros históricos apresentados por centenas de figurantes trajados a rigor segundo cada época representada. É a História do Concelho de Ponte de Lima que se confunde com a própria História de Portugal em virtude do seu protagonismo em todas as épocas e envolvendo todas as gerações de ponte-limenses.

Fotos: José Costa Lima

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PAREDES DE COURA QUER RECUPERAR A “CASA GRANDE DE ROMARIGÃES”

Ministro da Cultura sensibilizado para a recuperação do legado arquitetónico de “A Casa Grande de Romarigães”

“Estou extremamente sensibilizado com as potencialidades que há aqui. Necessitamos trazer ao público leitor, para que estes espaços sejam melhor conhecidos”, sugeriu o Ministro da Cultura, Luís Filipe de Castro Mendes, na visita à Quinta do Amparo, em Paredes de Coura, onde Aquilino Ribeiro criou uma das obras maiores da literatura portuguesa – “A Casa Grande de Romarigães”.

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Com este roteiro para conhecer a riqueza das paisagens literárias inscritas no concelho de Paredes de Coura, onde também se inclui o Centro de Estudos Mário Cláudio, o autarca Vitor Paulo Pereira procurou sensibilizar a importância de ser criado “um roteiro literário ligado ao turismo cultural e à fruição dos espaços. Seria insensato e imprudente não mostrar estes dois espaços ligados à literatura”, sublinhou o Presidente da Câmara de Paredes de Coura, defendendo que na cultura não se gasta dinheiro.

“Queremos jovens criativos do ponto de vista emocional e isso só se consegue com a arte. A cultura não é uma herança, mas uma conquista de todos os dias e como tal temos que cuidar dela”, reforçou Vitor Paulo Pereira, enquanto o Ministro da Cultura corroborava a ideia: “Temos a obrigação perante a nossa história e a nossa língua. Desejo o maior sucesso e vontade política para que possamos obter fundos disponíveis para obras como esta. A obra de Aquilino é uma celebração da vida”, sublinhou.

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Neste roteiro literário por Paredes de Coura, Luís Filipe de Castro Mendes começou por celebrar os sessenta anos da primeira edição de “A Casa Grande de Romarigães”, no próprio cenário de efabulação da crónica romanceada, a Quinta do Amparo. Na presença física do sítio, que se revê nas evocações do texto e na memória dos feitos que ali terão ocorrido, foi apresentado o projeto de recuperação deste legado arquitetónico de cariz barroco que se encontra a ser desenvolvido pelos bisnetos Ricardo Pedroso de Lima e Maria Pedroso de Lima, e que consideramos condição indispensável para dinamizar uma estratégia de desenvolvimento local.

Apesar da atmosfera da Quinta do Amparo e da sua dimensão literária continuarem bem vivas para aqueles que visitem o local, haverá certamente uma oportunidade de o reinventar no quadro de uma estratégia territorial mais consistente e integrada para o concelho de Paredes de Coura, o que representaria, em última análise, uma homenagem a Aquilino Ribeiro e um importante contributo para a preservação do seu extraordinário legado literário.

Foi também associado a este percurso literário a visita ao Centro de Estudos Mário Cláudio, no Lugar de Venade, tendo como cicerone o escritor que lhe confere o nome, que também não esconde o propósito de criar no local um centro de pesquisa e em rede que abranja os escritores do Norte de Portugal e Galiza.

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BRAGA COMEMORA 500 ANOS DO FORAL MANUELINO DE MIRE DE TIBÃES

Comemorações dos 500 anos do Foral de Mire de Tibães

«Queremos aproximar cada vez mais Tibães da Cidade, dos Bracarenses e de todos os que nos visitam»

O presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio, presidiu esta manhã, à cerimónia de inauguração do monumento evocativo das celebrações dos 500 anos do foral da freguesia de Mire de Tibães, um Monumento que se destaca pela evocação do passado histórico e da valorização da memória, do património e da Cultura de Tibães.

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Acompanhado pelo presidente da Junta de Freguesia de Mire de Tibães, José Magalhães, e pelos vereadores do Município, Ricardo Rio fez questão de salientar que, também por fruto da importância histórica e cultural desta freguesia “queremos aproximar cada vez mais Tibães da Cidade, dos Bracarenses e de todos quantos nos visitam”.

Contextualizando a importância histórica de Tibães, desconhecida por alguns, o Autarca fez questão de lembrar as “importantes decisões para o País tomadas em tempos idos na sala do Capítulo do Mosteiro de Tibães, e que marcaram a história de Portugal”, bem como a necessidade de preservar esse património material.

O monumento hoje inaugurado, localizado na via de acesso ao Mosteiro de Tibães, da autoria da Arq. Fátima Pereira, pretende essencialmente perpetuar, de forma física, a memória e o património histórico desta freguesia, traduzindo a história dos 500 anos da atribuição da Carta do Foral a Tibães.

O Monumento, sendo ele mesmo um marco temporal, transformar-se-á, ao longo do tempo, nomeadamente sob a sua cor e aspecto, mutante, com o passar dos anos, face às condições climatéricas a que está submetido, ganhando uma patine de zinco, que o tornará, ao longo do tempo, mais nobre e atractivo, representando meio milénio de importância de Mire de Tibães na história de Braga, da Região e do País.

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A GALIZA, PORTUGAL ESQUECIDO

Inaugurador da liberdade portuguesa, o ano de 1139 determinou, igualmente, o divórcio – que nunca foi plenamente aceite – entre Portugal e a Galiza. A separação foi afronta à realidade linguística, à unidade cultural, à própria justiça histórica: no século XII, a delimitação entre o Condado Portucalense e o restante Reino da Galiza – este último integrado, ele próprio, na coroa castelhano-leonesa de que Afonso Henriques decidiu apartar-se – era meramente administrativa e resultara da atribuição, por Afonso VI de Leão, de Portucale a Henrique de Borgonha. Hoje, a fronteira mantém-se tão artificial como no passado, sendo o português a língua dominante em toda a faixa ocidental da Península Ibérica.

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A separação entre os dois pedaços originais da Portugalidade – de um lado, a Galiza, que foi berço da língua e o primeiro dos países portugueses; do outro, o Condado que se autonomizou, fortaleceu, manteve forte a chamada da nossa liberdade e se expandiu pelo globo – foi motivadora de incontáveis conflitos entre Portugal e o seu vizinho espanhol. Décadas sobre a tomada de Lisboa, em 1147, Afonso I tentaria capturar Tui e outras localidades galegas, intento que abandonaria após ser derrotado pelos leoneses em Badajoz. No século XIV, Fernando I seria – o que aconteceu em diversas ocasiões – aclamado como rei pela Galiza; novamente, foi a força do braço castelhano a impedir a reunificação entre os dois países portugueses da Península. Também presente esteve a Galiza na mente de D. Luís de Vasconcelos e Sousa, conde de Castelo Melhor, que pretendeu juntá-la a nós a troco da paz com a Espanha dos Habsburgo. A tentativa saiu novamente gorada, pois, ainda que avançassem vitoriosas as armas portuguesas, o governo do Conde foi derrotado nos gabinetes por políticos invejosos e homens menores.

Não se encontrando hoje aberto - pelo menos, não para a maioria dos galegos - o problema do estatuto político da Galiza, o combate a travar é, lá, fundamentalmente cultural. Com a língua galego-portuguesa perigada por um projecto de aculturação – de facto, castelhanização – que dura há séculos, o mundo português deve devotar àquela parcela de si própria a maior das atenções. É o que fará, também, a Nova Portugalidade, tão empenhada na defesa da Portugalidade na Galiza como em qualquer outro pedaço do nosso espaço civilizacional.

Portugal e Galiza são e serão um só coração.

RPB

Fonte: https://www.facebook.com/pg/novaportugalidade/

HISTÓRIA É UMA FESTA EM ESPOSENDE

Festa da História - Caminhos de Santiago recebeu mais de 60 mil visitantes

Traduziu-se num êxito, a todos os níveis, a primeira edição da Festa da História - Caminhos de Santiago, que decorreu entre os dias 24 e 27 de agosto, na cidade de Esposende, numa organização conjunta da Câmara Municipal e da Associação Comercial e Industrial do Concelho de Esposende (ACICE).

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Este evento, que veio substituir a Feira Medieval, superou todas as expetativas, confirmando o sucesso desta nova aposta de promoção do concelho e de dinamização do tecido económico local.

Ao longo dos quatro dias, passaram pelo centro da cidade mais de 60 mil visitantes, que tiveram oportunidade de assistir a diversos momentos de animação, desde espetáculos de fogo, música, dança, artes circenses, a recriações de episódios históricos, e se deliciar com as muitas propostas gastronómicas do certame.

Esta primeira edição da Festa da História foi dedicada aos Caminhos de Santiago, razão pela qual foram introduzidas alterações profundas na organização dos diferentes espaços da Feira e imprimindo uma nova dinâmica no Largo Rodrigues Sampaio, onde foram instalados vários equipamentos, nomeadamente artesanato, alimentação, exposições e diversões para as crianças.

A componente da animação mereceu grande destaque neste evento, oferecendo um programa recheado de surpresas, com muita música, teatro, malabarismo, animais exóticos e jogos para os mais novos.

Em jeito de balanço, o Presidente da Câmara Municipal de Esposende salienta o impacto positivo deste evento, notando que “o retorno financeiro foi claro, tanto para o comércio local, como para os mais de 90 expositores que estiveram presentes, nomeadamente das associações concelhias”. Benjamim Pereira sublinha que o elevado número de visitantes da Festa da História reflete o sucesso da aposta neste novo formato e comprova que “Esposende se afirma, cada vez mais, como um Município turístico”.

“Esposende e o seu tecido empresarial estão de parabéns, provando mais uma vez a capacidade de resposta de todo o concelho, assegurando uma prestação de serviços de qualidade a todos os visitantes e turistas, prestigiando o nome do nosso concelho”, refere, por seu turno, o Presidente da ACICE, José Faria.

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PRESIDENTE DA REPÚBLICA APADRINHA CANDIDATURA DAS FORTALEZAS ABALUARTADAS DE VALENÇA A PATRIMÓNIO MUNDIAL

Marcelo Apadrinha Candidatura das Fortalezas Abaluartadas a Património Mundial. Candidatura de Valença Ganha Mais Força

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considera a candidatura das Fortalezas de Valença, Almeida, Marvão e Elvas um imperativo nacional. Marcelo Rebelo de Sousa apadrinha a candidatura das Fortalezas Abaluartadas da Raia, a Património Mundial, junto da UNESCO.

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As declarações do Presidente da República foram produzidas este fim de semana, em Almeida, perante o Presidente da Câmara de Valença e demais responsáveis pelas candidaturas dos municípios envolvidos.

Marcelo Rebelo de Sousa Recebe Presidentes de Câmara

O Presidente de República vai receber os presidentes de Câmara das quatro fortificações candidatas no próximo 11 de setembro, em Lisboa, com vista a dar um apoio diplomático à candidatura, junto dos órgãos decisórios.

Na Lista Indicativa de Portugal a Património Mundial

A candidatura, promovida por Almeida, Elvas, Marvão e Valença, já está inscrita na Lista Indicativa de Portugal, da UNESCO, rumo à classificação como Património Mundial. Aguarda-se a apresentação de Portugal junto do comité internacional da UNESCO.

A candidatura foca-se no Sistema Defensivo das Fortalezas Abaluartadas da Raia

Luso-Espanhola, na cultura raiana e numa das fronteiras mais antigas do mundo. Com este argumento, os municípios proponentes alcançaram da Comissão Nacional da UNESCO (passo obrigatório para a obtenção da classificação), a inclusão destas fortalezas na Lista Indicativa de Portugal a Património Mundial da UNESCO.

Conjunto Patrimonial Único à Escala Mundial

As Fortalezas Abaluartadas foram estruturas defensivas de guerra que, nos últimos séculos, se transformaram em monumentos de paz e em espaços únicos de história, de cultura e de relação e vivência humanas.

Único à escala mundial, este sistema defensivo apresenta-se excecional, potenciador da conservação patrimonial e dinamizador da cultura e do turismo. A obtenção do galardão da UNESCO trará grandes vantagens para este território raiano e para Portugal, enriquecendo também a lista de bens já classificados como Património Mundial.

BRAGA: RICARDO RIO INAUGURA NÚCLEO MUSEOLÓGICO DE SÃO MARTINHO DE DUME

Ricardo Rio inaugurou segunda fase do conjunto arqueológico. Núcleo Museológico de São Martinho de Dume é activo ‘importantíssimo’ para Braga e para o País

Braga apresenta agora mais um ponto de interesse na componente patrimonial. A segunda fase do Núcleo Museológico de São Martinho de Dume foi inaugurada este Sábado, 26 de Agosto, revelando-se um espólio muito significativo e exemplar da antiga arquitectura cristã da Europa Ocidental.

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A musealização das ruínas da antiga Catedral, localizadas sob a actual igreja paroquial de Dume e seus espaços circundantes, foi promovida pelo Município de Braga e pela União de Freguesias de Real, Dume e Semelhe, assumindo uma importância impar pela sua singularidade e valia patrimonial, constituindo-se como exemplar único. A sua valorização permitirá projectar as Ruínas Arqueológicas de São Martinho de Dume para o mesmo patamar dos grandes conjuntos europeus similares, integrando-o nos circuitos internacionais de arquitectura cristã antiga.

“Este é um activo importantíssimo para Braga, para a região e para o país. Olharmos para a nossa história e preservarmos o nosso património é algo fundamental para podermos evoluir como sociedade”, referiu Ricardo Rio, presidente da Câmara Municipal de Braga, durante a cerimónia de inauguração, elogiando a “determinação de todos aqueles que ao longo os anos sempre pugnaram pela valorização deste espaço e pela criação deste Núcleo Museológico”.

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Como explicou o Autarca a concretização de um projecto desta natureza “tem forçosamente que obedecer a questões técnicas e financeiras” que exigiram o compromisso de todos. “Em 2013, quando chegamos à Câmara Municipal, faltava dar este impulso para que este projecto se concretizasse, e tivemos o privilégio de ter a liderar a componente do Património o vereador Miguel Bandeira, o que facilitou a articulação com os diversos serviços, para que este projecto fosse agora uma realidade”, sublinhou Ricardo Rio.

Com a concretização deste projecto estão criadas as condições para que o Núcleo Museológico de Dume, enquanto centro de interpretação do monumento, funcione como polo cultural e lúdico, podendo albergar exposições, recepcionar visitas organizadas de público escolar e público indiferenciado mas também de especialistas em Arqueologia e História.

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Referindo-se à “grande mais-valia” que este projecto representa em termos turísticos e económicos, o Edil lembrou que, neste particular da valorização patrimonial, “a União de Freguesias de Real, Dume e Semelhe, sai extremamente privilegiada, uma vez que a este Núcleo Museológico, há que juntar o projecto do Convento de São Francisco que está a ser desenvolvido, mais uma vez, em parceria com a Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho, e que vai possibilitar a criação de uma rede de activos turísticos fundamental para criar uma grande dinâmica a este território”, conclui Ricardo Rio, felicitando a União de Freguesias e o seu presidente pela perseverança para que este projecto fosse possível.

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Por seu turno, o presidente da União de Freguesias de Real, Dume e Semelhe, Francisco Silva, lembrou que esta é uma obra que todos os Dumienses anseiam há 30 anos. “Trata-se de uma obra grandiosa. Foram precisas três décadas para que os Dumienses tivessem acesso a este património que vai valorizar a freguesia e engrandecer o seu povo e, certamente, vai levar Dume a uma escala internacional. Para isso queremos aproveitar o grande fluxo turístico da Cidade em termos de turismo religioso e criar um roteiro que passe por Dume”, referiu Francisco Silva, lembrando o esforço dos anteriores executivos da Junta de Dume que, ao iniciar a primeira fase, abriram caminho para que esta nova fase fosse possível.

“Esta segunda fase só foi possível devido ao trabalho de muita gente. Trata-se de uma obra que preserva o património, a cultura e a grande história de Dume”, concluiu Francisco Silva, agradecendo à Universidade do Minho e ao Município de Braga “por todo o apoio e dedicação que prestaram a este projecto ao longo destes anos”.

Mandada construir pelo Rei Suevo Charrarico no ano 550, a antiga Catedral foi consagrada a S. Martinho de Tours, como voto de agradecimento pela cura do filho. Ao longo dos tempos até ao presente, todo o espaço em causa e envolvente, foi vivido e marcado pelas várias épocas sendo os períodos mais significativos, os vividos pelos Romanos, Suevos e Visigodos, Época Medieval e o passado mais próximo com a construção de uma Igreja e Capela.

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CAMINHOS DE SANTIAGO DÃO O MOTE À FESTA DA HISTÓRIA EM ESPOSENDE

Caminhos de Santiago dão o mote à Festa da História em Esposende. Evento decorre até domingo no centro da cidade

Os caminhos de Santiago dão o mote à Festa da História que até ao próximo domingo vai animar a cidade de Esposende, numa organização do Município de Esposende e da Associação Comercial e Industrial de Esposende (ACICE).

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O evento arrancou hoje, ao final da tarde, na presença do Presidente da Câmara Municipal de Esposende, Benjamim Pereira, e do Presidente da ACICE, José Faria, entre outras individualidades.

Benjamim Pereira refere que “Esposende é um concelho turístico e, como tal, tem de garantir oferta aos turistas e visitantes, com propostas que vão desde à música à cultura, passando por várias outras áreas”. Neste contexto, sublinha, “o Município, juntamente com a ACICE, aproveitando o formato da Feira Medieval que vínhamos a realizar anualmente, pensou um novo modelo de animação, com vista à promoção turística do concelho é à não menos importante dinamização do tecido económico local”.

A primeira edição da Festa da História aposta, deste modo, num dos baluartes do turismo contemporâneo e com assinalável expressão também no concelho de Esposende, os Caminhos de Santiago, nomeadamente o Caminho Português da Costa.

A zona central da cidade está vestida a rigor convidando os visitantes a recuarem no tempo e a experienciarem as vivências da época. A recreação histórica remonta ao Século XVI e visa retratar a passagem dos Caminheiros pelo Caminho Português da Costa até Santiago de Compostela, considerando que há várias passagens da história do concelho de Esposende associadas a este período.

O centro de Esposende está transformado por estes dias num mercado de época, envolvendo a comunidade local, o meio associativo, empresarial e ainda os residentes, num evento que promete intensa animação, com espetáculos de fogo, música, dança, artes circenses, recriações de episódios históricos. Componente essencial é a gastronomia, não faltando também o indispensável espaço infantil, com jogos, para os mais pequenos. O evento reparte-se pelo Largo Rodrigues Sampaio, Rua 1.º de Dezembro, parte da Av. Valentim Ribeiro, Praça do Município, Largo Fonseca Lima e Rua Conde de Castro.

“Estão reunidos os requisitos para uma grande festa em torno da História dos Caminhos de Santiago que, pela sua envolvência constituirá, certamente, um evento de sucesso”, afirma o Presidente Benjamim Pereira, convidando todos a partir e a usufruir destes dias de animação cultural.

A mesma convicção é manifestada também pelo Presidente da Associação Comercial e Industrial de Esposende, José Faria, que realça que “uma vez mais o Município e a ACICE unem esforços para promover Esposende e dinamizar o tecido económico local, contribuindo simultaneamente para a promoção e valorização dos Caminhos de Santiago”.

A Festa da história integra o programa Esposende Verão 2017 e acontece no âmbito da candidatura intermunicipal para a valorização dos Caminhos de Santiago, concretamente do Caminho Português da Costa, que envolve os municípios de Esposende, Valença, Caminha, Vila Nova de Cerveira, Viana do Castelo, Póvoa de Varzim, Vila do Conde, Maia e Porto.

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ESPOSENDE PROMOVE DESFILE HISTÓRICO NO DIA DO MUNICÍPIO

Integrado no evento “Esposende Verão 2017” e como forma de assinalar o Dia da Cidade e do Município que se assinala no dia 19 de agosto, a Câmara Municipal de Esposende vai organizar um Desfile Histórico, no dia 20 de agosto, às 16h30.

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Intitulado “Esposende: Quadros da nossa História”, o desfile vai percorrer diversas ruas da cidade, encenando passagens da História local, sendo o corolário de um aturado trabalho de investigação histórica desenvolvido pelos quadros técnico do Município Município. Pretende a Câmara Municipal de Esposende divulgar e preservar o Património, dando a conhecer aos muitos visitantes que afluem à cidade nesta altura do ano.

Dividido por oito Quadros, o Desfile Histórico percorre a fundação de Esposende, os Caminhos de Santiago, as Invasões Francesas, a passagem por Esposende da Rainha D. Maria I e do Rei Carlos Alberto de Itália, assim como a participação de Esposende na 1.ª Guerra Mundial. Os dois últimos Quadros passam em revista as instituições de proteção e assistência (bombeiros, GNR, Socorros a Náufragos e os hospitais) e a Gente Ilustre que tanto contribuiu para o crescimento do concelho encerram o majestoso desfile.
Com este cortejo, em que participarão mais de três centenas de figurantes, pretende-se contribuir para a consolidação territorial do concelho de Esposende, promovendo e divulgando a nossa História, contribuindo para o esclarecimento da consciência coletiva.
A saída ocorrerá na Escola Preparatória António Correia de Oliveira, seguindo pela rua de São João, Av. Eng. Eduardo Arantes e Oliveira, Largo Rodrigues Sampaio, Rua Eng. Losa Faria, Rua Vasco da Gama, Av. Dr. Henrique Barros Lima e termina na Escola Correia de Oliveira.
Como parceiros da iniciativa, a Câmara Municipal de Esposende contou com o apoio dos
agrupamentos de Escuteiros de Mar e de Marinhas, a Benemérita Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Fão, o Clube de Bicicletas Antigas de Marinhas, a Escola Básica EB 2,3 António Corrêa d’Oliveira, o Forum Esposendense, Juntas de Freguesia do Concelho de Esposende, Santa Casa da Misericórdia de Esposende.

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A BALANÇA MIGRATÓRIA EM PORTUGAL

Em meados deste ano foi disponibilizado online, o relatório anual sobre migrações internacionais da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

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Nas páginas dedicadas a Portugal, o “International Migration Outlook 2015”, aponta uma diminuição do número de estrangeiros residentes entre 2009 e 2013, e um significativo aumento da emigração desde 2010. Segundo o relatório, a balança migratória nacional (emigração – imigração) apresentou um resultado negativo de 10.500 pessoas em 2015, embora menos acentuado do que em anos anteriores (-30.100 em 2014 e -37.400 em 2012).

No entanto, estes dados que refletem a grave crise económica vivida em Portugal nesse período e levou mesmo à assistência financeira da troika, parecem estar desde o ano passado numa tendência de inflexão. O recente Relatório de Imigração, Fronteiras e Asilo do SEF indica a existência em Portugal de 397,731 imigrantes com título de residência válido, o que significa mais 2,32% de cidadãos estrangeiros residentes em território nacional que no ano anterior.

Segundo o documento do SEF, numa época em que a emigração portuguesa está a diminuir, no ano passado saíram de Portugal 38 mil pessoas, menos duas mil que em 2015, os imigrantes brasileiros continuam a ser a maior comunidade imigrante em território português, com um total de 81251 cidadãos, ou seja 20% dos imigrantes.

No rol das nacionalidades mais presentes no território português destacam-se, para além do tradicional fluxo africano, a imigração francesa, cuja comunidade registou um aumento superior a 2015 (33%), com 11293 imigrantes legalizados. Assim como a inglesa, que igualmente atraída pela segurança e benefícios fiscais, passou a ser uma das mais relevantes nacionalidades em Portugal (19384 imigrantes), ultrapassando inclusive a angolana (16994 imigrantes).

Esta estabilização da balança migratória, além de constituir um sinal positivo do cenário macroeconómico nacional, é um indicador do caminho que o país deve continuar a trilhar rumo a um futuro coletivo sustentado, e que passa necessariamente pela diminuição da emigração e pela entrada de imigrantes, elementos fundamentais para Portugal não perder população e competitividade socioeconómica.

Daniel Bastos

CERVEIRA REGRESSA À IDADE MÉDIA

Cerveira, mui nobre terra de notáveis Senhoras e ilustres Cavaleiros

Entre esta quinta-feira e domingo, Vila Nova de Cerveira proporciona uma viagem única à época medieval. São quatro dias de mercado medieval e de uma diversificada animação de rua que promete atrair alguns milhares de visitantes. Torneio a Cavalo e Apeado e Espetáculo de Artes Circenses são as novidades da Festa da História 2017.

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A oferta é de excelência e representativa da época, num espaço ornamentado a preceito. Este ano, o evento propõe uma viagem até ao mundo das artes medievais, com cerca de 200 mercadores e artesãos oriundos de várias regiões de Portugal e de Espanha para apresentar produtos, hábitos e ofícios da época.

Pelas ruas do centro histórico, 50 animadores criam momentos de grande interatividade com o público, num total de 50 atividades propostas. Para além de teatro de rua, espetáculos de fogo, de falcoaria real, danças orientais, demonstrações de ofícios, acrobacias e malabarismos e ceias medievais, a Festa da História recebe, pela primeira vez, um Torneio da Cavalo e Apeado junto ao acampamento medieval, agendado para domingo, às 18h30, e um espetáculo de Artes Circenses que conjuga muita cor e movimento, no sábado, às 23h30, em frente ao edifício da Câmara Municipal.

Para complementar este cenário medieval, não podia faltar o acampamento, os jogos tradicionais, os passeios a cavalo, o tiro com arco para os mais novos e as iguarias da época para os mais famintos.

A abertura do Mercado Medieval acontece esta quinta-feira, pelas 17h00, com arruada de música e o tradicional Cortejo Medieval com notáveis Senhoras e nobres Cavaleiros de mui terra de Cerveira. A Festa da História de Vila Nova de Cerveira continua na sexta-feira com abertura às 11h e encerramento às 24h00, no sábado das 10h00 às 24h00 e no domingo, entre as 11h00 e as 23h00.

Deixem-se embarcar numa viagem a Cerveira da época medieval.

REVISTA “ÍPSILON” DO JORNAL “PÚBLICO” DESCREVE COMO COMEÇOU O FESTIVAL DE PAREDES DE COURA

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A VILA DO ROCK DEU UM SALTO DE GIGANTE

É numa noite de fados, em 1993, que se traça o destino dos anos seguintes de uma vila pacata do Minho. Agora chamam-lhe a “vila do rock”, na época, no concelho de Paredes de Coura, as festas grandes eram a das Angústias e a da Nossa Senhora do Livramento. Nessa altura, o festival de Vilar de Mouros estava adormecido há uns anos e os grandes festivais de rock no Verão estavam longe de ser uma realidade.

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Há um grupo de jovens, na casa dos 20 anos, que parava na rua principal, onde se encontravam nessa noite, que decide descer à praia Fluvial do Taboão para espreitar o espectáculo montado para que a população pudesse ver o resultado da obra de requalificação de uma mata junto a uma das margens do rio Coura. Desse grupo faziam parte Vítor Paulo Pereira, José Barreiro, Filipe Lopes e João Carvalho. Quando lá chegaram viram um espaço “deslumbrante”. Alguém tem uma epifania: “E se fizéssemos aqui um festival de música para jovens?”.

Lá, na noite de fados de Coimbra, estavam presentes o presidente da câmara e um vereador. Num “impulso”, João Carvalho toma a iniciativa e apresenta a ideia aos autarcas. No dia seguinte têm uma reunião nos Paços do Concelho, onde lhes são dispensados “180 contos” (900 euros) do orçamento para montar o evento. Nasce o festival Paredes de Coura (PdC) que este ano celebra 25 edições que puseram a vila, que agora se confunde com o próprio festival, no mapa.

Eram 12 no início. Agora são três os fundadores que continuam a teimar em organizar o evento todos os anos: José Barreiro, Filipe Lopes e João Carvalho. O presidente da câmara já não é o mesmo. Quem lá está é Vítor Paulo Pereira, outro dos fundadores. O palco principal também já não é no mesmo sítio. No local onde se montou pela primeira vez é onde está actualmente o do Jazz na Relva, próximo da margem do rio onde João Carvalho voltou a mergulhar no dia em que visitamos Paredes de Coura, desta vez com roupa.

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A 20 de Agosto de 1993 tocavam ali ao lado os cabeças de cartaz Ecos da Cave, os “metaleiros” Gangrena, Boucabaca, Cosmic City Blues e os Purple Lips, compostos pelos irmãos Praça, na altura nos Turbojunkie, que por não poderem levar a banda toda apresentaram-se com outro nome. Todas as bandas foram contactadas a partir da cabine telefónica que existia no centro da vila, recorda João Carvalho, que até à terceira edição diz ter sido “o escritório do festival”. Foi o cartaz possível, com o orçamento que havia para o arranque do evento que nasce de “obra do acaso”.

Os contactos das bandas descobriram-nos na secção de divulgação do Blitz. “Na altura era a forma mais fácil de os conseguir”, conta. Apesar do orçamento limitado, a escolha foi consciente e apostaram em nomes que estavam a despontar no cenário musical nacional. Do dinheiro que tinham para gastar nada sobrou para o palco. Tiveram de o construir em madeira e montá-lo à custa de esforço próprio: “Nas primeiras edições, a meio da montagem, muitas vezes tínhamos de sacudir a terra da roupa para ir ao banco assinar um empréstimo para fazer um pagamento”.

Pouco havia para fazer em Paredes de Coura naquela altura. Do grupo de amigos, João Carvalho era dos poucos que estava na vila. Os outros estudavam fora. Lá, tinha um programa na Rádio Voz do Coura, onde passava The Cure e The Smiths. Dia de festa e “momento mágico” era quando ia ao posto dos Correios para levantar as encomendas que fazia com regularidade na Tubitek. A casa chegava com discos dos Diesel Park West, Gene Loves Jezebel, “que na altura eram uma banda boa”, dos The Sundays, Inspiral Carpets e “outras tendências da altura”. “Não havia outra forma de conseguir discos em Coura”, diz. Para combater o “isolamento” serviam também as reuniões para organizar o festival: “Nas três primeiras edições era um dos pretextos que tinha para arrastar para cá o pessoal que estava fora."

Em 1996 trazem as primeiras bandas internacionais, uma delas são os Shed Seven, para quem marcaram uma viagem a menos de avião no regresso dos britânicos a casa. “Era outra estrutura e eram outros tempos. Enquanto uns distraíam a banda, outros tentavam comprar um bilhete sem que ninguém reparasse." A coisa resolveu-se sem ninguém dar por isso. Tocaram ainda os Raincoats. Nesse ano mudam-se para o anfiteatro natural onde ainda é montado o palco principal. “A câmara não queria que estragássemos a relva e arranjou-nos um espaço maior." Na verdade, explica que o chamado “anfiteatro natural” sofreu intervenção humana: “Para aquilo ficar assim tiraram-se alguns camiões de terra."

Foi aí que tiveram a percepção de que o festival ia crescer. Monta-se um “palco a sério” e cobra-se pela primeira vez um bilhete. Mil escudos para três dias de festival com mais de uma dezena de bandas. “Naquela altura o valor da entrada ainda gerou discussão. Ninguém fazia aquilo por dinheiro. Tinha aquele medo serôdio de que com um bilhete as pessoas já não viessem”, recorda. No ano seguinte trazem um nome internacional de peso para encabeçar cada um dos dias, os Paradise Lost, Smoke City e Rollins Band. “Foi emocionante ver no local onde costumava brincar uma banda que até à altura só era possível ver na MTV. Caíram-me as lágrimas durante o concerto”, diz referindo-se à banda de Henry Rollins.

É em 1999, ano em que tocam os dEUS, Suede, Lamb e Mogwai, que há uma enchente com a qual ninguém contava. “Ficámos todos assustados. Começam a chegar camionetas cheias de gente e a empresa de transportes entra em pânico. Receámos que as infra-estruturas não aguentassem." Em cima do joelho alugam-se mais uns campos para poder acolher mais pessoas. É este o primeiro ano em que conseguem ter lucro. No final do festival surge a questão: “O que é que vamos fazer com este dinheiro todo?”. Distribuem parte dos lucros por algumas instituições do concelho e vão os quatro de férias juntos “passar um bom bocado”.

Aprenderam na edição seguinte que nada pode ser tomado como garantido. “Há uma chuva imensa e o festival correu muito mal, com um grande prejuízo no final. Aprendemos nesse ano a ser empresários. Se um ano dá não quer dizer que no outro a coisa funcione."

O mesmo acontece em 2004. Os LCD Soundsystem mudam-se para o palco principal na sequência do desabamento do secundário. A chuva não parava e por isso há uma reunião de emergência com o chefe da segurança, a empresa do sistema de som e de luz e a câmara. Toda a gente acha que o festival deve ser cancelado por estar em causa a possibilidade de um curto-circuito, de desabamento do palco principal e a segurança do terreno e das pessoas. Todos menos a organização: “Víamos cerca de quatro mil pessoas frente ao palco, algumas em roupa interior, a quererem ver concertos. Dissemos sempre que não." O festival continuou com um “prejuízo brutal”, que foi aumentando com o investimento para tratar da lama, reforçar o palco e a segurança e para comprar capas de chuva para distribuir pelo público. Para a história fica a imagem de Jon Spencer a pontapear a lama enquanto dizia que foi uma das melhores noites da carreira dos Blues Explosion, recorda João Carvalho, que o testemunhou.

Essa edição ficou também na memória de Luís Rocha, funcionário da Agrilcoura, na rua Bernardino António Gomes, que não se lembra de outra altura em que tivesse vendido tantas galochas ou plástico. “Foram sete rolos, cada um com 80 quilos. Esgotámos o stocke tivemos de recorrer a Braga para poder vender mais." Embora diga que este não seja o negócio da vila que mais beneficie com o festival, quando chove é enchente garantida: “Tivemos de fechar a porta e deixar entrar apenas alguns clientes de cada vez, tal era a enchente."

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O responsável pelo festival diz que talvez tenha sido a decisão de continuar com o evento até ao fim que contribuiu para a relação de respeito que foi sendo criada com o público. “Teria sido muito mais cómodo e menos dispendioso ter cancelado tudo. Acho que as pessoas perceberam isso."

No rescaldo desse ano, pela primeira vez, os fundadores questionam a continuidade do evento: “Foram dez segundos até mudarmos de opinião. Os anos de 2000 e 2004 foram muito importantes para fortalecer o festival”.

Ditaria o bom senso que a próxima edição fosse “mais pequena” ou que se tentasse primeiro “encontrar novo patrocinador”. Entendeu a organização que se “entrasse com tudo” e se garantisse o maior cartaz de sempre até à altura. Não fazê-lo seria “fragilizar” o festival. “Se acabar, acaba em grande”, foi o mote. É o ano de Queens of the Stone Age, Foo Fighters, Nick Cave, Pixies, The National, Arcade Fire, um dos melhores concertos que João Carvalho diz ter visto, Juliette & the Licks e da descoberta dos Wovenhand, que saltam para o palco principal depois do cancelamento dos Killing Joke. “Fazer um festival desta dimensão sem patrocinador é absolutamente surreal. Quando acabou, o lucro deu para pagar o telefone. Não deu para abater o prejuízo do ano anterior”, conta, mas deu para solidificar o festival e para o catapultar além fronteiras. “Entrou no roteiro internacional. Ganhámos uma nova alma”. Alma que se alastrou a toda a vila. Hoje o festival consegue garantir sempre casa cheia e encontrar patrocínio deixou de ser um problema.

O festival também se faz na vila

A faltar mais de uma semana para o festival, percorremos a pé as ruas de Paredes de Coura. Existe uma simbiose entre a vila e o festival, como se um e outro fossem uma e a mesma coisa. No Largo 5 de Outubro, a esplanada do café Carla já está preparada para os forasteiros, que costumam chegar uma semana mais cedo, diz-nos a proprietária, Maria Sousa. Há 30 anos que é comerciante e desde o início do evento que se habituou a receber caras desconhecidas na vila. Nos primeiros anos fazia o negócio num bar perto do recinto. A vila que não chega aos dez mil habitantes transforma-se em Agosto numa “cidade grande”, diz. “São duas semanas de festa." É a melhor altura do ano para o negócio e a “mais animada”. “O festival passou a ser a maior festa do concelho”, afirma.

Depois do largo, começa a “rua principal” que acaba na praça onde está a Câmara Municipal. A fachada do edifício está decorada com nomes de bandas do cartaz, feitos com luzes néon. Em frente, nuns bancos de pedra, está um grupo de courenses de gema, na faixa dos 60-70 anos. “É a vila do rock”, diz Isaura Bandeira. O grupo concorda. “Aqui toda a gente gosta do festival”, interrompe Franklin Loureiro. “Dantes ninguém conhecia a terra, agora até lá fora sabem que é onde se faz o rock”, volta Isaura à conversa.

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Há um orgulho na terra que surge na sequência do reconhecimento que o festival foi conquistando. Na Rua da Quinta Nova, não muito longe dali, está o Paulo's Bar, que Paulo Junqueira abriu há 24 anos, altura em que o festival começou. Esse orgulho está à vista de todos nas paredes do café. Estão lá quase uma dezena de cartazes de várias edições do festival. Já estiveram os cartazes todos, que foram guardados porque alguns “foram descolando”. Na “reserva” continua a coleccioná-los todos. Por altura do festival, Paulo fica “uma semana sem dormir” e quase sem sair do bar. Fê-lo uma vez. O Nick Cave tocava “lá em baixo” e aí “não havia outro remédio” se não deixar o bar nas mãos de outra pessoa para poder ver uma das suas referências a nível musical.

Toda a vila se envolve com o festival, diz João Carvalho. Ao longo dos anos foram também surgindo outras infra-estruturas que acompanharam o crescimento do evento. Exemplo disso é a Escola do Rock, projecto que lança o convite aos músicos nacionais para todos os anos poderem participar na banda criada por Nuno Ferros, também um dos fundadores do PdC, que este ano toca num dos palcos. Outro projecto na área da música criado nos últimos anos pela autarquia é a Caixa da Música, espaço de concertos com programação regular. Diz o organizador que há também bandas novas que vão sendo criadas.

Quem já frequentou o espaço localizado na praça frente ao edifício da câmara é José Castro, que está sentado na esplanada do Xapas Bar, local que já os fundadores frequentavam. Tem 32 anos e já foi “várias vezes” ao festival. Natural da vila só falta quando tem de trabalhar. Ao longo dos anos diz ter assistido a uma mudança nos hábitos dos courenses, “mais predispostos” a participar em eventos culturais. O festival diz ter contribuído para formar os gostos musicais dos que foram crescendo com o evento. Há agora um público mais exigente e “mal habituado”. “Há mais eventos durante o ano, mas muitos queixam-se de que não é suficiente. Quando o termo de comparação é o festival é difícil ficarmos satisfeitos."

Texto: André Vieira / Fotos: Paulo Pimenta / https://www.publico.pt/2017/08/11/culturaipsilon/noticia/e-se-fizessemos-aqui-um-festival-de-musica-para-jovens-1781696

MELGAÇO DÁ A CONHECER A HISTÓRIA DO MUNICÍPIO ATRAVÉS DE UM CLICK

Lançamento do catálogo do Arquivo Municipal Online

O Arquivo Municipal de Melgaço tem disponível um mecanismo virtual para o conhecimento da história do concelho, ligando o passado e o presente. Quem ainda não conhece o espólio documental de Melgaço tem agora a oportunidade à distância de um click: acompanhando os benefícios da evolução tecnológica na preservação documental, o Arquivo Municipal dispõe, desde o dia de hoje, de um Catálogo On-Line que proporciona uma maior facilidade no acesso à informação, a qualquer pessoa e em qualquer lugar do mundo.

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Com esta nova plataforma é possível localizar, consultar e aceder às descrições arquivísticas detalhadas e imagens digitais dos documentos presentes nos fundos e coleções do Arquivo Histórico; navegar a partir das estruturas hierárquicas e multinível; e ainda visualizar e navegar nas representações digitais dos documentos associadas aos registos. Nesta plataforma é possível encontrar documentação da Câmara Municipal e Administrações do concelho de Melgaço e Castro Laboreiro, da Secção da Guarda Fiscal de Melgaço, das Assembleias Municipal e Distrital, de algumas Escolas Primárias e Juntas de Freguesia, de Confrarias, entre outras instituições concelhias. É ainda possível visualizar a enorme coleção de postais antigos do concelho, recentemente adquiridos ao solicitador e colecionador, Óscar Marinho.

‘Com esta plataforma permitimos a todos conhecerem a vida e a história de Melgaço, das nossas gentes, das tradições e costumes. É sem dúvida uma mais-valia para a preservação da história do município.’, afirma o autarca, Manoel Batista.

A consulta do Catálogo On-Line em http://arquivo.cm-melgaco.pt/ conta com 72 fundos arquivísticos disponíveis e mais de 5 mil imagens digitalizadas, dos mais diversos documentos e períodos históricos. As ferramentas de pequisa são extremamente simples e intuitivas para todos os utilizadores.