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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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RANCHOS FOLCLÓRICOS DO MINHO PEREGRINAM AO SANTUÁRIO DE FÁTIMA

Centenas de ranchos folclóricos rumaram hoje em peregrinação ao Santuário de Fátima. No recinto, milhares de pessoas, provenientes de todo o território português e das comunidades radicadas no estrangeiro, desfilaram com os trajes domingueiros característicos das suas regiões, numa clara demonstração de fé e tradição. Tratou-se da XV Peregrinação Nacional, organizada pela Federação do Folclore Português e da Associação Folclórica da Região de Leiria - Alta Estremadura, todos os anos se realiza por esta altura.

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Agrupados por regiões, os ranchos folclóricos desfilaram a partir do Parque nº 8 até ao Recinto de Oração onde teve lugar a recitação no rosário junto à Capelinha das aparições e, após a procissão para o altar, a celebração da eucaristia, no Recinto de Oração do Santuário de Fátima.

Qualquer que seja a crença religiosa seguida por muitos componentes de grupos folclóricos, a religiosidade cristã de confissão católica é unanimemente reconhecida como constituindo a matriz cultural do nosso povo e, como tal, deve ser perservada também no domínio etnográfico, à semelhança dos vestígios de culturas e religiosidades mais ancestrais.

Fotos: Manuel Santos17952900_1410090292367969_3269689100432736439_n.jpg

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JOÃO ALPUIM BOTELHO PROFERE EM LOURES PALESTRA SOBRE O TRAJE À LAVRADEIRA DO ALTO MINHO

A iniciativa é do Grupo de Folclore Verde Minho

“O Uso do Traje à Lavradeira: os Afectos e as Regras” é o tema da palestra que o Dr. João Alpuim Botelho vai proferir no próximo dia 7 de Maio, a partir das 15 horas, em Loures, a convite do Grupo Folclórico Verde Minho. A iniciativa é aberta ao público em geral e deverá ter lugar no auditório do Palácio dos Marqueses da Praia e Monforte, junto ao Parque da Cidade, a contar com a presença de representantes do município de Loures, entidades ligadas ao folclore e ao regionalismo minhoto, conhecidos museólogos, etnólogos e outros estudiosos do nosso folclore.

A iniciativa é aguardada com grande expectativa, tratando-se o palestrante além do mais, anterior director do Museu do Traje de Viana do Castelo e um dos autores da obra “Uma Imagem da Nação – Traje à Vianesa”, editado pela Câmara Municipal de Viana do Castelo, sendo actualmente responsável pelo Museu Bordalo Pinheiro, da Câmara Municipal de Lisboa.

João Alpuim Botelho nasceu em 1967, em Viana do Castelo. Licenciado em História (FLL, 1989), possui o Mestrado em Museologia, tendo defendido uma tese sobre “Panorama Museológico do Alto Minho” (U.N.L., 2007).

Desde 1991, trabalha na Câmara Municipal de Viana do Castelo e, desde 1999, foi responsável pelo Museu do Traje, criado em 1997, com a gestão e direção da instalação e processo de adesão à Rede Portuguesa de Museus concluído em 2004.

No âmbito da sua atividade no Museu do Traje realizou cerca de 20 exposições de temática etnográfica, ligada à investigação e pesquisa da vida rural tradicional e da identidade alto minhota.

Publicou, entre catálogos e artigos, cerca de 50 trabalhos sobre a mesma temática. Destes trabalhos relevo a edição de Uma Imagem da Nação, O Traje à Vianesa, com Benjamim Pereira e António Medeiros (ed CMVC, 2009)

Ainda no âmbito dos Museus desenvolvi um conjunto de Núcleos Museológicos situados nas freguesias do Concelho de Viana do Castelo, que dispõe de cinco em funcionamento (Moinhos de Vento de Montedor, em Carreço; Moinhos de Água, em S.L. Montaria; do Pão, em Outeiro; do Sargaço, em Castelo de Neiva; das actividades Agro-Marítimas, em Carreço) estando esta rede em permanente alargamento.

Desde Julho de 2009 sou Chefe de Divisão de Museus da Câmara Municipal de Viana do Castelo, tendo a meu cargo dois Museus que integram a Rede Portuguesa de Museus: o Museu de Arte e Arqueologia e o Museu do Traje

Iniciou a sua vida profissional no Centro Nacional de Cultura com Helena Vaz da Silva, no Dep de Divulgação Patrimonial em 1990/91. Entre 1995 e 2002 deu aulas no Curso de Turismo da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do IPVC de História de Artes e Ofícios Tradicionais, Animação Cultural e Património e Museologia.

Entre 2002 e 2005, foi Diretor Executivo da Culturporto – associação de produção cultural privada, financiada pela Câmara Municipal do Porto, responsável pela gestão do Teatro Rivoli e pela Animação da Cidade. Durante este período, e para além da atividade normal do teatro Rivoli, organiza o projeto Bairros - projeto de criação artística com crianças de bairros desfavorecidos, a Festa na Baixa, conjunto de atividades de animação e divulgação do património da Baixa do Porto, o Capicua 2002, Ciclo de programação comissariado por Eduardo Prado Coelho, o Pontapé de Saída, ciclo de programação de encontro entre as artes e o futebol, no âmbito do Euro 2004, Colóquio Encenação do Passado, com Marc Augé, Vítor Oliveira Jorge, Jorge Freitas Branco, Nuno Carinhas, Abertura da Livraria do Rivoli, primeira livraria do Porto dedicada às Artes de Palco, Fundação da Sem Rede, Rede de Programação de Novo Circo, para a divulgação da disciplina de novo circo, integrada por 13 espaços culturais.

Integrou o Grupo de Trabalho para a Animação da Cidade durante o Euro 2004, criado pela Câmara Municipal do Porto para a coordenação da animação da cidade durante o Campeonato Europeu de Futebol e também a Comissão Executiva da exposição Homenagem a Fernando Galhano: 1904 -1994, na Biblioteca Almeida Garrett, em Novembro de 2004.

Realizou a Exposição Sala do Oriente de José Rodrigues Proposta para uma viagem, no Convento de S. Paio, Vila Nova de Cerveira, em Dezembro de 2006.

RUSGA DE SÃO VICENTE DE BRAGA MOSTRA "LENÇOS DE AMOR"

A exposição "Lenços de Amor, versos ao PAI: Do Pai da terra, ao Pai do Céu", irá prolongar-se até ao dia 7, sexta, do próximo mês de abril nos 4 pontos expositivos  onde esta se encontra. Atrio da Fundação INATEL em Braga, Av. Central, nº 77, Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Católica Portuguesa em Braga, sita na Praça da Faculdade de Filosofia (Largo das Teresinhas), nº 1, Agrupamento de Escolas Sá de Miranda, rua Dr. Domingos Soares e, o edifício 15, Instituto de Ciências Sociais do 'Campus de Gualtar' da Universidade do Minho. Os horários de abertura ao público, dos pontos expositivos, continuam a ser os respetivos horários de funcionamento de cada uma das instituições parceiras.

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Novo ponto expositivo

A partir da próxima segunda-feira, dia 3 de abril, a ExproMinho - Escola Profissional do Minho, sita na, Av.do Cávado, nº 48 e 54, S. Vicente, receberá o 5º ponto expositivo, atendendo à especificidade de alguns cursos ligados à área do estilismo/moda, ministrados por aquele estabelecimento de ensino profissional.

Esta exposição resulta, ou melhor, é consequência, do sucesso alcançado, com a realização da primeira exposição sob a designação; “Lenços de Amor, versos à Mãe”, levada a efeito em 2011, também em três espaços públicos da cidade. Das apreciações positivas então recolhidas, foram significativas as inúmeras solicitações de voltar a repor aquele projecto expositivo. Quer pelo carácter inovador que o mesmo apresentava, - ao nível das novas linguagens e abordagens plásticas -, quer na singularidade da reinterpretação da temática dos “Lenços de Amor” e/ou Lenços Temáticos".

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Assim, Dona Esperança, a “bordadeira de serviço”, logo acedeu ao repto lançado. Só que desta vez, em vez da Mãe, quem iria ser  iria ser contemplado seria o Pai. Dito e feito. As peças, ou melhor, os 50 “Lenços de Amor” dedicados ao Pai, mais que um mero produto artístico, traduzem sentimentos e estados d’alma da própria. As quadras, a cor das linhas usadas e os motivos a que recorre, tudo faz parte de um jogo policromático, que tem por único objectivo, enaltecer, reconhecer e agradecer ao seu e, aos restantes Pais do mundo.

Paralelamente à exposição, é sempre levado a efeito uma edição dos nossos "Serões no Burgo/Tertúlias Rusgueiras", inerente à temática em questão, cujo tema será: - "Lenços de Amor, versos ao Pai - Os afectos no masculino...".

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BRASÕES MUNICIPAIS FORAM CRIADOS NA DÉCADA DE TRINTA DO SÉCULO PASSADO E NÃO DEVEM SER INCLUÍDOS NO TRAJE TRADICIONAL

A inclusão dos brasões dos concelhos nos trajes tradicionais constitui uma adulteração da autênticidade dos mesmos uma vez que a sua criação remonta à década de trinta do século XX ou seja, a um época posterior àquelas que os próprios trajes representam. Não obstante, muitos grupos folclóricos têm vindo a apresentá-los nos aventais dos trajes de lavradeira e até nos de mordomia.

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Não é a primeira vez que aqui nos referimos a esta adulteração e, lamentavelmente, continuamos a assistir a esta má representação em grupos folclóricos que pretendem representar uma região com grandes pergaminhos a nível da cultura tradicional, como sucede neste caso com o Grupo de Danças e Cantares de Ponte de Lima.

Fazemos votos para que entendam a crítica como construtiva!

Fotos: José Costa Lima

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NAZARÉ DANÇA NO FOLKLOURES’17

O Grupo Etnográfico Danças e Cantares da Nazaré vai no próximo dia 1 de Julho participar no FolkLoures’17 – Encontro de Culturas, uma grandiosa iniciativa de cariz tradicional organizada pelo Grupo Folclórico Verde Minho em colaboração com a Câmara Municipal de Loures, a ter lugar por ocasião das festas do concelho de Loures. Trata-se de um evento que privilegia o folclore da região saloia e ainda de todo o país e das comunidades que constituem actualmente o mosaico social e cultural da região, contribuindo para a inclusão e a promoção da paz entre os povos através do encontro das suas culturas tradicionais.

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Fundado em 25 de Julho de 1997, o Grupo Etnográfico Danças e Cantares da Nazaré foi admitido como sócio do Inatel em Junho de 1999 e da Federação do Folclore Português em Janeiro de 2001.

Fazendo da componente etnográfica a ligação com o período que representa, 1920 a 1940, este grupo, através das actuações que tem efectuado por todo o país e no estrangeiro, transporta a Nazaré nos seus usos, costumes, danças e cantares.

Tendo como preocupação dominante o manter as tradições da Nazaré, o Grupo Etnográfico Danças e Cantares da Nazaré tem vindo a desenvolver profundo trabalho na pesquisa do traje e da tradição oral, procurando através da sua representação mostrar os usos e costumes da Nazaré do passado.

Além do Grupo Etnográfico Danças e Cantares da Nazaré, a edição deste ano do FolkLoures vai contar com a participação do Rancho da União Cultural e Folclórica da Bobadela – Loures, grupo de folclore da Associatia Miorita Portugalia em representação da comunidade moldava radicada no nosso país, a Associação Tira-me da Rua (ATR) – Brasil que apresentará a tradicional dança da capoeira, o Grupo de Danças e Cantares da Madeira, Grupo Coral Os Ceifeiros de Cuba – Alentejo e do Grupo Folclórico O Cancioneiro de Ovar – Beira Litoral, para além naturalmente do anfitrião Grupo Folclórico Verde Minho.

O FolkLoures tem início no dia 24 de Junho com a realização de uma exposição e de uma palestra, prolongando-se durante toda a semana até ao dia 1 de Julho, altura em que tem lugar o espectáculo de culturas tradicionais.

Com efeito, realiza-se no Museu Municipal de Loures uma exposição subordinada ao tema “Carroças da Região Saloia”, a ter lugar nas instalações do próprio museu, com inauguração prevista no dia 24 de Junho, pelas 16 horas. A exposição tem entrada gratuita e ficará patente ao público, até ao dia 1 de Julho, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00 (Excepto à Segunda-feira).

Ainda no dia 24 de Junho, a Historiadora e Museóloga Prof. Doutora Ana Paula de Sousa Assunção profere uma palestra subordinada ao tema “Usos e Costumes Tradicionais da Região Saloia”, a ter lugar no Auditório do Museu.

O Museu Municipal de Loures encontra-se instalado na Quinta do Conventinho, sita na Estrada Nacional, 8, em Santo António dos Cavaleiros, a escassos 4 quilómetros de Loures, um edifício conventual contruído na segunda metade do século XVI.

Mais do que qualquer outra manifestação de índole cultural e desportiva, é o Folclore a forma de expressão cultural que melhor contribui para a paz entre os povos, no respeito das suas diferenças e identidade.

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NAZARÉ DANÇA NO FOLKLOURES’17

O Grupo Etnográfico Danças e Cantares da Nazaré vai no próximo dia 1 de Julho participar no FolkLoures’17 – Encontro de Culturas, uma grandiosa iniciativa de cariz tradicional organizada pelo Grupo Folclórico Verde Minho em colaboração com a Câmara Municipal de Loures, a ter lugar por ocasião das festas do concelho de Loures. Trata-se de um evento que privilegia o folclore da região saloia e ainda de todo o país e das comunidades que constituem actualmente o mosaico social e cultural da região, contribuindo para a inclusão e a promoção da paz entre os povos através do encontro das suas culturas tradicionais.

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Fundado em 25 de Julho de 1997, o Grupo Etnográfico Danças e Cantares da Nazaré foi admitido como sócio do Inatel em Junho de 1999 e da Federação do Folclore Português em Janeiro de 2001.

Fazendo da componente etnográfica a ligação com o período que representa, 1920 a 1940, este grupo, através das actuações que tem efectuado por todo o país e no estrangeiro, transporta a Nazaré nos seus usos, costumes, danças e cantares.

Tendo como preocupação dominante o manter as tradições da Nazaré, o Grupo Etnográfico Danças e Cantares da Nazaré tem vindo a desenvolver profundo trabalho na pesquisa do traje e da tradição oral, procurando através da sua representação mostrar os usos e costumes da Nazaré do passado.

Além do Grupo Etnográfico Danças e Cantares da Nazaré, a edição deste ano do FolkLoures vai contar com a participação do Rancho da União Cultural e Folclórica da Bobadela – Loures, grupo de folclore da Associatia Miorita Portugalia em representação da comunidade moldava radicada no nosso país, a Associação Tira-me da Rua (ATR) – Brasil que apresentará a tradicional dança da capoeira, o Grupo de Danças e Cantares da Madeira, Grupo Coral Os Ceifeiros de Cuba – Alentejo e do Grupo Folclórico O Cancioneiro de Ovar – Beira Litoral, para além naturalmente do anfitrião Grupo Folclórico Verde Minho.

O FolkLoures tem início no dia 24 de Junho com a realização de uma exposição e de uma palestra, prolongando-se durante toda a semana até ao dia 1 de Julho, altura em que tem lugar o espectáculo de culturas tradicionais.

Com efeito, realiza-se no Museu Municipal de Loures uma exposição subordinada ao tema “Carroças da Região Saloia”, a ter lugar nas instalações do próprio museu, com inauguração prevista no dia 24 de Junho, pelas 16 horas. A exposição tem entrada gratuita e ficará patente ao público, até ao dia 1 de Julho, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00 (Excepto à Segunda-feira).

Ainda no dia 24 de Junho, a Historiadora e Museóloga Prof. Doutora Ana Paula de Sousa Assunção profere uma palestra subordinada ao tema “Usos e Costumes Tradicionais da Região Saloia”, a ter lugar no Auditório do Museu.

O Museu Municipal de Loures encontra-se instalado na Quinta do Conventinho, sita na Estrada Nacional, 8, em Santo António dos Cavaleiros, a escassos 4 quilómetros de Loures, um edifício conventual contruído na segunda metade do século XVI.

Mais do que qualquer outra manifestação de índole cultural e desportiva, é o Folclore a forma de expressão cultural que melhor contribui para a paz entre os povos, no respeito das suas diferenças e identidade.

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FOLKLOURES’17: MUSEU MUNICIPAL DE LOURES EXPÕE “CARROÇAS DA REGIÃO SALOIA”

O Museu Municipal de Loures participa no FolkLoures’17 com a realização de uma exposição subordinada ao tema “Carroças da Região Saloia”, a ter lugar nas instalações do próprio museu, com inauguração prevista no dia 24 de Junho, pelas 16 horas. A exposição tem entrada gratuita e ficará patente ao público, até ao dia 1 de Julho, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00 (Excepto à Segunda-feira).

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Ainda no dia 24 de Junho, a Historiadora e Museóloga Prof. Doutora Ana Paula de Sousa Assunção profere uma palestra subordinada ao tema “Usos e Costumes Tradicionais da Região Saloia”, a ter lugar no Auditório do Museu.

O Museu Municipal de Loures encontra-se instalado na Quinta do Conventinho, sita na Estrada Nacional, 8, em Santo António dos Cavaleiros, a escassos 4 quilómetros de Loures, um edifício conventual contruído na segunda metade do século XVI.

Constituído em 26 de julho de 1998, o Museu encontra-se instalado no 13.º convento dos frades franciscanos da Província de Santa Maria da Arrábida, apresentaposições de  exposições de temática arqueológica e etnográfica, com o intuito de dar a conhecer a realidade e a vivência das populações rurais do município de Loures, assim como a sua história. Possui duas salas de exposições, oficinas, reservas visitáveis, um centro de documentação especializado em história local, loja, cafetaria com esplanada, parque de estacionamento e acesso para pessoas com mobilidade reduzida.

O FolkLoures apresenta um programa cultural rico e diversificado que, sob o impulso e capacidade organizativa do Rancho Folclórico Verde Minho, catapulta o concelho de Loures para a ribalta da cultura tradicional portuguesa.

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FOLKLOURES’17: HISTORIADORA ANA PAULA ASSUNÇÃO PROFERE PALESTRA SOBRE “USOS E COSTUMES DA REGIÃO SALOIA”

A Historiadora e Museóloga Prof. Doutora Ana Paula de Sousa Assunção profere uma palestra subordinada ao tema “Usos e Costumes Tradicionais da Região Saloia”, a ter lugar no Auditório do Museu do Museu Municipal de Loures, no dia 24 de Junho, pelas 16h30. A iniciativa insere-se no programa do FolkLoures’17 – Encontro de Culturas que se prolonga até ao dia 1 de Julho, altura em que tem lugar um grandioso festival de cultura tradicional no Parque da Cidade, em Loures.

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O Museu Municipal de Loures encontra-se instalado na Quinta do Conventinho, sita na Estrada Nacional, 8, em Santo António dos Cavaleiros, a escassos 4 quilómetros de Loures.

A Prof. Doutora Ana Paula de Sousa Assunção é historiadora e museóloga, Mestre em História Regional e Local pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. É autora de programas museológicos, reformulações de programas e criação de serviços inovadores. Conceção científica do Centro UNESCO A casa da terra. Comissária de exposições de vária índole com museografia de inclusão e género.

Tem como áreas científicas preferenciais a História Local, Saúde, Património industrial (com destaque para Fábrica de Loiça de Sacavém, Oliveira Rocha/Oliveira do Bairro), Património Cultural Imaterial, Património Religioso /obra de arte total – Cripto -história. Exerceu voluntariado na Igreja Matriz de Bucelas com descobertas de cariz científico sobre entalhador, Francisco Lopes. (Artigo no prelo). Musealização da Igreja e interpretação dos espaços em visitas.

Pelo seu trabalho, tem recebido várias distinções de Mérito Cultural e Prémios no campo da Museologia a nível nacional e internacional.

Nesse mesmo dia e local, terá ainda lugar outra iniciativa cultural integrada no programa da edição deste ano do FolkLoures, a qual contamos divulgar muito brevemente. Trata-se, pois, de um programa cultural rico e diversificado que, sob o impulso e capacidade organizativa do Rancho Folclórico Verde Minho, catapulta o concelho de Loures para a ribalta da cultura tradicional portuguesa.

CANÁRIAS: UMA PROFUNDA INFLUÊNCIA PORTUGUESA

No seguimento do artigo intitulado A ascendência portuguesa dos canarinos, como já dissemos, antes de publicar o artigo: “Ares de Lima” género da música tradicional das Ilhas Canárias de origem minhoto, queremos especialmente, descrever um pouco aos leitores e seguidores deste ótimo blogue, a profunda influência portuguesa na cultura do povo canarino que é o resultado determinante da participação dos portugueses na conquista e posterior colonização das Ilhas Canárias.

DIALETO    

Como descrevemos no nosso primeiro artigo, a pesar de os portugueses serem numerosos e maioritários em muitos povos, vilas e cidades das Ilhas Canárias, após da conquista e posterior colonização, nunca alcaçaram o poder e junto dos guanches e outros colonizadores, foram castelhanizados. Como terrível consequência da imposição do castelhano, a língua dos que tinham o poder, o português e o guanche não se arraigaram nas Ilhas Canárias, nem surgiu um crioulo de base ibérica como o papiamento das Antilhas Neerlandesas ou de base portuguesa como o cabo-verdiano de Cabo Verde e outros de outras ilhas do Atlántico. Foi lamentável, pois hoje o guanche não seria uma língua morta e os canarinos tivessem sido triglotas. Contudo, a formosa língua de Camões, José Saramago mais outros grandes escritores lusos, deixou muitas palavras e expressões no espanhol falado nas Ilhas Canárias. Da mesma forma, influiu em algumas estruturas gramaticais, tal vez, os canarinos não usam o pronome pessoal reto da segunda pessoa do plural vós e, a sua correspondente forma verbal, por influência do português, onde acontece a mesma situação. No que toca à fonologia é menor o contributo, porque neste ramo da linguística o dialeto canarino foi mais influenciado pelo andaluz e, a influência andaluza é quase a mesma que a recebida pelo barranquenho, mas no dialeto canarino puro, o que se fala nos povos do interior das ilhas maiores e em muitos povos das ilhas menores pelas pessoas mais idosas, ainda é possível escutar a elevação da vogal átona o, conforme às regras do processo do vocalismo átono próprio do português europeu: /o,ɔ/ fonológicos realizam-se como [u] fonético, e dizer, em uma linguagem menos técnica, os o átonos (não acentuados), são pronunciados como u, exemplos: andoriña “andorinha” folelé “libélula”, camino “caminho” = anduriña, fulelé e caminu, e algumas vezes com a evolução do português para o canarino, os termos portugueses são escritos conforme à pronúncia: papas turradas de la fogalera “batatas torradas da fogueira”. Igualmente sucede nos lusitanismos a perda de silabicidade das vogais átonas altas [i] e [u] em hiato, quando ocorrem antes de outra vogal qualquer, são substituídas pelas semivogais correspondentes [j] e [w] e o dialeto canarino toma em conta este fenómeno fonológico na escrita: mágoa = magua, Eanes = Yanes, Soares= Suárez, é o que seria uma semivocalização das vogais átonas que geram uma ditongação, um ditongo crescente: ea = ia ou ya e oa= ua, há linguistas que afirmam que no português europeu não existem tais ditongos, mas no espanhol sim. Finalmente, segundo o professor palmense D. Pedro Nolasco Leal Cruz, autor do livro intitulado: El español tradicional de La Palma, La modalidad hispánica en la que el castellano y el portugués se cruzan y se complementan, em 20 de fevereiro de 2017 no site: www.eldiario.es/lapalmaahora/.../espanol-tradicional-profesor-Nolasco_0_603690508... ressalta que «a única e grande diferença que tem o espanhol de La Palma com referência ao de outras ilhas é que em aquele o português tem feito muita mais mossa que nas demais, até o ponto que pudo ser considerado uma língua crioula como o foi o papiamento de Curaçao”. “ A Ilha conserva quase o 100% dos portuguesismos canarinos. É sem lugar a dúvidas o lugar idóneo para estudar melhor a influência do português a nível insular». Certas são as palavras do professor, pois nalguns povos da ilha de La Palma, ainda é possível ouvir o infinitivo pessoal que não existe no espanhol e outras estruturas da língua portuguesa, grande foi a impressão na ilha bonita, que na linguagem coloquial, os habitantes da sua capital Santa Cruz de La Palma, são conhecidos popularmente como portugueses e, uma das razões é, porque dizem que falam como eles. 

PSICOLOGIA 

A profunda influência portuguesa é em todos os aspetos da cultura do povo canarino, mas é a impregnação guanche e lusa a que faz dos canarinos serem diferentes do resto dos espanhóis. Como em Portugal, a família é o centro da vida nas Ilhas Canárias, apesar de os velhos costumes estarem a mudar, em particular nas cidades, é normal verem-se três e quatro gerações sob um mesmo teto, onde a mãe exerce um papel fundamental pela sua excessiva maternidade e, quiçá por esta razão, os canarinos têm um carinho especial pelas crianças, ¡Mi niño! “O meu menino!” ou ¡Mi niña! “A minha menina!” é uma expressão quotidiana das Ilhas que se emprega carinhosamente com os meninos e algumas pessoas adultas. Os canarinos são sérios e em muitos casos melancólicos, mas a relação social está baseada no bom humor. Um humor socarrón, “socarrão” com o significado na língua espanhola de pessoa que se exprime de maneira dissimulada e com aparência de ingenuidade e não com o signifacado de velhaco ou intrujão em português.  Um Humor irónico e indireto quase sempre encaminhado aos órgãos e relações sexuais, outras partes do corpo e certas ações engraçadas. O canarino utiliza esse humor como válvula de escape para evitar um conflito. Uma vez estávamos a esperar na charcutaria de um supermercado e uma das charcuteiras disse um número e, como ninguém respondeu, passou ao seguinte e antão, um senhor empertigado com muita arrogância exclamou: -Eu tinha o número anterior, não me viu que estava a olhar para si!-, a charcuteira imediatamente contestou:  -O Senhor tem razão, exatamente, eu vi que o senhor estava a olhar para mim!-. Apanhou o fiambre da fiambreira, para o levar à vitrina refrigerada e com um ligeiro e irónico sorriso disse: -Mas eu não sei se esse estranho e intenso olhar tinha outras intenções!- Todos os que esperávamos pelo nosso turno, começamos a rir às gargalhadas, até o teso senhor, foi a fórmula perfeita para findar a disputa. Alguns estudiosos e investigadores já declararam que é um humor de origem galaico-português. No entanto, por detrás dos sorrisos e muitas vezes as risadas ruidosas e prolongadas, há um muito enraizado aspeto da psique canarina que os próprios canarinos denominan magua, em português mágoa, o vocábulo do dialeto canarino mais querido que tem os mesmos significados que em português e, em todo o arquipélago canarino, é a nossa saudade, essa espécie de melancolia etérea que parece ansiar algo perdido ou inatingível caraterística dos portugueses, a morriña dos galegos, a nostalgia ou añoranza dos espanhóis, mas nas Ilhas Canárias tem outros significados. Ficar com magua, algumas vezes é ficar com ganas de comer algo, nas Ilhas Canárias os meninos não podem passar fome nem é correto comer na frente de uma criança sem convidá-la porque é desaprovado. Uma vez, na central de camionetas de São Cristóvão da Lagoa estava com os meus filhos ao meio-dia e um senhor tinha um cacho de bananas e estava a comer, acho que os meus filhos estavam a olhar para ele e o homem veio e deu-lhe uma banana e disse: -¡Cómanse el platanito mis niños que están esmayaditos!- “Comam-se as bananas os meus meninos que estão com fome!”, e logo olha para mim e disse: -¡No los podía dejar con la magua!.- “Não os podia deixar com a mágoa!”. Só na ilha de La Palma magua também é utilado com o significado de nódoa ou marca produzida por contusão e, na ilha de Lanzarote, o verbo maguarse “magoar-se” além do sigificado que tem em todas as ilhas, é aplicado para dizer que uma rês fica sem leite em uma teta. Ao longo da história, as Canárias foi a ponte entre a Península Ibérica e América. Muitos canarinos emigraram desde o século XVI e contribuíram à colonização da América, o destino foi sobretudo Cuba, Porto Rico, Venezuela, República Dominicana, Uruguai e os estados de Luisiana e Texas nos Estados Unidos da América, o povo canarino como os outros povos galaico-portugueses, é um povo emigrante. 

GASTRONOMIA 

A gastronomia canarina tem muito da portuguesa, o gofio “farinha obtida de trigo, milho e outros ceriais torrados” é o alimento principal herança do povo guanche, mas depois são as batatas e, o segundo símbolo cultural da cozinha canarina, são as papas arrugadas “batatas enrugadas” cozidas com casca em água com muito sal, que possívelmete têm a sua origem no gosto dos portugueses de cozinhar as batatas com sal no forno, como são as batatas a murro. Quase todos os canarinos acham que o puchero ou zancudo “cozido canarino” é descendente do cozido madrilenho, mas é mais semelhante ao cozido de grão à moda do Alentejo ou à algarvia, a diferença é que no puchero ou zancudo canarino, nos seus ingredientes há mais vegetais: cove, batata, batata-doce, feijão-verde, chuchu, bogango ou curguete, cenoura, abóbora, pera e espiga de milho tenro). Sem dúvida alguma, o rancho canarino é herdeiro do português e o gosto pelo peixe seco e salgado que nas Canárias é jareado, não há mil e uma maneiras de fazer o bacalhau, mas temos o sanchocho de cherne, cozido em água e outros condimentos e acompanhado com papas arrugadas e molho verde ou vermelho ou o pescado salado en encebollado, peixe salgado, geralmente: bacalhau, cherne ou corvina, com cebolada canarina que é a base de quase todos os pratos: cebola, alho, pimento verde, pimeto vermelho e tomate frito em óleo e temperado com sal, pimenta, orégão, tomilho, loureiro e colorau, o peixe é fervido com a cebolada e um bocadinho de água e vinho branco ou antes as postas do bacalhau são passadas por farinha de trigo e douradas no azeite, neste caso, o azeite é usado para fritar a ceboladaporque assim dá mais sabor, este prato com as papas arrugadas é muito saboroso. São as duas formas mais típicas e é um evidente legado português, como também é o molho de coentros, o gosto e uso do milho na culinária, os cominhos e outros condimentos. O molho de coentros pode ser à moda antiga: alhos, coentros, pimenta, óleo e vinagre feito à mão com os ingredente picados com faca em bocados muito pequenos ou triturados em almofariz; o atual molho é feito com varinha mágica com mais outros ingredientes: pimento verde, limão, cominhos, água e abacate que o deixam cremoso, as papas arrugadas com este molho são deliciosas. É possível dizer que os pratos mais representativos da gastonomia canarina são portugueses. A entrada pode ser o queijo palmense (da ilha de La Palma) ou majorero (da ilha de Fuerteventura) grelhado e servido com molho de coentros ou molho vermelho, o almogrote gomero da ilha de La Gomera com pão no forno a lenha ou as rodelas de tomate canarino temperadas com alho, óleo vinagre e oregão. O primeiro plato é o Puchero ou Zancudo, o segundo prato o Sancocho ou Pescado Salado com papas arrugadas e o frangollo de sobremesa, uma espécie de aletria feita com rolão de milho com leite, ovos, açucar, manteiga, um pedaço de casca de limão, um pau de canela, amêndoas e passas, de consistência compacta como nas Beiras que se pode cortar em fatias ou cremosa como no Minho, na travessa polvilha-se com canela e no prato pode ser servido juntamente com mel ou guarapo “mel da palmeira canarina” e acompanhado com uma mistela. Além da sobremesa típica há outras: o leite assado e queijinho, que se parece ao pudim abade de Priscos, ovos moles, flan, natillas, arroz-doce, mais outros muito gostosos e uma doçaria importantíssima: bienmesabe de Gran Canaria, rapaduras equeijo de amêndoas de La Palma, quesadillas de El Hierro, tortas de La Gomera (são como bolachas) mais outros; também os das Festas de Natal, Carnaval, Semana Santa: Trutas (são como empadas) com recheio de batata-doce com amêndoas ou doce de chila, rosquilhas, filhó de abóbora ou banana, torrijas, biscoitos, bolos, merengue assado e muitos mais. Nesta reifeição tradicional dos três pratos típicos mais entrada, não pode faltar a pella (bola) de gofio e o vinho do país ou da terra. Atualmente, com a regulação do colesterol para seguir uma dieta saudável, com o Puchero ou Zancudo sem entrada e tal vez com sobremesa é suficiente, como dizem alguns minhotos: -¡Já chega!-. A atriz canarina Lili Quintana, no programa de humor da televisão autonómica das Ilhas Canárias En Clave de Ja com a sua personagem de Chona, disse que um dia foi almoçar a um reataurante canarino, comeu queijo, gofio e um pão inteiro com almogrote gomero de entrada, um prato encolmado como dizemos nas Canárias “repleto” de puchero e outro de sancocho com muitas papas arrugadas e molho colorado “vermelho, tomou vários copos de vinho, um prato de frangollo com mistela de banana de sobremesa e, após de se tomar o café, quando ela chegou à sua casa se comeu um iogurte activia para compensar a embostada “o empanturramento”. 

 ARQUITETURA 

A arquitectura tradicional canarina é uma variante da arquitetura tradicional da Macaronésia de base alentejana e algarvia em relação ao âmbito rural, no arquipélago canarino nas casas terréas rurais é possível ver as cercaduras das janelas, os frixos das esquinas chamados faixas, barras ou riscas e os rodapés a cor azul das casas alentejanas e as chaminés do Alentejo e do Algarve. As casas da ilha de Lanzarote, escolhida pelo Nobel de Literatura português como última morada, têm umas chaminés que relembram muito às algarvias.

Nas duas fotografias a seguir mostramos o aporte cultural alentejano, na primeira foto uma casa tradicional de Pedro Álvarez, freguesia do concelho de Tegueste no nordeste da Ilha de Tenerife. É a casa camponesa de dois andares em estado ruinoso do mais puro estilo arquitetónico tradicional canarino, variante do estilo colonial macaronésio. Nesta casa ainda é possível ver um vestígio da faixa azul, janela de guilhotina e a frontaria está rematada na sua parte superior com um beiral, prolongação do telhado, formado por uma fileira de telhas. Foto de Tegueste Guía Turística publicada pela Ilustre Câmara Municipal da Vila de Tegueste em fevereiro de 2002. Na segunda fotografia realizada por Naim Acosta, pode-se ver uma casa tradicional de Valle de Guerra, freguesia do concelho de São Cristóvão da Lagoa situada na comarca nordeste da ilha de Tenerife. Esta casa térrea é do estilo chamado de transição, em finais do século XIX e princípios do século XX. Tem uma frontaria com janelas de tipo abatíveis e postigos interiores, parapeito cego que oculta o telhado de telha marselhesa, rematado por cordão de alvenaria e uma cornija do mesmo material ou de tijolo maciço de argila avermelhado pintado a azul como as faixas e rodapé, as janelas e portas não têm cercadura a azul, porque são de madeira.

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Nas vilas e cidades há influência de outras regiões ou províncias de Portugal, calçada empedrada, janelas, portas e varandas, ornamentos de arte manuelina e outras caraterísticas que trouxeram os portugueses, um belo exemplo de decoração manuelina é a frontaria da igreja da Nossa Senhora da Asunção da cidade de São Sebastião da Gomera, capital da ilha de La Gomera e a torre da basílica da Nossa Senhora do Pinheiro em Teror, padroeira da Ilha de Gran Canaria. Já o disse Torriani, o melhor exemplo de uma cidade que representa à arquitetura tradicional urbana à portuguesa em todo o seu esplendor, é a cidade de Santa Cruz de La Palma, capital da ilha de La Palma, mas também temos o bairro de Vegueta no casco histórico da cidade de Las Palmas de Gran Canaria capital da Ilha de Gran Canaria e da província (distrito) que administra as ilhas orientais. Em Tenerife temos no norte, a cidade de San Cristóbal de La Laguna “São Cristóvão da Lagoa”, berço de São José de Anchieta, Apóstolo do Brasil e cidade classificada Património da Humanidade pela UNESCO, o maravilhoso e encantador entorno do ex-convento e igreja do Santíssimo Cristo de Tacoronte, em sobrecanarias.com/2010/04/05/tacoronte-mar-y-montana-en-tenerife/, há uma foto muito bonita realizada em um dia cinzento, a Villa de la Orotava, joia arquitetónica de Tenerife que este ano solicitará à UNESCO a declaração de Património Mundial, casco histórico do Puerto de La Cruz, Los Realejos, San Juan de La Rambla, o entorno da praça de São Marcos junto do drago milenário da cidade de Icod de Los Vinos, Garachico e Los Silos, no sul temos Arafo, Vilaflor, mais outros cascos históricos de grande beleza e pequenos casarios como Masca em Boavista do Norte ou Ifonche no concelho de Adeje no sul de Tenerife.

A fotografia a seguir realizada por Naim Acosta, mostra La Casona situada no entorno da igreja de Santa Catarina de Alexandria, padroeira da cidade de Tacoronte. É uma das casas mais antigas que se conservam nesta cidade. Foi construida por Dom Juan Pérez, clérigo da Igerja de Santa Catarina, no século XVIII, com o objeto de fundar a capellania da paróquia “sede do capelão”, morada e escritório do padre ou pároco. Na sua frontaria salienta-se a formosa varanda canarina envernizada igual que as portas e janelas de guilhotina e, entre a casa de dois andares dos senhores e a casa térrea da criadagem, está a porta com ameias típica da arquitetura tradicional canarina. Junto da casa térrea com portas e janelas pintadas a castanho-escuro sem alternância, há também uma casa de dois andares com a frontaria pintada a amarelo-canarino, as portas e ventanas de guilhotina a verde-inglês e branco e os grandes blocos de pedra das esquinas à vista, finalmente, a rua é pedonal com calçada empedrada.

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Em seguida uma fotografia realizada por Naim Acosta ilustra a casa térrea que está noutro lado de La Casona, nesta casa pode-se ver o estilo mais representativo da arquitetura tradicional das Ilhas Canárias, portada com ameias e cruz, ventanas de guilhotina, paredes pintadas a branco e portas e janelas a verde-inglês com alternância. O telhado quatro águas com telha mourisca ou árabe rematado com beirais, formado por dupla fileira de telhas e todo o madeiramento de tea, uma madeira resinosa e muito duradoura que se extrai dos pinheiros canarinos anosos.

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A fotografia que se segue também realizada por Naim Acosta, expor à vista mais perto, as casas mais próximas do ex-convento e igreja do Santíssimo Cristo de Tacoronte que como já indicamos acima, no site sobrecanarias.com/2010/04/05/tacoronte-mar-y-montana-en-tenerife/, é possível ver quase todo o conjunto arquitetónico. Nestas duas casas vemos outra modalidade, a casa pintada a branco com janelas e portas a castanho-escuro e a casa pintada a vermelho-canarino. A cor mais típica nas paredes e a branca e depois nesta ordem: amarela, vermelha, azul e verde, as duas últimas não são muito vistas e, no que concerne à madeira de portas e janelas, se a madeira não é envernizada, é pintada a verde-inglês e a castanho-escuro, no caso das janelas quase sempre há alternâcia, as duas cores principais com a cor branca. Finalmente, pode-se admirar outro tipo de calçada empedrada e janelas na casa pintada a vermelho, que tem os blocos de pedra das esquinas á vista.

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AGRICULTURA 

Agricultiura, pecuária, pesca, artesanato têm muito de Portugal. O principal promotor da primeira expansão vitícola canarina foi o colonato de origem português, que chegou à nova terra procedente do Norte de Portugal e da Madeira e as primeiras castas que cultivaram foram a malvasia e o terrentês. A viticultura é portuguesa, muitos portugueses que têm visitado as Canárias dizem que os vinhos são muito parecidos aos portugueses, enólogos portugueses dão por certo que a elaboração artesanal dos vinhos em Tenerife é postuguesa, podemos ver a herança deixada pelos portugueses nos lagares tradicionais canarinos que são como os madirenses, nos antigos palheiros ou casas de telhados de palha de Tenerife e La Palma que são como palheiras dos Açores e em vários instrumentos agrícolas.  Onde mais se pode apreciar o efeito português relativamente ao artesanato, é nas cestas e trançados, nos bordados e rendas e na tecelagem. 

MEDICINA POPULAR 

Na medicina popular existe a figura do Santiguador “benzedor” e a do Curandero “Curandeiro” e as benzeduras e remédios (infuções, tizanas, beberagens, unguentos, cataplasmas e mais) são de base galaico-portuguesa, mas o curandeirismo recebeu o complemento que introduziram os indianos, como eram chamados os emigrantes canarinos que foram para a ilha de Cuba em finais do século XIX e princípios do século XX, muitos deles voltaram ricos, hoje os curandeiros mesturam com técnicas do curandeirismo caribenho. A medicina popular está estreitamente vinculada à bruxaria canarina, pois benzedores e curandeiros têm que curar el daño “malefício” feito pelos bruxos, os feitiços, beberagens e outras questões da bruxaria no começo tinham base galaico-portuguesa e depois ficaram mesturados com técnicas africanas e americanas: santeria, vodu, candomblé e outras.

            Exemplo de reza

Oração da noite

 

Ó Anjo da minha guarda, doce companhia,

não me desampares, nem de noite nem de dia.

Jesusinho da minha vida, tu es menino como eu,

por eso eu te quero tanto e dou-te o meu coração.

Quatro esquininhas tem a minha cama,

quatro anjinhos que me acompanham,

com Deus me deito e com Deu me levanto,

com a Virgem Maria e o Espírito Santo.

Amem

 

          Exemplo de Benzedura

 

Ensalmo para cortar o mau-olhado, quebranto, susto, empacho e ar

 

Eu te benzo em nome do Pai, do filho e do Espírito Santo

(o benzedor faz o sinal da cruz quando começa mencionar a Santíssima Trindade)

e no nome que te puseram na pia (nome da pessoa).

Eu te corto mau-olhado, opilação, alimento mal comido, água mal bebida, susto, quebranto.

Eu levo-o para o mais alto dos montes de Arménia e tiro-o para o mais profundo do mar,

onde não permaneça, nem perdure nem dano possa fazer a esta criatura.

Se entrou pela tua cabeça, Santa Teresa.

Se entrou pela tua frente, São Vicente.

Se entrou pelos teus olhos, Santa Lúcia.

Se entrou pela tua nariz, São Luís.

Se entrou pela tua boca, Santa Rosa.

Se  entrou pela tua barba, Santa Bárbara.

Se entrou pela tua garganta, Santa Clara.

Se entrou pelo teu peito, são Eulógio.

Se entrou pela tua barriga, Santa Maria.

Se entrou pelas tuas conjunturas, São Ventura.

E se entrou pelos teus braços e pelos teus pés Santo André.

(No fim, reza-se a Oração do Credo e a Salve Rainha)

Esta versão de ensalmo é villera da Villa de La Orotava em Tenerife

 

Muitos benzedores quando chegam a uma avançada idade deixam de curar porque quando rezam o doente transmite o dano: gritam, choram, arrotam, bocejam e até têm contorções de dor. 

INDUMENTÁRIA TRADICIONAL 

            No que se refere ao trajar, o melhor exemplo de comparação é o traje típico da mulher da Villa de La Orotava com o traje da mulher da Madeira e o traje típico do homem da ilha de El Hierro com o campino ribatejano. Também há semelhanças nos trajes tradicionais da ilha de La Palma com os trajes dos Açores. 

JOGOS E DESPORTOS 

            Nos jogos e desportos tradicionais temos o Calabazo “Cabaço”, que em Portugal é um regador de cabo longo e o recipiente utilizado para tirar, de poços e tanques, água para rega. Esta técnica da agricultura tradicional que se tornou em desporto na década de 80 do século XX para evitar a sua desaparição, somente é praticada no Vale de Aridane na ilha de São Miguel da Palma. A diferença com Portugal é que o cabaço na ilha de La Palma se utiliza para tirar agua dos canais que estão nos bananais, que não são acéquias nem regueiros. A referência mais antiga de rega com o cabaço que se conhece está em una carta registada no ano 1868 e, a construção do canal de águas onde se utiliza, da mão de colonos portugueses, començou no ano 1555. 

FESTAS E TRADIÇÕES POPULARES 

            Há parecença nas romarias canarinas com os cortejos etnográficos do Minho e benção de gado, as juntas de bois levam no pescoço umas bonitas coleiras com pequenas campainhas que no Minho são mais ostentosas,  mas nos Açores são quase iguais. Há festas populares com tradição muito antiga que possivelmente tem a sua procedência em terras portuguesas, há tejineros “habitantes de Tejina” estudiosos e investigadores que acham que a Festa dos Corações de Tejina, declarada BIC (Bem de Interesse Cultural) em 2003 pelo governo das Canárias, deriva da Festa dos Tabuleiros de Tomar, pois Ansejo Gomes, o fundador de Tejina, era natural da antiga sede da Ordem dos Templários. Tejina é um pequeno povo (freguesia) do nordeste de Tenerife que pertence ao concelho de São Cristóvão da Lagoa, separado da cidade de Tacoronte pelo povo de Valle de Guerra e poucos quilómetros separam este povo da Vila de Tegueste e o povo turístico de Bajamar. Temos de lhes dizer que o fundador de Tejina era concunhado de Sebastião Machado, fundador da cidade de Tacoronte, porque Asenjo Gomes era o esposo de Guiomar Gonçalves e Sebastião Machado de Isabel Gonçalves, duas irmãs filhas de Gonçalo Gonçalves Teixeira natural de Braga. Este bracarense sogro dos dois fundadores antes mencionados, participou na conquista das Ilhas Canárias, pelo que foi beneficiado com terras no repartimento através das datas. O Antonio Miguel Rodríguez, farmacéutico da Câmara Municipal de São Cristóvão da Lagoa iniciará em breve em representação da Associação de Vizinhos As Três Ruas de Tejina o contacto com a Câmara Municipal de Tomar para estudar e investigar as possíveis relações dos Corações com os Tabuleiros e fazer uma geminação do povo de Tejina com Tomar. Bravo! Antonio, terás toda a nossa ajuda. O Antonio publica artigos no blogue: pastillerodesalud.blogspot.com, onde há alguns muito interessantes como: Portugueses en Tejina, en el origen de nuestra cultura del vino publicado em 6 de dezembro de 2015, piedra y madera em 25 de setembro de 2015 e El origen divino de las plantas, Ceralias em 20 de julho de 2016, neste artigo há fotos antigas muito bonitas e uma foro de uma eira canarina lajeada.

De seguida uma foto com o Corazón de Tejina: Calle Abajo, “Coração de Tejina: Rua Abaixo” fotografia que está na p. 50 da 2ª edição revista e amplada do livro intitulado: Fiestas de San Bartolomé de Tejina da autoria de María José Ruiz e Guadalberto Hernández, publicado pela Câmara Municipal de São Cristóvão da Lagoa em 2002.

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MÚSICA TRADICIONAL OU FOLCLÓRICA

 

Finalmente, falamos um pouco da música tradional ou folclórica.

 

Não quero mais sinfonias

paro o hino das Canárias,

tenho com umas folias

e um povo atrás que as canta.

 

Quadra número 56 que está na p. 24 do livro intitulado: Año canario 365 coplas y algunos versos más acerca de El Condumio da autoria de Luis Carrasco publicado pelo CCPC em 1991 e, é toda uma certeza. A Folia, é por excelência a canção tradicional mais representativa do folclore musical canarino, propalada por toda o nossa  terra e além fronteiras pela diáspora canarina no mundo. Conforme à opinião dalguns musicólogos, este canto da etapa setecentista profundo, pois com ele o canarino exprime todos os seus sentimentos, pode proceder de Portugal e, temos de lhe dizer, que igual que muitos fados, quando o cantor começa o canto, os instrumentos tocados com plectro (bandolins, bandurras e alaúdes) fazem o que na linguajem da música tradicional canarina chama-se contracanto, um contrapunto à melodia interpretada pelo cantor. A Malagueña é a canção mais triste do nosso floclore musical com estrofes que falam da morte de uma mãe, de um filho e outras perdas e desgraças:

 

Eu vi a uma mãe morta

sobre uma tumba de mármore,

com a sangue corrompida

e o coração feito troços,

pelo filho que queria.

 

Não há coisa como uma mãe

encuanto no mundo existe,

porque uma mãe consola

a um filho quando está triste.

 

São as herdeiras diretas do fandango andaluz, mas a sua música tem muita simulitude com a charamba açoriana, há fragmentos musicais das duas canções que são iguais. Também pode descender do cavaquinho português igual que o ukulele havaiano, o Timple, que para os canarinos é o instrumento nacional, da nação canarina. Com exatidão, são os Aires de Lima “Ares de Lima” o género musical totalmente português, investigados pelo musicólogo Lothar Siemens provêm do Minho, das freguesias perto do Rio Lima e é um canto com lindas melodias típico das descamisadas canarinas, esfolhadas no Minho. Deste assunto, escreveremos um artigo mais aprofundado e ilustrado com letras e partituras, porque é uma dívida que temos com Carlos Gomes, mas queríamos escrever primeiro o artigo anterior e este, porque assim os leitores e seguidores deste excelente blogue, compreenderão melhor a razão pela que na música tradicional das Ilhas Canárias, há um género musical importado do Minho.

Os leitores e seguidores deste magnífico blogue podem fazer pesquisas na Internet para ter mais informação, ver fotos e poder comparar ou fazer um passeio virtual pelos lugares dos que falámos. Para aprofundar mais e conhecer alguns dos portugueses conquistadores e cofundadores do nosso povo, aconselhamos a leitura do artigo intiulado: ABUELOS PORTUGUESES. UNA ASCENDENCIA FAMILIAR EN CANARIAS, SIGLOS XV y XVI I e II  no site geneacanaria.blogspot.com/2015/02/abuelos-portugueses-una-ascendencia.html.

 

O nosso próximo artigo será um exemplo desta profunda influência portuguesa no povo canarino e, como melhor se pode exemplificar, é com o dialeto canarino. Uma breve estória escrita em dialeto canarino com a tradução em português mais um análise, demonstrará com clareza, que quando falamos de profunda influência, não é com excesso.

 

Este artigo é dedicado com muito orgulho e grande respeito à memória dos pais cofundadores do nosso povo, os portugueses que deixaram a sua maravilhosa terra natal para vir às nossas ilhas e legaram-nos uma formosa herança que constitui o nosso precioso património histórico, artístico e cultural, e eu, especialmente, desde o mais profundo do meu coração, dedico este artigo a minha mãe, que desde o berço me transmitiu a cultura tradicional da minha terra. Para ti a minha querida mãe.

 

Jesús Acosta

ACGEIA

São Cristóvao da Lagoa

Tenerife

A ASCENDÊNCIA PORTUGUESA DOS CANARINOS

Apesar de pouco conhecidas, são muitas as afinidades entre os portugueses e os canarinos, tal como são históricas as ligações entre Portugal e as Canárias. São precisamente tais afinidades e ligações históricas que, graças à gentileza do sr. Jesús Sebastián Acosta Pacheco, a quem desde já endereçamos os nossos agradecimentos, o BLOGUE DO MINHO vai dar a conhecer aos seus leitores, publicando diversos artigos de sua autoria.

Texto: Jesús Acosta

Fotos: Naim Acosta

Os Arquipélagos das Ilhas Canárias, dos Açores, da Madeira, das Ilhas Selvagens e de Cabo Verde, constituem a região biogeográfica da Macaronésia, mas as “Ilhas Afortunadas”, não só estão vinculadas no que respeita à natureza e geografia, também à história, cultura e património, mas há uma diferença entre os Açores, a Madeira e Cabo Verde com as Canárias, os três primeiros arquipélagos com maior conexão a Portugal, estavam desabitados e foram descobertos e povoados pelos portugueses, as Ilhas Canárias estavam habitadas pelo povo guanche. Os guanches, eram as únicas pessoas nativas que viviam na região da Macaronésia antes da chegada dos europeus, originários do Norte da África com civilização neolítica e língua da família linguística berbere e escrita com carateres tifinagues. Por tanto, as Ilhas Canárias foram conquistadas pelos castelhanos, mas na conquista e colonização, os portugueses tomaram parte, no caso da ilha de Tenerife, a maior do arquipélago canarino e de toda a Macaronésia, foi colonizada na mesma proporção por portugueses e espanhóis (principalmente andaluzes), segundo os historiadores Elías Serra Ràfols e Leopoldo de la Rosa Olivera.

Gaspar Frutuoso, foi um historiador, sacerdote e humanista açoriano, natural da cidade de Ponta Delgada na ilha de São Miguel, destacou-se pela autoria da obra Saudades da Terra, uma detalhada descrição histórica e geográfica dos arquipélagos dos Açores, Madeira e Canárias, este grande cronista insulano, na descrição das Ilhas Canárias que faz no livro primeiro das Saudades da Terra, no capítulo décimo terceiro «De algumas cousas de ilha chamada Tenerife» diz: «[...] e daí a duas léguas está Icode dos Vinhos, que também é vila de duzentos vizinhos, quasi todos portugueses ricos de vinhos, lavouras e criações.[...]», posteriormente, Leonardo Torriani, um engenheiro militar e arquiteto italiano radicado em Portugal que foi enviado pelo rei Felipe II  de Espanha e I de Portugal em 1587, com a missão de analisar e fortalecer a fortificação das ilhas, e no valiossísimo códice que nos deixou: Descrição e história do Reino das Ilhas Canárias, antes ditas Afortunadas, com o parecer das suas fortificações, que se encontra na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, quando descreve a ilha de Tenerife expõe: «[...] A maior parte da gente é portuguesa, a qual, superando as demais nações espanholas na indústria da agricultura, tem dado a esta ilha maior fertilidade e riqueza232». Página 136 do estudo e tradução da obra de Torriani primeira versão em português da autoria de José Manuel Azevedo e Silva publicado pela Edições Cosmos em Lisboa no ano 1999 e, na nota 232 deste autor, podemos ler: «Conhecedor da realidade das Canárias, onde permaneceu durante alguns anos, Torriani constatou que a maior parte da gente da ilha de Tenerife era portuguesa, à qual atribuiu um maior desenvolvimento económico em relação às outras ilhas. A apreciação lisonjeira que faz à gente portuguesa que, segundo afirma, supera as demais nações espanholas na agricultura, deve estar relacionada com a rica produção de açúcar e de vinho de Tenerife (de longe maior que nas outras ilhas), pelo que é de supor tratar-se da presença de emigrantes madeirenses, bom conhecedores daquelas culturas.». Quando Torriani fala da cidade de Santa Cruz da Palma narra: «[...] As casas são brancas, feitas à portuguesa326, pequenas por dentro e, em geral, sem poços nem pátios, com tudo isto, são mais altas e alegres que as das outras ilhas. Esta ilha é habitada por portugueses, castelhanos, flamengos, franceses e alguns genoveses. [...]». Página 191 e na nota do estudioso e tradutor pode-se ler: «De notar a influência portuguesa no modelo de construção das casas da cidade. Se, como se vê a seguir, os portugueses compartilhavam a cidade com castelhanos, flamengos, franceses e genoveses, possivelmente os mestres construtores eram portugueses. E não será por acaso que Torriani os cita em primeiro lugar». Prova desta presença portuguesa é o livro 1º de visitas da igreja do povo de Boavista do Norte em Tenerife (até a primeira metade do século XVI) e o livro da igreja de Garafía na ilha da Palma no século XVII, escritos em português.

No repartimento das terras conquistadas, os portugueses que colaboraram com o conquistador às ordens da Coroa de Castela, receberam terras através das “datas” e, os que chegaram como colonizadores à nova terra, alguns deles judeus portugueses que optaram pelo desterro imposto pelo édito real assinado em 1496 pelo Rei Dom Manuel I e, outros judeus portugueses conversos ou cristãos-novos, na sua maioria lavradores e artesãos, vieram com o estabelecimento da indústria da cana-de-açúcar e a plantação de videiras para a produção de vinho, além disso, introduziram em princípios do século XVII o cultivo do milho. Junto dos colonos madeirenses chegados às ilhas, retornaram os guanches libertos que os portugueses capturaram e levaram como escravos para a ilha da Madeira, com a finalidade de fornecer mão-de-obra para o penoso trabalho nos canaviais, libertaram e expulsaram ou devolveram aos guanches escravizados à sua terra natal, porque os madeirenses donos das plantações de cana-de-açúcar não os conseguiram submeter. Os guanches que voltaram às suas ilhas já eram grandes mestres da elaboração do açúcar, cristianizados e tinham apelidos portugueses.

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Como referem os historiadores, em algumas cidades e vilas os portugueses eram maioritários e, até mesmo, foram os seus fundadores e construtores dos seus monumentos mais importantes. Pomos como exemplo a Cidade de Tacoronte fundada em 23 de outubro de 1497 por Dom Sebastião Machado oriundo de Guimarães, que conservou o nome aborígene do Menceyato (reino guanche) para a nova cidade que está geminada com o berço da nação portuguesa e Património da Humanidade desde o dia 26 de outubro de 1997. O ex-convento de Santo Agostinho e Igreja do Santíssimo Cristo das Dores e Agonia, mais conhecido popularmente como Cristo de Tacoronte, foi edificado em 1662 pelo Capitão Dom Diogo Pereira de Castro natural de Barcelos e o seu sobrinho Tomás Pereira de Castro-Ayala e este, foi o que trouxe a milagrosa imagem do Santíssimo Cristo, segunda advocação de Cristo mais venerada nas Ilhas Canárias trás o Santíssimo Cristo da Lagoa. Nesta muito bonita e encantadora cidade do norte de Tenerife de bons vinhos e, onde há muitos munícipes com o apelido Dorta, morou os primeiros anos da sua vida o famoso pintor surrealista Óscar Domínguez, no filme, Óscar. Una pasión surrealista inspirado na biografia deste insigne tinerfenho, o ator português Joaquim de Almeida veste a pele do pintor. É filha ilustre desta cidade a escritora Maria Rosa Alonso, estudiosa e investigadora do Mencey (Rei) guanche que os Reis Católicos entregaram como presente ao Doge de Veneza e, que este dirigente, expôs como exemplar exótico na sua corte.

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Na primeira foto podemos ver o monumento dedicado a D. Sebastião Machado e a frontaria e torre da igreja da Santa Catarina de Alexandria padroerira da cidade de Tacoronte. Na Segunda Foto a placa do monumento que diz: A CIDADE DE TACORONTE / A / SEBASTIÃO MACHADO / NATURAL DE GUIMARÃES PORTUGAL / CRIADOR DO PRIMITIVO / NÚCLEO POPULACIONAL  / 1497 - 1997  / CINCO SÉCULOS DE HISTÓRIA e, após do texto, os brasões dos concelhos de Guimarães e Tacoronte.

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Na primeira foto temos a bela frontaria em cantaria, obra de Domingo Rodríguez Rivero e tem sobre da porta central e principal o brasão dos Pereira de Castro. Na segunda fotografia a imagem milagrosa do Santíssimo Cristo de Tacoronte, Padroeiro da Cidade de Tacoronte, escultura que se lhe atribui a Domingo de La Rioja.

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Há historiadores, estudiosos e investigadores que têm manifestado que o povo canarino é mestiço, porque descende de grupos étnicos diferentes, que é uma mistura: um 30% de guanches, um 30% de andaluzes e um 30% de portugueses, o 10% restante e formado por outros espanhóis e europeus na sua maioria flamengos, genoveses, franceses e ingleses. Os outros arquipélagos da Macaronésia não têm esta singularidade e, o caso de Cabo Verde, é diferente aos demais. É evidente a ascêndencia portuguesa dos canarinos, pelo que não é um erro, dizer que são descendentes longínquos de portugueses. O melhor testemunho da presença portuguesa nas Ilhas Canárias, na sua conquista e na sua colonização, não são somente as “datas”, também os mais de cem apelidos ou sobrenomes portugueses que existem nas Canárias, há canarinos que não têm apelidos portugueses, mas podem ter os seus pais, os seus avós ou os seus antepassados. A seguir alguns deles em português e a correspondente forma castelhanizada.

PORTUGUÊS

ESPANHOL

PORTUGUÊS

ESPANHOL

PORTUGUÊS

ESPANHOL

Aleixo

Alejo

Falção

Falcón

Medeiros

Mederos

Belchior

Melchior

Farinha

Fariña

Monteiro

Montero

Chaves

Chávez

Galvão

Galbán

Pereira

Perera

Coelho

Coello

Godinho

Godiño

Ramalho

Ramallo

Correia

Correa

Horta

Dorta

Soares

Suárez

Curvelo

Curbelo

Lemos

Lemus

Sousa

Sosa

da Costa

Acosta

Maia

Maya

Teixeira

Tejera

Eanes

nez

Marreiro

Marrero

Vieira

Viera

Alguns apelidos não mudaram: Afonso, Aguiar, Barroso, Camacho, Lemes, Machado, Pacheco, Pestana, Queirós, Rabelo, Toste, mais outros. Há alguns que têm as duas formas Ferreira /Ferrera e outros três: Vieira / Viera / Vera.

Portugal reconheceu a soberania castelhana das ilhas Canárias, quando o Rei Alfonso V de Portugal em 8 de setembro de 1479 ratificou o Tratado das Alcáçovas, também conhecido como Paz de Alcáçovas,  assinado na vila portuguesa de Alcáçovas, no Alentejo, em 4 de setembro de 1479. Com a ratificação dos Reis Católicos em 6 de março de 1480, na cidade de Toledo, pelo que também ficou denominado como Tratado das Alcáçovas-Toledo, Portugal abandonou definitivamente as suas pretenções de domínio sobre as célebres “Ilhas Afortunadas”. O arquipélago canarino ficou na posse da Coroa de Castela e não é a Galiza, que junto do Condado Portucalense, é o berço da cultura galaico-portuguesa, mas depois dos hermisendeños, alamedillenses, xalimegus, cedilleros, ferrereños, oliventinos mais outros povos arraianos é, o povo integrado no atual Reino de Espanha, que mais raizes galaico-portuguesas tem.  

Queremeos agradecer ao Exmo. Sr. D. Carlos Gomes o seu convite para escrever no seu maravilhoso blogue. Tudo começou quando contactamos con ele para lhe perguntar o nome das coleira com campaínhas que levam no pescoço os bois e vacas nas nossas romarias e benções de gado que são semelhantes às que temos visto no Minho. Uma breve explicação complementar da influência portuguesa nas Ilhas Canárias que fizemos à pergunta, despertou o seu interesse e disse: «O BLOGUE DO MINHO (e o BLOGUE DE LISBOA) encontram-se à sua disposição e será com o maior prazer que acolherá a colaboração que quiser dispensar». Como ele também tenciona partilhar o artigo nas páginas do facebook dedicadas ao folclore português, incluindo a Federação do Folclore Português, decidimos escrever acerca dos Aires de Lima, um género da música folclórica das Ilhas Canárias típico das descamisadas canarinas, esfolhas no Minho, que trouxeram os minhotos no século XVII com o cultivo do milho, mas achamos que era conveniente fazer antes uma apresentação e introdução com este artigo e o seguinte que fala da profunda influência portuguesa no povo canarino, pois será mais fácil para os leitores e seguidores deste ótimo blogue, compreenderem a razão pela que nas Canárias há uma canção tradicional que tem a sua origem no Minho. É uma dívida que temos pela ajuda recebida e a grande gentileza.

Aproveitamos este artigo, para exprimir públicamente o nosso mais muito obrigado a três grandes portugueses que amam a sua maravilhosa terra e contribuem à proteção, preservação e difusão do seu precioso património. Ao Exmo. Sr. D. Rui Barbosa, “A man and his Dream” que com o seu sonho e magnísifico blogue Carris, temos uma preciosa informação do PNPG (Parque Nacional Peneda-Gerês), agradecemos imensamente a sua ajuda para poder indicar nos planos os hidrónimos, orónimos e o património etnográgico do PNPG. Ao Exmo. Sr. D. Manuel de Azevedo Antunes, grande amigo e a maior autoridade em relação a Vilarinho da Furna, com ele a sua aldeia natal, lamentavelmente afundada, nunca morirá. Finalmente, ao Exmo. Sr. D. Paulo Lima, o homem dos portugueses na UNESCO, graças ao seu precioso trabalho e de outras pessoas o Fado, a música e canção mais bela do mundo, o cante alentejano e a arte chocalheira é Parimónio Mundial.

Este artigo foi escrito por Jesús Acosta Vice-Presidente da ACGEIA: ASSOCIAÇÃO CULTURAL: GRUPO DE ESTUDO E INVESTIGAÇÃO ACHBINICO e as fotografias realizadas por Naim Aléix Acosta Febles.

A ACGEIA, tem entre os seus fins estatutários, o estudo e investigação da língua e literatura portuguesa e outras línguas e dialetos de família linguística galaico-portuguesa, a ascendência portuguesa dos canarinos, a influência portuguesa no povo canarino, a natureza, geografia, história, cultura e patrimonio de Portugal porque é o país de onde vieram os colonizadores que juntos dos guanches, andaluzes e outros espanhóis e europeus contribuíram notavelmente à fundação do povo canarino. Finalmente, esta Associação estuda e investiga a vida e obra de São José de Anchieta, que nasceu em 19 de março de 1534 na cidade de São Cristóvão da Lagoa, foi o Apóstolo do Brasil e a maior contribuição do povo canarino ao Mundo Lusófono. A ACGEIA tem a sua sede estatutária no berço do São José de Anchieta, cidade fundada em 1497 por Alonso Fernández de Lugo, o fidalgo e conquistador castelhano-andaluz, responsável da incorporação definitiva das Ilhas Canárias à Coroa de Castela no século XV.  Esta belíssima e fascinante cidade foi classificada Património da Humanidade em 2 de dezembro de 1999 pela UNESCO, é sede da diocese de Tenerife, da Universidade da Lagoa, recebe aos turistas pelo Aeroporto de Tenerife-Norte e, como Braga, é chuvosa, húmida, monumental e tem a Semana Santa mais solene das Ilhas Canárias.

INSTITUTO DE EMPREGO E FORMAÇÃO PROFISSIONAL CERTIFICA TRAJE À VIANESA

Foi já publicado em Diário da República n.º 248/2016, Série II de 28 de Dezembro de 2016, o extracto de Despacho nº. 15606/2016, do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e Economia - Instituto do Emprego e da Formação Profissional, I. P., que procede ao registo da produção tradicional “Traje à Vianesa - Viana do Castelo”, o qual se apresenta conforme abaixo se transcreve.

Despacho (extrato) n.º 15606/2016

Ao abrigo dos artigos 10.º e 11.º do Decreto-Lei n.º 121/2015, de 30 de junho, a Câmara Municipal de Viana do Castelo apresentou junto do Instituto do Emprego e da Formação Profissional (IEFP, I. P.) o pedido de registo da produção tradicional "Traje à Vianesa - Viana do Castelo" no Registo Nacional de Produções Artesanais Tradicionais Certificadas.

Considerando que o referido pedido de registo mereceu o parecer positivo da Comissão Consultiva para a Certificação de Produções Artesanais Tradicionais, nos termos da competência que lhe foi atribuída pelo n.º 1 do artigo 8.º do mesmo diploma;

Considerando que, tendo sido tornado público este pedido de registo através do Aviso n.º 10542/2016, publicado no Diário da República, 2.ª série - n.º 162, de 24 de agosto de 2016, não foi apresentada qualquer declaração de oposição no prazo fixado para o efeito;

O presidente do conselho diretivo do IEFP, I. P., ao abrigo das competências que, em razão da matéria, lhe foram conferidas pelo n.º 1 do artigo 13.º do Decreto-Lei n.º 121/2015, de 30 de junho, determina o seguinte:

1 - É aprovada a inclusão da produção tradicional "Traje à Vianesa - Viana do Castelo" no Registo Nacional de Produções Artesanais Tradicionais Certificadas, sendo titular do registo, enquanto entidade promotora, a Câmara Municipal de Viana do Castelo;

2 - A síntese do caderno de especificações que suporta o referido registo, incluindo a delimitação geográfica da área de produção, consta do anexo ao presente despacho;

3 - A entidade promotora deverá, em cumprimento do disposto no n.º 2 do artigo 13.º do Decreto-Lei n.º 121/2015, de 30 de junho, proceder ao registo da denominação da produção, sob a forma de indicação geográfica, junto do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI, I.P.);

4 - O processo de certificação da produção artesanal tradicional "Traje à Vianesa - Viana do Castelo", uma vez registada como indicação geográfica, deverá observar as disposições fixadas no Decreto-Lei n.º 121/2015, de 30 de junho, designadamente nos artigos 14.º a 17.º e 19.º

2016-12-16. - A Diretora do Departamento de Assessoria da Qualidade, Jurídica e de Auditoria, Paula Susana Aparício Gonçalves Matos Ferreira.

ANEXO

I - Produção Tradicional objeto de registo: Traje à Vianesa - Viana do Castelo

II - Entidade Promotora titular do registo: Câmara Municipal de Viana do Castelo

III - Apresentação sumária: A produção tradicional em apreço, o "Traje à Vianesa - Viana do Castelo", é reconhecidamente um "Ex-Líbris" do saber-fazer artesanal português, quer pela sua imagem fortíssima e diferenciadora, quer pelo conjunto de mesteres tradicionais envolvidos na sua confeção, desde a tecelagem, a costura, o bordado, a renda, até ao fabrico e decoração das chinelas.

IV - Enquadramento histórico e delimitação geográfica da área de produção

Estamos perante um traje que se foi definindo e enriquecendo ao longo do século XIX, quando, após as profundas perturbações devidas às Invasões Francesas (1808-1810) e à Guerra Civil (1828-1834), se sucederam décadas de maior estabilidade e mesmo de um relativo progresso económico. Um traje que no início as camponesas das freguesias vizinhas de Viana do Castelo usavam (não só, mas também) para ir à cidade e que veio, mais tarde, a ser apropriado pela própria cidade como um dos seus ícones mais importantes e que motivou muitas ações em ordem à sua defesa e preservação.

Com efeito, o Traje à Vianesa tornou-se um dos ícones minhotos mais divulgados e foi utilizado em todos os tipos de suportes gráficos. Revistas, postais, calendários, publicidade a diversíssimos produtos, utilizavam largamente a imagem da lavradeira com o seu traje de festa. Em 1890, o pequeno príncipe de 5 meses que viria a ser o rei D. Manuel II é fotografado ao colo da sua ama que vestia o Traje à Vianesa. Mais tarde, senhoras de elevada posição social usamno em circunstâncias especiais e fazem-se fotografar com ele, como acontece em 1913, quando a mulher do rei deposto, D. Manuel II, se deixa fotografar trajada.

Todavia, se no final do século XIX e na primeira década do século XX se difunde por todo o país o uso do Traje de Festa das lavradeiras vianenses, localmente, aquelas que ao longo do século XIX o definiram e usaram como indumentária, começam a abandonar o seu uso e a deixar-se seduzir por vestes mais citadinas e urbanas. A própria "moda" de trajar este fato, fora do seu contexto de origem, levou a formas de o vestir abastardadas que começaram a preocupar alguns vianenses. É assim que em 1919 surge um primeiro Certame Regional de Danças e Descantes, organizado por Abel Viana e Rodrigo V. Costa, que tem como objetivo promover o Traje à Vianesa e reconduzir o seu uso à sua forma tradicional, inaugurando uma campanha de defesa deste traje que havia de prolongar-se pelos anos seguintes.

Segundo Abel Viana, foi a partir de 1926, quando uma Parada Regional integrou o programa das festas da Senhora da Agonia, que se vulgarizou a presença de grupos trajados em atos e representações oficiais, algo que já se verificava, desde 1917, mas só por ocasião das Festas da Senhora da Agonia.

Sendo que o Traje à Vianesa se tornou, ao longo dos tempos, um símbolo de Portugal (uma "imagem da nação"), é natural que o âmbito da sua produção tenha extravasado os limites do concelho que lhe dá o nome, sendo produzido em todo o litoral norte do país e usado como "traje nacional" nas situações mais variadas (desde festividades locais, passando pelas comemorações carnavalescas, até à sua utilização em eventos portugueses no estrangeiro).

Neste contexto, relativamente à delimitação da área geográfica de produção do Traje à Vianesa - Viana do Castelo, constata-se que a esmagadora maioria das artesãs produtoras das peças que compõem este traje (tecelagem, bordado, confeção) se localizam no território correspondente às NUT III do Alto Minho, do Cávado e do Ave, pelo que se definem como limites da respetiva localidade, região ou território de ocorrência da produção, os limites daquele território composto pelos seguintes concelhos:

NUT III Alto Minho: Viana do Castelo, Arcos de Valdevez, Caminha, Melgaço, Monção, Paredes de Coura, Ponte da Barca, Ponte de Lima, Valença, Vila Nova de Cerveira;

NUT III Cávado: Amares, Barcelos, Braga, Esposende, Terras do Bouro, Vila Verde;

NUT III Ave: Cabeceiras de Basto, Fafe, Guimarães, Mondim de Basto, Póvoa de Lanhoso, Vieira do Minho, Vila Nova de Famalicão, Vizela.

V - Caracterização do produto "Traje à Vianesa - Viana do Castelo"

O Traje à Vianesa é um produto múltiplo, composto por um conjunto de peças, todas manufaturadas artesanalmente na região do Minho (à exceção dos lenços), cujo resultado final se deve à combinação polié-drica entre elas e ao modo como os adornos em ouro o enfeitam e sublinham.

Segundo Cláudio Basto, o padrão geral do Traje à Vianesa, tal como era percecionado em 1930, é constituído por:

"Saia curta (aí pelo tornozelo), às listas verticais, de roda farta, pregueada miudamente na cinta, com barra larga a que chamam "forro", avental franzido também na parte superior, camisa branca, de mangas compridas, apanhadas nos ombros; colete que não desce da cintura; lenço traçado no peito e apertado atrás na altura da cinta; lenço trespassado sobre a nuca e atado no alto da cabeça; algibeira, que na forma lembra o coração e fica visível entre a saia e o avental; meias brancas, feitas à mão; chinelas."

A produção caseira das peças que compõem o traje foi permitindo a sua adaptação ao tipo de uso pretendido, e a sua evolução foi permeável às influências das modas e dos gostos. Assim, o traje à vianesa nunca foi imutável nem nasceu de acordo com um modelo único que a ele sempre se mantivesse fiel; pelo contrário, ele foi adquirindo sentidos que ultrapassaram e se sobrepuseram ao aspeto utilitário do uso quotidiano, transformando-se, adquirindo e reforçando um valor simbólico e cerimonial relevante.

Desta forma, quando se fala de Traje à Vianesa - Viana do Castelo, fala-se do que mais vulgarmente ainda se chama Traje à Lavradeira ou de Festa, nas variantes assumidas pelas diferentes freguesias de Viana do Castelo.

Nestas freguesias, os respetivos grupos folclóricos e etnográficos, que foram surgindo a partir dos anos 20 do século XX, podem ser considerados os grandes responsáveis pela maior definição e apropriação das "diferenças" que agora se verificam e que, anteriormente, não seriam tão vincadas ou disputadas.

Os grupos folclóricos das freguesias de Afife (1920-1926), de Areosa (final de anos 20) e de Santa Marta de Portuzelo (1940) terão sido os principais protagonistas no definir das características diferenciadoras do Traje à Vianesa, muito por influência dos seus responsáveis.

Assim, e ainda que seguindo, de um modo geral, o padrão geral do traje à vianesa descrito por Cláudio Basto, destacam-se, contemporaneamente, as tipologias principais de Afife, Areosa, Santa Marta de Portuzelo e de Geraz do Lima, tipologias estas que, pela proximidade, influenciaram outras freguesias vizinhas.

Quanto às diferentes peças que compõem este traje, fixam-se as seguintes características:

O lenço

Os lenços são de lã fina com ramagens, têm sempre franjas compridas (entre 10 e 12 cm), também elas de lã e feitas manualmente, e são usados na cabeça e, traçados, sobre o peito. O mais importante, no que diz respeito ao uso do lenço no Traje à Vianesa - Viana do Castelo, diz respeito à adequação cromática que deve ter relativamente às restantes peças do traje: de fundo vermelho para os trajes vermelhos (ainda que, por vezes, também se encontrem lenços amarelos no traje vermelho), de fundo azul forte para os trajes azuis, de fundo verde para o traje de Geraz do Lima, laranja e amarelo no caso de Afife e de fundo preto, roxo ou azul-escuro para o traje azul-escuro.

A camisa

A camisa do Traje à Vianesa - Viana do Castelo:

Tem a altura de uma vulgar blusa, mas admite outros comprimentos;

Pode ser feita em linho ou meio linho (50 % linho/50 % algodão), mas sempre na cor branca;

As suas mangas são compridas e apertam com um punho;

As suas mangas são largas e, pelo menos nas ombreiras, ostentam "pregas de imprensa" (as "pregas de imprensa" podem ter padrões variados e os alinhavos que as definem podem ser na mesma cor do restante bordado ou a branco);

É decorada com bordado (nos ombros, nas ombreiras, nos punhos, à volta do decote ou do colarinho, caso este exista);

O seu bordado é sempre monocromático (predomina o uso do azul forte, mas também se admitem como cores o branco, o azul claro e o verde, este último no caso de Geraz do Lima);

O fio de bordar corresponde ao fio de algodão, mercerizado, n.º 8;

As tipologias do desenho têm que estar de acordo com as cores (florais e vegetalistas para os casos do azul forte e verde, desenho miúdo de organização geométrica na utilização do branco e do azul claro);

Os seus punhos são sempre bordados e quase sempre rematados com bordado ou com pequenas rendas;

O seu colarinho, sempre chegado ao pescoço, é bordado, mas pode nem existir, substituído por um decote redondo rematado com caseado alto;

A abertura da camisa é dianteira e também bordada (pode ter ou não uma carcela enfeitada com uma renda delicada).

O colete

O colete do Traje à Vianesa - Viana do Castelo:

É curto, pela cintura ou um pouco acima;

É de fazenda de lã colorida (vermelha, azul ou verde, consoante o fato a que se destina);

Tem, na base, uma barra ("rigor") de veludo, preta ou de uma cor escura, a qual se eleva na zona central das costas, e que é contornada no seu limite superior por um apontamento bordado e no limite inferior, na linha de cintura, apresenta um debruado simples;

É profusamente bordado nas costas, sobretudo no "rigor", com motivos florais, podendo ainda integrar o escudo real nas versões popularizadas no século XIX;

Os seus bordados são feitos com linha de algodão perlé, lã, seda natural ou missangas, podendo também conter lantejoulas e vidrilhos;

O bordado do "rigor" é, em regra, muito colorido e apresenta diversos motivos, enquanto que o da parte superior é, na maioria das vezes, branco e menos variado, em que um motivo se repete;

Tem decote amplo e aperta com fita de nastro ou cordão de seda que cruza entre ilhós metálicos, dispostos em duas fieiras, uma de cada lado, como um espartilho.

A saia

A saia do Traje à Vianesa - Viana do Castelo:

É de lã, natural ou mistura (desde que a lã seja sempre predominante), e tecida artesanalmente;

É sempre listada, sendo que a cor de fundo (predominante) pode ser vermelha, azul forte, azul-escuro, preto ou verde, consoante a tipologia do traje a que se destina;

As riscas podem ser de cores variadas (amarelo, rosa, branco, verde, roxo, entre outras) e decoradas com "puxados";

Tem cós, que deve ter entre 10 e 12 cm de altura e que pode ou não ser cosido, com "pregas de enfiada";

Ostenta, muitas vezes, bordados no cós;

Tem sempre uma faixa no fundo a que se chama "forro" e que é preta na maioria dos casos, vermelha (no caso do traje da Areosa) ou azul-escura ou preta (no caso do traje de Afife), que se apresenta lisa ou bordada e que é recortada em "bicos" na parte que liga à tecelagem;

A altura do "forro" não deve ultrapassar o terço da altura total da saia;

Tem uma abertura para facilitar o vestir;

É debruada a fita de nastro;

Aperta com fita de nastro e colchete;

A altura da saia deve chegar um pouco abaixo do meio da perna.

O avental

O avental do Traje à Vianesa - Viana do Castelo:

É de lã natural ou mistura (desde que a lã seja predominante), tecido em tear manual;

É constituído por duas partes:

O cós pregueado, que deverá ter entre 10 a 12 cm de altura e que muitas vezes ostenta bordados;

O corpo do avental, onde, por sua vez, se distinguem duas partes: uma superior, logo a seguir ao cós, listada e outra com maior expressão, na parte inferior, muito colorida e decorada com padrões geométricos ou florais. A dividir estas duas partes pode encontrar-se um "tomado", uma fita encanudada ou enfavada, uma tira de tecelagem sobreposta (também ela recortada e decorada) ou um galão. Também pode não haver nada a marcar as duas partes e a distinção provir do próprio trabalho de tecelagem. Em todo o corpo do avental utilizam-se os "puxados" e "moscas" a sublinhar as decorações tecidas.

É debruado a fita de nastro em cima, fita que serve para atar o avental; é rematado por bainha ou debruado com fita de nastro.

A algibeira

A algibeira do Traje à Vianesa - Viana do Castelo:

É de flanela vermelha, azul, verde ou preta;

Tem forma dita de "coração";

A sua "boca" é sempre de veludo preto;

Pode ter um bolso interior, o "segredo";

É profusamente bordada, sobretudo e na maioria dos exemplares, com missangas, vidrilhos e lantejoulas mas pode aparecer algum bordado a fio de algodão mercerizado n.º 8, a lã ou fio de seda natural;

Pode ter bordadas datas ou palavras (como Amor e Viana) letras ou algarismos;

É rematada com bordado de missanga ou a fitilho ou fita de nastro armada;

É debruada, na parte superior, com fita de nastro que constitui o atilho para atar à cintura;

A algibeira usada em Afife difere deste cânone;

No traje verde de Geraz do Lima pode não se usar algibeira.

As meias

As meias são sempre brancas, em renda manual de fio de algodão, que pode ser lisa (no caso de Afife) mas, quase sempre é trabalhada, havendo pelo menos trinta e cinco pontos de renda que se usam na sua confeção.

A altura das meias deve ser, no mínimo, até ao joelho.

As chinelas

As chinelas são de manufatura artesanal, com a sola em madeira e a gáspea em calfe natural ou sintético. Estas últimas, sempre envernizadas, podem apresentar-se bordadas. As chinelas são forradas a branco. Também podem ser em camurça.

Podem apresentar-se lisas, com lacinho ou fivela, ou bordadas simplesmente a branco ou em várias cores vivas.

VI - Condições de inovação do produto e no modo de produção

No capítulo da inovação, importa reter que estamos perante uma produção tradicional muito particular, porquanto o processo de certificação do Traje à Vianesa - Viana do Castelo visa, essencialmente, estabilizar o conceito e evitar descaracterizações e deturpações que o afastem da sua tipologia tradicional, que o tornou conhecido e um dos símbolos de Portugal.

Neste contexto, e estabilizadas que estão no caderno de especificações as tipologias possíveis de identificação como Traje à Vianesa - Viana do Castelo, não serão admissíveis quaisquer alterações na composição da indumentária, configurem elas aspetos inovadores ou meras combinações diferentes das que ali são indicadas.

Não obstante, e embora não se trate propriamente de inovações, considera-se pertinente adotar as seguintes sugestões de melhoria que poderão contribuir para uma ainda maior qualificação desta importante produção artesanal:

Diversificar os motivos dos lenços de cabeça e do peito (dentro do género), seja por melhorias ao nível dos padrões e processos de estampagem seja pela procura de outros fornecedores;

Qualificar o bordado presente nas camisas, seja ao nível do desenho seja quanto à posição que ocupa nas mangas da camisa não permitindo que o bordado da ombreira desça abaixo do cotovelo;

Qualificar o bordado realizado nos coletes e nos "forros" das saias, fornecendo desenhos às bordadeiras e reintroduzindo motivos que estão a deixar de ser feitos;

Reintroduzir nos aventais padrões antigos de tecelagem, nomeadamente de características mais geométricas, padrões esses que têm vindo a ser substituídos pelos florais (sobretudo o padrão das rosas);

Atentar na largura dos cós das saias e aventais, que deve sempre ter entre 10 e 12 cm; valorizar a parte tecida da saia, estabilizando a largura do seu "forro", para que nunca ultrapasse um terço do comprimento total da saia (permitindo o predomínio da tecelagem);

Fomentar a diversidade dos padrões tecidos (nas saias) e bordados (nas camisas, coletes,

"forros" das saias, algibeiras), reintroduzindo motivos que caíram em desuso;

Fomentar a reintrodução do fio de lã e de seda nos bordados dos coletes, "forros" das saias e algibeiras.

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Fotos: José Carlos R. Vieira

ETNOGRAFIA DESFILA EM CABECEIRAS DE BASTO

 

Milhares assistem ao Cortejo Etnográfico que trouxe à rua as mais genuínas tradições do concelho de Cabeceiras de Basto.

Milhares de pessoas assistiram esta tarde, dia 25 de setembro, ao magnífico cortejo etnográfico que percorreu as principais ruas da vila de Cabeceiras de Basto. Dezenas de viaturas e muitas pessoas provindas de praticamente todas as freguesias apresentaram os usos e os costumes mais genuínos desta terra, promovendo e divulgando a cultura popular e etnográfica de Cabeceiras de Basto.

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Este cortejo reflete o trabalho de uma equipa - constituída pelo Centro de Teatro da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, pelas Juntas de Freguesia, responsáveis pela Comissão de Festas, associações e coletividades, entre outros - que nos últimos meses laborou em permanência, envolvendo as diferentes faixas etárias da população e escolhendo as profissões e as suas personagens mais características de cada uma das freguesias.

Durante o Cortejo Etnográfico, dedicado aos ‘Ofícios da Nossa Terra’, a freguesia de Abadim trouxe o tema ‘O Pedreiro’, a União de Freguesias de Alvite e Passos ‘Professora Maria Augusta de Medeiros Pereira’, a União de Freguesias de Arco de Baúlhe e Vila Nune ‘As Estalagens’, a freguesia de Basto a ‘Construção de Carros de Bois’, a freguesia de Bucos o ‘Pisão e o Grupo de Capuchas’, a freguesia de Cabeceiras de Basto o tema ‘Dr. Francisco de Sales Leite de Castro e Meireles (Médico)’, a freguesia da Faia ‘O Tamanqueiro’, a União de Freguesias de Gondiães e Vilar de Cunhas o ‘Caçador’, Pedraça ‘O Alfaiate’, a União de Freguesias de Refojos de Basto de Basto, Outeiro e Painzela o ‘Engraxador Pimenta, a Doceira Tiaga, o Cesteiro Joaquim e o Armeiro Baltazar’ e a freguesia de Riodouro o ‘Ciclo do Pão’.

Apesar de ter beneficiado do contributo do Centro de Teatro para a construção do seu carro alegórico, a Junta de Freguesia de Cavez, à última hora e sem qualquer justificação, faltou ao cortejo etnográfico. De referir que as gentes de Cavez envolveram-se e estavam preparadas para representar a sua freguesia, pelo que a Câmara Municipal lamenta que a Junta de Cavez não tenha comparecido.

Centenas de pessoas foram ao longo dos últimos meses mobilizadas para construir e ornamentar os carros alegóricos, bem como participar nos mesmos, dando corpo a um cortejo renovador, onde a criatividade, a inovação no tratamento dos temas apresentados surpreenderam o numeroso público que se posicionou ao longo do trajeto.

De destacar, ainda, que este cortejo etnográfico, marcado por uma forte componente cénica, emerge também de um trabalho de transformação cultural levado a cabo pelo Centro de Teatro da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto. Uma iniciativa que tem vindo a agregar diversos agentes e população local em torno de oficinas de teatro, de escultura e de expressão, que tem registado o agrado e grande adesão por parte de crianças, jovens, adultos e idosos, onde todos podem participar e dar o seu contributo.

Esta iniciativa foi organizada pela Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto e pela Basto Vida, em parceria com as Juntas de Freguesia, as associações e coletividades locais que deram corpo a este cortejo.

Na tribuna assistiram ao desfile dos ‘Ofícios da Nossa Terra’ o presidente da Câmara Municipal, Francisco Alves, os vereadores, Dra. Isabel Coutinho, Alfredo Magalhães e Prof. Mário Leite e demais autarcas das freguesias.

No final foram entregues lembranças de participação a todas as freguesias participantes neste cortejo.

Esta noite será de grande animação no palco da Agro Basto com os cantadores ao desafio Diana Fraga de Guimarães, Lopes de Travassô e Carvalho de Cucana.

A Feira que também é Festa de S. Miguel continua até ao próximo dia 30 de setembro com grande animação, emprestando a esta vila um cenário de grande beleza.

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VILA VERDE COMEMORA 3º ANIVERSÁRIO DO MUSEU DO LINHO

A freguesia de Marrancos, em Vila Verde, comemorou o 3º aniversário do Museu do Linho e recriou uma espadelada tradicional

A chama da tradição continua bem viva em Marrancos!

A freguesia de Marrancos voltou a celebrar a riqueza da herança cultural minhota com a recriação de uma tradicional Espadelada do Linho. A iniciativa, que teve lugar durante a tarde de ontem (3 de setembro), serviu também para festejar o terceiro aniversário do Museu do Linho, o único museu nacional dedicado integralmente ao ciclo do linho, desde a sementeira até aos belos bordados que chegam às nossas casas. S. Pedro deu uma ajuda e brindou organização e participantes com uma soalheira tarde de Verão.

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A recriação da espadelada abriu as hostilidades e deu o mote para uma viagem no tempo, que levou participantes e intervenientes a recuarem dezenas de anos na história vilaverdense. Trajadas a preceito, com as vestes de outrora, mais de duas dezenas de mulheres manuseavam as alfaias artesanais utilizadas no processo de transformação da viçosa e verdejante planta do linho, que depois da colheita ainda tem de percorrer várias etapas até chegar ao tear. De seguida, começou o encontro de cantares tradicionais do ciclo do linho, que contou com a participação da associação Cultural e Recreativa de Marrancos e de grupos convidados do vizinho concelho de Ponte de Lima. Para o final da tarde estava marcado um convívio à boa moda minhota com uma farta merenda e muita alegria à mistura.

Visitantes de vários continentes

Pelo meio, decorreram também algumas visitas guiadas ao Museu do Linho, que celebrava o terceiro aniversário. As visitas foram conduzidas pelo Sr. Abílio Ferreira, um especialista na matéria e um dos principais responsáveis pela preservação e divulgação desta prática ancestral, que divertidamente foi elucidando os visitantes sobre todo o ciclo do linho, desde a sementeira até ao tear. Com três anos de existência, o Museu do Linho conta já com milhares de visitantes vindos de vários pontos do planeta. Além de inúmeros países europeus, já recebeu visitas da Nova Zelândia, Argélia, Israel e Venezuela, entre outros.

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Valorizar a tradição e promover o território

Presente no local, o presidente do Município de Vila Verde não poupou elogios à organização do evento. António Vilela felicitou o presidente da ARC de Marrancos, Abílio Ferreira, o grande mentor do projeto e mecenas que doou o espólio existente no museu, e a presidente da Junta da União de Freguesias de Arcozelo e Marrancos, Anabela Fernandes, pelo afinco e determinação na divulgação desta prática ancestral que faz parte da cultura da nossa região. Um esforço meritório que permitiu preservar a tradição pela transmissão destes saberes às gerações mais novas e, em simultâneo, valorizar e promover o território.

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O linho e os Lenços de Namorados

“Hoje é um dia de particular felicidade por celebrarmos o aniversário do Museu, que representa as nossas origens, e por participarmos numa iniciativa de promoção da tradição e dinamização do território. Em tempos o linho foi importante na nossa economia e hoje consegue continuar a sê-lo. Esta herança cultural foi muito bem aproveitada e gera atratividade para o território, mobiliza a economia e o impulsiona o desenvolvimento”, afirmou o edil, recordando os belos bordados de linho que se faziam na região, entre os quais se destacaram os Lenços de Namorados, que hoje são um dos maiores ícones culturais vilaverdenses.

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AMADEU COSTA FOI O GRANDE DIVULGADOR DAS MAIS GENUÍNAS TRADIÇÕES DAS GENTES DE VIANA DO CASTELO

Vianenses pretendem que seja prestada a homenagem que lhe é devida

Amadeu Costa é uma figura incontornável da cultura tradicional de Viana do Castelo, pelo estudo e divulgação que dela realizou ao longo de toda a sua vida. A ele se deve, entre outros aspetos, o incansável estudo dedicado a Viana do Castelo e aos usos e costumes locais, mormente o traje tradicional, além da organização das Festas de Nossa Senhora d'Agonia.

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Em devido tempo, a Câmara Municipal de Viana do Castelo publicou as suas obras completas. Na coleção dedicada ao folclore conta-se “Festas e tradições populares (2001), “Traje, artesanato e tradição” (2012), “Tradições da Ribeira” (1998). Por seu turno, a coleção “História e Memórias de Viana” inclui “Figuras e personalidades”, “Sítios, monumentos e obras de arte”, “Teatro” e “Tradições várias”

A Amadeu Costa deve Viana do Castelo, em grande medida, a criação de um museu dedicado ao traje regional – o Museu do Traje – o qual veio a instalar-se em 1996, no edifício do Banco de Portugal.

Foi ele que organizou a exposição Traje Regional, a primeira que aqui se realizou e, no ano seguinte, organizou também a exposição que marcou a inauguração do Museu: Ambientes Regionais e Trajes, razão pela qual foi atribuído o seu nome a uma das suas salas do Museu do Traje. Um museu, aliás, que deveria merecer maior atenção por parte de muitos responsáveis de grupos folclóricos representativos da nossa região com vista a uma representação mais rigorosa dos nossos trajes tradicionais.

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Há 5 anos, os seus descendentes doaram ao Museu do Traje de Viana do Castelo uma valiosa coleção de trajes que pertenciam a Amadeu Costa, a qual inclui algibeiras, aventais, saias, coletes, casacas, camisas, lenços, calçado, meias, toalhas e trajes de homem e mulher.

Garantem muitos vianenses que, no seu tempo, por ocasião das Festas de Nossa Senhora d’Agonia, Amadeu Costa não autorizava a entrada no cortejo de meninas com unhas pintadas ou de gel, com maquilhagem ou outros assessórios que desvirtuam a autenticidade da representação das nossas tradições, condição que nos tempos que correm parece não estar completamente garantida.

O semanário vianense “Falcão do Minho” apresenta o ilustre etnógrafo nos seguintes termos: “Amadeu Costa, de seu nome completo Amadeu Alberto Lima da Costa, nasceu no Bairro da Ribeira, mais propriamente na Rua do Loureiro (no troço hoje denominado Rua Monsenhor Daniel Machado), a 23 de Outubro de 1920, filho de Manuel José Costa, piloto-mor da Barra do Porto de Viana do Castelo.

O seu espírito aberto, a sua inata simpatia, a sua admirável comunicabilidade, a bonomia, tolerância e humildade de que sempre deu provas, fizeram dele uma pessoa muito considerada e respeitada.

Amadeu Costa dedicou-se à investigação e a interpretar, nos mais íntimos pormenores, os usos e costumes e as tradições tanto da cidade (principalmente da Ribeira) como de todo o concelho.

Todo esse imenso saber que adquiriu, aliado à sua fina sensibilidade para as artes e bom gosto de decorador, revelaram Amadeu Costa em diversificados eventos e dotaram-no de um aureado estatuto de artista no campo da decoração, etnografia, caligrafia, etc. Em reforço de tudo isto, deve dizer-se que, além da família, ou juntamente com ela, a Princesa do Lima era a sua grande paixão. Na realidade, foram inúmeras as actividades desenvolvidas e promovidas por Amadeu Costa em prol da manutenção dos costumes, das tradições e da cultura regional.”

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BRAGA CERTIFICA VIOLA BRAGUESA

Certificação da Viola Braguesa é factor de projecção do território. Projecto em destaque na Feira de Artesanato de Vila do Conde

O processo de certificação da Viola Braguesa esteve esta Sexta-feira, dia 5 de Agosto, em destaque na Feira Nacional de Artesanato de Vila Conde onde se realizou uma sessão de esclarecimento dirigida a construtores, tocadores e colecionadores. A iniciativa contou com a presença de António Barroso, em representação do Município de Braga, e de Teresa Costa, directora-geral da Adere-Minho, enquanto entidade certificadora.

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Segundo António Barroso, a certificação da Viola Braguesa é uma forma de assegurar que as tradições e os valores se mantêm fiéis à sua identidade. “A Câmara Municipal definiu como prioridade a valorização do património nas suas mais diversas vertentes. É por isso que consideramos a Viola Braguesa um factor de atracção e projecção do território”, afirmou, numa sessão abrilhantada por Paulo Rocha e Xico Malheiro.

O representante do Município lembrou que Braga possui um vasto número de produtores de referência de instrumentos musicais, sendo mesmo considerada a pátria da Viola Braguesa. “Entendemos que era importante dar este passo ambicioso e avançar para o processo de certificação, garantindo desta forma a sua preservação, promoção e manutenção dos padrões de qualidade definidos”, adiantou, sustentando que este é também um “exemplo que Braga dá a outros Municípios”.

Recorde-se que o processo de certificação deste instrumento musical é liderado pelo Município de Braga, sendo a Adere-Minho o organismo de certificação.

A existência da Viola Braguesa, também designada de viola de Braga, surge documentada desde o século XVII e é o instrumento mais popular do Noroeste Português entre o Douro e Minho. Toca-se a solo ou no acompanhamento do canto em “Rusgas”, “Chulas” e “Desafios”. Como todas as Violas Portuguesas, a Braguesa pertence a um género musical exclusivamente lúdico e festivo e integra o mesmo tipo fundamental comum a todos os cordofones da família das ”guitarras” espanholas e europeias, a que pertence.

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Feira de Artesanato mostra espólio de Domingos Machado

A edição deste ano da Feira Nacional de Artesanato de Vila do Conde destaca os “Artesãos do Som”, com a presença de cerca de duas dezenas de artesãos de instrumentos musicais que, ao vivo, demonstram os seus talentos e mestria na construção de cordofones (instrumentos musicais em que o som é produzido por uma corda tensa), idiofones (instrumentos em que o som é produzido pelo corpo do instrumento), membranofones (instrumentos cujo som resulta de uma membrana, ou de uma pele esticada) e aerofones (instrumentos em que o som é produzido pela vibração do ar).

Na parte central do recinto do evento, está patente uma exposição com as «13 Fases de Construção de Um Cavaquinho», baseada no espólio que o artesão Bracarense Domingos Machado reúne no Museu dos Cordofones, em Tebosa.

Inaugurado em 1995, este é um museu privado criado pelo artesão violeiro que mantém a mais completa coleção de cordofones portugueses: guitarras, cavaquinhos, banjos, banjolins e bandolins, violas clássicas e violas típicas (beiroa, braguesa, da terra).

NÚCLEO DE ETNOGRAFIA E FOLCLORE DA UNIVERSIDADE DO PORTO APRESENTA ESPETÁCULO SOBRE TRADIÇÕES DAS POPULAÇÕES COSTEIRAS

Sargaceiros da Casa do Povo da Apúlia participam no evento

Tendo por base tradições portuguesas do início do século XX, Maresia apresenta aspectos da vida quotidiana das povoações costeiras, bem como canções e danças referentes ao mar do cancioneiro popular da época.

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Lendas, superstições, crenças e fé surgem no contexto da faina da pesca e dos costumes das povoações costeiras. As relações familiares e comunitárias em contexto de trabalho e de festa, bem como a distribuição de papéis sociais e de género, são também retratadas nesta Maresia.

Maresia nasce da inquieta atracão pelo mar dos portugueses, retratada em canções, danças e tradições recolhidas por todo o país, que nos revelam um mar cão e irado, mas também um mar de rosas, a que inexoravelmente sempre acabamos por regressar.

Maresia é um espectáculo do Núcleo de Etnografia e Folclore da Universidade do Porto e contará com a participação do Grupo dos Sargaceiros da Casa do Povo de Apúlia, este domingo, dia 10 de Julho, às 16h00.

FAFE REGRESSA AO SÉCULO XIX

Centro da cidade de Fafe recua ao séc. XIX. Feira Tradicional com montra do melhor da região

Na próxima sexta-feira, 10 de Junho, o Rancho Folclórico de Fafe organiza, com o apoio da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia, mais uma edição da Feira Tradicional.

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Como já vem sendo hábito, a Praça 25 de Abril vai ser ocupada por feirantes dos mais diversos ramos, recriando a feira tradicional realizada, no centro da cidade, no século XIX.

Ao longo de todo o dia, no coração da cidade, vão estar vários expositores, trajados a rigor, à época, com produtos agrícolas, louças de barro, fumeiro, doces tradicionais, entre outros.

Desta forma, cria-se o ambiente perfeito para o regresso à memória da vida no campo e às vivências individuais e coletivas do mundo rural, tradicional do concelho.

“Pretende-se recriar uma feira, com modas e ambiente típico da época, onde são comercializados produtos como eram comercializados antigamente quer na forma de estar, nos pregões e até no vestuário e na forma de colocar os produtos à mostra dos visitantes.

A Feira Tradicional é uma iniciativa que permita apresentar a todos um cenário fidedigno dos usos e costumes de um povo numa época, onde as componentes cultural, social e histórica estão representados através dos produtos regionais, dos trajes e cantares populares”, revela Manuel Joaquim Gonçalves Costa, Presidente do Rancho Folclórico de Fafe, responsável pela organização.

Raul Cunha, Presidente da Câmara Municipal de Fafe, enaltece o valor destas feiras como forma de recordar tradições.

“A feira de 10 de Junho é uma tradição em Fafe de há muitos anos. Faz todo o sentido que no dia em que celebramos Portugal, evoquemos as tradições e vivências do nosso concelho, com o recriar da feira tradicional que se realizava no centro da cidade e que atraia centenas de pessoas.

Cria-se um ambiente fantástico e as pessoas envolvem-se porque são as suas memórias que nesses dias também são avivadas. A ruralidade sempre foi uma marca muito forte do nosso concelho e queremos continuar a preservar essas vivências, experiências e tradições.”

A Feira Tradicional tem início marcado para as 9h00 e termina às 18h00.

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MONÇÃO REALIZA CORTEJO ETNOGRÁFICO DAS FREGUESIAS

48 carros alegóricos de 23 uniões e freguesias do concelho circularam no centro histórico perante o olhar interessado e entusiasmado de milhares de pessoas. Uma jornada de alegria e animação mas também de valorização da ruralidade. Para Augusto de Oliveira Domingues é “um orgulho enorme ser presidente de uma terra viva com juntas e associações empenhadas na defesa da tradição”.

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O Cortejo Etnográfico das Freguesias encerrou, com chave de ouro, o Corpo de Deus/Festa da Coca, festividades do concelho de Monção. O percurso, marcado por muita animação e alegria, trouxe ao centro histórico da vila raiana as tradições mais castiças e emblemáticas das nossas aldeias.

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Na edição desde ano, participaram 48 carros alegóricos de 23 uniões e freguesias do concelho, perante o olhar interessado e entusiasmado de milhares de pessoas. A freguesia de Merufe, recriando o ciclo do linho, brindou os presentes com 9 carros.

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À semelhança dos anos anteriores, o local de maior afluência de público situou-se na Praça Deu-la-Deu Martins, em frente à Casa do Curro, onde estava localizada uma bancada e os carros alegóricos paravam alguns minutos, “produzindo” alguns quadros do quotidiano das suas freguesias.

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Na bancada, o autarca local, Augusto de Oliveira Domingues, mostrava satisfação perante os cenários de antigamente e os quadros humorísticos dos grupos participantes. No final, confidenciou o enorme orgulho em ser presidente de uma terra viva com juntas e associações empenhadas na defesa e valorização da tradição.

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Sem nenhuma temática definida, os responsáveis pela decoração dos carros puxaram pela imaginação e criatividade, mostrando aos munícipes e visitantes as tradições mais castiças e emblemáticas dos aglomerados rurais, oferecendo, um misto de genuinidade e voluntarismo nas respectivas recriações.

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Além da sonoridade característica das nossas aldeias como bombos, concertinas e cavaquinhos, foram vivenciados, nas ruas do casco urbano, alguns aspetos de ruralidade como a prática da pastorícia, o trabalho do granito, as vindimas, a malhada do centeio, a fiada, a desfolhada, ou a doçaria local com as roscas e papudos.

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A riqueza gastronómica do concelho também marcou presença com a “Foda à Monção”, fumeiro, os enchidos, o mel, e a broa de milho confeccionada em forno comunitário. Quem veio ao centro histórico nesta tarde, ficou a saber mais sobre a identidade cultural e patrimonial das freguesias monçanenses num percurso marcado por muita animação e alegria.

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Algumas das freguesias aproveitaram o cortejo para lançar algumas farpas em forma de rima cruzada ou para reivindicar junto do poder politico alguma prioridade local. Outras optaram por promover alguns eventos com realização próxima. Casos do Ponte de Mouro Medieval, dias 9, 10 e 11 de junho, Festa de Cerveja Artesanal, em Podame, dias 29 e 30 de julho e 1 de agosto, e Feira do 27, Ceivães, 27 de agosto.

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MONÇÃO REALIZA CORTEJO ETNOGRÁFICO DAS FREGUESIAS

Percurso, marcado por muita animação e alegria, promete trazer ao centro histórico as tradições mais castiças e emblemáticas dos aglomerados rurais, oferecendo, um misto de genuinidade e voluntarismo nas respetivas recriações.

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O Cortejo Etnográfico das Freguesias encerra, com chave de ouro, o Corpo de Deus/Festa da Coca de 2016. Realiza-se no dia 29 de maio, domingo, pelas 16h00, saindo do campo da feira e percorrendo as principais artérias do centro histórico da vila.

Os carros alegóricos participantes no cortejo saem das Portas do Sol, sobem a Rua 25 de Abril, passam pela Praça da República e contornam a Praça Deu-la-Deu Martins, “estacionando” na Avenida das Caldas após passagem pela Rua 5 de Outubro e Largo S. João de Deus.

À semelhança dos anos anteriores, o local de maior presença de público será na Praça Deu-la-Deu Martins, em frente à Casa do Curro, onde estará localizada uma bancada e os carros alegóricos vão parar alguns minutos, “produzindo” alguns quadros do quotidiano das suas freguesias.

Sem nenhuma temática definida, os responsáveis pela decoração dos carros prometem puxar pela imaginação e criatividade, mostrando aos munícipes e visitantes as tradições mais castiças e emblemáticas dos aglomerados rurais, oferecendo, um misto de genuinidade e voluntarismo nas respectivas recriações.

Além da sonoridade característica das nossas aldeias como bombos, concertinas e cavaquinhos, podem ser vivenciados, nas ruas do casco urbano, alguns aspetos de ruralidade como a prática da pastorícia, o trabalho do granito, as vindimas, a malhada do centeio, a fiada, a desfolhada, ou a doçaria local com as roscas e papudos.

A riqueza gastronómica do concelho também marca presença com o fumeiro, os enchidos, o mel, e a broa de milho confeccionada em forno comunitário. Quem vir ao centro histórico nesta tarde, ficará a saber mais sobre a identidade cultural e patrimonial das freguesias monçanenses num percurso marcado por muita animação e alegria.

MÁSCARA IBÉRICA ENCANTOU A BAIXA LISBOETA

XI Festival Internacional da Máscara Ibérica (FIMI). Mostra das Regiões e da Cultura Tradicional

A XI Edição do Festival Internacional da Máscara Ibérica voltou a trazer a Lisboa a cultura popular que envolve a máscara ibérica e nem a chuva que se fez sentir este fim-de-semana demoveu os muitos caretos e mascarados de marcarem presença na Praça do Rossio.

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Ao longo dos quatro dias de FIMI a programação variada, a grande diversidade cultural, as máscaras e trajes típicos da Península Ibérica, assim como os produtos regionais, artesãos, tertúlias, workshops, exposições, concertos, entre várias outras atrações encantaram o público e surpreenderam os turistas que passaram pelo centro histórico de Lisboa.

A XI Edição do FIMI fica marcada pela vontade, empenho e inabalável dedicação dos grupos de mascarados vindos de Portugal, Espanha e Itália, que brindaram o público com divertidas performances e encantaram pequenos e graúdos.

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O adiamento do XI Desfile da Máscara Ibérica levou ao agendamento de uma concentração de máscaras, que decorreu na Praça do Rossio durante a manha de domingo. Esta alternativa superou as expectativas da organização, garantiu uma forte adesão nesse dia e agradou bastante ao público e aos vários grupos de mascarados, chegando mesmo a ser pedido que esta concentração se mantivesse em edições futuras, a par do grande Desfile da Máscara Ibérica.

Na sexta-feira e no Domingo decorreram também os habituais concertos no Palco Ibérico, com três bandas que surpreenderam o público com a sua versatilidade, talento e original sonoridade. Sexta-feira ficou a cargo da banda mirandesa Trasga e no domingo o palco foi dividido pelos espanhóis Rarefolk e pelos portugueses Fanfarra Kaústika.

O Festival Internacional da Máscara Ibérica é cada vez mais uma referência na mostra da cultura popular ibérica, um evento diferenciado a nível nacional e internacional. Para o próximo ano voltaremos a surpreender e a revelar muitas novidades, tentando sempre superar as expectativas do público, procurando fazer do FIMI uma marca não só a nível ibérico mas também internacional.

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FESTIVAL INTERNACIONAL DA MÁSCARA IBÉRICA TERMINOU EM APOTEOSE

A concentração de máscaras anunciada para a manhã de ontem no Rossio traduziu-se numa autêntica turba de diabos, diabinhos e diabretes aos pulos, a chocalhar e a fazer toda a sorte de diabruras. Ao intenso colorido das máscaras e demais indumentária dos caretos misturou-se uma grande barulheira produzida por chocalhos e o bater de ferros nas enxadas, que por vezes nos remetia para ancestrais ritmos musicais quando a melodia ainda era praticamente inexistente.

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O homem identifica-se e confunde-se com a natureza que o rodeia, seja ela do mundo animal ou vegetal. E, vai ainda mais longe ao acreditar que através dos ritos assegura o processo de criação e a continuidade da vida, nomeadamente através de rituais de fertilidade como os dos cardadores ou o chocalhar das moças. Constitui na realidade um exercício de magia através do qual – o rito – procura celebrar o mito ou seja, a ação criadora dos deuses.

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Este festival procura preservar as tradições pagãs dos rituais da máscara, raramente vistos fora dos seus contextos de origem. Galiza, Leão, Zamora, Cáceres, Astúrias, Salamanca e Guadalajara são as regiões do país vizinho que se fazem representar este ano no XI Grande Desfile da Máscara Ibérica.

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E, por pagão – do latim paganus – entenda-se o aldeão, nossos antepassados mais remotos, vendo na natureza que o rodeia e envolve a manifestação suprema do divino, a universalidade de todas as coisas e seres com a qual se deveria estar em comunhão plena. As máscaras e todo o ruído envolvente destinavam-se a afastar os demónios do inverno e a assegurar o perpétuo renascimento da vida, dos vegetais e de toda a criação. Uma crença que persiste através da tradição e em celebrações dissimuladas do Cristianismo cujos ritos absorveu conferindo-lhe nova roupagem.

Para o próximo ano, as máscaras tradicionais voltam ao Rossio, esperando que então S. Pedro revele maior benevolência de modo a permitir a realização do grandioso cortejo de mascarados.

Fotos: Manuel Santos

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FESTIVAL INTERNACIONAL DA MÁSCARA IBÉRICA: A FESTA CONTINUA!

Apesar da desagradável partida que S. Pedro resolveu pregar-nos em plena Primavera e que levou ao cancelamento do Grande Desfile da Máscara Ibérica pela qual milhares de pessoas ansiavam, o Festival continua no Rossio e amanhã, a partir das 11 horas, haverá concentração dos grupos participantes. E, nem o diabo vai faltar à festa!

As tendas continuam a receber inúmeros visitantes que aproveitam para apreciar as especialidades gastronómicas de Portugal e Espanha, o seu artesanato, doçaria, vinhos, licores e, como não podia deixar de ser, a tão variada oferta turística cultural.

Amanhã, prevê-se que o sol venha a irromper de novo triunfante por entre as pesadas nuvens e realce o colorido de um dos mais alegres eventos que todos os anos se realiza em Lisboa – o Festival Internacional da Máscara Ibérica!

Fotos: Manuel Santos

O QUE É O FESTIVAL INTERNACIONAL DA MÁSCARA IBÉRICA?

O Festival Internacional da Máscara Ibérica (FIMI) é um dos diferentes projetos desenvolvidos pela Progestur – Associação para a Promoção, Gestão e Desenvolvimento do Turismo em Portugal, que tem em vista a preservação e divulgação das manifestações de cariz popular associadas à tradição pagã dos rituais da máscara, raramente vistos fora dos seus contextos de origem.

A Progestur é uma associação cultural sem fins lucrativos, cujo lema se baseia na “afirmação da identidade cultural Portuguesa”. Fundada em 2003, tem desde então dedicado o trabalho ao que de mais genuíno e autêntico existe na cultura portuguesa, operando no seu registo, promoção e divulgação.

Esta entidade tem como objetivos Preservar o património cultural português, promover a cultura, artes e tradições nacionais e dinamizar o turismo cultural no país e no estrangeiro, nomeadamente através do desenvolvimento de projetos de turismo cultural, consultoria e estruturação da oferta turística e cultural, preservação e promoção do património imaterial e turismo cultural, organização de eventos, atividades lúdicas, científicas e pedagógicas como workshops, exposições, debates e congressos, produção de conteúdos e edição de livros.

Considerado um dos maiores eventos de cultura ibérica em Portugal e com forte contribuição para a promoção turística, o FIMI é reconhecido como um evento de interesse turístico internacional.

Nos quatro dias do festival mais de 500.000 visitantes de várias nacionalidades visitam o recinto, num evento que desperta forte cobertura mediática, onde se destacam transmissões ao vivo de televisões portuguesas e espanholas.

O FIMI tem muitas mais atrações e atividades que convidam o público a visitar a Praça do Rossio, podendo ainda assistir a concertos de bandas vindas de Portugal e Espanha, que vão atuar no Palco Ibérico.

ALTERAÇÃO NA PROGRAMAÇÃO – XI FIMI

A Progestur e a EGEAC informa que devido às más condições climatéricas que se vão fazer sentir neste sábado, dia 7 de Maio, seremos obrigados a cancelar o XI Desfile da Máscara Ibérica, agendado para as 16h30.

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Será no entanto realizada uma concentração com os grupos convidados para o desfile, que decorrerá domingo, na Praça do Rossio pelas 11h00 da manha.

O Palco Ibérico também terá algumas alterações, ficando o concerto dos Rarefolk reagendado para domingo às 16h00, seguindo-se a banda portuguesa Fanfarra Káustika às 18h00.

Não perca Domingo, dia 8 de Maio, na Praça do Rossio a grande concentração de máscaras de Portugal e Espanha.

MINHO PARTICIPA NO FESTIVAL INTERNACIONAL DA MÁSCARA IBÉRICA EM LISBOA

Amanhã realiza-se o tradicional desfile da Máscara Ibérica, com partida da Praça do Município às 16h30

O Minho faz-se este ano representar no Festival Internacional da Máscara Ibérica através dos Gigantones e Cabeçudos da Equipa Espiral, proveniente de Braga. Trata-se de uma tradição associada às festas de São João, ocasião em que milhares de pessoas saem à rua acompanhados destas figuras disformes e desproporcionais às quais os bracarenses chamavam-lhes “amazonas”. Remontam ao século XVII os registos mais antigos que até ao momento se conhecem, dando conta da sua participação em procissões realizadas à época, acreditando-se que as mesmas possam ter origem nos contos e lendas da mitologia germânica popularizadas através da literatura infantil.

Também os enchidos tradicionais de Ponte de Lima marcam a sua presença na feira que se encontra instalada no Rossio, atraindo à sua tenda, muitos apreciadores das nossas iguarias tradicionais.

Amanhã regista-se o momento alto do Festival Internacional da Máscara Ibérica. Cerca de 30 grupos de Portugal e Espanha, reunindo mais de meio milhar de mascarados, vão desfilar desde a Praça do Município até ao Rossio, atraindo à baixa lisboeta muitos milhares de pessoas. É o Grande Desfile da Máscara Ibérica que já vai na 11ª edição.

Até ao próximo dia 8 de maio, encontra-se instalada na Praça D. Pedro IV, vulgo Rossio, uma autêntica feira a promover a nossa gastronomia tradicional das mais diversas regiões de Portugal e Espanha, nomeadamente queijos, doçaria, fumeiro, licores e compotas. A isto acrescenta-se o artesanato e a promoção turístico-cultural, com música à mistura, tertúlias, concertos musicais e muita animação de rua.

Este festival procura preservar as tradições pagãs dos rituais da máscara, raramente vistos fora dos seus contextos de origem. Galiza, Leão, Zamora, Cáceres, Astúrias, Salamanca e Guadalajara são as regiões do país vizinho que se fazem representar este ano no XI Grande Desfile da Máscara Ibérica.

A iniciativa é da Progestur – Associação para a Promoção, Gestão e Desenvolvimento do Turismo Cultural em Portugal, em parceria com a EGEAC e a Câmara Municipal de Lisboa.

FESTIVAL INTERNACIONAL DA MÁSCARA IBÉRICA COMEÇOU HOJE EM LISBOA

No próximo sábado realiza-se o grandioso desfile de máscaras, entre a praça do Município e o Rossio

XI Festival Internacional da Máscara Ibérica (FIMI) de 5 a 8 de Maio | Lisboa, 2016. Mostra de produtos regionais, artesanato e animação. Lisboa vai andar de máscara de 5 a 8 de Maio! Venham descobri-la no Rossio!

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O XI Festival Internacional Máscara Ibérica (FIMI) regressa às ruas de Lisboa entre 5 e 8 de Maio com um programa dinâmico e variado, que inclui uma mostra de artesanato e produtos regionais, promoção turístico-cultural, concertos, música, tertúlias, concurso de fotografia e muita animação de rua.

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Esta iniciativa da PROGESTUR - Associação para o Desenvolvimento do Turismo Cultural - em parceria com a EGEAC - Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural - e Câmara Municipal de Lisboa, decorre na Praça do Rossio e atrai visitantes de várias nacionalidades à baixa lisboeta.

O ponto alto do FIMI 2016 é o XI Desfile da Máscara Ibérica, que este ano decorre no dia 7 de Maio às 16.30h e conta com a participação de 28 grupos de mascarados, vindos de várias regiões da Península Ibérica, e com mais de 500 participantes.

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A organização do XI Festival Internacional da Máscara Ibérica tem o prazer de convidar a comunicação social a estar presente na conferência de imprensa, que se realiza no dia 6 de Maio às 11.30h, após a abertura evento. Agradecemos a sua confirmação.

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A cultura ibérica – património e tradição – a desfilar por Lisboa! De 5 a 8 de Maio a partir das 11h com entrada livre!

Fotos: Manuel Santos

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FESTIVAL INTERNACIONAL DA MÁSCARA IBÉRICA COMEÇA AMANHÃ EM LISBOA

XI Festival Internacional da Máscara Ibérica (FIMI) de 5 a 8 de Maio | Lisboa, 2016. Mostra de produtos regionais, artesanato e animação

Lisboa vai andar de máscara de 5 a 8 de Maio! Venham descobri-la no Rossio!

O XI Festival Internacional Máscara Ibérica (FIMI) regressa às ruas de Lisboa entre 5 e 8 de Maio com um programa dinâmico e variado, que inclui uma mostra de artesanato e produtos regionais, promoção turístico-cultural, concertos, música, tertúlias, concurso de fotografia e muita animação de rua.

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Esta iniciativa da PROGESTUR - Associação para o Desenvolvimento do Turismo Cultural - em parceria com a EGEAC - Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural - e Câmara Municipal de Lisboa, decorre na Praça do Rossio e atrai visitantes de várias nacionalidades à baixa lisboeta.

O ponto alto do FIMI 2016 é o XI Desfile da Máscara Ibérica, que este ano decorre no dia 7 de Maio às 16.30h e conta com a participação de 28 grupos de mascarados, vindos de várias regiões da Península Ibérica, e com mais de 500 participantes.

A organização do XI Festival Internacional da Máscara Ibérica têm o prazer de convidar a comunicação social a estar presente na conferência de imprensa, que se realiza no dia 6 de Maio às 11.30h, após a abertura evento. Agradecemos a sua confirmação.

A cultura ibérica – património e tradição – a desfilar por Lisboa! De 5 a 8 de Maio a partir das 11h com entrada livre!

FESTIVAL INTERNACIONAL DA MÁSCARA IBÉRICA ARRANCA EM LISBOA NA PRÓXIMA QUINTA-FEIRA

XI Festival Internacional da Máscara Ibérica (FIMI) realiza-se de 5 a 8 de Maio | Lisboa, 2016

Começa já no próximo dia 5 de Maio o Festival Internacional da Máscara Ibérica. O BLOGUE DO MINHO entrevistou o Dr. Hélder Ferreira, Presidente da Progestur, entidade organizadora do evento.

A Progestur é uma associação cultural sem fins lucrativos, cujo lema se baseia na “afirmação da identidade cultural Portuguesa”. Fundada em 2003, tem desde então dedicado o trabalho ao que de mais genuíno e autêntico existe na cultura portuguesa, operando no seu registo, promoção e divulgação. Esta entidade tem como objetivos Preservar o património cultural português, promover a cultura, artes e tradições nacionais e dinamizar o turismo cultural no país e no estrangeiro, nomeadamente através do desenvolvimento de projetos de turismo cultural, consultoria e estruturação da oferta turística e cultural, preservação e promoção do património imaterial e turismo cultural, organização de eventos, atividades lúdicas, científicas e pedagógicas como workshops, exposições, debates e congressos, produção de conteúdos e edição de livros.

Considerado um dos maiores eventos de cultura ibérica em Portugal e com forte contribuição para a promoção turística, o FIMI é reconhecido como um evento de interesse turístico internacional.

Nos quatro dias do festival mais de 500.000 visitantes de várias nacionalidades visitam o recinto, num evento que desperta forte cobertura mediática, onde se destacam transmissões ao vivo de televisões portuguesas e espanholas.

Este ano o Desfile da Máscara Ibérica está marcado para o dia 7 de Maio às 16h30 e vai contar com 27 grupos e 500 participantes.

O FIMI tem muitas mais atrações e atividades que convidam o público a visitar a Praça do Rossio, podendo ainda assistir a concertos de bandas vindas de Portugal e Espanha, que vão atuar no Palco Ibérico.

BLOGUE DO MINHO – Como surgiu a ideia do FIMI e quais os principais objectivos a que então se propuseram?

Hélder Ferreira (Progestur) – O Festival Internacional da Máscara Ibérica, FIMI, acontece pela primeira vez em Lisboa a convite da CML após o lançamento do I volume de “Máscara Ibérica”, no Teatro D. Maria II. Hoje, podemos dizer, que foi após esse dia que se estabeleceu uma parceria entre a CM de Lisboa e a Progestur, que levou a que viéssemos a preparar no ano seguinte, o primeiro desfile e uma grande exposição, sobre o tema da Máscara, que decorreu na estação do Rossio, quando esta se encontrava em obras, e assim disponibilizou o piso térreo para várias exposições, entre elas, a da "Máscara Ibérica" que teve mais de 250.000 visitantes. Depois foi crescendo ano após ano, até atingirmos a dimensão que o FIMI alcançou nos dias de hoje.  

BM – Apesar de se tratar de um Festival da Máscara Ibérica o que pressupõe uma abrangência limitada aos países que fazem parte da Península Ibérica, têm participado nas várias edições representações de outros países europeus. Pretendem com isso alargar a área de representação a tradições semelhantes em toda a Europa?

Hélder Ferreira (Progestur) – Temos convidados em algumas edições alguns (poucos) grupos de fora da Península Ibérica, porque pensamos que veem acrescentar mais valor ao desfile e na maior parte das vezes tratam-se de grupos com quem estamos a desenvolver projetos internacionais. E possível que no futuro o festival, e o desfile em particular, possa vir a apresentar mais grupos de outras proveniências que não só a Península Ibérica, mas para já pensamos em manter este figurino, sendo que estamos nesta altura a debater com a EGEAC o futuro do FIMI. Queremos continuar a crescer, continuar a surpreender mas também cada vez mais a ser uma referência internacional na divulgação do tema "rituais com máscara" e das regiões envolvidas.

 

BM – Existe um claro predomínio da região de Trás-os-Montes no que à divulgação destas tradições diz respeito no nosso país. Não existirão vestígios de costumes semelhantes noutras regiões do país, mormente no Minho?

Hélder Ferreira (Progestur) – Vestígios sim, mesmo noutras zonas do País, contudo atualmente no Minho não temos conhecimento de rituais que ainda hoje aconteçam, com exceção do "Pai Velho" no Lindoso, que tem características distintas dos rituais presentes no nosso projeto, mas não deixa de ser uma encenação baseada numa máscara. Claro que num enquadramento mais antropológico, podíamos ir bastante mais longe quanto as festividades que nas suas encenações fazem uso da máscara, e nesse caso iriamos falar por exemplo dos farricocos da semana santa de Braga, mas são contextos muito diferentes daqueles que estão na origem dos rituais que trabalhamos que estão mais ligados a cultos agrários, de fertilidade, etc.

   

BM – Tem vindo a ser realizados estudos ou pesquisas etnográficas a este respeito?

Hélder Ferreira (Progestur) – A Progestur está mais centrada nesta altura nos estudos e pesquisa que dizem respeito aos rituais que referi anteriormente. É natural que após a conclusão e apresentação dos próximos dois livros sobre a Máscara Ibérica, em parceria com entidades académicas, possamos começar a desenvolver projetos que alarguem todo este campo dos rituais com máscara que há mais de 12 anos temos vindo a trabalhar.

BM – Como encaram as tradições dos cabeçudos e gigantones comparativamente à máscara ibérica?

Hélder Ferreira (Progestur) – Antes de convidarmos os "cabeçudos e gigantones" para participarem no FIMI, tivemos o cuidado de fazer uma análise sobre a origem destas personagens e tive ainda a oportunidade de falar com alguns investigadores, pedindo-lhes mesmo a opinião sobre como viam a participação dos "cabeçudos e gigantones" no desfile da máscara ibérica. De uma forma quase unanime todos estamos de acordo, que apesar de origens distintas, ambas as tradições tem muito em comum, sendo representações que partilham no seu mundo simbólico muitos dos objetivos a que se propõem alcançar.

E um tema que certamente a Progestur irá brevemente debater, se possível inserindo na programação do novo Centro Interpretativo da Máscara Ibérica, recentemente inaugurado em Lazarim, Lamego.

BM – Quais as principais novidades que esperam apresentar este ano?

Hélder Ferreira (Progestur) – Tentamos sempre surpreender na programação, tanto no desfile como no palco ibérico e nas atividades que acontecem ao longo dos quatro dias na Praça do Rossio. O FIMI este ano alargou a sua presença ao Teatro da Garagem, onde poderemos ver duas exposições, uma com 30 imagens selecionadas do concurso de fotografia do FIMI16 e outra sobre máscaras originais de artesãos portugueses e que pertencem ao Carlos J. Pessoa. Também no Museu da Marioneta teremos atividades ligadas a máscara. Claro que a força do FIMI continua concentrada na Praça do Rossio, e aqui como disse anteriormente, temos uma forte e variada programação que estou certo vai fazer com que quem venha disfrutar do evento, dê o tempo por bem empregue.

Hélder Ferreira

Progestur

PÓVOA DE LANHOSO DEBATE ETNOGRAFIA

“Serões no Burgo/Tertúlias Rusgueiras” na Casa da Botica

Decorreu, no passado dia 14 de Abril, pelas 21 horas, uma tertúlia etnográfica organizada pela Casa da Botica, que teve como orador principal o presidente da Rusga de S. Vicente de Braga, José Pinto. Esta tertúlia intitulada “A importância do movimento etno-folclórico nas festas concelhias” resultou de um convite formulado pelos grupos folclóricos da Póvoa de Lanhoso aquando de uma visita que fizeram à Rusga de S. Vicente, em 28 de janeiro deste ano.

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Este encontro revelou-se muito proveitoso pelas questões que foram abordadas e pelo modo como os grupos folclóricos e todos os presentes participaram e conviveram.

Ficou a vontade de se organizar novos encontros para se abordar outros temas que ajudem a enriquecer os elementos dos grupos. Por fim, fez-se uma abordagem à importância do INATEL no apoio ao movimento etnográfico nacional e regional. José Pinto relevou o papel desta instituição e da pertinência dos grupos folclóricos da Póvoa de Lanhoso serem CCD's (Centro de Cultura e Desporto do INATEL).

Tertulia 2

Este estatuto exige uma maior e melhor organização dos grupos, do ponto de vista formal, pelo que foram desafiados a fazerem formação nesta área. A Câmara Municipal, através do Vereador Armando Fernandes, comprometeu-se a ajudar, no que estiver ao seu alcance, para incentivar os grupos a darem um salto qualitativo no modo de encarar as grandes responsabilidades que os mesmos têm na promoção, preservação e divulgação da cultura etnográfica da nossa região.

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FESTIVAL INTERNACIONAL DA MÁSCARA IBÉRICA PREVÊ INTEGRAR OS CABEÇUDOS E GIGANTONES DA REGIÃO D’ENTRE DOURO-E-MINHO

XI Festival Internacional da Máscara Ibérica (FIMI) realiza-se de 5 a 8 de Maio | Lisboa, 2016

A escassos dias da realização de mais uma grandiosa edição do Festival Internacional da Máscara Ibérica, o BLOGUE DO MINHO entrevistou o Dr. Hélder Ferreira, Presidente da Progestur, entidade organizadora do evento.

A Progestur é uma associação cultural sem fins lucrativos, cujo lema se baseia na “afirmação da identidade cultural Portuguesa”. Fundada em 2003, tem desde então dedicado o trabalho ao que de mais genuíno e autêntico existe na cultura portuguesa, operando no seu registo, promoção e divulgação. Esta entidade tem como objetivos Preservar o património cultural português, promover a cultura, artes e tradições nacionais e dinamizar o turismo cultural no país e no estrangeiro, nomeadamente através do desenvolvimento de projetos de turismo cultural, consultoria e estruturação da oferta turística e cultural, preservação e promoção do património imaterial e turismo cultural, organização de eventos, atividades lúdicas, científicas e pedagógicas como workshops, exposições, debates e congressos, produção de conteúdos e edição de livros.

Considerado um dos maiores eventos de cultura ibérica em Portugal e com forte contribuição para a promoção turística, o FIMI é reconhecido como um evento de interesse turístico internacional.

Nos quatro dias do festival mais de 500.000 visitantes de várias nacionalidades visitam o recinto, num evento que desperta forte cobertura mediática, onde se destacam transmissões ao vivo de televisões portuguesas e espanholas.

Este ano o Desfile da Máscara Ibérica está marcado para o dia 7 de Maio às 16h30 e vai contar com 27 grupos e 500 participantes.

O FIMI tem muitas mais atrações e atividades que convidam o público a visitar a Praça do Rossio, podendo ainda assistir a concertos de bandas vindas de Portugal e Espanha, que vão atuar no Palco Ibérico

BLOGUE DO MINHO – Como surgiu a ideia do FIMI e quais os principais objectivos a que então se propuseram?

Hélder Ferreira (Progestur) – O Festival Internacional da Máscara Ibérica, FIMI, acontece pela primeira vez em Lisboa a convite da CML após o lançamento do I volume de “Máscara Ibérica”, no Teatro D. Maria II. Hoje, podemos dizer, que foi após esse dia que se estabeleceu uma parceria entre a CM de Lisboa e a Progestur, que levou a que viéssemos a preparar no ano seguinte, o primeiro desfile e uma grande exposição, sobre o tema da Máscara, que decorreu na estação do Rossio, quando esta se encontrava em obras, e assim disponibilizou o piso térreo para várias exposições, entre elas, a da "Máscara Ibérica" que teve mais de 250.000 visitantes. Depois foi crescendo ano após ano, até atingirmos a dimensão que o FIMI alcançou nos dias de hoje.

BM – Apesar de se tratar de um Festival da Máscara Ibérica o que pressupõe uma abrangência limitada aos países que fazem parte da Península Ibérica, têm participado nas várias edições representações de outros países europeus. Pretendem com isso alargar a área de representação a tradições semelhantes em toda a Europa?

Hélder Ferreira (Progestur) – Temos convidados em algumas edições alguns (poucos) grupos de fora da Península Ibérica, porque pensamos que veem acrescentar mais valor ao desfile e na maior parte das vezes tratam-se de grupos com quem estamos a desenvolver projetos internacionais. E possível que no futuro o festival, e o desfile em particular, possa vir a apresentar mais grupos de outras proveniências que não só a Península Ibérica, mas para já pensamos em manter este figurino, sendo que estamos nesta altura a debater com a EGEAC o futuro do FIMI. Queremos continuar a crescer, continuar a surpreender mas também cada vez mais a ser uma referência internacional na divulgação do tema "rituais com máscara" e das regiões envolvidas.

BM – Existe um claro predomínio da região de Trás-os-Montes no que à divulgação destas tradições diz respeito no nosso país. Não existirão vestígios de costumes semelhantes noutras regiões do país, mormente no Minho?

Hélder Ferreira (Progestur) – Vestígios sim, mesmo noutras zonas do País, contudo atualmente no Minho não temos conhecimento de rituais que ainda hoje aconteçam, com exceção do "Pai Velho" no Lindoso, que tem características distintas dos rituais presentes no nosso projeto, mas não deixa de ser uma encenação baseada numa máscara. Claro que num enquadramento mais antropológico, podíamos ir bastante mais longe quanto as festividades que nas suas encenações fazem uso da máscara, e nesse caso iriamos falar por exemplo dos farricocos da semana santa de Braga, mas são contextos muito diferentes daqueles que estão na origem dos rituais que trabalhamos que estão mais ligados a cultos agrários, de fertilidade, etc.    

BM – Tem vindo a ser realizados estudos ou pesquisas etnográficas a este respeito?

Hélder Ferreira (Progestur) – A Progestur está mais centrada nesta altura nos estudos e pesquisa que dizem respeito aos rituais que referi anteriormente. É natural que após a conclusão e apresentação dos próximos dois livros sobre a Máscara Ibérica, em parceria com entidades académicas, possamos começar a desenvolver projetos que alarguem todo este campo dos rituais com máscara que há mais de 12 anos temos vindo a trabalhar.

BM – Como encaram as tradições dos cabeçudos e gigantones comparativamente à máscara ibérica?

Hélder Ferreira (Progestur) – Antes de convidarmos os "cabeçudos e gigantones" para participarem no FIMI, tivemos o cuidado de fazer uma análise sobre a origem destas personagens e tive ainda a oportunidade de falar com alguns investigadores, pedindo-lhes mesmo a opinião sobre como viam a participação dos "cabeçudos e gigantones" no desfile da máscara ibérica. De uma forma quase unanime todos estamos de acordo, que apesar de origens distintas, ambas as tradições tem muito em comum, sendo representações que partilham no seu mundo simbólico muitos dos objetivos a que se propõem alcançar.

E um tema que certamente a Progestur irá brevemente debater, se possível inserindo na programação do novo Centro Interpretativo da Máscara Ibérica, recentemente inaugurado em Lazarim, Lamego.

BM – Quais as principais novidades que esperam apresentar este ano?

Hélder Ferreira (Progestur) – Tentamos sempre surpreender na programação, tanto no desfile como no palco ibérico e nas atividades que acontecem ao longo dos quatro dias na Praça do Rossio. O FIMI este ano alargou a sua presença ao Teatro da Garagem, onde poderemos ver duas exposições, uma com 30 imagens selecionadas do concurso de fotografia do FIMI16 e outra sobre máscaras originais de artesãos portugueses e que pertencem ao Carlos J. Pessoa. Também no Museu da Marioneta teremos atividades ligadas a máscara. Claro que a força do FIMI continua concentrada na Praça do Rossio, e aqui como disse anteriormente, temos uma forte e variada programação que estou certo vai fazer com que quem venha disfrutar do evento, dê o tempo por bem empregue.

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Progestur

LISBOA RECEBE FESTIVAL INTERNACIONAL DA MÁSCARA IBÉRICA

XI Festival Internacional da Máscara Ibérica (FIMI) realiza-se de 5 a 8 de Maio | Lisboa, 2016

O FIMI (CM Lisboa/ Progestur/ EGEAC) leva a efeito o XI Festival Internacional da Máscara Ibérica, no Rossio, de 5 a 8 de Maio.

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Considerado um dos maiores eventos de cultura ibérica em Portugal e com forte contribuição para a promoção turística, o FIMI é reconhecido como um evento de interesse turístico internacional.  

Nos quatro dias do festival mais de 500.000 visitantes de várias nacionalidades visitam o recinto, num evento que desperta forte cobertura mediática, onde se destacam transmissões ao vivo de televisões portuguesas e espanholas.

Este ano o Desfile da Máscara Ibérica está marcado para o dia 7 de Maio às 16h30 e vai contar com 27 grupos e 500 participantes.

O FIMI tem muitas mais atrações e atividades que convidam o público a visitar a Praça do Rossio, podendo ainda assistir a concertos de bandas vindas de Portugal e Espanha, que vão atuar no Palco Ibérico.

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CASA DA MOEDA EMITE MOEDA COMEMORATIVA DEDICADA AO GALO DE BARCELOS

Galo e Figurado de Barcelos são tema nas moedas comemorativas da Casa da Moeda

A INCM (Imprensa Nacional Casa da Moeda) apresentou no dia 31 de março, numa cerimónia que teve lugar na fábrica da Casa da Moeda, nove novas moedas com temas contemporâneos e trabalhados por artistas da nova geração, que contribuem para promover valores da cultura portuguesa e universal. Esta edição de moedas comemorativas de 2016 inclui, na série denominada “Etnografia Portuguesa”, o Galo e o Figurado de Barcelos.

As moedas onde figuram o Galo de Barcelos e os Diabos da celebre artesã Júlia Côta, estarão disponíveis em novembro e a sua apresentação será realizada numa cerimónia em Barcelos com a presença dos representantes da INCM e da escultora de nacionalidade Letónia, Baiba Šime, que criou a imagem sobre o Figurado de Barcelos.

Contrariando uma visão elitista e erudita da cultura geralmente associada às emissões de moeda, tendo em atenção que a história de um povo e de um país não se escreve apenas com estadistas, guerreiros e escritores, a INCM procurou que os temas das moedas comemorativas de 2016 espelhassem uma abrangência e diversidade cultural ajustada aos tempos modernos.

Figurado de Barcelos

Moeda de Coleção Comemorativa

Emissão prevista: 75 000 moedas em cuproníquel, 3000 moedas em prata proof e 2500 moedas em ouro proof

Autora: Baiba Šime

Nascida em Riga, na Letónia, em 1984, e a viver atualmente em Lisboa. Licenciada em Escultura pela Academia de Artes da Letónia (2008), trabalhou no Banco Central da Letónia entre 2006 e 2007, tendo-lhe sido atribuída uma bolsa para estudar no Instituto Poligrafico e Zecca Stato S.P.A., Sezione Zecca – Scuola dell’ Arte Della Medagila (a emissora de moedas do Estado italiano, sediada em Roma). Em 2009-2010, foi aluna de ERASMUS na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e, em 2010-2011, realizou um estágio profissional na Imprensa Nacional-Casa da Moeda, fazendo atualmente parte dos quadros desta empresa. Conta com vários prémios internacionais no âmbito da medalhística e, no que respeita à numismática, conquistou o Prémio Especial do Júri como Designer do Futuro, pela Casa da Moeda Japonesa em 2009, com uma criação comemorativa relativa às energias renováveis. Na área da Escultura, participou em diversas exposições coletivas, tanto na Letónia como em Portugal.

Entre as novidades deste ano, destacam-se a participação portuguesa nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro de 2016 e o 50.º aniversário da Ponte 25 de Abril. Já as moedas de coleção comemorativas são dedicadas ao Modernismo, à inauguração do Museu do Dinheiro, a D. Catarina de Bragança (série Rainhas da Europa), ao Cante Alentejano – Património Imaterial da Humanidade, a Eusébio (série Heróis do Desporto), ao Lince Ibérico (série Espécies de Animais Ameaçadas) e ao Figurado de Barcelos (série Etnografia Portuguesa).

DOURO LITORAL É MINHO!

Transcrevemos parte de um extenso texto da autoria do escritor ponte-limense Conde d’Aurora, D. José de Sá Coutinho, o qual constitui o prefácio da "Antologia da Terra Portuguesa", publicado pela Livraria Bertrand, através do qual se rebate a ideia errónea com que muitas vezes se encara parte do Minho como se tratando de uma nova província – o Douro Litoral – construindo-se conceitos errados nomeadamente no domínio do folclore e da etnografia.

“Cabe, este volume da Antologia da Terra Portuguesa, aos escritores da Província do Douro Litoral.

Trata-se de uma novíssima divisão territorial, transitória medida, esperemos (com seu muito de arbitrário), tentativa de adaptação à divisão liberal por distritos à moda francesa revolucionária dos departamentos – e contrariando toda a tradição, costumes e condições naturais.

Criou-se nos últimos anos, mutilando a velha e tradicional Província de Entre Douro e Minho (já truncada em 1834, subdividida em Minho e em Douro, já então sendo Santo Tirso, no Douro, por exemplo, mas não tendo qualquer efeito prático essa divisão de Províncias), de modo a ficarem nela incluídos o Distrito do Porto e ainda os Concelhos de Espinho, Arouca, Castelo de Paiva e Vila da Feira, do Distrito de Aveiro – e os de Resende e Cinfães, no de Viseu.

E sendo a nova comarca administrativa denominada Minho, apenas constituída pelos distritos de Braga e de Viana do Castelo.

Divisão de critério meramente ferroviário, baseado na penetração das duas velhas linhas do Estado, a do Minho e a do Douro, subdividindo-se em Ermesinde.

A querer partilhar a velha e ancestral Província na sua unidade inegável que resistira a tantos séculos, por se achar demasiado grande, porque não dar-lhe então os títulos, respectivamente, de Alto e Baixo Minho?

Assim poderiam continuar a ser minhotos, oficialmente, os povos do resto da velha comarca interamnense; minhotos sem distinção dos restantes, hoje destinados à condição de douro-litoralenses, os minhotos de Felgueiras, de Santo Tirso, da Póvoa ou de Baião…

De resto o leitor verá, pelos trechos da presente antologia, como todos os escritores, à excepção dos burocratas da actualidade, tratam este pedaço de território nacional como Minho, e seus habitantes por minhotos, que o são com a maior propriedade e legitimidade. Ao acaso, citarei o grande escritor Carlos Malheiro Dias sempre apelidando os portugueses de minhotos nos três volumes das suas magistrais Cartas de Lisboa; o mesmo sucedendo a Almeida Garrett; e ao imortal criador de Fradique Mendes, considerando coração do Minho a Quinta de Moreira da Maia, de Luís de Magalhães, tão admiravelmente descrita sob o título de Quinta de refaldes (Minho), e a de Santa Cruz, em Baião, dos Condes de Resende, imortalizada como Tormes.

Ora porque o Entre Douro e Minho continua a ser uma indiscutível unidade mas tão vastos seus interesses culturais, espirituais e temporais, enchendo o tempo e o Espaço, justo é caberem-lhe três volumes nesta colecção de antologias; e que por tácito entendimento entre os dois ilustres pensadores que orientam a do Minho e a do Porto, e o humilde escrevedor anotante desta prefacção, se relegasse para o mais obscuro o esboço do conjunto provincial.

Já o Padre João Baptista de Castro, no seu Mapa de Portugal, publicado no ano distante de 1745, se referia à divisão de Portugal em seis províncias – e quanto à do Minho relatava:

“Como esta Província está encerrada entre as famosas correntes dos rios Douro e Minho no Ocidente setentrional da Espanha tomou nome de Entre Douro e Minho, que em latim se diz Interamnensis, ou Duriminea. Quase todos os geógrafos (e cita Duarte Nunes de Leão, João de Barros Faria, João Salgado de Araújo e outros) “lhe dão de comprido de Norte a Sul dezoito léguas, e de Nascente a Poente doze de largo na sua maior largura, porque em algumas partes não tem mais de oito.

Confina esta Província da bando do Meio-Dia com o rio Douro, que a separa da Beira: da banda do Ocidente parte com o mar oceano, começando em S. João da Foz e acabando na vila de Caminho, onde o rio Minho divide Portugal da Galiza.”

(E não transcrevo mais porque é o repetido por todos os geógrafos e no texto o tem o leitor avonde: Castro laboreiro ao Gerês, serra de Barroso a Cavez e Amarante, e, por Baião, outra vez ao rio Douro).

E refere ainda o Padre Baptista as “estãncias da musa de um engenho espanhol”:

 

“Es entre-Duero, y Miño la primera

Porcion del Reyno, en rios muy bañada

Donde Braga magnânima propéra

De los Brachatos hija sublimada

 

Al Romano difícil, y guerrera:

A los de Porto altiva, y respetada:

De Augusto honor, Juridico Convento

Corte Sueva, y Arçobispal assiento.

Del Duero ilistra el margen atractivo

Porto que de Gatelo Pueblo raro

Com mitra Episcopal se ostenta altivo,

Dandole a Portugal nombre preclaro

Guimarães, Villa es noble, y primitivo

Solio de Reys Lusos. Tiene claro

Timbre Puente de Lima: altas belezas

Viana, de partido ambas cabeças.”

 

Província das romarias (da Peneda e do São Torcato, da Agonia e das “Feiras Novas” à de S. Gonçalo e á da srª da Graça).

Comarca das feiras, semanais, quinzenais e anuais, tão célebres as de Ponte de Lima e Barcelos como a do S. Martinho em Penafiel, feira de cavalos rivalizando com a do S. Miguel em Famalicão (da faca minhota e do garrano travadinho).

Terra do granito, terra negra de aluvião, do vinho verde de enforcado e de latadas, desde Monção a Amarante: seus pequeninos campos de propriedade não pulverizada como o pretendem tantos economistas, mas ábia e socialmente dividida: total de cem mil produtores de vinho, agasalhando menos de duas pipas (ou seja menos de mil litros!) cerca de cinquenta mil colheteiros; trinta mil arrecadando de duas a cinco pipas anuais; apenas uns escassos noventa e cinco atingindo a centena; e só dez, ao todo, ultrapassando duzentas pipas, mas nenhum colhendo mais de quinhentas!

Província interamnense do consórcio do feijão e do milho, ininterruptamente, há séculos, sem um sinal de erosão – essa lepra que arruinou já quatro quintas partes do território total da grande América do Norte.

Terra dos lindos jugos trabalhados em madeira ainda hoje entalhada com os primitivos desenhos de beleza ingénua do século XVI, idêntica à velhas arquibancadas monásticas.

Com seus lindos boizinhos piscos de focinhito negro luzidio e alta cornadura de belo desenho em lira.

Carro de eixo móvel girando em admirável cântico vesperal de louvar a Deus, nos altos córregos dos pequeninos altos montes minhotos.

E das danças e dos cantares, da gota e do vira de Carreço e de Santa marta, à chla de Paredes e de Penafiel.

E das soberbas mulheres de peito estrelado a oiro – esse oiro trabalhado à mão pelos mesteirais da Póvoa de Lanhoso e de Gondomar (é curioso ter havido contrastarias nestas duas localidades). Entre Douro e Minho das mil águas de rega, de lima e rega, de torna-tornarás, e seus mil cantantes e bucólicos regatinhos (“espertos regatinhos” dizia Eça!) movendo as 30.000 azenhas registadas na Repartição de Hidráulica como existentes já desde antes do Código Civil e ainda há pouco laborando…

Como diferenciar nos livros de Camilo. O grande escritor quase exclusivamente minhoto, suas páginas do Minho actual das do actual Douro Litoral: Landim, Famalicão, Santo Tirso, Braga, Amarante, Porto?

Profético, parece, também, outro grande escritor que se sublimava no descritivo do Minho, Antero de Figueiredo, haver saltitado entre terras idênticas hoje separadas pelo risco dos repartidores administrativos…

Minho, bem Minho, essa terra negra de Bougado, ao diante transcrita na pintura anteriana.

Terra de brasileiros, todo esse Entre Douro e Minho, aquém e além Ave – que a admirável página de Fialho, ao descrever o chalet de Famalicão, podia-o ter encaixado em qualquer outra silória interamnense, dos Arcos de Valdevez a Fafe.

Excelente tipo de portugueês, tão mal tratado pela literatura e ao qual se devem tantos dos benefícios da Província no terrível período da crise do liberalismo.

Seja um primeiro acto de desagravo a inserção neste volume da página da Monografia de Gondomar referente à grande figura desse protótipo de brasileiro torna-viagem, a imortal figura do Conde de Ferreira, Deus tenha em Santa guarda a sua alma.

Aos escritores (desde Eça a Garrett, desde Alberto Sampaio a todos os seus pares da Portugália; desde Gonçalo Sampaio a João penha; desde Régio a Pascoais, desde Vila Moura a António Patrício) – não me referirei se não muito rapidamente, porque a antologia fala pela própria boca deles mesmos.

(…)

Deste pedaço irridente da velha província de Entre Douro e Minho do Sudeste, hoje Douro Litoral, melhor do que a minha pálida e descolorida prosa falarão os escritores, dos mais célebres e afamados de Portugal, tanto os nascidos como os radicados na Província de que o presente trabalho é antologia.”

Conde d’Aurora

TERTÚLIA NO MUSEU BORDALO PINHEIRO DEBATE “O MODERNISMO E O FOLCLORE”

O debate em torno de “O Modernismo e o Folclore” marcaram a tarde de ontem no Museu Bordalo Pinheiro, em Lisboa. Tratou-se de uma conversa amena que teve lugar no âmbito da exposição Luís Filipe e a Farsa da Vida. Na ocasião, foi também inaugurada na sala “A Paródia”, do Museu Bordalo Pinheiro, uma mostra de peças “Pixeladas vianenses”.

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Esta foi a primeira de uma série de três tertúlias programadas acerca de Luís Filipe (1887-1949) que foi um dos artistas pioneiros do primeiro Modernismo em Portugal.

Esta tertúlia contou como convidados para a conversa o Musicólogo João Soeiro de Carvalho da Universidade Nova de Lisboa, a Historiadora da Arte Ana Vasconcelos do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, o Antropólogo Carlos Mendes e os Designers Liliana Soares e Ermanno Aparo da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Viana do Castelo.

Fotos: Museu Bordalo Pinheiro

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FESTIVAIS INATEL COM CASA CHEIA NO TEATRO ARMANDO CORTEZ EM LISBOA

Nos dias 7 e 8 de novembro, foram eleitos os vencedores de um programa alargado de festivais, organizados pela Fundação INATEL, perante uma plateia com lotação esgotada, em cada iniciativa.

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O Teatro Armando Cortez (Casa do Artista), em Lisboa, foi o local escolhido para a realização das finais nacionais das iniciativas “Festival INATEL da Canção”, “Os Melhores Talentos Portugueses” e o “Festival INATEL”, que reuniram trabalhos apresentados por Centros de Cultura e Desporto associados da Fundação.

Perante uma sala com lotação esgotada durante as três iniciativas, subiram ao palco um total de 300 artistas, apresentando espetáculos de etnografia, música, teatro, dança e variedades, numa viagem pelos diferentes distritos e regiões de Portugal.

A ACAFE - Associação de Cantares de Alfândega da Fé, sagrou-se vencedora do “Festival INATEL da Canção”, pelo distrito de Bragança, que apresentou o “Hino a Alfândega da Fé”.

Já na iniciativa “Os Melhores Talentos Portugueses”, o primeiro prémio foi entregue ao Sport Operário Marinhense, de Leiria, com a peça teatral “Gota de Mel”, numa adaptação de Norberto Barroca e tradução de António Pedro.

Por último, no “Festival INATEL” o Coro de Câmara do Conservatório de Música de Ourém e Fátima, em representação do distrito de Santarém, conquistou o primeiro prémio com “September”, da autoria de Martin Carbow.

Para além dos grupos referidos, participaram ainda Centros de Cultura e Desporto em representação da Região Autónoma dos Açores e dos distritos de Aveiro, Bragança, Évora, Guarda, Lisboa, Portalegre, Porto, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu.

Em cada uma das iniciativas, a apreciação dos trabalhos em palco foi realizada por votação, por três painéis de jurados convidados para o efeito, compostos por, respetivamente, António Pinto Basto, Rui Baeta e Yola Dinis, Carlos Quintas, Cláudio Hochman e Dulce Guimarães, e, por último, Fernando Pereira, Ludgero Mendes e Wanda Stuart.

Foram considerados critérios como o conteúdo, a criatividade da apresentação, a coerência do espetáculo no âmbito de cada festival, a cenografia, o guarda-roupa/figurinos, a encenação/dramatização e a caracterização do elenco.

De acordo com a Fundação INATEL, deseja-se, com estas iniciativas, envolver a participação de grupos regionais numa mostra singular de talentos locais, valorizando-se o trabalho cultural das coletividades, assim como o incentivo de atividades representativas das características populares de cada zona/região em competição.

Reconhecido o grande valor artístico e cultural de qualquer dos trabalhos apresentados em palco, é de valorizar, sobretudo, o grande empenho e a dedicação com que todos os grupos se apresentaram em Lisboa e se envolveram nos projetos.

Fotos: José Frade

 

ARTE POPULAR E NAÇÃO NO ESTADO NOVO – A POLÍTICA FOLCLORISTA DO SECRETARIADO DE PROPAGANDA NACIONAL

- Um livro da investigadora Vera Marques Alves que se recomenda a todos quantos se decidam ao estudo do folclore e etnografia

“A generalidade da investigação tem olhado para o conjunto das práticas e dos discursos etnográficos promovidos pelo Secretariado da Propaganda Nacional (SPN) entre 1933 e 1950 como um epifenómeno da ideologia conservadora e ruralista, dominante no pensamento de Salazar.

Este livro mostra-nos como tais análises deixam de fora aspetos decisivos da intervenção folclorista do SPN/SNI.

A partir das teorias desenvolvidas pela antropologia e outras ciências sociais em torno dos usos nacionalistas da cultura popular, Vera Marques Alves relaciona os contornos de tal política com os caminhos que a etnografia portuguesa vinha seguindo nas décadas anteriores à institucionalização do Estado Novo, ao mesmo tempo que revela que o seu desenho deve muito ao próprio trajeto modernista e cosmopolita do primeiro diretor do SPN, António Ferro.

A autora defende, ainda, que é impossível explicar a campanha etnográfica do SPN, sem dar atenção ao contexto internacional de circulação de ideias em que as mesmas se enquadram. De resto, este livro torna bem patente a insistência de Ferro na exibição da «arte rústica portuguesa» em palcos internacionais, revelando assim que as iniciativas folcloristas desenvolvidas por este organismo não podem ser compreendidas sem considerarmos a sua configuração enquanto instrumento de reafirmação simbólica das fronteiras da nação, num período em que os processos de utilização identitária do folclore e da cultura popular são comuns” *

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Vera Marques Alves, a autora, é Investigadora do Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA) e Professora Auxiliar Convidada na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.

Nasceu em Lisboa, no dia 16 de Maio de 1969 e, em 1993, licenciou-se em Antropologia Social no ISCTE. Em 2008, doutorou-se em Antropologia pelo mesmo Instituto. Fez investigação sobre os usos nacionalistas da «arte popular portuguesa» durante o Estado Novo e continua a estudar a construção moderna desta categoria de objetos.

Colaborou nas obras coletivas “Vozes do povo. A folclorização em Portugal” (2003), ”Enciclopédia da música em Portugal no século XX” (2010) e “Como se faz um Povo” (2010).

É autora de”Arte popular e nação no Estado Novo. A política folclorista do Secretariado da Propaganda Nacional, (Imprensa de Ciências Socais (2013).

* https://www.imprensa.ics.ulisboa.pt/

INATEL LEVA ETNOGRAFIA, MÚSICA E TEATRO À CASA DO ARTISTA

Grupo Etnográfico de Areosa e Recreativo e Cultural de Moreira atuam no Teatro Armando Cortez

Teatro Armando Cortez recebe festivais de talentos nacionais | Fim-de-semana cultural, de 7 a 8 de novembro, que reúne etnografia, música e teatro em palco. Festivais INATEL elegem melhores trabalhos

O Teatro Armando Cortez receberá, no próximo fim-de-semana, um programa alargado de festivais, organizado pela Fundação INATEL, que conta com 14 distritos/regiões autónomas em competição.

No próximo sábado, dia 7 de novembro, o Teatro Armando Cortez (Casa do Artista), em Lisboa, receberá as Finais Nacionais das iniciativas “Os Melhores Talentos Portugueses” e “Festival INATEL da Canção”, nas quais participam grupos culturais e recreativos de Centros de Cultura e Desporto filiados da Fundação INATEL.

No dia 8, decorrerá ainda a 3ª edição do “Festival INATEL”, que apresenta uma mostra de costumes e tradições dos distritos e regiões de Portugal, nas mais diferentes áreas de expressão.

Em competição estão os distritos/regiões de Aveiro, Bragança, Coimbra, Évora, Guarda, Leiria, Lisboa, Portalegre, Porto, Santarém, Viana do Castelo, Vila Real, Viseu e ainda São Miguel (Açores).

Os espetáculos, de carácter amador, incluem-se em, pelo menos, uma das seguintes áreas temáticas: Etnografia, Música/Canto; Teatro; Dança e Variedades.

A seleção dos premiados será feita através de votação de um painel de júris nomeado para o efeito, composto por Fernando Pereira, Carlos Quintas, Wanda Stuart, Dulce Guimarães, Cláudio Hochman e Ludgero Mendes, entre outros agentes das áreas da produção e criação cultural.

Serão considerados critérios como o conteúdo, a criatividade/originalidade da apresentação, a coerência do espetáculo no âmbito do festival, a cenografia, o guarda-roupa/figurinos, a encenação/dramatização e a caracterização do elenco.

Estão apurados para as finais dos festivais os seguintes grupos concorrentes:

Os Melhores Talentos Portugueses: D’orfeu Associação Cultural (Aveiro), Associação de Amigos Unidos pelo Escoural (Évora), Casa do Povo de Canaviais (Évora), Sport Operário Marinhense (Leiria), Grupo Etnográfico de Areosa (Viana do Castelo).

Festival INATEL da Canção: Rancho Folclórico S.Tiago de Lobão (Aveiro), Acafe - Associação de Cantares de Alfândega da Fé (Bragança), Sociedade Recreativa e Dramática Eborense (Évora), Grupo Desportivo e Cultural dos Trabalhadores da Imprensa Nacional Casa Da Moeda (Lisboa), Orfeão de Portalegre (Portalegre), Grupo Cultural Recreativo de Santo Amaro de Azurara (Viseu).

Festival INATEL: Associação Unojovens de Ponta Garça (Açores), Tuna Popular de Arganil (Coimbra), Associação da Orquestra Ligeira de Gouveia (Guarda), Associação Cultural e Recreativa Vallis Longus (Porto), Conservatório de Música de Ourém e Fátima (Santarém), Centro Desportivo, Recreativo e Cultural de Moreira (Viana do Castelo), Casa do Povo de Barqueiros (Vila Real).

De acordo com a Fundação INATEL, a iniciativa pretende envolver a participação de grupos regionais numa mostra singular de talentos locais, valorizando-se espetáculos considerados como representativos das características culturais de cada zona/região em competição.

Com o objetivo de envolver as comunidades locais na iniciativa, foram criadas viagens com saída prevista a partir de todas as capitais de distrito.

Um euro do valor pago por viagem reverterá a favor do projeto social “Mealheiro Solidário

MINHOTOS EM LISBOA REALIZAM FESTIVAL ETNOGRÁFICO

“Serão Temático” organizado pelo Grupo de Folclore Terras da Nóbrega foi um autêntico Festival de Etnografia

Terminou há instantes no Auditório Municipal Ruy de Carvalho, em Carnaxide, no concelho de Oeiras, o Serão Temático “Como há 100 anos…”. A iniciativa foi do Grupo de Folclore Terras da Nóbrega e contou também com a participação do Rancho Folclórico "As Mondadeiras" de Casa Branca (Alto Alentejo), do Grupo Etnográfico Danças e Cantares da Nazaré (Alta Estremadura) e do Rancho Tradicional de Cinfães (Douro Litoral Sul), os quais apresentaram diversos quadros etnográficos que complementaram a exibição das danças e cantares tradicionais.

Este espetáculo constitui um formato novo em termos de etnografia e folclore, indo além da mera exibição dos trajes tradicionais, das danças e dos cantares do povo, procurando recriar as vivências das gentes de antigamente. Aliás, é a própria organização que o refere: “Esta tipologia de evento folclórico é cada vez mais comum e tem claras vantagens em relação aos “tradicionais” Festivais de Folclore: trás para o palco vivências de outrora mostrando aos mais novos como era a Vida dos nossos Antepassados e relembrando aos mais velhos alguma da sua outrora forma de ser e de viver que, na maioria das vezes, trás nostalgia e saudade.”

Cada grupo participante apresentou em palco um quadro etnográfico como o “Batizado da Meia-noite”, “O Casamento da Monda”, “A Arte Xávega” e o ciclo “Da palha ao chapéu”.

GRUPO DE FOLCLORE TERRAS DA NÓBREGA REALIZA SERÃO ETNOGRÁFICO EM CARNAXIDE, NO CONCELHO DE OEIRAS

O Grupo de Folclore Terras da Nóbrega realiza o Serão Temático “Como há 100 anos...”. É um espetáculo único, de cariz etnográfico, que ultrapassa o formato usual próprio dos festivais de folclore, através de quadros da vida e dos usos e costumes tradicionais, a serem representados pelos vários ranchos folclóricos participantes, todos de qualidade reconhecida.

A iniciativa tem lugar no próximo dia 1 de Novembro, no Auditório Municipal Ruy de Carvalho (Carnaxide - Oeiras), no Serão Temático "Como há 100 anos...", uma organização do Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega.

“Minha’bó, conte-me uma estória...” É desta forma que uma criança pede à sua Avó, já velhinha, que lhe conte uma história dos tempos que já lá vão.

A ideia subjacente a esta organização do Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega é que cada Grupo participante traga para o palco a recriação de cenas da vida quotidiana da região que representa. Um “Baptizado da Meia Noite”, o ciclo “Da palha ao chapéu” ou até mesmo um “Casamento da Monda” serão alguns dos momentos a apreciar apresentados pelos Grupos participantes, todos eles lídimos representantes e embaixadores maiores do Folclore e Etnografia de cada uma das suas regiões. A saber:

Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega (Alto Minho Interior)

Rancho Folclórico "As Mondadeiras" de Casa Branca (Alto Alentejo)

Grupo Etnográfico Danças e Cantares da Nazaré (Alta Estremadura)

Rancho Tradicional de Cinfães (Douro Litoral Sul)

Esta tipologia de evento folclórico é cada vez mais comum e tem claras vantagens em relação aos “tradicionais” Festivais de Folclore: trás para o palco vivências de outrora mostrando aos mais novos como era a Vida dos nossos Antepassados e relembrando aos mais velhos alguma da sua outrora forma de ser e de viver que, na maioria das vezes, trás nostalgia e saudade.

GRUPO DE FOLCLORE TERRAS DA NÓBREGA REALIZA SERÃO ETNOGRÁFICO EM CARNAXIDE

O Grupo de Folclore Terras da Nóbrega realiza o Serão Temático “Como há 100 anos...”. É um espetáculo único, de cariz etnográfico, que ultrapassa o formato usual próprio dos festivais de folclore, através de quadros da vida e dos usos e costumes tradicionais, a serem representados pelos vários ranchos folclóricos participantes, todos de qualidade reconhecida.

A iniciativa tem lugar no próximo dia 1 de Novembro, no Auditório Municipal Ruy de Carvalho (Carnaxide - Oeiras), no Serão Temático "Como há 100 anos...", uma organização do Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega.

“Minha’bó, conte-me uma estória...” É desta forma que uma criança pede à sua Avó, já velhinha, que lhe conte uma história dos tempos que já lá vão.

A ideia subjacente a esta organização do Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega é que cada Grupo participante traga para o palco a recriação de cenas da vida quotidiana da região que representa. Um “Baptizado da Meia Noite”, o ciclo “Da palha ao chapéu” ou até mesmo um “Casamento da Monda” serão alguns dos momentos a apreciar apresentados pelos Grupos participantes, todos eles lídimos representantes e embaixadores maiores do Folclore e Etnografia de cada uma das suas regiões. A saber:

Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega (Alto Minho Interior)

Rancho Folclórico "As Mondadeiras" de Casa Branca (Alto Alentejo)

Grupo Etnográfico Danças e Cantares da Nazaré (Alta Estremadura)

Rancho Tradicional de Cinfães (Douro Litoral Sul)

Esta tipologia de evento folclórico é cada vez mais comum e tem claras vantagens em relação aos “tradicionais” Festivais de Folclore: trás para o palco vivências de outrora mostrando aos mais novos como era a Vida dos nossos Antepassados e relembrando aos mais velhos alguma da sua outrora forma de ser e de viver que, na maioria das vezes, trás nostalgia e saudade.

GRUPO DE FOLCLORE TERRAS DA NÓBREGA REALIZA SERÃO ETNOGRÁFICO EM CARNAXIDE

O Grupo de Folclore Terras da Nóbrega realiza o Serão Temático “Como há 100 anos...”. É um espetáculo único, de cariz etnográfico, que ultrapassa o formato usual próprio dos festivais de folclore, através de quadros da vida e dos usos e costumes tradicionais, a serem representados pelos vários ranchos folclóricos participantes, todos de qualidade reconhecida.

A iniciativa tem lugar no próximo dia 1 de Novembro, no Auditório Municipal Ruy de Carvalho (Carnaxide - Oeiras), no Serão Temático "Como há 100 anos...", uma organização do Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega.

“Minha’bó, conte-me uma estória...” É desta forma que uma criança pede à sua Avó, já velhinha, que lhe conte uma história dos tempos que já lá vão.

A ideia subjacente a esta organização do Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega é que cada Grupo participante traga para o palco a recriação de cenas da vida quotidiana da região que representa. Um “Baptizado da Meia Noite”, o ciclo “Da palha ao chapéu” ou até mesmo um “Casamento da Monda” serão alguns dos momentos a apreciar apresentados pelos Grupos participantes, todos eles lídimos representantes e embaixadores maiores do Folclore e Etnografia de cada uma das suas regiões. A saber:

Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega (Alto Minho Interior)

Rancho Folclórico "As Mondadeiras" de Casa Branca (Alto Alentejo)

Grupo Etnográfico Danças e Cantares da Nazaré (Alta Estremadura)

Rancho Tradicional de Cinfães (Douro Litoral Sul)

Esta tipologia de evento folclórico é cada vez mais comum e tem claras vantagens em relação aos “tradicionais” Festivais de Folclore: trás para o palco vivências de outrora mostrando aos mais novos como era a Vida dos nossos Antepassados e relembrando aos mais velhos alguma da sua outrora forma de ser e de viver que, na maioria das vezes, trás nostalgia e saudade.

FREGUESIAS DE BRAGA ADIAM CORTEJO ETNOGRÁFICO

Adiamento do Cortejo Etnográfico das Freguesias

O Município de Braga informa que, devido à instabilidade das condições atmosféricas, o Cortejo Etnográfico das Freguesias inserido na Semana do Mundo Rural, que estava agendado para amanhã, Domingo, 11 de Outubro, será adiado para o próximo dia 18 de Outubro.

O Município aproveita ainda para agradecer a disponibilidade e participação das Juntas e Uniões de Freguesia na Semana do Mundo Rural.

ETNOGRAFIA DESFILA EM VIANA DO CASTELO NA ROMARIA DA SENHORA D’AGONIA

A Romaria da Senhora d’Agonia em Viana do Castelo é um festival único de rara beleza onde o colorido e a alegria das gentes minhotas atingem o êxtase.

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Pelas ruas do centro histórico da cidade, milhares de pessoas viram desfilar os mais diversos quadros etnográficos, reconstituindo as mais diversas tradições vianenses e da região. Os ranchos folclóricos e os grupos de música tradicional seguiam juntos, animando o cortejo com as suas concertinas, ao mesmo tempo que os zés-pereiras rufavam os bombos marcando a dança dos cabeçudos e gigantones, destacando-se por entre a multidão.

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O imponente cortejo etnográfico é, juntamente com o desfile da mordomia e os espetáculos de pirotecnia, um dos eventos mais apreciados no âmbito dos festejos da Romaria da Senhora d’Agonia. Todos os anos, muitos milhares de pessoas afluem propositadamente a Viana do Castelo para assistirem e participarem nos festejos.

E, a coroar toda a grandiosidade da festa, mas moças belas e gentis, garbosas nos seus trajes tradicionais, com as suas reluzentes arrecadas de filigrana, deslumbram quem as vê desfilar, exibindo a beleza ímpar da mulher minhota.

Fotos: José Carlos R. Vieira / https://www.facebook.com/jose.c.vieira.9

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COMO ERA OUTRORA USADO O LENÇO TABAQUEIRO?

Desde que o Homem sentiu a necessidade de se cobrir e agasalhar, começou a partir de folhagem e peles de animais por criar as peças de vestuário de que necessitava. Caso pretendêssemos recuar a esse tempo na reconstituição dos usos e costumes dos nossos ancestrais, esse seria certamente o primeiro traje que nos caberia reproduzir. Porém, à medida que as sociedades humanas evoluíram, foram surgindo novos hábitos e o vestuário deixou de constituir apenas uma necessidade básica para se tornar um meio de afirmação pessoal no contexto da sociedade como de comunicação.

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O traje acompanhou a evolução da sociedade através dos tempos e a moda tornou-se uma indústria altamente rentável. Se o advento da era industrial trouxe consigo a produção em escala e o pronto-a-vestir que teve como consequência a uniformização do modo de vestir em detrimento dos costumes locais, a chamada alta-costura procura actualmente satisfazer a necessidade de uma classe endinheirada que exige a produção de uma moda individualizada. Os criadores de moda, não raras as vezes inspirados em motivos étnicos, dão voltas à cabeça para conceber uma nova peça de vestuário, por vezes tão arrojada quanto o grau de loucura de quem a encomenda. Contudo, se o cliente se atrever a usar o vestuário de maneira inapropriada ou descontextualizada, corre o sério risco de ser-lhe diagnosticado um comportamento esquizofrénico.

Ninguém imagina certamente um agricultor, de fato e gravata, lavrando a terra ou um professor vestindo pijama na sala de aulas. Vem isto a propósito do uso que é dado ao chamado lenço tabaqueiro o qual, não raras as vezes, apresenta-se enrolado ao pescoço dos componentes masculinos de alguns grupos folclóricos. Outros, porém, em meu entender de forma mais apropriada, optam por exibi-lo à cinta ou no bolso, como sucede com o Grupo Folclórico de Danças e Cantares de Mafamude, de Vila Nova de Gaia.

lenço tabaqueiro surgiu entre nós, como um acessório, no início do século XVII, em consequência directa do consumo do tabaco, hábito trazido pelos espanhóis do continente americano. O tabaco era consumido pelos povos indígenas que acreditavam nos seus poderes medicinais, razão pela qual o consumiam em ocasiões cerimoniais. Uma vez introduzido na Europa, o tabaco era mascado ou aspirado sob a forma de rapé, tornando-se um hábito social que perdurou até aos finais do século XIX, altura em que se começou a generalizar o consumo do tabaco sob a forma de cigarros.

O consumo do rapé consistia em levar o tabaco em pó às narinas a fim de ser fortemente aspirado, gesto que invariavelmente provocava o espirro ou o pingo no nariz, sendo então considerado um óptimo estimulante nasal. Esta reacção requeria naturalmente o uso de um pano, geralmente de algodão, para efeitos de higiene pessoal, o qual era então colocado à cinta ou pendurado no bolso. Com o tempo, o rapé entrou em desuso e o lenço, por razões de decoro, passou a ser dobrado e guardado no bolso. Este nada tem a ver com o costume entretanto surgido do uso de um lenço de seda ao pescoço, o qual se apresenta em substituição da secular gravata, nem tão pouco o lenço de cabeça outrora utilizado pelas mulheres.

Ao que tudo indica, foi em Alcobaça que em 1774 se instalou em Portugal a primeira fábrica de “lenços, cambraias e fazendas brancas”, ao tempo do reinado de D. José I, razão pela qual esse género de lenço também é conhecido por “O Alcobaça”. Ao longo da sua existência, produziu uma grande variedade de padrões, sendo que geralmente apresentavam fundo vermelho, azul ou amarelo, com barras de diversas cores.

Compreensivelmente, tratando-se de um objecto de higiene pessoal, a ninguém lembraria enrolar ao pescoço o referido lenço que servia precisamente para assoar o nariz do efeito provocado pelo cheiro do rapé. Apesar disso, alguém teve imaginação para o fazer, dobrando-o ao meio e atando-o ao pescoço, gesto este que se multiplicou por numerosos grupos folclóricos que o assimilaram como se de algo genuíno se tratasse ou seja, ele fosse realmente usado ao pescoço do homem no século passado. Quero dizer que os responsáveis não se deram ao trabalho de investigar, limitando-se a copiar aquilo que simplesmente os impressionou e pareceu bem.

Do ponto de vista etnográfico, não pode o traje com referência a uma determinada época e região em concreto ser apresentado de uma determinada forma ou ser-lhe acrescentado algo porque assim nos agrada, devendo limitarmo-nos a identificar como as pessoas realmente se vestiam, independentemente da eventual beleza e exuberância do vestuário que era usado. Como tal, a forma como o lenço tabaqueiro é apresentado por alguns grupos folclóricos deve ser repensada!

Carlos Gomes / http://www.folclore-online.com/

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A imagem apresenta caixas de rapé.

Foto: Arquivo Municipal de Lisboa

BRAGA DESTACA FOLCLORE E ETNOGRAFIA

Folclore e etnografia em destaque nas ‘Tardes de Domingo’ em Braga nos meses de Julho, Agosto e Setembro

A iniciativa ‘Tardes de Domingo’ regressa este Domingo, dia 19 de Julho, à Avenida Central. Até Setembro, este programa promovido pelo Município de Braga vai colocar o folclore e a etnografia em destaque, com espectáculos protagonizados por 13 grupos do Concelho.

O programa arranca já este Domingo, 19 de Julho, às 16h30, com as actuações do Grupo Folclórico da Casa do Povo de Lomar e do Grupo Folclórico ACR Hélios de Figueiredo. No dia 02 de Agosto, sobe ao palco do Grupo Folclórico Dr. Gonçalo Sampaio e, no dia 09, o espectáculo é protagonizado pelos Grupos Folclóricos da ACR de Dume e de Lamaçães.  

No dia 16 de Agosto sobem ao palco o Grupo Folclórico 'Semear Alegria' (Celeirós) e o Grupo Folclore de Macada (Vimieiro). A encerrar a programação de Agosto, no dia 23 actuam os Grupos Folclóricos do Centro Cultural Santo Adrião e de S. Martinho de Tibães.

No dia 06 de Setembro, a iniciativa ‘Tardes de Domingo’ conta com a participação do Grupo Folclórico do Divino Salvador de Tebosa e do Rancho Folclórico de Santa Maria de Adaúfe. No dia 13 de Setembro actuam os Ranchos Folclóricos do CATEL (Cunha) e de S. João Baptista de Nogueira. Todos os espectáculos têm início às 16h30.

O FOLCLORE E AS MARCHAS POPULARES

- O Estado Novo e as marchas são-joaninas

A celebração do Solstício de Verão que ocorre no dia 21 de Junho marca as tradições são-joaninas – ou juninas – que levam o povo a festejar os chamados “santos populares”. Nas regiões mais a norte, os festejos são predominantemente dedicados a São João enquanto as comunidades piscatórias, por afinidade de ofício, celebram a São Pedro. Em Lisboa, terra onde nasceu Fernando de Bulhões que haveria de ficar consagrado como Santo António, a devoção popular adquiriu tal dimensão que S. Vicente, padroeiro da cidade, acabou por ser remetido ao esquecimento.

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As marchas populares de Lisboa, tal como actualmente as conhecemos, datam a sua origem de 1932, altura em que desfilaram na avenida da Liberdade os primeiros “ranchos” como então se diziam. Porém, pelo menos desde o século XVIII que as mesmas se realizavam, inserindo-se nas tradições são-joaninas que têm lugar um pouco por todo o país, com as suas características fogueiras e festões, manjericos e alho-porro. À semelhança de outras festividades que ocorrem noutras épocas do ano, a escolha do dia 24 para celebrar o S. João é devido ao calendário juliano.

As marchas populares foram naturalmente influenciadas pelas quadrilhas que geralmente tinham lugar por ocasião dos festejos a Santo António e que se formavam de pequenos grupos constituídos por cerca de quarenta participantes que percorriam as ruas da cidade e se detinham em frente aos palácios aristocráticos ou de outras famílias abastadas onde, ao som do apito do marcador, se exibiam de forma ruidosa e sem grandes preocupações em relação à coreografia. Este ritual que também nos remete para a “marche aux flambeaux” ou seja, a marcha dos archotes que ocorria em França, foi levado pelos portugueses para o Brasil onde, sobretudo nas regiões do nordeste, se popularizou e veio a misturar com as danças brasileiras já existentes à época

São precisamente as quadrilhas que, de um modo geral, com as modificações que lhe foram introduzidas, acabariam por dar a forma às marchas populares e aos próprios corsos carnavalescos que antecedem a chegada da Primavera. Caracterizada originalmente como uma dança a quatro pares, a quadrilha constituiu uma adaptação dacountrydance inglesa, impropriamente traduzida para o francês como “contredance” e, finalmente, vertida para a Língua portuguesa como “contradança”.

No entanto, tais celebrações possuem origens bem mais remotas e perdem-se nos confins dos tempos. Desde sempre, o Homem procurou celebrar através do rito a acção criadora dos deuses, constituindo um ritual mágico destinado a perpetuar o gesto primordial da sua criação. Desse modo, ao celebrar a chegada do Verão por altura do solstício, o Homem assegurava que o ciclo da Natureza jamais seria interrompido, dando continuidade à vida num perpétuo ciclo de constante renascimento. E, à semelhança do que sucedia com a generalidade das celebrações pagãs, esta constitui a essência das festividades solsticiais que entretanto foram cristianizadas e, nesse contexto, dedicadas a São João Baptista.

Conta uma velha lenda cristã que, por comum acordo das primas Maria e Isabel, esta terá acendido uma enorme fogueira sobre um monte para avisar Maria do nascimento de São João Baptista e, desse modo, obter a sua ajuda por ocasião do parto. E, assim, pode a tradicional fogueira que os povos pagãos da Europa acendiam nomeadamente por ocasião do solstício de Verão ser assimilada pela nova religião então emergente. Na realidade, era também habitual acender fogueiras por altura da Páscoa e do Natal, tendo dado origem ao madeiro que se queima no largo da aldeia e ao círio pascal, bem assim às numerosas representações feitas nomeadamente na doçaria tradicional.

É ainda nas fogueiras de São João que têm origem as exuberantes exibições de fogo-de-artifício e os balões iluminados com que se enfeitam as ruas dos bairros e se penduram nos arcos festivos que são levados pelos marchantes que desfilam na noite de Santo António. Era ainda usual, na noite de São João, atarem-se aos balões, antes de os elevarem nos céus, pequenos papéis contendo desejos e pedidos, à semelhança das quadras feitas a Santo António que se colocam sobre os vasos de manjericos, tradição que remete para rituais ancestrais ligados à fertilidade e à vida. Estes festejos celebram-se também em diversos países europeus e, por influência da cultura portuguesa, no nordeste brasileiro onde tem lugar o casamento fictício no baile daquadrilha. Entre nós, este costume veio em 1958 a dar origem aos chamados “casamentos de Santo António”.

De um modo geral, pelo simbolismo que as caracterizam e a coreografia a que estão associadas, as festas solsticiais estão ligadas às chamadas “danças de roda” representadas desde a mais remota antiguidade. Perfilando-se geralmente em torno da fogueira ou do mastro de São João, a mocidade dá as mãos, canta e dança em seu redor, num ritual que denuncia o seu misticismo primordial. Esta constitui, aliás, uma das tradições mais arreigadas entre os povos germânicos e, sobretudo, na Suécia onde chega a ser considerada a sua maior festa nacional. O hábito de inicialmente nele se suspenderem coroas ou ramos de flores veio a dar origem a outros divertimentos como opau ensebado no cimo do qual é colocado uma folha de bacalhau para premiar aquele que o consiga alcançar.

À semelhança do que se verificou com outras manifestações da nossa cultura tradicional, também os festejos são-joaninos da cidade de Lisboa registaram a intervenção dos teóricos do Estado Novo e vieram a adquirir formas estilizadas, mais de acordo com o género da revista à portuguesa que já então animava os teatros do Parque Mayer. Foi então que, sob a batuta de Leitão de Barros e Norberto de Araújo, passou em Lisboa a realizar-se o concurso das denominadas “marchas populares”. Envergando o traje à vianesa, o bairro de Campo de Ourique foi o vencedor da primeira edição, facto que o levou a repetir o tema em 1997.

Organizados pelas colectividades de cultura e recreio, as “marchas populares” passaram a escolher preferencialmente temas relacionados com os aspectos pitorescos e a História dos seus bairros, dando ênfase a uma vivência predominantemente urbana e associada ao ambiente boémio e fadista. Nalguns casos, porém, era dado um particular realce ao elemento etnográfico como sucedia com as tradições saloias dos bairros de Benfica e Olivais ou então, ao carácter peculiar da colónia ovarina que habita o pitoresco bairro da Madragoa. Em relação à coreografia e à indumentária, caracterizam-se invariavelmente pela fantasia e a teatralidade, não revelando em qualquer dos casos quaisquer preocupações de natureza folclórica e etnográfica, pelo menos na sua perspectiva museológica ou seja, de preservação da sua autenticidade.

Possuindo as suas raízes mais próximas nas tradições joaninas, as “marchas populares” depressa obtiveram a adesão popular. Em 1936, quatro anos após o primeiro desfile organizado em Lisboa, saíram à rua na cidade de Setúbal para, com o decorrer dos anos, iniciativas semelhantes se estenderem a todo o país

Em Lisboa, a “marcha popular” é constituída por vinte e quatro pares de marchantes a que se juntam quatro aguadeiros e um “cavalinho” composto por oito elementos, tocando um clarinete, um saxofone alto, dois trompetes, um trombone, um bombardino, um contrabaixo e uma caixa. Para além daqueles, podem ainda ser incorporados o porta-estandarte, duas crianças como mascotes, um par de padrinhos e dois ensaiadores. Todas as marchas devem incluir o festão e o balão ou o manjerico e exibir o “Trono de Santo António” ou o “Arraial”.

Constituindo o folclore o saber do povo, é este que cria a sua própria festa e constrói o saber à maneira do seu carácter, à sua feição e modo de entender o mundo que o rodeia, adaptando-o sempre a novas realidades. Embora influenciado através da intervenção feita em determinadas épocas históricas, a criação popular não cristaliza porquanto o povo ainda não constitui um objecto fossilizado – ela renasce sempre que reacende a fogueira de São João!

Fotos: Arquivo Municipal de Lisboa

Carlos Gomes / http://www.folclore-online.com/index.html

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BRACARENSES DEBATEM RELIGIOSIDADE POPULAR

A Rusga de São Vicente de Braga - Grupo Etnográfico do Baixo Minho, leva a efeito a 77ª edição dos "Serões no Burgo/Tertúlias Rusgueiras" (Bodas de diamante), cujo tema será: "Os Saraiva Caldeira - o Artur pai e Artur filho".

A tertúlia tem por convidados Artur Caldeira e Paulo Caldeira e será moderada por José Pinto, presidente da associação.

1º tema - "Religiosidade Popular"

2º tema - "Festas Cíclicas, rituais e outros folguedos tradicionais"

Os momentos artísticos desta seranzada serão da responsabilidade de Artur Caldeira filho e seus amigos.

Esta iniciativa, tem lugar na sede social desta associação, sita na Av. Artur Soares, nº 73, em Braga, no dia 05 de junho de 2015, pelas 21h:30, e insere-se no âmbito do 2º tema do programa comemorativo do 50º aniversário da Rusga. 50 anos 05 temas (1965/2015).

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BRACARENSES DEBATEM MITOS E RITOS NA CULTURA POPULAR TRADICIONAL

A Rusga de São Vicente de Braga - Grupo Etnográfico do Baixo Minho, leva a efeito a 76ª edição dos "Serões no Burgo/Tertúlias Rusgueiras" (Bodas de diamante), a ter lugar na sede social desta associação, sita na Av. Artur Soares, nº 73, em Braga, no dia 29 de maio de 2015, pelas 21h:30.

O tema da tertúlia será: "Ritos e Mitos na cultura popular tradicional", que terá por convidado Prof. Doutor José Carlos Lopes de Miranda com moderação de José Pinto, presidente da associação.

Esta iniciativa, insere-se no âmbito do 2º tema do programa comemorativo do 50º aniversário da Rusga. 50 anos 05 temas (1965/2015).

1º tema - "Religiosidade Popular"

2º tema - "Festas Cíclicas, rituais e outros folguedos tradicionais"

Os momentos artísticos das seranzadas serão da responsabilidade da Rusga de São Vicente de Braga

BRACARENSES DEBATEM RITOS E MITOS NA CULTURA TRADICIONAL

A Rusga de São Vicente de Braga - Grupo Etnográfico do Baixo Minho, leva a efeito a 76ª edição dos "Serões no Burgo/Tertúlias Rusgueiras" (Bodas de diamante), a ter lugar na sede social desta associação, sita na Av. Artur Soares, nº 73, em Braga, no dia 29 de maio de 2015, pelas 21h:30, cujo tema será: "Ritos e Mitos na cultura popular tradicional", que terá por convidado Prof. Doutor José Carlos Lopes de Miranda com moderação de José Pinto, presidente da associação.

Esta iniciativa, insere-se no âmbito do 2º tema do programa comemorativo do 50º aniversário da Rusga. 50 anos05 temas (1965/2015).

1º tema - "Religiosidade Popular"

2º tema - "Festas Cíclicas, rituais e outros folguedos tradicionais"

Os momentos artísticos das seranzadas serão da responsabilidade da Rusga de São Vicente de Braga

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GALIZA DESFILA EM LISBOA NO FESTIVAL INTERNACIONAL DA MÁSCARA IBÉRICA

O Festival Internacional da Máscara Ibérica (FIMI) fez desfilar em Lisboa máscaras tradicionais portuguesas de Trás-os-Montes e Beira Litoral e ainda da Galiza, Leão, Astúrias e Andaluzia no país vizinho.

Termina amanhã em Lisboa mais uma edição do Festival Internacional Máscara Ibérica. Dezenas de grupos oriundos do norte e centro de Portugal e ainda da Galiza, Leão, Astúrias e Andaluzia desfilaram hoje entre a Praça do Município e o Rossio. Do nosso país estiveram representados os concelhos de Mogadouro, Macedo de Cavaleiros, Vinhais, Lamego, Mira e Ílhavo.

A Mostra das Regiões apresentou-se mais uma vez em Lisboa, transformando durante quatro dias o Rossio consecutivos numa montra de produtos regionais, artesanato e destinos turísticos. Os visitantes tiveram oportunidade de descobrir e adquirir algumas das mais tradicionais iguarias como o fumeiro, a doçaria regional e peças artesanais nacionais e das mais diversas regiões do país vizinho.

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A tradição pagã dos rituais da máscara, raramente vistos fora dos seus contextos de origem, tem por objetivo a divulgação de um dos elementos mais característicos do folclore dos povos, concretamente as máscaras tradicionais, ajudando a compreender todo o ritual que lhe está associado, desde as suas origens pagãs às festividades do Entrudo tradicional. O costume da máscara é comum a todos os povos e a todas as regiões, embora em muitos casos tenha caído no esquecimento. A título de exemplo, no Minho perdura ainda a tradição dos cabeçudos e gigantones, fazendo-se acompanhar pelas arruadas dos zés-pereiras, dando alegria e colorido às romarias.

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A utilização tradicional das máscaras está associada à religiosidade primitiva que encarava o ciclo da vida e dos vegetais num perpétuo renascimento. O rito celebra o mito e assegura a interrupção do ciclo da natureza e da vida. Assim, como á morte sucede a vida, também ao Inverno e à morte dos vegetais sucede invariavelmente o seu renascimento. Ao Inverno estão associados um conjunto de rituais que se iniciam com o culto dos mortos em Novembro, na crença de que estes podem interferir favoravelmente no ciclo da natureza, culminando com a Serração da Velha a anunciar o regresso da Primavera. Pelo meio fica o Entrudo celebrado com as suas máscaras e os seus instrumentos ruidosos como as sarroncas e os zaquelitraques com vista a expulsar os demónios do Inverno.

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Toda a representação se destina a exorcizar os maus espíritos do Inverno e incidem no universo rural, desde a representação de figuras demoníacas aos animais que fazem parte do quotidiano do lavrador. As máscaras são construídas a partir dos materiais disponíveis no espaço rural e concebidas com base no imaginário popular.

Os chocalhos prendidos à cinta do careto, símbolo da virilidade e da posse demoníaca, destinam-se a chocalhar as raparigas que se perdem pelos caminhos da aldeia. Os mascarados estão autorizados a invadir as casas e tomar para si alvíssaras, em regra uma peça do fumeiro.

Trata-se de costumes que seguramente eram comuns a todas as regiões do nosso país mas cuja memória e tradição se foi perdendo. Cabe às personalidades e entidades culturais que se dedicam ao estudo e investigação na área da etnografia a revelação de tais tradições já esquecidas.

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OS MAIOS E AS MAIAS: O MINHO MANTÉM A TRADIÇÃO!

Com a entrada do mês de Maio, enfeitam-se de giestas floridas as janelas das casas nas vilas e aldeias do Minho anunciando a chegada da Primavera em todo o seu esplendor e, com ela as flores que contribuem para alegrar a nossa existência, perfumar e dar colorido ao ambiente que nos rodeia. São as maias feitas de ramos de giestas com as suas flores amarelas as quais, por tradição, são colocadas nas portas e carros agrícolas, constituindo este costume uma forma de celebrar o renascimento da vida vegetal.

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Atualmente pouco divulgada, a festa das maias foi noutras épocas celebrada em todo o país, tendo caído em desuso devido a sucessivas proibições devidas a rixas originadas pelo despique entre localidades ou ainda por motivos religiosos, como sucedeu em 1402 por imposição régia a qual determinava "nõ cantassem mayas, ne Janeiras, e outras cousas q eram contra a ley de deus". A sua origem perde-se nos tempos e corresponde às Florálias celebradas entre os romanos e dedicadas a Flora, deusa das flores e da Primavera, a quem consagravam os jogos florais. Durante três dias consecutivos, as mulheres dançavam ao som de trombetas, sendo coroadas de flores as que logravam ganhar os jogos, adornando-se desse modo à semelhança da própria divindade a que prestavam culto. Aliás, é precisamente aos romanos que se atribui a implantação de tal costume na Península Ibérica, tendo a mesma alcançado especial aceitação na região do Algarve.

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Também entre nós houve em tempos idos o costume de, por esta ocasião, coroar-se de flores uma jovem vestida de branco, prestes a entrar na primavera da vida, qual maia adornada de joias, fitas e flores que nos trazem à lembrança as fogaceiras de Santa Maria da Feira e as moças que levam à cabeça os característicos tabuleiros das festas de Tomar. E, tal como Flora entre os romanos, a jovem maia sentava-se num trono florido a cujos pés o povo dançava durante todo o dia, venerando desse modo a esbelta divindade pagã e celebrando os seus atributos que se permitiam o retorno dos vegetais. Conta ainda uma lenda antiga que em Lagos, no Algarve, tal costume incidia sobre um homem da terra que era adornado com as melhores joias, o qual percorria as ruas da cidade montado num asno. Sucedeu que, em certa ocasião, terminada que foi a volta pela cidade, o maio dirigiu-se para os campos junto da cidade e desapareceu para nunca mais ser visto. Em virtude do ocorrido, o povo que ainda espera o seu regresso com as joias que consigo levou passou a designar o Maio como "o mês que há-de vir…

E, enquanto o Maio não chega para as gentes de Lagos, é altura de festejarmos as maias, alegrando as janelas com ramos de giestas floridas. Em breve virá a celebração do Corpus Christi e a Vaca das Cordas em Ponte de Lima, as festas do Espírito Santo e a Coca em Monção, a festa das fogaceiras em terras de Santa Maria da Feira e as fogueiras pelo S. João a evocar o solstício do Verão. A seu tempo chegarão as colheitas e as malhadas, as vindimas e as adiafas e, pelo S. Miguel as desfolhadas ou descamisadas. Para trás fica o entrudus e as festas equinociais e pascais, a Serração da Velha e a Queima do Judas.

Assegurámos através do rito a ininterrupção do ciclo da natureza, participando desse modo na ação criadora dos deuses. Pela tradição, preservamos usos e costumes que chegaram até aos nossos dias e fazem parte do nosso folclore. Festejemos, pois, as maias, fazendo-as ressurgir com o mesmo colorido, alegria e pujança como nos tempos antigos!

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MUSEU MUNICIPAL DE OURÉM EXPÕE FOTOGRAFIAS DE CARLOS RELVAS SOBRE TRAJES TRADICIONAIS

Exposição inclui fotografias de trajes do Minho

“Traje encenado” é o tema da exposição temporária que o Museu Municipal de Ourém – Casa do Administrador inaugurou hoje, mostrando fotografias produzidas em ambiente de estúdio retratando diversos trajes tradicionais portugueses, mormente da região do Minho.

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A Chefe da Divisão de Ação Cultural do Município de Ourém, Drª Ana Saraiva, fez a apresentação da exposição e seus objetivos, realçando a riqueza patrimonial do concelho de Ourém dada a sua localização privilegiada na confluência de diferentes regiões geo-etnográficas, anunciando ainda a realização próxima de novas iniciativas a envolver os agrupamentos folclóricos do concelho.

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Além das fotografias, encenados e fotografados em estúdio por Carlos Relvas entre finais do século XIX e inícios do século XX a exposição inclui representações nacionais de trajes que comunicam com indumentárias de trajes de Ourém, recriados por oito grupos de ranchos folclóricos do concelho, exibidos nas suas atuações.

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A exposição conta com a participação da Casa-Estúdio Carlos Relvas, na Golegã, e de todos os ranchos folclóricos ativos em Ourém, concretamente o Rancho Folclórico da Casa do Povo de Fátima, Rancho Folclórico Lírios do Nabão – Freixianda, Rancho Folclórico Rosas de Portugal – Freixianda, Rancho Folclórico Lírios do Campo – Nossa Senhora da Piedade, Rancho Folclórico Os Moleiros da Ribeira – Olival, Grupo de Danças e Cantares Lagoense – Nossa Senhora das Misericórdias, Rancho Folclórico Os Camponeses – Ribeira do Fárrio e o Rancho Folclórico Verde Pinho – Rio de Couros.

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A exposição poderá ser visitada de terça a domingo das 9h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00, na Casa do Administrador - Museu Municipal de Ourém.

Nascido na Golegã em 1838, Carlos Relvas foi além de agricultor, desportista e toureiro um notável fotógrafo que se distinguiu em Portugal e no estrangeiro, possuindo muitos dos seus trabalhos publicados em revistas da época como “O Occidente”, “Branco e Negro” e “Boletim Fotográfico”. Era pai do político José Relvas a quem coube a proclamação do regime republicano, na varanda dos Paços do Concelho, em Lisboa, em 5 de outubro de 1910.

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RUSGA DE JOANE ENSINA A BORDAR

A Rusga de Joane anuncia o início do Curso de Bordados Tradicionais a iniciar já no próximo dia 28 de março. A formação acontecerá 2 sábados por mês.

Hora: 10 às 12h

Local: Sede da Rusga de Joane, mais precisamente na antiga Escola Primária de Giestais.

Início: 28 de março

Final: 1 de agosto

Total de horas: 20h

Preço: 25€ (inclui: inscrição, formação e material de trabalho)

Limite de inscritos: 15 pessoas

Inscrições e informações: rusgadejoane@gmail.com e 931 325 278

Organização: Grupo Etnográfico Rusga de Joane

Parceria: DMC

CORTEJO HISTÓRICO E ETNOGRÁFICO RETRATA EVOLUÇÃO HISTÓRICA DE PÓVOA DE LANHOSO

Cantor Zé Amaro apadrinha o evento

No próximo dia 22 de março, o Cortejo Histórico e Etnográfico de S. José volta a sair às ruas principais da Vila Povoense, prometendo atrair multidões. Este ano, o tema escolhido é a “Evolução Histórica do Concelho da Póvoa de Lanhoso”. O início está marcado para as 15h00.

Multidao saiu a rua 1 em 2014

Prevê-se a participação de 300 figurantes, ao longo de 23 quadros apresentados pelas 22 freguesias do concelho, num momento que tem vindo a assumir-se como um evento distintivo das Festas Concelhias. “Este é um momento importante que nos irá permitir fechar com chave de ouro as Festas, pois contamos com o envolvimento e empenho das nossas populações e dos nossos funcionários municipais num evento que é de todos”, salienta o Presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, Manuel Baptista.

Como novidade, este ano, o Cortejo Histórico e Etnográfico de S. José vai ter a presença de uma figura muito especial, que será o primeiro padrinho deste evento, o jovem e conhecido cantor Zé Amaro. “Agradecemos ao nosso amigo Zé Amaro por ter aceitado apadrinhar este evento”, considera ainda o Presidente da Câmara Municipal.

Ao conjugar espetáculo com história, mas, acima de tudo, pelo particular envolvimento das freguesias, das suas instituições e associações, contribuindo decisivamente para o enraizamento das nossas tradições e para o conhecimento da história local, pode afirmar-se que o Cortejo de S. José está a tornar-se num nobre elo de ligação da nossa comunidade.

O quadro que a Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso vai representar é a Pré-História e o mesmo está a ser executado pelos funcionários municipais. Em termos de personagens, participarão não só trabalhadores da Autarquia e seus familiares, mas também jovens povoenses.

Para este ano de 2015, a Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso propôs o tema Evolução Histórica do Concelho da Póvoa de Lanhoso com o intuito de se fazer uma viagem no tempo, percorrendo os factos e os momentos mais marcantes e decisivos da nossa história local, permitindo que a população se inteire do rico e relevante passado histórico da terra que os viu nascer.

A viagem vai percorrer períodos como o Neolítico, a Idade do Ferro, a Romanização e a Idade Média, passando por épocas como a da fundação da nossa nacionalidade e o 25 de Abril, de entre outras.

RUSGA DE SÃO VICENTE DE BRAGA ORGANIZA TERTÚLIAS

A Rusga de São Vicente de Braga - Grupo Etnográfico do Baixo Minho, enquanto associação organizadora das 'Conferências Rusgueiras - Arco Cultural -2014', - em parceria com a Universidade do Minho (UM) e a Universidade Católica Portuguesa (UCP), leva a efeito mais um ciclo de conferências no âmbito do programa comemorativo do seu 50º aniversário.

Conferências Rusgueiras

ARCO CULTURAL

(No âmbito do programa comemorativo do 50º aniversário da Rusga)

1965 / 2015

Tema:

“Religiosidade popular - crenças, cultos e promessaS"

BRAGA | Auditório do Museu Dom Diogo de Sousa | 22 e 29 Novembro 2014

Rua dos Bombeiros Voluntários

4700-025 BRAGA

Organização: ‘ARCO CULTURAL’

. Rusga de São Vicente de Braga - Grupo Etnográfico do Baixo Minho

. Centro Regional de Braga da Universidade Católica Portuguesa - UCP

. Universidade do Minho – UM

Inscrição Gratuita (limitada ao número de lugares disponíveis)

Programa

Dia 22 | sábado

9h:00 - Receção dos participantes

9h:30 - Sessão de Abertura (Organização e entidades convidadas)

Painel I (comunicações)

10h:05 - José Carlos de Miranda (UCP-Clepul) | ‘Religião como Linguagem.

Significado antropológico dos ritos votivos’

10h:20 - José Viriato Capela (UM) | ‘O devocionário português. Sua diferenciação regional’

10h:35 - Pausa / Café

Painel II (comunicações)

11h:00 - María José Pérez Álvarez (Universidade de Léon) | ‘Religiosidad popular y caridad en la diócesis de León durante el siglo XVIII’

11h:15 - Franquelim Neiva Soares (UM) | ‘Culto Eucarístico no Arcebispado de Braga de 1500 até 1550’

11h:30 - Engrácia Leandro (UM) | ‘Falar da vida através das promessas. Estudo comparativo’

11h:45 – Debate (Painel I e Painel II)

12h:10 - Almoço Livre (O museu Dom Diogo de Sousa dispõe de restaurante) Painel III (comunicações)

14h:30 - Marta Lobo (UM) | ‘Cultos e crenças nas confrarias bracarenses da Idade Moderna’

14h:45 - Alfredo Martín Gárcia (Universidade de León) | ‘Franciscanismo y religiosidade tridentina en la Península Ibérica durante el Antigo Régimen’

15h:00 - José Alberto Sardinha | ‘O cântico popular religioso - diversidade e semelhanças no território’

15h:15 - Elsa Silva (UM) | ‘As festas como forma de culto na Irmandade de Santa Cruz de Braga no século XVII’

15h:30 - Alexandra Esteves (UCP) | ‘As Confrarias das Almas do concelho de Ponte de Lima, enquanto espaços de devoção e sociabilidade’

15h:45 – Debate (Painel III)

16h:10 - Pausa / Café

Painel IV (comunicações)

16h:35 - Aida Mata (Rusga) | ‘Nichos de Alminhas - culto e sua implantação no território concelhio bracarense’

16h:50 - Sara Silva (UM) | ‘As festividades da Irmandade de Nossa Senhora do Carmo de Braga (1759 - 1834)’

17h:05 - José Moças (Tradisom) | ‘Da filmografia de Michel Giacometti – as carpideiras, lamentos e lágrimas encomendadas’

17h:20 - Manuela Machado (UM) | ‘Entre promessas e milagres: as esmolas a S. João Marcos na Misericórdia de Braga do século XVIII’

17h:35 – Debate (Painel IV)

18h:00 - Encerramento (1º dia das ‘Conferências Rusgueiras’)

Programa

Dia 29 | sábado

9h:00 - Receção dos participantes

9h:30 - Sessão de Abertura (Organização)

Painel V (comunicações)

09h:45 - Luís Cunha (UM) | ‘A ordem do mundo: a razão como disciplina da fé’

10h:00 - Cristina Braga (UM) | ‘Como se morria em Bracara Augusta: um olhar sobre os rituais e os espaços funerários’

10h:15 - Jaime Garcia Bernal (Universidade de Sevilha) | ‘Los cultos de las hermandades andaluzas en el siglo XVI a través de sus libros de Reglas’

10h:30 – Debate (Painel V)

10h:45 - Pausa / Café

Painel VI (comunicações)

11h:05 - António Dantas Barbosa (UM) | ‘A devoção limiana a Nossa Senhora das Dores: (séculos XVIII e XIX)’

11h:20 - Ariana Almendra (UM)| ‘Do sagrado ao profano: a festa em honra do Mártir São Vicente. A romaria, culto e tradições (século XVIII – XX)’

11h:35 - Adília Fernandes (UM)| ‘O culto do Santíssimo Sacramento em Torre de Moncorvo: uma análise dos estatutos da confraria do século XVIII’

11h:50 – Debate (Painel VI)

12h:10 - Almoço Livre (O museu Dom Diogo de Sousa dispõe de restaurante)

Painel VII (comunicações)

14h:30 - João Manuel Duque (UCP) | ‘Promessas - uma possível leitura teológica’

14h:45 - Norberto Ferraz (UM) | ‘Crença nos intercessores das almas: os testamentos bracarenses do século XVIII’

15h:00 - Ricardo Silva (UM) | ‘Os conventos femininos bracarenses enquanto centros propagadores de fé’

15h:15 - José Paulo Abreu (UCP) | ‘A religiosidade Mariana em Portugal’

15h:30 – Debate (Painel VII)

15h:50 - Pausa / Café

Painel VIII (comunicações)

16h:10 - Salvador Mota (UCP) | ‘Observações sobre comportamentos religiosos e práticas sociais em Amarante a partir dos Livros de Visitações (1762 - 1868)’

16h:25 - António Magalhães (UM) | ‘Práticas religiosas na Misericórdia de Viana do Castelo no século XIX’

16h:40 - Sofia Fernandes (UM) | ‘A procissão das Endoenças na Misericórdia de Penafiel: congregadora da devoção popular, imagem da irmandade e geradora de conflitos’

16h:55 - Jean Yves Durand e Manuela Ivone Cunha (UM) | ‘A nova vida de um santo: crentes, agnósticos e desejo de “tradição”. São Nicolau e as suas festas em Guimarães’

17h:10 – Debate (Painel VIII)

17h:30 - Encerramento (2º dia das ‘Conferências Rusgueiras’)

Conferências Rusgueiras - Arco Cultural

Nicho d’ALMINHAS Irmandade das Almas do Mártir São Vicente, Braga - Portugal

Comissão de Honra

. António Magalhães da Cunha

Reitor da Universidade do Minho

. Maria da Glória Garcia

Reitora da Universidade Católica Portuguesa

. Ricardo Rio

Presidente da Câmara Municipal de Braga

. Jorge Ortiga

Arcebispo de Braga

. António Manuel da Ponte

Presidente da Direcção Regional de Cultura do Norte

. Fernando Ribeiro Mendes

Presidente da Fundação INATEL

Comissão Científica

Rusga

José Pinto

Aida Mata

Luís Fontes

Universidade Católica Portuguesa (UCP)

João Manuel Duque

Alexandra Esteves

Universidade do Minho (UM)

Maria Helena Sousa

Marta Lobo

Comissão Promotora| Rusga de São Vicente de Braga - Grupo Etnográfico do Baixo Minho

. José Ribeiro Pinto

Coordenação Geral

Presidente da Rusga de São Vicente de Braga - Grupo Etnográfico do Baixo Minho

. Aida Mata

Coordenação científica do projecto “ALMINHAS”

. Ana Cristina Braga

Coordenação e tratamento de dados das “Conferências Rusgueiras - Arco Cultural”

Dep. Comunicação, Promoção e Imagem da Rusga de São Vicente de Braga - GEBM

. Angelina Ribeiro Pinto

Coordenação, concepção e finalidades do projecto “ALMINHAS”

. Carlos Alberto Barros

Coordenação, concepção do projecto “ALMINHAS”

Dep. Comunicação, Promoção e Imagem da Rusga de São Vicente de Braga - GEBM

. José Adriano Pinto

Dep. Comunicação, Promoção e Imagem da Rusga de São Vicente de Braga - GEBM e tratamento de dados

. Judite Dias

Apoio ao trabalho de “Campo/Recolha” à Coordenadora científica do projecto “ALMINHAS”

. Luís Fontes

Coordenação científica e apoio às ‘Conferências Rusgueiras - Arco Cultural’

. Manuela Azevedo Silva

Coordenação Geral, interligação entre departamentos das “Conferências Rusgueiras - Arco Cultural’

. Maria do Sameiro Faria

Coordenação Geral, logística do projecto “ALMINHAS”

. Pedro Mota

Coordenação, apoio ao projecto “ALMINHAS”

Parceiros locais: - Correio do Minho; Diário do Minho; Revista SIM; RUM - Rádio Universitária do Minho; Rádio Sim (RR) e Antena Minho

Parceiro Nacional: - RTP - Rádio televisão Portuguesa (informação)

VIANA DO CASTELO DESFILA ETNOGRAFIA NA ROMARIA DA SENHORA DA AGONIA

O cortejo etnográfico é um dos pontos altos da Romaria da Senhora da Agonia, em Viana do Castelo. Milhares de pessoas apinharam-se nos passeios e varandas da Princesa do Lima para assistir ao desfile que trouxe à cidade as tradições da região, os usos e costumes das suas freguesias, a beleza inigualável das moças vianenses, a alegria e o colorido dos seus trajes caraterísticos.

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E, das aldeias em redor, vieram as mordomas da festa e as lavradeiras, os tocadores de concertina e os sargaceiros, as peixeiras e as bordadeiras. E trouxeram consigo as concertinas e as alfaias e fizeram desfilar os carros transportando alegorias às mais diversas tradições da nossa terra. E, no cortejo seguiram ainda os cabeçudos e gigantones seguidos pelos zés pereiras marcando a cadência com o rufar dos bombos. E ainda os tocadores de concertina e os ranchos etnográficos fazendo ouvir as mais alegres rapsódias do nosso folclore.

Viana do Castelo encheu-se de gente vinda de todos os recantos do Minho. Sejamos de Braga ou Monção, de Guimarães ou Famalicão, de Barcelos ou Ponte de Lima, em dia de romaria à Senhora da Agonia somos todos de Viana do Castelo, somos todos vianenses. E, com o estalejar dos últimos foguetes da romaria, à beira do rio Lima, seguem os minhotos em alegre folia para as festas ao São João d’Arga, à Senhora da Peneda, a Nossa Senhora da Bonança ou às Feiras Novas a Ponte de Lima!

Fotos: José Carlos Vieira / https://www.facebook.com/jose.c.vieira.9?fref=ts

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OURÉM REALIZA FESTIVAL DE CINEMA ETNOGRÁFICO

CinANTROP – Festival Internacional de Cinema Etnográfico - MMO

19 de Julho na Casa do Administrador - Museu Municipal de Ourém (sábado)

20 de Julho no Torreão do Castelo na Vila Medieval de Ourém (domingo),

A partir das 15 horas.

O cinANTROP traz o Festival Internacional Etnográfico a Ourém.

Se gosta de cinema, participe!

Este festival visa contribuir para a preservação e divulgação da identidade das comunidades, procedendo a uma recolha e desenvolvimento de projetos de interesse etnográfico.

ENTRADA LIVRE

Museu Municipal de Ourém, de terça a domingo das 09.00H às 13.00H e das 14.00H às 18.00H

Contatos: tel: 249 540 900 (6831) / tlm: 919 585 003 / 910 502 917 / museu@mail.com-ourem.pt / www.museu.com-ourem.pt

PONTE DE LIMA EXPÕE SOBRE O CORTEJO ETNOGRÁFICO DAS FEIRAS NOVAS

Exposição sobre os 50 anos do Cortejo Etnográfico das Feiras Novas realiza-se na Biblioteca Municipal de Ponte de Lima, até 31 de outubro

É inaugurada amanhã, quarta-feira, dia 9 de julho, na Biblioteca Municipal de Ponte de Lima a exposição intitulada 50 anos do Cortejo Etnográfico de Ponte de Lima: vivências de uma cultura popular.

Esta iniciativa visa assinalar o primeiro cortejo etnográfico das Feiras Novas, que este ano comemora 50 anos de existência. O Cortejo Etnográfico teve origem no ano de 1964, impulsionado pela Comissão de Festas desse ano, pretendendo dar a conhecer as vivências do povo da ribeira lima.

A ruralidade presente no concelho foi, assim, espelhada neste cortejo, reflexo dos usos, costumes e tradições limianas.

Este cortejo realiza-se desde 1964 até aos dias de hoje, avivando os quadros campestres, as fainas agrícolas, as antigas profissões e relembrando os cantares e dançares das diversas freguesias de Ponte de Lima. Representa momentos de regresso às origens, repetindo anos da história das comunidades envolvidas para sedimentar e enaltecer o mundo rural limiano.

A visita a esta exposição pode ser feita, diariamente, de segunda a sexta-feira, entre as 09:30 - 12:30 e 14:00 - 18:30. Para mais informações contate através do seguinte endereço: biblioteca@cm-pontedelima.pt

OURENSE INAUGURA MUSEU DO TRAJE GALEGO

Novo Museo do Traxe Tradicional Galego (Ourense)

Na estación de ferrocarril de Santa Cruz de Arrabaldo (Ourense) tivo lugar o pasado 1 de xullo a inauguración do Museo do Traxe Tradicional Galego.

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Esta iniciativa, promovida polo Inorde e a Xunta de Galicia, ten como obxectivo poñer en valor a nosa etnografía a través da historia do traxe, e forma parte do proxecto de rehabilitación desta estación, compartindo espazo expositivo con Centro de Interpretación do Liño e o Museo Estanislao Reverter. O Museo do Traxe presenta unha exposición de traxes folclóricos, teares e dos instrumentos empregados na confección do liño.

O museo estará aberto ao público en tempada alta e fora destas datas serán posibles as visitas concertadas. O acceso aos centros tamén se incluirá no novo produto turístico: Trenes Turísticos Galicia 2014, un proxecto colaborativo de Renfe, a Xunta de Galicia e o Inorde que ofrece rutas de un día en trens tematizados para coñecer mediante ruta puntos de interese cultural galego como é a Ruta dos Faros, a Ruta dos Pazos e Xardíns Históricos e as cinco rutas por todas as Denominacións de Orixe do Viño de Galicia. Tamén se organizarán na estación actividades extraescolares dos centros educativos.
Este proxecto de habilitación da estación de ferrocarril de Santa Cruz de Arrabaldo foi posible grazas ao acordo asinado entre a Consellería de Cultura e o Inorde, que permitiu tamén a habilitación da estación de ferrocarril de Baños de Molgas para a realización de actividades culturais.

Fonte: http://www.blogoteca.com/malmequer/index.php

OURÉM REALIZA FESTIVAL DE CINEMA ETNOGRÁFICO

O prazo para entrega das curtas-metragens foi alargado, sendo que poderão entregar as mesmas até ao dia 13 de julho.

CinANTROP - Festival Internacional Etnográfico em Ourém a realizar nos dias 19 e 20 de julho de 2014, no Museu Municipal de Ourém – Casa do Administrador.

O cinANTROP traz o Festival Internacional Etnográfico em Ourém

Se gosta de cinema, participe!

Envie as curtas-metragens até ao dia 30 de Junho que não devem ultrapassar os 25 minutos.

Prémios:

1º 500€

2º 150€

3º 100€

(CRITÉRIOS DE SELEÇÃO)

Os elementos do Júri considerarão, como fundamental na apreciação dos documentos, critérios gerais de qualidade das curtas-metragens submetidas a concurso, designadamente:

− relação das obras produzidas com a dimensão concelhia de Ourém.

− relação das obras com temáticas relacionadas com a Etnografia,Tradições, Património (natural e construído), População, Gastronomia, Cultura, espaços/locais característicos, entre outros domínios materiais e imateriais das realidades geográficas atrás referidas;

− Originalidade das obras.

EM 1956, DEZ MIL PESSOAS ASSISTIRAM EM BRAGA AO ENCERRAMENTO DO I CONGRESSO DE ETNOGRAFIA E FOLCLORE

O Jornal “Diário Popular”, na sua edição de 24 de junho de 1956, registou o encerramento do I Congresso de Etnografia e Folclore que se realizou em Braga, a cuja sessão presidiu o ministro das Corporações, Dr. Veiga de Macedo, que discursou perante uma assistência de cerca de dez mil pessoas.

SÃO JOÃO E O SOLSTÍCIO DE VERÃO

Entrámos em Junho com ele no solstício do Verão. Salta-se a fogueira pelo S. João, brinca-se com alcachofras e martelinhos, tréculas e zaquelitraques, canta-se e dança-se. Pela calada da noite, invadem-se os quinteiros, assaltam-se as eiras e roubam-se vasos com plantas, carroças e carros de bois para seguidamente os levar para o centro da povoação. São as festas sãojoaninas, assim designadas em virtude da Igreja Católica ter atribuído a esta data o nascimento de S. João Baptista, uma reminiscência de antiquíssimos rituais pagãos relacionados com o Solstício de Verão e ainda com a adoração do fogo. De resto, o fogo adquiriu desde sempre um carácter sagrado ao ponto de ter sido deificado.

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No Porto e em Braga, as suas gentes vivem as festas sãojoaninas com particular intensidade. O Barredo e a Ribeira no Porto enchem-se de povo e a alegria e animação dura até tantas da madrugada. Em Lisboa, as festas solsticiais abrangem todo o mês de Junho, associando S. Pedro e S. António aos festejos de S.João. O nascimento de S. António em Lisboa deve ter contribuído para que os festejos lhe tenham sido dedicados, popularizado ao ponto de muitas pessoas pensarem erradamente ser ele o patrono desta cidade.

Desde tempos remotos, o homem celebrava a chegada do Verão acendendo enormes fogueiras, cantando e dançando em seu redor. É a chegada do lume novo, um rito cuja sacralidade original se foi perdendo e que chegou até nós, transmitido de geração em geração, assegurada pela própria tradição.

Entre os gregos e os romanos, competia às Vestais - sacerdotisas dos templos dedicados a Vesta - a tarefa de preservar aceso o fogo sagrado. Entre nós, persiste o costume de acender o lenho na noite de Natal ou na passagem do ano e o círio pela Páscoa. Manda a tradição católica que, à beira da pia batismal, os padrinhos transportam a vela acesa quando o batizado não o pode fazer se ainda for demasiado jovem. Mas, falo-a quando chegar a altura de confirmar o seu batismo cristão. É que o fogo é a luz que nos ilumina e mostra a Verdade e a Vida. É ainda o fogo que nos aquece e afaga a nossa rude existência, elemento purificador que constitui um dos quatro elementos - os outros são a Terra, o Ar e a Água.

Mas o fogo é também festa. Desde a sua descoberta, aprendeu o Homem aprendeu a produzi-lo e manipular ao ponto de conseguir iluminar os céus e a terra com uma verdadeira constelação de alegria, salpicando-o de lágrimas e girândolas de cores e formas variadas, compondo na abóboda celestial um autêntico hino ao Criador. Afinal de contas, foi Ele quem pela primeira vez nos enviou o fogo sob a forma de um raio ou cuspiu das entranhas de um vulcão - eis o gesto primordial da criação que é ritualizado pelo homem desde os tempos em que Adão e Eva foram expulsos do paraíso por um anjo que empunhava uma espada de fogo.

É tempo de proceder à ceifa do trigo, do centeio e da cevada, de sachar o milho, sulfatar a vinha e crestar o mel das colmeias. Mas também é altura de festejar o S. João e saltar a fogueira. Desde o solstício de Verão até ao equinócio do Outono, é tempo de festa, de estúrdia e de arraial. E, a fazer jus à fama da pirotecnia, não há verdadeiramente festa sem o luminoso colorido do fogo-de-artifício e o estardalhaço dos foguetes. O folclore do nosso povo conserva raízes que nos transportam à origem da própria civilização humana.

Carlos Gomes / http://www.folclore-online.com/

RUSGA DE SÃO VICENTE DE BRAGA DEBATE “SÃO JOÃO BRACARENSE”

O etnomusicólogo José Sardinha será um dos quatro convidados da 74ª edição dos "Serões no Burgo/Tertúlias Rusgueiras", que terá por tema, "São João bracarense, visto de outras janelas. Testemunhos e reflexões comparativas", a levar a efeito já hoje, dia 06 (sexta-feira), pelas 21h:30, na sede social da Rusga de São Vicente de Braga, sita na Av. Artur Soares (Palhotas), nº 73, desta cidade.

José Alberto Sardinha-Etnomusicólogo

José Sardinha é conselheiro da Fundação INATEL e do Comité Internacional organizador de Festivais de Folclore (CIOFF/UNESCO), uma referência a nível nacional e internacional, na área da música de matriz popular tradicional portuguesa e demais tradições etnográficas.

Desde 1998, que este investigador, com o maior arquivo sonoro ao nível do trabalho de 'Levantamento/Recolha' nacional, tem rumado até Braga, por ocasião dos festejos Sanjoaninos, tendo em vista proceder a um estudo comparativo por via dupla. Por um lado, observar e analisar, na linha do tempo, os referidos festejos e, por outro, proceder a um estudo comparativo, face a outras festas e/ou romarias, enquanto festividades de natureza concelhia.

Para além daquele investigador, o painel de convidados contará ainda com a participação de Laurinda Figueiras, Presidente da Ronda Típica da Meadela, Viana do Castelo, grupo este que, tem participado activa e entusiasticamente na 'Rusga do século XXI', de Carlos Alves Rêgo, da Cooperativa A Oficina CIPRL, Guimarães, e ex-dirigente associativo e Alberto Rêgo, Presidente do Grupo Etnográfico da Areosa, Viana, membro da Associação VIANA FESTAS e também, conselheiro CIOFF/UNESCO.

Tal como vem sendo habitual, a moderação da seranzada será da responsabilidade de José Pinto, presidente da Rusga.

Os três momentos artísticos que o alinhamento dos Serões/Tertúlias contemplam, serão da responsabilidade das Rusgas de São Vicente de Braga (séculos XX e XXI).

Tal como vem sendo norma - desde a primeira edição, levada a efeito em janeiro de 2004 -, os "Serões no Burgo/Tertúlias Rusgueiras", são uma iniciativa de 'porta aberta', por isso, sintam-se desde já convidados, todos os bracarenses e não só, interessados pela temática em questão, no sentido de reflectir, partilhar e perspectivar conjuntamente, os festejos Sanjoaninos bracarenses, enquanto festas da cidade e respectivo concelho.

Convite-74ª ed. Serões-Tertúlias

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AS FESTAS A NOSSA SENHORA DOS ALTOS CÉUS E AS DANÇAS TRADICIONAIS DA LOUSA, EM CASTELO BRANCO

Existem no concelho de Castelo Branco tradições bastante peculiares que permanecem desconhecidas da maioria do povo português. Tratam-se das Danças das Virgens, Danças dos Homens e Danças das Tesouras que se realizam no âmbito das Festas em Honra de Nossa Senhora dos Altos Céus que têm lugar na freguesia de Lousa, por ocasião do 3º domingo do mês de maio.

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Reza a tradição que as festas em honra de Nossa Senhora dos Altos Céus tiveram origem numa promessa feita pelos habitantes de Lousa para que os livrasse de uma praga de gafanhotos que assolou a região em 1640, curiosamente o ano em que ocorreu a Restauração da Independência.

Tendo os gafanhotos desaparecido e, por conseguinte, sido obtida a graça pedida, consta que em gesto de agradecimento, um casal de agricultores e as suas oito filhas dançaram no adro da igreja, tendo a partir de então, dado origem à “Dança das Virgens” que até há relativamente pouco tempo era executada por rapazes. Por sua vez, também os homens organizaram a sua própria dança, a qual ficou conhecida por “Dança dos Homens”.

No domingo, após a celebração da eucaristia e realizada a procissão solene, oito “madamas”, atualmente raparigas solteiras, trajando vestidos brancos, ornamentadas com flores e ouro, acompanhadas pelo respetivo guardião que, de espada à cintura zela pela virtude das dançarinas, tocam trinchos e levam na mão um lenço branco com o qual acenam à Nossa Senhora dos Altos Céus e dançam ao som da viola beiroa. Os homens, envergando calça e camisa branca com cinta azul, apresentam-se com uma curiosa tiara ornamentada florida da qual pendem fitas de várias cores. Tocam genebres e tangem a viola beiroa ou bandurra, propositadamente desafinadas, apenas produzindo sons metálicos.

Pese embora a origem de tais tradições se encontrarem identificadas com ocorrências que se terão verificado em meados do século XVII, elas terão certamente raízes bem mais remotas à semelhança do que se verifica noutras culturas, muito provavelmente associados a ritos de fertilidade e de adoração de divindades associadas à Mãe Natureza, cristianizadas sob a forma do culto mariano e celebradas precisamente durante o mês de maio, na Lousa sob a invocação de Nossa Senhora dos Altos Céus.

A Lousa é uma pequena localidade recentemente integrada na freguesia de Escalos de Cima, dista cerca de 20 quilómetros de Castelo Branco e pertenceu outrora à Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, vulgo Ordem dos Templários.

Fotos: https://sites.google.com/site/alousarte/home

Carlos Gomes / http://www.folclore-online.com/

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BANHEIRA DE VILA PRAIA DE ÂNCORA NOS FINAIS DO SÉCULO XIX

A imagem data algures entre 1871 e 1900 e retrata a banheira de Vila Praia de Âncora nos finais do século XIX, precisamente a época em que se tornou moda ir a banhos e a praia substituiu as termas como local de encontro social. A burguesia procurava sítios à beira-mar para construir os seus palacetes e, a vetusta Gontinhães, de uma modesta póvoa de pescadores, transformava-se num importante local de veraneio e estância de turismo.

A foto foi produzida por José Albino Pereira de Carvalho, uma fotógrafo natural de Penafiel que faleceu em Monção em 5 de Agosto de 1920.

Esta foto que também possui interesse etnográfico pertence atualmente ao Centro Português de Fotografia e, conforme informação cedida por esta entidade, integra um caderno “com fotografias das provas da série "Costumes Populares", uma série de albuminas com um friso desenhado por Bordalo Pinheiro. Alguns destes ditos costumes são apresentados na sua "Coleção de Costumes Portugueses", sendo até que este caderno foi encontrado dentro da caixa do álbum 0037, "Coleção de Costumes Portugueses", desta mesma coleção, Coleção Alcídia e Luís Viegas Belchior.”

O “AUTO DE FLORIPES” OU O TEATRO POPULAR PORTUGUÊS PRÉ-VICENTINO

Um pouco por todo o país e ainda além-fronteiras, persistem nas tradições populares representações teatrais cujas origens remontam à Idade Média e versam a história lendária do imperador Carlos Magno e a temática das guerras entre cristãos e sarracenos, estes geralmente identificados como turcos em virtude da sua dominação se ter estendido a zona oriental do mar Mediterrâneo.

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É célebre a representação do “Auto de Floripes” que ocorre no mês de Agosto, em Mujães, no concelho de Viana do Castelo. A ação decorre entre o adro da igreja paroquial de onde sai o cortejo até à Capela da Senhora das Neves, na confluência com as freguesias de Barroselas e Vila de Punhe. Ainda, no concelho de Viana do Castelo, na localidade de Portela Suzã esta representação toma a designação de “Auto de Santo António”.

Em S. João da Ribeira, no concelho de Ponte de Lima, a peça toma a designação de “Auto da Turquia” e tem lugar de Crasto, por ocasião da Festa do Senhor da Cruz da Pedra que se realiza no segundo domingo de Agosto. Aqui defrontam-se dois exércitos, ostentando as bandeiras onde se inscrevem as respetivas insígnias – a cruz da Cristandade e a Lua Minguante com a Estrela que identifica os muçulmanos – e integrando doze personagens cada, incluindo o rei, o porta-bandeira, o capitão e um espião. Os cristãos saem sempre vitoriosos e o auto termina com a rendição inevitável dos turcos e a sua conversão ao Cristianismo.

Com ligeiras alterações e diferentes designações, encontramos ainda a representação do “Auto da Floripes” em Palme, no concelho de Barcelos e “Baile dos Turcos”, em Penafiel. Em Argozelo, no concelho de Vimioso, é designado por “Auto da Floripes”ou ainda “Comédia dos doze pares de França”. Em Parada, no concelho de Bragança, chamam-lhe “Auto dos Sete Infantes de Lara”. Em Sobrado, no concelho de Valongo, designa-se por “Dança dos Bugios e Mourisqueiros” enquanto em Vale Formoso, na Covilhã, toma o nome “Descoberta da Moura”. Também é representada no concelho de A Canhiza, na Galiza, com o nome “Auto do Mouro e do Cristão”.

Em Pechão, no concelho de Olhão, o auto “Combate de Mouros e Portugueses” serviu de argumento a uma longa-metragem do realizador Miguel Mendes que, num misto de ficção e documentário, procura retratar o sofrimento da comunidade piscatória daquela vila algarvia.

À semelhança do que sucede com outros elementos da nossa cultura, também o “Auto das Floripes” foi pelos portugueses levado para paragens distantes onde sofreu naturalmente algumas mutações e é atualmente representado com o consequente carácter híbrido resultante do encontro de culturas. É o que sucede em São Tomé e Príncipe, com a representação de “A Tragédia do Marquês de Mântua e do Príncipe D. Carlos Magno”, também designado por “São Lourenço”por ocorrer no dia dedicado a este santo. Este auto toma no dialeto são-tomense a designação de “Tchiloli” cuja representação tem lugar na Ilha do Príncipe.

A autoria da peça, na forma como é interpretada, é atribuída ao poeta Balthasar Dias, originário da Ilha da Madeira, devendo ter sido introduzida em São Tomé e Príncipe nos finais do século XVI pelos portugueses que aí foram plantar a cana-de-açúcar. Os colonos, constituídos na sua maioria por madeirenses, começaram por integrar nas suas representações os escravos negros provenientes do Congo, Gabão e Camarões, os quais foram gradualmente introduzindo elementos da sua cultura original.

“Tchiloli” tornou-se já numa das mais importantes atrações turísticas da Ilha do Príncipe com larga projeção internacional. Serviu de argumento ao filme “Floripes” de Afonso Alves e Teresa Perdigão e tema do livro “Floripes Negra, de Augusto Baptista, no qual o autor procura demonstrar as suas origens portuguesas.

A alusão ao imperador Carlos Magno relaciona-se naturalmente com o fato daquele imperador ter procedido à conversão forçada ao cristianismo dos povos que conquistou, objetivo que, curiosamente, jamais logrou alcançar na Península Ibérica. Outra particularidade consiste na escolha do dia dedicado a São Lourenço de Huesca para a sua representação, cuja festa litúrgica ocorre a 10 de Agosto.

Em várias localidades, a representação destes autos têm-se verificado de forma cada vez menos regular e, nalguns casos, correm inclusive o risco de passar ao esquecimento. As peças são quase sempre preservadas apenas pela tradição oral. E, apesar de poderem constituir um meio de atrair visitantes e promover as potencialidades culturais das regiões, a maioria dos municípios e entidades culturais não procede à sua divulgação. Trata-se de uma situação que pode e deve ser invertida mediante a intervenção dos grupos de teatro e outras associações que procuram preservar a cultura tradicional.

GOMES, Carlos. In http://www.folclore-online.com/index.html

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Representação do Auto de Floripes em São Tomé e Príncipe.

EM 1997, JORNAL “CORREIO DA MANHÔ REGISTOU A PARTICIPAÇÃO DOS TRÊS PASTORINHOS DO RANCHO DA CASA DO POVO DE FÁTIMA NA “FESTA DE PORTUGAL”

O jornal “Correio da Manhã” na sua edição de 24 de março de 1997 registou a participação dos três pastorinhos do Rancho Folclórico da Casa do Povo de Fátima na Festa de Portugal, evento que foi organizado pela Casa do Concelho de Ponte de Lima, em Lisboa.

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A iniciativa decorreu no Pavilhão Carlos Lopes e no parque Eduardo VII, tendo contado com a participação de perto de duas dezenas de representações folclóricas e etnográficas de todo o país.

A foto que realça a reportagem possui a seguinte legenda: “Um momento de pausa para os três pastorinhos no desfile etnográfico”.

FEIRA QUINZENAL DE PONTE DE LIMA EM 1907

A imagem mostra a feira quinzenal de Ponte de Lima, em 1907, registando nomeadamente pormenores relacionados com a forma de vestir á época que devem ser observados por quem estuda a etnografia, nomeadamente o uso do chapéu braguês e o tamanho dos cajados utilizados pelos homens. A fotografia foi produzida por J. A. Cunha Morais e pertence ao Centro Português de Fotografia que o adquiriu a Francisco José de Brito Belchior.

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CORTEJO HISTÓRICO E ETNOGRÁFICO REGRESSA À PÓVOA DE LANHOSO

Cortejo Histórico e Etnográfico é aposta ganha

É já considerada uma aposta ganha a recuperação da realização do cortejo histórico e etnográfico de São José. Na tarde de domingo, dia 17 de março, uma multidão de povoenses e de forasteiros saiu às ruas da Vila para assistir à edição deste ano, com o tema das comemorações dos 500 anos do Foral Novo que D. Manuel I atribuiu às Terras de Lanhoso como pano de fundo.

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Trata-se de um dos pontos altos das Festividades Concelhias. Perto de 30 quadros alegóricos e cerca de 300 figurantes deram corpo a este cortejo, que foi retomado em 2013, no âmbito da nova estratégia cultural do município, após uma paragem de cerca de 20 anos. O Presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, Manuel Baptista, destacou, no final, o envolvimento da comunidade, de uma maneira geral. “Estamos muito satisfeitos com a participação das Freguesias e das coletividades locais, que souberam mobilizar as populações e que demonstraram aqui hoje o resultado do empenho de toda a gente. Estão de parabéns, assim como os funcionários da autarquia, pelo bom trabalho que realizaram e pela entrega que tiveram a esta iniciativa”, referiu o autarca, agradecendo também ao público presente. “Enquanto for Presidente da Câmara este cortejo será para manter, pois viu-se também pela adesão de público e pela qualidade apresentada que é uma aposta ganha e que as pessoas gostam da nossa terra, das nossas tradições e estão empenhadas em preservar as nossas raízes”, referiu ainda Manuel Baptista.

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As principais artérias da Vila cedo começaram a receber o público em busca do melhor lugar. Pouco depois das 15h00, começava a passar o primeiro quadro, numa alusão ao à entrega da Carta de Foral de Lanhoso, atribuída por D. Manuel I, ao Senhor das Terras de Lanhoso, D. Diogo de Castro. Seguiram-se outros grupos, num alegre colorido, que arrancou sorrisos e gargalhadas a pessoas de todas as idades. Alguns figurantes distribuíram pão, flores, ovos, doces, fumeiro e bebidas, numa interação natural com as pessoas apinhadas nas ruas, entre a Praça Eng. Armando Rodrigues e a Rua Comandante Luís Pinto da Silva. Pelo meio, ainda houve lugar a pequenas representações, por exemplo, de um enterro, por uma das coletividades participantes.  A Produção de Cerveja Artesanal, uma Estalagem do Século XVI, o Fabrico de Pão, um Casamento do Século XVI, o Trabalho da Pedra, a Pastorícia, a Caça, a Carpintaria, os Descobrimentos Portugueses, a Vida Rural e a Venda e Produção Ouro foram alguns dos assuntos retratados.

O tempo quente e seco também colaborou para o sucesso da iniciativa e convidou as pessoas a saírem de casa e a não arredarem pé até ao final. Foi o caso de Maria e Fernando, que, na Rua Comandante Luís Pinto da Silva, aguardavam a passagem do carro da sua freguesia. “Isto está muito bonito, está com muita qualidade. É uma surpresa agradável”, consideraram.

O programa das Festas de São José continua até quarta-feira, dia 19 de março, feriado municipal. A majestosa procissão que percorre as principais ruas da Vila começa, como habitualmente, pelas 15h30. Na noitada, a 18, atua o artista Zé Amaro, pelas 22h00.

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NÚCLEO DE ETNOGRAFIA E FOLCLORE DA UNIVERSIDADE DO PORTO LEVA AS TRADIÇÕES À LETRA

Vêm de Trás os Montes e do Minho, chegam do Douro, das Beiras, da Estremadura, Ribatejo e Alentejo e são trazidas pela memória da Madeira e dos Açores. São tradições populares de todo o país e vão ser convertidas em “Tradições à Letra”, título do espetáculo que o Núcleo de Etnografia e Folclore da U. Porto (NEFUP) leva à cena na Casa do Alto, em Pedrouços (Maia)

Construído para integrar a festa dos 100 anos da U. Porto, o “Tradições à Letra” apresenta-se como “uma viagem pelo Portugal Tradicional”, resultante da combinação entre as tradições populares e a encenação teatral. Daí nasce um espetáculo que se propõe a reproduzir várias tradições – danças, músicas, cantares, contos, lendas, adivinhas - de todo o território português, intercalando-as com pequenos extratos de textos literários, alusivos a Portugal, à sua beleza e suas tradições. No entanto apenas será apresentada a versão resumida.

Os textos foram recolhidos da obra de autores portugueses, que têm em comum o facto de terem sido estudantes da Universidade do Porto ou das instituições que a antecederam, e são hoje nomes consagrados do panorama cultural e literário (Júlio Dinis, Camilo Castelo Branco, Raul Brandão, António Gedeão, Jorge de Sena, Jaime Cortesão, Manuel Laranjeira).

Núcleo de Etnografia e Folclore da Universidade do Porto tem como principais objetivos a recolha, compreensão e divulgação do folclore Português.

Fundado por um grupo de estudantes e licenciados pela Universidade do Porto, o NEFUP/Núcleo de Etnografia e Folclore da Universidade do Porto tem como principais objetivos a recolha, compreensão e divulgação do folclore Português, apresentando-o sob a forma de espetáculo de danças, cantares e outras manifestações da cultura popular.

Para além de inúmeras exibições no País em espetáculos para associações culturais e recreativas, escolas, autarquias e instituições de solidariedade social, o NEFUP já representou, também, Portugal no Reino Unido, Grécia, Espanha, Brasil, Macau, Bélgica e Holanda.

ETNOGRAFIA PORTUGUESA: COMO ESTUDAR O PASSADO NA ATUALIDADE?

A partir de meados do século XIX, a mecanização da produção e o progresso dos meios de transporte e das comunicações produziram uma profunda alteração dos hábitos e das mentalidades. As atividades artesanais entraram em declínio, as populações dos meios rurais deslocaram-se para as cidades e certos costumes foram caindo em desuso face às modas burguesas quase sempre importadas do estrangeiro.

O trabalhador rural trocou a enxada pela picareta e a liberdade do campo pela clausura fedorenta da fábrica. O ruído ensurdecedor das máquinas sufocou os alegres cantares com que marcava o ritmo da lavoura. O linho deixou de ser semeado e os teares caseiros perderam o uso. As moças deixaram de bordar e até as concertinas passaram a tocar rapsódias mais dolentes a fazer lembrar as notas tristes do fado.

Em Braga, terra de velhos santeiros, surgiu uma fábrica de chapelaria que passou a cobrir a cabeça dos homens no Minho. Para um canto da lareira ficava o velho barrete de malha, a partir de então considerado indigno de ser apresentado à sociedade. E, com a indústria, veio o restante vestuário, a alimentação, os instrumentos musicais e, por fim, a memória dos tempos outrora vividos.

Os novos tempos trouxeram consigo novos gostos: a saia curta, o penteado de franja, o verniz e as unhas postiças, a maquilhagem e toda a sorte de bijutaria de adorno para as mulheres. Os sapatos de verniz e o chapéu “à toureiro” para os homens, com faixa á cinta a pender quase até aos tornozelos. Surgiu o plástico e a borracha vulcanizada. A viola braguesa cedeu o lugar à guitarra clássica. E a sua influência foi de tal ordem que nem o folclore escapou, frequentemente apresentado como tendo feito parte de um universo que o antecedeu.

 Ao mesmo tempo surgiu a música gravada e, com ela, os altifalantes que com o seu ruído estridente puseram fim à pacatez das aldeias.

Vendo acabar as antigas formas de vida de um mundo que desaparecia sob os alicerces de uma nova sociedade industrializada, eis que surgiram os estudiosos que procuraram inventariar tão precioso património. Recolheram as lendas e os contos tradicionais, as receitas de cozinha e as curas das maleitas, os provérbios e as superstições, os trajes e instrumentos musicais, utensílios domésticos e ferramentas de trabalho. E, para que o próprio povo não se esquecesse da sua própria identidade, criaram grupos de folcklore, recorrendo paradoxalmente a um estrangeirismo para designar aquilo que, afinal de contas, era genuinamente português.

Em meados do século passado, o gravador de fita magnética e o filme “super 8 mm” possibilitaram o registo do som e das imagens, dando assim um enorme impulso à recolha etnográfica. O seu aparecimento verificou-se a tempo de obter o testemunho da última geração que vivera uma época cuja memória se pretendia preservar. A partir de então, o estudo teria de passar a ser feito com base em fotografias antigas, documentos escritos, peças de interesse museológico e, sobretudo, no levantamento entretanto efetuado pelos investigadores no domínio da etnografia, antropologia e etnomusicologia.

A recolha etnográfica não é feita nas lojas de artigos de turismo, quais lojas de pronto-a-vestir “ranchos folclóricos” com trajes de lavradeira de todas as cores e feitios, quais deles os mais bizarros. De igual forma, o método de plagiar outros grupos folclóricos, por mais antigos e conceituados que sejam, não constitui um trabalho sério, porquanto acabam por copiar os erros de que enfermam muitos daqueles que foram criados sob a influência dos folcloristas do Estado Novo.

Sem outra forma de investigação para além do acesso ao material recolhido, o trabalho do investigador requer atualmente o estudo comparado das fontes documentais e das peças museológicas, exigindo-se a compreensão da evolução histórica dos usos e costumes, tanto no que se refere às suas manifestações exteriores como ainda em relação às ideias que marcam cada época. Sem esforço não haverá trabalho sério e honesto!

Carlos Gomes / http://www.folclore-online.com/

Fotos: José Carlos Vieira / https://www.facebook.com/jose.c.vieira.9?hc_location=timeline

BARCELOS HOMENAGEIA ETNÓGRAFO ANTÓNIO GOMES PEREIRA

Evocação do centenário do nascimento decorre em Midões e Barcelos, no sábado, dia 7 de dezembro

António Gomes Pereira, padre, professor e etnógrafo de nomeada, cujo primeiro centenário da sua morte se comemora no presente ano, vai ser homenageado pelo Município de Barcelos, no próximo sábado, dia 7 de dezembro, com uma série de iniciativas que decorrerão em Midões, sua terra natal e na sede do concelho.

Assim, pelas 12h00, naquela freguesia, na Quinta e Casa de Chapre, onde nasceu, será descerrada uma placa evocativa, seguindo-se uma romagem ao cemitério, onde junto do seu túmulo será depositada uma coroa de flores. Pelas 16h00, na Biblioteca Municipal de Barcelos, será inaugurada uma exposição iconográfica e documental sobre Gomes Pereira, seguindo-se uma conferência pelo Dr. António Júlio Limpo Trigueiros.

António Gomes Pereira nasceu na Casa de Chapre, em Midões, em 30 de setembro de 1859 e faleceu na referida Casa, em 6 de abril de 1913, vítima de tuberculose.

Publicou vários trabalhos sobre etnografia, folclore e toponímia das regiões de Barcelos, Esposende, Guarda, Póvoa de Varzim, Vila do Conde e Terras de Bouro, a maior parte dos quais na revista “Lusitana”. Muitos deste trabalhos foram, depois, publicados em livro, entre os quais, “Tradições Populares, Linguagem e Toponímia de Barcelos” (1915). Publicou ainda uma Selecta de Literatura (1ª edição-1908 – 2ª edição-1912), que foi muito difundida na sua época.

A sua valiosa Biblioteca, com predominância de escritores portugueses e de humanistas estrangeiros, foi doada, parte à Biblioteca do Liceu Rodrigues de Freitas (autores dos séculos XVI a XVIII) e outra parte aos seus amigos, dois dos quais de Esposende, José da Silva Vieira –editor das suas obras e o Dr. Sousa Ribeiro, bem como à Biblioteca do Seminário do Porto.

A Câmara Muncipal de Barcelos instituiu, em 1964, um prémio com o seu nome para galardoar o melhor trabalho em etnografia.

Fez a instrução primária na Escola do Sobreiro da freguesia de Adães. Depois de ter feito os preparatórios liceais em Braga, matriculou-se, em 1 de outubro de 1878, no Curso Teológico, no Seminário de S. Pedro. Concluídos os estudos teológicos em 1881 e, admitido às ordens sacras, é ordenado presbítero, em 23 de setembro de 1882, pelo arcebispo D. João Crisóstomo de Amorim Pessoa. Celebrou a primeira Missa Nova, na Igreja Paroquial de Midões, em 22 de outubro de 1882.

Em 1889, matriculou-se no Curso Superior de Letras da Universidade de Lisboa, depois de ter sido professor no Colégio da Formiga, em Ermesinde e coadjutor do pároco de Valongo. Aqui teve oportunidade de contactar com vários intelectuais, entre os quais o Dr. José Leite de Vasconcelos, adquirindo a paixão pela etnografia e folclore. Concluídos os estudos universitários, permaneceu ainda mais quatro anos na capital, tendo sido subdirector, perfeito e professor nas Oficinas de S. José.

Abalado na sua saúde pelo excesso de trabalho, deixou Lisboa, em Junho de 1896, e regressou à sua terra natal-Midões, onde durante dois anos foi pároco.

Depois de habilitado para o efeito, ingressa, em 1898, no ensino oficial, como professor de Latim e de Português, no Liceu de Vila Real e, a partir de 1902, no Liceu D. Manuel II (actual Rodrigues de Freitas), no Porto, onde se manteve até a meio do ano lectivo de 1909/1910. É nesta cidade que elabora a maior parte das suas obras e alcança notoriedade.

RUSGA DE SÃO VICENTE DE BRAGA DEBATE SOBRE CRENÇAS E CULTOS EM TORNO DAS ALMINHAS

A Rusga de São Vicente de Braga - Grupo Etnográfico do Baixo Minho leva a efeito a 71ª edição dos "Serões no Burgo/Tertúlias Rusgueiras", que terá por tema, "ALMINHAS - crença e cultos". A iniciativa tem lugar no próximo dia 29 (sexta-feira), do mês em curso, pelas 21h.30, na sede social da associação, sita na Av. Artur Soares (Palhotas), nº 73, Braga.

Os convidados são, o Professor Doutor João Duque, presidente do Centro Regional da Universidade Católica Portuguesa (UCP) em Braga e a Drª Aida Mata, coordenadora científica do projeto "ALMINHAS". Como vem sendo habitual, a moderação do Serão/Tertúlia, será da responsabilidade de José Pinto, presidente da Rusga.

Este projeto “ALMINHAS” - mais uma iniciativa da Rusga -, tem por objetivos; recolher, investigar, inventariar, salvaguardar e promover este rico e vasto património cultural (material e imaterial), abrange todo o território do concelho de Braga. Num primeiro domínio, o material, de referir os nichos d’Alminhas, os painéis das almas em igrejas e capelas, livros e outro tipo de documentação, estandartes e demais espólio, pertença das confrarias e/ou irmandades das Almas. Num segundo domínio, o imaterial, ou seja, as práticas sociais e religiosas. A crença/devoção e rituais inerentes, manifestam-se sob múltiplas formas, onde a tradição oral, neste particular, assume capital importância. A título meramente ilustrativo, de referir o ‘lançar e/ou botar das Almas’ (rituais populares), assim como, outros espécimes extraídos da religiosidade popular, atingiam maior expressão, por ocasião do mês das Almas em Novembro e, no período quaresmal.

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CORTEJO ETNOGRÁFICO ATRAI A CABECEIRAS DE BASTO MILHARES DE VISITANTES

Quinze freguesias participaram hoje, dia 22 de setembro, no Cortejo Etnográfico, ‘ponto alto’ das Festas em honra de S. Miguel de Refojos, em Cabeceiras de Basto. Os carros alegóricos desfilaram pelas principais ruas da vila, mostrando as nossas mais genuínas tradições, usos e costumes.

À passagem na tribuna, no Parque do Mosteiro, os participantes neste cortejo foram recebidos pelos presidentes da Câmara e da Assembleia Municipal, Eng. Joaquim Barreto e Dr. China Pereira, vereadores, entre outros autarcas, convidados e público em geral.

Saudando e reconhecendo todos os participantes nesta iniciativa, o presidente da Câmara Municipal afirmou que através deste Cortejo Etnográfico “recordamos e vivemos o passado, afirmamos o presente e projetamos e asseguramos o futuro”.

Organizada pela Câmara Municipal e pela Basto Vida, esta iniciativa contou com a colaboração das Juntas de Freguesia, das associações e clubes do concelho e do Centro de Teatro da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto.

Texto e fotos: Município de Cabeceiras de Basto

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NOSSA SENHORA DO MINHO E S. TIAGO JUNTAM MINHOTOS EM LISBOA

A Casa do Minho levou a efeito em Lisboa a recriação de uma tradicional romaria minhota. A festa teve início com uma procissão solene que percorreu algumas artérias da Freguesia de Santa Maria de Belém a que se seguiu a Missa Campal, em Honra De Nossa Senhora do Minho e de Santiago, celebrada pelo padre Hermínio Araújo, um sacerdote bracarense radicado em Lisboa.

Como não há romaria sem vertente profana, esta abriu com a recriação de um quadro etnográfico representando a ida à romaria, antecedida de uma arruada, tendo o espetáculo suscitado o mais vivo entusiasmo do público.

Em palco atuou o Rancho Folclórico da Casa do Minho em Lisboa e, como convidado, o Grupo Folclórico “Os Amigos de Longos Vales”, de Monção. A tarde soalheira e o programa animado e colorido atraíram numeroso público, não apenas minhotos como muitos lisboetas e turistas que incluem a zona histórica e monumental de Belém no seu roteiro, levando consigo na lembrança a alegria e o colorido do folclore das gentes do Minho.

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MAESTRO VICTORINO DE ALMEIDA PRESIDE AO CORTEJO ETNOGRÁFICO DAS FEIRAS NOVAS DE PONTE DE LIMA

O Maestro Vitorino D´Almeida é o convidado de honra da edição 2013 das Feiras Novas em Ponte de Lima.

O Maestro preside ao Cortejo Etnográfico, no sábado dia 7 de setembro, a partir das 16h00. O Cortejo Etnográfico é uma demonstração única da cada freguesia do concelho, numa das mais deslumbrantes demonstrações vivas da Cultura da Ribeira Lima.

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As Feiras Novas arrancaram na noite de quarta-feira, com o popular cantor Vitorino que cantou e encantou como Grupo Recria Som. A atuação que decorreu no Largo de Camões colheu a admiração do público que encheu por completo as praças e ruas de Ponte de Lima. As concertinas e as tocatas preencheram a noite, numa concentração de mais de 400 tocadores. Pode dizer-se que esta edição de 2013 começou em grande perspetivando umas Feiras Novas empolgantes, preparadas para bater o recorde de adesão de romeiros. A tradição e a genuinidade conservam as Feiras Novas como um ponto de encontro em que a modernidade e o passado se concertam para uma grande festa.

As tradicionais Feiras Novas elevam a cultura através do folclore, das tocatas de concertina, dos concertos de bandas de música, dos concursos pecuários e dos eloquentes cortejos que de ano para ano atraem milhares de forasteiros.

Os grupos de Zés Pereiras, o ribombar dos bombos, os gaiteiros, os concertos das Bandas de Música, o folclore, as tocatas, o fogo-de-artifício, os concursos pecuários, corrida de garranos e os cortejos, complementam a festa popular que atrai anualmente meio milhão de visitantes.

A alegria, a espontaneidade, as tradições, usos e costumes de outrora cativam os forasteiros, que ano após ano regressam à Vila mais antiga de Portugal para viverem esta tradição única no país.

Feiras Novas Concertinas

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