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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

OS TRABALHADORES FORÇADOS PORTUGUESES DO III REICH

* Crónica de Daniel Bastos

No passado mês de novembro foi inaugurada no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, a exposição Os Trabalhadores Forçados Portugueses no III Reich, que aborda o tema dos portugueses de todas as origens e condições que foram sujeitos a trabalhos forçados no âmbito do sistema concentracionário do III Reich, nomeadamente durante a II Guerra Mundial (1939-1945).

Daniel Bastos

Resultado de um projeto de investigação do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, apoiado pela fundação alemã EVZ – Erinnerung, Verantwortung, Zukunft (Memória, Responsabilidade, Futuro), pelo Goethe-Institut e pela Associação CIVICA (França), a exposição evoca pelo menos 400 portugueses vítimas de trabalhos forçados na Alemanha nazi. Como sustenta o historiador Fernando Rosas, que dirige o projeto desta exposição composta por fotografias e objetos pessoais, “cerca de 400 portugueses, talvez um pouco mais, estiveram confinados durante a Segunda Guerra Mundial em campos de concentração, prisões ou ‘stalag’ [campos de prisioneiros de guerra], sujeitos a brutais condições de trabalho forçado”.

Tratando-se de uma dimensão pouco conhecida da História de Portugal, tanto que durante a II Guerra Mundial o país esteve sob o regime do Estado Novo, dirigido por Salazar, onde imperava a censura prévia e a falta de liberdade. E oficialmente, Portugal declarou em 1939 a neutralidade, a exposição tem o condão de resgatar do esquecimento a memória dos portugueses que foram vítimas da perseguição nazi, e dar a conhecer novos dados sobre a mobilidade lusa no centro da Europa antes da segunda metade do séc. XX.

É que no seio dos protagonistas anónimos portugueses que fizeram trabalho forçado no III Reich ou foram prisioneiros de guerra, avultam essencialmente trajetórias de emigrantes que nesse período estavam em França para onde tinham emigrado, apesar de existirem também casos políticos, e que foram apanhados no turbilhão do conflito e levados para a Alemanha. Segundo a historiadora Cláudia Ninhos, da equipa internacional ligada ao projeto de investigação da exposição, foram ainda apanhados pelo vórtice bélico vários portugueses que nessa época partiram para a Alemanha como voluntários à procura de melhores salários, melhores condições de vida e possibilidade de envio de parte do salário para as famílias.

UM RETRATO DOS CIENTISTAS PORTUGUESES NO ESTRANGEIRO

* Crónica de Daniel Bastos

No passado dia 20 de novembro, a Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS) promoveu no âmbito do Mês da Educação e da Ciência 2017, uma conferência subordinada ao tema “Ciência portuguesa pelo mundo”, que teve como principal missão dar resposta às questões “Quantos são e onde estão os cientistas Portugueses espalhados pelo mundo? Quem são e em que áreas de investigação trabalham?”.

Daniel Bastos

No decurso do encontro que decorreu no Observatório Astronómico de Lisboa, foi realizada uma breve apresentação do mapa e dos números da diáspora científica portuguesa, a partir da rede GPS – Global Portuguese Scientists. Uma iniciativa da FFMS, concretizada através de uma colaboração com a Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica - Ciência Viva, a Universidade de Aveiro e a Altice Labs.

Atualmente, a rede GPS que tem como parceiros várias associações de portugueses com qualificações superiores residentes no estrangeiro, como a Associação de Pós-Graduados Portugueses na Alemanha (ASPPA), a Association des Diplômés Portugais en France (AGRAFr), a Portuguese American Post-graduate Society (PAPS), a Portuguese Association of Researchers and Students in The UK (PARSUK) e a Native Scientists, agrega 3.315 membros e possui inscritos 1.748 cientistas portugueses que tiveram estadas no estrangeiro de mais de três meses, podendo estar presentemente em Portugal ou não.

Segundo os dados apresentados, os portugueses estão disseminados por 84 nações, sendo que a maioria encontra-se no Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha, França, Holanda e Espanha. A informação agora divulgada esboça ainda um retrato do “cientista tipo” da diáspora lusa, que em média é uma mulher investigadora doutorada da área das Ciências Naturais, de 36 anos, que passa 38 meses no Reino Unido.

Os dados contidos nesta plataforma dinâmica e em constante atualização, não deixando de acentuar a problemática da emigração qualificada portuguesa, que não encontrando oportunidades de trabalho e de estabilidade no país opta pelo estrangeiro para auferir melhores condições de vida pessoal e laboral, revelam simultaneamente as enormes potencialidades de colaborações científicas e interações socioeconómicas que se abrem a Portugal por via destes importantes ativos espalhados pelos quatro cantos do mundo.

CASA DO MINHO EM NEWARK JUNTA MINHOTOS À MESA PARA DEGUSTAR O SARRABULHO

Perto de um milhar de minhotos radicados no Estado de New Jersey, nos Estados Unidos da América, afluíram ontem à Casa do Minho em Newark para degustarem uma das mais apreciadas especialidades gastronómicas da nossa região – o Sarrabulho!

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Constituída há trinta anos, a Casa do Minho em Newark é o local de encontro e união da comunidade minhota naquela cidade do Estado de New Jersey. Em Newark, os nossos conterrâneos vivem sobretudo no Ironbund, um bairro onde aliás vive a maior parte por portugueses e brasileiros ali radicados e ondo o português é a língua mais ouvida.

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A Casa do Minho revela a pujança e a juventude de uma comunidade que procura ardentemente manter vivas as suas raízes culturais e a sua identidade. O seu Rancho folclórico e o seu grupo de zés-pereiras constituem a alma da associação, bem assim como o seu grupo de Juventude.

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Mesmo distante das suas terras de origem ou de seus pais, os nossos conterrâneos em Newark dançam o vira, a chula e a cana-verde como qualquer minhoto que não foi arrancado ao seu rincão natal porque, apesar do imenso oceano que o separa, o coração está sempre presente. Por isso, ele vibra ao som da concertina e depressa se embala ao ritmo do nosso folclore.

À sua maneira, os nossos conterrâneos radicados nos Estados Unidos da América como, aliás, um pouco por todo o mundo, constituem os seus ranchos folclóricos, reeditam as festas, preservam as tradições e sobretudo conservam os laços que os unem entre si e fazem dos minhotos uma efetiva comunidade, preservando a solidariedade humana que é, afinal de contas, a primeira razão de ser da criação da Casa do Minho em Newark.

Fotos: Isabel Pereira

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A VALORIZAÇÃO DO FENÓMENO DA EMIGRAÇÃO EM MELGAÇO

* Opinião de Daniel Bastos

Ao longo dos últimos anos, a vila raiana de Melgaço, sede do concelho mais a norte de Portugal, situada no distrito de Viana do Castelo, tem sabido preservar e valorizar o fenómeno da emigração, cujas marcas estão muito presentes na realidade e identidade desta região fortemente influenciada pela proximidade de Espanha e pelo rio Minho.

Daniel Bastos

Um dos aspetos singulares da preservação e valorização do fenómeno da emigração portuguesa em Melgaço é a sua ligação estratégica ao desenvolvimento da economia e do turismo no território mais setentrional do país. O fenómeno emigratório, a par da gastronomia, das paisagens e das tradições, tem contribuído decisivamente para o crescimento sustentado do concelho.

Desde logo, através do Espaço Memória e Fronteira, um núcleo museológico inserido no antigo edifício do matadouro municipal, remodelado e ampliado em 2007, que no cumprimento da sua missão preserva a história recente do concelho, relacionada com o contrabando e a emigração. Um espaço museológico, onde funciona o Gabinete de Apoio ao Emigrante, que conduz o visitante pelos diversos momentos relacionados com a emigração, como as causas, a preparação da viagem e a viagem, a chegada e vivência no país de acolhimento, sem esquecer os reflexos da emigração no território.

A valorização da temática migratória está igualmente presente nestes últimos anos no município através da realização do Filmes do Homem - Festival Internacional de Documentário de Melgaço. A iniciativa, que este ano se realiza entre 1 e 6 de agosto, organizada pela Câmara Municipal de Melgaço e pela Associação Ao Norte, tem como principal objetivo promover e divulgar o cinema etnográfico e social, refletir com os filmes sobre a identidade, memória e fronteira, e contribuir para um arquivo audiovisual sobre a região.

Um dos eixos principais do festival é a programação a partir de uma mostra competitiva de documentários candidatos ao prémio Jean Loup Passek. Historiador, crítico e cinéfilo francês, Jean Loup Passek (1936-2016), filmou nos anos 70 em Paris um documentário sobre a emigração portuguesa onde conheceu vários habitantes de Melgaço, começando aí uma relação que culminou em 2005 na criação do Museu de Cinema de Melgaço, e que tem por base o espólio colecionado ao longo da vida pelo antigo responsável do departamento cinematográfico do Centro Georges Pompidou.

FAMALICÃO QUER ATRAIR JOVENS EMIGRANTES QUALIFICADOS

Município assina protocolo com Associação Empresarial de Portugal para Regresso de uma Geração Preparada

O Município de Vila Nova de Famalicão vai colaborar com a Associação Empresarial de Portugal (AEP) para fazer regressar ao país, muito particularmente ao concelho famalicense, jovens qualificados que se viram obrigados a emigrar por questões profissionais. Os termos do protocolo “Empreender 2020 – Regresso de uma Geração Preparada” foram aprovados, por unanimidade, na última reunião do Executivo Municipal, fazendo de Vila Nova de Famalicão parte integrante e ativa no desenvolvimento deste projeto estruturante para o país, que conta com cofinanciamento FEDER -  Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, através do COMPETE 2020.

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Através deste acordo “a AEP vai identificar jovens que possam regressar ao país e o município de Vila Nova de Famalicão vai contribuir com informação sobre as suas dinâmicas e iniciativas de fomento empresarial e de empreendedorismo, e promover iniciativas geradoras de valor, criando  condições para que alguns desses jovens, famalicenses e não só, encontrem em Vila Nova de Famalicão espaço para o desenvolvimento dos seus projetos, tanto na perspetiva de investidores como através da sua eventual incursão no universo empresarial famalicense”, como explica Augusto Lima, vereador  da Economia, Empreendedorismo e Inovação do município.

A adesão de Vila Nova de Famalicão ao projeto Regresso de uma Geração Preparada enquadra-se na aposta estratégica do município para elevar os índices de incorporação de inovação e tecnologia no concelho, através da presença no território de recursos humanos mais qualificados e de projetos enquadrados na indústria 4.0.

“Considerando que Vila Nova de Famalicão é sede de empresas de referência nacional e internacional e que aqui existe um ADN empresarial afinado ao longo de muitas  gerações de empresários, temos condições únicas para continuarmos a ser espaço privilegiado para o desenvolvimento de novos e diferenciadores projetos empresariais, como aqueles que nos podem trazer os nossos jovens emigrantes”,refere o mesmo responsável autárquico.

O projeto Empreender 2020 e em especial a iniciativa Eleger o Seu Negócio 4.0 constituem um canal de aproximação entre os empresários emigrantes e outros investidores e os município. Pretendendo o município desenvolver a sua economia local através da captação de novos investimentos para o território e pretendendo apoiar os emigrantes da região procurando fixá-los, tudo se conjuga para a assinatura de um protocolo “virtuoso e proveitoso para o concelho e para o país”, acrescenta Augusto Lima.

Através do projeto Famalicão Made IN o Município de Vila Nova de Famalic...

JOSÉ VIEIRA, O CINEASTA DA EMIGRAÇÃO PORTUGUESA

Crónica de Daniel Bastos

A 11.ª edição do Lisbon & Sintra film Festival, um Festival Internacional de Cinema que se realizou entre 17 e 26 de novembro, e que se afirma como um dos maiores eventos culturais em Portugal, incluiu este ano na sua programação uma retrospetiva do realizador José Vieira, aclamado cineasta da emigração portuguesa.

José Vieira

Natural de Oliveira de Frades, uma vila da Beira Alta situada no distrito de Viseu, José Vieira partiu para França em 1965, com sete anos de idade. A sua experiência pessoal como emigrante e as muitas histórias compartilhadas com outros emigrantes em terras gaulesas, inspiraram assertivamente o percurso profissional do realizador que vive e trabalha entre Portugal e França.

Licenciado em Sociologia, José Vieira fez do documentário “uma forma de militância”, porquanto se apercebeu de que a maioria das pessoas “não conheciam a história da emigração portuguesa”, como afirmou no ano passado em entrevista à agência Lusa.

Desde a década de 1980, o cineasta lusodescendente realizou uma trintena de documentários, nomeadamente para a France 2, France 3, La Cinquième e Arte, onde tem abordado sobretudo a problemática da emigração portuguesa para França. Em particular a viagem “a salto”, ou seja, o trajeto clandestino para deixar Portugal rumo a França nos anos 60 e 70, e as condições de vida miseráveis de muitos compatriotas que nessa época habitaram nos "bidonvilles (bairros de lata) em Paris.

Na retrospetiva que lhe foi dedicada no LEFFEST2017, festival que procura reunir o que de melhor se faz no mundo da 7ª arte, estiveram em destaque oito películas suas realizadas entre 2002 e 2016. Como por exemplo, “A fotografia rasgada” (2002), onde José Vieira retrata o código da fotografia rasgada do “passador”, que guardava metade da fotografia de quem emigrava e a outra levava-a o emigrante que, uma vez chegado ao destino, a remetia à família, em sinal de que chegara bem e que poderia ser concluído o pagamento pela sua “passagem”.

Os documentários “O país aonde nunca se regressa” (2005), “Le bateau en carton” (2010) e “A ilha dos ausentes” (2016), que de certo modo descrevem a sua própria experiência de emigrante, estiveram igualmente em foco no festival, e são parte integrante do valioso trabalho cinematográfico de José Vieira sobre os protagonistas anónimos da história portuguesa que lutaram além-fronteiras por uma vida melhor.

EMIGRAÇÃO, ECONOMIA E PARTICIPAÇÃO POLÍTICA EM PORTUGAL

A semana passada ficou marcada pela informação divulgada pelo Eurostat, o Gabinete de Estatísticas da União Europeia, que sustenta que Portugal, com um total de 3343 milhões de euros, tem o maior saldo entre os Estados-membros da UE no que diz respeito às verbas provenientes de pessoas residentes fora do país.

Daniel Bastos

Em 2016, segundo a organização estatística, num total de 24.064 milhões de euros de fluxos de emigrantes na União Europeia, o nosso país detinha a maior fatia (3343 milhões), seguindo-se a Polónia (3014 milhões), o Reino Unido (2454 milhões) e a Roménia (2449 milhões).

Os dados divulgados pela autoridade estatística da União Europeia, revelam assim a influência estruturante do fenómeno migratório em Portugal, um país de emigrantes, que tem nos concidadãos residentes em França (9986 milhões), Reino Unido (7086 milhões), Espanha (6765 milhões) e Alemanha (4214 milhões de euros), os principais destinos e valores do envio das remessas de emigrantes.

Embora sintomática de debilidades estruturais do país, como sejam a escassez de oportunidades, os salários baixos ou a falta de qualidade de vida, a emigração continua a desempenhar um papel fundamental no plano económico nacional.

Nesse sentido, e tendo em linha de conta os dados mais recentes divulgados pelo Eurostat sobre o peso das remessas dos emigrantes da diáspora para Portugal, que nem sequer os vários casos de emigrantes lesados pelas práticas fraudulentas de antigos bancos nacionais parecem colocar em causa, torna-se inadiável o incremento da participação das comunidades portuguesas na vida política do país.

Existindo em Portugal um largo consenso nacional sobre a importância e o papel de dimensão internacional dos cerca de cinco milhões de portugueses espalhados pelo Mundo, ativos incontornáveis da dimensão global da pátria de Camões, urge um debate no seio das esferas politicas sobre a alteração do número de deputados eleitos pelos círculos da emigração. Os atuais quatros mandatos dos dois círculos da emigração, o círculo da Europa e o círculo de Fora da Europa, estão notoriamente desajustados ao peso económico, cultural e politico dos emigrantes, cuja maior envolvência nos destinos do país é fundamental para o desenvolvimento da sociedade portuguesa.

UNIVERSIDADE DE SANTIAGO DE COMPOSTELA DEBATE EMIGRAÇÃO GALAICO-PORTUGUESA

Na passada quarta-feira (15 de novembro), o eixo temático “Galegos e portugueses além da sua terra” foi o tema central do II Seminário da Cátedra das Migrações organizadas Cátedra UNESCO da Universidade de Santiago de Compostela, uma das mais antigas instituições de ensino superior da Península Ibérica e do mundo.

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Da esquerda para a direita: a socióloga Iria Vásquez Silva, o historiador Daniel Bastos, o investigador Camilo Fernández Cortizo, e o professor Domingo González Lopo

 

A iniciativa, que decorreu na Faculdade de Geografia e História, e envolveu alunos e docentes da instituição académica da Galiza, contou entre os oradores convidados, com a socióloga das migrações galega, Iria Vásquez Silva que abordou “A raia: trânsitos migratórios na fronteira galaico-portuguesa”, o investigador galego Camilo Fernández Cortizo que destacou “A emigração galega no Norte de Portugal (1720-1850) ”, o professor universitário galego Domingo González Lopo que analisou “Os Galegos nos livros de viagem dos séculos XVIII e XIX”, e o historiador português Daniel Bastos que falou sobre “Gérald Bloncourt o fotógrafo da emigração portuguesa”.

O encontro multidisciplinar que cruzou na academia galega vários olhares sobre a temática da emigração, fenómeno que tem um peso estruturante na sociedade luso-espanhola, procurou essencialmente aprofundar e valorizar o papel do fenómeno migratório no desenvolvimento das comunidades galaico-portuguesas, com especial incidência nos espaços transfronteiriços.

O INCREMENTO DA ENTRADA DE PORTUGUESES NO CANADÁ

No início deste mês, o Observatório da Emigração, que tem como um das suas principais missões recolher, harmonizar e analisar informação sobre a evolução e as caraterísticas da emigração portuguesa e das populações portuguesas emigradas, anunciou que no ano de 2016 entraram 845 portugueses no Canadá, mais 3% do que no ano anterior.

Daniel Bastos

Embora estes números obtidos através de dados do Citizenship and Immigration Canada estejam muito longe do número de entradas de portugueses durante as décadas de 1960-70 no país que ocupa grande parte da América do Norte, decénios em que se registaram entradas na ordem de 5,000 por ano, este anúncio mostra o papel estruturante que as autoridades canadianas continuam a atribuir ao fenómeno migratório enquanto força motriz de desenvolvimento.

Conhecida por ser uma nação cujos pilares de cidadania assentam num autêntico mosaico cultural, tanto que no território existem mais de 70 grupos étnicos com mais de 60 línguas, atualmente, por exemplo vivem no Canadá mais de meio milhão de luso-canadianos, representando cerca de 2% do total da população canadiana, esta consciência de abertura e tolerância encontra-se hodiernamente plasmada na figura do jovem primeiro-ministro canadiano Justin Trudeau.

Desde que alcançou o poder em novembro de 2015, Justin Trudeau tem pautado a sua ação politica por uma clara valorização do papel da imigração no crescimento do Canadá, através de um discurso e praxis política diametralmente oposta à do país vizinho americano liderado por Donald Trump.

O bem-sucedido programa de imigração canadiano, que Justin Trudeau não se cansa de enaltecer dentro e além-fronteiras, está indelevelmente ligado ao facto de o segundo maior país em área do mundo possuir uma das mais influentes economias a nível global. 

Não é por acaso, que assistimos atualmente ao incremento da entrada de portugueses no Canadá, ainda no início deste mês o governo canadiano anunciou que pretende aumentar o número de imigrantes para 340 mil por ano até 2020, números que seguramente terão que ser revistos em alta para que a economia permaneça competitiva e o Canadá continue a assumir-se como um dos países mais ricos do mundo.

Daniel Bastos

HISTORIADOR DANIEL BASTOS VAI À GALIZA FALAR SOBRE A EMIGRAÇÃO PORTUGUESA

Historiador Daniel Bastos apresenta conferência sobre a emigração portuguesa em Santiago de Compostela

No próximo dia 15 de novembro (quarta-feira), o historiador minhoto Daniel Bastos é um dos oradores convidados do II Seminário da Cátedra das Migrações “Galegos e portugueses além da sua terra”, promovido pela Cátedra UNESCO da Universidade de Santiago de Compostela.

Daniel Bastos

No decurso da iniciativa que decorrerá na Faculdade de Geografia e História, de uma das mais antigas universidades da Península Ibérica e do mundo, o investigador natural de Fafe, cujo percurso percurso tem sido alicerçado no seio da Lusofonia, apresentará uma comunicação intitulada “Gérald Bloncourt – O fotógrafo da emigração portuguesa”.

Com diversas participações em conferências nacionais e internacionais, assim como artigos e livros publicados no domínio da História e Emigração Portuguesa, Daniel Bastos é autor do livro “Gérald Bloncourt – O olhar de compromisso com os filhos dos Grandes Descobridores”, uma edição bilingue, que conta com prefácio do pensador Eduardo Lourenço, e que foi concebida a partir do espólio do conhecido fotógrafo francês Gérald Bloncourt que imortalizou a história da emigração portuguesa para França nos anos 60 e 70.

II Seminario 2017

ALTO MINHO TEM CANCIONEIRO NO LUXEMBURGO

Em plena Europa central, situado entre a França, a Bélgica e a Alemanha, o Grão-Ducado do Luxemburgo é um pequeno país com pouco mais de meio milhão de pessoas, de entre os quais conta com 17% de emigrantes portugueses e seus descendentes.

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Fundado em 14 de janeiro de 2014 por Berto Silva, Steven Gaspar e Cindy Rocha, “O Cancioneiro do Alto Minho” tem-se destacado na defesa e divulgação das nossas raízes minhotas, contribuindo de forma notável também para a preservação da identidade das nossas gentes ali radicadas e assumindo-se como elo de união da comunidade portuguesa.

Com apenas 3 anos de existência, obteve por parte da Federação do Folclore Português o reconhecimento que lhe permitiu ser aceite como membro aderente, esperando que o caminho traçado o conduza a seu tempo a ser admitido como sócio efectivo.

Os trajes são do espólio do grupo e os lenços são todos antigos, portanto originais e não reproduções.

Realizam regularmente os seus ensaios em Bettembourg, no Café “As Minhotas” e tem como dirigentes os seguintes nossos conterrâneos:

Direção:

- Berto Silva: Presidente

- Christine Silva: Vice-Presidente

- Steven Gaspar: Tesoureiro

- Leonor Mota: Secretaria

- Sandra Mota: Secretaria

- Ensaiador e responsável pelos trajes: Berto Silva

Em 2018, O Cancioneiro do Alto Minho desloca-se à Alemanha para representar Portugal no Europäischer Folklorefestival em Bitburg.

No próximo dia 14 de Janeiro, organiza no Centre Culturel de Cessange, no Luxemburgo, o seu festival de folclore para assinalar o seu 4º aniversário. E, para o felicitar, cantar e dançar, lá estarão também o grupo “Os Minhotos do Distrito de Viana (Vitry/Seine), de França; o Grupo Etnográfico “O Ribatejo”, de Bruxelas – Bélgica; o Grupo Folclórico de Gross, de Umstadt, da Alemanha; o Alegria do Minho, de Wiltz – Luxemburgo e o grupo As Lavradeiras do Minho, de Mersch – Luxemburgo.

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AS VISITAS DOS EMIGRANTES DE LONGA DURAÇÃO A PORTUGAL

* Crónica de Daniel Bastos

Contrariamente à ideia do senso comum que considera a emigração portuguesa como uma gesta onde só existem histórias individuais de sucesso de compatriotas que alcançaram o êxito lá fora, a realidade do fenómeno migratório nacional está cheia de casos de emigrantes que tiveram menos sorte e vivem com dificuldades, confrontados com situações de precariedade, de doença, de desemprego, de abandono e de solidão.

Daniel Bastos

 

Este número de casos de insucesso terá mesmo vindo mesmo a aumentar nos últimos anos em consequência do envelhecimento e das crises que afetam alguns dos tradicionais destinos da emigração lusa, como é o caso premente da Venezuela, cuja prolongada crise política, económica e social está a afetar de sobremaneira a comunidade portuguesa. Os últimos Relatórios da Emigração Portuguesa não deixam de alertar para este conjunto de situações, apontando mesmo que o fluxo migratório regista inúmeros casos de sucesso mas que existem igualmente vários dramas de isolamento e pobreza.

Estas condições confrangedoras de dificuldades, responsáveis em grande medida pelo facto de muitos portugueses no estrangeiro ficarem largas décadas afastados da sua terra natal, tem originado a dinamização de projetos que têm possibilitado a visita de emigrantes de longa duração a Portugal.

É o caso, por exemplo, do programa "Portugal no Coração" da Fundação Inatel, destinado a emigrantes de longa duração, com décadas de afastamento de Portugal, e que já trouxe ao nosso país cerca de 800 compatriotas, provenientes de mais de 25 países, nas últimas décadas. Ainda no final do passado mês de outubro, um grupo de 15 emigrantes, composto essencialmente por emigrantes com mais de 65 anos residentes na Argentina, Brasil e Venezuela esteve de visita a Portugal, integrado num outro projeto da Secretaria de Estado das Comunidades, e que tem como principal objetivo trazer compatriotas que não visitam o nosso país há pelo menos 20 anos.

Estes programas revelam-se de uma importância fulcral na consubstanciação das funções de vinculação identitária e de solidariedade social que devem nortear as prioridades políticas do Governo para as Comunidades Portuguesas, genuínas embaixadoras de Portugal no Mundo, mas que como nós, não estão imunes ou livres de infortúnios e crises.

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Morgado de Fafe

www.morgadodefafe.blogspot.com

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma consciência crítica contra uma visão de sociedade enfeudada em artificialismos.

EMPREENDEDORISMO DIRECCIONADO PARA A DIÁSPORA PORTUGUESA

Cada vez mais encarado como a chave para o futuro, o empreendedorismo é a palavra de ordem em Portugal e no Mundo, e veio para ficar. Dos estudantes aos empresários, dos jovens desempregados aos de longa duração, da escola è empresa, dos docentes aos decisores económicos, políticos e sociais, a ideia chave é a mesma: é fundamental fortalecer e disseminar uma cultura empreendedora.

Daniel Bastos

Este novo olhar universal, alicerçado no conhecimento e na inovação, na promoção e construção de ideias, na avaliação de oportunidades, na mobilização de recursos, na assunção de riscos e na concretização de iniciativas diferenciadas e de sucesso, tem implementado novos negócios, empresas e projetos que têm dinamizado e impulsionado as economias dos países.  

Portugal não foge à regra. O nosso país apresenta na atualidade, ao nível do empreendedorismo, muitos e bons exemplos de casos de sucesso que através da sua capacidade de iniciativa, risco e novas tecnologias, criam os seus próprios projetos que vão dando cartas inclusive além-fronteiras. Um desses mercados, que pelas suas inúmeras potencialidades começam a captar a atenção dos empreendedores lusos, é o da Diáspora Portuguesa, o chamado “mercado da saudade”, formado por milhões de portugueses a viver no estrangeiro. 

Ainda recentemente a imprensa nacional e lusófona destacou nas páginas dos seus órgãos de informação, o exemplo da Rumo, uma plataforma online de apoio psicológico para emigrantes portugueses. Um projeto delineado pelo doutorando na Universidade de Leicester, no Reino Unido, Francisco Valente Gonçalves, na sequência de uma experiência pessoal, quando o mesmo necessitou em 2015 de se submeter a um processo psicoterapêutico.

Em fase de franco crescimento, esta plataforma online que possibilita o contacto entre pessoas de nacionalidade portuguesa, que residem fora do seu país, e serviços de psicologia promovidos por profissionais desta área com a mesma nacionalidade, é um exemplo claro dos benefícios mútuos que podem advir da aposta empreendedora na Lusofonia, que além de consolidar o crescimento de novas iniciativas nacionais permite simultaneamente aos nossos compatriotas usufruir de serviços úteis e inovadores.

Daniel Bastos