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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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CASTRO LABOREIRO PASSOU PARA A FINAL DAS 7 MARAVILHAS

Gala final acontece a 3 de setembro e votações arrancam a 27 de agosto

Castro Laboreiro está na fase final das 7 Maravilhas de Portugal® – Aldeias. A aldeia melgacense e Piódão são as duas Aldeias Remotas que venceram a eliminatória disputada ontem à noite, 30 de julho, na Branda da Aveleira, aldeia de Melgaço que também estava a votação. No dia 3 de setembro, Piódão recebe a gala final, onde serão apuradas as 7 Maravilhas, em 7 categorias. A votação decorre entre o dia 27 de agosto (com o programa RTP 1 especial), e a Gala Finalíssima.

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As aldeias melgacenses eram as únicas candidatas no Norte de Portugal, na categoria de Aldeias Remotas. ‘Acredito que temos qualidade para ser Maravilha de Portugal. Castro Laboreiro tem história! As suas tradições e lugares mostram vivamente a cultura castreja, que é ainda hoje sentida e vivida.’ afirma o autarca melgacense, Manoel Batista, confiante que Castro Laboreiro tem potencial para vencer. As aldeias de Melgaço concorreram com Aldeia da Pena (São Pedro do Sul), Curral das Freiras (Câmara de Lobos), Fajã de São João (Calheta), Gondramaz (Miranda do Corvo) e Piódão (Arganil). Melânia Gomes é a madrinha de Castro Laboreiro.

No total são 7 Galas eliminatórias por categoria e 49 aldeias a concurso

Aldeias apuradas: Aldeias Ribeirinhas - Dornes (Ferreira do Zêzere) e Santa Clara-a-Velha (Odemira); Aldeias Rurais - Sistelo (Arcos de Valdevez) e Paderne (Albufeira); Aldeias de Mar - Azenhas do Mar (Sintra) e Fajã dos Cubres (Ilha de São Jorge – Açores); Aldeias Remotas – Castro Laboreiro (Melgaço) e Piódão (Arganil).

Próximas galas: Podence (Aldeias Autênticas) a 6 de agosto; Monsanto (Aldeias Monumento) a 13 de agosto; e a 20 de agosto nos Açores (Aldeias em Áreas Protegidas), em Porto Martins, na ilha Terceira.

A 27 de agosto a RTP emite um programa de best of, sobre as 14 finalistas apuradas nas Galas anteriores, e começa uma semana inteira de votação, até ao domingo seguinte. As 7 eleitas são conhecidas a 3 de setembro, no Piódão, na Declaração Oficial das 7 Maravilhas de Portugal® – Aldeias. Os números de votação serão revelados no programa de 27 de agosto e não há restrição nem limite de votos por participante. As 7 vencedoras a 7 Maravilhas de Portugal® – Aldeias, são apuradas pelo maior número de votos em cada uma das categorias.

Sobre as 7 Maravilhas de Portugal® – Aldeias

As candidatas a 7 Maravilhas de Portugal® – Aldeias são organizadas em 7 categorias e as 7 vencedoras serão apuradas pelo maior número de votos, uma por categoria, não podendo ser eleitas mais do que três aldeias por região. As categorias são: Aldeias-Monumento; Aldeias de Mar; Aldeias Ribeirinhas; Aldeias Rurais; Aldeias Remotas; Aldeias Autênticas; e Aldeias em Áreas Protegidas.

Todo o processo de eleição das 7 Maravilhas de Portugal® – Aldeias é auditado pela empresa internacional de auditores PwC.

O projeto conta com o apoio institucional do Gabinete do Ministro Adjunto, do Ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, da Secretária de Estado do Turismo, da Secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, do Turismo de Portugal, da Unidade de Missão para a Valorização do Interior, ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, do Centro Nacional de Cultura, do Instituto de História Contemporânea, da Federação Minha Terra, e da Associação Portugal Genial.

As 7 Maravilhas de Portugal® - Aldeias são patrocinadas pela Iki Mobile, primeira marca portuguesa de telemóveis em cortiça. A Kia é o Carro Oficial do projeto, acompanhando este roadshow por todo o país.

Recorde-se que Melgaço concorreu com três aldeias, em várias categorias: Branda da Aveleira – Aldeia Remota e Aldeias Autênticas, Castro Laboreiro – Aldeia Remota e Aldeias em áreas protegidas –  e Parada do Monte – Aldeias autênticas e Aldeias rurais. Foram apresentadas 446 candidaturas de 332 aldeias das 7 Regiões do país.

CASTRO LABOREIRO pertence ao concelho de Melgaço e situa-se no Parque Nacional da Peneda-Gerês. Possui um dos mais ricos patrimónios pré-históricos do país que reúne gravuras e pinturas rupestres, 120 Dólmenes (datados de há 5000 anos) e Cistas (monumentos megalíticos funerários).

Esta aldeia possui um património histórico e arquitetónico de grande riqueza, destacando-se um tipo próprio de construções castrejas existentes em Castro Laboreiro: o Castelo de Castro Laboreiro – classificado como monumento nacional; a Igreja Matriz de Castro Laboreiro; o Pelourinho de Castro Laboreiro, datado do século XVI, classificado como imóvel de interesse público; igrejas medievais; os fornos comunitários; os espigueiros; e os moinhos.

Castro Laboreiro é uma das aldeias mais emblemáticas do Parque Nacional da Peneda Gerês, resultado do isolamento que sofreu no passado, o qual permitiu que chegassem intactos nos nossos dias, aspetos do património histórico e cultural da aldeia, como a arquitetura, a paisagem e o modo de vida das suas gentes, ainda hoje marcado por um forte espírito comunitário.

Situada no extremo Norte do Alto Minho e de Portugal. Está localizada no cimo da montanha, a mais de mil metros de altitude, levou a que os castrejos defendessem os seus costumes, e tradições de todas as influências estranhas, e que ainda hoje persistem. Uma dessas tradições é a das inverneiras e das brandas. Em meados de Dezembro, com a chegada do frio e dos nevões, as populações de Castro Laboreiro pegam nas suas roupas, utensílios caseiros e de lavoura e ‘tangendo o gado, migram em massa para os vales, onde possuem uma segunda casa e uma segunda aldeia.’ (Rocha, 1993, p. 127). E ficam nas Inverneira, abrigados do frio, até meados de março.

No Núcleo Museológico de Castro Laboreiro é possível conhecer os hábitos, costumes e tradições das gentes da terra. Terra das ‘viúvas dos vivos’, nome a que os seus habitantes davam às mulheres cujos maridos, filhos e netos emigravam em busca de condições de vida melhores.

É uma região de grande beleza, serpenteada pelo rio Laboreiro, que é atravessado por inúmeras pontes representativas das épocas romana ou medieval, das quais sobressaem a Ponte da Dorna, a Ponte da Capela, a Ponte Nova ou da Cava Velha e a Ponte Velha.

Castro Laboreiro é também conhecido pelo seu fumeiro e enchidos, confecionados de forma tradicional, por mãos hábeis e com o saber de anos e anos.

O guardião desta localidade é o Cão de Castro Laboreiro, defendendo o gado do grande predador, o Lobo Ibérico, conhecido pela sua rusticidade, caráter e nobreza desde tempos idos.

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BRANDA DA AVELEIRA E CASTRO LABOREIRO SÃO AS ÚNICAS CANDIDATAS NO NORTE DE PORTUGAL, NA CATEGORIA DE ALDEIAS REMOTAS

DIA 30 DE JULHO VAI SER POSSÍVEL VOTAR NAS NOSSAS ALDEIAS DURANTE A GALA QUE A RTP TRANSMITE APÓS O TELEJORNAL DAS 20H00

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Melgaço recebe a 30 de julho a Gala das 7 Maravilhas de Portugal® – Aldeias. O Município Mais a Norte de Portugal tem duas aldeias a concurso: Branda da Aveleira e Castro Laboreiro, as únicas candidatas no Norte de Portugal, na categoria de Aldeias Remotas. Serão 7 Galas eliminatórias por categoria e 49 aldeias a concurso. Branda da Aveleira foi o local escolhido para acolher a Gala que mostrará as potencialidades das aldeias melgacenses: ‘Um património valioso e diferenciador, repleto de tradições e costumes ancestrais’, considera o autarca Manoel Batista.

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Em cada Gala estará uma categoria a votação: são 49 aldeias a concurso, divididas em 7 categorias (7 aldeias por categoria). Os portugueses poderão votar na sua aldeia favorita durante o decorrer da gala, através de um telefonema para um número a designar minutos após o início da Gala. As Galas serão emitidas em direto pela RTP todos os domingos de julho e agosto, a partir das 21h e durante cerca de duas horas. A primeira Gala é no dia 9 de julho, em Santa Clara a Velha (Aldeias Ribeirinhas); segue-se Paderne (Aldeias Rurais) a 16 de julho; Azenhas do Mar (Aldeias de Mar) a 23 de julho; Branda da Aveleira (Aldeias Remotas) a 30 de julho; Podence (Aldeias Autênticas) a 6 de agosto; Monsanto (Aldeias Monumento) a 13 de agosto; e a 20 de agosto nos Açores (Aldeias em Áreas Protegidas), em Porto Martins, na ilha Terceira. A 27 de agosto a RTP emite um programa de best of, sobre as 14 finalistas apuradas nas Galas anteriores, e começa uma semana inteira de votação, até ao domingo seguinte. As 7 eleitas são conhecidas a 3 de setembro, no Piódão, na Declaração Oficial das 7 Maravilhas de Portugal® – Aldeias.

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As performances artísticas das Galas vão retratar, de forma abstrata, as vivências, a diversidade, a essência, a beleza e orgulho pelo território português. ‘Estas Galas vão viver de um grande trabalho audiovisual, desenvolvido no último mês e meio, com peças de três minutos sobre 49 aldeias de Portugal Continental e ilhas, e de momentos artísticos de grande qualidade, com uma componente cénica adaptada a cada região do país’, considera Luís Segadães, presidente das 7 Maravilhas.

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Sobre as 7 Maravilhas de Portugal® – Aldeias

As candidatas a 7 Maravilhas de Portugal® – Aldeias são organizadas em 7 categorias e as 7 vencedoras serão apuradas pelo maior número de votos, uma por categoria, não podendo ser eleitas mais do que três aldeias por região. As categorias são: Aldeias-Monumento; Aldeias de Mar; Aldeias Ribeirinhas; Aldeias Rurais; Aldeias Remotas; Aldeias Autênticas; e Aldeias em Áreas Protegidas.

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Todo o processo de eleição das 7 Maravilhas de Portugal® – Aldeias será auditado pela empresa internacional de auditores PwC.

O projeto conta com o apoio institucional do Gabinete do Ministro Adjunto, do Ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, da Secretária de Estado do Turismo, da Secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, do Turismo de Portugal, da Unidade de Missão para a Valorização do Interior, ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, do Centro Nacional de Cultura, do Instituto de História Contemporânea, da Federação Minha Terra, e da Associação Portugal Genial.

As 7 Maravilhas de Portugal® - Aldeias são patrocinadas pela Iki Mobile, primeira marca portuguesa de telemóveis em cortiça. A Kia é o Carro Oficial do projeto, acompanhando este roadshow por todo o país.

Recorde-se que Melgaço concorreu com três aldeias, em várias categorias: Branda da Aveleira – Aldeia Remota e Aldeias Autênticas, Castro Laboreiro – Aldeia Remota e Aldeias em áreas protegidas –  e Parada do Monte – Aldeias autênticas e Aldeias rurais. Foram apresentadas 446 candidaturas de 332 aldeias das 7 Regiões do país.

BRANDA DA AVELEIRA situa-se à entrada do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), nas encostas da serra da Peneda, a cerca de 1100 m de altitude, onde são ainda visíveis os vestígios da era glaciar (Glaciação de Wurm).

Desde o século XII, que os brandeiros da Gave sobem com os rebanhos para os pastos desta Branda, libertando os terrenos mais baixos para o cultivo agrícola. Permaneciam na montanha durante todo o verão, só descendo até à povoação (5 Km) para levarem mantimentos, facto que explica o isolamento destes pastores.

Classificada como ‘Aldeia de Portugal’ pela Associação de Turismo de Aldeia (ATA), representa a tipicidade da região e o ‘modus vivendi’ de uma época. Para além da beleza da paisagem e do conjunto arquitetónico que a define, a aldeia é o testemunho de uma tradição agrícola e cultural de grande valor antropológico, que a torna tão especial e singular. É constituída por um conjunto de 80 casas rústicas e cardenhas de grande beleza e tipicismo, algumas, recuperadas para turismo.

A fauna e a flora no seu estado mais puro coexistem com os brandeiros que se dedicam à pastorícia (gado bovino e cavalar), à recolha dos fenos e à apicultura, e aos turistas que podem desfrutar da diversidade paisagística, trilhos pedestres, megalitismo, festas populares, cascatas de águas límpidas e deliciarem-se com a gastronomia típica.

BRANDA DA AVELEIRA situa-se à entrada do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), nas encostas da serra da Peneda, a cerca de 1100 m de altitude, onde são ainda visíveis os vestígios da era glaciar (Glaciação de Wurm).

Desde o século XII, que os brandeiros da Gave sobem com os rebanhos para os pastos desta Branda, libertando os terrenos mais baixos para o cultivo agrícola. Permaneciam na montanha durante todo o verão, só descendo até à povoação (5 Km) para levarem mantimentos, facto que explica o isolamento destes pastores.

Classificada como ‘Aldeia de Portugal’ pela Associação de Turismo de Aldeia (ATA), representa a tipicidade da região e o ‘modus vivendi’ de uma época. Para além da beleza da paisagem e do conjunto arquitetónico que a define, a aldeia é o testemunho de uma tradição agrícola e cultural de grande valor antropológico, que a torna tão especial e singular. É constituída por um conjunto de 80 casas rústicas e cardenhas de grande beleza e tipicismo, algumas, recuperadas para turismo.

A fauna e a flora no seu estado mais puro coexistem com os brandeiros que se dedicam à pastorícia (gado bovino e cavalar), à recolha dos fenos e à apicultura, e aos turistas que podem desfrutar da diversidade paisagística, trilhos pedestres, megalitismo, festas populares, cascatas de águas límpidas e deliciarem-se com a gastronomia típica.

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MELGAÇO CANDIDATA BRANDA DA AVELEIRA, CASTRO LABOREIRO E PARADA DO MONTE ÀS 7 MARAVILHAS

Pré-finalistas são eleitos esta semana e anunciados a 7 de abril

O município de Melgaço candidatou três aldeias às 7 Maravilhas: Branda da Aveleira – Aldeia Remota e Aldeias Autênticas, Castro Laboreiro – Aldeia Remota e Aldeias em áreas protegidas – e Parada do Monte – Aldeias autênticas e Aldeias rurais. Foram apresentadas 446 candidaturas de 332 aldeias das 7 Regiões do país. Esta lista longa vai ser agora votada pelo Painel de Especialistas e as 49 aldeias pré-finalistas são reveladas a 7 de abril.

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TOTAIS POR CATEGORIA:

Aldeias-Monumento – 78 aldeias

Aldeias de Mar – 23 aldeias

Aldeias Ribeirinhas – 60 aldeias

Aldeias Rurais – 99 aldeias

Aldeias Remotas – 44 aldeias

Aldeias Autênticas – 79 aldeias

Aldeias em Áreas Protegidas – 63 aldeias

Esta é uma das fases decisivas do processo de eleição, em que após as candidaturas por várias entidades públicas e privadas do país, a lista longa de candidaturas é votada pelo Painel de Especialistas. Este processo para escolher as 49 aldeias pré-finalistas que vão a votação pública é auditado pela PwC. “A organização das 7 Maravilhas de Portugal® – Aldeias tem como prioridade a apresentação de uma lista de 49 aldeias pré-finalistas que prime pela qualidade, diversidade e representatividade de todas as regiões”, explicou Jorge Costa, Partner da PwC.  O Painel de Especialistas já começou a votar e a escolha prolonga-se até dia 31 de março. O Painel de Especialistas é convidado pela Organização com critérios de representatividade regional. É um grupo alargado de 7 elementos por região, onde têm assento figuras de indiscutível sabedoria e conhecimento local, historiadores, especialistas em conservação da natureza, jornalistas e especialistas em turismo. O Painel é organizado pelas 7 regiões e vai votar de forma secreta nas aldeias candidatas da Lista Longa, escolhendo as 7 melhores em cada uma das 7 categorias, num total de 49.

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CARPEADA VAI MOSTRAR COSTUMES DAS GENTES DE CASTRO LABOREIRO

Dia 22 de fevereiro, na casa da Cultura de Melgaço, pelas 14h30

No próximo dia 22 de fevereiro, os utentes do Centro de Dia de Castro Laboreiro, em Melgaço, vão recriar uma CARPEADA - transformação da lã depois de tosquiada e lavada até à obtenção do fio. Uma representação de usos e costumes das gentes de Castro Laboreiro que acontece na Casa da Cultura, pelas 14h30.

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‘Antigamente, quando ainda o comunitarismo era uma prática constante, os vizinhos juntavam-se em casa uns dos outros para fazerem o processo de transformação da lã que, depois de lavada e seca, era preparada até obter o fio.’, conta Elisabete Lima, organizadora da ação, confessando que ‘durante a CARPEADA havia momentos de pausa onde as pessoas dançavam e no final tinham um pequeno lanche: pão com chocolate e uma maçã’.

Antes da recriação do momento, pelas 14h45, os utentes irão visualizar um documentário sobre Castro Laboreiro na década de 70. E para cumprir a tradição, a meio da CARPEADA haverá baile entre os participantes, seguindo-se depois um lanche, ‘como antigamente’, diz Elisabete Lima.

No âmbito desta tradição, a Casa da Cultura tem também patente a exposição temporária ‘O Ciclo da Lã’, até ao dia 1 de março. A mostra representa as fases do processo e transformação da lã: ‘A lã desde sempre que está associada às zonas de montanha e aos pastores, e em Melgaço não é exceção’, afirma Elisabete Lima. (Horários: das 9h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00 – de segunda a sexta-feira, e aos sábados das 9h30 às 12h30 e das 14h00 às 18h00.)

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CASTRO LABOREIRO QUEIMA DO ANO VELHO

À descoberta dos costumes e do Património da vila melgacense, o povo sai à rua entre gaitas de foles e queimadas…

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Castro Laboreiro, em Melgaço, vai ter um final de ano diferente: a ‘Queima do Ano Velho’ vai animar a terra castreja no dia 30 de dezembro. O evento, com início às 23h00 junto ao Posto de Turismo de Castro, promete ser um encontro de culturas e de gerações: um pequeno cortejo do Ano Velho com os Gaiteiros da Lobeira pelas ruas de Castro Laboreiro rumo ao Centro Cívico, onde será queimado o Ano Velho em jeito de despedida e oferecida uma queimada e outras surpresas aos participantes.

Esta é mais uma iniciativa que visa animar a Vila de Castro Laboreiro e abre assim a possibilidade gratuita a todos os que se queiram juntar à festa: a tradicional queimada galega e os sons celtas muito assentes nas tradicionais gaitas de foles serão trazidos para este evento relembrando, assim, tempos idos. ‘Na esperança de um ano melhor queima-se a figura do pai velho e deixam-se votos de um excelente 2017’, diz Sónia Nogueira, responsável pelo evento.

O objetivo é ‘dar a conhecer os locais que compõem o Parque Nacional Peneda-Gerês, incentivando à cooperação entre diferentes stakeholders (partes interessadas) num esforço conjunto de promoção do turismo da região. Por esta via, ganham as entidades envolvidas e ganham os turistas que, de outra forma, nunca teriam a oportunidade de conhecer, explorar, perceber e degustar tudo o que estas regiões e estas gentes têm para oferecer.’, explica Sónia Nogueira, sublinhando que ‘recuperar tradições e rituais de tempos remotos, incentivando à participação quer de turistas quer de gentes da terra, revela-se cada vez mais importante no sentido de não deixarmos perder hábitos e costumes que são, afinal, os pilares da nossa cultura popular. O potencial turístico associado a este tipo de iniciativas é enorme, tal tem vindo a ser visível pela evolução que o turismo tem vindo a ter no nosso país. Castro Laboreiro emerge como uma região com elevado potencial e o turista que vai a Castro Laboreiro sai sempre com o desejo de regressar dentro do peito.’

A iniciativa partiu de Sónia Nogueira, administradora da página facebook.com/turismopnpg e doutorada em Marketing, com especialização na vertente do Marketing de Turismo em espaços naturais, e tem o apoio da Câmara Municipal de Melgaço e da Junta de Freguesia de Castro Laboreiro e Lamas de Mouro. ‘Sem dúvida uma iniciativa que se pretende poder vir a repetir em anos futuros!’, promete a responsável.

Castro Laboreiro é uma das localidades mais emblemáticas do Parque Nacional Peneda-Gerês. A freguesia está localizada no planalto com o mesmo nome, em plena serra da Peneda, numa extensa área dentro do Parque Nacional da Peneda-Gerês, distando vinte e cinco quilómetros da sede do concelho.

A aldeia possui ainda um milenar e riquíssimo legado histórico, arqueológico e arquitetónico, designadamente os monumentos megalíticos, o Castelo de Castro Laboreiro (classificado como monumento nacional), as pontes e igrejas medievais, os fornos comunitários, os moinhos, a atividade agro-pastoril e as singulares brandas, inverneiras e lugares fixos, testemunhos, também aqui, da prática da transumância.

SENADOR NARCISO ALVES DA CUNHA PROPÔS EM 1911 A CRIAÇÃO NO MINHO DE ESCOLAS AGRÍCOLAS MÓVEIS

O Sr. Senador Narciso Alves da Cunha apresentou na sessão de 15 de dezembro de 1911, do Senado da República, um projeto-lei para o estabelecimento de escolas móveis agrícolas no norte do país, justificando largamente a sua proposta e tecendo várias considerações acerca das gentes do Minho, sobretudo de Paredes de Coura, Soajo, Peneda e Castro Laboreiro. A referida intervenção transcreve-se do respetivo Diário do Senado.

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O Sr. Alves da Cunha: - Sr. Presidente e Srs. Senadores: vou mandar para a mesa um projecto de lei, que há tempo tenho nesta carteira. Talvez o demorasse ainda por mais algum tempo se não fora ter lido, há dias, um substancioso artigo escrito pelo nosso ilustre e estimado colega o Sr. Miranda do Vale, e publicado num jornal agrícola, A Gazeta das Aldeias, da cidade do Pôrto.

Achei tão judiciosas as afirmações de S. Exa.. afiguram-se-me de tanto interesse as suas observações, que bastaram para me determinarem a apresentar hoje ao Senado o meu modesto projecto, unicamente como uma experiência, que, se não der resultado, amanhã, com uma penada, pode deixar de ser lei do país.

Creio que está em moda discutirem-se, e com muita razão, assuntos que se prendem com a instrução, sobretudo com a instrução popular, que sempre me tem merecido a maior solicitude há dezenas e anos, e por isso entendi que devia associar-me a êste movimento, mandando para a mesa êste projecto de lei, que versa sôbre a criação duma escola agrícola, prática, móvel, pelo sistema das escolas conhecidas pelo nome de Maria Cristina, e que tem dado óptimos resultados. (Muitos apoiados).

Para justificar os pontos em que baseei o meu trabalho, peço licença a V. Exa. para ler, apenas, dois artigos, e depois formularei as considerações que julgar convenientes para justificação do meu projecto.

O artigo 1.° diz:

Leu.

Artigo 3.°: Chamo a atenção dos Srs. Senadores para êste artigo, que é um dos mais interessantes do projecto e de mais utilidade, segundo se me afigura, para a democratização do norte do país.

Diz assim:

Leu.

Sr. Presidente: eu não sou profissional, não sou pedagogo, nunca fui pedagogista, mas a verdade é que, desde há muitos anos, me tem, como disse, merecido especial cuidado a instrução popular, a instrução dessas massas anónimas, que vivem do campo, que vivem da terra e para a terra, que mourejam todo o dia, hora a hora, desde manhã até de noite, debruçadas sôbre a mesma terra para lhe pedirem pão para comer e até para o dar ao Estado. Estas classes considero-as eu como o verdadeiro nervo da Nação (Apoiados), e por isso hão-de permitir-me que lhes diga que elas tem sido, precisamente, as mais esquecidas. (Apoiados).

Eu vejo, porque está escrito em estatísticas oficiais, que a população das oficinas, da indústria, do comércio e da viação regula por 1.500:000 habitantes do país, emquanto que as massas agrárias representam 3.000:000 habitantes. Mais ainda: as classes agrárias estão desseminadas por todo o país, absolutamente por todo (Apoiados), embora nas cinco províncias do norte sejam mais densas.

Êsse povo, ou essa classe do povo, donde venho e com o qual me criei, cujas dores tenho auscultado desde há muitos anos, à cujas festas tenho assistido e com quem ainda há pouco privei perto de quatro anos para lhe estudar e registar a linguagem numa modestíssima monografia que escrevi acêrca duma terra do Alto Minho (Paredes de Coura), é de índole naturalmente boa, sofredora e ordeira. (Apoiados).

O povo do norte, e (mando digo norte não me refiro a esta ou aquela província determinada, mas a uma grande parte, senão á maior parte do país, é essencialmente trabalhador, respeitador das autoridades, pontual no cumprimento dos seus contractos e verdadeiramente amorável.

Haja vista o que se passa no Alto Minho, naquelas montanhas da Peneda, Suajo e Castro-Laboreiro, quando algum forasteiro (e são bem poucos os que por lá aparecem) se abeira do tugúrio do mais pobre dos habitantes que estão encerrados nas ravinas daqueles montes: o hóspede é, para êles, uma pesca sagrada e é tratado com o melhor que há em casa que, na maior parte dos casos, é pão de centeio e leite.

Nestas condições, e porque tantas vezes, aqui se tem falado na instrução do povo, julgo ter oportunidade a apresentação do meu projecto, não para ser uma lei geral do país, porque penso que o Estado, pelo menos é o que dizem os Ministros, não tem dinheiro para a instrução, mas porque nada se perderá com esta experiência e ensaio.

O ensaio dá resultado?

Está lançada a semente.

A semente frutifica?

Então alargue-se a sementeira, estenda-se por todo o país.

Pelo contrário, o ensaio não dá resultado?

Nós, que estamos aqui, ou aqueles que vierem, com uma penada de tinta, retiramos a êste diploma o seu valor legal e desaparece a escola agrícola, com os seus encargos, que, aliás, são bem modestos.

Sr. Presidente: tem sido com o maior agrado que eu tenho registado a forme, tão distinta como os nossos colegas Srs. Ladislau Piçarra, Eusébio Leão, Miranda do Vale e outros mais, se tem referido, aqui, a assuntos que se prendem com a instrução do povo. Tenho, porém, ouvido dizer, e a minha observação assim o comprova, que no nosso país não há a escola primária, nem a instrução popular, porque a escola até hoje tem-nos dado, apenas, o seguinte: saber ler e escrever.

Saber? Dicant Paduani.

Tenho observado crianças que. tendo feito exame de instrução primária há menos de dois anos, não sabem ler.

Na escola ensina-se adecorar, porque, infelizmente, no nosso país a instrução é considerada como um fim e não como meio.

E, todavia, a escola deve dar um capítulo que se há-de desdobrar na educação, como, há pouco, muito bem disse o Dr. Ladislau Piçarra? para da educação sair a formação do carácter, a disposição para o trabalho, a predisposição para lutar pela vida e uma tal lapidação das faculdades intelectuais da criança que possam actuar na modificação das desgraçadas condições das classes trabalhadoras e no progresso da pátria. (Apoiados).

Mas como é que, não tendo nós casas para escolas, não tendo professores, apropriada e convenientemente preparados, como muito bem disse e acentuou o nosso estimado colega Sr. Miranda do Vale; não tendo nós programas bem orientados, não tendo suficiente verba orçamental, se hão-de preparar crianças sadias, cheias de vida, que amanhã sejam os homens fortes da República?

Como é que se hão-de alumiar estas inteligências infantis que, num futuro proximo hão-de ser as fôrças vivas da Nação, se tudo falta?

Sr. Presidente, e Srs. Senadores, exepção feita Lisboa, Pôrto e mais algum centro populoso, afigura-se me que no nosso país não há, como já disse, instrução popular.

Para mim, e não sou profissional, a escola portuguesa, para dar o resultado que devia dar, e que temos direito deesperar dela, quando convenientemente modificada, é indispensável que, entre outras, satisfaça ás seguintes condições: primeira, ser prática: segunda, agrícola; terceira, regionalista e quarta, um tanto ou quanto, individualista.

Duas palavras apenas sôbre cada uma destas feições. Deve ser prática por isso que o carácter especulativo, que tem por isso tido, é que a não tem deixado frutear, antes a lançou nesse lastimoso estado em que se encontra. Além disso os grandes mestres da sciência pedagógica acentuam que deve ser êste o seu carácter fundamental, como o mais próprio para a vida de trabalho, positiva, a que é destinado o homem.

Agrícola, porque se conta em 65 por cento a população portuguesa que vive nos campos, dos campos e para os campos, espalhada, por todas as províncias do país, isto é, a sua grande maioria, que por isso mesmo, deve ser tida em toda a consideração.

Seria uma temeridade distribuir a instrução primária com a mesma igualdade de processos, de matérias a estudar, por todo o país. Seria uma verdadeira calamidade se tentássemos plantar no Algarve a vinha que produz o vinho verde, só próprio do Alto Minho: inversamente se quiséssemos adaptar ao Alto Minho a plantação da figueira e da alfarrobeira, para criar a indústria do figo seco, ou da alfarroba.

É preciso que na escola se tenha tudo isto em vista, para não resultar improfícua a instrução que ela ministra.

A segunda característica - ser regional - tem dado na Bélgica, os melhores resultados, porque aí a organização da escola varia conforme a região a que ela é destinada.

Para os cantões industriais o ensino primário tem uma parte manual, e para os agrícolas, compreende o ensino da agricultura.

Veja-se agora num só facto, o que nos fazemos e o que se faz na Bélgica: os nossos campos estão separados uns dos outros por verdadeiras muralhas chinesas, que são as suas vedações, mas na Bélgica a divisão e vedação das propriedades é feita por sebes vivas, de macieiras e pereiras, de forma que na primavera, cada propriedade é um jardim enflorado, e no estio, proveitoso pomar, que aumenta o valor da seara.

Deve ainda a escola ter uns laivos de individualista, como na Inglaterra, para que o homem se habituai a contar mais consigo do que com o Estado providência.

A escola primária que eu desejaria ver implantada no nosso país, já não falo da Suíssa, seria a da Suécia, por três razoes:

A primeira, por ser um país pequeno como o nosso, a segunda, por a sua população ser pouco mais ou menos igual à nossa - 5 milhões de habitantes - e a terceira, porque na Suécia pode dizer-se que não há analfabetos. As duas nacionalidades sob êste aspecto, merecem ser postas em confronto.

E o que vou fazer. Na Suécia, para 5 milhões de habitantes, ha 12:000 escolas; o nosso país terá 6:000.

Eu não quero, para não fatigar a atenção do Senado, descrever o sistema da escola primária na Suécia. Entretanto sempre desejo consignar que o ensino é ali dividido em três classes: escola popular ordinária, pequena escola e escola superior.

Há, ainda, depois, uma outra ordem de escolas que muito convinha introduzir no nosso país, que são as destinadas aos filhos do povo dos campos que estão fora da idade escolar, chamadas altas escolas populares, que tem dado os melhores resultados, e que para nós seriam de grande conveniência prática porque as crianças, passados dois anos depois de saírem da escola, deixam esquecer o pouco que lá aprenderam, por falta de continuação em exercícios práticos de leitura e escrita.

Como as altas escolas populares são destinadas a adultos e podem funcionar de noite, seria fácil compelir, quem precisasse, ou por não saber, ou por ter perdido o que aprendeu, a frequentá-las.

Na Suécia há 25 escolas destas; há fixas 9:058, e ambulantes ou móveis 2:923, mas devo declarar que estas notas foram extraídas duna relatório oficial de 1901.

Hoje devem ser muitas mais.

Sr. Presidente: nós somos dominados pelo espírito de rotina, e a rotina é teimosa; por isso cumpre contrapor àquela teimosia, a teimosia da escola agrícola, fazendo-a móvel, de forma tal que apareça, uma e muitas vezes, onde aquele prejuízo está mais inveterado.

Tal foi o meu propósito ao dar-lhe êste carácter de mobilidade.

Deixando, porém, generalidades, desçamos a factos concretos, porque êsses melhoramentos demonstram o rotineirismo do povo do norte.

O povo do norte é assim: há cerca de doze ou quinze anos, um benemérito do meu concelho e que tambêm ocupou um lugar nesta casa, quando ainda estávamos no regime monárquico, o conselheiro Miguel Dantas, aquém eu quero prestar, tambêm aqui, à sua memória, o preito de saudade e respeito que a minha terra lhe deve, quis tornar lá conhecido o trabalho da charrua Brabant, e para isso fez transportar para a sua localidade esta máquina agrícola.

Convidou pequenos lavradores para verem a nova forma de sulcar a terra, procedendo a vários trabalhos, tomando parte algumas mulheres na direcção e manejo da charrua.

Apurou-se que o trabalho era mais perfeito que o das charruas ali usadas; que não precisava mais gado para a tracção, e que havia economia de tempo e pessoal.

Todos ficaram satisfeitos, todos admiraram os trabalhos e, por fim, aquele benemérito aconselhou aquela gente a que se agrupasse, comprando cada grupo uma charrua, visto ser um pouco cara.

Pois, Srs. Senadores, nunca se falou mais. até hoje, naquela charrua, e ninguém a comprou.

Mais.

Eu tentei fazer um pequeno ensaio de aplicação de adubos minerais.

Dividi uma propriedade em dois talhões, aplicando num só estrume do curral, e no outro, o mesmo adubo e o mineral.

Fiz tambêm convites para os trabalhos e, mais tarde, convoquei alguns agricultores, que haviam tomado parte na semente, para observarem o resultado e a diferença na cultura e na novidade.

Pois quer a Câmara saber o que se disse, ao apurar-se que a terra, assim trabalhada e preparada, dava uma melhor produção?

"E do ano".

A escola prática, móvel, que eu preconizo é, pois, duma altíssima vantagem e necessidade, porque vai, de terra em terra, ensinar os novos processos agrícolas.

A escola móvel é duma absoluta necessidade, porque o povo do norte não sai da sua paróquia para aprender os nossos processos de trabalhar a terra e de desenvolver a agricultura e, conseguintemente, a riqueza pública.

Eu já, decerto, tenho cansado excessivamente a Câmara pelo que vou pôr ponto nas minhas considerações.

Vozes: - Não apoiado, não apoiado!

O Sr. Presidente: - V. Exa. já foi alêm da hora.

O Orador: - Então, se V. Exa. o ordena, eu termino.

O Sr. Presidente: - Eu não ordeno nada. O Regimento é que manda.

Vozes: - Fale, fale.

O Orador: - Agradeço á Câmara a gentileza da sua deferência e serei breve.

O meu projecto tem uma grande vantagem, que consiste na obrigação imposta ao professor de fazer propaganda das leis da República.

Eu, por causa do Regimento, que não permite reunir no mesmo projecto de lei matérias que não a tenham entre si intima ligação, é que não dei a esta parte do projecto a amplitude que êle merecia.

O meu fim era estatuir que o director da escola fizesse propaganda agrícola e democrática ao povo daquele distrito, mas, desde que o Regimento não deixa ir longe, limitei-me a consignar a doutrina que se lê no seu artigo 3.°

Em todo o caso a porta está aberta para um bom serviço à República, desde que, criteriosamente, queira ser aproveitada.

Poderá alguém dizer: mas se não há professores competentemente habilitados, como se pretende estabelecer uma escola agrícola?

Felizmente para uma escola temos onde escolher, pois, há muitos professores com os conhecimentos necessários. Porque, diga-se em abono da verdade, uma das nossas classes sociais, que mais tem progredido, é exactamente aquela que diz respeito ao professorado que tem a seu cargo a agricultura superior - a dos agrónomos.

Não será, por conseguinte, muito difícil, desde que haja boa vontade, escolher e propor quem tenha interesses pelas cousas da República, para ir reger essa escola: creio mesmo que é muito fácil reunir o povo aos domingos para levar ao seu conhecimento aquilo que, presentemente, mais lhe interessa, que é viver num Estado democrático, cujos órgãos, funcionamento, garantias, direitos e deveres, não conhece ou conhece mal.

Interrupção do Sr. Ladislau Piçarra, que não se ouviu.

Sr. Presidente: Todos reconhecem que o norte está por democratizar.

É verdade; e contudo, eu, que nasci lá e lá tenho vivido, pude observar que o povo do norte, se não abraço a República, na sua proclamação, com entranhado afecto, tambêm a não recebeu na ponta das baionetas. Conheço muito o povo do norte, sobretudo o do Alto Minho, e na sei que o das montanhas é muito positivista; só acredita obra, no facto, no que vê, porque está cheio de retórica e farto de promessas não cumpridas.

E porque é assim, foi que eu registei com o maior agrado as considerações aqui feitas, antes de mim, pelo ilustre Senador o Sr. Anselmo Xavier, pois penso sôbre o assunto, como S. Exa., mais obras e menos palavras.

Nós é que devemos ir procurar o povo; nós é que temos de ir ao encontro das populações agrícolas, não esperando que elas venham para nós, sem primeiro lhes mostrarmos; que, sincera e lealmente, nos interessamos por elas.

Não é só por meio da palavra, com uma tal ou qual retórica, mas sobretudo e especialmente com obras e com a instrução que nós nos elevemos dirigir ao povo.

De mais a mais, dá-se o seguinte: o povo do norte não é muito exigente, e tanto não é exigente que o das montanhas do Suajo e da Peneda, onde é preciso percorrer uma distância de 40 quilómetros para levar uma certa ao correio, tem-se mantido nesta situação incomportável, sem grandes reclamações.

O Sr. Presidente: - V. Exa. já excedeu, e muito, o tempo concedido pelo Regimento para falar antes da ordem do dia.

Vozes: - Fale, fale, fala.

O Orador: - Mais uma vez agradeço, muito reconhecido, a deferência de V. Exas. e prometo ser meio breve.

Sr. Presidente: Quando esteve reunida a Assembleia Nacional Constituinte, nós ouvimos dizer e informar ao Dr. Alfredo de Magalhães, que esteve na Gavieira e Suajo, isto é, no extremo norte do país, qual o estado de alma e de espírito da pobre gente que por lá habita.

Não há cemitérios, não há escolas, nem correio, nem médico; aquela gente, écran, vive uma vida semi-nómada, e vou dar a razão: é porque a gente desta região, desde Maio até Outubro, vive no alto das montanhas, depois retira para o fundo delas, onde vive em choupanas, quási promiscuamente com o gado, para ter mais calor.

Nestas circunstâncias, desde que nós trabalhemos com vontade para a integrar na República, posso garantir a todos que havemos de encontrar ali a primeira guarda avançada da República.

Se quiserem encontrar os primeiros atiradores do pais, tem de ir lá procurá-los.

E, depois, para mim, há uma circunstância que eu desejo registar com especial agrado nesta casa do Parlamento.

Acusa-se por toda a parte o clero paroquial de reaccionário e de intentos jesuíticos; mas a verdade é que D Dr. Alfredo de Magalhães foi encontrar àquelas montanhas párocos dedicados à República, como se não encontrem em outras regiões.

Um pobre velho, que eu conheço, e que ter lá vivido quási toda a sua vida, disse ao Dr. Alfredo de Magalhães que a sua arma de combate era a oração. Aceitamos a Republica, disse o bom ancião, se bem que, até aqui, ninguém nos tenha falado nela.

Vozes: - Muito bem. Os das freguesias próximas ofereceram ao Dr. Alfredo de Magalhães opíparos jantares, e trataram-no com todas as deferências e atenções, como êle próprio reconheceu na Constituinte.

Outro pároco, daquela região montanhosa, que foi excelente caçador, que é muito inteligente e um pároco na verdadeira acepção da palavra, que, quando foi para a sua paróquia, não se cultivando lá a vinha, conseguia, graças à sua inteligente direcção e salutar exemplo, que já se colham aí dezenas e dezenas de pipas de bom vinho verde, êsse pároco, avisado pelos fregueses para fugir, como êles, ao aproximarem-se uns militares que foram àquela freguesia fazer um reconhecimento por ordem do nosso colega na outra Camara o Sr. Simas Machado, quando esteve a comandar as forcas no norte, respondeu-lhes: "está aberta só meia porta da residência; pois vou abrir-lhes a outra meia".

E foi.

E as portas da casa do bom abade foram abertas, de par em par, e os militares ali foram hospedados, com aquela gentileza e afabilidade que êle sabe dispensar a todos que dele se acercam.

É claro que uma boa propaganda não se pode organizar sem elementos locais, em quem o povo deposite confiança. (Apoiados).

Acerca da propaganda no país, recebi, há pouco tempo, uma carta circular do Directório Republicano, e tenho e maior prazer em ver aqui alguns Srs. Senadores, que são membros sse Directório, porque desejo prestar-lhes esclarecimentos, subsídios e elementos, que reputo fundamentais, para se fazer uma propaganda eficaz, de resultados estáveis.

E a qualquer missão de propaganda, que se destine às províncias do norte, é preciso que dela faça parte, antes de mão, um elemento local, isto é, que tenha autoridade moral. (Apoiados).

Se não for assim, como o povo é ignorante, e à beira da ignorância está a desconfiança, êle receberá com pouco agrado aqueles que se lhe apresentarem.

Devem, portanto, figurar nesta classe de rnissões, os elementos locais, ou da freguesia, ou de perto, a quem e povo respeite, em quem deposite confiança; homens que serem como que seus juízes de paz, seus liais conselheiros e amigos sinceros.

Também deve fazer parte dessas missões o elemento militar, mas o elemento militar fardado, porque o povo tem muita consideração e até estima pela farda do oficial do exército: é uma espécie de culto externo, que não é para desprezar.

Quando alguns oficiais do Sr. Simas Machado foram a uma Sociedade sertaneja, no concelho dos Arcos, fazer uma missão de propaganda, encontraram o povo assistindo à missa paroquial.

Entraram no templo e aí se conservaram, até o fim, com todo o respeito, como é próprio de homens bem educados e prudentes, qualquer que seja a sua crença.

Bastou êste facto para, como se diz vulgarmente, empalmarem todo o auditório. Até o próprio párocho assistiu à conferência.

Não se imagina a influência que no povo exerceu essa compostura e respeito por parte dos oficiais, que se apresentaram devidamente fardados, dentro do templo, porque, assim, êles dão uma prova da sua boa educação e do respeito que deve merecer a crença alheia, embora não seja a que êles professam.

Deve, ainda, esta missão conter um membro, de preferência do Ministério do Fomento, que leve autorização para prometer e fazer logo, umas pequenas cousas, umas pequenas despesas, tais como uma caixa de correio, ou estabelecer um posto de registo civil, etc.

Com êstes elementos, eu garanto a V. Exa. que, em pouco tempo, teremos republicanizado o país.

De contrário, se continuarmos a mandar gente desconhecida, se continuarmos neste sistema de irmos para lá fazer discursos muito bonitos, que são bem recebidos naquela ocasião, mas que logo esquecem, não se conseguirá nada.

Eu digo a V. Exa., que já ouvi, a propósito dum orador distinto, que foi a uma daquelas aldeias pregar um sermão, e que fez, realmente, um discurso brilhante. O facto que aponto observei-o eu próprio.

Ao terminar êsse discurso, dirigi-me a um grupo de pequenos lavradores e perguntei:

"Então o que pensam, a respeito do sermão?"

"Oh, muito bem, muito bem, pena foi ser em latim!"

(Riso).

É e que acontece a esta pobre gente, muito rude e ignorante, que está um tanto desconfiada por nunca ter sido atendida em cousa alguma pelos governos da monarquia, e por isso só com obras, que atestem o nosso interesse por ela, é que a podemos integrar na República.

Sr. Presidente: embora isto custe um pouco ao Estado, fiquem certos de que a propaganda nestes termos ha-de ser duradoura e de bons resultados para a República.

Eu podia alongar-me em considerações, mas quero apenas frisar um ponto para V. Exa. e o Senado verem como aquela gente é patriota e respeitadora da autoridade.

Lembram-se de que, quando os paivantes tentaram entrar, como entraram no país, se fez uma chamada das reservas.

Nos jornais de Lisboa nós vimos pejadas as suas colunas de oferecimentos para ir para a raia, chegando o facto a ser moda.

Pois bem: eu posso citar factos de filhos do povo do norte, que bem mostram o seu amor pátrio.

Dois trabalhadores, um do campo, e outro, que depois de ser praça da armada, é hoje carpinteiro, escreveram-me nos seguintes termos:

O primeiro, pedindo que intercedesse junto do Sr. Ministro da Guerra para que o deixasse fazer parte daquelas fôrças do norte, e acrescentava "que ainda tinha boa pontaria".

O segundo pedia a mesma cousa e dizia: "O meu maior prazer seria apresentar em Lisboa a cabeça de Paiva Couceiro".

E um velho pai, que não pude apresentar o filho por estar no Brasil, voltou-se para a autoridade e disse: Estou eu aqui, senhor, para ir servir no lugar de meu filho".

Então esta gente não é patriota? Até faz bem ouvir falar o povo por esta forma.

O que falta, é nós estendermos-lhe os braços, ir procurá-lo ás ravinas e encostas dos seus montes, com o duplo fim de o educar, para ser útil á Pátria, e de melhorarmos as suas precárias condições, que, no norte, são bem mesquinhas.

Vou mandar para a mesa o meu projecto, e V. Exas. hão-de apreciá-lo como êle merecer e for de justiça.

Tenho dito.

Vozes: - Muito bem.

O orador foi cumprimentado por muitos Srs. Senadores presentes.

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QUEM OFERECE UM CÃO "CASTRO LABOREIRO" AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA?

Quando o Presidente dos Estados Unidos da América escolheu um cão de raça autóctone portuguesa, concretamente um cão de água, para companhia dos seus filhos na Casa Branca, os portugueses regozijaram-se pela sua escolha que desse modo contribuiu para dar a conhecer um animal de raça originária portuguesa.

Entretanto, ao Presidente da República Portuguesa, Professor Dr. Marcelo Rebelo de Sousa, um português com raízes minhotas, oferecem-lhe um cão de raça “pastor alemão” em lugar de um animal de raça portuguesa, entre a variedade de espécies existentes, porventura um “Sabujo” do Soajo, vulto Castro Laboreiro, entre as várias raças autóctones existentes em Portugal. Até nisto insistimos no nosso provincianismo no pior sentido do termo!

Na área montanhosa limitada pelos rios Minho e Lima e as agrestes penedias das serras do Soajo e da Peneda situa-se a região do Castro Laboreiro, no Concelho de Melgaço, atingindo alguns pontos quase mil e quinhentos metros de altitude. Aqui, o cão de Castro Laboreiro tem o seu solar, guardando os rebanhos comunitários na pastagem de transumância de curta distância que ainda ali se verifica.

Considerada uma das raças caninas mais antigas da Península Ibérica, o cão de Castro Laboreiro é dócil e sociável com os animais de outras raças, afetuoso com as crianças e dedicado ao dono, sendo um excelente cão de guarda e de companhia.

Quem será capaz de levar ao Palácio de Belém um magnífico exemplar da raça Castro Laboreiro para que os portugueses passem a orgulhar-se daquilo que realmente lhes pertence? Ou será que é necessário que o Presidente dos Estados Unidos da América escolha mais um cão de raça portuguesa para servir de exemplo aos envergonhados portugueses?

CACHORROS

MINHOTOS DIVULGAM CÃO DE CASTRO LABOREIRO

Na área montanhosa limitada pelos rios Minho e Lima e as agrestes penedias das serras do Soajo e da Peneda situa-se a região do Castro Laboreiro, no Concelho de Melgaço, atingindo alguns pontos quase mil e quinhentos metros de altitude. Aqui, o cão de Castro Laboreiro tem o seu solar, guardando os rebanhos comunitários na pastagem de transumância de curta distância que ainda ali se verifica.

Considerada uma das raças caninas mais antigas da Península Ibérica, o cão de Castro Laboreiro é dócil e sociável com os animais de outras raças, afetuoso com as crianças e dedicado ao dono, sendo um excelente cão de guarda e de companhia.

Quando pretender um animal de estimação, sugerimos que pense prioritariamente em escolher um exemplar de uma raça portuguesa e, porque não, um cão de Castro Laboreiro!

CACHORROS

Fotos: http://evasilva.tripod.com/

PINTORA RICARDINA SILVA EXPÕE EM MELGAÇO

A pintora Ricardina Silva realiza a partir do próximo dia 8 de Janeiro, uma exposição de pintura na Galeria do Hotel Castrum Villae, em Castro Laboreiro, no Concelho de Melgaço. A exposição tem o título “Creation” e estará patente ao público até 17 de Fevereiro, permanentemente aberta durante as 24 horas, com entrada livre.

O certame é composto por obras a óleo, a acrílico e técnica mista, reflectindo na sua maioria o estilo Surrealista abordando diversas temáticas. Nesta Exposição de Pintura poderá encontrar a IMAGINAÇÂO e a CRIATIVIDADE de uma artista plástica que está em fase de transformação....é como o virar da página".

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Ricardina Silva nasceu em Caminha onde vive actualmente. Como ela própria refere, “desde tenra idade que adorava desenhar apenas com um lápis e uma folha branca, guardava todos os desenhos num dossier”. Aos dezassete anos experimentou a pintura sobre tela em acrílico.

Em 2006 realizou a primeira exposição e, a partir de então nunca mais parou. Sucederam-se os concursos e as bienais, passou a experimentar outras técnicas como a pintura a óleo, mista, pastel, aguarela e os desenhos começaram a ser realizados a carvão e grafite.

Para a artista, “cada obra é como um poema harmonioso, de cores luminosas que transparecem num clima rimático e transmitem a paz interior que desejo. Quando realizo um desenho ou uma pintura entrego o meu coração… a minha alma. É como se viajasse para um sítio maravilhoso e mágico, onde não existe o sofrimento, mas sim alegria e cor. Normalmente, para a realização das minhas obras utilizo diversas técnicas como o óleo, o acrílico e a mista. Apesar do diversificado leque de temáticas que já executei, nas minhas obras a que predomina é a do mar, remontando às minhas origens”.

DEPUTADO MANUEL DOMINGUES BASTO LEVA À ASSEMBLEIA NACIONAL, EM 1953, OS PROBLEMAS RELACIONADOS COM O RIO LIMA

Em 1953, o deputado Manuel Domingues Basto levou à Assembleia Nacional os problemas relativos ao rio Lima, nomeadamente os relacionados com o seu assoreamento e a regularização dos caudais. A referida intervenção registou-se na sessão que ocorreu a 23 de Março daquele ano, no âmbito da V Legislatura, sob a presidência de Albino dos Reis Júnior.

Manuel Domingues Basto era natural de Monção e foi fundador da Acção Católica de Braga. Sacerdote católico, foi eleito deputado para a V e VI Legislatura da Assembleia Nacional, não tendo chegado a exercer o mandato nesta última em virtude de ter entretanto falecido. Foi vereador da Câmara Municipal de Monção e Presidente da Comissão Municipal de Assistência de Fafe. Em virtude dos seus ideais monárquicos e na sequência do fracasso da Monarquia do Norte, exilou-se em Espanha.

Pelo seu interesse sobretudo do ponto de vista histórico, transcreve-se um extracto da sua extensa intervenção na Assembleia Nacional, na parte respeitante às questões relacionadas com o rio Lima.

“Sr. Presidente: quando o turista, português ou estrangeiro, se dirige ao Alto Minho, para aceder ao convite do autor do Minho Pitoresco e poder confrontar as belezas das margens do rio Minho com as do rio Lima - que se disputam à porfia vantagens e primazias, pleito difícil que o referido autor se não decide a resolver, comparando-o ao eterno e insolúvel problema dos olhos azuis e dos olhos negros -, e, entrando em Viana do Castelo, sobe a esse incomparável miradouro que é o monte de Santa Luzia, sentirá todo o assombro da maravilha da paisagem, viva, garrida e variegada.

Se, porém, além de admirar a paisagem, o interessa a vida da gente que habita esse rincão português de incomparável beleza, notará bem depressa que o rio - que em linguagem poética beija os pés da cidade, sua dama, e abraça os campos -, assoreado no seu leito, invade os terrenos marginais e rouba às gentes de Viana e de Ponte de Lima o pão, ou seja as culturas de algumas centenas de hectares de terreno.

É a nota triste e desoladora no meio de tanta garridice e policromia de tons da paisagem e do traje das raparigas.

Muitas vezes tenho contemplado entristecido este pormenor da paisagem e da vida da gente das margens do rio Lima e perguntado a mim próprio se não há quem veja aquilo e se para o caso se não encontrará remédio.

Tendo exposto a alguém o meu sentir em conversa de minhoto que mais ama a sua pátria através da região em que nasceu, vim a saber que já há estudos feitos sobre o aproveitamento total do rio Lima, de que resultará, com outras vantagens, não só o desaparecimento do espectáculo desolador que entristece o turista, mas ainda o melhoramento da barra de Viana do Castelo, a rega e o enxugo do muitas terras marginais e o aproveitamento hidroeléctrico do rio.

De facto, vêm de longe os estudos sobre o assunto, que é hoje de mais importância e de mais urgência na solução, dado que na sua parte inferior se agravam cada vez mais o estado do leito do rio e o lamentável desperdício das terras marginais invadidas pelas águas.

É o rio Lima, na opinião dos técnicos, um dos poucos rios portugueses cujo aproveitamento total se impõe, e esse aproveitamento reveste-se na actualidade da maior necessidade e urgência, por se tratar de uma região de grande densidade de população, em que as indústrias são escassas ou quase não existem, sendo por isso mais necessário intensificar a produção agrícola e aproveitar todos os recursos da terra.

Pelos elementos que me vieram à mão, verifica-se que as duas mais importantes obras para o aproveitamento completo do rio Lima estão já realizadas, e são o porto de Viana do Castelo, na sua foz, e o aproveitamento hidroeléctrico do Lindoso, na fronteira.

Reconhecem os técnicos a que a bacia hidrográfica do rio Lima tem excepcionais condições de aproveitamento e que nela se registam as maiores precipitações anuais médias e, paralelamente, os maiores coeficientes de escoamento de todo o País».

Vê-se dos bem elaborados anuários dos serviços hidráulicos que há possibilidade de um plano geral de aproveitamento a fio de água no rio, a jusante de Lindoso, e de albufeiras de elevada regularização específica nas ribeiras da Peneda e de Castro Laboreiro.

Os resultados desse plano seriam a produção de grande quantidade de energia, a defesa contra cheias, o enxugo do vale inferior do rio a jusante de Ponte de Lima, a rega e valorização com ela de 5 000 ha de terras férteis, o melhoramento da navegação - de grande vantagem económica para a região - e a recuperação integral de algumas centenas de hectares de terrenos de cultura inutilizados.

E se as duas obras maiores deste plano já estão realizadas, há também já muitos estudos feitos para se chegar ao aproveitamento total do rio.

Nos anos de 1939, 1940 e 1941 realizaram-se, por meio de brigadas de estudos dos serviços hidráulicos, levantamentos topográficos e hidrográficos e medições de caudais no rio Lima e seus afluentes.

Maiores foram os estudos e trabalhos dos anos de 1942 e 1943.

Em 1942 fizeram-se os reconhecimentos gerais necessários para a elaboração do plano geral de aproveitamento, o reconhecimento detalhado do rio Lima sob o ponto de vista hidráulico e agronómico e em relação às necessidades de enxugo e rega e ainda o reconhecimento das bacias dos seus afluentes-rio Vez e ribeiro de Castro Laboreiro.

Em 1943 iniciou-se o estudo do plano geral da regularização e aproveitamento das águas de toda a bacia hidrográfica.

O ano de 1944 foi o do início do estudo do aproveitamento hidroeléctrico, estudando-se já os vales do rio Lima e dos ribeiros da Peneda e de Castro Laboreiro.

Dos estudos e trabalhos no ano de 1945 diz o Anuário dos Serviços Hidráulicos:

Prosseguiu a recolha de elementos topográficos, hidrológicos e agronómicos para a elaboração do plano geral de sistematização da bacia deste rio. Ficou concluída a parte referente à correcção torrencial e ao aproveitamento da energia das águas do rio e dos seus afluentes Castro Laboreiro, Peneda e Vez.

O esquema do aproveitamento hidroeléctrico prevê uma possível produção de 450x106 kWh no ano muito seco de 1944-1945, com influência benéfica na utilização de água para a rega e na manutenção de caudais para a navegação e contribuindo ainda para a diminuição dos transportes sólidos.

Nos anos de 1946,1947,1948 e seguintes continuou se com a elaboração do plano geral de regularização e aproveitamento das águas, tendo-se ainda feito o reconhecimento agro-económico dos terrenos a beneficiar e o reconhecimento geológico dos possíveis locais de barragens.

O Sr. Elísio Pimenta: - Não esqueça V. Ex.ª que o problema do rio Lima, nos aspectos que acaba de encarar, não é o único na região do Minho.

Existe um problema paralelo no rio Minho, a poente de Valença, em S. Pedro da Torre.

O Orador:- Tem V. Ex.ª razão. Tanto na veiga de Ganfei como em S. Pedro da Torre, freguesias do concelho de Valença, há problemas idênticos.

Sr. Presidente: parece que os trabalhos sobre o aproveitamento integral do rio Lima pararam ou, pelo menos, não há indicação do que se fez depois de 1950. Diz-se que foi a necessidade de deslocar os técnicos para estudos urgentes no rio Douro o que motivou esta paralisação de trabalhos e estudos.

Permita-me, ao terminar as minhas considerações no debate das contas públicas, lembrar ao Governo a necessidade de se prosseguir nesses trabalhos interrompidos, visto que depende deles o aproveitamento de grandes fontes de receita, bem necessárias à gente do Alto Minho e às prementes necessidades de melhor nível económico, para sustento da sua densa população.

Junte-se à beleza da paisagem e dos trajos regionais a beleza desta possível e urgente realização. As despesas a que obriga são fartamente compensadas pelas receitas que dela hão-de provir para a economia nacional e para melhoria de vida da gente alegre de Viana e da Ribeira Lima.

Que por esta obra tão necessária possam o estrangeiro ou o português que visitam a cidade de Viana ou ali vão pelas festas da Agonia, ao ouvir os cantares das raparigas e ao apreciar as danças regionais, dizer com toda a verdade: «Sente-se que esta gente é mais feliz e canta com mais vivacidade e alegria porque vive no Portugal renovado de Salazar».

Tenho dito.”