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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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JORNALISTA IDALINA CASAL LEMBRA NO JORNAL “ALTO MINHO” TRAGÉDIA DOS FOGOS OCORRIDA NO ANO PASSADO NA CABRAÇÃO

No ano passado, a Freguesia da Cabração, em Ponte de Lima, foi violentamente assolada por enormes fogos que devoraram quase toda a sua floresta e atingiram algumas casas de habitação e barracões agrícolas.

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Nessa ocasião, a jornalista Idalina Casal, do Jornal de Notícias, encontrava-se em serviço de reportagem no local. Seguiu para o Lugar da Escusa onde lavrava a frente de fogo e acabou ela própria cercada pelas chamas.

Na edição de ontem do jornal “Alto Minho”, mais concretamente na coluna de opinião que dá pelo nome “chá das três”, a jornalista publicou um artigo de opinião onde procura fazer o “mea culpa” mas cujo conteúdo possui uma actualidade incrível e merece uma leitura atenta. Não resistimos em publicar o recorte do artigo!

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JUNTA DE FREGUESIA DE CABRAÇÃO E MOREIRA DO LIMA SONEGA INFORMAÇÃO A MEMBROS DA ASSEMBLEIA DE FREGUESIA

Alguns membros da Assembleia de Freguesia de Cabração e Moreira do Lima solicitaram no passado dia 14 de Abril, ao respectivo Presidente da Junta de Freguesia, a consulta de “todos os documentos contabilísticos de despesa e receita referentes à gestão de 2016” e alguns anos anteriores.

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Não obstante os actos administrativos serem considerados actos públicos e os pedidos possuírem um prazo de satisfação legalmente instituído, aqueles autarcas não viram até ao momento o seu pedido satisfeito por razão inexplicável. A democracia e a administração pública possuem normas de funcionamento estabelecidas. E, quem não deve não teme!

PONTE DE LIMA: CABRAÇÃO RECLAMA RESTAURAÇÃO DA FREGUESIA

Mais de dois terços dos cidadãos inscritos nos cadernos eleitorais da extinta Freguesia de Cabração e ainda outros moradores e proprietários na mesma localidade subscreveram um abaixo-assinado reclamando a restauração da Freguesia da Cabração, no concelho de Ponte de Lima.

Este abaixo-assinado foi entregue ao Presidente da Assembleia da república, com pedido de distribuição a todos os grupos parlamentares, devendo seguidamente ser enviada cópia ao Primeiro-ministro, Dr. António Costa. Entretanto, os promotores da iniciativa esperam em breve reunir com as organizações locais de todos os partidos políticos com assento na Assembleia da República, não excluindo a possibilidade de virem a recorrer a instâncias superiores para fazerem valer os direitos dos habitantes da extinta Freguesia da Cabração.

De referir que, aquando da chamada “Reorganização Administrativa Territorial Autárquica”, os moradores da Freguesia da Cabração jamais foram consultados acerca da decisão de agregação à vizinha freguesia de Moreira do Lima, tendo a decisão lhes sido imposta de forma prepotente e antidemocrática, apesar da sua autonomia remontar aos começos da própria nacionalidade ou seja, com seculares raízes históricas.

As gentes da Cabração não se conformam e têm ao longo dos últimos anos vindo a manifestar o seu descontentamento através das mais variadas formas, mas sempre de uma forma civilizada, na expectativa de que as suas justas reclamações sejam favoravelmente atendidas por quem de direito e venham a obter a solidariedade nomeadamente do próprio município pontelimense. De nada valerá governar contra a vontade dos cidadãos como sucede em relação aos moradores da Cabração que desejam ver os seus órgãos autárquicos restaurados!

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PONTE DE LIMA: CONSELHO DIRECTIVO DOS BALDIOS DE SANTA MARIA DA CABRAÇÃO APRESENTA CANDIDATURA AO PDR2020

O Conselho Diretivo dos Baldios de Santa Maria da Cabração, no concelho de Ponte de Lima, acaba de apresentar uma candidatura ao PDR2020 ação 8.1.4 com vista à recuperação de infraestruturas afectadas com os recentes incêndios florestais, prevenção da contaminação e assoreamento das linhas de água e diminuição da perda de biodiversidade.

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Caros amigos:

Como é sabido, o incêndio do dia 08/08/2016 destruiu todo o baldio, foi a maravilhosa floresta, restaram as cinzas, um enorme prejuízo patrimonial ambiental e ecológico.

O Conselho Diretivo, não se rende a um ato covarde e criminoso, nem baixa os braços.

É tempo de meter mãos a obra e reconstruir tudo, mas faze-lo, não só para recuperar o baldio da Cabração, a nossa floresta, paisagem e ambiente, mas também de forma, a que no futuro não fiquemos expostos a bandidos sem escrúpulos e que se perca tudo outra vez.

Todos temos essa obrigação perante os nossos ante passados mas sobretudo pelas próximas gerações

Por isso metemos mãos a obra, aproveitamos a oportunidade, e após vários dias de intenso trabalho, reuniões e burocracias e para cumprir os prazos muito curtos, apresentamos candidaturas ao PDR2020 ação 8.1.4.

Sem a colaboração de pessoas com alta capacidade profissional e dedicação seria tudo mais complicado ou mesmo impossível.

Por isso agradecemos o trabalho de todos os que estiveram connosco em particular da Sra. Engenheira Elisabete Abreu, da AFL, e Sr. Engenheiro Ivo Gomes do ICNF

Este é o primeiro passo de um longo caminho cheio de dificuldades que não será fácil, exigira muito de nos, do nosso tempo e ate da nossa família e de todos os verdadeiros amigos da Cabraçao

Temos pela frente um enorme desafio, mas estamos certos que com toda a comunidade da Cabração unida, com apoio dos nossos amigos vamos conseguir.

Depois do pesadelo do fogo resta-nos sonhar em ter de novo um baldio que nos orgulhava, uma floresta como sempre tive, um ambiente natural e uma paisagem verde deslumbrante

Deus quer o homem sonha e obra nasce!

O Conselho Directivo

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PONTE DE LIMA: BENS CULTURAIS DA CABRAÇÃO FORAM ARROLADOS APÓS A IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA

Em 4 de Outubro de 1911, precisamente um ano após a implantação do regime republicano em Portugal, a então criada Comissão Jurisdicional dos Bens Culturais procedeu ao arrolamento dos bens cultuais situados na freguesia de Cabração, concelho de Ponte de Lima, constando de Igreja Paroquial de Cabração.

A Junta de Paróquia de Cabração reclamou do arrolamento que considerou indevido, de 11 inscrições do valor nominal de 100$00 cada, bem como títulos particulares no valor de 131$50.

O processo encontra-se no Arquivo Contemporâneo do Ministério das Finanças.

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PONTE DE LIMA EVOCA ALVES DOS SANTOS

Município de Ponte de Lima assinala os 150 anos de nascimento de Alves dos Santos

O Município de Ponte de Lima vai assinalar o 150.º aniversário de nascimento de Augusto Joaquim Alves dos Santos (1866-2016) – personalidade limiana notabilizada nas áreas da Educação e da Psicologia – com um destaque biobibliográfico patente na Sala de Adultos da Biblioteca Municipal de Ponte de Lima (BMPL), de 14 a 31 de Outubro.

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Uma oportunidade para descobrir a vida e a obra de uma figura menos conhecida do grande público, mas que se destacou em diferentes esferas de atuação. Alves dos Santos foi precursor da Pedologia em Portugal, criou o primeiro laboratório nacional de Psicologia, em Coimbra, exerceu vários cargos políticos de notoriedade e chegou a Ministro do Trabalho na Primeira República.

Além de dois painéis biográficos e da disponibilização para consulta de documentos de e sobre Alves dos Santos, a BMPL facultará um folheto com o essencial do tributo.

Associe-se à homenagem a Augusto Joaquim Alves dos Santos, cujo currículo eclético enobrece o legado cultural de Ponte de Lima, e visite a Biblioteca Municipal.

MUNICÍPIO DE PONTE DE LIMA COBRA CONSUMO DE ÁGUA PERTENCENTE AO BALDIO NA CABRAÇÃO

A água de consumo doméstico na Cabração é proveniente nas nascentes existentes na área de baldio ou seja, propriedade comunitária das gentes locais. A sua prospeção e distribuição para as habitações começou a ser feita sobretudo a partir da década de 80 do século passado, incluindo a construção de depósitos. Os trabalhos efetuados foram pagos com os rendimentos provenientes do baldio ou seja, sem qualquer investimento por parte da Câmara Municipal de Ponte de Lima.

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Entretanto, há alguns anos, o município decidiu construir a sua própria rede a partir das nascentes existentes no baldio e colocar contadores para registar e cobrar o consumo doméstico de água.

No mês passado, em consequência dos incêndios florestais ali registados, registou-se um elevado consumo de água uma vez que a população recorreu a todos os meios para combater o fogo que ameaçou a localidade ao ponto de destruir várias habitações. Não obstante as circunstâncias no qual o consumo foi feito, os serviços camarários insistem em cobrar aquilo que não lhes pertence ou seja, a água das nascentes locais empregue no combate ao sinistro!

Um grupo de moradores da União de Freguesias de Cabração e Moreira do Lima solicitou à Câmara Municipal que “fosse levado em consideração o elevado consumo de água” derivado do combate aos incêndios feito pela população local. Mas, o pedido dos habitantes foi indeferido a pretexto de que “a República obriga em caso de extrema necessidade a participação de terceiros”. Resta saber se, o incêndio florestal que atingiu várias habitações na Cabração não constitui um “caso de extrema necessidade” e ainda, com que legitimidade o município de Ponte de Lima cobra aquilo que não lhe pertence?

ATENTADO AMBIENTAL: EMPRESA PARTICULAR DESPEJA LIXOS TÓXICOS NOS BALDIOS DA CABRAÇÃO, EM PONTE DE LIMA

Uma empresa particular tem vindo a proceder a despejos de amianto e outros lixos tóxicos á mistura com produtos de compostagem em terrenos baldios da freguesia de Cabração, no concelho de Ponte de Lima. Já foi participada a ocorrência à GNR no passado dia 3 de agosto e aguarda-se que sejam tomadas as providências necessárias com vista à identificação e responsabilização dos seus autores.

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Os lixos têm vindo a ser lançados junto à estrada que liga ao lugar da Escusa e incluem fragmentos de amianto de grandes dimensões, material considerado altamente cancerígena.

A Comissão de Baldios da Freguesia da Cabração procedeu ao aluguer de uma área de baldio a uma empresa que não respeitou as condições do contrato efetuado, passando a utilizar o local para a descarga indevida de lixos de toda a espécie, o que constitui um grave atentado à saúde pública e ao ambiente. A população local está alarmada perante a situação e receia que venha em breve, com a época das chuvas, a ocorrer em breve a destruição dos solos agrícolas através da contaminação dos lençóis freáticos.

Conforme se pode ver nas imagens, a situação apresenta um estado de tal gravidade que requer a intervenção urgente das autoridades.

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PONTE DE LIMA: MORADORES DA CABRAÇÃO ESTÃO CADA VEZ MAIS DESCONTENTES COM A FUSÃO DAS FREGUESIAS DE CABRAÇÃO E MOREIRA DO LIMA

A fusão das freguesias de Cabração e Moreira do Lima nunca foi vista com agrado por parte dos habitantes da Cabração que viam nesse processo um expediente para a utilização nomeadamente dos seus recursos florestais provenientes dos baldios para cobrir situações deficitárias da autarquia vizinha.

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Entretanto, a recente condenação dos autarcas da Junta de Freguesia de Cabração e Moreira do Lima por meio de sentença transitada em julgado, divulgada inclusivamente na imprensa regional, veio agravar o mal-estar que já vinha existindo. Trata-se da Sentença n.º 25/2015 do Proc. n.º 21/2015 — PAM, publicada em Diário da República, 2ª Série, nº. 54, de 27 de Março de 2016, a qual pode ser consultada em https://dre.pt/application/file/73894565.

Conforme se pode ler da referida sentença, “1 Nos presentes autos estão Sérgio Alcides Trigueiro de Castro Fernandes, Manuel Matos Lima e José Fernandes Leones, respetivamente, presidente, secretário e tesoureiro da junta de freguesia de Cabração e Moreira do Lima — Ponte de Lima, indiciados pela prática de factos que preenchem uma infração processual financeira, prevista na alínea a) do n.º 1 do artigo 66.º da LOPTC (1) (na nova redação dada pela Lei n.º 20/2015, de 9 de março), traduzida na «remessa intempestiva e injustificada das contas ao Tribunal», resultando em síntese o seguinte:

1.1 — Não obstante tivesse sido enviado em abril de 2015 ofício circular, acompanhado do Despacho n.º 3/2015 -EC (2) proferido pelo Juiz Conselheiro da Área, ao presidente do órgão executivo, as contas de gerência de 2014 da junta de freguesia de Cabração e Moreira do Lima — Ponte de Lima, não deram entrada no Tribunal, dentro do prazo legalmente estabelecido.”

As gentes da Cabração são gente séria e não mereciam ver o nome da sua freguesia arrastado na lama sob a acusação de “infração processual financeira”. E, como é costume dizer-se, antes só do que mal acompanhado…

A fusão entre as freguesias de Cabração e Moreira do Lima jamais constituiu um enlace feliz pelo que, na revisão que se prepara da Reforma Administrativa Territorial Autárquica, o bom senso recomenda o regresso à situação anterior, restituindo a cada uma delas a sua autonomia administrativa independente uma da outra, constituindo tal medida uma garantia de bom relacionamento e vizinhança entre os povos.

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ALVES DOS SANTOS: UM LIMIANO QUE FOI UM DOS MAIORES PEDAGOGOS DO SÉCULO XX

Figura controversa, padre apóstata, monárquico convertido ao republicanismo, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. É apontado como o principal autor da reforma do ensino primário de 1911. Pioneiro em Portugal da Psicologia Experimental, criou o primeiro laboratório nesta área. Conhecia em profundidade os principais psicólogos europeus do seu tempo, tendo privado com Henri Piéron (colaborador de Binet), cursou no Instituto Jean-Jacques Rosseau, em Genebra, com Edouard Claparède e Paul Godin.

As suas ideias pedagógicas assentavam num pressuposto, comum a todo o republicanismo, a educação o principal factor de regeneração do país. Figura controversa, padre apóstata, monárquico convertido ao republicanismo, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

É apontado como o principal autor da reforma do ensino primário de 1911. Pioneiro em Portugal da Psicologia Experimental, criou o primeiro laboratório nesta área. Conhecia em profundidade os principais psicólogos europeus do seu tempo, tendo privado com Henri Piéron (colaborador de Binet), cursou no Instituto Jean-Jacques Rosseau, em Genebra, com Edouard Claparède e Paul Godin.

As suas ideias pedagógicas assentavam num pressuposto, comum a todo o republicanismo, a educação o principal factor de regeneração do país.

Obras sobre o ensino e pedagogia: Estatística Geral da Circunscrição de Coimbra relativa ao ano de 1903-1904(1906); A nossa escola primária (o que tem sido, o que deve ser), (1910); O Ensino primário em Portugal nas suas relações com a história geral da nação (1913); Para a história do ensino público em Portugal( um documento importante), artigo (1916); O "crescimento"da criança portuguesa. Subsídios para a constituição duma pedologia nacional (1917); Educação Nova - As bases. O corpo da criança (1919); Assistência às crianças normais, de ambos os sexos, desde os 7 aos 18 anos, em perigo moral, artigo (1919-1921); Um Plano de Reorganização do Ensino Público- Projecto Lei (1921); Laboratório de Psicologia Experimental, artigo (1922-1925); A Medida em Psicologia, artigo (1922-1925); Psicologia Experimental e Pedagogia ( Trabalhos, observações e experiências realizadas no Laboratório) (1923).

Obras sobre Alves dos Santos: Álvaro Garrido, A Utopia pedagógica de Alves dos Santos (lente republicano: 1866-1924), (1998)

Fonte: http://www.filorbis.pt/educar/pedagogos.htm

UNIVERSIDADE DE COIMBRA PRETENDE ASSOCIAR-SE A HOMENAGEM AO DR. ALVES DOS SANTOS

O BLOGUE DO MINHO solicitou ao Diretor da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra a informação possível acerca da eventual realização de qualquer iniciativa de evocação por parte daquela entidade em relação ao Dr. Augusto Joaquim Alves dos Santos. Como resposta e de acordo com a mensagem que a seguir se transcreve, recebida há instantes, a Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra terá o maior gosto em associar-se a uma eventual iniciativa de homenagem ao ilustre limiano que foi Alves dos Santos.

Exmº Sr

Dr Carlos Gomes

Agradecendo muito o seu contacto, venho informar que, não estando nos nossos planos, de momento, tomar nenhuma iniciativas próprias, teremos, no entanto, o maior gosto em associarmo-nos a qualquer ação que venha ser empreendida com o objetivo de lembrar a figura insigne do Doutor Augusto Joaquim Alves dos Santos.

Ficando ao dispor de V. Exª para o mais que entender necessário, cumprimenta

muito grata e respeitosamente

o

  1. Bernardes (Diretor da Biblioteca Geral da Universidade)

SENADO DA REPÚBLICA PRESTOU TRIBUTO DE HOMENAGEM A ALVES DOS SANTOS

O Senado da República, reunido em 18 de janeiro de 1924, prestou o devido tributo de homenagem a Augusto Joaquim Alves dos Santos. Presidiu à sessão António Xavier Correia Barreto, secretariado pelo ilustre caminhense Luís Inocêncio Ramos Pereira e ainda por António Gomes de Sousa Varela. Transcrevemos do respetivo “Diário do Senado” a parte respeitante à homenagem realizada, bem assim a lista de presenças.

Sumário. — - Verificando-se a presença de 20 Srs Senadores, foi aberta a sessão.

Leu-se a acta, que foi aprovada, e deu-se conta do expediente.

Leu-se a acta, que foi aprovada, e deu-se conta do expediente.

Antes da ordem do dia.— O Sr. Presidente propôs que na acta te exarasse um voto de pesar pelo falecimento dos Srs. Drs. José de Pádua e Alves dos Santos, a que se associaram todos os lados da Câmara,

O Sr. Pereira Osório refere-se ao facto de as sessões não abrirem à hora regimental, dando o Sr. Presidente cabais explicações.

O Sr. Júlio Ribeiro apresentou e justificou um projecto de lei alusivo à compra e venda de cambiais.

O Sr. Alfredo Portugal discorda da interpretação que se dá ao artigo 32." da Constituição em vista do oficio recebido da Câmara dos Deputados por motivo da promulgação de leis.

O Sr. Ribeiro de Melo protesta contra o desconto feito nas colónias pelo Danço Nacional Ultramarino nas notas de 100 escudos, e apresenta um projecto anulando os concursos do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Responde o Sr. Ministro das Colónias (Mariano Martins).

O Sr. Aragão e Brito alude à elevação do preço das libras e apresenta um projecto de lei (preenchimento pelos propostos das vagas de tesoureiros interinos da Fazenda Pública).

Ordem do dia.— Continua a discussão do debate político.

Falam os Srs. José Pontes, Querubim Guimarães e Presidente do Ministério e Ministro das Finanças (Álvaro de Castro}.

A requerimento do Sr. Ernesto Navarro havia sido prorrogada a sessão até concluir o debate político.

Antes de se encerrar a sessão.— O Sr, Ministro das Colónias (Mariano Martins mandou para a Mesa uma proposta de nomeação do Governador da provinda da Guiné (Velez Caroço).

Abertura da sessão, às l5 horas e 30 minutos.

Presentes à chamada 31 Srs. Senadores.

Entraram durante a sessão 19 Srs. Se-Dadores.

Srs. Senadores presentes à chamada:

Abílio do Lobão Soeiro.

Afonso Henriques do Prado Castro

Alfredo Narciso Marcai Martins Portugal;

Álvaro António do Bulhão Pato.

António da Costa Godinho do Amaral.

António Gomes do Sousa Varela

António Maria da Silva Barroto

Artur Augusto da Costa.

Artur Octávio do Rego Chagas.

Augusto Casimiro Alves Monteiro.

Augusto César do Almeida Vasconcelos Correia.

César Justino do Lima Alves.

Constantino José dos Santos.

Duarte Clodomir Patten do Sá Viana.

Ernesto Júlio Navarro.

Francisco José Pereira.

Herculano Jorge Galhardo.

Joaquim Manuel dos Santos Garcia.

Joaquim Pereira Gil de Matos.

Joaquim Xavier do Figueiredo Oriol Pena.

Jorge Frederico -Velez Caroço.

José Augusto Ribeiro de Melo

José Duarte Dias de Andrade.

José Joaquim Pereira Osório.

José Machado Serpa.

José Mendes dos Reis

José Nepomuceno Fernandes Brás.

Júlio Augusto Ribeiro da Silva.

Luís Inocêncio Ramos Pereira.

Pedro Virgolino Ferraz Chaves.

Rodolfo Xavier da Silva.

Srs. Senadores que entraram durante a sessão:

Aníbal Augusto Ramos de Miranda.

António Alves de Oliveira Júnior.

António Xavier Correia Barreto.

Elísio Pinto de Almeida e Castro.

Francisco de Sales Ramos da Costa.

Frederico António Ferreira de Simas.

João Carlos da Costa.

Joaquim Crisóstomo da Silveira Júnior.

José Joaquim Fernandes Pontes.

Júlio Ernesto de Lima Duque.

Luís Augusto de Aragão e Brito.

Nicolau Mesquita.

Querubim da Rocha Vale Guimarães.

Raimundo Enes Meira.

Ricardo Pais Gomes.

Roberto da Cunha Baptista.

Rodrigo Guerra Alvares Cabral.

Silvestre Falcão.

Tomás de Almeida Manuel de Vilhena (D.).

Sr a. Senadores que não compareceram à sessão:

António de Medeiros Franco.

Augusto de Vera Cruz.

César Procópio de Freitas.

Francisco António de Paula.

Francisco Vicente Ramos.

Francisco Xavier Anacleto da Silva.

João Alpoim Borges do Canto.

João Catanho de Meneses.

João Manuel Pessanha Vaz das Neves.

João Maria da Cunha Barbosa.

João Trigo Motinho.

Joaquim Teixeira da Silva.

José António da Costa Júnior.

José Augusto de Sequeira.

José Joaquim Fernandes de Almeida.

Luís Augusto Simões de Almeida.

Manuel Gaspar de Lemos.

Vasco Crispiniano da Silva.

Vasco Gonçalves Marques.

Vítor Hugo do Azevedo Coutinho.

Pelas l5 horas e 30 minutos, o Sr. Presidente manda proceder a chamada. Fez-se a chamada.

O Sr. Presidente:— Estão presentes 30 Srs. Senadores. Está aberta a sessão. Vai ler-se a acta. Leu-se. Pausa,

O Sr. Presidente: — Como nenhum Sr. Senador pede a palavra considero a acta aprovada.

Vai ler-se o Expediente

(…)

Antes da ordem do dia

O Sr. Presidente: — Acabam de falecer dois ilustres cidadãos que prestaram relevantes serviços à Pátria, um deles o Sr. Dr. José de Pádua, médico distintíssimo, ex-Deputado da Nação e antigo Senador, o outro o Sr. Alves dos Santos, Deputado da Nação e professor também muito distinto da Universidade de Coimbra.

Proponho que na acta se lavre una voto de sentimento pela perda destes ilustres homens de sciência e que se comunique às famílias a deliberação da Câmara.

O Sr. Pereira Osório: — Sr. Presidente: pedi a palavra para em nome deste lado da Câmara me associar ao voto de sentimento proposto por V. Ex.a pelo falecimento de dois parlamentares, os quais •eram figuras de destaque no mundo da sciência e das letras.

Refiro-me especialmente ao Sr. Dr. José de Pádua, deixando para o meu colega desta Câmara o Sr. Pereira Gil, visto ter-mo feito essa solicitação, o referir-se mais pormenorizadamente ao Sr. Dr. Alves dos Santos.

No que respeita ao Sr. Dr. José de Pádua, habituei-me desde muito novo, desde o início das lutas de propaganda, a respeitá-lo como um sincero republicano, como um médico distintíssimo, e ainda como um grande artista e compositor musical, que procurava na cultura da música suavizar as agruras da sua vida de incessante estudo e trabalho.

Também não deixarei de lembrar o alto papel que, como oficial miliciano, prestou na organização do corpo expedicionário para a Grande Guerra, na parte referente á assistência médica e serviços de saúde.

Não esquecerei jamais o carinho e proficiência com que tratou do meu filho numa doença grave, e bastava esta circunstância para me sentir verdadeiramente compungido quando, ao chegar à Câmara, me comunicaram a notícia do seu falecimento, pois até ignorava que ele se encontrasse doçnte.

Associo-me, por isso, e comovidamente ao voto de sentimento proposto por V. Ex.a

O Sr. Pereira Gil: — Sr. Presidente: representando o círculo de Coimbra, não posso deixar de me associar ao voto proposto por V. Ex.a pelo falecimento do ilustre professor Dr. Alves dos Santos.

S. Exa foi Deputado, foi Ministro.

Tornou-se distinto como professor da Universidade, sobretudo no ramo da puericultura, porque ele dedicava todos os seus esforços e toda a sua inteligência ao "bem das crianças.

Prestou relevantes serviços à cidade de Coimbra, sondo por várias vezes presidente do Município daquela cidade, Município esse de tão gloriosas tradições, sobretudo desde que o Dr. Marnoco e Sousa por lá passou.

Em Coimbra, a sua falta faz-se sentir em todas as classes, principalmente na Universidade e no Município.

Como representante de Coimbra nesta casa do Parlamento, não podia deixar de me associar ao voto de sentimento proposto por V. Ex.a

O orador não reviu.

O Sr. Dias de Andrade: — Sr. Presidente: é para me associar ao voto do sentimento proposto por V. Ex.a

O Sr. Augusto de Vasconcelos: — Sr. Presidente: é hoje verdadeiramente um dia do luto para o Parlamento e para o País.

Temos de registar a morte do duas eminentes personalidades, de dois prestantes cidadãos, e Portugal não está tam rico em cidadãos ilustres, que não sinta profundamente dois deles desaparecerem do número dos vivos, deixando de prestar à Nação os altos serviços, que lhe prestaram em vida.

O Sr. Dr. José de Pádua foi um republicano de todos os tempos. Médico e artista notável, afirmou-se nesta casa do Parlamento notavelmente pela forma como estudava e tratava as questões, sobretudo aquelas que se prendiam a higiene e a evolução da sociedade.

Foi portanto um ornamento do Parlamento que desapareceu novo, quando ainda havia muito a esperar do seu trabalho, da sua inteligência e virtudes de cidadão.

Sinto profundamente a sua perda, quer corno seu correligionário, embora ele não estivesse ultimamente na actividade política, quer como cidadão, por ver desaparecer um ornamento ilustre da sociedade.

O Sr. Dr. Alves dos Santos era um correligionário meu, era um professor distintíssimo, um orador brilha ate. e foi um estadista que deixou assinalada a sua passagem pela pasta do Trabalho em factos que demonstram o que havia a esporar da sua acção, se nela se tivesse demorado.

Aceitou fazer parte de um Governo em condições críticas e graves da sociedade portuguesa e, nessa ocasião, todos aqueles que se sacrificaram em tomar conta do Poder deram provas de coragem a que não podemos deixar de prestar elogio.

Associo-me aos votos propostos por V. Ex.a, na certeza do que a sociedade portuguesa perdeu hoje dois homens ilustres.

O Sr, Mendes dos Reis: — Sr. Presidente: é para me associar aos votos de sentimento propostos por V. Ex.a, o ao aditamento proposto pelo Sr. Pereira Osório.

O elogio de qualquer dos ilustres extintos já foi feito pelos Srs. Pereira Osório o Augusto de Vasconcelos, limitando-me eu a fazer minhas as palavras de S. Ex.as

O Sr. Querubim Guimarães: *— Sr. Presidente: pedi a palavra para, em nome da minoria monárquica, me associar aos votos de sentimento propostos por V. Ex.a

O Sr. José de Pádua não o conheço senão através dos jornais, com todas as referências agradáveis ao seu nome e para o seu espírito. Sei que foi uma pessoa que marcou no seu tempo e neste país.

No tocante ao Sr. Alves dos santos, foi meu contemporâneo em Coimbra, foi um professor distinto, e seguiu orientação diversa da minha em política, embora noutros tempos partilhasse das minhas ideias.

Daqui lhe tributo as homenagens do meu respeito e da minha muita consideração.

O Sr. Presidente: — Em vista da manifestação de todos os lados da Câmara considero aprovados os votos de sentimento propostos.

ALVES DOS SANTOS E OS “ESTUDOS DE MEMÓRIA HUMANA NA DÉCADA DE 1920 NA UNIVERSIDADE DE COIMBRA”

Em 1993, o Professor Dr. Amâncio da Costa Primo publicou na revista científica “Psychologica” um artigo intitulado “Estudos de memória Humana na Década de 1920 na Universidade de Coimbra”. Este artigo debruça-se nomeadamente sobre a obra “Psicologia Experimental e Pedologia”, da autoria de Augusto Joaquim Alves dos Santos. Para melhor se conhecer a obra neste domínio do Dr Alves dos Santos, transcreve-se com a devida vénia o referido artigo que se encontra no Repositório Aberto da Universidade do Porto.

ALVES DOS SANTOS: UM RAMO DA FAMÍLIA SANTOS EMIGROU PARA O BRASIL

Como já foi referido, o Dr. Alves dos Santos faleceu sem deixar descendentes. Os seus familiares mais próximos pelo lado materno são oriundos da freguesia de São João da Ribeira cujo estudo genealógico ainda não efetuámos e, pelo lado paterno, provenientes da freguesia da Cabração da qual ele próprio era natural. Não se conhecendo irmãos, possuía nesta freguesia quatro primos em primeiro grau – José Rodrigues dos Santos, Narcizo Rodrigues dos Santos, Maria Joaquina dos Santos e Aires Libório dos Santos – sendo que os dois primeiros emigraram para o Brasil. De José Rodrigues dos Santos não existe notícia enquanto Narcizo Rodrigues dos Santos veio a fixar-se em Ribeirão Preto, no Estado de São Paulo, deixando bastante descendência.

ALVES DOS SANTOS: FAMÍLIA SANTOS ORIGINÁRIA DE CABRAÇÃO, CONCELHO DE PONTE DE LIMA

Esta listagem genealógica data de 1998, pelo que a informação não se encontra atualizada.

Ancestrais de Alves dos Santos

- João Rodrigues dos Santos. Natural de Cabração, concelho de Ponte de Lima. Casou com Maria Affonso, natural de Cabração;

- António José Rodrigues dos Santos. Natural de Cabração, concelho de Ponte de Lima. Casou com Anna Joaquina Dantas, natural de Cabração;

- Manoel Joaquim Rodrigues dos Santos. Nasceu na freguesia de Cabração em 15 de agosto de 1830. Casou com Anna Maria Alves Soares, natural de São João da Ribeira, concelho de Ponte de Lima;

- Augusto Joaquim Alves dos Santos. Nasceu na freguesia de Cabração em 14 de outubro de 1886. Casou com Maria Adélia de Oliveira, natural do Porto. Faleceu em Coimbra em 17 de janeiro de 1924. Não deixou descendentes.

Família Santos, oriunda da Freguesia da Cabração, concelho de Ponte de Lima

ALVES DOS SANTOS: ASSENTO DE BATISMO DE SEU PAI MANOEL JOAQUIM RODRIGUES DOS SANTOS

Transcreve-se o assento paroquial de batismo de Manoel Joaquim Rodrigues dos Santos, pai de Augusto Joaquim Alves dos Santos, também ele natural da Freguesia de Cabração, concelho de Ponte de Lima, cuja imagem junto se reproduz.

“Manoel Joaquim filho legitimo de Antonio Jose Rodriguez dos Sanctos, e de Anna Joaquina Dantas do Lugar da Egreja desta freguesia de Santa Maria da Cabração julgado de Ponte de Lima; nasceo no dia quinze de Agosto de mil oito centos trinta, e nove, foi baptizado solenemente na pia Baptismal desta Igreja, com imposição dos sanctos oleos, no dia dezoito do ditto mês, por mim padre Joao Antonio Pereira de Amorim Paroco desta Igreja. Forao padrinhos, Joao Antonio Rodrigues, solteiro (…) Maria Joanna Rodrigues solteira ambos (…) e do mesmo Baptizado. Nepto Paterno de Joao Rodrigues dos Sanctos, e de Maria Affonso do Lugar da Igreja desta mesma (…) materno do Padre Manoel Jose de (…), e de Rosa Maria de Antas solteira, ambos da freguesia da Labruje, Lugar do Socorro. Pª constar fiz este assento que assino: era dia mês comes est. Supra.

O Paroco Joao Antº Perª de Amorim Vigº”

(Arquivo Distrital de Viana do castelo. Fundo paroquial de Ponte de Lima – Cabração. Livro de baptismos. Nº. do livro: 2 Fls 4 Cota 3.13.1.31)

CÂMARA MUNICIPAL DE COIMBRA INFORMA SOBRE ALVES DOS SANTOS

A fim de envolver a Casa do Concelho de Ponte de Lima num projeto de interesse cultural, o autor destas linhas efetuou quase desde o início alguns pedidos de informação em nome daquela Instituição regionalista, razão pela qual algumas entidades respondem-lhe diretamente. É o caso da Câmara Municipal de Coimbra que presta algumas informações acerca de Augusto Joaquim Alves dos Santos, através do ofício que junto se reproduz.

QUANDO VAI PONTE DE LIMA HOMENAGEAR ALVES DOS SANTOS?

Em resposta a uma sugestão apresentada em 1993, pelo autor destas linhas, no sentido de ser organizada uma homenagem ao Dr Alves dos Santos, a Câmara Municipal de Ponte de Lima, então presidida pelo sr. Fernando Calheiros de Barros, sugeriu por unanimidade a sua realização por ocasião dos 75 anos do seu falecimento ou seja, em 1999. Não tendo a mesma sido então realizada, julgamos ser o 150º aniversário da data do seu nascimento a efeméride adequada para lembrar este grande vulto limiano. Aqui ficam as cópias da correspondência então trocada com a autarquia limiana.

ALVES DOS SANTOS VISTO PELO HISTORIADOR LIMIANO LUÍS DANTAS

O historiador limiano Luís Dantas publicou em 17 de março de 2010, no seu blogue pessoal, um artigo dedicado a Alves dos Santos, o qual a seguir se transcreve.

O Ministro do Trabalho Alves dos Santos numa visita à oficina de torneiro em madeira do Asilo Maria Pia. Ilustração Portuguesa n.º 832, 28 de Janeiro de 1922

AUGUSTO JOAQUIM ALVES DOS SANTOS

Augusto Joaquim Alves dos Santos nasceu na freguesia da Cabração, Ponte de Lima, em 14 de Outubro de 1866. Estudou no Seminário de Braga e na Universidade de Coimbra. Foi ordenado sacerdote, mas consagrou a sua vida à docência na Escola Normal Superior e nas Faculdades de Teologia e Letras (cadeira de Filosofia) em Coimbra. Defendeu sempre a causa da instrução pública. «Pela palavra e pela pena», disse ele «tenho pugnado sempre pela efectivação de tudo quanto seja tendente a pôr-nos em equação com os povos civilizados e com o progresso do mundo...

Nos congressos, nas academias, nas aulas, e nas conferências públicas, por toda a parte, enfim, não tenho feito outra coisa.» (1) Em 1912 partiu para o estrangeiro (França, Bélgica e Suíça) como representante da Faculdade de Letras para estudar psicologia. Frequentou, durante um semestre, os cursos de Édouard Claparède (2) na Universidade de Genebra. Foi Inspector da Segunda Circunscrição Escolar do Reino (1906), Director do Laboratório de Psicologia da Faculdade de Letras (1913) e da Biblioteca da Universidade, Presidente da Câmara Municipal, Deputado pelo círculo n.º 19 (Coimbra) em 1919 e Presidente da Assembleia. Esteve nas Comissões de Verificação de PoderesRegimentoInstrução Superior e EspecialEclesiásticos.

A sua actividade parlamentar foi laboriosa, enérgica, crítica e, por vezes, arrebatada. Tinha o dom da palavra, das palavras vivas, fulgurantes de saber e de espírito. Num discurso assombroso, que se prolongou por várias sessões, ergueu a voz contra a deliberação do Governo da República desintegrar e transferir para o Porto a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Travou-se ali o maior duelo parlamentar da IV Legislatura (1919-1921) entre duas figuras eminentes da cultura portuguesa: Leonardo Coimbra, Ministro da Instrução, e Alves dos Santos. Depois de muitas horas de discussão, de troca de argumentos, de mil e um apartes, Ladislau Batalha, apoiado no seu cajado chocarreiro, com a flor do socialismo radical na lapela, ergueu-se da sua bancada para resumir assim a questão: «Eu não sou catedrático nem universitário. Tenho, apenas, para entrar nesta questão a seguinte bagagem: uma existência inteira preocupada com a vida pedagógica e duas vezes a volta ao mundo, sempre com a preocupação da instrução.

Trata-se duma questão que, para nós, tem duas importâncias grandes, imensas. Temos de nos decidir sobre o acto praticado pelo Sr. Leonardo Coimbra; esta Câmara tem de decidir se quer ou não a Faculdade de Letras em Coimbra e se quer ou não que se mantenha a Faculdade de Letras no Porto. (...)

O discurso que sob o título de interpelação o Sr. Dr. Alves dos Santos aqui pronunciou, impressionou-me por aquela estatura respeitável, alta, com a sua calva rodeada de cabelos brancos, merecendo a consideração devida a um erudito. Mas deu-me também a impressão de um sábio do século XVI que tirou as sandálias e as meias de seda para vestir uma sobrecasaca moderna e pôr um chapéu de coco.

  1. Exa. fez esforços para se modernizar, mas S. Exa. é antigo como a Universidade de que é lente.

Pretende S. Exa. actualizar as universidades e isso acho bem, mas há que distinguir muito a sério no sentido moderno desta expressão universidades que já não corresponde ao fim para que elas foram criadas nos séculos XIII, XIV e XV.

O Sr. Dr. António José de Almeida e os seus colegas do Governo reformaram os serviços e as instituições universitárias e a sua obra foi moderna, mas a Universidade de Coimbra continuou no seu castelo de marfim, nada se parecendo com as modernamente criadas. (Apoiados).» (3)

Alves dos Santos foi Ministro do trabalho (16 de Dezembro de 1921 a 6 de Fevereiro de 1922) e Autor de várias obras: O problema da origem da família e do património em face da Bíblia e da sociologia (1901); Elogio fúnebre do conselheiro António Maria Pereira Carrilho proferido nas exéquias (1903); Teologia moral segundo o pensamento e orientação de Santo Affonso Maria de Ligorio compendiada pelo cónego Del Vecchio da Sé de Novara / Pedro Scavini (1905-1907); Elogio fúnebre do Conselheiro de Estado, Ernesto Rodolpho Hintze Ribeiro, proferido nas exéquias (1907); Estatística geral da circunscrição escolar de Coimbra relativa ao ano de 1903-1904 (1906); Orações fúnebres (1909);O regicídio : discurso proferido na comemoração fúnebre, mandada celebrar pela Universidade, em homenagem à memória do Rei e do Principie assassinados (1909); Psicologia e pedologia : uma missão de estudo no estrangeiro (1913); O ensino primário em Portugal: nas suas relações com a história geral da nação (1913); A nossa escola primária: o que tem sido o que deve ser (s/d); [Elementos de Filosofia científica (1915);i] O crescimento da criança portuguesa: subsídios para a constituição duma pedologia nacional (1917); Educação nova: as bases: o corpo da criança (1919); Alocução de boas-vindas ao Senhor Presidente da República (1919); Um plano de reorganização do ensino público (1921); Psicologia experimental e pedologia: trabalhos, observações e experiências realizadas no laboratório (1923).

Faleceu em 17 de Janeiro de 1924.

NOTAS

  • Alves dos Santos, Diário da Câmara dos Deputados, Sessão de 19-06-1919
  • Édouard Claparède (1873-1940) nasceu em Genebra. Foi Médico e Psicólogo famoso. Realizou pesquisas exploratórias nos campos da psicologia das crianças e da pedagogia experimental.
  • Ladislau Batalha, Diário da Câmara dos Deputados, Sessão de 8 de Julho de 1919

Luís Dantas / http://luisdantas.skyrock.com/

DR. ALVES DOS SANTOS – ALGUNS APONTAMENTOS BIOGRÁFICOS

O Dr Alves dos Santos nasceu na Freguesia de Santa maria da Cabração, em 14 de Outubro de 1866, tendo sido batizado na respetiva igreja paroquial no dia 21 do mesmo mês, conforme consta do seu assento de batismo, tendo a cerimónia sido celebrada pelo pároco António Raymundo da Cunha Ferreira.

Também seu pai, Manoel Joaquim Rodrigues dos Santos nasceu na freguesia da Cabração enquanto a mãe, de nome Anna Maria Alves Soares, era natural de São João da Ribeira, residindo então no Lugar de Crasto.

Era neto paterno de António José Rodrigues dos Santos e de Anna Joaquina Dantas, ele natural da Cabração e ela da freguesia da Labruja. Os bisavós paternos conhecidos chamavam-se João Rodrigues dos Santos e Maria Affonso e os avós maternos António José Alves e Mariana Luís Soares.

A casa onde nasceu e viveram os seus ancestrais situa-se lo Lugar da Igreja, a escassas dezenas de metros da capela de Nossa Senhora do Azevedo, no caminho que vai em direção ao Passal e à Além.

Foi determinante na sua formação a influência que nele exerceu o reverendo Manoel Joaquim Soares, seu tio materno e padrinho de casamento. Seguindo as pisadas do tio, ingressou no Seminário de Braga onde frequentou o curso de Teologia, tendo inclusive chegado a receber ordens sacras.

Desistiu da carreira eclesiástica para se tornar num notável professor e escritor, tendo muitas das suas obras refletido a sua formação seminarista.

Alves dos Santos foi ainda Presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ministro do Trabalho no governo chefiado por Cunha Leal, Diretor da Biblioteca da Universidade de Coimbra, deputado eleito pelo círculo de Coimbra, tendo inclusive presidido à Câmara dos Deputados. Um ano após a implantação da República, chefiou o Gabinete do Presidente do Governo Provisório.

À data do seu falecimento em 17 de janeiro de 1924, Alves dos Santos contava 58 anos de idade. Residia então em Coimbra, mais concretamente na rua Alexandre Herculano, nº. 14. Era casado com Maria Adélia de Oliveira, natural do Porto, não tendo deixado descendência direta.

Na Freguesia da Cabração, o apelido Santos cedeu lugar ao Gomes desde que, Maria Joaquina dos Santos, prima em primeiro grau de Alves dos Santos, casou com Manuel António Gomes, este nascido no Lugar da Balouca, da mesma freguesia.

A imagem mostra o assento de óbito de Augusto Joaquim Alves dos Santos da Conservatória do Registo Civil de Coimbra.

Carlos Gomes. Anunciador das Feiras Novas. Ano XVII. Ponte de Lima. 2000 (Adaptado)

ALVES DOS SANTOS NA REVISTA "O ANUNCIADOR DAS FEIRAS NOVAS"

Até ao surgimento do BLOGUE DO MINHO, foi a revista “O Anunciador das Feiras Novas” a primeira e única publicação periódica em Ponte de Lima a dar a conhecer a figura do ilustre limiano que foi o Dr. Augusto Joaquim Alves dos Santos. As imagens que se reproduzem correspondem à edição de 1993 onde foi publicado o primeiro de vários artigos.

PRESIDENTE DA REPÚBLICA NOMEOU ALVES DOS SANTOS MINISTRO DO TRABALHO DO GOVERNO DE CUNHA LEAL

A imagem pertence ao Arquivo Histórico da Presidência da República e reproduz o Decreto de nomeação pelo então Presidente da República, Dr. António José de Almeida, do governo de Francisco Pinto da Cunha Leal, do qual fez parte Augusto Joaquim Alves dos Santos como Ministro do Trabalho, além de António Abranches Ferrão, Victoriano Máximo de Carvalho Guimarães, Fernando Augusto Freiria, João Manuel de Carvalho, Júlio Dantas, Francisco da Cunha Rego Chaves, Alberto da Cunha Rocha Saraiva e Mariano Martins, respetivamente, nos cargos de Presidente do Ministério e Ministro do Interior, Ministros da Justiça, Finanças e interino do Comércio e Comunicações, Guerra, Marinha, [Negócios] Estrangeiros, Colónias, Instrução Pública e Agricultura.

AlvesSantos-Cunha Leal

FILÓSOFO JOAQUIM DE CARVALHO EVOCOU A FIGURA DE ALVES DOS SANTOS

No dizer de José de Pina Martins, Joaquim de Carvalho foi “Historiador da Filosofia e da Cultura, pensador e ensaísta, erudito e professor, Joaquim de Carvalho foi, nas quatro décadas que vão de 1918 a 1958, ano da sua morte, uma das maiores figuras, em Portugal, dos estudos a que se dedicou, e em todos estes domínios do scibile deixou a marca duradoura da sua personalidade de exceção.”. É precisamente de Joaquim de Carvalho a evocação do Dr. Augusto Joaquim Alves dos Santos, apenas oito anos decorridos sobre a data do seu falecimento.

“O Dr. Alves dos Santos

Dobraram já oito anos sobre a morte do Dr. Augusto Joaquim Alves dos Santos, e este lapso de tempo, mais que suficiente para suportar no olvido a maioria dos homens, não me quebrantou a evocação afetuosa do mestre, do colega e do amigo. Fui seu discípulo, e, apesar de me ter orientado desde a escolaridade para uma conceção da vida diversa da sua, o seu magistério selou indelevelmente a minha formação. Pode a vaidade tingir-me de ilusão o orgulho de pensar que contei sempre comigo próprio; mas o orgulho volve-se em modéstia humilde quando revivo a incitação e alento com que o Dr. Alves dos Santos me fortaleceu o ânimo na fase mais intensa e crítica da minha preparação para o ensino universitário. À estima veio juntar-se assim a gratidão, e, pelo convívio, em breve uma e outra se fundiram no sentimento da amizade inalterável.

Discordei pública e particularmente de atitudes suas, ditadas ou condicionadas pelas circunstâncias políticas, e embora em certo momento a discordância atingisse as fronteiras do isolamento, no meu íntimo jamais se apagou a flama da amizade, que afinal se reavivou com maior intensidade pelo sopro do afeto e da mútua compreensão.

Confiou-me algumas confidências nos derradeiros dias, e senti angustiosamente o seu drama interior e o conflito da razão lúcida com a aproximação, dia a dia mais insistente, da morte. Pertencem à piedade dos íntimos esses dias lancinantes, em que a agonia do espírito se estrangulava em palavras de som indistinto e confuso pela violência do morbo que lhe corroía a garganta, porque ao público só interessa o perfil da pessoa.

Nunca lhe ouvi palavras de recriminação e muito menos de ódio, e mesmo quando a hostilidade lhe instilava a sensação gélida do isolamento, o Dr. Alves dos Santos, que tinha o arrebatamento, e até a irreflexão, dos afetivos, persistia no desejo de servir e colaborar, não por temor ou ardil, mas por congénito otimismo, que era a face psicológica da fluência e exaltação do seu verbo de orador. Com o saber dos livros e conhecimento dos homens poderia ter sido um demolidor, como o são, foram e serão por imperativo psicológico quase todos os que a meio da vida cambiam o rumo da sua existência social. Tinha a consciência destas possibilidades, porém jamais transpôs o impulso ou o ressentimento para a ação, por ditame da tolerância e do respeito da pessoa.

Demais inibia-o ainda a ética profissional, tal como era entendida e praticada na Universidade do seu tempo, porque o Dr. Alves dos Santos foi acima de tudo professor. O público conhecia-o principalmente como orador sacro e profano, que o foi notável tanto no púlpito como na tribuna, embora tivessem tido ressonância as suas campanhas pedagógicas e os seus esforços para a melhoria da administração do ensino primário como inspetor da Circunscrição escolar de Coimbra (1903-1904).

Algumas inovações que introduziu nas escolas primárias de Coimbra, como o ensino da ginástica sueca, e a organização de comissões de benefi­cência e ensino na sua circunscrição, ecoaram em todo o País, e do entu­siasmo com que se devotou a esta obra deu e dá flagrante testemunho a Estatística numérica e gráfica das Escolas Primárias da 2.a Circunscrição (Lisboa, 1906), que lhe valeu os maiores elogios e lhe deu algumas das horas mais alegres da sua vida. Muita vez me falou na benemérita campanha, mas insisto em dizer que Alves dos Santos foi acima de tudo professor. Iniciara o magistério na Faculdade de Teologia e nele se conservou até à extinção da Faculdade em 1910 — extinção que, apesar de universalmente esperada, mesmo pelos teólogos universitários, cujo silêncio se tornou sinónimo de aplauso, foi um erro, porque os estudos teológicos embora involuam entre nós jamais cessaram e se forçou o clero a ilustrar-se em escolas teológicas do estrangeiro.

Após uma breve passagem pelo Gabinete da Presidência da República, servindo Teófilo Braga, foi nomeado em 1911 professor da Faculdade de Letras de Coimbra, para a qual transitaram quase todos os professores da extinta Faculdade de Teologia.

Foi então que o conheci como professor.

Ensinava Filosofia. As suas lições denunciavam o orador. Era fluente, elegante na dicção, e se alguma coisa emergia o emprego de esquemas e na ordenação dos argumentos, nos quais vejo hoje um eco do tempo em que se debruçara sobre compêndios de inspiração escolástica.

Só a forma, ou melhor, a arquitetura da lição, tinha um vago sabor escolástico, aliás admiravelmente dissimulado na elegância verbal da frase, porque o fundo, a matéria e a conceção da vida, que teciam e norteavam o objeto das lições eram a-escolásticas, quando não anti escolásticas.

Uma disciplina dominou o seu ensino: a psicologia. Iniciara o novo curso da sua vida docente sob a influência da psicologia experimental, de sorte que o psicologismo, transportado quase a disciplina filosófica funda­mental e exclusiva — conceito felizmente em ocaso entre nós —, assim como o positivismo estreito foram os supostos da sua conceção filosófica. Por isso, as suas lições, sempre sugestivas e por vezes admiráveis, perderam em sedução metafísica o que alcançaram no descritivo dos factos.

Sob este aspeto, sem ser um discípulo de Comte,— seduzia-o o empiriocriticismo de Mach —, Alves dos Santos, foi talvez o último representante em Portugal do positivismo, no sentido amplo do teimo. A ele se deve em Coimbra o Laboratório de Psicologia, o primeiro que se organizou em Portugal, no qual fez estudos de estesiometria e dos tempos de reação, assim como investigações sobre o crescimento das crianças portuguesas.

Sem apreciar o valor atual destes trabalhos, devo acentuar no entanto que eles definem uma atitude de espírito e sobretudo uma direção de ensino, que foi honrosamente reconhecida por Claparede, o grande pedagogista de Genebra, no seu famoso compêndio.

A esta luz, Alves dos Santos conquistou um lugar inconfundível na história da psicologia e da pedologia em Portugal. Poderão os vindouros dissentir da sua metódica e dos resultados que estabeleceu, mas lembrarão sempre o seu nome como o de alguém que não ocupou obscuramente a cátedra universitária e soube criar desde a raiz um ensino que não existia em Coimbra. Se o psicologismo orientou a direção do seu espírito, o patrio­tismo foi o alvo da sua atividade docente. Já incutindo nos alunos senti­mentos e ideias de confiança no futuro de Portugal, já procurando dar expressão científica a certos problemas de psicologia e pedagogia.

Quando o filósofo Victor Cousin trocou um dia a cátedra da Sorbonne pela pasta ministerial justificara-se perante os amigos com a necessidade de atuar, servindo e colaborando. Foi este também o impulso incitador da atividade política de Alves dos Santos. Clientela pessoal nunca a criou, e se por acaso a tivesse herdado era incapaz de a manter; em compensação, porém, tinha o sentimento vivo dos interesses gerais.

Vivia no desejo de os realizar, e de uma forma tão intensa, que se esqueceu dos seus interesses pessoais. Servindo a República como cidadão, deputado e como ministro, vendo dia a dia dilatar-se o círculo da sua atividade, persistiu no entanto fiel e incomovível à sua missão de professor.

A imagem de Alves dos Santos viverá no meu espírito pela sua amizade, pela lealdade de colega e pela sua inteligência, e aos indiferentes ou adversários que o recordem eu peço apenas que respeitem a sua memória, como ele neles respeitou a liberdade de opinião e de consciência.

Coimbra, Natal de 1932

Joaquim de Carvalho”

DOUTOR AUGUSTO JOAQUIM ALVES DOS SANTOS (1866 – 1924)

- Este é o título de um texto da autoria de José Carlos de Oliveira Casulo, publicado em “Figuras Limianas”, obra coordenada por João Gomes de Abreu e editada pela Câmara Municipal de Ponte de Lima.

Augusto Joaquim Alves dos Santos nasceu numa casa então ainda do lugar da Igreja, na Cabração, concelho de Ponte de Lima, a 14 de Outubro de 1866, filho de Manuel Joaquim Rodrigues dos Santos, daquela mesma freguesia e de sua mulher Ana Maria Alves Soares, da Ribeira.

Sobrinho e afilhado do Padre Manuel Joaquim Soares, seguiu as pisadas do tio e padrinho. Assim, entrou no Seminário de S. Pedro e S. Paulo, em Braga, cujo curso de estudos frequentou e concluiu, tendo recebido a ordenação sacerdotal em 26 de Julho de 1891.

Em 1899 terminou, em Coimbra, a Licenciatura em Teologia e, no ano seguinte, alcançou o grau de Doutor na mesma área de conhecimento. Passou, então, a leccionar na Faculdade de Teologia, funções com as quais acumulou as de inspector do ensino, entre 1901 e 1906 e em 1908. Alves dos Santos distinguiu-se, também, naquela primeira década do século XX e enquanto sacerdote, pelos seus dotes oratórios, de que deu prova não só nos púlpitos de igrejas de Lisboa, Coimbra e Porto, como também em elogios fúnebres, como os das exéquias comemorativas da morte do Papa Leão XII, ou as do antigo Presidente do Conselho Hintze Ribeiro. Foi também ele quem fez o elogio de D. Carlos e de D. Luís Filipe, na comemoração do regicídio mandada celebrar pela Universidade de Coimbra.

A instauração da República, porém, revelou outra faceta do nosso biografado. Em 1911, Alves dos Santos proferiu, em Coimbra, o discurso de boas-vindas ao Presidente da República. Militou no Partido Republicano Evolucionista e no Partido Republicano Nacionalista. Fruto desta sua militância, veio a desempenhar vários cargos públicos - Vogal do Conselho Superior de Instrução Pública, Deputado, Presidente da Câmara Municipal de Coimbra e Ministro do Trabalho. Abandonou, entretanto, o estado clerical e casou com D. Maria Adélia de Oliveira.

Enquanto Professor universitário, Alves dos Santos, após a extinção da Faculdade de Teologia, transitou para a novel Faculdade de Letras, na qual, já em 1916, viria a receber o grau de Doutor. Em 1912 viajou em missão pedagógica até França e Suíça, tendo chegado a encontrar-se com Édouard Claparède. Fundou, depois, e chegou a dirigir, o Laboratório de Psicologia Experimental anexo à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Foi, ainda, Director da Biblioteca Geral da mesma Universidade.

Para além do âmbito estritamente universitário, Alves dos Santos esteve ligado à criação das Escolas Normais Superiores de Lisboa e de Coimbra, tendo trabalhado nesta última desde a data da sua fundação (1915) até à morte. Pertenceu, ainda, à Academia das Ciências de Lisboa.

A docência de Alves dos Santos desenvolveu-se no âmbito da Filosofia, da Psicologia e da Pedagogia. Esta constatação pode ajudar-nos a perceber a intenção que subjazia, como linha de rumo, ao seu pensamento: contribuir para a construção de um edifício de conhecimento científico-experimental sobre a criança, para uma pedologia, então, mais do que para uma teoria pedagógica fundamental. Para alcançar este objectivo empenhou-se arduamente, não só no trabalho que desenvolveu no Laboratório de Psicologia Experimental, mas procurando, também, estabelecer uma base epistemológica justificadora da sua postura científica. É neste sentido que se pode compreender o seu elogio da Filosofia Positiva de Augusto Comte, que o tornou num dos derradeiros positivistas nacionais.

De entre as suas obras, menção para - A Nossa Escola Primária (o que tem sido, o que deve ser), (Porto, s.d.); O Ensino Primário em Portugal (nas suas relações com a História geral da Nação) (Porto, 1913); Elementos de Filosofia Scientífica (Coimbra, 1915); Educação Nova. As Bases. I. O corpo da criança ( Lisboa, 1919); e ainda para os seguintes artigos - Psicologia e Pedologia: uma missão de estudo no estrangeiro (1913)(1); Para a história do ensino público em Portugal (1916)(2); e Projecto de Lei sobre a reorganização do ensino público (1921) (3).

Faleceu na sua residência em Coimbra, à Rua Alexandre Herculano, nº 14, em 17 de Janeiro de 1924, tendo ido a sepultar no cemitério da Conchada.

(1) Revista da Universidade de Coimbra, vol. II, 1913, pp. 41-46

(2) Boletim da Biblioteca da Universidade de Coimbra, vol. III, 1916, pp. 83-113

(3) Boletim da Biblioteca da Universidade de Coimbra, vol. VI, 1921, pp. 18-42.

Bibliografia

Casulo, José Carlos de Oliveira - Filosofia e Ciência no compêndio escolar de Filosofia de Alves dos Santos (posições defendidas e sua fundamentação positivista), Braga, Universidade do Minho, 1987

Fernandes, José Marques, Pedagogia Científica e Educação Nova no contexto da I República: Costa Ferreira, Alves dos Santos, Faria de Vasconcelos [dissertação de mestrado apresentada à Universidade do Minho], Universidade do Minho, Braga, 1993

Fernandes, José Marques, “Santos, Augusto Joaquim Alves dos”, em Nóvoa, António (dir.), Dicionário de Educadores Portugueses, Ed. Asa, Porto, 2003, pp. 1250-1261

Gomes, Carlos, “Dr. Alves dos Santos: um limiano ilustre e desconhecido”, em O Anunciador das Feiras Novas, X, 1993

José Carlos de Oliveira Casulo

Fonte: http://hdl.handle.net/1822/9962

ALVES DOS SANTOS NA WIKIPÉDIA

Augusto Joaquim Alves dos Santos (1866-1924). Natural de Ponte de Lima, foi republicano, reformista e educador minhoto.

Biografia

Nasceu em Outubro de 1866, em Ponte de Lima, na Freguesia de Santa Maria da Cabração. Morre em Coimbra, em Janeiro de 1924. Filho de Manuel Joaquim Rodrigues dos Santos, daquela mesma freguesia e de sua mulher Ana Maria Alves Soares, da Freguesia da Ribeira.

Foi ordenado padre pelo Seminário de Braga em 1891 e depois capelão da Capela da Universidade de Coimbra. Obteve o grau de Doutor pela Faculdade de Teologia da Universidade de Coimbra no ano de 1900 (que passa a fazer para da Faculdade de Letras). Em 1899 terminou, em Coimbra, a Licenciatura em Teologia e, no ano seguinte, alcançou o grau de Doutor na mesma área de conhecimento.

Ação como Educador

Em 1901 começa a lecionar na Faculdade de Teologia e é durante o início do século XX que se distingue como orador eloquente em comemorações e elogios fúnebres. Em 1911 transitou para a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra onde começa a se interessar por psicologia experimental que foi na altura considerada parte da filosofia. A partir de 1915 foi professor na Escola Normal Superior de Coimbra, inspector do Ensino Primário (1901-1906) e membro do Conselho Superior de Instrução Pública.

Foi membro do movimento republicano para a implementação de pedagogia científica no ensino de professores e nas escolas. O Laboratório de Psicologia Experimental da Faculdade de Letras de Coimbra é fundado por ele em 1913 e do qual foi director até à sua morte.

Ação Política

Foi republicano a par de uma intensa actividade profissional relacionada com a reforma escolar de 1911, desempenhou funções públicas e exerceu os cargos políticos seguintes:

Chefe do Gabinete do Governo Provisório de 1911;

Presidente da Câmara dos Deputados;

Presidente da Câmara Municipal de Coimbra (1918-1921);

Deputado do Parlamento (1919-1921); e,

Ministro do Trabalho (1921-1922).

Foi Director da Biblioteca da Universidade de Coimbra, de 1916 a 1924. Desempenhou um papel de relevo na história do ensino em Portugal. Em 1904, foi distinguido com aOrdem de Santiago.

Obras

Educação Nova — As Bases, I — O Corpo da Criança, Lisboa, 1919;

Elementos de filosofia científica, Coimbra, 1915;

O ensino primário em Portugal nas suas relações com a história geral da nação, Porto, 1913;

Psicologia e pedologia: uma missão de estudo no estrangeiro, Coimbra, 1913; e A nossa escola primária: O que tem sido, o que deve ser, Porto, 1905.

ALVES DOS SANTOS NASCEU HÁ 150 ANOS! - FOI UM EMINENTE PEDAGOGO E UM DOS MAIORES VULTOS LIMIANOS

Passa no próximo mês de Outubro precisamente 150 anos sobre a data de nascimento daquele que foi um dos maiores vultos limianos de que há memória – o Dr Augusto Joaquim Alves dos Santos – introdutor do estudo da Psicologia em Portugal. O seu perfil de pedagogo justificaria a atribuição do seu nome a um estabelecimento de ensino em Ponte de Lima, tornando-se seu patrono.

DR. ALVES DOS SANTOS: UM LIMIANO ILUSTRE E DESCONHECIDO

De seu nome completo Augusto Joaquim Alves dos Santos, o nosso ilustre conterrâneo nasceu em 14 de Outubro de 1866, na Freguesia de Cabração, tendo falecido em 17 de janeiro de 1924 na cidade de Coimbra onde viveu e se distinguiu.

Apesar dos esforços desenvolvidos não conseguimos identificar possíveis descendentes ou outros familiares, nomeadamente na Freguesia de que foi natural. Sabemos unicamente que era filho de Manuel Joaquim Rodrigues dos Santos e Ana Maria Alves Soares.

Não é nosso propósito aqui fazer a sua biografia mas, no caso vertente, não resistimos a enumerar alguns dados biográficos pois o conhecimento do Dr. Alves dos Santos não dispensa apresentação.

Entre os inúmeros cargos que exerceu, o Dr. Alves dos Santos foi Presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ministro do Trabalho e por três vezes eleito deputado pelo círculo de Coimbra entre 1910 e 1921, chegando inclusivamente a presidir à Câmara dos Deputados. Foi ainda Diretor da Biblioteca da Universidade de Coimbra e, um ano após a implantação da República, Chefe do Gabinete do Presidente do Governo provisório.

Foi um eminente teólogo, tendo frequentado o curso de Teologia do Seminário de Braga e recebido ordens sacras. Comendador da Ordem de Santiago em 1904, lecionou Grego e Hebraico no Liceu de Coimbra, Pedagogia, Psicologia e Psicologia Infantil nomeadamente na Escola Normal Superior daquela cidade e, entre inúmeras cadeiras, Pedagogia, Psicologia e Lógica, História da Filosofia e Psicologia Experimental na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

A ele se deveu a instalação do Laboratório de Psicologia daquela Faculdade, no qual também desempenhou as funções de Diretor.

A sua obra literária é igualmente vasta, sendo de destacar os seguintes trabalhos:

- “Concordismo e Idealismo”, publicado em 1900;

- “O Problema da origem da família e do matrimónio em face da Bíblia e da Sociologia”, editado em 1901;

- “A nossa escola primária – o que tem sido e o que deve ser”, em 1910;

- “O ensino primário em Portugal, nas suas relações com a história geral da nação”, em 1913;

- “Elementos de filosofia científica”, em 1918;

- “Portugal e a Grande Guerra” (duas conferências), Coimbra, 1913;

- “Psicologia experimental e Pedagogia”, Coimbra, 1923;

O Dr. Alves dos Santos foi militante do Partido Republicano Nacionalista desde que se extinguira o Partido Republicano Evolucionista do Dr. António José de Almeida.

Sobre o seu perfil político, o periódico “O Despertar” de Coimbra, na sua edição de 19 de janeiro de 1924 afirmava:

Foi um orador fluente. Tanto da tribuna sagrada como em comícios públicos e mais tarde no parlamento, o sr. Dr. Alves dos Santos era sempre ouvido com o mais vivo interesse.

Conhecedor a fundo da língua, o saudoso extinto era fecundo em maravilhosas imagens, chegando, por vezes, a empolgar a assistência, com o seu gesto largo e manifesta sinceridade que exprimia às suas palavras.

Os seus adversários políticos, nomeadamente, eram os primeiros a reconhecer-lhe o mais formoso talento”.

Ainda segundo o mesmo periódico, o Dr. Alves dos Santos era uma figura “essencialmente popular, sem escusados preconceitos”, “estimadíssimo em Coimbra” e “um amigo devotado das crianças, às quais dedicava os mais vivos afectos”, razão pela qual lhes consagrou muitos dos seus estudos.

O Dr. Alves dos Santos residia no número catorze da rua Alexandre Herculano, na cidade de Coimbra, e faleceu na sequência de “uma horrorosa enfermidade para a qual a sciencia médica é ainda impotente”, conforme noticiava a “Gazeta de Coimbra”, no dia do seu falecimento.

No seu funeral estiveram representadas a Universidade de Coimbra, o Governador Civil do Distrito, os ministros do Interior e do Trabalho, a Câmara Municipal de Coimbra e a Misericórdia local entre numerosas outras entidades. Isto apesar da vontade manifesta do Dr. Alves dos Santos na realização de uma cerimónia fúnebre discreta.

Na Câmara Municipal e no Centro Nacionalista foi içada a bandeira nacional a meia haste e na Câmara dos Deputados foi aprovado um voto de sentimento.

Os restos mortais do Dr. Alves dos Santos encontram-se depositados no Cemitério da Conchada, em Coimbra, mais concretamente na sepultura nº. 16 do leirão nº. 23, conforme notícia publicada em “O Despertar” de 19 de janeiro de 1924.

O seu nome não consta da toponímia da cidade de Coimbra nem do Concelho de Ponte de Lima.

Contudo, como dizia o periódico acima citado na referida edição, o Dr. Alves dos Santos foi um “patriota dos mais eminentes, foi sempre um grande liberal, perdendo o país no saudoso finado um dos seus filhos mais ilustres”.

- Carlos Gomes, “O Anunciador das Feiras Novas”, nº X, Ponte de Lima, 1993

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O Dr. Alves dos Santos (segundo a contar da direita) foi Ministro do Trabalho no governo do Dr. Cunha Leal

ALVES DOS SANTOS: PIONEIRO DO ESTUDO DA PSICOLOGIA EM PORTUGAL

O Dr. Alves dos Santos, um dos mais ilustres filhos de Ponte de Lima, foi o pioneiro do estudo e investigação da psicologia no nosso país, continuando a sua obra a ser estudada pelos mais notáveis académicos decorridos mais de oito décadas desde a data do seu desaparecimento. A obra que publicou em 1923, “Psicologia Experimental e Pedologia”, é considerada aliás um marco“na história da psicologia em Portugal pelo seu pioneirismo e importância histórica”.

Num dos trabalhos publicados na Revista Portuguesa de Pedagogia a propósito da criação do laboratório de psicologia experimental da Universidade de Coimbra, J. F. Gomes inclui alguns dados biográficos que transcrevemos: “Alves dos Santos nasceu em Cabração, Ponte de Lima, em 14 de Outubro de 1866 e faleceu em 17 de Janeiro de 1924, com 58 anos incompletos. Doutorou-se na Faculdade de Teologia de Braga em 1890. Com a extinção da Faculdade de Teologia, Alves dos Santos é colocado na Faculdade de Letras de Coimbra, sendo nomeado professor de pedagogia por Decreto de 9 de Dezembro de 1911. (…) De Agosto até finais de Novembro de 1912 efectua uma visita às Universidades de Genebra e Paris, tendo adquirido livros e equipamento laboratorial que lhe permitiram fundar e organizar no regresso a Coimbra o laboratório de psicologia experimental, tendo o funcionamento deste sido iniciado em meados de Fevereiro de 1913”. Este foi, pois, o primeiro laboratório de psicologia experimental instalado em Portugal.

Em 1992, Professor Dr. Amâncio da Costa Pinto, actualmente professor catedrático a exercer docência na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, publica na revista Psychologica um artigo científico sob o título “Estudos de Memória Humana na década de 1920 na Universidade de Coimbra”, no qual analisa “o modo como a memória humana foi abordada a nível teórico e a nível experimental”, fazendo incidir a sua reflexão no capítulo “Mnemometria” da obra “Psicologia Experimental e Pedologia” do Dr. Alves dos Santos e também na tese de doutoramento “ O problema da recognição: Estudo psicológico teórico-experimental”, do Dr. Sílvio de Lima, publicada em 1928. A parte do artigo dedicada ao estudo da obra do Dr. Alves dos Santos aborda os seguintes temas: A “Noção de memória”, a “Classificação das memórias”, “Mecanismos e operações de memória” e a “Descrição dos dois estudos experimentais realizados”.

Afirma o articulista que “…este capítulo e os restantes do livro, além de terem por objectivo promover as investigações do Laboratório e os trabalhos dos alunos, constituem um excelente manual de formação dos futuros investigadores em psicologia experimental. Se o livro não foi usado como tal durante as décadas seguintes, não foi por falta de mérito e valor pedagógico nele contido”. E acrescenta: “Alves dos Santos apresenta ainda uma concepção inovadora de memória humana, ao afirmar que é precisamente a memória que torna “possível e inteligível a unidade e a identidade do eu”. Só muitas décadas mais tarde, nomeadamente nos anos 70 e 80, é que o estudo da memória humana veio a ter o protagonismo por ele antecipado. Acrescente-se a finalizar a elaboração temerosa, porque esboçada em nota de rodapé, mas valiosa e consequente, de uma classificação das memórias humanas, tema que voltou a interessar os investigadores nestes últimos 20 anos”.

A título de curiosidade e sem pretender reproduzir integralmente o artigo referido, transcrevemos uma breve passagem a respeito da “Classificação das memórias” que é feita: “Alves dos Santos rejeita a noção de que a memória é uma mera faculdade para reter ideias. A memória enquanto faculdade é “um erro”, já que não há uma memória, mas “memórias ou um feixe de memórias”, e estas em regra são muito desiguais, tanto em qualidade, como em quantidade…”. A causa desta diversidade resulta “da estrutura do órgão, que as elabora, e das circunstâncias da sua produção”. Por estrutura do órgão Alves dos Santos refere-se provavelmente à complexidade e plasticidade do cérebro, enquanto que as circunstâncias de produção teriam a ver com “a riqueza das respectivas associações”.

Alves dos Santos propõe dois sistemas de classificação de memórias. O primeiro sistema de memória é desenvolvido no corpo do texto e classifica a função mnésica em inorgânica, orgânica e psíquica. É uma classificação proposta na sequência talvez dos estudos de Rbot.

A memória inorgânica seria uma expressão da energia físico-química.

A memória orgânica, de ordem biológica, seria privativa de seres dotados de sistema nervoso. As modificações neste tipo de memória seriam susceptíveis de persistência, mesmo após ter desaparecido o estímulo que as desencadeou e de reprodução activa destas através da evocação e da identificação.

Alves dos Santos não define nem esclarece o mecanismo destas operações, principalmente as respeitantes à reprodução das impressões e modificações conservadas. Acrescenta no entanto uma explicação fisiológica para o seu bom funcionamento ao referir que a conservação depende da plasticidade do cérebro proporcionada pela nutrição e que a reprodução seria dependente do estado do aparelho vascular.

(…) Para justificar esta diversidade de memórias, Alves dos Santos adverte: “Não é de admirar, pois que “memórias” cada um tem as suas; e, todas juntas, são tantas, como os cabelos da cabeça”.

Relativamente ao Laboratório de Psicologia Experimental da Universidade de Coimbra, fundado em 1912 pelo Dr. Alves dos Santos, os seus aparelhos e outros instrumentos então utilizados encontram-se actualmente à guarda do actual Laboratório de Psicologia Experimental existente na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, constituindo um núcleo museológico devidamente catalogado e descrito num volume dedicado ao laboratório e ao seu fundador. De referir ainda que, apesar do ensino da psicologia ter-se iniciado naquela Universidade em 1911, apenas no ano lectivo de 1976/1977 teve início o Curso Superior de Psicologia inserida na Faculdade de Letras para em 1980 ser finalmente criada a Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação.

Não vamos enumerar aqui a sua vasta obra literária e científica como também não nos alongaremos na sua descrição biográfica porquanto já o fizemos em edições anteriores da revista Anunciador das Feiras Novas, bastando para tal os interessados seguirem as referências bibliográficas do presente artigo. Lembramos apenas, a quantos estejam porventura interessados em conhecer a sua obra, que podem consultar na Biblioteca Municipal de Ponte de Lima o seu livro “Elementos de Filosofia Sciêntífica”, constituindo este o único título disponível neste local. Contudo, na Biblioteca Nacional, em Lisboa, encontram-se depositados além daquele, ainda os seguintes livros do Dr. Alves dos Santos: “Um plano de reorganização do ensino público: projecto de lei, para apresentar à Câmara dos Senhores Deputados”, “O problema da origem da família e do património em face da Bíblia e da sociologia”, “Orações fúnebres”, “Elogio fúnebre do Conselheiro de Estado, Ernesto Rodolpho Hintze Ribeiro, proferido nas exéquias… 13 de Novembro de 1907”, “Estatística geral da circumscripção escolar de Coimbra, relativa ao anno de 1903-1904” e “O ensino primário em Portugal: nas suas relações com a história geral da nação”.

A propósito do Doutor António de Pádua, outro médico ilustre que nasceu no concelho limiano, escrevia Francisco de Magalhães, no Elucidário Regionalista de Ponte de Lima, o seguinte: “Honrada e, ainda mais, envaidecida sentia-se, também, Ponte de Lima. É que sucedeu, e no decurso de uma porção de anos, três filhos seus – desta vila pequenina, sempre, porém, farta de glórias – pertencerem, simultaneamente, ao corpo docente da Universidade de Coimbra, a saber: Doutor Alfredo da Rocha Peixoto, da Faculdade de Matemática; Doutor Augusto Joaquim Alves dos Santos, da Faculdade de Teologia; e Doutor António de Pádua, da Faculdade de Medicina.

Qual a cidade de província, populosa mesmo – e intencionalmente saio dos limites duma vila – que se pudesse exprimir, naquele instante, sob este aspecto, como Ponte de Lima ?

Não obstante, como disse o cronista, Ponte de Lima ter-se sentido “honrada e, ainda mais, envaidecida”, o Dr. Alves dos Santos permaneceu no desconhecimento da generalidade dos seus conterrâneos até muito recentemente, tendo cabido à revista “Anunciador das Feiras Novas” o mérito de o ter dado a conhecer e divulgar a sua obra. Ainda assim, uma sugestão feita à Câmara Municipal de Ponte de Lima e por esta unanimemente aceite, com vista à realização de uma homenagem por ocasião da passagem dos setenta e cinco anos sobre a data do seu falecimento, acabaria por cair no esquecimento em virtude da mudança de vereação entretanto verificada. Ficámo-nos pela atribuição do seu nome a uma artéria da vila quando foi necessário escolher novos topónimos para arruamentos entretanto construídos.

Contudo, a memória do Dr. Augusto Joaquim Alves dos Santos merecia mais porquanto constituiu uma das figuras mais notáveis do concelho de Ponte de Lima. A sua brilhante carreira de pedagogo, cientista e escritor bem justificaria a sua escolha para patrono de um estabelecimento de ensino no concelho de Ponte de Lima, proposta que pode ser apresentada pela Câmara Municipal ao abrigo do Decreto-Lei nº. 314/97, de 15 de Novembro. Assim exista vontade e Ponte de Lima sentir-se-á mais “honrada e, ainda mais, envaidecida”!

Carlos Gomes. O Anunciador das Feiras Novas, nº XXIII, Ponte de Lima, 2006

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A foto, publicada na revista “Ilustração Portugueza” de 28 de janeiro de 1922, mostra a visita do Dr. Alves dos Santos, na qualidade de Ministro do Trabalho, ao asilo D. Maria Pia

Transcrição:

“Aos vinte e hum dias do mês de outubro do anno de mil e oito centos sasenta e seis n’esta parochial Igreja de Sancta Maria da Cabração, concelho de Ponte do Lima Diocese de Braga Primaz Baptizei Solenemente hum indevido do sexo masculino a quem dei o nome de Augusto Joaquim Santos que nasceo nesta freguesia no dia quatorze de outubro pelas quatro horas da manha do dito mês e anno folho legitimo de Manoel Joaquim Rodrigues dos Santos e Anna Maria Alves Soares natural da freguesia de Sam João da Rebeira e ele natural desta freguesia recebidos (…) de Ponte de Lima mas parochianos Proprietarios e moradores no Lugar da Igreja desta freguesia. Nepto Paterno de Antonio Jose Rodrigues dos Santos já defunto e Anna Joaquina Dantas proprietários e moradores no Lugar de Igreja que he desta freguesia e ella hoje residente na freguesia da Labruje deste concelho Materno de Antonio Jose Alves, Soares digo de Antonio Jose Alves e Mariana Luisa Soares da freguesia de Sam João da Ribeira Lugar de Crasto proprietários e forão Padrinhos o Reverendo Manoel Joaquim Soares thio do Baptizado e Maria Rosa Alves, solteira thia do Baptizado ambos da freguesia de Sam João da Rebeira Lugar de Crasto os quais todos sei serem os próprios. E para constar labrei em duplicado o prezente assento que depois de lido e conferido perante os Padrinhos comigo assinarão Era est supra.

os Padrinhos Manoel Joaquim Soares

                      Maria Rosa Alves

O Parocho     Antonio Raymundo da Cunha Ferreira”

(Arquivo Distrital de Viana do Castelo. Fundo Paroquial de Ponte de Lima – Cabração. Livro de baptismos. Datas extremas: 1855 – 1890. Fls. 33 Cota 3.13.1.32)

EM 1939, ABEL VARZIM, DEPUTADO À ASSEMBLEIA NACIONAL, QUESTIONOU AS CONDIÇÕES DE TRABALHO DOS OPERÁRIOS NAS MINAS DA CABRAÇÃO

O padre Abel Varzim foi um ilustre barcelense que sempre pugnou pela justiça social e a defesa dos direitos dos trabalhadores e dos mais desfavorecidos em geral. Fundador da Acção Católica Portuguesa cujos estatutos redigiu, esteve também na origem da Liga Operária Católica. Foi vasto e diversificado o seu campo de intervenção. Enquanto deputado à Assembleia Nacional, na legislatura de 1938 a 1942, salientou-se através de brilhantes intervenções questionando aspectos da organização sindical corporativa e ainda a legislação que regulamentava as condições económicas do casamento dos militares em serviço. As suas intervenções e acção social valeram-lhe, aliás, a perseguição política.

Na sessão de 20 de Janeiro de 1939 da Assembleia Nacional, referente à II Legislatura, reunida sob a presidência do Dr. José Alberto dos Reis, o deputado Abel Varzim apresentou diversos requerimentos ao Instituto Nacional do Trabalho e Previdência diversos documentos comprovativos das condições laborais dos trabalhadores de diversas empresas. Um desses requerimentos referia-se às minas da Cabração e aparece publicado no Diário das Sessões, nos seguintes termos:

“Requeiro que, pelo Instituto Nacional do Trabalho e Previdência, me seja fornecida nota dos salários pagos, nas diferentes categorias de trabalhos, pelas minas de Cabração, concelho de Ponte do Lima, exploradas pela Compagnie Française des Mines, bem como dos horários de trabalho autorizados.

Assembleia Nacional. 19 de Janeiro de 1939. - O Deputado Abel Varzim.”

PONTE DE LIMA: MORADORES DA CABRAÇÃO DESCONTENTES COM A FUSÃO DA FREGUESIA COM MOREIRA DO LIMA

O BLOGUE DO MINHO alertou recentemente para o mal-estar que o processo decorrente da fusão das freguesias de Cabração e Moreira do Lima está a gerar, sobretudo junto da população da Cabração que se sente preterida nos novos órgãos autárquicos.

Os moradores lamentam a forma arrogante com que têm sido tratados, mormente aquando da cerimónia de tomada de posse dos novos órgãos autárquicos que deveria decorrer em cerimónia pública, receando ainda virem a ser prejudicados relativamente à exploração dos recursos naturais que desde sempre pertenceram à Cabração como é o caso da água e dos baldios.

A propósito, a candidatura “Moreira do Lima e Cabração Unidos – MCU” fez publicar na última edição do jornal “Alto Minho” o seguinte comunicado.

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Texto completo publicado no Jornal Alto hoje:

Na sequência das declarações constantes na entrevista do Sr. Presidente da Junta de freguesia de Cabração e Moreira do Lima publicada no Jornal “Alto Minho” no dia 27/11/2013, decidiu o grupo de cidadãos eleitores “Moreira do Lima e Cabração Unidos – MCU” na qualidade de atual oposição e porque foi implicitamente visada dizer o seguinte:

- É verdade que não existe mau estar entre as populações das duas freguesias porque é gente pacífica e ordeira.

- Existe sim um grande mau estar entre a população da Cabração e o executivo da junta de freguesia, provocado pelo facto de actualmente o executivo da junta de freguesia que abrange as duas freguesias agregadas ser única exclusivamente constituído por cidadãos de Moreira do Lima, aliás pelo anterior executivo da junta de Moreira do Lima. Como é do conhecimento geral, e normal em todos os processos de agregação de freguesias, as juntas de freguesia foram constituídas por pessoas das freguesias agregadas, o que não aconteceu nesta autarquia e ao que julgamos terá sido o único caso no país. Porque?

- A lista que formamos (Moreira do Lima e Cabração Unidos - MCU) e que concorreu nas últimas eleições autárquicas, era composta por pessoas das duas freguesias, dos quais cinco provenientes da Cabração (três em lugares legíveis em caso de sair vencedora) sendo o número dois da lista também da Cabração.

- Ao contrário da lista vencedora, atual junta de freguesia, que apenas apresentou duas pessoas da Cabração (posicionados em 14º e 15º, respectivamente), nós respeitamos a Cabração e o seu povo, garantindo igualdade de oportunidades, e aceitamos com naturalidade e como princípio o anseio natural da população em ter membros da sua comunidade a representá-los no executivo da junta.

- Será que se fosse o inverso não iria existir no povo de Moreira do Lima a sensação de mal-estar?

- O simples facto do Sr. Presidente ter abordado a questão na entrevista e na forma como o fez como primeiro tema, atribuindo-lhe essa importância, por ai demonstra bem que este mal-estar está patente.

Ficamos satisfeitos por constatar que nessa mesma entrevista algumas das mais importantes linhas orientadoras do nosso programa de campanha tenham merecido o acolhimento do Sr. Presidente, nomeadamente, o saneamento básico, o aproveitamento do antigo edifício da escola primária para o centro de dia e a melhoria das redes viárias.

Aguardamos para ver a sua concretização e se tal acontecer consideramos que já valeu bem a pena termos sido candidatos a assembleia de freguesia, porque quem sairá beneficiado é o povo das duas freguesias.

Contudo não será de mais dizer que quanto ao saneamento, este parou à cerca e 6 anos na entrada da freguesia, sem nunca se saber porque, e quanto ao que parece, havia fundos comunitários disponíveis e até porque durante este tempo todo, não houve uma atitude ativa da então junta da freguesia, em relação ao mesmo saneamento, nunca foi ponto de discussão, empenho ou interesse em o garantir.

Só assim se compreende porque foram alcatroados vários arruamentos, que agora terão que levar novamente obras para a instalação do saneamento, caso essa obra venha a ser uma realidade.

Por fim achamos estranho o Sr. Presidente da Junta não ter aproveitado a oportunidade para explicar as razões pelas quais a instalação dos órgãos da assembleia de freguesia ter sido realizada à porta fechada, e por isso mesmo, várias pessoas foram privadas de assistir ao ato e tiveram que aguardar no exterior da sede da junta de freguesia de Moreira do Lima.

Carlos Pinheiro

José Vieira

Mariana Gomes

Luís Trigueiro

Desejo a todos os nossos apoiantes um Bom Ano 2014

PONTE DE LIMA: FUSÃO DAS FREGUESIAS CABRAÇÃO E MOREIRA DO LIMA CRIA RIVALIDADES ENTRE AS POPULAÇÕES

A fusão das freguesias de Cabração e Moreira do Lima, em Ponte de Lima, está a gerar mal-estar e descontentamento entre as populações locais. Os moradores da Cabração queixam-se, entre outras coisas, da comissão de compartes dos baldios ter sido desalojada do antigo edifício da Junta de Freguesia e de não fazerem alguns melhoramentos considerados urgentes. Também a tomada de posse dos novos eleitos esteve envolta em polémica em virtude de, ao que consta, não ter ocorrido em sessão pública.

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Apesar de possuir uma considerável área geográfica, a Cabração dispõe de reduzida expressão demográfica, pelo que não se vê representada nos novos órgãos autárquicos. Além disso, sentem-se tratados de forma arrogante e receiam que os recursos naturais da povoação, concretamente a água e o baldio, venham a servir em proveito exclusivo de Moreira do Lima. Este descontentamento é crescente e tem eco nomeadamente nas redes sociais.

Mais do que resolver problemas locais e contribuir para a rentabilização de meios, a reorganização administrativa territorial autárquica apenas está a provocar desentendimentos entre as populações.

Foto: https://www.facebook.com/groups/127232340685170/photos/

PONTE DE LIMA: CABRAÇÃO FESTEJA A SANTO ANTÓNIO E SÃO SEBASTIÃO

As gentes da freguesia da Cabração, em Ponte de Lima, cumpriram a tradição. Uma vez mais, os andores de Santo António e São Sebastião saíram à rua em procissão, transportados em ombros pelos paroquianos.

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Muitos dos seus naturais e descendentes vieram de propósito de Lisboa e até de outras terras mais distantes para participar na festa da sua terra, mantendo desse modo viva a chama que teima em permanecer acesa, contrariando a tendência do despovoamento que se vem registando ao longo das últimas décadas.

Ainda que a labutar em paragens longínquas, os filhos da Cabração jamais esquecem a terra que os viu nascer ou serviu de berço aos seus ancestrais!

Fotos: Jorge Rocha

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PONTE DE LIMA INAUGURA BIKE PARK NA SERRA D'ARGA

Bike Park de Ponte de Lima – Inauguração Oficial –  9 de junho, 15 horas. O equipamento situa-se nas freguesias de Estorãos e Cabração

O Município de Ponte de Lima inaugura oficialmente o Bike Park de Ponte de Lima no próximo domingo, 9 de junho, às 15 horas.

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Aberto desde novembro de 2012, o Bike Parke de Ponte de Lima é um autêntico parque de lazer e recreio, em plena Serra d´Arga, entre o Alto do Cavalinho e o lugar de Mãos nas Freguesias de Estorãos e Cabração. Com uma área de 308 há, oferece condições únicas para a prática de BTT e Downhill e para caminhadas ecológicas.

O Bike Park de Ponte de Lima disponibiliza 10 pistas de vários graus de dificuldade , com distâncias compreendidas entre2,8 a4 km; 2 circuitos de enduro de 17 e22 Km, 4 especiais com descida de 400m de desnível em calçada; 1 circuito super enduro de60 Km, na Serra d´Arga; 1 circuito de iniciação BTT de10 Kmcom início e final no Bike Park e 4 circuitos XCM de 20, 40, 60 e 100 (extreme) Km. Toda a estância do Bike Park está assegurada com um serviço de transportes ao topo da montanha. As subidas são efetivadas em carrinhas com disponibilidade para transportar até 36 riders, grarantidno uma média de 12 descidas por dia, em pistas diferentes.

A abertura oficial coincide com a realização do primeiro grande evento do Bike Park, o GT ENDURACE PRO PORTUGAL. Trata-se de uma competição de Enduro em BTT, homologada pela UVP/Federação Portuguesa de Ciclismo, que ocorre em circuitos marcados por um número variável de Provas Especiais Cronometradas (PEC).

O Enduro Mountain Bike é a modalidade que regista maior crescimento a nível europeu e em Portugal ainda não está devidamente explorada. Com a realização do GT ENDURACE PRO PORTUGAL pretende-se integrar a prova no circuito internacional e colocando o Bike Park de Ponte de Lima no centro das atenções, garantindo a presença de pilotos de topo mundial. Entre os pilotos de renome já confirmados, podemos assistir aos desempenhos de Dan Atherthon (Campeão mundial de 4x), Toni Perez (Campeão Open de Espanha Enduro 2012), Marco Fidalgo (Melhor piloto português de Enduro) e Andrea Bruno (Piloto do Super Enduro italiano)

8 Junho (Sábado) 09h00 – 19h00

  • Abertura da pista para reconhecimento do circuito
  • Abertura do secretariado
  • Abertura do “parque” para montagem das tendas/viaturas de apoio aos atletas

9 de Junho (Domingo)  

08h30: Início da competição, com cinco especiais cronometradas

15h00: Cerimónia protocolar de inauguração do Bike Park

Entrega de prémios

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DR. ALVES DOS SANTOS: PIONEIRO DO ESTUDO DA PSICOLOGIA EM PORTUGAL

O Dr. Alves dos Santos, um dos mais ilustres filhos de Ponte de Lima, foi o pioneiro do estudo e investigação da psicologia no nosso país, continuando a sua obra a ser estudada pelos mais notáveis académicos decorridos mais de oito décadas desde a data do seu desaparecimento. A obra que publicou em 1923, “Psicologia Experimental e Pedologia”, é considerada aliás um marco “na história da psicologia em Portugal pelo seu pioneirismo e importância histórica”.

Num dos trabalhos publicados na Revista Portuguesa de Pedagogia a propósito da criação do laboratório de psicologia experimental da Universidade de Coimbra, J. F. Gomes inclui alguns dados biográficos que transcrevemos: “Alves dos Santos nasceu em Cabração, Ponte de Lima, em 14 de Outubro de 1866 e faleceu em 17 de Janeiro de 1924, com 58 anos incompletos. Doutorou-se na Faculdade de Teologia de Braga em 1890. Com a extinção da Faculdade de Teologia, Alves dos Santos é colocado na Faculdade de Letras de Coimbra, sendo nomeado professor de pedagogia por Decreto de 9 de Dezembro de 1911. (…) De Agosto até finais de Novembro de 1912 efectua uma visita às Universidades de Genebra e Paris, tendo adquirido livros e equipamento laboratorial que lhe permitiram fundar e organizar no regresso a Coimbra o laboratório de psicologia experimental, tendo o funcionamento deste sido iniciado em meados de Fevereiro de 1913”. Este foi, pois, o primeiro laboratório de psicologia experimental instalado em Portugal.

Em 1992, Professor Dr. Amâncio da Costa Pinto, actualmente professor catedrático a exercer docência na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, publica na revista Psychologica um artigo científico sob o título “Estudos de Memória Humana na década de 1920 na Universidade de Coimbra”, no qual analisa “o modo como a memória humana foi abordada a nível teórico e a nível experimental”, fazendo incidir a sua reflexão no capítulo “Mnemometria” da obra “Psicologia Experimental e Pedologia” do Dr. Alves dos Santos e também na tese de doutoramento “ O problema da recognição: Estudo psicológico teórico-experimental”, do Dr. Sílvio de Lima, publicada em 1928. A parte do artigo dedicada ao estudo da obra do Dr. Alves dos Santos aborda os seguintes temas: A “Noção de memória”, a “Classificação das memórias”, “Mecanismos e operações de memória” e a “Descrição dos dois estudos experimentais realizados”.

Afirma o articulista que “…este capítulo e os restantes do livro, além de terem por objectivo promover as investigações do Laboratório e os trabalhos dos alunos, constituem um excelente manual de formação dos futuros investigadores em psicologia experimental. Se o livro não foi usado como tal durante as décadas seguintes, não foi por falta de mérito e valor pedagógico nele contido”. E acrescenta: “Alves dos Santos apresenta ainda uma concepção inovadora de memória humana, ao afirmar que é precisamente a memória que torna “possível e inteligível a unidade e a identidade do eu”. Só muitas décadas mais tarde, nomeadamente nos anos 70 e 80, é que o estudo da memória humana veio a ter o protagonismo por ele antecipado. Acrescente-se a finalizar a elaboração temerosa, porque esboçada em nota de rodapé, mas valiosa e consequente, de uma classificação das memórias humanas, tema que voltou a interessar os investigadores nestes últimos 20 anos”.

A título de curiosidade e sem pretender reproduzir integralmente o artigo referido, transcrevemos uma breve passagem a respeito da “Classificação das memórias” que é feita: “Alves dos Santos rejeita a noção de que a memória é uma mera faculdade para reter ideias. A memória enquanto faculdade é “um erro”, já que não há uma memória, mas “memórias ou um feixe de memórias”, e estas em regra são muito desiguais, tanto em qualidade, como em quantidade…”. A causa desta diversidade resulta “da estrutura do órgão, que as elabora, e das circunstâncias da sua produção”. Por estrutura do órgão Alves dos Santos refere-se provavelmente à complexidade e plasticidade do cérebro, enquanto que as circunstâncias de produção teriam a ver com “a riqueza das respectivas associações”.

Alves dos Santos propõe dois sistemas de classificação de memórias. O primeiro sistema de memória é desenvolvido no corpo do texto e classifica a função mnésica em inorgânica, orgânica e psíquica. É uma classificação proposta na sequência talvez dos estudos de Rbot.

A memória inorgânica seria uma expressão da energia físico-química.

A memória orgânica, de ordem biológica, seria privativa de seres dotados de sistema nervoso. As modificações neste tipo de memória seriam susceptíveis de persistência, mesmo após ter desaparecido o estímulo que as desencadeou e de reprodução activa destas através da evocação e da identificação.

Alves dos Santos não define nem esclarece o mecanismo destas operações, principalmente as respeitantes à reprodução das impressões e modificações conservadas. Acrescenta no entanto uma explicação fisiológica para o seu bom funcionamento ao referir que a conservação depende da plasticidade do cérebro proporcionada pela nutrição e que a reprodução seria dependente do estado do aparelho vascular.

(…) Para justificar esta diversidade de memórias, Alves dos Santos adverte: “Não é de admirar, pois que “memórias” cada um tem as suas; e, todas juntas, são tantas, como os cabelos da cabeça”.

Relativamente ao Laboratório de Psicologia Experimental da Universidade de Coimbra, fundado em 1912 pelo Dr. Alves dos Santos, os seus aparelhos e outros instrumentos então utilizados encontram-se actualmente à guarda do actual Laboratório de Psicologia Experimental existente na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, constituindo um núcleo museológico devidamente catalogado e descrito num volume dedicado ao laboratório e ao seu fundador. De referir ainda que, apesar do ensino da psicologia ter-se iniciado naquela Universidade em 1911, apenas no ano lectivo de 1976/1977 teve início o Curso Superior de Psicologia inserida na Faculdade de Letras para em 1980 ser finalmente criada a Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação.

Não vamos enumerar aqui a sua vasta obra literária e científica como também não nos alongaremos na sua descrição biográfica porquanto já o fizemos em edições anteriores da revista Anunciador das Feiras Novas, bastando para tal os interessados seguirem as referências bibliográficas do presente artigo. Lembramos apenas, a quantos estejam porventura interessados em conhecer a sua obra, que podem consultar na Biblioteca Municipal de Ponte de Lima o seu livro “Elementos de Filosofia Sciêntífica”, constituindo este o único título disponível neste local. Contudo, na Biblioteca Nacional, em Lisboa, encontram-se depositados além daquele, ainda os seguintes livros do Dr. Alves dos Santos: “Um plano de reorganização do ensino público: projecto de lei, para apresentar à Câmara dos Senhores Deputados”, “O problema da origem da família e do património em face da Bíblia e da sociologia”, “Orações fúnebres”, “Elogio fúnebre do Conselheiro de Estado, Ernesto Rodolpho Hintze Ribeiro, proferido nas exéquias… 13 de Novembro de 1907”, “Estatística geral da circumscripção escolar de Coimbra, relativa ao anno de 1903-1904” e “O ensino primário em Portugal: nas suas relações com a história geral da nação”.

A propósito do Doutor António de Pádua, outro médico ilustre que nasceu no concelho limiano, escrevia Francisco de Magalhães, no Elucidário Regionalista de Ponte de Lima, o seguinte: “Honrada e, ainda mais, envaidecida sentia-se, também, Ponte de Lima. É que sucedeu, e no decurso de uma porção de anos, três filhos seus – desta vila pequenina, sempre, porém, farta de glórias – pertencerem, simultaneamente, ao corpo docente da Universidade de Coimbra, a saber: Doutor Alfredo da Rocha Peixoto, da Faculdade de Matemática; Doutor Augusto Joaquim Alves dos Santos, da Faculdade de Teologia; e Doutor António de Pádua, da Faculdade de Medicina.

Qual a cidade de província, populosa mesmo – e intencionalmente saio dos limites duma vila – que se pudesse exprimir, naquele instante, sob este aspecto, como Ponte de Lima ?

Não obstante, como disse o cronista, Ponte de Lima ter-se sentido “honrada e, ainda mais, envaidecida”, o Dr. Alves dos Santos permaneceu no desconhecimento da generalidade dos seus conterrâneos até muito recentemente, tendo cabido à revista “Anunciador das Feiras Novas” o mérito de o ter dado a conhecer e divulgar a sua obra. Ainda assim, uma sugestão feita à Câmara Municipal de Ponte de Lima e por esta unanimemente aceite, com vista à realização de uma homenagem por ocasião da passagem dos setenta e cinco anos sobre a data do seu falecimento, acabaria por cair no esquecimento em virtude da mudança de vereação entretanto verificada. Ficámo-nos pela atribuição do seu nome a uma artéria da vila quando foi necessário escolher novos topónimos para arruamentos entretanto construídos.

Contudo, a memória do Dr. Augusto Joaquim Alves dos Santos merecia mais porquanto constituiu uma das figuras mais notáveis do concelho de Ponte de Lima. A sua brilhante carreira de pedagogo, cientista e escritor bem justificaria a sua escolha para patrono de um estabelecimento de ensino no concelho de Ponte de Lima, proposta que pode ser apresentada pela Câmara Municipal ao abrigo do Decreto-Lei nº. 314/97, de 15 de Novembro. Assim exista vontade e Ponte de Lima sentir-se-á mais “honrada e, ainda mais, envaidecida”!

Bibliografia:

-  Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Editorial Enciclopédia. Lisboa. Rio de Janeiro.

-  MAGALHÃES, Francisco de. Médicos de Ponte de Lima. Elucidário Regionalista de Ponte de Lima. Livraria Soares Correia. Ponte de Lima. 1950

-  ABREU, M. V. Os primeiros laboratórios de psicologia em Portugal: Contexto e sentido da sua criação. Jornal de Psicologia nº. 9. 1990;

-  GOMES, J.F.. As origens do laboratório de psicologia experimental da Universidade de Coimbra. Revista Portuguesa de Pedagogia. XXIV. 1990;

-  RODRIGUES, Manuel Augusto. Memoria Professorvm Vniversitatis Conimbrigensis 1772-1937. Arquivo da Universidade de Coimbra. Coimbra. 1992;

- PINTO, Amâncio da Costa. Estudos de memória humana na década de 1920 na Universidade de Coimbra. Psychologica, 1992.

-  GOMES, Carlos. Dr. Alves dos Santos. Um limiano ilustre e desconhecido. Anunciador das Feiras Novas. Ano X. Ponte de Lima. 1993;

-  GOMES, Carlos. Dr. Alves dos Santos. Ponte de Lima vai prestar-lhe homenagem. Anunciador das Feiras Novas. Ano XI. Ponte de Lima. 1994;

-  GOMES, Carlos. Dr. Alves dos Santos. Alguns apontamentos biográficos. Anunciador das Feiras Novas. Ano XVII. Ponte de Lima. 2000;

Carlos Gomes, in Anunciador das Feiras Novas

PONTE DE LIMA: A LENDA DA CABRAÇÃO

A actual aldeia da Cabração, terá sido uma quinta de algum nobre godo, o que se retira de uma escritura que as freiras do mosteiro levaram quando foram para o Convento do Salvador de Braga. Aí se diz que, "indo D. Afonso Henriques à caça dos javalis, a esta freguesia, que é na serra de Arga, acompanhado de Nuno Velho, Sancho Nunes, Gonçalo Rodrigues, Lourenço Viegas, Soeiro Mendes (o Gordo), Gonçalo Ramires e outros fidalgos, o abade de Vitorino, D. Fernando, lhes deu aí de jantar, junto à capela de Nossa Senhora de Azevedo, no fim do qual o rei lhe demarcou o couto."

A Lenda da Cabração

Após o recontro no Rêgo do Azar, quis D. Afonso Henriques voltear pelas montanhas próximas, caçando ursos e javalis. Convidou alguns poucos ricos-homens e infanções.

Quando estavam no sítio que hoje se chama Cabração, apareceu muito açodado o Capelão das Freiras de Vitorino das Donas, que à frente de moços com cestos pesados andava desde manhã á busca do real monteador, com um banquete mandado do Mosteiro.

Em boa hora vinha a refeição.

Estendeu-se na relva uma toalha de linho e sentados em troncos de carvalho cortados à pressa, começou o jantar. Alegre ia correndo.

D. Nuno Soares por alcunha Nuno velho o postrimeiro para diferença de seu avô, a quem também haviam chamado o Velho e cujas proezas ainda se recontavam em toda a terra da Cervaria, começou a trinchar um leitão assado.

- Parece-me que tens mais jeito para matar infiéis, - disse-lhe o rei brincando.

- Ai Real senhor, antes eu ficasse morto com os últimos que matei, que desde essa refrega não passo um dia que não me lembre do momento em que o bom Cavaleiro Gonçalo da Maria exalou o derradeiro suspiro encostado a meu peito.

- Quisera eu ouvir da tua boca essa heróica morte do Lidador, interrompeu o Monarca triste, mas curioso. E o Senhor da Torre de Loivo obedeceu, com voz pousada e lágrimas nos olhos.

Ia escurecendo o dia e era tão esquisita a coincidência de estar ali um punhado de homens, senão solenizando um aniversário, festejando uma vitória, que talvez um pressentimento apertasse o coração dos guerreiros.

Atentos, escutavam silenciosos a narração. De golpe ergue-se o Espadeiro e olhou fito para as bandas da Galiza.

- Que examinais D. Egas? – perguntou o Príncipe.

- Vejo além muito ao longe um turbilhão de pó, que se aproxima. São talvez inimigos que procuram encontrar-nos descuidados.

De facto vagalhões de poeira negra encobriam multidão fosse do que fosse. O ruído do torpel era cada vez mais distinto.

- Sejamos prestes – gritou o rei, cingindo o seu enorme espadão. Todos fizeram o mesmo.
- Cavalgar, cavalgar; - já não era outra voz que se ouvia, enquanto cada um se dirigia para o lugar onde se prendera o seu cavalo.

O Capelão olhou, escutou e sentou-se começando a comer aqui e alem os deliciosos postres e bebendo aos goles pachorrentos um licor estomacal, resmungando:

- Deixa-los ir que voltam em breve. Eu era capaz de apostar todo o mel deste monte, em como sei que inimigos são aqueles. E mais dizem que é mel igual ao do Himeto. A história do Lidador é que lhes esquentou a cabeça.

Pouco depois voltavam os monteadores rindo á gargalhada.

- Cabras são: - disse o Rei ao apear-se, e dirigindo-se ao padre: - bem fizestes vós que não bulistes. E D. Afonso tomando um púcaro e enchendo-o de vinho num cangirão, acrescentou:

Bebei todos, que estais muito quentes e podeis ter um resfriado, e dizei-me depois se não valeu a pena o engano para nos refrescarmos agora com este delicioso néctar.

Capelão, quero comemorar o caso de confundir rebanhos de cabras com mesnadas de leonezes e beneficiar o convento para vos honrar a vós que fostes, não sei se mais perspicaz, se mais valente do que nós debicando mui sossegadamente em todos os doces.

Vou coutar aqui uma terra, para que as boas monjas possam de vez em quando apanhar bom ar da montanha e rir-se de nós. Riscou-se o couto e nessa noite os cavaleiros dormiram na ermida da Senhora de Azevedo.

O dito do rei Cabras são corrompeu-se em Cabração.

Fonte: Conde de Bertiandos, Cabras São, in Almanaque de Ponte de Lima, 1923.

PONTE DE LIMA: FREGUESIAS DE CABRAÇÃO E MOREIRA DO LIMA JÁ ESTÃO DISPONÍVEIS NO GEOPORTAL DE TOPONÍMIA E NÚMEROS DE POLÍCIA

Município de Ponte de Lima disponibiliza novo Geoportal de Toponímia e Números de Polícia

O Município de Ponte de Lima disponibiliza mais duas freguesias no Geoportal de Toponímia e Números de Polícia. Este serviço foi totalmente concebido pelo Município, tendo por base os processos de toponímia aprovados pela Câmara Municipal para cada uma das diferentes freguesias do concelho e os registos de números de polícia disponibilizados pelas juntas de freguesia.

O sistema já disponibilizava dados sobre as freguesias de Anais, Arca, Cabaços, Calvelo, Feitosa, Fojo Lobal, Fornelos, Freixo, Friastelas, Gaifar, Gandra, Gondufe, Mato, Navió, Poiares, Queijada, Rebordões Souto, Sandiães, Seara, Serdedelo, Vilar das Almas, Vitorino dos Piães, tendo sido reforçado com as freguesias de  Moreira do Lima e Cabração, encontrando-se em execução as freguesias de EstorãosCepões, Brandara, Labruja, Rebordões Santa Maria e Ponte de Lima. As restantes freguesias serão integradas logo que estejam reunidas as condições citas anteriormente.

Entre a grande diversidade de dados que constam da base de dados geográfica, foram criados dois tipos de acesso. O Geoportal de Toponímia e Números de Polícia para a internet (público em geral) disponibilizado no repositório de geoportais municipais, em http://sig.cm-pontedelima.pt e o Geoportal para a Intranet (para os serviços municipais).

O Primeiro desenvolvido sobre tecnologia que permite uma navegação mais amigável, mais rápida, mais dinâmica e mais intuitiva permite o acesso a informação essencial, tais como Número de Polícia, Coordenadas GPS, Tipo/Nome de Edifício, Topónimo, Código Postal, Tipo de Via, Designação e documento que em Reunião de Câmara aprovou o Topónimo. O segundo é um autêntico repositório, que reúne um conjunto de dados que permitirão otimizar a utilização dos recursos disponíveis nos diferentes serviços municipais, estando acessível pelos serviços municipais após autenticação.

Com a disponibilização deste serviço, passa a estar reunido num só local um conjunto de dados que estavam dispersos ou que simplesmente não existiam como informação geográfica. Trata-se de uma Base de Dados Geográfica que será o cerne do Sistema Municipal de Moradas, a implementar oportunamente e que permitirá aos mais diversos sistemas de gestão municipal utilizar uma única base de dados de moradas perfeitamente sistematizada e validada no terreno.

DR. ALVES DOS SANTOS FOI UM DOS MAIORES VULTOS LIMIANOS

O Dr. Augusto Joaquim Alves dos Santos foi uma das figuras mais ilustres do Concelho de Ponte de Lima. Nascido na Freguesia da Cabração em 14 de outubro de 1866, foi pedagogo, escritor e político. Exerceu as funções de Presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Diretor da Biblioteca da Universidade de Coimbra, Ministro do Trabalho, por três vezes eleito deputado pelo círculo de Coimbra entre 1910 e 1921, presidiu à Câmara dos Deputados e foi Chefe do Gabinete do Presidente do Governo provisório.

Foi um eminente teólogo, tendo frequentado o curso de Teologia do Seminário de Braga e recebido ordens sacras. Lecionou Grego e Hebraico no Liceu de Coimbra, Pedagogia, Psicologia e Psicologia Infantil, nomeadamente na Escola Normal Superior daquela cidade e, entre inúmeras cadeiras, Pedagogia, Psicologia e Lógica, História da Filosofia e Psicologia Experimental na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Em 1904 tornou-se Comendador da Ordem de Santiago.

Alves dos Santos foi o introdutor do estudo da psicologia em Portugal. De resto, a Universidade de Coimbra conserva o Laboratório com o seu próprio nome.

O Dr. Alves dos Santos faleceu em Coimbra em 17 de janeiro de 1924 e foi sepultado no cemitério da Conchada, naquela cidade. Na ocasião, a Câmara dos Deputados observou um minuto de silêncio e a comunicação social dedicou bastantes linhas ao nefasto acontecimento. Não deixou descendentes diretos. Na Cabração, a família “Santos” a que pertencia prolongou-se com o apelido “Gomes” e a casa onde Alves dos Santos nasceu permanece, altaneira, no caminho que segue para o lugar de Além.

Junto se reproduz e transcreve o seu assento paroquial de batismo.

Transcrição:

“Aos vinte e hum dias do mês de outubro do anno de mil e oito centos sasenta e seis n’esta parochial Igreja de Sancta Maria da Cabração, concelho de Ponte do Lima Diocese de Braga Primaz Baptizei Solenemente hum indevido do sexo masculino a quem dei o nome de Augusto Joaquim Santos que nasceo nesta freguesia no dia quatorze de outubro pelas quatro horas da manha do dito mês e anno folho legitimo de Manoel Joaquim Rodrigues dos Santos e Anna Maria Alves Soares natural da freguesia de Sam João da Rebeira e ele natural desta freguesia recebidos (…) de Ponte de Lima mas parochianos Proprietarios e moradores no Lugar da Igreja desta freguesia. Nepto Paterno de Antonio Jose Rodrigues dos Santos já defunto e Anna Joaquina Dantas proprietários e moradores no Lugar de Igreja que he desta freguesia e ella hoje residente na freguesia da Labruje deste concelho Materno de Antonio Jose Alves, Soares digo de Antonio Jose Alves e Mariana Luisa Soares da freguesia de Sam João da Ribeira Lugar de Crasto proprietários e forão Padrinhos o Reverendo Manoel Joaquim Soares thio do Baptizado e Maria Rosa Alves, solteira thia do Baptizado ambos da freguesia de Sam João da Rebeira Lugar de Crasto os quais todos sei serem os próprios. E para constar labrei em duplicado o prezente assento que depois de lido e conferido perante os Padrinhos comigo assinarão Era est supra.

os Padrinhos Manoel Joaquim Soares

                      Maria Rosa Alves

O Parocho     Antonio Raymundo da Cunha Ferreira”

(Arquivo Distrital de Viana do Castelo. Fundo Paroquial de Ponte de Lima – Cabração. Livro de baptismos. Datas extremas: 1855 – 1890. Fls. 33 Cota 3.13.1.32)

VILA NOVA DE CERVEIRA: PROSPEÇÃO DE OURO EM COVAS AMEAÇA PARAÍSO AMBIENTAL

A empresa canadiana Avrupa Minerals Ltd anunciou recentemente no seu site oficial ter encontrado nas antigas minas de Covas, em Vila Nova de Cerveira, ouro e tungsténio, vulgo volfrâmio, em quantidade “significativa” para ser explorada. As prospeções decorrem numa área de cerca de 900 metros de comprimento por 100 metros de largura, tendo-se registado a presença de ouro em quase todas as amostras recolhidas. O melhor resultado obtido representou 10,2 gramas de ouro por tonelada de terra e rocha removida.

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Com efeito, o ouro encontra-se disperso no subsolo em ínfimas proporções pelo que é necessário proceder à remoção de grandes quantidades de solo para se poder obter uma pequena quantidade de metal precioso. Mais ainda, a sua extração é efetuada com recurso a lixiviantes com cianeto, mercúrio e metais pesados de elevado teor tóxico e altamente prejudiciais para a saúde e o meio ambiente.

Com a extração de ouro, na freguesia de Covas, os recursos naturais ficarão contaminados e os solos agrícolas destruídos, a paisagem não será mais a mesma e a população perderá a sua qualidade de vida a troco de uma miragem cujo brilho do ouro jamais enxergarão. Há muitas décadas, também na vizinha Freguesia da Cabração, em Ponte de Lima, se extraiu ouro e estanho sem que a população alguma vez tivesse recebido qualquer benefício da exploração. A própria energia elétrica só chegou em 1975, muito tempo decorrido desde a suspensão da atividade mineira naquela localidade.

O BLOGUE DO MINHO dedica hoje uma série de artigos à Freguesia de Covas, do Concelho de Vila Nova de Cerveira. As fotos que junto reproduzimos são da autoria de vários habitantes desta localidade e a sua publicação destina-se a dar a conhecer os encantos desta terra minhota.

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CARDEAL PATRIARCA PUBLICA NORMAS SOBRE EXORCISMOS E FUNERAIS

Documento pede articulação entre ciências médicas e assistência espiritual para responder a aumento de pedidos de ajuda

O cardeal-patriarca de Lisboa publicou um conjunto de normas sobre a celebração de bênçãos, funerais e exorcismos, apelando, no caso destes últimos, a uma “boa articulação” entre as ciências médicas e a assistência espiritual.

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As imagens registam os exorcismos praticados na década de setenta, na localidade de Cabração, Concelho de Ponte de Lima, pelo pároco Manuel Lopes Miranda

No documento, publicado pela página do Patriarcado na Internet, revela-se que “tem vindo a aumentar o número de pessoas que, por se considerarem atormentadas pelos poderes do mal, recorrem à Igreja, procurando auxílio espiritual”.

As ‘Normas Pastorais’, com data de 25 de janeiro, reúnem um conjunto de indicações que visam “inserir as regras canónicas e litúrgicas para a celebração dos Sacramentos e Sacramentais num processo de pastoral dinâmica, de evangelização”.

Nesse sentido, D. José Policarpo pede um “acolhimento personalizado” de quem procura a Igreja para um exorcismo, para permitir “o discernimento de cada caso, também no que diz respeito a eventuais perturbações do foro psicossomático”.

“Ignorá-las ou desprezá-las é uma falta de respeito pela pessoa que sofre, porque o induz em erro, o leva facilmente a uma passividade, que o impede de um verdadeiro ato de fé, e pode mesmo dificultar a sua cura”, pode ler-se.

As novas normas apelam aos padres, para que “estejam suficientemente preparados e esclarecidos sobre o modo de acolher e ajudar essas pessoas”. O exorcismo, precisa o documento, tem por finalidade “expulsar os demónios ou libertar da influência diabólica”, pelo que cabe ao sacerdote “distinguir corretamente” os casos de “ataque do diabo”.

Em caso de celebração do exorcismo, é pedido que este se realize “de modo que se manifeste a fé da Igreja e não possa ser considerado por ninguém como ação mágica ou supersticiosa”, evitando fazer dele “um espetáculo para os presentes”.

“Todos os meios de comunicação social estão excluídos, durante a celebração do exorcismo, e também antes dessa celebração; e concluído o exorcismo, nem o exorcista nem os presentes divulguem qualquer notícia a seu respeito, mas observem a devida discrição”, assinala o ponto 46 do documento.

As normas agora publicadas vêm completar o documento que tinha sido publicado pelo Patriarcado de Lisboa, em 18 de maio de 2008, sobre os Sacramentos da Iniciação Cristã (Batismo, Confirmação e Eucaristia).

No que diz respeito aos funerais, o Patriarcado recorda que são “uma celebração da Igreja” e um “ato de culto”, pelo que se devem observar “as leis litúrgicas” e as disposições do Código de Direito Canónico.

“Com este fim e também para não provocar ou agravar divisões no interior das comunidades, não devem aceitar-se, a cobrir os féretros, bandeiras de agrupamentos políticos partidários, sejam eles quais forem”, refere o texto.

Entre as normas previstas para os casos de cremação sublinha-se que “não se devem lançar as cinzas do corpo humano à terra”.

NRF/PL/OC

Fonte: http://www.agencia.ecclesia.pt/

PONTE DE LIMA: CABRAÇÃO É UM SANTUÁRIO DA NATUREZA!

Rodeada de floresta e sem iluminação pública até há escassas quatro décadas, a Cabração viveu ao longo de séculos isolada na encosta da serra, fechada sobre si mesma, temerosa do bulício que ocorria à sua volta. De importantes acontecimentos que vieram a ficar na História chegava, por vezes, o som longínquo que ecoava para além dos montes, umas vezes do lado da Galiza quando a Espanha esteve a ferro e fogo, outras mais a sul quando os realistas proclamaram em Viana do Castelo a restauração do regime monárquico. Na Cabração, apenas na Além foi hasteada a bandeira monárquica por essa altura, na casa que foi dos Carmo.

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Nesta casa foi hasteada a bandeira realista quando foi proclamada a Monarquia do Norte, em 1919

À noitinha, à lareira, contavam-se estórias de almas penadas que apareciam nas encruzilhadas e de bruxas que se juntavam sob a velha ponte de madeira que, mais à frente da Regueira ligava à Balouca. Tais crenças que nos testemunham ritos ancestrais ligados ao paganismo, alimentavam a imaginação dos mais novos e fizeram da Cabração terra fértil para a prática de exorcismos que tiveram no senhor abade – o padre Manuel Lopes Miranda – o último representante do guardião do paraíso.

A feira de Ponte de Lima que se realiza todas as segundas-feiras desde tempos imemoráveis e cujo testemunho documental mais antigo que se conhece é o foral atribuído por D. Teresa em 1125, era praticamente a única saída para o mundo. Até ao aparecimento da camioneta da carreira, o povo juntava-se em ranchos e lá ia, reta abaixo, até à bila. Ali, enquanto uns feiravam, outros guardavam as compras. Os mais novos aproveitavam para fazer novos namoricos. O ponto de encontro era junto à torre onde se encontra o magnífico painel de azulejos de Jorge Colaço que conta a lenda da Cabração. Mais recentemente, as pessoas juntavam no Café Guerra que ficava próximo. E, à tardinha, regressavam à terra ainda a tempo de darem de comer ao gado.

A partir dos começos do século vinte, muitos filhos desta terra debandaram para o Brasil e Lisboa. Mais tarde, nos anos sessenta, a França tornou-se o principal destino mas houve ainda quem se aventurasse por outras paragens, como Espanha, Alemanha e até os Estados Unidos da América. E, quem ficava, via com desconsolo as leiras ficarem de velho. À parte a ocasião em que se realiza a festa à Padroeira no 15 de agosto, pouco mais de uma centena de almas povoa a localidade. Porém, a Cabração chegou a ter mais de meio milhar de habitantes.

Apesar de humilde, é uma terra cheia de encantos de rara beleza e um local bastante aprazível para viver, suficientemente distante do frenesi dos grandes aglomerados urbanos. Aqui escorria o mel que as abelhas produziam em milhares de colmeias que povoavam os montes onde cresce toda a sorte de plantas silvestres respirando ar puro. E também o leite dos numerosos rebanhos de cabras que outrora aqui apascentavam e vieram a dar nome à terra – Cabras são, Senhor!

A Cabração é terra antiquíssima como se documenta pelo conhecimento que se tem da existência de um povoado castrejo pré-romano e do Convento da Carrapachana cuja localização não foi ainda possível determinar com absoluta segurança, apesar dos vestígios de ruínas no Outeirinho e na Costa. Mas, a humildade da terra não permitiu despertar até ao presente o interesse dos arqueólogos.

Não obstante, aqui nasceram algumas das mais ilustres figuras de Ponte de Lima como foi o Dr. Augusto Joaquim Alves dos Santos que, para além de eminente pedagogo, teólogo, escritor, político e cientista, foi o introdutor do estudo da Psicologia em Portugal, tendo na Universidade de Coimbra criado um laboratório, atualmente transformado em museu que ostenta o seu nome.

Ao perpetuar a sua memória na toponímia da vila, Ponte de Lima reconheceu a sua importância. Porém, como pedagogo, bem poderia tornar-se o patrono de uma das escolas do nosso Concelho e, sobretudo, a sua vida e a vasta obra que produziu serem dadas a conhecer aos seus conterrâneos.

Nos tempos que correm, a luz elétrica já ilumina os caminhos da freguesia. Porém, a razão ainda não ilumina as mentes que continuam a ignorar a extraordinária riqueza histórica, paisagística e ambiental que a Cabração guarda dentro de si e, qual santuário, preserva longe dos olhares profanos.

O Dr. Alves dos Santos, uma das figuras mais ilustres de Ponte de Lima, nasceu na Cabração

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O padre Manuel Lopes Miranda realizando um dos seus exorcismos

CABRAÇÃO FESTEJA A NOSSA SENHORA DO AZEVEDO

No dia 15 de agosto, festeja a Cabração a Nossa Senhora do Azevedo, padroeira da Freguesia. Neste dia, todos os filhos que em terras distantes labutam, estejam em Lisboa ou no estrangeiro, regressam à terra para encontrarem-se com os seus familiares e amigos. É a festa maior da freguesia que por essa altura se torna muito populosa. Atualmente, durante a maior parte do ano, apenas ali vive pouco mais de uma centena de almas numa vastidão com mais de dezasseis quilómetros quadrados, superior ao território de alguns concelhos do país.

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Mas, apesar da escassez de gente, a festa nunca deixa de realizar-se e, da capela de Nossa Senhora do Azevedo, saem os pendões e os andores enfeitados em procissão até à Crus da Veiga, dando a volta ao cruzeiro e regressando pelo mesmo caminho. E, nenhum dos santos falta à procissão…

Também, no domingo que ocorre ao dia 13 de junho, o povo desta terra faz a festa a Santo António.

Em tempos mais recuados, nos finais de julho, também era costume as gentes da Cabração irem em peregrinação a Santa Rica que fica no Alto da Travanca, no limite geográfico com a vizinha Freguesia de Romarigães, do Concelho de Paredes de Coura. O culto e a festa eram realizados pelos povos das duas localidades. Atualmente, as gentes da Cabração ainda vão a Santa Rita mas a festa é organizada pelas gentes de Romarigães.

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Fotos cedidas pelos habitantes da Freguesia da Cabração

A FREGUESIA DA CABRAÇÃO NA "COROGRAFIA PORTUGUEZA"

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“Nossa Senhora da Natividade de Cabração, parece que foi toda, ou parte Couto do Mosteiro de Vitorino, que devia ali ter quinta de criação de gados, o que se infere de uma escritura, que dele se conserva no do Salvador de Braga, para onde se mudou, na qual se diz, que indo El Rei Dom Afonso Henriques à caça de porcos-bravos a esta Freguesia, que é parte da Terra de Arga, acompanhando-o Nuno Velho, Sancho Nunes, Gonçalo Rodrigues, Lourenço Viegas, e outros fidalgos, o Abade de Vitorino lhe deu um jantar junto da Ermida de Azevedo posta no dito monte de Cabração, no fim do qual El Rei lhe demarcou ali um Couto; mas arruinando-se a Capela, Dom Pascoal, Celeireiro em Ponte de Lima d’El Rei Dom Sancho o Primeiro, quis no ano de 1187 devassa-lo com lhe pagarem certos direitos, a que se opôs Dona Sancha Abadessa de Vitorino, e a Justiça mandou se entremeter-se entre o Celeireiro no Couto: hoje o não é, mais que Paróquia com Vigário, que apresentam as freiras do Salvador de Braga: tem oitenta vizinhos. O mel desta terra merece ser tão celebrado de nós, como é de Horácio o do monte Himeto.”

- in Corografia portugueza e descripçam topografica do famoso reyno de Portugal... / P. Antonio Carvalho da Costa

DR. ALVES DOS SANTOS: UM LIMIANO ILUSTRE E DESCONHECIDO

É sabido que o Concelho de Ponte de Lima possui uma extensa galeria de figuras notáveis como nenhum outro se pode orgulhar. É de igual modo verdade que, por vezes, muitas destas figuras ilustres permanecem durante certo tempo ignoradas por falta de conhecimento, apesar de em vida terem atingido grande notoriedade.

Foto existente na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, cedida ao autor

O Dr. Alves dos Santos tem sido precisamente uma dessas figuras ilustres e desconhecidas cuja estatura moral e craveira intelectual em muito prestigiam o nosso concelho.

De seu nome completo Augusto Joaquim Alves dos Santos, o nosso ilustre conterrâneo nasceu em 14 de Outubro de 1866, na Freguesia de Cabração, tendo falecido em 17 de janeiro de 1924 na cidade de Coimbra onde viveu e se distinguiu.

Apesar dos esforços desenvolvidos não conseguimos identificar possíveis descendentes ou outros familiares, nomeadamente na Freguesia de que foi natural. Sabemos unicamente que era filho de Manuel Joaquim Rodrigues dos Santos e Ana Maria Alves Soares.

Não é nosso propósito aqui fazer a sua biografia mas, no caso vertente, não resistimos a enumerar alguns dados biográficos pois o conhecimento do Dr. Alves dos Santos não dispensa apresentação.

Entre os inúmeros cargos que exerceu, o Dr. Alves dos Santos foi Presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ministro do Trabalho e por três vezes eleito deputado pelo círculo de Coimbra entre 1910 e 1921, chegando inclusivamente a presidir à Câmara dos Deputados. Foi ainda Diretor da Biblioteca da Universidade de Coimbra e, um ano após a implantação da República, Chefe do Gabinete do Presidente do Governo provisório.

Foi um eminente teólogo, tendo frequentado o curso de Teologia do Seminário de Braga e recebido ordens sacras. Comendador da Ordem de Santiago em 1904, lecionou Grego e Hebraico no Liceu de Coimbra, Pedagogia, Psicologia e Psicologia Infantil nomeadamente na Escola Normal Superior daquela cidade e, entre inúmeras cadeiras, Pedagogia, Psicologia e Lógica, História da Filosofia e Psicologia Experimental na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

A ele se deveu a instalação do Laboratório de Psicologia daquela Faculdade, no qual também desempenhou as funções de Diretor.

A sua obra literária é igualmente vasta, sendo de destacar os seguintes trabalhos:

- “Concordismo e Idealismo”, publicado em 1900;

- “O Problema da origem da família e do matrimónio em face da Bíblia e da Sociologia”, editado em 1901;

- “A nossa escola primária – o que tem sido e o que deve ser”, em 1910;

- “O ensino primário em Portugal, nas suas relações com a história geral da nação”, em 1913;

- “Elementos de filosofia científica”, em 1918;

- “Portugal e a Grande Guerra” (duas conferências), Coimbra, 1913;

- “Psicologia experimental e Pedagogia”, Coimbra, 1923;

O Dr. Alves dos Santos foi militante do Partido Republicano Nacionalista desde que se extinguira o Partido Republicano Evolucionista do Dr. António José de Almeida.

Sobre o seu perfil político, o periódico “O Despertar” de Coimbra, na sua edição de 19 de janeiro de 1924 afirmava:

Foi um orador fluente. Tanto da tribuna sagrada como em comícios públicos e mais tarde no parlamento, o sr. Dr. Alves dos Santos era sempre ouvido com o mais vivo interesse.

Conhecedor a fundo da língua, o saudoso extinto era fecundo em maravilhosas imagens, chegando, por vezes, a empolgar a assistência, com o seu gesto largo e manifesta sinceridade que exprimia às suas palavras.

Os seus adversários políticos, nomeadamente, eram os primeiros a reconhecer-lhe o mais formoso talento”.

Ainda segundo o mesmo periódico, o Dr. Alves dos Santos era uma figura “essencialmente popular, sem escusados preconceitos”, “estimadíssimo em Coimbra” e “um amigo devotado das crianças, às quais dedicava os mais vivos afectos”, razão pela qual lhes consagrou muitos dos seus estudos.

O Dr. Alves dos Santos residia no número catorze da rua Alexandre Herculano, na cidade de Coimbra, e faleceu na sequência de “uma horrorosa enfermidade para a qual a sciencia médica é ainda impotente”, conforme noticiava a “Gazeta de Coimbra”, no dia do seu falecimento.

No seu funeral estiveram representadas a Universidade de Coimbra, o Governador Civil do Distrito, os ministros do Interior e do Trabalho, a Câmara Municipal de Coimbra e a Misericórdia local entre numerosas outras entidades. Isto apesar da vontade manifesta do Dr. Alves dos Santos na realização de uma cerimónia fúnebre discreta.

Na Câmara Municipal e no Centro Nacionalista foi içada a bandeira nacional a meia haste e na Câmara dos Deputados foi aprovado um voto de sentimento.

Os restos mortais do Dr. Alves dos Santos encontram-se depositados no Cemitério da Conchada, em Coimbra, mais concretamente na sepultura nº. 16 do leirão nº. 23, conforme notícia publicada em “O Despertar” de 19 de janeiro de 1924.

O seu nome não consta da toponímia da cidade de Coimbra nem do Concelho de Ponte de Lima.

Contudo, como dizia o periódico acima citado na referida edição, o Dr. Alves dos Santos foi um “patriota dos mais eminentes, foi sempre um grande liberal, perdendo o país no saudoso finado um dos seus filhos mais ilustres”.

- Carlos Gomes em “O Anunciador das Feiras Novas”, nº X, Ponte de Lima, 1993

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O Dr. Alves dos Santos (segundo a contar da direita) foi Ministro do Trabalho no governo do Dr. Cunha Leal

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A foto, publicada na revista “Ilustração Portugueza” de 28 de janeiro de 1922, mostra a visita do Dr. Alves dos Santos, na qualidade de Ministro do Trabalho, ao asilo D. Maria Pia 

Notas:

1. Alguns anos após a publicação deste artigo, a Câmara Municipal de Ponte de Lima atribuiu o seu nome a uma das artérias da vila limiana.

2. O Dr. Alves dos Santos não teve descendentes diretos. De acordo com pesquisas genealógicas posteriormente efetuadas, Augusto Joaquim Alves dos Santos era oriundo da família Carmo (da Além) dos quais teve origem o apelido Santos e que, por sua vez, veio a ligar-se a um dos ramos da família Gomes, estes provenientes da Balouca. Por conseguinte, os Gomes que se encontram ligados ao “Carmo” são descendentes indiretos do Dr. Alves dos Santos, atualmente primos a partir do 3º grau.

CABRAÇÃO: PÉROLA ESCONDIDA NA SERRA D'ARGA

Qual quadro impressionista no qual o pintor pincelou a tons de verde a clorofila que domina a paisagem, a Cabração é obra-prima do Criador que nas fraldas da serra d’Arga criou um paraíso terreal onde corre o leite e o mel, por sinal tão afamado quanto ao de Himeto, entre os antigos gregos. Quem percorre trilhos e veredas desta povoação – de escassa população mas de grande extensão – pulando os muros de pedra e descendo as ravinas, desde as leiras da escusa às cachoeiras do Passadouro na Balouca, do alto do Chibadouro e dos caminhos sinuosos da Lousa aos recantos da Bemposta, é surpreendido por algo inesperado que se nos oferece aos sentidos. 

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A Cabração é uma sinfonia de cor e luz que nos invade a alma e penetra o coração. Sobre os caminhos, cachos de uvas morangueiras nas latadas exalam um perfume inebriante e o seu suco, qual elixir dionisíaco, deixa um aroma que nos extasia, proporcionando uma atmosfera divinal que nos remete para o monte Parnaso onde António Feijó se inspirou ao redigir os seus versos:

                                      "Nasci à beira do Rio Lima,

                                      Rio saudoso, todo cristal,

                                      Daí a angùstia que me vitima,

                                      Daí deriva todo o meu mal.

                                     

                                      É que nas terras que tenho visto,

                                      Por toda a parte por onde andei,

                                      Nunca achei nada mais imprevisto,

                                      Terra mais linda nunca encontrei.

                                     

                                      São águas claras sempre cantando,

                                      Verdes colinas, alvor de areia,

                                      Brancas ermidas, fontes chorando,

                                      Na TREMULINA DA "LUA CHEIA".

                                     

                                      Se é funda a mágua que me exaspera,

                                      Negra saudade que me devora...

                                      Regresso a ti - Volta a Primavera,

                                      À noite escura segue-se a aurora.

                                     

                                      Oh meus Amigos, quando eu morrer,

                                      Levai meu corpo despedaçado.

                                      Na minha terra, já sem sofrer,

                                      Dormir eu quero mais descansado.

                                     

                                      Belos domingos os das aldeias,

                                      Manhãs serenas, que alegrias,

                                      Um Deus amável até as feias,

                                      Leva cantando à romaria.

                                     

                                      Danças alegres há pelas eiras,

                                      Cantigas tristes pelas quebradas,

                                      Capelas brilham entre roseiras,

                                      As flores sorriem ás namoradas.

                                     

                                      Rindo e sonhando, passam as horas,

                                      Pelos outeiros do meu lugar,

                                      Lábios risonhos tintos de amoras,

                                      Bocas vermalhas sempre a cantar..."

António Feijó

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Vista aérea da Freguesia da Cabração, nas fraldas da Serra d'Arga

" (...) Mas saltara tão de improviso, que mal o viram relampejar, através do brejo, por uma das suas seitas, e num ápice se punha lá para a Cabração, em cujos tesos, a avaliar pelos latidos espaçados, os cães lhe perderam o rasto. Agora, em despeito da ressega, a cada passo os podengos soltavam a sua fanfarra e os gritos dos caçadores: cerca; aboca; ai, cãezinhos duma cana! repercutiam alacremente nas circunvolações dos oiteiros, debaixo do céu lavado.

O tojo, às duas margens do córrego, dava pela cinta dum homem; sobros e carvalhiços anões cresciam em touceiras tão fartas que a caça facilmente se escamugia e tinha bom encosto para alapardar-se."

Aquilino Ribeiro, em A Casa Grande de Romarigães

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Um aspecto do Lugar da Igreja, vulgo "baixa". 

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Um cruzeiro, a fonte e o espigueiro.

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Um aspecto da veiga da Cabração

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O Chouso e, ao longe, o Lugar da Lousa

VENHA DESCOBRIR A ALDEIA DE CABRAÇÃO

A 14 km para noroeste de Ponte Lima, a aldeia de Cabração situa-se entre duas elevações de natureza distinta: a ocidente, a Serra de Arga, uma imponente montanha granítica; a leste, a cumeada de xistos do Formigoso.

O meio envolvente...

Percorrendo a aldeia fica-se com a visão de uma geologia invulgar, pelos materiais usados na construção e ornamentação tradicionais, em especial xistos e granitos. Afloram por aqui algumas rochas quartzo-feldspáticas com grão muito grosseiro e cristais perfeitos vulgarmente conhecidas como pegmatitos. Na primeira metade do século XX, a exploração de estanho num importante conjunto de filões de pegmatito transformou Cabração numa aldeia mineira. A mina de Monteiros é o melhor exemplo dessa atividade. Em algumas escavações mineiras antigas identificam-se, ainda hoje, alguns minerais muito raros, que em Portugal só são conhecidos nesta região. A Serra de Arga, sobranceira à aldeia, deve a sua designação às ocorrências auríferas que foram exploradas no período de ocupação romana da Península Ibérica. Algumas minas revelam trabalhos antigos que a arqueologia industrial atribui a este período. As gentes de Cabração identificam-se com a vivência mineira. Sinal desta afinidade é o vocabulário regional, que retém as designações corrompidas de alguns minerais: "volfro" (volframite), "vidrilho" (turmalina gema) ou "louça" (feldspato). Entre os símbolos arquitetónicos, contam-se ruínas de instalações e outros vestígios do ciclo do estanho, e mesmo alguns espaços com apetência para atividades de lazer, como são as albufeiras do Lourinhal, que têm na sua origem a indústria extrativa. Atualmente, os principais alvos de prospeção são os minerais industriais, o feldspato, a andaluzite e a petalite. Em Portugal, a petalite foi descoberta pela primeira vez junto desta aldeia. Persiste assim a apetência mineira e a singularidade geológica de Cabração. Em termos gastronómicos, Cabração distingue-se pelo arroz de sarrabulho, rojões à moda do Minho, cozido à portuguesa, cabrito assado, fumeiro (enchidos e presunto), lampreia, enguias, truta, broa de milho, vinho verde e mel. Quanto ao património edificado merecem destaque alguns cruzeiros e a Igreja Paroquial de Santa Maria da Cabração. É uma igreja muito pequena que esteve ligada ao mosteiro do Salvador, de Braga. Em 1761 foi totalmente remodelada. Os leves labores rococó que se podem ver lavrados nas portas principal e lateral repetem-se no interior em todos os retábulos, mas ganham uma nova dimensão num deles, feito em pedra, um dos raríssimos retábulos da segunda metade do século XVIII feito neste material. Na Cabração atraem ainda a nossa atenção algumas raras casas feitas de xisto. A aldeia, em termos paisagísticos, é enquadrada pelos rios Lima e Estorãos, pelas Serras D’Arga e da Labruja e pelo Lugar da Escusa.

Fonte: http://www.aldeiasdeportugal.pt/

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A imagem mostra a veiga e o Lugar da Igreja

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A "baixa" é o sítio de encontro das gentes desta terra

Vista do Formigoso

Vista panorâmica do Formigoso a partir do Lugar de Além

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Um aspecto do Lugar de Além vendo-se ao fundo o Formigoso

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Os tons verdejantes variam consoante as estações do ano

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Quem sobe ao Lugar da Escusa tem a possibilidade de desfrutar magníficas vistas panorâmicas...

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...e contemplar o gado a pastar nas leiras verdejantes!

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Na Cabração, a natureza surpreende-nos a cada instante com cenários de rara beleza

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Parafraseando Miguel Torga, na Cabração tudo é verde: o vinho é verde, o caldo é verde...

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O casario costrasta com os campos verdejantes dos milheirais

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Ao longe, na outra vertente do Formigoso, atravessa a autoestrada A3 que liga o Porto a Valença...

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A casa do Carmo, assim designada por ter pertencido a uma família com esse apelido, conserva na fachada o escudo nacional que evoca a adesão do seu antigo proprietário à "Monarquia do Norte" em 1919

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O calcetamento dos caminhos rurais foi realizado através exclusivamente dos recursos da terra com a gestão dos baldios

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O Lugar da Escusa é um dos recantos mais bonitos e fascinantes da Cabração

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A Cabração situa-se nas fraldas da Serra d'Arga

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A gravura mostra uma magnífica latada de vinha no Lugar da Escusa

O Formigoso encerra recantos de rara beleza paisagística

A imagem mostra a torre da Capela de Nossa Senhora do Azevedo

Fotos cedidas pelos habitantes da Freguesia da Cabração

CABRAS SÃO, SENHOR...

Segundo rezam os cálculos dos historiadores, o torneio de Valdevez deverá ter ocorrido nos começos de 1140, após o qual volteou D. Afonso Henriques “pelas montanhas próximas, caçando ursos e javalis” e, com os seus ricos-homens e infanções, terá chegado ao “sítio que hoje se chama Cabração”. Desde então, não há memória de algum Chefe de Estado – rei ou presidente da República – ter visitado a Freguesia de Cabração, nem que ao menos fosse para caçar ursos e javalis… 

Painel de azulejos existente em Ponte de Lima, da autoria de Jorge Colaço

“Após o recontro no Rêgo do Azar, quiz D. Afonso Henriques voltear pelas montanhas próximas, caçando ursos e javalis. Convidou alguns poucos ricos-homens e infanções. Quando estavam no sítio que hoje se chama Cabração, apareceu muito açodado o Capelão das freiras de Vitorino das Donas, que à frente de moços com cestos pesados andava desde manhã à busca do real monteador, com um banquete mandado do Mosteiro. Em boa hora vinha a refeição. Estendeu-se na relva uma toalha de linho e sentados em troncos de carvalho cortados à pressa, começou o jantar. Alegre ia correndo. D. Nuno Soares por alcunha o Velho e o postrimeiro para diferença de seu avô, a quem também haviam chamado o Velho e cujas proezas ainda se recontavam em toda a terra da Cervaria, começou a trinchar um leitão assado.

- Parece-me que tens mais jeito para matar infiéis, - disse-lhe o Rei brincando. – Ai Real Senhor, antes eu ficasse morto com os últimos que matei, que desde essa refrega não passo um dia que me não lembre do momento em que o bom cavaleiro Gonçalo da Maia exalou o derradeiro suspiro encostado ao meu peito.

- Quisera eu ouvir da tua boca essa heroica morte do Lidador, interrompeu o Monarca triste, mas curioso. E o Senhor da Torre do Loivo obedeceu, com voz pausada e lágrimas nos olhos.

Ia escurecendo o dia e era tão esquisita a coincidência de estar ali um punhado de homens, senão solenizando um aniversário, festejando uma vitória, que talvez um pressentimento apertasse o coração dos guerreiros.

Atentos, escutavam silenciosos a narração. De golpe ergueu-se o Espadeiro e olhou fito para as bandas da Galiza.

- Que examinas D. Egas? – Perguntou o Príncipe. – Vejo além muito ao longe um turbilhão de pó, que se aproxima. São talvez inimigos que procuram encontrar-nos dcescuidados.

De facto vagalhões de poeira negra encobriam multidão fosse do que fosse. O ruído do tropel era cada vez mais distinto.

- Sejamos prestes – gritou o Rei, cingindo o seu enorme espadão. Todos fizeram o mesmo. – Cavalgar, cavalgar, já não era outra a voz que se ouvia, enquanto cada um se dirigia para o lugar onde prendera o seu cavalo. O capelão olhou, escutou e sentou-se começando a comer aqui e além os deliciosos postres e bebendo aos goles pachorrentos um licor estomacal, resmungando… - Deixa-los ir que voltam breve. Eu era capaz de apostar todo o mel deste monte, em como sei que inimigos são aqueles. E mais dizem que é mel igual ao do Himeto. A historia do Lidador é que lhes esquentou a cabeça.

Pouco depois voltavam os monteadores rindo à gargalhada. – Cabras são: - disse o rei ao apear-se, e, dirigindo-se ao padre: - bem fizestes vós que não bulistes. E D. Afonso tomando um púcaro e enchendo-o de vinho num cangirão, acrescentou.

- Bebi todos, que estais muito quentes e podeis ter um resfriado, e dizei-me depois se não valeu a pena o engano para nos refrescarmos agora com este delicioso néctar.

Capelão, quero comemorar o caso de confundir rebanhos de cabras com mesnada de leonezes e beneficiar o convento para vos honrar a vós que fostes, não sei se mais perspicaz, se mais valente do que nós debicando mui sossegadamente em todos os doces.

Vou coutar aqui uma terra, para que as boas monjas possam de vez em quando apanhar bom ar da montanha e rir-se de nós.

Riscou-se o couto e nessa noite os cavaleiros dormiram na ermida da Senhora do Azevedo. O dito do Rei “Cabras são” corrompeu-se em Cabração.”

Conde de Bertiandos, Cabras São, in “Almanaque de Ponte de Lima, 1923

CABRAÇÃO É UMA DAS MAIORES E MAIS ANTIGAS FREGUESIAS DE PORTUGAL

O BLOGUE DO MINHO publica hoje uma série de artigos dedicados à Freguesia de Cabração, no Concelho de Ponte de Lima. É o resultado de um trabalho coletivo de diversos habitantes desta freguesia que contribuíram nomeadamente com a cedência de fotografias. Alguns, a residir em paragens distantes mas que, nem por isso, esquecem a terra que os viu nascer. Deste modo, as gentes da Cabração partilham em particular com todos os minhotos e os leitores do BLOGUE DO MINHO em geral, as belezas da sua terra e convidam-nas a desvendar os seus encantos, na certeza de que serão recebidos com a tradicional hospitalidade minhota.

Também o gestor do BLOGUE DO MINHO presta deste modo uma homenagem à terra que foi dos seus ancestrais e às suas gentes a quem o ligam uma sincera amizade.

Em relação ao BLOGUE DO MINHO, é seu propósito prosseguir na divulgação das terras do nosso Minho, desde as mais progressivas cidades aos mais humildes lugarejos, esperando para isso poder contar com a colaboração ativa das suas gentes, à semelhança que agora se verifica com a Freguesia de Cabração.

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DR. ALVES DOS SANTOS: PIONEIRO DO ESTUDO DA PSICOLOGIA EM PORTUGAL

O Dr. Alves dos Santos, um dos mais ilustres filhos de Ponte de Lima, foi o pioneiro do estudo e investigação da psicologia no nosso país, continuando a sua obra a ser estudada pelos mais notáveis académicos decorridos mais de oito décadas desde a data do seu desaparecimento. A obra que publicou em 1923, “Psicologia Experimental e Pedologia”, é considerada aliás um marco “na história da psicologia em Portugal pelo seu pioneirismo e importância histórica”.

Num dos trabalhos publicados na Revista Portuguesa de Pedagogia a propósito da criação do laboratório de psicologia experimental da Universidade de Coimbra, J. F. Gomes inclui alguns dados biográficos que transcrevemos: “Alves dos Santos nasceu em Cabração, Ponte de Lima, em 14 de Outubro de 1866 e faleceu em 17 de Janeiro de 1924, com 58 anos incompletos. Doutorou-se na Faculdade de Teologia de Braga em 1890. Com a extinção da Faculdade de Teologia, Alves dos Santos é colocado na Faculdade de Letras de Coimbra, sendo nomeado professor de pedagogia por Decreto de 9 de Dezembro de 1911. (…) De Agosto até finais de Novembro de 1912 efectua uma visita às Universidades de Genebra e Paris, tendo adquirido livros e equipamento laboratorial que lhe permitiram fundar e organizar no regresso a Coimbra o laboratório de psicologia experimental, tendo o funcionamento deste sido iniciado em meados de Fevereiro de 1913”. Este foi, pois, o primeiro laboratório de psicologia experimental instalado em Portugal.

Em 1992, Professor Dr. Amâncio da Costa Pinto, actualmente professor catedrático a exercer docência na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, publica na revista Psychologica um artigo científico sob o título “Estudos de Memória Humana na década de 1920 na Universidade de Coimbra”, no qual analisa “o modo como a memória humana foi abordada a nível teórico e a nível experimental”, fazendo incidir a sua reflexão no capítulo “Mnemometria” da obra “Psicologia Experimental e Pedologia” do Dr. Alves dos Santos e também na tese de doutoramento “ O problema da recognição: Estudo psicológico teórico-experimental”, do Dr. Sílvio de Lima, publicada em 1928. A parte do artigo dedicada ao estudo da obra do Dr. Alves dos Santos aborda os seguintes temas: A “Noção de memória”, a “Classificação das memórias”, “Mecanismos e operações de memória” e a “Descrição dos dois estudos experimentais realizados”.

Afirma o articulista que “…este capítulo e os restantes do livro, além de terem por objectivo promover as investigações do Laboratório e os trabalhos dos alunos, constituem um excelente manual de formação dos futuros investigadores em psicologia experimental. Se o livro não foi usado como tal durante as décadas seguintes, não foi por falta de mérito e valor pedagógico nele contido”. E acrescenta: “Alves dos Santos apresenta ainda uma concepção inovadora de memória humana, ao afirmar que é precisamente a memória que torna “possível e inteligível a unidade e a identidade do eu”. Só muitas décadas mais tarde, nomeadamente nos anos 70 e 80, é que o estudo da memória humana veio a ter o protagonismo por ele antecipado. Acrescente-se a finalizar a elaboração temerosa, porque esboçada em nota de rodapé, mas valiosa e consequente, de uma classificação das memórias humanas, tema que voltou a interessar os investigadores nestes últimos 20 anos”.

A título de curiosidade e sem pretender reproduzir integralmente o artigo referido, transcrevemos uma breve passagem a respeito da “Classificação das memórias” que é feita: “Alves dos Santos rejeita a noção de que a memória é uma mera faculdade para reter ideias. A memória enquanto faculdade é “um erro”, já que não há uma memória, mas “memórias ou um feixe de memórias”, e estas em regra são muito desiguais, tanto em qualidade, como em quantidade…”. A causa desta diversidade resulta “da estrutura do órgão, que as elabora, e das circunstâncias da sua produção”. Por estrutura do órgão Alves dos Santos refere-se provavelmente à complexidade e plasticidade do cérebro, enquanto que as circunstâncias de produção teriam a ver com “a riqueza das respectivas associações”.

Alves dos Santos propõe dois sistemas de classificação de memórias. O primeiro sistema de memória é desenvolvido no corpo do texto e classifica a função mnésica em inorgânica, orgânica e psíquica. É uma classificação proposta na sequência talvez dos estudos de Rbot.

A memória inorgânica seria uma expressão da energia físico-química.

A memória orgânica, de ordem biológica, seria privativa de seres dotados de sistema nervoso. As modificações neste tipo de memória seriam susceptíveis de persistência, mesmo após ter desaparecido o estímulo que as desencadeou e de reprodução activa destas através da evocação e da identificação.

Alves dos Santos não define nem esclarece o mecanismo destas operações, principalmente as respeitantes à reprodução das impressões e modificações conservadas. Acrescenta no entanto uma explicação fisiológica para o seu bom funcionamento ao referir que a conservação depende da plasticidade do cérebro proporcionada pela nutrição e que a reprodução seria dependente do estado do aparelho vascular.

(…) Para justificar esta diversidade de memórias, Alves dos Santos adverte: “Não é de admirar, pois que “memórias” cada um tem as suas; e, todas juntas, são tantas, como os cabelos da cabeça”.

Relativamente ao Laboratório de Psicologia Experimental da Universidade de Coimbra, fundado em 1912 pelo Dr. Alves dos Santos, os seus aparelhos e outros instrumentos então utilizados encontram-se actualmente à guarda do actual Laboratório de Psicologia Experimental existente na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, constituindo um núcleo museológico devidamente catalogado e descrito num volume dedicado ao laboratório e ao seu fundador. De referir ainda que, apesar do ensino da psicologia ter-se iniciado naquela Universidade em 1911, apenas no ano lectivo de 1976/1977 teve início o Curso Superior de Psicologia inserida na Faculdade de Letras para em 1980 ser finalmente criada a Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação.

Não vamos enumerar aqui a sua vasta obra literária e científica como também não nos alongaremos na sua descrição biográfica porquanto já o fizemos em edições anteriores da revista Anunciador das Feiras Novas, bastando para tal os interessados seguirem as referências bibliográficas do presente artigo. Lembramos apenas, a quantos estejam porventura interessados em conhecer a sua obra, que podem consultar na Biblioteca Municipal de Ponte de Lima o seu livro “Elementos de Filosofia Sciêntífica”, constituindo este o único título disponível neste local. Contudo, na Biblioteca Nacional, em Lisboa, encontram-se depositados além daquele, ainda os seguintes livros do Dr. Alves dos Santos: “Um plano de reorganização do ensino público: projecto de lei, para apresentar à Câmara dos Senhores Deputados”, “O problema da origem da família e do património em face da Bíblia e da sociologia”, “Orações fúnebres”, “Elogio fúnebre do Conselheiro de Estado, Ernesto Rodolpho Hintze Ribeiro, proferido nas exéquias… 13 de Novembro de 1907”, “Estatística geral da circumscripção escolar de Coimbra, relativa ao anno de 1903-1904” e “O ensino primário em Portugal: nas suas relações com a história geral da nação”.

A propósito do Doutor António de Pádua, outro médico ilustre que nasceu no concelho limiano, escrevia Francisco de Magalhães, no Elucidário Regionalista de Ponte de Lima, o seguinte: “Honrada e, ainda mais, envaidecida sentia-se, também, Ponte de Lima. É que sucedeu, e no decurso de uma porção de anos, três filhos seus – desta vila pequenina, sempre, porém, farta de glórias – pertencerem, simultaneamente, ao corpo docente da Universidade de Coimbra, a saber: Doutor Alfredo da Rocha Peixoto, da Faculdade de Matemática; Doutor Augusto Joaquim Alves dos Santos, da Faculdade de Teologia; e Doutor António de Pádua, da Faculdade de Medicina.

Qual a cidade de província, populosa mesmo – e intencionalmente saio dos limites duma vila – que se pudesse exprimir, naquele instante, sob este aspecto, como Ponte de Lima ?

Não obstante, como disse o cronista, Ponte de Lima ter-se sentido “honrada e, ainda mais, envaidecida”, o Dr. Alves dos Santos permaneceu no desconhecimento da generalidade dos seus conterrâneos até muito recentemente, tendo cabido à revista “Anunciador das Feiras Novas” o mérito de o ter dado a conhecer e divulgar a sua obra. Ainda assim, uma sugestão feita à Câmara Municipal de Ponte de Lima e por esta unanimemente aceite, com vista à realização de uma homenagem por ocasião da passagem dos setenta e cinco anos sobre a data do seu falecimento, acabaria por cair no esquecimento em virtude da mudança de vereação entretanto verificada. Ficámo-nos pela atribuição do seu nome a uma artéria da vila quando foi necessário escolher novos topónimos para arruamentos entretanto construídos.

Contudo, a memória do Dr. Augusto Joaquim Alves dos Santos merecia mais porquanto constituiu uma das figuras mais notáveis do concelho de Ponte de Lima. A sua brilhante carreira de pedagogo, cientista e escritor bem justificaria a sua escolha para patrono de um estabelecimento de ensino no concelho de Ponte de Lima, proposta que pode ser apresentada pela Câmara Municipal ao abrigo do Decreto-Lei nº. 314/97, de 15 de Novembro. Assim exista vontade e Ponte de Lima sentir-se-á mais “honrada e, ainda mais, envaidecida”!

Carlos Gomes in O Anunciador das Feiras Novas, nº XXIII, Ponte de Lima, 2006

DOMINGOS RODRIGUES LIMA: UM LIMIANO NO CEARÁ

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“Lima é um rio de Portugal que tem nascente espanhola na Lagoa de Antela, formada pelas vertentes da serra de San Mamede, na Galiza (…). Foi neste formoso rio que deu nome à ilustre família RODRIGUES LIMA, que povoou a ribeira do Acaraú, no norte do Estado do Ceará. É mais um caso de topónimo português que se tornou sobrenome familiar no Vale do Acaraú, tai como Fonteles, Linhares, Braga, Viana, Prado e tantos outros (…). O tronco desta família, entre nós, foi o capitão DOMINGOS RODRIGUES LIMA, natural da freguezia de Cabração, concelho de Ponte de Lima, cujos pais chamavam-se JOSÉ VAZ e JUSTA AFONSO. Ao chegar ao Brasil, DOMINGOS RODRIGUES acrescentou ao próprio nome o sobrenome LIMA em homenagem à terra do berço (…) DOMINGOS RODRIGUES LIMA nasceu em CABRAÇÂO a 7 de Junho de 1722 e foi batizado em casa, em perigo de vida, a 29 do mesmo mês e ano, tendo sido levado, posteriormente a Matriz (…) DOMINGOS RODRIGUES LIMA veio para o Brasil antes de atingir a maioridade, pelo que deve ter viajado sob a guarda de um tutor, desembarcando no Recife, em cujo comércio se estabeleceu (…) O primeiro documento que atesta sua presença ali é o inventário de ISABEL RODRIGUES DE OLIVEIRA, mulher do capitão-mór DOMINGOS DE FARIAS CASTRO, falecida na Capital da Paraíba a 23 de Outubro de 1739 (…) No comércio de Recife, durante dez anos, DOMINGOS conseguiu amealhar bom património e grande número de amigo, ficando também conhecido nas praças da Bahia e Ceará pela lisura nos negócios que mantinha. Isto foi o suficiente para lhe dar prestígio e obter a patente de capitão (…) Em 1747, DOMINGOS resolveu viajar para Fortaleza, com o fim de expandir ainda mais suas atividades comerciais (…) Depois de Fortaleza, o capitão DOMINGOS partiu para a Ribeira do Acaraú, em Sobral-Ce, onde foi acolhido pelo patrício e também português DOMINGOS DA CUNHA LINHARES em sua fazenda São José, hoje vila de Patriarca, a margem esquerda do rio Acaraú (…) em 16 de Setembro de 1762, o capitão DOMINGOS RODRIGUES LIMA casou com a Sra. MARIA DA SOLEDADE ARAÚJO, filha legítima do Capitão DOMINGOS DA CUNHA LINHARES, natural do arcebispado de Braga, Santa Marinha e Linhares de sua mulher Dionisia Alves Linhares, natural do RIO GRANDE DO NORTE, freguesia de N. Srª da Apresentação, nepta paterna de JACINTO GONÇALVES natural do Reyno de Castella e de suaa mulher SUZANA DE ARAÚJO natural de Braga, freguesia de Santa Marinha de Linhares, ambos já defuntos, e pela parte materna de DIONISIO ALVES LINHARES, natural do Arcebispado de Braga, freguesia de Coçourado, e de sua mulher RUFINA GOMES DE SÁ, natural do RIO GRANDE DO NORTE, freguesia de Nª Srª Apresentação…

in Raízes Portuguesas do Vale do Acaraú - Padre F. Sadoc de Araújo

Sobral - Ce ano 1991

Gráfica Editorial Cearence Ltda

Fortaleza – 1991

EM 1939, ABEL VARZIM, DEPUTADO À ASSEMBLEIA NACIONAL, QUESTIONA AS CONDIÇÕES DE TRABALHO NAS MINAS DA CABRAÇÃO

O padre Abel Varzim foi um ilustre barcelense que sempre pugnou pela justiça social e a defesa dos direitos dos trabalhadores e dos mais desfavorecidos em geral. Fundador da Acção Católica Portuguesa cujos estatutos redigiu, esteve também na origem da Liga Operária Católica. Foi vasto e diversificado o seu campo de intervenção. Enquanto deputado à Assembleia Nacional, na legislatura de 1938 a 1942, salientou-se através de brilhantes intervenções questionando aspectos da organização sindical corporativa e ainda a legislação que regulamentava as condições económicas do casamento dos militares em serviço. As suas intervenções e acção social valeram-lhe, aliás, a perseguição política.

Na sessão de 20 de Janeiro de 1939 da Assembleia Nacional, referente à II Legislatura, reunida sob a presidência do Dr. José Alberto dos Reis, o deputado Abel Varzim apresentou diversos requerimentos ao Instituto Nacional do Trabalho e Previdência diversos documentos comprovativos das condições laborais dos trabalhadores de diversas empresas. Um desses requerimentos referia-se às minas da Cabração e aparece publicado no Diário das Sessões, nos seguintes termos:

“Requeiro que, pelo Instituto Nacional do Trabalho e Previdência, me seja fornecida nota dos salários pagos, nas diferentes categorias de trabalhos, pelas minas de Cabração, concelho de Ponte do Lima, exploradas pela Compagnie Française des Mines, bem como dos horários de trabalho autorizados.

Assembleia Nacional. 19 de Janeiro de 1939. - O Deputado Abel Varzim.”

EXTRACÇÃO MINEIRA REGRESSA À CABRAÇÃO

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Foto: José Aguiar

A Direcção-Geral de Energia e Geologia, organismo do Ministério da Economia e do Emprego, acaba de publicar em Diário da República o extracto de dois contratos de concessão para exploração mineira na Freguesia de Cabração, Concelho de Ponte de Lima, celebrados com a empresa FELMICA — Minerais Industriais, S. A.

Um dos contratos diz respeito ao depósito situado em Porto Vieiro, com uma área concedida de 68 hectares, 27 ares e 71,5 centiares, para exploração de minerais de feldspato, quartzo e lítio. O outro é referente ao depósito de feldspato, quartzo, lítio e tântalo existente no Formigoso, com uma área de 15 hectares, 62 ares e 4 centiares.

A concessão da exploração é válida pelo prazo inicial de quinze anos, renovável por períodos não superiores a dez anos.

FREGUESIA DA CABRAÇÃO: UM EXEMPLO PARADIGMÁTICO

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CARLOS GOMES

in jornal “NOVO PANORAMA” nº 57, de 30 de Novembro de 2011

Desde que D. Afonso Henriques, junto à pequena ermida de Nossa Senhora do Azevedo, perante o capelão das freiras do Convento de Vitorino e dos seus próprios cavaleiros que o seguiam, demarcou couto na Cabração, não há memória de outro rei ou governante que ali tenha estado. Mesmo em relação a entidades com maior proximidade como governadores civis e até presidentes de câmara, contam-se certamente pelos dedos os que alguma vez visitaram a localidade, para além de alguns encontros furtivos com a população à saída da missa dominical, em tempo de campanha eleitoral.

Apesar da sua grande dimensão geográfica que supera alguns concelhos do país, o número de eleitores é actualmente quase insignificante: dispõe apenas de 155 habitantes numa área de 16,43 quilómetros quadrados. Em termos comparativos, o Concelho da Amadora possui 23,77 km2 repartidos por 11 freguesias. A área do Concelho de S. João da Madeira não vai além dos 8,11 km2. Em face da sua realidade demográfica, a Freguesia da Cabração deixou de eleger os membros da Assembleia de Freguesia, apenas reunindo o Plenário.

Em termos de funcionamento, os encargos financeiros da Junta de Freguesia da Cabração são irrelevantes uma vez que os seus eleitos não dispõe de funcionários, de Assembleia Municipal nem os seus eleitos permanecem a tempo inteiro ao serviço da autarquia. Porém, as suas vantagens são significativas uma vez que possibilita a resolução de problemas locais que, de outra forma, seriam esquecidos.

Durante muito tempo, a Freguesia de Santa Maria da Cabração viveu no mais profundo atraso e isolamento, inclusive em relação às demais freguesias do Concelho de Ponte de Lima. O péssimo estado da estrada e a ligação por autocarro de carreira apenas dois dias por semana impossibilitavam o emprego e forçavam os seus habitantes a partir para Lisboa ou o estrangeiro. Até a electricidade chegou tardiamente, em 1975, tendo sido das últimas localidades do país a beneficiar de electrificação.

Apesar da mudança de regime, a situação não se alterou significativamente. Em Ponte de Lima, a política continuou a ser discutida às mesas dos cafés do Largo de Camões, indiferente ao que se passava na miserável aldeia com a sua gente humilde e ignorante. E, durante as últimas décadas, foram os seus habitantes que resolveram os problemas como sabiam e podiam.

Aproveitando os recursos financeiros que a gestão dos baldios lhes proporcionou, construíram arruamentos, pavimentaram estradas, ergueram muros de protecção, pesquisaram nascentes de água e encaminharam-na para os depósitos a fim de efectuar a sua distribuição domiciliária. Em resumo, foram os seus próprios habitantes que decidiram meter mãos à obra e criar algumas condições de vida dignas nesta localidade.

Entretanto, no conforto dum gabinete ministerial em Lisboa, resolveram uns sujeitos perturbar a pacatez desta aldeia, traçando-lhe um destino que mais não é do que a entrega dos seus destinos a quem não vive no local nem sequer conhece os seus problemas. E, como um disparate nunca vem só e não querendo ficar atrás, começaram outros nas esplanadas do Largo de Camões a rabiscar um novo mapa político-administrativo para o Concelho de Ponte de Lima, inventando novas freguesias e congeminando a fusão das freguesias de Cabração, Estorãos, Moreira do Lima, Bertiandos, Fontão, Sá e S. Pedro de Arcos. Melhor seria que transformassem o Concelho de Ponte de Lima numa única freguesia…

A Freguesia de Santa Maria da Cabração é um exemplo paradigmático. Raramente, ao longo da sua existência, foi atendida nos seus anseios pelo poder central e até mesmo pelo próprio município de Ponte de Lima. Foram os seus próprios moradores que resolveram a maior parte dos problemas e promoveram os melhoramentos locais. A extinção dos seus próprios órgãos autárquicos vai transferir para um ponto distante a capacidade de decisão em relação aos assuntos que lhe dizem respeito, o mesmo é dizer que vai ficar votada ao abandono como sempre aconteceu por parte daqueles que agora pretendem traçar o seu futuro sem conhecerem minimamente a realidade, e quiçá a sua própria localização.

A actual lógica dos que nos governam – seja a partir de Lisboa ou das esplanadas do Largo de Camões – é a de acabar com tudo como se um país não fosse mais do que um mero balancete comercial. Se a natalidade diminui não se contraria essa tendência, antes se encerram as maternidades. E, nessa lógica, encerram-se as escolas, os hospitais e os centros de saúde. E, assim, um projecto de reforma administrativa que poderia apresentar resultados vantajosos se aplicado nas cidades transforma-se em arma de arremesso contra o próprio país ao ser utilizado como uma forma de promover o despovoamento do interior.

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Rua Agostinho José Taveira * 4990-072 Ponte de Lima * novopanorama@sapo.pt

EXTRACÇÃO DO OURO VAI DESTRUIR COVAS, EM VILA NOVA DE CERVEIRA

A empresa canadiana Avrupa Minerals Ltd anunciou recentemente no seu site oficial ter encontrado nas antigas minas de Covas, em Vila Nova de Cerveira, ouro e tungsténio, vulgo volfrâmio, em quantidade “significativa” para ser explorada. As prospecções decorrem numa área de cerca de 900 metros de comprimento por 100 metros de largura, tendo-se registado a presença de ouro em quase todas as amostras recolhidas. O melhor resultado obtido representou 10,2 gramas de ouro por tonelada de terra e rocha removida.

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Com efeito, o ouro encontra-se disperso no subsolo em ínfimas proporções pelo que é necessário proceder à remoção de grandes quantidades de solo para se poder obter uma pequena quantidade de metal precioso. Mais ainda, a sua extracção é efectuada com recurso a lixiviantes com cianeto, mercúrio e metais pesados de elevado teor tóxico e altamente prejudiciais para a saúde e o meio ambiente.

Com a extracção de ouro, na freguesia de Covas, os recursos naturais ficarão contaminados e os solos agrícolas destruídos, a paisagem não será mais a mesma e a população perderá a sua qualidade de vida a troco de uma miragem cujo brilho do ouro jamais enxergarão. Há muitas décadas, também na vizinha Freguesia da Cabração, em Ponte de Lima, se extraiu ouro e estanho sem que a população alguma vez tivésse recebido qualquer benefício da exploração. A própria energia eléctrica só chegou em 1975, muito tempo decorrido desde a suspensão da actividade mineira naquela localidade.

QUEM NA CABRAÇÃO AINDA SE LEMBRA DO “PINTINHO”?

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Até meados dos anos setenta do século passado, a Freguesia de Cabração, no Concelho de Ponte de Lima, era conhecida pelos rituais de exorcismo que os seus párocos ali praticaram. Recordamos o Padre Miranda, último exorcista que ali exerceu tal ofício e a extraordinária afluência diária de visitantes à localidade. Este tema mereceu, aliás, um artigo publicado na edição de 1998 da revista “O Anunciador das Feiras Novas” com o título “Cabração: o último exorcista”.

O padre Manuel Lopes Miranda veio a falecer em 26 de Janeiro de 1978 e foi sepultado na sua terra natal, em jazigo de família, no cemitério paroquial de Cristelo, no Concelho de Barcelos.

Entretanto, a prática do exorcismo na Freguesia da Cabração adquiriu tal popularidade que o povo chegou a criar uma palavra para identificar algo de sobrenatural que apoquentava as pessoas e, por extensão, tudo o que se revelasse estranho no comportamento de cada indivíduo. E, tal vocábulo depressa se tornou de uso corrente e empregue de forma jocosa, algo divertida que só por si constituía uma prática exorcista. Chamavam-lhe o “pintinho”!