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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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BRAGA GEMINA-SE COM A CIDADE ARGENTINA DE SANTA FÉ

Cerimónia decorreu no Salão Nobre dos Paços do Concelho

Foi assinado hoje, dia 17 de Abril, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, o acordo de geminação entre Braga e a Cidade de Santa Fé, da Argentina. Nesta cerimónia o Presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio, esteve acompanhado pelo Intendente de Santa Fé, Jose António Corral, e pelo Representante da Embaixada da Argentina em Portugal, Ministro Horacio Palacio.

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Na ocasião, o Edil sublinhou os laços de cooperação estabelecidos com Cidades de diversos países ibero-americanos, em resultado da Capital Ibero-americana da Juventude 2016, e enalteceu esta oportunidade de realizar um acordo de geminação com Santa Fé. “Trata-se de uma Cidade com enorme valia histórica e um peso monumental e dinamismo significativos, pelo que foi com naturalidade que aceitamos este repto e, partir daqui, estabelecer diversos laços de colaboração”, afirmou, realçando as parecerias que podem ser desenvolvidos do ponto de vista económico, turístico, social, cultural e académico.

Já Jose António Corral mostrou-se ´entusiasmado´ com as portas que este trabalho conjunto pode abrir. “Estamos focados nos jovens e por isso consideramos este acordo especialmente motivante. Tentamos promover a inclusão social dos adolescentes e dar-lhes ferramentas para os preparar para os desafios do mundo, tornando-os empreendedores. Promovendo igualmente uma política de intercâmbio de estudantes, docentes e investigadores, já que temos importantes Universidades e estamos avançadas em áreas de vanguarda como a ciência e tecnologia”, disse, realçando que Braga tem ´características similares´ com Santa Fé que podem tornar esta parceria especialmente frutífera.

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BRAGA RECEBE EMBAIXADOR DA ARGENTINA NOS PAÇOS DO CONCELHO

Braga e Santa Fé preparam acordo de geminação

O Embaixador da Argentina em Portugal, Oscar Moscariello, foi recebido hoje, dia 10 de Outubro, no Salão Nobre dos Paços do Concelho após ter efectuado um conjunto de visitas a empresas do Concelho.

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Como revelou Ricardo Rio, presidente da Câmara Municipal de Braga, está a ser preparado um processo de geminação com a Cidade de Santa Fé, na Argentina.

“No contexto da Capital Ibero-Americana da Juventude, estamos a criar uma rede de parcerias com Cidades de países do espaço Ibero-Americano. A Argentina é um país de referência da América do sul e, pela proximidade cultural que nos une, teremos facilidade em contruir parcerias de colaboração de futuro em vários sectores”, referiu, garantindo que, actualmente, tanto Braga como a Argentina são ´terras de oportunidades´.

Nesse sentido, o Edil afirmou que o Embaixador mostrou disponibilidade e interesse em efectuar brevemente uma visita mais extensiva a Braga para conhecer mais detalhadamente o que o Concelho tem para oferecer. “Lançamos ainda o desafio para a Argentina dispor de uma presença programática na CIAJ com um conjunto de iniciativas no plano cultural que permitam igualmente a afirmação do seu potencial turístico e empresarial na nossa Cidade”, disse.

Por seu turno, Oscar Moscariello sublinhou que a Argentina está a entrar num ´novo tempo´ após as dificuldades sentidas no passado recente. “Queremos que os empreendedores olhem para a América Latino como um espaço interessante para efectuar parcerias. Em Braga deparámo-nos com ideias progressistas e estamos certos que os laços históricos podem ser estreitados, dando origem a relações que beneficiem ambas as regiões”, afirmou.

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PARA QUANDO O ENCONTRO DAS CASAS REGIONAIS DO MINHO ESPALHADAS PELO MUNDO?

Calcula-se em cerca de duas dezenas o número de casas regionais do Minho existentes em todo o mundo, incluindo as que possuem apenas referência concelhia. Não obstante alguns contactos estabelecidos entre algumas dessas associações, não foi possível até ao momento reuni-las num grande encontro com vista a estabelecerem laços de cooperação entre si.

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Para além da Casa do Minho e das seis casas concelhias existentes em Lisboa referentes a Arcos de Valdevez, Valença, Ponte de Lima, Paredes de Coura, Ponte da Barca e Vila Nova de Cerveira, existem ainda casas regionais do Minho nomeadamente em França, Suíça, Alemanha, Brasil, Estados Unidos da América, Canadá e Venezuela. No Brasil existem pelo menos duas casas do Minho – no Rio de Janeiro e em São Paulo.

No que se refere às casas regionais de âmbito concelhio, destaca-se o concelho de Arcos de Valdevez com diversas representações nomeadamente em França, Estados Unidos e na Venezuela.

Para além das representações já existentes, existem ainda condições excelentes com vista ao aparecimento de novas casas regionais do Minho noutros países, como se verifica na Argentina em cuja capital se encontra uma comunidade minhota bastante unida e dinâmica, organizada sobretudo através de ranchos folclóricos.

São conhecidas as excelentes relações entre as associações regionalistas minhotas nos Estados Unidos da América e Canadá, estabelecendo constantes permutas para a atuação dos respetivos ranchos folclóricos. Também foi estreita a ligação outrora existente entre a Casa do Minho em Lisboa e a Casa do Minho no Rio de Janeiro. Porém, o associativismo regionalista minhoto tem vindo a registar novos desenvolvimentos, sobretudo com o aparecimento de várias casas concelhias, aliás à semelhança do que se verificou em Lisboa.

A promoção de um encontro de casas regionais do Minho permitiria uma maior entreajuda e partilha de informações, contribuindo para uma maior projeção do Minho a nível internacional. A colaboração entre todas as comunidades minhotas, em Portugal e no estrangeiro, poderia inclusive favorecer uma melhoria da representação do nosso folclore e a divulgação mútua, nomeadamente através do estabelecimento de eventuais permutas e outras formas de colaboração.

Também a este respeito, o Minho necessita de falar a uma só voz, superando os condicionalismos naturalmente resultantes da inexistência de uma entidade congregadora de todas as vontades da região. Mas, importa que, com o apoio nomeadamente das autarquias, os regionalistas minhotos saibam construir essa unidade em prol da nossa região.

O BLOGUE DO MINHO será sempre o elo de ligação entre o Minho e todos os minhotos espalhados pelo mundo!

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MINHOTOS NA ARGENTINA CELEBRAM PORTUGAL

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Vira do Minho em homenagem a Portugal na cidade do tango

Buenos Aires homenageou a imigração portuguesa e a sua contribuição para a cultura da capital da Argentina. Considerada a maior montra de Portugal por estas paragens, a celebração ficou marcada por três sentimentos que dominam a vida da comunidade lusa no país: emoção, orgulho e saudade

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Luciana e Maria Conceição dançam no grupo Mocidade Portuguesa, o principal e mais antigo grupo folclórico da comunidade portuguesa na Argentina

Maria Conceição Henriques Fernandes, de 56 anos, ajuda a filha Luciana, de 26, a terminar de vestir-se. Falta pouco para o desfile começar pela emblemática Avenida de Maio, a metros da Casa Rosada, sede do Governo argentino, e da Catedral Metropolitana de Buenos Aires, onde o Papa Francisco era o arcebispo Jorge Bergoglio.

Mãe e filha dançam no grupo Mocidade Portuguesa, que agora em setembro completa 41 anos. O principal e mais antigo grupo folclórico da comunidade portuguesa na Argentina é um dos melhores exemplos da herança cultural transmitida de pais a filhos, de avós a netos.

Filha de portugueses da Beira Alta, Maria Conceição foi à primeira apresentação do Mocidade em 1974. Lá, conheceu Roberto Fernandes, membro do grupo, por quem se apaixonou. Através do namoro, também entrou para o grupo fundado pelo pai de Roberto, o também dançarino Amândio Augusto Fernandes, natural de Trás-os-Montes.

"O meu pai tinha um único propósito com o Mocidade: matar as saudades", sintetiza Roberto ao Expresso enquanto, no palco, as apresentações musicais já começaram. O luso descendente Dulio Moreno entoa fados e comanda o aclamado Almalusa. Em seguida, será a vez do grupo Fadeiros, outra sensação da comunidade que ganha espaço entre o público argentino.

Em 1983, o casal Fernandes já dirigia o Mocidade e Maria Conceição dançava grávida do primeiro filho. Seis anos depois, dançaria novamente grávida, desta vez de Luciana.

O Mocidade Portuguesa bem poderia ser um grupo casamenteiro, mas, na verdade, ilustra bem os valores em torno dos quais os portugueses que migraram à Argentina cresceram, relacionaram-se e mantiveram a sua identidade intacta mesmo tão distantes de Portugal, mesmo tantas décadas depois. Os filhos de Maria Conceição que dançaram no ventre da mãe, são hoje dançarinos e casaram-se os dois com integrantes do grupo. Luciana está agora grávida de três meses e meio, não sabe ainda o sexo do bebê, mas tem uma certeza: será um dançarino. A quarta geração da família.

"Quando danço sinto emoção e orgulho porque represento tudo o que os meus avós me contaram, porque os argentinos passam a ter a vontade de descobrir Portugal e porque aqueles portugueses que nunca mais voltaram a Portugal - e que são muitos na Argentina nessa condição - emocionam-se", conta Luciana.

Ao lado dela, Jazmin Gonçalves, também de 26 anos e neta de portugueses, é a mais nova integrante do Mocidade. Está há apenas seis meses no grupo, mas a emoção é a mesma: "Sinto que é uma homenagem aos meus avós", orgulha-se.

Para aqueles que consideram ser este o retrato de um Portugal antigo, de costumes ultrapassados que só se mantém vivo nos imigrantes, Luciana explica que o grupo se nutre do grupo folclórico Lavadeiras da Meadela de Viana do Castelo com o qual se mantém em permanente contato.

"Eles nos ensinam muito. Atualizamo-nos constantemente", explica Luciana, quem chegou de volta a menos de 24 horas de ensaiar com o Lavadeiras em Viana do Castelo.

E depois o Mocidade Portuguesa replica os novos conceitos do folclore português aos demais grupos na Argentina como "Raízes de Portugal" e "Estrelas do Minho".

Neste "Buenos Aires celebra Portugal", sete ranchos desfilam para portugueses, argentinos e turistas. Ao longo do dia, cerca de cinco mil pessoas terão sido expostas a essa montra viva da cultura portuguesa.

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EVENTO ÚNICO NO MUNDO

O evento promovido pelo Governo de Buenos Aires é único no mundo. Enquanto em outros países as localidades cedem algum espaço para a comunidade portuguesa organizar a sua festa pátria, aqui a cidade de Buenos Aires organiza a sua homenagem a Portugal num objetivo de integração que torna mais viva a presença portuguesa no país.

Um total de 23 barracas de 14 clubes e associações integravam argentinos e turistas com a cultura portuguesa. Artesanato e porcelanas, gastronomia e até uma representação do santuário de Nossa Senhora de Fátima em Tornquist, cidade a 600 quilómetros de Buenos Aires. Se ainda faltam dois anos para o Papa visitar Fátima, o Santuário de Fátima na Argentina já se orgulha de estar na terra natal do Papa há 33 anos.

Na barraca ao lado, os 150 pastéis de nata terminam como se estivessem em Belém. E na barraca do clube português da localidade de Isidro Casanova, a fila é longa para provar a integração culinária entre a "empanada" argentina com o bacalhau português ou entre a bifana portuguesa "a la parrilla" argentina. Todo o movimento é transmitido ao vivo pelo programa radial da comunidade portuguesa "Portugal N'América".

"Comunidades isoladas, por maior que sejam, ficam confinadas e não têm expressão. Só passam a ter expressão a partir do momento em que há uma congregação de esforços entre a comunidade portuguesa e a comunidade local. Essa integração é fundamental", avaliou ao Expresso o deputado pelas comunidades portuguesas do círculo eleitoral fora da Europa, Carlos Páscoa, em campanha entre os eleitores portugueses na Argentina para um quarto mandato nas eleições de 4 de outubro.

"Apesar de não ser a maior em quantidade, a comunidade portuguesa na Argentina é uma das mais participativas e inovadoras. Sempre que visito um clube ou vou a alguma associação aqui, vejo centenas de pessoas. No Brasil, por exemplo, com comunidades infinitamente maiores, vemos muito menos nos eventos", compara Páscoa. "Aqui são muito mais unidos e vivem muito mais a portugalidade", celebra.

"Temos duas dezenas de embaixadas aqui hoje", exaltou Páscoa em referência às representações portuguesas. No entanto, no evento oficial de Buenos Aires, foi notável a ausência do embaixador português na Argentina, Henrique Silveira Borges, por "outros compromissos", alegaram.

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IMPACTO DA LEI DOS NETOS

Primeiro signatário da chamada Lei dos Netos, que prevê a nacionalidade portuguesa para os netos de portugueses, Carlos Páscoa foi ovacionado por centenas de netos. "Basta você olhar ao seu redor e ver a quantidade de netos de portugueses para entender a importância dessa lei. Essa lei impactou muito na comunidade. É uma forma de os netos voltarem a ter essa conexão com Portugal e de manterem viva a nossa raiz. Se perdemos de onde viemos, não saberemos para onde vamos. É a nossa identidade cultural", festeja Maria Violante, presidente da Associação da Mulher Migrante e futura conselheira da comunidade.

Referente entre os portugueses na Argentina, Maria Violante é uma das melhores intérpretes do sentimento que move aqueles que deixaram Portugal, mas que se mantém ligados à cultura, mesmo que àquela da sua época, como um instinto imperioso de sobrevivência, como a bússola que lhes orienta o dia a dia tantas décadas depois.

"Nós sentimos Portugal de outra maneira. Quando se sente a partir da saudade, valoriza-se muito mais porque é o que não se tem e o que não se quer perder. Nós tentamos passar a cultura portuguesa aos nossos filhos, aos nossos netos e ao país que nos acolheu. Estamos sempre a olhar para Portugal. É a nossa referência e a nossa saudade", conta Violante quem chegou à Argentina há 52 anos, com 11 anos de idade.

Mas saudade não se mata nunca. Quanto mais o imigrante a tenta matar, mais a alimenta e cria um círculo virtuoso em que a vida se torna uma espiral que dá voltas e que evolui, como na dança do Mocidade Portuguesa a encerrar agora o evento, como na dança de toda a nova mocidade lusodescendente que se renova a cada geração, como na dança da vida dos portugueses nesta Argentina.

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RETRATO DOS PORTUGUESES NA ARGENTINA

A comunidade portuguesa caracteriza-se por viver fora da capital argentina, espalhada pela região metropolitana de Buenos Aires, antiga área rural entre os anos 30 e 60, quando a imigração portuguesa teve o seu auge. A maioria veio do Algarve e do Minho, mas também da Beira Baixa e da Beira Alta. Dedicaram-se à floricultura, à agricultura e à fabricação de tijolos principalmente. Em Comodoro Rivadavia, na Patagónia, milhares foram atraídos pelo petróleo e chegaram a representar 20% da população da região até a década de 60, quando a onda imigratória interrompeu-se.

Até o final do século XIX, entre 40 e 60% das famílias na Argentina eram de origem portuguesa. Hoje, existem na Argentina cerca de 40 mil portugueses e descendentes. Estão inscritos na embaixada 19.206 cidadãos portugueses.

Fonte: Márcio Resende / Correspondente na Argentina do semanário Expresso

MINHOTOS NA ARGENTINA CELEBRAM PORTUGAL

Realiza-se amanhã, na Argentina, dia 30 de agosto, a 5ª edição do festival “Buenos Aires Celebra Portugal”. São sete os agrupamentos musicais e folclóricos que, entre as 12horas e as 18 horas, vão desfilar na avenida de Mayo, entre Bolivar e Chacabuco, seguindo-se a sua atuação em palco. São eles, os seguintes, por ordem de desfile e atuação.

Conjunto Folclórico Português Saudades de Portugal de Mar del Plata

Rancho Folclórico Dançarinos Portugueses

Rancho Folclórico Saudades de Portugal de Berisso

Grupo Etnográfico Raízes de Portugal

Rancho folclórico Dançares da Nossa Terra

Rancho folclórico Estrelas do Minho

Grupo Etnográfico Mocidade Portuguesa

MINHOTOS NA ARGENTINA CELEBRAM PORTUGAL

A comunidade portuguesa em Buenos Aires, na República da Argentina, vai festejar Portugal no próximo dia 30 de agosto. A iniciativa conta com o apoio da Direcção-Geral de Coletividades, dependente da Secretária de Direitos Humanos do Governo da cidade de Buenos Aires.

Os protagonistas eleitos para este evento foram Daiana Boucinha da Silva e Cristian Durães, do grupo folclórico Estrelas do Minho, pertencente ao Clube Português de Esteban Echeverria.

Eles são um dos vários pares de dança que, no próximo 30 de agosto, prestigiarão as nossas raízes e vão engalanar o cenário de “Buenos Aires Comemora Portugal”, em pleno centro histórico de Buenos Aires.

MINHOTOS NA ARGENTINA DESFILAM EM BUENOS AIRES

O Grupo Etnográfico Mocidade Portuguesa, o Grupo Etnográfico Raízes de Portugal e o Rancho Folclórico Estrelas do Minho desfilaram ontem em Buenos Aires no âmbito das comemorações do 120º aniversário da Avenida de Maio. Aqueles agrupamentos folclóricos minhotos, o rimeiro dos quais este ano também assinala o seu 40º aniversário, representaram Portugal e a comunidade portuguesa numa grandiosa parada na qual participaram ainda, com os seus trajes caraterísticos e levando consigo as respetivas tradições, dezenas de coletividades constituídas no seio das diversas comunidades radicadas na capital da Argentina. As gentes da Galiza e do Brasil também integraram os festejos.

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As cerimónias tiveram início na Praça Moreno com a cerimónia de bênção da bandeira nacional da Argentina e o seu hastear ao som da Banda do Regimento de Infantaria 1, a que se seguiu o desfile cívico e militar que percorreu a Avenida de Maio. Os festejos incluíram ainda a realização de uma feira de artesanato e produtos típicos dos diferentes países ali representados, exposição de veículos antigos e ainda a transmissão em direto do jogo ontem disputado pela Argentina no Campeonato Mundial de Futebol.

As comemorações dos 120 anos da Avenida de Maio foram organizadas pela Subsecretaria de Derechos Humanos y Pluralismo Cultural em colaboração com a Asociación Amigos de la Avenida de Mayo, o Ministerio de Cultura del Gobierno de la Ciudad, UTHGRA (Unión de Trabajadores de la Hotelería, la Gastronomía y el Turismo), APTHGRA (Asociación de Patrocinadores del Turismo, la Hotelería y la Gastronomía de la República Argentina), CAME (Confederación Argentina de la Mediana Empresa) e FECOBA (Federación de Comercio e Industria de la Ciudad de Buenos Aires).

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Construída ao gosto europeu, sugerido pelos boulevards parisienses e a madrilena Gran Vía, a Avenida de Maio foi inaugurada em 1894 e concebida com o propósito de facilitar o tráfego comercial entre o porto de Buenos Aires e a estação ferroviária situada na Praça Onze de Setembro, dotando a capital da Argentina de uma moderna avenida que viria a tornar-se o centro por excelência da vida social e afirmar-se como a cidade mais próspera da América do Sul.

Constituído em 1974, o Grupo Etnográfico Mocidade Portuguesa é constituído por minhotos e demais portugueses radicados em Buenos Aires, contribuindo para a preservação da sua identidade cultural e transmissão de valores às novas gerações de descendentes. O Rancho Folclórico Estrelas do Minho foi constituído em 1999

Fotos: https://www.facebook.com/COLECTIVIDADESARGENTINAS

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O ESCRITOR LIMIANO JOSÉ DE SÁ COUTINHO, 2º CONDE D'AURORA, NASCEU HÁ 106 ANOS!

O escritor José de Sá Coutinho, 2º Conde d’Aurora, José de Sá Coutinho, nasceu em Ponte de Lima em 19 de Abril de 1896. Em 1919, por ocasião da Monarquia do Norte, partiu para o exílio tendo vivido em Espanha, no Brasil e Argentina. Em 1921, fundou o periódico “Pregão Real”. Licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra e foi juiz do Tribunal do Trabalho.

A sua obra reparte-se por vários géneros literários, caracterizando-se pela defesa dos valores culturais tradicionais dentro dos moldes estéticos do realismo, na senda de Eça de Queirós. Marcadamente nacionalista e claramente crítico em relação à Primeira República, o Conde d’Aurora dedicou ao Minho – aqui entendido como a região de Entre-o-Douro-e-Minho – grande parte da sua obra literária.

A seu respeito e do meio onde nasceu e viveu, o poeta António Manuel Couto Viana referiu o seguinte: “…é também esse ambiente que permitiu o nascimento de José de Sá Coutinho e lhe deu o dom da escrita, para que fosse fiel intérprete literário da belezas e riquezas etnográficas que o cercavam, num abraço de luz, de cor, de emoção estética, de harmonia d’alma, de tradição fértil, sentidas pela sua sensibilidade de eleição e pelo pode da sua inteligência criadora”.

Como evocação da sua memória, transcrevemos um extracto da sua obra literária na qual dá-nos um retrato de como então vivia o minhoto.

“Ora para bem admirarmos esta linda e pitoresca província temos de saber o que ela é, com ali se vive, se trabalha, se cultiva – porque todos no Minho vivem da terra. Vejamos rapidamente. Trabalho da terra é uma maneira de falar, porque todos os trabalhos no Minho são divertimentos e tudo se passa em descantes, velhas usanças, cantigas e namoricos. No Minho é tudo pequenino, tudo é de brincar, tudo é teatral como um presépio, tudo é graça, tudo é beleza.

O pequeno casal minhoto basta-se a si próprio; as despesas são quase nulas; é frugal e colhe poucochinho de tudo. O gado toma-o a ganho. Para qualquer contita da tenda (venda se diz), lá manda a mulher à feira com o que calha. E o resto vá de folgar. De jornas, jornais, quem fala. Aqui é tudo de favor, só pela comida, e assim se ajudam uns aos outros na mais exemplar das comunidades nesta província onde todos são proprietários.

E por todo o ano adiante é uma série contínua de festas dionisíacas onde a alegria cristã canta Deus na natureza – porque o velho Pã nunca viveu no Minho. Começa o ano com as vessadas, o lavrar da terra. Terra negra, funda, leve, cheia de húmus, terra de aluvião sem calcário algum, tão fácil de virar.

Para preparar o maior dos seus campos (4 a 5000 m o muito, e excepcionalmente), chama o lavrador 20 pessoas; dá-se de comer e de beber à farta a todos; metem-se 2 ou 3 juntas á charrua (e quando era o velho arado de pau, imutável desde os romanos, chegava a 4 juntas, assim chamas: , trilho, picadoiro e guia). O grito do boeiro corta o ar e ouve-se no azul, a grandes distâncias, vale em flora. E nunca sai um rego direito na terra – há que traçar de quando em vez uns filhos ou netos (regos suplementares).

Beleza do Minho! Porque na natureza não há linhas rectas, e o minhoto é como ela: incapaz de desenhar uma linha recta, oh! Pintores modernos!

Canecas de vinho verde e cantigas alegres escorrem sem parança – e tudo são risadas. E todos os trabalhos são uma festa, um encadeado delas. É a sacha, é a monda – vinte, trinta cachopas de cores vivas e chapeirões de palha, cantando a cinco vozes, de sol a sol.

São os mil trabalhos do linho – como a rebolada, acasalados os pares antes do arranque. É a espadelada. É a desfolhada com as estúrdias e os mascarados e a espiga de milho-rei, sorte grande ao namorado – e a roçada no monte, nos altos píncaros baldios donde o carro, velho carro sabino, desce pela penedia gemendo.

O chiar do carro é o orgulho e a alegria do minhoto que propositadamente lhe põe as chiadeiras.

Tudo de brincar, tudo tão pequenino, porque não se juntam as parcelas? – perguntará o forasteiro. Discretamente, porque isto é um divertissement e não uma tese agrária, anotarei á margem que o Minho se formou através nove séculos com a enfiteuse, o vínculo e os mosteiros, velhas escolas de cultura – e citarei para minha tranquilidade o notável sociólogo francês Leão Poinsard e o Sr. Ezequiel de Campos.

Pequenino casal minhoto, eido ou quinteiro, espalhando alegria e cor na brancura das suas janelas maquilhadas de cal e no vermelhão dos seus espigueiros (diz-se canastros) de cruz alçada.

Altas medas de palha milha indicam a riqueza de cada um – e a roliça meda de palha centeia é encimada por uma bonecada, a rematar o trabalho que é uma alegria, uma brincadeira.

Tudo é alegria e folgar, mas como também há mais de cem dias santos no ano, não há maneira de se cultivar a sério o Minho nestes terríveis tempos modernos. Dias santos, domingos, festas – é todo o ano minhoto, é a folhinha minhota.

Não quero porém deixar sem reparo o dia de S. Pedro de Rates (26 de Abril) que a Igreja não manda guardar e cuja hagiologia mal se conhece; nunca foi de guarda, mas quê! o minhoto nesse dia não trabalha nem por nada, que o santo é vingativo! E citam-se exemplos: “àquela nasceram-lhe os bacorinhos a dançar porque andou nesse dia num bailarico” – outro teve uma ninhada de pintos a esticar arame, e tantos terríveis e funestos exemplos mais… Mas facto é que ao domingo ou dia santificado nunca se trabalha – e cangar o gado seria crime que dava nas vistas e ninguém teria arrojo de perpetrar – cangar o gado!... Por isso anda nesse dia o labroste muito maçado, pelos portelos e pelas portas das vendas, ansiando pelos folguedos da semana – a chamada semana de trabalho nas terras industriais.”

Conde d’Aurora, in Pela Grei