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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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CAMINHA E VIANA DO CASTELO CELEBRAM PROTOCOLO PARA VALORIZAR A CIVIDADE DE ÂNCORA/AFIFE

O protocolo vigora por um prazo de 5 anos, automaticamente renovável por igual período, salvo denúncia de uma das partes

Os Municípios de Caminha e de Viana do Castelo e as Juntas de Freguesia de Âncora e de Afife celebraram hoje, dia 24, um protocolo que prevê a gestão conjunta do sítio arqueológico da Cividade de Âncora/Afife.

Protocolo Cividade (3)

Flamiano Martins, Vice-presidente do Município de Caminha, afirmou que este era um passo importante do qual se congratula porque vai permitir uma melhor conservação do património arqueológico castrense. “Além disso, trata-se de um trabalho importante de cooperação e parceria entre municípios, uma lógica que deve sempre ser adotada”, acrescenta, citando o exemplo também da colaboração estreita com o Município galego da Guarda no projeto de defesa de navegabilidade do rio Minho e da sua candidatura a Património Natural da Humanidade pela UNESCO.

Por seu turno, José Maria Costa, Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, referiu de igual forma que a Cividade é “um espaço de conhecimento” e lembrou a Universidade do Minho que está a executar trabalhos no local e a recolher informação. “Estes núcleos museologicamente preservados são importantes e podem servir de base a um roteiro turístico”, aditou.

O objetivo é proceder, de forma conjunta, a obras de valorização do sítio arqueológico da Cividade de Âncora/Afife, através de um Plano de Trabalhos Arqueológicos, bem como avançar com o Processo de Classificação como Monumento Nacional.

Protocolo Cividade (2)

Protocolo Cividade (1)

CAMINHA: PROTOCOLO VAI PERMITIR VALORIZAÇÃO DA CIVIDADE DE ÂNCORA/AFIFE

O protocolo vigora por um prazo de 5 anos, automaticamente renovável por igual período, salvo denúncia de uma das partes

O Município de Caminha, o Município de Viana do Castelo, a Junta de Freguesia de Âncora e a Junta de Freguesia de Afife vão celebrar um protocolo com vista à constituição de uma parceria que conduza à gestão conjunta do sítio arqueológico da Cividade de Âncora/Afife. O documento foi aprovado ontem, dia 20, pelo executivo caminhense, em reunião de Câmara.

“Depois de valorizarmos o património arqueológico do concelho de Caminha, é a vez de conseguirmos preservar e valorizar também a Cividade de Âncora/Afife”, revela Paulo Pereira. “Esta cooperação é muito importante e vai constituir mais um ponto de interesse e de atração turística, com mais-valias para todos os envolvidos no protocolo”, remata o vereador da Câmara de Caminha responsável pelos pelouros do Turismo e da Cultura.

O objetivo é proceder, de forma conjunta, a obras de valorização do sítio arqueológico da Cividade de Âncora/Afife, através de um Plano de Trabalhos Arqueológicos, bem como avançar com o Processo de Classificação como Monumento Nacional.

TRAJE À VIANESA: AFIFE

Dos trajes “à lavradeira” característicos do concelho de Viana-do-Castelo, começarei por especificar o mais simples – o de Afife, aldeia a doze quilómetros para Noroeste da cidade, à beira-mar.

(…) A saia, que é tecida com lã, sendo de algodão a urdidura, não tem “basta”. As côres – estou-me referindo à saia da “moda” – dispõem-se às listas verticais, pela seguinte forma: largos listões vermelhos, que têm um fio preto longitudinal ao meio, alternam com listões pretos muito menos largos e que têm, a correr também pelo meio, uma estreita lista branca. No cós – “emenda”, na linguagem do povo – a saia é franzida em pregas muito juntas, nelas surdindo, às riscas agora, as côres referidas. O “fôrro” – recorde-se que o “fôrro” é a barra que guarnece em baixo e exteriormente a saia – o “fôrro” é azul-marinho. Períodos há em que, por moda, é preto. É, na verdade, uma saia de belíssimo efeito, onde se afirma um raro bom-gôsto aldeão!

O colete tem uma “cinta” ou “barra”, alta, preta, e é de côr vermelha para cima – enfeitado sobriamente a lãs de côres, missanga, vidrilhos, lentejoulas, consoante a vontade e critério de cada qual.

Também é predominantemente vermelho o avental com listas pretas, sem “emenda” – muitíssimo simples.

Os aventais sem sempre têm, em Afife, esta simplicidade – que é a mais própria do traje local. Assim, por exemplo, às vezes as listas verticais, aí pelo meio do avental, são cortadas por outras transversais, que vão de ordinário até baixo, estas listas atravessadas ficam, no entanto, indistintas, mascaradas por “topes” de lãs, de modo que a parte inferior do avental oferece a aparência de um curioso tapête – aparência vária, ao gosto da tecedeira, mas sempre de composição lindamente singela e harmónica.

As algibeiras não têm o luxo ornamental das do traje “à vianesa” nas ladeias interiores do concelho. Uns bordados simples, as lãs coloridas; uma fita de côr, encanudada, na orla – e pronto! Em regra, é isto apenas.

No geral, o lenço-da-cabeça é “cor-de-canário”, e op lenço-do-peito é cor-de-laranja, tanto um como o outro com franjas da respetiva côr, e com a barra de ramagens floridas. Nestas ramagens, domina o encarnado e, secundariamente, o verde.

Contra o usual nos mais vestuários do concelho – em Afife, as meias são lisas, sem abertos; as chinelas nunca têm bordados; e a camisa também não ostenta bordados nos punhos e nos ombros. As raparigas arregaçam as mangas um quási nada e com negligência graciosa. Em tudo a simplicidade.

Falta dizer que, entre as variações impostas pela “moda” de quando em quando, figura a adaptação, ao decote da camisa, de uma leve gola arrendada.

Cláudio Basto em “Traje à Vianesa”. Edições Apolonio. Gaia. 1930

VIANA DO CASTELO E AFIFE HÁ PERTO DE CEM ANOS!

A revista Ilustração Portugueza, de 31 de Março de 1919, publicou um conjunto de fotografias de Afife e Viana do Castelo, uma das quais fazendo ilustração de capa.

Em Afife, de cântaro cheio... numa foto de capa da revista.

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Em Viana do Castelo. Um trecho do mar.

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Em Afife. No Campo.

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Em Viana do Castelo. Vista do porto, vendo-se também à direita a fortaleza.

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Um aspeto do mar em Afife.

TROLHA D'AFIFE: UMA DANÇA RECOLHIDA EM VIANA DO CASTELO NOS FINAIS DO SÉCULO XIX

“Trolha d’Afife” é um vira recolhido naquela região em finais do século XIX e que constitui uma das preciosidades do “Cancioneiro de Músicas Populares. Esta obra, encontra-se na Biblioteca Nacional de Portugal onde pode ser consultada.

O “Cancioneiro de Músicas Populares” constitui uma obra muito rara e de elevado interesse sobretudo para os estudiosos da nossa etnografia e da canção popular portuguesa. Publicada em três volumes, compila uma colecção de fascículos editados entre os anos 1893 d 1899, impressos na Typographia Occidental, da cidade do Porto. Contém “letra e musica de canções, serenatas, chulas, danças, descantes, cantigas dos campos e das ruas, fados, romances, hymnos nacionaes, cantos patrioticos, cânticos religiosos de origem popular, cantos litúrgicos popularizados, canções políticas, cantilenas, cantos maritimos, etc. e cançonetas estrangeiras vulgarizadas em Portugal”, recolhida por César das Neves, coordenada a parte poética por Gualdino de Campos e prefaciada pelo Dr. Teophilo Braga.

O MINHO NA INTERNET: AFIFE DIGITAL É O JORNAL ON-LINE DE AFIFE!

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“Afife Digital” é o jornal digital on-line de Afife, no Concelho de Viana do Castelo. Com actualização semanal, publica notícias locais e regionais sobre os mais variados temas, desde a cultura e os espectáculos ao desporto e aos mais diversos acontecimentos sociais de interesse regional.

O blogue “Afife Digital” encontra-se no endereço http://afifedigital.blogs.sapo.pt/ e constituiuma excelente iniciativa editorial cujo exemplo deveria ser tomado em consideração pela Imprensa regional que ainda não utiliza este meio de comunicação social.

PROJECTO DE CAMINHO-DE-FERRO DA PÓVOA DE VARZIM A VIANA DO CASTELO FICOU A-VER-O-MAR... E A LINHA DO CÁVADO NÃO SAIU DO PAPEL!

Ao contrário do que se verificou nas últimas décadas com o encerramento de muitos linhas e ramais de comboio, assistiu-se nos começos do século passado a uma autêntica febre ferroviária que projectava atravessar o país de lés-a-lés com redes de caminhos-de-ferro, ligando por vezes as povoações mais insignificantes na ânsia de fazer-lhes chegar o progresso a todo o vapor.

Como seria de esperar, a maioria de tais projectos não passou sequer do papel, como se verificou com um pedido de concessão de um “Caminho-de-ferro em leito próprio que, partindo da Póvoa de Varzim, siga a costa por A-ver-o-Mar, Esteia, Apúlia, Fão, Esposende, Castelo do Neiva e Anha, indo terminar em Cais Novo, na margem do Lima, e de uma linha transversal que, partindo de Esposende e seguindo pela margem direita do Cávado, passe por Barcelos, terminando junto de estação de Braga”.

Esta proposta, com data de 14 de Janeiro de 1924, depois de apreciada em comissão especializada, regressou a plenária da Câmara dos Deputados, na sua sessão de 15 de Maio de 1924, presidida por Alberto Ferreira Vidal, apresentando-se nos termos que a seguir se transcrevem.

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Ramal de Famalicão, vendo-se à direita o algaliamento da via estreita com a via larga. 

“Projecto de lei n.º 634-A

Senhores Deputados - O cidadão Francisco de Sousa Magalhães, velho africanista, trabalhador incansável, cheio de arrojo e de patrióticas iniciativas, propõe-se, como consta de um requerimento dirigido ao Sr. Ministro do Comércio em 25 de Junho último, construir uma linha férrea de via reduzida, que, partindo da praia da Póvoa de Varzim, ligará esta vila, atravessando as povoações mais importantes do litoral do norte, à cidade de Viana do Castelo e à estação intermédia de Esposende à capital do Minho.

Trata-se de um melhoramento importantíssimo para esta região, que não só concorrerá para o desenvolvimento do turismo, como para o progresso comercial e industrial das respectivas localidades, que até o presente vem lutando com sérios embaraços por falta de transportes por via acelerada.

De há muito que esta parte da populosa e fértil região minhota vem pugnando por esta pretensão que até hoje não tem visto realizar por falta de iniciativa do capital particular e do proverbial dolce far niente dos Poderes Públicos.

Seria, pois, da nossa parte uma falta imperdoável não auxiliarmos tão oportuna iniciativa, pondo-lhe sobre vários pretextos os costumados entraves, que tanto têm contribuído para o retraimento do esforço daqueles que pretendem o progresso do País.

Temos, pois, a honra de submeter à vossa aprovação o presente projecto de lei pelo qual se concede àquele cidadão o direito da construção e exploração do caminho-de-ferro referido nos termos em que as anteriores concessões têm sido dadas, na certeza de que vão acautelados devidamente os interesses do Estado e os do público. Não obstante, as vossas comissões, que terão de apreciar o presente projecto, lhe introduzirão as modificações que reputarem de maior garantia para aquele fim.

Projecto de lei

Artigo 1.° É concedido ao cidadão Francisco de Sousa Magalhães o direito de construção e exploração, por um período de noventa e nove anos, de um caminho-de-ferro em leito próprio de via reduzida de 1 metro de largura, que, partindo da Póvoa de Varzim, com ligação à linha de caminho de ferro do Porto à Póvoa, siga a costa marítima, passando por A-ver-o-Mar, Esteia, Praia de Apúlia, Fão, Esposende, Castelo de Neiva e Anha, vindo a terminar em Cais Novo; e de uma linha transversal que partindo de Esposende e seguindo próximo das povoações e pela margem direita do rio Cávado, passando por, Barcelos, atravesse êste rio nas proximidades de S. Vicente de Areias, vindo a terminar próximo da actual estação do caminho-de-ferro em Braga.

Art. 2.° Esta concessão não pode ser transferida a terceira pessoa, sem prévia autorização do Governo e acordo expresso da maioria das câmaras interessadas, ficando contudo salvo ao concessionário o direito de organizar uma empresa ou companhia com os capitais necessários para a construção do caminho-de-ferro.

Art. 3.° O concessionário terá uma garantia de juro que, pelo menos, deverá ser ò complemento do rendimento anual líquido até 7 por cento do capital de 300.000$ por cada quilómetro que se construa, devendo as despesas de exploração ser calculadas pela média das despesas de exploração da linha da Póvoa a Famalicão, garantia esta com reembolso de metade para o Estado, logo que o rendimento líquido exceder a 7 por cento do capital garantido até final liquidação das quantias adiantadas e respectivo juro, igualmente de 7 por cento.

Art. 4.° O concessionário pode utilizar a ponte que liga Fão a Esposende para passagem do caminho-de-ferro, sendo esta ponte reforçada convenientemente nas condições de resistência legais e à sua custa, fazendo-se a circulação dos comboios nas condições de segurança pública indicadas pelo Governo.

Art. 5.° São-lhe ainda concedidas as vantagens consignadas na base 5.ª, nos seus n.ºs 4.° a 8.°inclusive, e as consignadas na base 6.ª, anexas à lei de 14 de Julho de 1899.

Art. 6.° O concessionário obrigar-se há a todas as vantagens e encargos que são reservados para o Estado nos contratos de concessão e exploração existentes das empresas de caminho de ferro do país.

Art. 7.° As obras de construção deste caminho-de-ferro terão de ser iniciadas dentro do prazo máximo de seis meses a contar da data da publicação desta lei, sob pena de se considerar caduca a concessão.

Art. 8.° Desde que as obras forem iniciadas não podem ser suspensas por qualquer motivo, a não ser por determinação ministerial.

Art. 9.° A exploração do primeiro troço,

Póvoa a Esposende, deverá estar aberta ao público no prazo de dois anos, passados os quais terão de ser iniciadas as obras de terraplanagem no segundo troço, Esposende-Braga, cujas obras começarão simultaneamente de Esposende e Braga para Barcelos, de forma a exploração de todo ele se efectuar ao mesmo tempo e no prazo máximo de três anos, ou seja cinco anos após a publicação desta lei.

Art. 10.° O troço Esposende-Viana, cuja construção, será facultativa, será o último a construir-se e deverá ficar aberto à exploração dois anos depois do anterior, sendo portanto de sete anos o prazo para a conclusão total da linha.

Art. 11.° Os prazos estabelecidos nos artigos 7.°, 9.° e 10.° são improrrogáveis sem o prévio e expresso acordo da maioria das câmaras das localidades atravessadas por este caminho de ferro, e a falta de cumprimento ou não execução das obras dentro desses prazos importa a perda imediata da concessão e de todas as obras feitas e de material fixo empregado, em benefício do Estado, sem que o concessionário possa reclamar qualquer indemnização.

Art. 12.° No caso de caducidade prevista no artigo anterior, pode o Estado transferir para as câmaras interessadas, singular ou colectivamente, para a exploração deste caminho-de-ferro, a concessão, obras feitas e material fixo que tenha recebido, sem outra compensação ou retribuição que não seja a equivalente a quaisquer despesas que haja feito, desde que assim lhe seja reclamado e fique assegurada a referida exploração.

Sala das Sessões, 14 de Janeiro de 1924 — Joaquim Narciso da Silva Matos — António Albino Marques de Azevedo — Henrique Pires Monteiro — Artur Brandão — Crispiniano da Fonseca.”

"TROLHA D'AFIFE": UMA CANÇÃO DO FOLCLORE VIANENSE RECOLHIDA EM FINAIS DO SÉCULO XIX

A cantiga “Trolha d’Afife” constitui uma das preciosidades recolhidas em finais do século XIX em Afife, no Concelho de Viana do Castelo. O seu título remete-nos para o ofício de pedreiro que já então constituía vocação dos afifenses.

Esta música aparece publicada no “Cancioneiro de Músicas Populares” que constitui uma obra publicada em 1893 e que pode ser consultada na Biblioteca Nacional de Portugal.

Na sua capa pode ler-se o seguinte: “Cancioneiro de musicas populares contendo letra e musica de canções, serenatas, chulas, danças, descantes, cantigas dos campos e das ruas, fados, romances, hymnos nacionaes, cantos patrioticos, canticos religiosos de origem popular, canticos liturgicos popularisados, canções políticas, cantilenas, cantos maritimos, etc. e cançonetas estrangeiras vulgarizadas em Portugal / collecção recolhida e escrupulosamente trasladada para canto e piano por Cesar A. das Neves ; coord. a parte poetica por Gualdino de Campos ; pref. pelo Exmo Sr. Dr. Teophilo Braga”

A MAÇONARIA NO ALTO MINHO

Entre 1843 e 1849, funcionou em Viana do Castelo uma primeira loja maçónica cuja designação com segurança se desconhece, mas que se presume poderá ter sido “fraternidade” em virtude de, anos mais tarde, ali ter existido uma com tal denominação. Esta loja integrava então o Grande Oriente Passos Manuel, também conhecido por “Maçonaria do Norte”, o qual constituía uma das quatro obediências existentes à altura. Desta derivou, em 1903, a constituição de um triângulo em Ponte de Lima, o qual viria curiosamente a extinguir-se em 1910, por ocasião da implantação da I República. Tratava-se do Triângulo nº. 28, e que deverá ter agrupado entre três a seis obreiros.

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O general Norton de Mattos, Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano Unido, com as insígnias maçónicas.

(…) Em 1926, por ocasião da instauração da ditadura militar que viria a abrir caminho à criação do Estado Novo, a Loja “Fraternidade” dispunha de 75 membros, a Loja “Vedeta do Norte” dispunha de 12 membros e os triângulos de Afife e de Arcos de Valdevez de 6 membros cada. O Grande Oriente Lusitano possuía então 3325 membros do rito escocês distribuídos por 9 consistórios, 24 aerópagos, 44 capítulos, 73 lojas e 14 triângulos. Título de curiosidade, Rodrigo Luciano de Abreu Lima, um dos membros da Loja “Fraternidade” e até então acérrimo republicano, viria a ser o primeiro presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo saído da revolução Nacional de 28 de Maio de 1926.

Uma relação existente no Grande Oriente Lusitano e que amavelmente nos foi cedida pelo ilustre historiador Prof. Doutor A. H. Oliveira Marques, a qual reporta ao ano de 1933, revela que a Loja “Fraternidade” contava então com mais de meia centena de filiados, alguns dos quais conhecidas e prestigiadas figuras do meio ponte-limense, tendo-se a referida Loja mantido em funções pelo menos até ao derrube do Estado Novo, em 1974. Através da referida lista, ficamos a saber que Rodrigo Luciano de Abreu e Lima pertenceu à Loja “Fraternidade”, ocupando o cargo de Orador, com o grau 33 correspondendo a Soberano Grande Inspector-geral e adoptando o nome simbólico Dantec, ou ainda Severino Costa que, no grau 2 correspondente ao de Companheiro, usou o nome Frederico Nietzsche. (...)

Carlos Gomes in A Maçonaria em Ponte de Lima. O Anunciador das Feiras Novas, nº XXIV, Ponte de Lima, 2007