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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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LISBOA VÊ NASCER MAIS UM GRUPO FOLCLÓRICO MINHOTO: É O GRUPO DE FOLCLORE DAS TERRAS DA NÓBREGA E VAI TER A SUA PRIMEIRA APARIÇÃO PÚBLICA NO PRÓXIMO DIA 10 DE MAIO

É já no próximo dia 10 de Maio que o Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega vai levar a cabo uma Sessão Solene de apresentação organizando posteriormente no dia 24 de Maio uma Mostra de Folclore com mais três agrupamentos de Folclore que apadrinharão a sua estreia.

Fundado há cerca de um ano, e após longos meses de trabalho e preparação, o Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega é o mais jovem agrupamento folclórico minhoto surgido em Lisboa. E, para quem conhece o trabalho anteriormente desenvolvido pelos seus responsáveis no domínio do folclore, sabe de antemão que estaremos perante um trabalho honesto e de rigor cujo sucesso está à partida garantido.

Para nos contar tudo sobre este novo projeto minhoto em Lisboa, falámos com José Artur Brito, Presidente da Direcção e Director-Técnico deste novo agrupamento.

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Como surge este novo agrupamento folclórico na cidade de Lisboa?

Para ser sincero, devo dizer que a ideia da formação deste novo grupo apanhou-me completamente de surpresa. Como é sabido, durante 13 anos fui responsável técnico por um outro agrupamento de Folclore minhoto sediado em Lisboa. Quando saí desse grupo, o meu plano era descansar durante algum tempo, pôr alguma escrita em dia, compilar e catalogar alguma informação de recolhas recentes, e depois, passados alguns meses, começar à procura de um projecto que me agradasse e ao qual o meu contributo pudesse ser útil. Qual não foi o meu espanto quando passadas apenas algumas semanas recebi de um grupo considerável de pessoas o esboço do que viria a ser o Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega (GFTN), e o repto para encabeçar este novo projecto.

Foi fácil decidir? O que o fez aceitar tão rapidamente?

Foi fácil, muito fácil. Em primeiro lugar, a forma como me abordaram foi extraordinária. É sempre bom ver o nosso mérito reconhecido e o nosso trabalho valorizado, e as pessoas que me abordaram fizeram isso. Transmitiram-me o que pretendiam para este novo Grupo, qual o objetivo que tinham em mente e fizeram-me sentir que o meu contributo era importante. De facto, não precisavam de o ter feito pois fiquei imediatamente seduzido pela equipa que tinha reunido e pelo que queriam fazer, o que tinham em mente.

Qual é o círculo geográfico que agrega a representação tradicional da nova formação?

O GFTN, tal como o nome indica, representará o Folclore e a Etnografia das Terras da Nóbrega. Povoada já desde tempos imemoriais, as Terras da Nóbrega encontram-se na sua maioria representadas geograficamente pelo atual Concelho de Ponte da Barca no nordeste da Província do Minho. Originalmente chamada de "Annofrica", uma das 30 paróquias em que a Arquidiocese de Braga foi dividida pelo Concílio de Lugo em 569 AD, as Terras da Nóbrega eram delimitadas, como a maioria dos Coutos e Circunscrições Territoriais em que Portugal se encontrava dividido na Idade Média, por acidentes geográficos. Tendo o Rio Lima a percorrer em toda a sua extensão, as Terras da Nóbrega eram assim delimitadas pelas Serras Amarela e do Soajo, a norte e nordeste, e pela Serra de Oural, a sul.

Etno-folcloricamente falando, as comunidades das Terras da Nóbrega, hoje em dia representadas por freguesias pertencentes ao Concelhos de Ponte da Barca, Arcos de Valdevez, Ponte de Lima e Vila Verde, viviam entre a Serra e o Rio e partilhavam um estilo de vida e vivência social comuns o que faz desta extensa área de território minhoto peculiar na sua forma de trajar, de cantar e de ser Povo.

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O que fundamentou a escolha da região da Nóbrega?

Bom, essa escolha recaiu devido à conjugação de três fatores: em primeiro lugar, a presença de elementos oriundos dessa região na lista de fundadores do GFTN; em segundo lugar, por ser uma das sub-regiões etno-folclóricas minhotas onde tenho incidido a maior parte do meu estudo e recolha; e, por fim, a constatação da falta de agrupamentos folclóricos suficientemente representativos do Alto Minho Interior, em geral, e dessa região, em particular. Alguns Grupos da região têm feito um esforço considerável por alterar essa realidade, dois deles viram inclusivamente reconhecido o seu trabalho com a passagem a membros efetivos da Federação do Folclore Português, mas achamos que isso não suprime todas as lacunas existentes na região. Com toda a modéstia, ou falta dela, conforme quiserem interpretar, achamos que podemos dar um contributo válido para representação etno-folclórica das Terras da Nóbrega e do Alto Minho Interior.

Quais são as características distintivas da etnografia e do folclore da região representada?

O Povo das Terras da Nóbrega vivia essencialmente da agricultura mas dividido entre o Rio Lima e as Serra de Oural e Amarela. A vivência era dura, agreste, tal como o terreno da região, e isso torna as suas danças e cantares rústicas, quase “agressivas”. Encontramos a pastorícia como uma atividade muito marcada na região, tal como a cultura do linho e a pirotecnia. O facto de ser uma região de muitas Casas Brasonadas e a fazer fronteira com Espanha - as relações comerciais e sociais eram uma constante - fazem com que seja também uma região de contrastes e com notória similitude galega. Nos tecidos, encontramos muitos tecidos de casa (lãs, linhos, estopas e tumentos trabalhados em tear), mas também, na classe mais remediada, as fazendas finas e os veludos lavrados. Como trajes distintivos temos de salientar o traje de São Miguel – aliás, este é quase considerado como o traje embaixador de Ponte da Barca pelo Mundo – e nas danças a cana-verde e a chula são presença obrigatória. Viras quase nenhuns, Serrinhas e Espanhóis são reis no terreiro.

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O projeto alargar-se-á a outros motivos tradicionais da cultura popular da região?

O GFTN não pretende ser “mais um” agrupamento folclórico. Queremos primar pela diferença e queremos afirmar-nos no panorama folclórico nacional. Temos muitas ideias, não saberemos quando conseguiremos concretizar todas, mas uma coisa é certa: não queremos ser um grupo de “autocarro” em que o objetivo é correr o circuito dos Festivais nacionais. Achamos que esse é uma vertente importante da atividade de um grupo mas também a recriação de vivências, a formação contínua dos elementos, os mercados tradicionais e o folclore dito “religioso”, o são. Teremos de ir analisando as situações e os convites há medida que eles surjam pois, como deve imaginar, a questão financeira do grupo nesta fase é periclitante. Não querendo parecer ingrato ou dar azo a segundas interpretações, afirmo o que já digo há vários anos: desengane-se quem acha que ter dinheiro é a solução para todos os problemas e para ter um grupo de qualidade; não é. Ter um objetivo definido, um grupo coeso, boas ideias, bons líderes e excelentes elementos definem a qualidade de um Grupo.

Contam com o apoio de entidades locais?

Neste momento, contamos com o apoio inestimável do Centro Social e Paroquial de Queijas, da Câmara Municipal de Oeiras, da Junta de Freguesia da União de Freguesias de Carnaxide e Queijas, e da Câmara Municipal de Ponte da Barca. O Grupo é também filiado na Fundação INATEL e na Federação do Folclore Português. Apresentámos também o grupo a diversas outras entidades e agrupamentos folclóricos. Mais do que apresentar o grupo para pedir subsídios ou quaisquer outro tipo de apoio, temos contactado estas entidades para apresentar a ideia, o projeto. Sempre fui um pouco contra quem acorre a Câmaras Municipais, ou outras entidades, com a ideia simples de obter financiamento. Sempre achei que estas entidades não devem apoiar grupos, devem apoiar ideias, projetos. O GFTN tem apresentado a sua ideia, o seu projeto e o acolhimento tem sido o melhor.

Referiu serem filiados na Federação do Folclore Português; acredito não ter sido fácil abrir essa porta.

O Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega foi o primeiro Grupo de Folclore sediado em território nacional a representar o Minho fora da província minhota a ser aceite como sócio aderente na Federação do Folclore Português. Uma vez mais, tudo o que fizemos foi apresentar a ideia, apresentar o projeto, mostrar o trabalho feito e receber as melhores críticas pelo mesmo. Só assim se justifica a alteração de uma realidade de há muitos anos: as portas da Federação estavam fechadas aos grupos minhotos em Lisboa. Sabemos que, depois de nós, outros Grupos tentaram (ou ainda virão a tentar), este desiderato. Convençam-se, não será fácil. Terá de haver qualidade e representatividade no Folclore apresentado; terá de haver uma circunscrição geográfica perfeitamente definida e coerente; terá de haver a vontade de corrigir erros e “dogmas” que não passam de “verdades de pés de barro” O próprio GFTN está sujeito a este escrutínio, a passagem de Sócio Aderente a Sócio Efectivo não será um “mecanismo automático”! Da nossa parte, cá estaremos para apresentar e fundamentar o trabalho feito.

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Qual foi a recetividade da comunidade minhota em Lisboa ao novo projeto?

Não podemos, nem queremos, falar por todos mas achamos que de uma forma global o acolhimento tem sido bom. Para ser honesto, não contactámos de forma aberta a comunidade minhota na Cidade de Lisboa nem tão pouco todos os grupos de representação etno-folclórica minhota na cidade. Ainda antes do Grupo começar a participar em Encontros de Instrumentos Tradicionais (foi por aí que começamos a aparecer), já se sabia “nos bastidores” da fundação do grupo e sabíamos que colhia diversas críticas e opiniões. O facto de termos recebido convites de três desses agrupamentos para participar em eventos organizados por si, é também prova da boa recetividade que o GFTN tem tido. Além disso, estamos também em contacto com dois agrupamentos de representação minhota na Cidade de Lisboa para a co-organização de um evento que, achamos, terá muitíssimo impato na comunidade folclórica lisboeta. O desafio que lhes lançámos foi muito bem recebido e achamos que estão lançadas as sementes para uma excelente relação entre estes três Grupos. Tivemos uma primeira reunião para discutir a ideia e falar do modelo de organização, e iremos a breve trecho ter outra reunião de trabalho para concretizar a ideia. Acho que neste capítulo, a recetividade ao Grupo, tudo tem corrido muito bem.

E a Comunidade Folclórica nacional?

Nesse capítulo, a recetividade foi ainda melhor. Tivéssemos nós capacidade financeira para aceitar todos os convites que nos chegaram! Estamos muito felizes e orgulhosos com os votos de confiança que temos recebido de norte a sul do país da Comunidade Folclórica. Iremos participar em quatro Festivais de Folclore de Grupos de referência nacionais, e não participaremos em mais devido às questões financeiras que falei.

Quem é quem dentro do grupo?

O Grupo fez a sua fundação com cerca de 20 elementos mas conta neste momento com cerca de 40. Nesta fase inicial, eu tenho sido a cara mais visível do Grupo, não só devido ao meu papel de Diretor Técnico mas também porque me convidaram a assumir o papel de Presidente da Direção do GFTN. Contudo, existe na retaguarda uma equipa fantástica que tem feito um trabalho extraordinário. Temos uma direção de sete elementos que tem coordenado toda a atividade do grupo e na verdade todos os 40 elementos têm trabalhado, remando e puxando todos para o mesmo lado. A esmagadora maioria dos elementos já estiveram, de uma forma ou de outra, ligados ao movimento folclórico e associativo tendo o GFTN neste momento antigos elementos de oito agrupamentos folclóricos. Tal como disse, eu sou Presidente da Direção, o Dr. André Narciso é o Presidente da Mesa da Assembleia Geral e o Jorge Alves é o Presidente do Conselho Fiscal. A maioria dos elementos da Direção que me acompanham constituem uma equipa jovem, dinâmica, ansiosa de fazer bem e balançada com alguns elementos mais veteranos que com a sua dose de experiência e sabedoria fazem uma mistura muito interessante e profícua. Quero aqui deixar uma palavra de grande apreço ao meu Vice-Presidente António Varelas que tem sido um pilar forte e seguro nesta formação do Grupo, e ao meu Tesoureiro Rafael Patrício pela clarividência e “pés assentes na terra” quando toca a “contar os euros” do Grupo.

Os restantes elementos do Grupo, têm idade que oscilam entre os 2 e os 60 e poucos anos, e todos eles estão envolvidíssimos, comprometidíssimos e ansiosíssimos do sucesso deste projeto. A todos eles o meu muito obrigado por fazerem do GFTN o que é e o que virá certamente a ser!

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A apresentação pública do grupo está marcada para o próximo dia 10 de Maio. O que nos pode dizer sobre isso?

Bom, para ser rigoroso, a apresentação pública do Grupo já foi feita uma vez que temos participado em alguns mercados tradicionais, feiras rurais e encontros de instrumentos tradicionais já sob a chancela “Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega”. Porém, não consideramos esses pequenos apontamentos que temos feito como a presentação formal do grupo. Assim sendo, iremos realizar uma Sessão Solene no dia 10 de Maio no Auditório do Centro Social e Paroquial de Queijas para a Apresentação formal do Grupo, com os discursos da praxe e a primeira atuação do Grupo em palco. Depois, dia 24 de Maio, iremos realizar uma Mostra de Folclore no Jardim do Mercado Municipal de Queijas em que convidámos grupos de “primeira água” do nosso Folclore para vir apadrinhar o GFTN: o Grupo Folclórico de São Torcato (Baixo Minho Ave – Guimarães), o Rancho das Lavradeiras da Trofa (Entro Douro-e-Minho), e o Rancho Folclórico da Casa do Povo de Glória do Ribatejo (Salvaterra de Magos). Quisemos rodear-nos de Grupos que primassem pelo exemplo e rigor etno-folclórico para que o GFTN se reveja nesses projetos, e também receber Grupos que, com a sua presença, atestassem da vontade de fazer bem e verdade etno-folclórica do GFTN.

O Grupo está recetivo a aceitar novos elementos?

O Grupo não está ativamente à procura de novos elementos no sentido em que não está a fazer convites para que se juntem ao GFTN. Porém, estamos recetivos a receber novos elementos desde que não estejam vinculados a qualquer outro agrupamento folclórico. Quem quiser fazer parte deste projeto basta ter três requisitos: amor e respeito à causa folclórica, querer ajudar o GFTN a dar os seus primeiros passos, e compreender que antes do “eu” está o “nós” e que neste caso o “nós” é o bem comum de todos e os elementos do Grupo, e o fito bem presente da veracidade etno-folclórica e consciência dos valores singulares da Tradição da Cultura Popular Portuguesa e das Terras da Nóbrega. Neste momento estamos abertos a receber quem queira vir fazer parte deste projeto mas tem de ter estes três valores, para nós imprescindíveis. Se os tiver, esses elementos têm tudo o que é preciso para ser mais um excelente componente do Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega.

PlacaGFTN

Após esta entrevista com José Artur Brito, Presidente do Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega, deixamos os respetivos contatos:

Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega

Rua Amélia Rey Colaço 44, 10D

2790-017 Carnaxide

E-mail: gfterrasnobrega@gmail.com

Telefones: 962.452.179 (Doutor José Artur Brito), 919.667.334 (António Varelas), 969.765.382 (Drª Carla Raia)

ConviteSessaoSoleneApresentacaoGFTN

 Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega

Mostra de Folclore para Apresentação Pública do Grupo

24 de Maio de 2014 – Largo do Mercado Municipal de Queijas

Programa

15.00h – Chegada dos Grupos participantes e Entidades convidadas a Queijas

16.00h – Recepção na Delegação da Junta de Freguesia da União de Freguesias de Carnaxide e Queijas – Apresentação de Cumprimentos e Troca de Lembranças 

Discursos: Doutor José Artur Brito – Presidente da Direcção do GFTN

Fernando Ferreira – Presidente da Federação do Folclore Português

Dr.ª Sofia Tomaz – Coordenadora do Núcleo de Etnografia da Fundação INATEL

Jorge de Vilhena – Presidente da Junta de Freguesia da União de Freguesias de Carnaxide e Queijas 

16.45h – Pequeno desfile etnográfico pelas Ruas da freguesia

17.00h – Atuação dos Grupos participantes:

- Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega (Alto Minho Interior)

- Associação Cultural e Etnográfica “Gentes de Almeirim” (Ribatejo)

- Grupo Folclórico de São Torcato (Baixo Minho Ave – Guimarães)

- Rancho Folclórico e Etnográfico de Ponte da Barca (Alto Minho Interior)

19.30h – Jantar-convívio com todos os Grupos e Convidados

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