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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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CRUZ DE VALENÇA ATRAVESA O RIO MINHO EM BARCO E DÁ-SE A BEIJAR AOS GALEGOS

A freguesia valenciana de Cristelo Côvo celebra os tradicionais festejos em honra de Nª Sr.ª da Cabeça, com destaque para o Lanço da Cruz, no dia 21 de Abril, Segunda-Feira de Páscoa, no Parque Natural da Senhora da Cabeça, junto ao rio Minho.

O Lanço da Cruz, o ponto alto dos festejos, está programado para as 17h, do dia 21 Abril, Segunda-Feira de Páscoa. Esta tradicional romaria galaico-minhota decorre sempre na segunda-feira imediata ao fim de semana da Páscoa.

Ao entardecer, depois da visita pascal, à freguesia de Cristelo-Côvo (Valença), o pároco, devidamente paramentado e com uma cruz ornamentada, entra num barco de pesca e dirige-se até à margem espanhola onde dá a cruz a beijar aos paroquianos da outra margem. Durante esse período são lançadas, pelos pescadores as redes benzidas ao rio. Todo o peixe que sair no lance é para o pároco. Entretanto com o pároco português regressa, no barco, o pároco de Sobrado – Torron, concelho de Tomiño (Galiza), dando a cruz a beijar aos peregrinos que aguardam junto ao rio, na margem portuguesa. Várias embarcações portuguesas e galegas acompanham este compasso pascal nas águas do Minho.

Até à noite os sons das gaitas de foles misturam-se com os das concertinas, das castanholas, o rufar dos bombos e tambores numa autêntica romaria galaico-minhota.

Na terça-feira, 22 de Abril, merece especial referência a missa para os peregrinos da Galiza, celebrada em galego, por um padre galego. Neste dia também, por tradição, os peregrinos desfrutam dos seus merendeiros nas sombras do parque comendo, sobretudo, o que sobrou do carneiro ou cabrito da Páscoa.

A tradição do Lanço da Cruz é uma manifestação religiosa e popular muito acarinhada pelas populações da raia minhota que ano após ano atrai um maior número de populares e turistas.

Para o Presidente da Câmara, Jorge Salgueiro Mendes, ”Esta é uma manifestação cultural e religiosa única no mundo, só possível graças às excelentes relações seculares entre galegos e minhotos, em Valença”.