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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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CÂMARA DOS DEPUTADOS DEBATEU EM 1912 A CONSTRUÇÃO DA LINHA DE COMBOIO DE BRAGA A MONÇÃO

A discussão acerca da construção de uma rede de caminhos-de-ferro no Minho foi uma constante durante a Primeira República. Os resultados foram os que se viram…

Na sua sessão de 23 de Janeiro de 1912, o projecto-lei relativo à construção e à exploração dos caminhos-de-ferro no Alto Minho foi discutido na Câmara dos Deputados. Deixamos duas breves passagens, referindo-se a primeira à leitura do documento por parte do seu Presidente, António Aresta Branco e a segunda relativa à intervenção do deputado Simas Machado.

Na transcrição, respeitamos a grafia da época.

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O Caminho de Ferro de Guimarães por Braga a Monção sobe primeiramente a Serra da Falperra, que passa na Portela de Balazar, subindo 160m,90, entre as Taipas e aquela, com rampa média de 0m,02433, sem nunca ultrapassar 25 milímetros, num percurso de 6:614m,30, em rampa, para depois descer 156m,01 com 6:664m,16 em declive antes de subir 20m,80 para atingir Braga. O raio mínimo empregado foi a 100 metros, e a extensão total de Guimarães a Braga é de 28:734m,63.

De Braga em diante desce para o Cávado, havendo até a Ribeira de Sabariz 3:970m,21 em patamar, 3:796m,42 em rampas de 8:032m,04 em declive com inclinação média de 0m,02209, não excedendo nunca o limite de 25 milímetros por metro. E daí sobe até a Portela do Vade, na divisória do Cávado e do Lima, em terreno descoberto, vencendo 254m,93 de diferença de nível, só com l:484m,22 em patamar e 53m,95 em declive, para 10:763m,98 em rampa dentro do limite do 25 milímetros sem baixar do raio 100 metros em planta. Da Portela do Vade até o Lima nos Arcos de Valdevez o traçado é difícil, pois tem de descer 277m,80 o que obrigou a 12:606m,91 em declive para 4:276m,21 em patamar, e 2:704m,60 em rampa, sem nunca ultrapassar inclinação de 25 milímetros, nem baixar o raio alêm de 90 metros.

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Simas Machado era natural de Braga

O Sr. Simas Machado: - Sr. Presidente: pedi a palavra por causa dumas referências feitas pelo meu colega Rodrigo Fontinha. Antes, porêm, de me referir ao que S. Exa. disse, permita-me V. Exa. e a Câmara que eu felicite os signatários dêste projecto. E faço-o com tanto mais entusiasmo, quanto é certo que estive o ano passado na parte da província do Minho que vai ser beneficiada por êste caminho de ferro, podendo afirmar a V. Exa. e á Câmara que, quer no serviço de propaganda, que ali se fez, quer no serviço militar, conversando com aquele bom povo do Alto Minho, eu ouvi, frequentíssimas vezes, declarar-me que da melhor vontade se colocariam ao lado da República se os Governos republicanos tratassem, com mais cuidado dos seus interesses, do que os tinham tratado os monárquicos.

O que lhes ouvia pedir era Que os Governos republicanos lhe dessem estradas e escolas e o que é certo é que êles tinham carradas de razão; senão atenda V. Exa. no seguinte:

Quasi todas as freguesias importantes do concelho de Arcos de Valdevez estão ligadas a esta formosíssima vila por caminhos intransitáveis. A povoação de Cabreiros é já uma terra importante. Pois, Sr. Presidente, o caminho que a liga aos Arcos é perfeitamente um precipício. Atravessei-o, várias vezes, com alguns oficiais, - e o que é certo é que em alguns pontos, se escapasse uma pata ao cavalo, como os abismos se escancaram a um e outro lado do atalho, aí desapareceram cavalos e cavaleiros.

Eu, Sr. Presidente, quando passava por Ia ia sempre com o credo na boca. A minha lialdade leva me a confessar o seguinte: eu, na arte da gineta e da estardiota nunca fui forte, mas creio que os que me acompanhavam iam nas mesmas condições; quer dizer que os caminhos são realmente deploráveis. Emquanto isto estiver nestas condições, e absolutamente impossível que aqueles povos possam progredir, e possam estimar as instituições se por acaso a República não tratar com mais cuidado dos seus interesses, do que tratou a monarquia.