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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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A MAÇONARIA NO ALTO MINHO

Entre 1843 e 1849, funcionou em Viana do Castelo uma primeira loja maçónica cuja designação com segurança se desconhece, mas que se presume poderá ter sido “fraternidade” em virtude de, anos mais tarde, ali ter existido uma com tal denominação. Esta loja integrava então o Grande Oriente Passos Manuel, também conhecido por “Maçonaria do Norte”, o qual constituía uma das quatro obediências existentes à altura. Desta derivou, em 1903, a constituição de um triângulo em Ponte de Lima, o qual viria curiosamente a extinguir-se em 1910, por ocasião da implantação da I República. Tratava-se do Triângulo nº. 28, e que deverá ter agrupado entre três a seis obreiros.

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O general Norton de Mattos, Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano Unido, com as insígnias maçónicas.

(…) Em 1926, por ocasião da instauração da ditadura militar que viria a abrir caminho à criação do Estado Novo, a Loja “Fraternidade” dispunha de 75 membros, a Loja “Vedeta do Norte” dispunha de 12 membros e os triângulos de Afife e de Arcos de Valdevez de 6 membros cada. O Grande Oriente Lusitano possuía então 3325 membros do rito escocês distribuídos por 9 consistórios, 24 aerópagos, 44 capítulos, 73 lojas e 14 triângulos. Título de curiosidade, Rodrigo Luciano de Abreu Lima, um dos membros da Loja “Fraternidade” e até então acérrimo republicano, viria a ser o primeiro presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo saído da revolução Nacional de 28 de Maio de 1926.

Uma relação existente no Grande Oriente Lusitano e que amavelmente nos foi cedida pelo ilustre historiador Prof. Doutor A. H. Oliveira Marques, a qual reporta ao ano de 1933, revela que a Loja “Fraternidade” contava então com mais de meia centena de filiados, alguns dos quais conhecidas e prestigiadas figuras do meio ponte-limense, tendo-se a referida Loja mantido em funções pelo menos até ao derrube do Estado Novo, em 1974. Através da referida lista, ficamos a saber que Rodrigo Luciano de Abreu e Lima pertenceu à Loja “Fraternidade”, ocupando o cargo de Orador, com o grau 33 correspondendo a Soberano Grande Inspector-geral e adoptando o nome simbólico Dantec, ou ainda Severino Costa que, no grau 2 correspondente ao de Companheiro, usou o nome Frederico Nietzsche. (...)

Carlos Gomes in A Maçonaria em Ponte de Lima. O Anunciador das Feiras Novas, nº XXIV, Ponte de Lima, 2007