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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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PORTOZELLO

Do Minho cândida filha

O’ minha aldeia sem par,

Como és linda, prateada

N’uma noite de luar!

 

Tuas modestas casinhas

Nada, em graça, há que a eguale;

São como pérolas, soltas

Debruçadas sobre um valle.

 

Ao longe, o vulto massiço

De frondosos pinheiraes,

A roçarem pelas nuvens

Com as cimas colossaes.

 

O presbyterio, phantasma,

Que recorta o céo azul;

Um vergel cada montanha,

Um jardim cada paul.

 

Da egreja ao lado se altêa

Um gigantesco cipreste,

Verde columna, sustendo

Toda a abobada celeste.

 

O rio lá está... de manso,

Com a face a reluzir,

Qual vasto espelho... O’ meu Lima

E’s um sultão a dormir.

 

Dos altos montes a sombra

Vae-se no rio estampar,

E as capellas, que há por ellas

N’agua estão inda a alvejar

 

D’aquella encosta na espalda

Branda sussurra uma fonte,

E corta a musgosa relva

P’ra o rozal que está defronte.

 

Os roxinoes cantam  lânguidos

D’entre o arvoredo gentil;

Nem têem fim aqui seus cantos,

Nem aqui tem fim Abril.

 

E em cada folha de arbusto,

E em cada estrella dos céos,

E em tudo... na minha aldeia

Soletro o nome de Deus

Sebastião Pereira da Cunha