Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

FESTA DO TRAJE EM VIANA DO CASTELO HÁ 40 ANOS

Sob o título “Evitemos a adulteração”, publicou a revista “Folclore” nº. 22, de Dezembro de 1971, um artigo não assinado, alusivo à Festa do Traje realizada em Viana do Castelo naquele ano. Tratou-se, na realidade, de um comentário que, pelo seu teor, deduzimos ter sido da autoria do seu próprio director. Pela actualidade que possui no que concerne à adulteração do traje da nossa região por parte de alguns agrupamentos ditos folclóricos, parece-nos da maior oportunidade e curiosidade a sua publicação neste espaço, dando simultaneamente a conhecer uma revista que na década de 70 do século passado se dedicou à “defesa e divulgação do folclore e etnografia de Portugal”.

“O Minho é, sem dúvida, a província portuguesa que mais características e motivos tradicionais nos dá. Aqui, a fidelidade á tradição é, em muitos pontos, palavra para respeitar. As suas gentes, mantêm ainda princípios que remontam de há muitos anos, com toda a singeleza, simplicidade e humildade.

No aspecto etnográfico, o Minho dá-nos também motivos curiosos, de uma riqueza ímpar. A sua indumentária é da mais rica e vistosa que temos. As danças, caracterizadas pelo vira, são quase sempre de marcação acertada, embora de efeito não muito variado. As canções, ricas de melodia, são, de um modo geral, de um cancioneiro rico e bem cuidado.

Daí, o facto de a sua capital – Viana do Castelo – ostentar o título de “capital do folclore”.

E cremos que tal possa ser. A par da descrição que atrás fazemos, aludindo à riqueza dos seus trajos, danças e cantares, bem poderá ser considerada a capital do folclore.

Como manifestação máxima, no campo etnográfico e folclórico de Portugal, Viana do Castelo tem o seu Cortejo Etnográfico e a Festa do Traje, festividades populares de grande beleza e encanto, integradas anualmente no programa das Festas da Senhora da Agonia.

Falar da Festa do Trajo, é assunto para muitas linhas, tal a sua grandiosidade.

Tivemos a felicidade de assistir à última edição daquela imponente manifestação, que teve lugar durante as Festas de Viana, do corrente ano, constituindo cartaz aliciante do grande certame. Aliás, do muito que temos ouvido sobre o grande acontecimento etnográfico, sabíamos que íamos assistir a algo maravilhoso e grandioso. Assim aconteceu, na realidade. Porém…

Todas as freguesias de Viana estavam representadas na última Festa do Traje. Elucidava-nos um desdobrável, que, à entrada, nos foi oferecido. O traje feminino da linda região minhota marcava presença relevante. Era um espectáculo grande, digno de ser presenciado de perto. E de perto, começámos a nossa apreciação. Admirámos, comentámos, registámos. Esta e aquela indumentária, este e aquele pormenor, eram motivo de grande interesse e curiosidade.

Entristeceu-nos, porém, alguns fatos, que se apresentaram menos bem. A Festa do Traje de Viana do Castelo, é, terá que ser, uma manifestação popular autêntica, com rigor. E, com pena, verificámos pormenores que a levam a uma adulteração, e que não podemos deixar de condenar, chamando a atenção das organizações futuras, para evitar que a Festa do Traje de Viana do Castelo perca o cunho de grande manifestação etnográfica e folclórica, em toda a sua verdade, Mas vamos aos factos.

Soubemos que as representações das várias freguesias, eram arranjadas por influência da respectiva Junta de Freguesia. Há, portanto, a preocupação de formar um grupo de mulheres e, nalguns casos, também homens, que, com certa remuneração, representem a freguesia na Festa do Traje. Tudo certo, só não está certo a falta de cuidado com que essas representações são organizadas, pois que cada um aparece vestido ao seu gosto e maneira, sem um mínimo de preocupação e respeito pela verdade do traje que vestem. E vem a adulteração. Vejamos: o traje masculino apareceu, em muitos casos, totalmente adulterado, sem um mínimo de rigor e verdade. Desde os sapatos finos, de pala e verniz, à moderna calça “levys”, e à branquinha camisa de nylon, tudo apareceu para estragar a beleza do espectáculo. E foi pena. Lamentamo-lo.

Como espectáculo ímpar, único mesmo, a Festa do traje de Viana do Castelo tem que continuar a impor-se como manifestação grande, com toda a sua verdade e pureza. A tarefa é das organizações futuras, empregando um maior cuidado na exibição das indumentárias pelos homens, muito especialmente. Recordamos, até, que os próprios agrupamentos folclóricos ali presentes, devidamente estruturados e oficializados, se apresentaram com certas anomalias, no que respeita à indumentária masculina, especialmente.

O Traje minhoto é lindo e vistoso, rico mesmo. Evitemos a adulteração".