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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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JOÃO MARCOS: A MINHA ALMA BRASILEIRA

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“A Minha Alma Brasileira” é uma das obras produzidas pelo escritor João Marcos, editada pela Universitária Editora, com desenho de capa da autoria da autoria de sua filha, a pintora Armanda Andrade. “A Minha Alma Brasileira” é um livro de contos e narrativas através do qual o autor transmite aos leitores o seu sentir e experiências que viveu durante o seu exílio no Brasil. Como a Drª Manuela Rodrigues refere no seu prefácio, “´são cinco as estórias que este livro nos trás. Todas diferentes. Marcadas pela espiritualidade insíta ao brasileiro, presente em “Do Cerrado à Megacidade (Recordações de uma viagem) em que ao longo de uma viagem o autor nos dá a conhecer paisagens, a vibração e amor ao futebol, o descobrir das sensações face à cidade grande, a mistura de crenças do povo que o leva a associar cartomância, leitura de búzios, candomblé, e de como a partir dessa incrível mistura o pobre cidadão acaba se tornando infeliz dono da fatalidade”. Mas, não nos alonguemos mais na apreciação da obra e deixemos aos leitores uma pitada da sua poesia para que lhes possamos aguçar o interesse pela leitura da sua obra. Nesse sentido, transcrevemos uma breve passagem de um dos seus contos, mais concretamente aquele que descreve “o sonho de Brasília” e dá pelo título “Mesmo que Deus não queira”:

“Nem só o vagabundo sonha. O sonho é próprio do homem. Deus criou a partir do nada, o homem cria a partir do sonho. Há diferença entre o sonho do vagabundo e o sonho do homem criador. Sonhando, o vagabundo recria-se a si próprio; o verdadeiro criador cria principalmente para os outros, o sonho transcende-o em obra para a humanidade. O poeta chegou ao fundo da essência humana: tudo o que existe ou é criação de Deus ou sonho do homem.

Vou contar a minha última história, que não é sonho meu, sonho de um vagabubdo, mas é um sonho do Brasil, um dos sonhos mais gloriosos do Brasil.

A história remonta aos finais dos anos vinte, tinha o Brasil pouco mais de cem anos de independência e um corpo enorme, de que não se conhecia ainda rigorosamente toda a dimensão.

O rosto virado para cima remirando a Europa através do reflector do Atlântico, peito e barriga empinados para o Golfo da Guiné, e encostado às almofadas do Perú e da Bolívia contra a cordilheira dos Andes, parece a rotunda figura de um capitalista, conforme se representa nas caricaturas socialistas, mas em que teratologicamente o cérebro se deslocara para o lugar onde normalmente deve estar o sexo, pois era ali, no Distrito Federal, ao fundo da barriga, que se dinamizava todo o pensamento e se manifestava toda a sua actividade emocional.

O Brasil começara já a perder o fascínio da Europa, mas os seus interesses culturais ainda se não enleavam muito com a sua prórpia pessoa (muito, ainda hoje não acontece), antes se orientavam agora em direcção às multinacionais e às multifilares antenas da cresocultura ianque. Em compensação, eram os homens da cultura da Europa e da América, especialmente os cientistas, que procuravam o Brasil para melhor o conhecerem”.

Sobre o autor propriamente dito, apresenta-o a Drª Manuela Rodrigues como “um português, minhoto da mais preclara cepa, com as suas raízes profundas nesse canto do país onde os celtas e os visigodos plantaram corações e almas fortes, de antes quebrar que torcer. Tão fortes que são capazes de partir, criar raízes e voltar, mantendo a portugalidade mais profunda, sem contudo deixarem de absorver de passagem o que de melhor as culturas locais lhes apresentam".