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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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ETNOGRAFIA E ARTES GRÁFICAS

Não existe praticamente festa ou romaria, feira tradicional ou festival folclórico que não tenha o seu próprio cartaz a anunciar o evento e a divulgar o respectivo programa. Desde os mais simples aos melhores elaborados do ponto de vista gráfico, todos revelam uma preocupação de natureza publicitária que consiste em dar a conhecer a iniciativa e garantir o seu êxito em termos de participação do público. Alguns, porém, acrescentam também a inclusão de uma elevada quantidade de anúncios como forma de garantir os patrocínios que vão suportar as despesas da realização da festa.

Para além do cartaz propriamente dito, existem organizações que produzem outros suportes publicitários em papel como folhetos e pequenos opúsculos contendo o programa dos festejos. Toda esta divulgação deve ser ponderada do ponto estético como financeiro a fim de que possam corresponder da melhor forma aos objectivos pretendidos.

Antes de mais, deve atender-se a que o cartaz, destinado a ser afixado em locais públicos, para além de constituir um meio de publicidade visual, possui um valor estético e artístico, adquirindo por essa via também interesse histórico. Ele traduz formas de representação que têm a ver com as formas artísticas de cada época, traduzindo a visão do artista acerca do objecto publicitário e da própria comunicação ao exprimir ideias e sensações através da representação gráfica. Como exemplo, inúmeros cartazes produzidos em meados do século XX alusivos ao turismo ou a determinadas festas e romarias que contavam com um especial patrocínio do Estado Novo, revelam uma notória preferência pelas formas geométricas que caracterizaram o modernismo.

Nos casos em que o excesso de publicidade e a falta de bom gosto prejudicam a concepção gráfica da publicidade, é o próprio evento que sai desfavorecido ao ser transmitida uma imagem de uma iniciativa que em nada o valoriza. Em tais situações, para além de prejudicial, a divulgação que é feita apenas se traduz em encargos financeiros que a organização tem de suportar e que nem sempre são compensados com os patrocínios. Por outro lado, a sua afixação indiscriminada apenas resulta em poluição visual a contribuir para a degradação da localidade onde tal forma de divulgação ocorre.

Em regra, a produção gráfica é feita por meios litográficos ou seja, através de offset. Este meio de impressão possui custos fixos com fotocomposição, revelação de películas, montagem e transporte para a chapa e os respectivos materiais pelo que os seus custos apenas diminuem na medida em que as tiragens são mais elevadas. A isto acresce o facto da generalidade do material publicitário ser feito a cores, o que implica a selecção de cores – ciao, amarelo, magenta e preto – e a sua impressão em quadricomia, o que aumenta consideravelmente os seus custos globais. Não considerando eventuais casos de inclusão das designadas “cores directas” ou “suplementares” que mais não fazem do que onerar os seus custos. Por conseguinte, este meio de produção gráfica apenas é vantajoso para grandes tiragens, o que em muitos casos representa um desperdício e um gasto desnecessário.

Como alternativa, a impressão digital possui maior interesse para a produção de tiragens reduzidas, como convém a pequenas localidades onde a impressão de uma ou duas centenas de cartazes se revela suficiente. Neste caso, os custos são constantes e, não existindo custos fixos à priori, apenas entram em desvantagem em relação à impressão em offset a partir dos trezentos exemplares aproximadamente. Trata-se, como é evidente, de um processo de produção que mais convém a organizações que não necessitam de recorrer à utilização de grandes quantidades de publicidade em suporte de papel, tanto mais que é cada vez mais recorrente a utilização da Internet para o efeito.

Outro dos aspectos que nem sempre é tido em consideração reside no tipo de papel que é escolhido para o meio de divulgação pretendido, tanto no que respeita às suas características como à própria gramagem. É frequente depararmos com os mais variados géneros, alguns dos quais claramente não favorecem a divulgação que é feita enquanto, noutros casos, traduzem-se em esbanjamento e gastos desnecessários em material mais dispendioso. Procurando um ponto de equilíbrio entre critérios de qualidade e economia, o tipo de papel geralmente mais adequado na produção de cartazes para divulgação de festivais de folclore ou de romarias é o couché brilhante, com 115grs/m2, podendo eventualmente ser substituído pelo couché mate, aconselhando-se neste caso a aplicação de verniz de máquina que, para além do realce, contribui para a fixação das cores.

No que respeita às dimensões do cartaz, ele não deve ser definido de uma forma aleatória sob pena de perder a sua utilidade ou constituir uma maneira de esbanjar verbas que seguramente fazem falta à organização. Assim, importa antes de mais ter presente os locais públicos onde os cartazes vão ser afixados, existindo espaços que não se coadunam com cartazes de grandes dimensões. Por outro lado, deve ter-se em consideração as medidas padronizadas do papel uma vez que estas respeitam as dimensões das máquinas de impressão concebidas pelos fabricantes. Qualquer pequena diferença nos formatos pretendidos pode representar a duplicação dos custos em consequência do desperdício de matérias-primas.

A produção em separado de programas sob um formato de caderno possui como vantagens, além da inclusão da publicidade dos patrocinadores, a divulgação de conteúdos de natureza cultural relacionados com a localidade ou o evento, possibilitando que os mesmos sejam guardados como outra publicação de interesse.

Em regra, as organizações tendem a adoptar um modelo gráfico ou seja, um determinado estilo que as identifica nomeadamente pelas cores empregues, o tipo de letra e eventuais logótipos ou dísticos emblemáticos. O grafismo usado na divulgação em suporte de papel deve ser tanto quanto possível semelhante ao que é utilizado através da Internet, traduzindo-se em uniformidade e economia de meios e gastos.

Por fim, as organizações de eventos culturais que de alguma forma se identificam com a preservação do património cultural ou dos valores de uma determinada região, jamais devem contribuir para uma imagem de degradação da terra e de si mesmos, transformando-se em elementos repulsivos e indesejáveis a essa mesma causa que alegadamente dizem defender.

Carlos Gomes in http://www.folclore-online.com/