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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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EM 1923, ADMINISTRADOR DO CONCELHO DE VILA VERDE FAZIA DA ESCOLA DE FREIRIZ DEPÓSITO DE VINHOS E DORMITÓRIO DOS SEUS EMPREGADOS

Na sessão de 28 de fevereiro de 1923, Joaquim de Oliveira, deputado à Câmara dos Deputados, chamou a atenção do governo para “a imoralidade que representa o procedimento do actual administrador do concelho de Vila Verde com relação ao uso que está fazendo dum edifício escolar” em Freiriz, aproveitando a intervenção para denunciar as intimidações ocorridas nas eleições para a Junta de Freguesia de Parada de Gatim feitas por um grupo de indivíduos munidos de bombas, à porta da igreja paroquial, impedindo os eleitores do Partido Reconstituinte de votar.

Transcrevemos do Diário da Câmara dos Deputados a sua intervenção respeitando a grafia da época.

“O Sr. Joaquim de Oliveira: — Não estando presente o Sr. Ministro a que eu me desejava referir, peço ao Sr. Ministro das Finanças o favor de tomar nota do que vou dizer, porque é um assunto de alta importância para a República.

Refiro-me a um edifício escolar existente em Freiriz, concelho de Vila Verde, distrito de Braga, edifício que foi legado por João Baptista de Macedo e que abusivamente se encontra há nove anos, na posse do actual presidente da câmara municipal, que está desempenhando as funções de administrador.

Eu entendo que êste homem não pode realmente merecer a confiança do Sr. Ministro do Interior, assim como entendo que é altamente imoral que aquele edifício esteja transformado em depósito de vinhos e dormitório dos empregados de quem não devem estar exercendo as funções administrativas.

E espantoso que cousas destas se dêem dentro das instituïções vigentes.

Eu desejaria também chamar a atenção do Sr. Ministro da Instrução, a fim de que S. Ex.ª me dissesse quais as providências que S. Ex.ª toma para que êsse edifício seja aplicado num edifício escolar, visto haver tanta falta dêles.

Êsse edifício valia 70 a 100 contos.

Eu peço ao Sr. Ministro das Finanças a fineza de transmitir estas minhas considerações ao Sr. Ministro do Interior o ao Sr. Ministro da Instrução.

Já que estou no uso da palavra, também queria chamar a atenção do Sr. Ministro das Finanças, visto não estar presente o Sr. Ministro da Guerra, para um facto muito irregular.

Quando foi das eleições de Juntas de Freguesia de Parada de Gatim, foi para lá um grupo de bandidos, comandado por um sargento de infantaria 11, de nome Andrade, que foi para lá sem licença do respectivo comandante.

Pois êste grupo de bandidos foi com bombas para a porta da igreja, não deixando votar os eleitores do Partido Reconstituinte, prendendo-os e, espancando-os.

Chamo a atenção do Govêrno para êste facto irregular.

O orador não reviu.

O Sr. Ministro das Finanças (Vitorino Guimarães): — Pedi a palavra para declarar que tomei nota das reclamações que acaba de formular o Sr. Joaquim de Oliveira, e que as transmitirei aos meus colegas do Interior, da Instrução e da Guerra, como me foi pedido.

O orador não reviu.”